Monthly Archives: May 2014

Jalapão de bicicleta

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Nós, as bicicletas e a Serra do Espírito Santo. Foto: Artur Vieira.

Quando marquei as férias, decidi que queria cicloviajar e, em algum ponto, surgiu a ideia de irmos para o Jalapão.

Nós sabíamos que não seria fácil. O Artur, que já tinha ido duas vezes para lá, me perguntou algumas vezes se eu tinha certeza dessa viagem. Fui firme na decisão e parti tentando estar o mais aberta possível para perrengues. Só não imaginava que as surpresas viriam antes mesmo de começarmos a pedalar.

Fomos de carro para o Tocantins, passando pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O caminho rendeu até um encontro rápido com um lobo-guará.

Xi, quebrou!

Xi, quebrou!

Quando estávamos quase chegando em Ponte Alta, nosso ponto de partida, o carro quebrou numa estrada de terra pouco movimentada. Tiramos as bicicletas da traseira e fomos atrás de ajuda. Nos dividimos e o Artur voltou para onde o carro estava, enquanto eu seguia o caminho para uma fazenda.

Cheguei molhada de chuva e expliquei a situação para os homens que almoçavam ali. Num ritmo completamente diferente de São Paulo, eles me ofereceram almoço, terminaram de comer e de jogar uma partida de dominó e só então se levantaram para seguir comigo até onde o carro quebrou.

Quando chegamos, o carro estava funcionando, pois um senhor já havia ajudado o Artur tirando ar dos bicos injetores. Agradecemos e seguimos viagem.

Em Ponte Alta, fomos à Pousada Planalto e negociamos para deixar o carro lá. Nosso plano era seguirmos para Novo Acordo, São Felix do Tocantins e Mateiros, retornando para Ponte Alta.

Partimos cedo no dia seguinte e minha bicicleta estava estranha. Foram apenas 2km pedalados, quando o Artur verificou que o movimento central estava solto. Voltamos para Ponte Alta, mas não deu para arrumar, pois uma rosca estava espanada. O jeito foi seguir para Palmas atrás da peça.

Rodamos 48km e o carro quebrou de novo. Tentamos abrir os bicos como havia sido feito na véspera e nada. A estrada também era pouco movimentada, os celulares não tinham sinal algum e demorou um bom tempo até um cara de moto parar e nos informar que havia um sítio ali perto de onde seria possível fazermos uma ligação.

Peguei a bicicleta mais uma vez e fui até lá. Depois de tentativas frustradas de ligar para um mecânico em Ponte Alta, um caminhoneiro que estava por lá apareceu com um cartão de uma autorizada da Bosch em Palmas e consegui chamar um guincho.

Ficamos uma hora e meia esperando sob um sol impiedoso. Chegando em Palmas, deixamos o carro numa oficina mecânica e fomos atrás de uma bicicletaria. O cara do guincho nos deu essa carona e, se não fosse a demora, teria ficado por lá para nos levar de volta à oficina depois.

Bicicleta arrumada, voltamos para a oficina e recebemos a notícia de que a bomba de óleo diesel havia quebrado, não dava para comprar essa peça em Palmas e o carro só ficaria pronto em dois dias.

Para não atrasarmos ainda mais a viagem, combinamos com o dono da oficina de deixarmos o carro lá para ser arrumado e buscá-lo só depois de pedalarmos o Jalapão. Tudo acertado, voltamos com o cara do guincho para Ponte Alta.

Dormimos outra noite na Pousada Planalto, mas ficamos aliviados porque não voltaríamos mais ali, pois não gostamos do jeito da dona.

Enfim, o Jalapão!

O dia começou com neblina, deixando a paisagem mais bonita e o clima um tiquinho mais fresco. Invertemos o roteiro e seguimos sentido Mateiros, numa estrada com muitas subidas puxadas.

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Gruta do Sussuapara. Foto: Artur Vieira.

A primeira parada foi na Gruta do Sussuapara, com apenas 15km percorridos. Tiramos fotos, enchemos as caramanholas e o dromedário e trocamos um pneu de cada bicicleta, furados por espinhos.

Cerca de 10km depois, passamos por uma casa e resolvemos reabastecer as caramanholas por precaução. Enquanto conversávamos com o dono da casa, o Wagner, chegou um rapaz chamado Guilherme, que mora no caminho para a Cachoeira da Velha. Nos despedimos dele com um “até amanhã”.

Chegamos ao Rio Vermelho às 14:40, depois de 61km pedalados, e decidimos passar a noite ali. Almoçamos, remendamos câmaras, tomamos banho de rio e ficamos de bobeira. Montamos a barraca e, apesar do calor, preferimos ficar lá dentro do que encarar os mosquitinhos chatos do lado de fora.

Pegamos no sono pouco depois das 19h, mas acordamos com o barulho de uma chuvinha. O Artur recolheu nossas roupas que estavam num varal improvisado e logo dormimos de novo.

Cachoeira da Velha e Prainha do Rio Novo

Levantamos cedo, tomamos café e desmontamos o acampamento com calma. Eram apenas 10km até a bifurcação que leva à Cachoeira da Velha. A paisagem nesse trecho é bem bonita, com muitas árvores, mas a estrada já começa a ficar cheia de pedras.

Após a bifurcação, são 20km até a antiga Pousada Jalapão. Esse é o local onde o traficante Pablo Escobar construiu uma fazenda de luxo. Segundo o Guilherme, depois de confiscada pelo governo do Tocantins, a fazenda foi transformada em pousada, mas não deu muito certo. Hoje, nesse espaço funciona uma APA (Área de Proteção Ambiental).

Uns 2km antes da APA, há uma indicação de camping numa estradinha lateral. Foram 2km de muita areia e um riozinho até o camping do Paulo, que tinha nos visto na véspera acampados na beira do Rio Vermelho.

Voltamos para a estrada principal e logo chegamos ao nosso destino. Conversamos com o Guilherme e sua família e ele nos mostrou onde poderíamos passar a noite. Fizemos miojos para o almoço e fomos conhecer a cachoeira.

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Cachoeira da Velha. Foto: Artur Vieira.

Foram 10km com algumas subidas, pedras e areia, claro! A Cachoeira da Velha impressiona. Há uma trilha de 1km para a Prainha do Rio Novo. Tentamos seguir por ali, mas desistimos quando chegamos num trecho com uma escada de madeira. Pegamos um atalho pelo mato e voltamos para uma estradinha de areia.

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Prainha do Rio Novo. Foto: Artur Vieira.

Assim como na cachoeira, estávamos sozinhos na prainha. Ficamos um bom tempo na água, que estava morna e deliciosa.

A volta foi mais tranquila. Tomamos banho de chuveiro e preparamos nosso jantar. Apesar de termos nos instalado numa área coberta, montamos a barraca por causa dos insetos, principalmente, os marimbondos enormes que moram ali.

Rumo às dunas

Sem dúvida, este foi o dia mais puxado. Saímos às 8h, depois de nos despedirmos do Guilherme e de sua família, e felizes com as garrafas com gelo que ganhamos.

Como não estávamos dormindo muito bem nas últimas noites, o começo foi meio desanimado. O terreno cheio de pedras também não ajudava muito.

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Cobra-cipó, a danada! Foto: Artur Vieira.

Em determinado ponto, vi uma cobra pequena e de barriga amarela parada na estrada e com a cabeça levantada. Parei, tirei foto e passei bem longe dela. Depois, descobri que era uma cobra-cipó. “Cobra danada! Ela é rápida e vai atrás das pessoas”, contou a dona Benita. Dei sorte porque ela não veio atrás de mim.

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Tinha um pouquinho de areia no caminho. Foto: Artur Vieira.

Paramos na bifurcação para comermos algo e voltamos para a estrada principal. Eram tantas as pedras no caminho, que, mesmo na descida, eu seguia a 8 km/h. Quando as pedras acabaram, a areia foi tomando conta e tive que empurrar em vários trechos.

Ao passarmos pela Comunidade do Rio Novo, nos informaram que faltavam 13km até o bar da dona Benita, na entrada para as dunas. Mesmo com o rendimento baixo, daria tempo de chegarmos antes de escurecer e preferimos seguir ao invés de acamparmos ao lado do rio.

Foi lindo ver a luz do por do sol batendo na Serra do Espírito Santo e, por alguns instantes, até esqueci do cansaço.

Chegamos ao bar assim que escureceu e, em seguida, chegou um guia acompanhado por dois turistas do interior de São Paulo. Ficamos papeando um pouco, mas logo fomos montar a barraca, tomar banho e jantar. Antes de dormirmos, ficamos admirando o céu estrelado. Com certeza, um dos mais bonitos que já vi.

Dunas do Jalapão e Mateiros

O plano era levantar cedo e partir para as dunas, só que a chuva começou uns cinco minutos depois de acordarmos. Tomamos café e, como ela não passava, aproveitei para dormir um pouco mais.

Como o caminho era pura areia, fomos a pé para as dunas. Mesmo com a areia um pouco compactada pela chuva, não dava para pedalar por ali.

Dunas

Um pedacinho das Dunas do Jalapão.

As dunas são lindas e ficamos sozinhos ali admirando a paisagem. Essa é uma vantagem de ir para o Jalapão fora da temporada. Dá para aproveitar as atrações sem ninguém por perto.

Voltamos para o bar da Benita e esperamos o almoço ficar pronto. Comemos, enfrentamos a preguiça e partimos para Mateiros.

O pedal foi curto e a areia ainda estava presente, mas bem menos do que na véspera. Em compensação, foram muitas subidas e costelas de vaca.

Mateiros é uma cidade bem pequena e sem muita estrutura. Ficamos na Pousada Panela de Ferro, que estava sendo construída na última vez que o Artur esteve lá. Lugar limpo, organizado e com um delicioso bolo mangolão (versão “bolística” do pão-de-queijo) no café da manhã.

Jantamos no restaurante da dona Rosa, que havia sido muito bem recomendado. Comi arroz, feijão e ovo frito. Comida simples, mas muito saborosa. O engraçado foi ouvir a dona Rosa falando: “ah, eu já esperava vocês. Tinham me avisado que dois ciclistas estavam a caminho”.

A sobremesa foi um sorvete de manga na sorveteria perto da pousada. Já tínhamos parado ali quando chegamos e recomendo também os sabores murici e buriti.

Fervedouro e cachoeira

O plano de ficar mais um dia em Mateiros para aproveitar os atrativos da região já tinha sido descartado, mas ir ao Fervedouro do Mumbuca e à Cachoeira do Formiga era obrigatório.

A entrada para o fervedouro fica a apenas 1,5km da estrada principal, já no caminho para a comunidade do Mumbuca, de origem quilombola.

Fervedouro

Fervedouro do Mumbuca.

Assim que chegamos ao fervedouro, escutamos o barulho de uma moto. Era o Ceiça, o dono do lugar, chegando para cobrar a entrada (10 reais por pessoa seja para entrar na água ou apenas olhar). Ele conversou um pouco conosco, foi embora, mas voltou logo por causa de um grupo de estudantes de Porto Nacional.

A permanência no fervedouro depende da quantidade de pessoas por ali. Se há muita gente, é permitida a entrada de seis pessoas por vez e por apenas 20 minutos. Foi o que aconteceu com o grupo de alunos. O Ceiça ficou por ali, deitado na rede e contando histórias de como ele mata onças e sucuris, enquanto a professora responsável controlava os grupos.

Ceiça

Ceiça, no Fervedouro do Mumbuca. Foto: Artur Vieira.

Aproveitamos para comer um lanche e conversar com os alunos sobre a nossa viagem. Quando eles foram embora, o Ceiça disse para ficarmos à vontade e para depois passarmos na casa dele (na bifurcação da estrada principal com o caminho para o fervedouro) para pegarmos água gelada.

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Cacheira do Formiga. Foto: Artur Vieira.

A próxima parada era a Cachoeira do Formiga. Seguimos a dica do Ceiça e ignoramos a primeira entrada, cheia de areia. De acordo com ele, a segunda entrada teria areia apenas no começo. Não foi bem assim, porém pudemos pedalar a maior parte dos 6 km até a entrada da cachoeira.

Além de um bar, funciona ali um camping sem muita estrutura. A entrada também custa 10 reais, seja para nadar ou apenas olhar. O camping sai por 20 reais.

O Rio do Formiga tem a água mais limpa que já vi. Ela é um pouco mais fria do que nos outros rios do caminho, mas é bem rápido para se acostumar. Ficamos relaxando por ali e teríamos ficado mais tempo se não fosse o horário e a areia no caminho de volta.

Pouco antes de alcançarmos a estrada principal, o tempo começou a fechar e apertamos o ritmo para chegarmos ao Camping do Vicente. O guia que encontramos no bar da Benita nos informou que o camping havia mudado de lugar. Apesar da placa, deveríamos ignorar o primeiro camping e seguirmos para o próximo, que não teria nenhuma indicação.

Passamos pelo primeiro e continuamos. Do lado direito da estrada (sentido Novo Acordo), havia a placa “Camping do Rio do Formiga”. Ficamos na dúvida se era mesmo o Camping do Vicente e decidimos seguir um pouco mais pela estrada principal. Pedalamos menos de um quilômetro e resolvemos voltar, pois parecia que ia chover a qualquer momento.

A estradinha era curta e chegamos ao camping mais ajeitado de toda a viagem. Um lugar amplo, com muitas plantas, limpo e bem cuidado. Só tinha um porém, não havia ninguém. Pelos adesivos e recados colados num mural, concluímos que ali era mesmo o novo Camping do Vicente, mas nem sinal dele.

Achamos estranho, pois estava tudo aberto, havia celulares e óculos em cima da mesa. Esperamos quase uma hora antes de tomar banho. Nada ainda. Preparamos nosso jantar, comemos e limpamos tudo. Nada! Montamos a barraca e, com um pouco de receio, fomos dormir.

Meia hora depois, passei o maior susto. O cachorro do Vicente começou a latir e a arranhar desesperadamente as portinhas de onde estávamos. Logo pensei: “tem onça aí!” e fiquei quietinha na barraca. De repente, silêncio total. “Que merda! A onça levou o cachorro!”

Adormeci de novo. Duas horas depois, às 23h, acordamos com o barulho e faróis de um carro. Saímos da barraca e perguntamos: “seu Vicente?”. A resposta veio num tom divertido. “Eu mesmo! Não tem luz nesta casa? Acenda aí, menina. Vocês estão bem instalados? Comeram? Fiquem à vontade, podem pegar o que quiserem na geladeira. O bêbado aqui vai dormir e amanhã a gente conversa mais.” Doido!

Seu Vicente e São Félix do Tocantins

De madrugada, escutei o Vicente mandando o cachorro ficar quieto. Ufa! Ele não foi comido pela onça. O barulho era apenas para poder entrar na parte mais alta e dormir em cima do fogão à lenha. Onça, para nós, só mesmo as pegadas.

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Nós e o “véio mentiroso”. Foto: Artur Vieira.

Já tínhamos tomado café quando o seu Vicente apareceu de novo. O mineiro é bom de papo e ficamos cerca de três horas proseando com ele. No dia anterior, ele foi buscar umas madeiras, encontrar alguns amigos e acabou pulando de bar em bar antes de voltar para a casa.

Antes de irmos embora, fomos até o Rio Formiga, que corre no fundo do camping. A mesma água limpa e gostosa da cachoeira. Deu vontade de ficarmos mais um dia ali, só aproveitando esse lugar e ouvindo as histórias do “véio mentiroso”, como ele mesmo se definiu.

O pedal do dia foi curto, mas eu estava cansada por causa da noite mal-dormida. Chegamos em São Félix e fomos direto para a Pousada Jalapão, que pertence à Irá e foi recomendada pelo seu Vicente.

A Irá preparou um ótimo almoço para nós. Além do trio arroz, feijão e ovo frito, tinha também abobrinha refogada. De barriga cheia, fomos descansar.

São Félix é uma cidade dividida em duas partes e mais ajeitada do que Mateiros. Tomamos um café com pão-de-queijo no Cantinho da Tia Ro e depois ficamos batendo papo com a Irá e um rapaz de Brotas (esqueci o nome dele), que trabalha com rafting.

A fome voltou e fomos comer pizza do lado de lá da cidade. Tinha pizza vegetariana, mas nada de especial. A metade de alho estava mais gostosa, porém não consegui comer muito. Já tinha tomado uma jarra inteira de suco de cupuaçu.

Voltamos para o outro lado e fomos dormir.

Serra do Gorgulho e seu Camilo

Levantamos às 5:30 e tomamos café no Cantinho da Tia Ro. A quilometragem do dia era alta: 80km até a lanchonete do Camilo.

Catedral

Catedral.

Encaramos muitas subidas, mas tivemos vento a favor e os primeiros 30 km renderam, mesmo com várias paradas para fotos. Logo, chegamos à Catedral, que impressiona pelo tamanho.

Pedalamos 50 km até o Rio Novo. Atravessamos a ponte e paramos no posto fiscal para comer e pedir água. Ficamos quase uma hora ali conversando com o Gentil e o Valteir. Eles trabalham num esquema de escala. São sete dias e meio ali e, 22 dias e meio em Palmas.

Voltamos para a estrada e foram muitas subidas. Neste dia, em pleno Jalapão, viramos atração turística. Primeiro, um casal parou e pediu para tirar fotos conosco. Eles moram em Palmas e estavam resolvendo alguns negócios na região. Depois, dois rapazes que trabalham nos Correios e seguiam para São Félix também pararam para fotos. Infelizmente, esqueci de perguntar os nomes.

As primeiras formações da Serra do Gorgulho apareceram e nos decepcionamos achando que era só aquilo. Porém bastou pedalarmos um pouco mais para vermos as outras partes, com lindas e enormes rochas vermelhas.

Outra subida

Pedra, areia, subida. Tudo junto!

Os 30 km restantes não renderam muito. O vento passou a soprar contra, o calor estava forte, a areia deu o ar da graça e os trechos próximos a riachos começavam com boas descidas, mas terminavam no início de subidas íngremes.

Conseguimos chegar à lanchonete do Camilo dentro do horário previsto, entre 15h e 16h. Nos hidratamos bastante ali e seguimos para a fazenda, onde acampamos. Como ainda tínhamos algumas horas de luz, aceitamos a sugestão do Camilo e fomos até um riozinho a uns 4 km do camping. Tivemos que empurrar em alguns trechos de areia, mas valeu a pena.

Enquanto tomávamos banho, nosso jantar era preparado. Arroz, feijão, omelete e, para meu deleite, uma salada fresquinha de tomate, alface e repolho. Comemos feito ogros!

Fomos deitar logo depois. Estava ventando bastante e eu estava com receio de que chovesse durante a noite. Por sorte, a chuva não veio.

Novo Acordo

Depois de um café com pão quentinho e fatias de abacaxi, partimos para os últimos 70 km de Jalapão.

A paisagem mudou bastante durante o percurso e a estrada também. Foi um dia com buracos de erosão e longas descidas com muitas pedras, o que exigia bastante cautela. Eu ia devagar, cheia de cuidados, e o Artur descia feito doido. Nada como ter técnica.

Mais ou menos na metade do caminho, começaram as fazendas com grandes plantações de soja. Essa cultura está dominando a região e foi a paisagem mais feia de todo o percurso. Neste dia, fez muito calor e achei o trecho final bem chato. As subidas próximas a Novo Acordo também não eram animadoras.

Enfim, chegamos! Decidimos ir de ônibus para Palmas, pois eu não estava muito animada para pedalar mais 120 km no dia seguinte.

Foram oito dias seguidos de pedal e 500 km percorridos. Definitivamente não foi fácil, mas adorei. Esta foi a cicloviagem mais longa e mais intensa que fiz até o momento. Também foi a primeira vez que acampei (ter dormido numa barraca em festivais de música na Europa não conta).

O agradecimento mais especial vai para o Artur, que topa as minhas loucuras e é a pessoa mais companheira que há. Nossas andanças pelo mundo estão só começando.

Obrigada à Cintia e ao Davi por nos receberem tão bem nos dias antes e depois da viagem e pelos empréstimos de equipamentos.

Agradecemos também o Palmas, vulgo Alexandre. Por ser amigo de amigos, ficamos sabendo que ele percorreu o Jalapão de bicicleta em junho de 2013 e entramos em contato para pedir informações. Super atencioso, ele nos deu várias dicas bacanas e nos falou de algumas pessoas que encontraríamos pelo caminho.

Levamos algumas fotos que o Palmas tirou e fomos entregando pelo caminho: Guilherme, Val e Ruan, na Cachoeira da Velha, dona Benita, pessoal da Comunidade do Prata, perto de São Félix, Paulo, próximo ao Rio Vermelho, e seu Marcos, quase chegando em Novo Acordo. Será que alguém vai levar as nossas fotos?

Tem mais fotos no meu Flickr e no do Arturo. E informações sobre a rota estão aqui.

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