Monthly Archives: September 2014

Yosemite National Park

Yosemite Valley

Hello, Yosemite Valley!

Depois de passar por regiões bastante áridas da Califórnia, vimos a paisagem mudar para uma floresta de pinheiros conforme subíamos a serra. Já era tarde e fomos direto para o Evergreen Lodge, onde ficamos hospedados numa cabana cheia de charme.

No dia seguinte, levantamos cedo, tomamos um café reforçado (as exageradas porções americanas!) e seguimos para o Yosemite Valley.

Como estávamos de carro, a entrada foi cobrada pelo veículo e não pelo número de passageiros. Pagamos 20 dólares, que nos davam o direito de frequentar o parque por sete dias. Quem chega de bicicleta paga 10 dólares e pode aproveitar o mesmo período de tempo.

Na entrada, os guardas nos entregaram um jornal com notícias do parque, a programação de atividades do mês e informações sobre shuttles.

Yosemite

Lugar incrível!

Deixamos o carro no estacionamento para visitantes e fomos de ônibus até o Visitor Center. Descobrimos depois que dava menos de dez minutos de caminhada, mas valeu pelo bom humor do motorista que fez o papel de guia dando explicações sobre o caminho.

Pegamos um mapa do vale no Visitor Center e fomos conhecer a Ansel Adams Gallery. Aproveitando a facilidade de haver uma agência dos correios ali do lado, compramos cartões postais e já os enviamos para o Brasil.

A última parada antes da trilha foi no Wilderness Center para tentar conseguir permissão para a trilha do Half Dome. São concedidas 75 permissões por dia e, para tentar obter uma, é necessário fazer o pedido com antecedência por telefone ou pela internet e torcer para ser sorteado. Acabamos desencanando, pois não queríamos correr o risco de apenas um de nós conseguir a permissão.

Para nossa estreia, escolhemos a trilha para a Columbia Rock. Ela é curta, com apenas 1,6 km, mas é uma subida constante e tem alguns trechos com areia fofa. A maior parte da trilha é feita na sombra, porém, o final é mais aberto e o sol estava forte nesse dia. Chegamos ao nosso destino e fizemos um lanchinho admirando o Half Dome.

A trilha continua a partir dali para a Upper Yosemite Fall. Andamos menos de dez minutos e decidimos voltar para fazer companhia para a Cris e o Marcelo, que começaram a descida a partir da Columbia Rock.

Pegamos o carro e fomos conhecer alguns pontos mais afastados. Primeiro, passamos pelo Tunnel View, que tem uma vista incrível do parque. Em seguida, pegamos uma estrada cheia de curvas para chegar ao Glacier Point e ver o por-do-sol. Por segurança, essa estrada fica fechada durante o inverno.

Glacier Point

Half Dome visto do Glacier Point.

Havia bastante gente por ali, mas o Artur conseguiu um lugar bacana para fotografar o Half Dome iluminado pelos últimos raios de sol, enquanto eu fiquei andando e fazendo outras fotos.

Tuscan pasta

Tuscan pasta: uma delícia!

Nosso primeiro dia de Yosemite terminou com um jantar excelente no restaurante do lodge. Comi um espaguete com pesto de rúcula, alcaparras, tomates vermelhos e amarelos, pinholes e queijo pecorino. Delicioso!

Valley Loop e um susto

No dia seguinte, decidimos percorrer a Valley Loop, uma trilha de 20,9 km, plana e moderada, segundo o informativo do parque. O percurso é bacana, pois passa por várias atrações do vale como o Camp 4, El Capitan, Sentinel Rock, Cathedral Rocks, Bridalveil Fall e Three Brothers.

Yosemite

Uma das vistas do Valley Loop.

Quem não quiser fazer a trilha completa pode fazer o Half Loop, fazendo o retorno na base do El Capitan. O caminho segue mais ou menos paralelo à estrada de asfalto, se afastando em alguns pontos.

A partir do El Capitan, Artur e eu seguimos sozinhos. Essa parte é mais deserta e não cruzamos com ninguém. Em determinado ponto, já próximo ao retorno do Loop, a trilha ficou mais distante do asfalto. Vimos um monte de cocô esquisito e depois algumas pegadas frescas. Continuamos andando e levamos o maior susto!

A vegetação era mais fechada nessa parte e vimos uns arbustos se mexerem ao mesmo tempo em que ouvimos um bramido. Olhamos um para o outro e começamos a andar rápido no sentido contrário ao que seguíamos até encontrarmos um ponto onde era possível voltar para o asfalto. Nessa hora, não tínhamos a mínima vontade de ficar cara a cara com um urso.

Bears in Yosemite

Melhor não deixar comida no carro.

No parque, há várias recomendações referentes a esses habitantes nativos. Nunca se deve deixar comida ou artigos de higiene no carro. Vimos alguns vídeos de ursos educados que abrem as portas destravadas, mas a chance de a porta ser aberta pela força é bem maior.

Quem acampa deve guardar esses itens nos food lockers ou nos bear canisters, que são, respectivamente, os armários e as latas à prova de urso. Nada que exale muito cheiro deve ficar dentro da barraca.

Como os ursos circulam livremente pelo parque, a velocidade dos carros deve ser baixa. Nos pontos onde ocorreu algum acidente recente envolvendo um automóvel e um urso, é colocada uma placa com o desenho de um urso vermelho. Infelizmente, vimos umas cinco dessas placas.

El Capitan

El Capitan.

Seguimos mais um trecho pelo asfalto, mas andamos um pouco pela trilha do outro lado do vale também. Quando chegamos ao ponto de retorno do El Captain, próximo à Cathedral Beach, optamos por pegar o shuttle. No mapa específico de shuttles, não há indicação dos pontos do ônibus do El Capitan, que só funciona no verão. Por sorte, eu lembrava do mapa impresso no jornal Yosemite Guide.

Encontramos a Cris e o Marcelo e decidimos comer em algum lugar fora do parque. Dirigimos até a cidade de Grooveland, por onde tínhamos passado na chegada a Yosemite. Fomos parar no saloon Iron Door e aproveitamos até para jogar uma partida de sinuca.

Veggie burguer

Hamburguer vegetariano com cogumelos e avocado.

Ao olhar o cardápio, foi fácil escolher minha refeição: um hambúrguer de legumes. Mesmo privilegiando pratos com carne, em todos os lugares onde comi havia, pelo menos, uma opção vegetariana. E, geralmente, era hambúrguer.

Árvores gigantes

Em nosso último dia no parque, embora houvesse muito o que fazer no vale, decidimos ir conhecer as sequoias gigantes. Há três lugares para ver essas árvores majestosas: o Merced, o Tuolumme e o Mariposa Grove. Os primeiros eram mais próximos de onde estávamos e o Merced Grove foi bem recomendado. Porém, optamos pelo Mariposa Grove, onde há cerca de 500 dessas árvores.

California Tunnel Tree

California Tunnel Tree: por ali, passavam carroças.

Fizemos uma parte do passeio guiado, mas voltamos andando para poder tirar mais fotos. As sequoias impressionam e algumas até ganharam nomes devido a características específicas. A Grizzly Giant, por exemplo, com estimados 1.800 anos, é uma das mais largas. Um dos galhos tem 2 metros de diâmetro, o que o torna mais largo do que todas as outras árvores do Mariposa Grove que não são sequoias.

Por causa de diversos incêndios (alguns necessários para a saúde da árvore e feitos de maneira controlada, como foi explicado pelo áudio-guia), algumas sequoias ganharam buracos especiais. A Clothespin tem esse nome, pois o buraco formado lembra um pregador de roupas antigo e é grande o suficiente para passar uma caminhonete.

Voltando para o Lodge, Artur e eu alugamos bicicletas e fomos pedalar pela Evergreen Road. Primeiro demos uma volta ao redor da propriedade da hospedagem. O passeio começou tranquilo, mas aí veio um single track com pedras e achei mais seguro empurrar em alguns trechos.

Hetch Hetchy

A caminho de Hetch Hetchy.

Depois, seguimos até outra entrada do Yosemite, a Hetch Hetchy. Passamos por um acampamento que parecia abandonado e continuamos numa leve subida. Voltamos quando estava começando a escurecer.

Há tanta coisa para fazer no Parque Yosemite que ficaríamos facilmente mais de um mês por ali. São trilhas, praias de rio, caminhos para andar de bicicleta, opções para escalada e ainda há uma extensa programação oferecida pela administração do parque para crianças e adultos: workshops, passeios fotográficos, palestras, contação de histórias, apresentação de filmes, entre outras atividades. Algumas são pagas, porém a maioria é de graça.

O jeito vai ser voltar!

Mais fotos no Flickr.

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Miami e San Francisco

Bye California!

Férias!

Para desacelerar um pouco da correria antes das férias, passamos uns dias num apartamento em Miami Beach antes de seguirmos para a Califórnia. Ficamos numa região bem tranquila, com vários prédios pequenos e charmosos. Não fizemos nada demais e isso foi ótimo.

San Francisco

Eu já conhecia a cidade e estava animada para ir para lá com o Artur. Nosso tempo foi curto, mas deu para fazer coisas bacanas.

A primeira parada foi na REI. Essa rede é tão incrível que fomos duas vezes à loja em San Francisco e uma vez à loja em San Carlos. Lá tem equipamentos, acessórios e vestuários para pedalar, caminhar, correr, fazer trilhas, escalar, esquiar e acampar. Fiquei doida com algumas opções para cozinha de acampamento.

Alcatraz

Ilha de Alcatraz.

Fizemos o passeio de bike pela Golden Gate até Sausalito. Alugamos as bicicletas perto do Embarcadero e começamos o pedal de cerca de 15 km. Passamos pelo Fisherman’s Wharf, Ghirardelli Square, observamos a ilha de Alcatraz, cruzamos a ponte e chegamos a Sausalito.

Além de vários turistas de bike pelo caminho, chegando perto da ponte, cruzamos com muitos ciclistas treinando. Alguns deles balançavam a cabeça quando me viam pedalando com uma única mão, enquanto fazia fotos. Imagino que devem ocorrer vários acidentes com turistas por ali.

Golden Gate

Pedalar pela Golden Gate é demais!

Chegando a Sausalito, vimos dois ciclistas tomando multa de um guarda. Não sabemos o motivo, mas imaginamos que eles estavam em alta velocidade, pois ali era o final de uma boa descida.

Sausalito é um lugar charmoso com casas bonitas, várias lojinhas e restaurantes. Almoçamos por ali e depois pegamos o ferry para voltar para San Francisco.

Nosso tempo era curto e queríamos ir à Box Dog Bikes, uma bicicletaria muito legal, que funciona como uma cooperativa. Além de um ótimo atendimento, eles têm uma variedade bacana de produtos, bikes incríveis (inclusive, um quadro desenhado por eles) e até itens para camping.

Também passei com o Artur na Huckleberry Bicycles, que já tinha visitado na minha outra viagem. Foi nessa loja que conheci algumas marcas como Handsome, Civia, All-City e Salsa. Como parte de um programa de reocupação das antigas bancas de jornais da histórica Rua Market, antes do horário de abertura da loja, eles montam uma banquinha e oferecem alguns reparos básicos de graça.

San Francisco

Ciclistas na Market Street. Foto: Artur Vieira.

Berço da Critical Mass, conhecida como Bicicletada no Brasil, San Francisco é um paraíso para ciclistas com diversas ciclovias e bastante respeito. Era muito legal ver pessoas de várias idades se locomovendo de bike e formando até um “mini congestionamento” em alguns semáforos nos horários de pico.

Comidas

Voltando de San Carlos, fomos encontrar a Cris e o Marcelo no Pier 39. Lá é uma região bastante turística com muitas lojas, bares e restaurantes. Tive que me controlar numa loja de doces porque queria comprar vários chocolates da Ghirardelli, que acho maravilhoso!

L'Acajou

L’Acajou. Foto: Artur Vieira.

Ao passarmos por San Francisco a caminho de Yosemite, tomamos café da manhã no simpático L’Acajou, uma padaria e café que oferece produtos orgânicos e valoriza a sustentabilidade. O lugar e a comida são tão gostosos que fizemos questão de voltar.

Na última noite em San Francisco, Artur e eu fomos jantar com a querida Isadora, que mora ali perto. A Isa é vegan e nos levou ao The Plant, um restaurante orgânico com opções muito saborosas.

Comi um delicioso prato de quinoa com vegetais, tempeh e um molho de missô e gengibre. A sobremesa foi um cheesecake não assado de framboesa. Era bom também, embora o gosto do coco usado na massa tenha ficado muito forte.

O vinho escolhido foi o Scott Harvey, de Amador County, Califórnia. Não conhecia nenhum vinho de uva barbera, mas agora recomendo.

Foram dois dias que passaram voando!