Meu primeiro Audax

Audax by piacere
Audax, a photo by piacere on Flickr.

“Desculpa te falar isso, mas… você não vai completar.” Essa foi a frase que mais ouvi quando algumas pessoas ficaram sabendo que me inscrevi para o Audax de 200km, em Holambra.

Tinha lido alguns relatos no blog das Pedalinas, mas a decisão de participar veio mesmo depois de completar a Rota Márcia Prado. São propostas completamente diferentes, mas ter percorrido, em um dia, uma distância muito maior do que faço no dia a dia me deixou super animada. O fato de não acordar com dores no dia seguinte foi outro incentivo.

Em um mês e meio, li mais relatos, busquei dicas de quem já tinha feito a prova, conversei com amigos e fui mexendo na bicicleta. A Caiçara, que tem esse nome, pois veio da praia e tinha guidão alto, ganhou um guidão reto, bar ends, e perdeu o jeito praiano.

Meu amigo Giu me avisou sobre o relevo de morros na região de Holambra, mas, apesar de a incerteza estar começando a dar as caras, insisti nos 200 km.

Quando chegamos para a vistoria, vi o pessoal com pinta de atleta e bicicletas que pesavam, pelo menos, metade da minha e brinquei: “o que estou fazendo aqui?”.

Na largada, percebi que meu ciclocomputador não funcionava. Parei para arrumar e fiquei para trás. Achei que era a última, quando um ciclista (desculpa, sou ruim de nomes) o Guilherme José de Sá (que reencontrei nos 300 km de Holambra, em 2013) parou para me ajudar. Ele seguiu e eu acelerei para alcançar o pessoal.

De cara, percebi que preciso treinar muito as subidas, mas fui levando. Durante um trecho, pedalei mais ou menos junto com outros dois ciclistas. Conversamos um pouco até um deles aumentar o ritmo e seguir sozinho. Depois, foi a minha vez de deixar o outro menino para trás para não perder o PC1.

Eu não tinha muito tempo, por isso a parada foi rápida. Voltei para a estrada e, por um bom trecho, não vi ninguém e até pensei que tivesse errado o caminho, mas logo alcancei outros ciclistas.

O trecho entre o PC1 e o PC2 era menor, porém foi o pior para mim. A 10 km do posto, não tinha mais água, nem gatorade e nem um posto no caminho. O sol deu o ar da graça e as subidas ficaram ainda mais difíceis para mim. Faltando 5 km, olhei o relógio e bateu o desânimo: iria perder o PC. Liguei para o Giu, que já tinha terminado os 135 km, e pedi resgate. Combinamos de nos encontrar no posto.

Quando cheguei, o Albert me saudou com um “ah, vá!” (num tom de mais surpresa ainda do que quando ele soube da minha inscrição) e pediu o passaporte, avisando que só faltava um minuto para o PC fechar. Entreguei correndo e fui beber água.

O pessoal do Audax em Holambra ligou para saber se eu tinha chegado, pois o Giu iria me buscar. Pensei um pouco e retornei a ligação dizendo que não precisava, tinha decidido continuar. O desânimo tinha desaparecido completamente e não sentia mais o cansaço.

O tempo mudou de novo. Foi-se embora o sol escaldante, veio o vento e, em seguida, a chuva. Fui ultrapassada por três ciclistas que estavam no PC2 comigo e haviam saído um pouquinho depois. Ao final de um morro, encontrei os três esperando por mim. Achei incrível essa atenção, porém avisei que eles não deveriam fazer mais isso, já que eu iria atrasá-los. Pedalamos juntos por mais um tempo e eles seguiram viagem.

Quando peguei o trecho sentido Limeira, tive certeza de que não completaria a prova. Tentei mais um pouco e, faltando 11 km para o PC3, as forças acabaram de vez.

Fiz uma loucura (mas pode chamar de burrice também) e aceitei a carona de um senhor que parou para perguntar se estava tudo bem. Ele disse que estava no outro sentido da pista quando me viu e, depois de levar um amigo para casa, voltou para ver se eu estava bem. “Vi vários ciclistas num posto de gasolina e imaginei que você estivesse com eles. Achei um absurdo eles te deixarem para trás.” Eu ri e expliquei que era uma prova de longa distância e que ninguém havia me deixado para trás.

No PC3, reencontrei os três meninos e avisei que era a última, pois o cara atrás de mim havia desistido. Voltei para Holambra de carona com o Richard, o Toni e o Labadia.

Foi impossível não lembrar do que ouvi do dono de uma bicicletaria. “É melhor você ter a frustração de percorrer os 135 km do desafio e perceber que você poderia ir além, do que ficar frustrada por não completar os 200 km”.

Meu lado teimosa ficou um pouco frustrado, sim, mas passou rápido. Pedalei 162 km em 10 horas, num percurso com muitas subidas. Como disse o amigo Kyono, eu conheci o meu limite e agora quero quebrá-lo. A inscrição para os 200 km em Rio das Ostras já está feita. ;)

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