Carnaval em Campos do Jordão

Início da jornada.

A ida

“Ah, eu vou vai!” E assim, num impulso, resolvi encarar a serra de Campos do Jordão em uma cicloviagem durante o Carnaval.

Na manhã de sábado, partimos de ônibus até Taubaté. A ida seria pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, passando por Tremembé. Apesar do calor, a primeira parte foi bem tranquila. Logo depois da primeira subida, paramos em frente ao posto da Polícia Rodoviária e aproveitamos para reabastecer as caramanholas.

O primeiro morrinho foi brincadeira perto do que veio depois. A placa indicava a distância até Campos do Jordão: 28 km. De subida! Sempre digo que sou ruim de subidas e percebi que o maior problema é a afobação. Quero que acabe logo e começo num ritmo mais intenso do que aguento. Aí, canso rápido e demoro para recuperar o fôlego. Porém, como a serra de Campos não acabaria tão cedo assim, fui me controlando para não exagerar.

Sobe, sobe, sobe.

Algumas pessoas foram mais rápidas e o grupo se dividiu um pouco. O sol forte e o calor não ajudaram e a água estava no fim. Quando vi uma caminhonete da DER, não tive dúvidas. Fui perguntar se o rapaz tinha água para nos dar. Muito solicito, ele encheu minha caramanhola e disse para eu beber que ele encheria de novo.

Fiquei lembrando de um texto dos amigos Fabrício e Affonso no blog Ushuaialaska. Eles falaram sobre a “humanidade” que existe em pedir água a outra pessoa e como “negar água é ao mesmo tempo a expressão mínima e máxima da maldade com o outro”.

Numa das paradas curtas para descanso, mandei uma mensagem para o Marcello perguntando se ele tinha encontrado o mirante com lanchonete sobre o qual alguém tinha comentado. A resposta veio rápida: fazendinha no km 38. Olhei para frente e estávamos a apenas alguns metros da entrada.

Torta de ricota com espinafre e saladinha de alface com flor comestível.

Com a fome e a sede que eu estava, parecia realmente que tínhamos encontrado um oásis. Lugar lindo, aconchegante, com comida orgânica e deliciosa! Ficamos lá por quase uma hora, comendo, bebendo e descansando. Depois seguimos em três: Shadow, Marcello e eu.

Reencontramos parte do pessoal pouco depois no mirante (que realmente existe!). Aproveitamos para comer milho cozido, mas perdemos o caldo de cana, pois a barraca já tinha sido desmontada.

Quase lá!

As últimas pedaladas foram no escuro, mas em poucos minutos chegamos a Campos do Jordão. A felicidade de alcançar o destino foi tanta que nem lembrava mais do cansaço.

Reunimos o grupo todo e fomos para a casa que tínhamos alugado, com subida no caminho, para continuarmos no clima, é claro.

Domingo de muita comilança

Cadê o chão?

Depois do café da manhã numa padaria amiga do ciclista, ou seja, com paraciclo, fomos passear em Capivari. No caminho, paramos para uma pedalada no ar: a Larissa foi testar a “bike-tirolesa”. Depois, encaramos a fila do teleférico para aproveitarmos a vista do Morro do Elefante.

O almoço foi na Baden Baden com direito a batata suíça e apfelstrüdel. Os não-vegetarianos optaram pelo eisbein. E todo mundo saiu de lá com a barriga cheia.

Perto de onde estávamos hospedados, decidimos parar em uma cervejaria. Alguns foram pedalar mais um pouco e outros ficaram para o bate-papo, cerveja e batata frita. Até que o Giba voltou com a ótima notícia de que, ali perto, tinha uma casa de espetinhos. E a gula falou mais alto de novo.

A brasília amarela.

Nos divertimos com a Brasília amarela cortada ao meio e adaptada para acomodar a chapa onde os deliciosos espetinhos são preparados. Comi o melhor pão-de-alho da minha vida e minha frustração foi não aguentar comer mais.

De barriga ainda mais cheia, voltamos para casa.

A volta

A Rodovia Monteiro Lobato é sem acostamento, cheia de curvas e tem apenas uma faixa em cada sentido. No entanto, as árvores projetam uma sombra gostosa no caminho e a vista é incrível.

Tive momentos de “Rota Márcia Prado feelings”, pois, embora estivéssemos descendo a serra, havia muitas subidas no percurso. De qualquer forma, foi bem mais tranquilo do que a ida, mesmo pedalando o dobro da distância.

:)

Pedalei sozinha por alguns momentos e parei várias vezes para fazer fotos. Num cruzamento, tinha uma banquinha de doces típicos. Não resisti e comprei um pacotinho de bolinhas de pavê de milho cobertas com chocolate.

Enfim, chegamos a Monteiro Lobato. Meu pai tinha me perguntado umas cinco vezes se passaríamos por lá. O almoço foi recomendação do Shadow e aprovado por todos: restaurante Resgate Caipira. Estava sem fome, mas me rendi quando vi que tinha quiabo e pudim.

Infância.

Antes de deixar a cidade, tirei uma versão meio fajuta de uma foto clássica de amigos. E outra com a Emília, é claro.

A empolgação bateu nos últimos quilômetros e, logo, estávamos em São José dos Campos. Pergunta aqui, pergunta ali e chegamos à rodoviária. Esperamos a turma, batemos a foto oficial de chegada e embarcamos no próximo ônibus.

Adorei a experiência e quero fazer mais e mais viagens. A volta à fazendinha é uma delas, com certeza.

New Yorker e eu.

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One thought on “Carnaval em Campos do Jordão

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