Monthly Archives: October 2014

Escalando pela primeira vez

Pedra do Elefante

Pedra do Elefante

Fazia tempo que tentava colocar em prática o plano de um climbing day. A sugestão foi do Davi e conseguimos marcar uma data logo que o Artur e eu voltamos dos Estados Unidos.

Fomos para Hortolândia num domingo cedo para aproveitar o dia papeando, cozinhando e bebericando vinho. Sempre muito bom!

Na segunda-feira, partimos cedo para Andradas. Passamos num mercado para comprarmos comida e seguimos para o Abrigo do Pântano, onde deixamos nossas coisas e fizemos um lanche.

Pedra do Pântano

Como nunca tinha feito nada de escalada, eu era, claro, a café-com-leite do trio. Então, o Davi guiava, eu subia em seguida, rapelava antes dele e o Artur ia por último e desmontava tudo. Fizemos isso duas vezes numa via que não sei o nome no campo escola.

Pedra do Pântano

Pedra do Pântano

Tirando uma saidinha um pouco chata, a via era fácil e subi sem dificuldade. Porém, fiz feio no rapel. Desci devagar e fazendo paradinhas ao invés de “caminhar” de costas com passos contínuos. Como pata que sou, nas duas descidas, me desequilibrei e acabei batendo os cotovelos, ganhando um hematoma no esquerdo e um ralado no direito, mas nada demais.

Mugido da Vaca Louca

Escalando a Mugido da Vaca Louca. Foto: Davi Marski.

Depois, passamos para a primeira enfiada da Mugido da Vaca Louca. Achei essa parte tranquila e fui rápida na subida e na descida. Quando cheguei embaixo, o Davi comentou: “viu aquela plantinha lá em cima, no final da fenda? Lá mora uma caranguejeira”. Ui! Ainda bem que ela não quis ter contato comigo.

O Davi achou melhor não abusarmos muito no primeiro dia para não acordarmos muito quebrados depois. Guardamos as tralhas e fomos ver o pôr-do-sol na Pedra da Cruz. Sentados ali, vimos quatro tucanos voando para lá e para cá e ficamos divagando sobre o valor daquele momento. “Não precisamos de muito nessa vida!”

Logo que escureceu, voltamos para o abrigo. Tomamos banho, o Artur preparou o jantar, bebemos vinho e ficamos batendo papo com a fofa da Nice, que toma conta do abrigo. Antes das 22h, entramos no clima do interior e fomos deitar cedo.

Pedra do Elefante

Queríamos evitar o calor na rocha e, por isso, aproveitamos para dormir um pouco mais. Levantamos, tomamos café da manhã e arrumamos nossas coisas com calma. Almoçamos uma comida deliciosa em Ibitiúra de Minas e ainda ficamos enrolando um pouco na pracinha da cidade.

Deixamos o carro num canto onde não iria atrapalhar e começamos a caminhada. Apesar do vento, o calor era demais e fizemos paradas sempre que surgia uma sombra.

Davi e Artur

Davi e Artur na Pedra do Elefante.

Escalamos a via Nois que Face em duas enfiadas e chegamos ao cume pela via do Jacaré. Subi a primeira via numa boa, mas dei uma travada na do Jacaré. Não encontrava agarras que me deixassem confiante o suficiente e, por alguns instantes, bateu um medinho. Aí, parei, respirei fundo, aproveitei a segurança que tinha com o Davi retesando a corda e terminei a via.

Chegamos ao cume a tempo de vermos o sol se pôr. Nessa hora, senti uma felicidade imensa. Estava feliz por termos chegado ali da maneira como chegamos, por estar vivendo aquilo e mais ainda por estar compartilhando o momento com pessoas queridas.

Para o jantar, tivemos lasanha de panela de abobrinha e espinafre. Além de saciar a fome, a lasanha ajudou a nos aquecer.

Bivaque na Pedra do Elefante

Bom dia na Pedra do Elefante. Foto: Artur Vieira.

O meu primeiro bivaque foi marcado pela super lua. Estava tudo tão iluminado, que quase nem usamos as lanternas. Embora, em alguns momentos eu quisesse “apagar a luz”, gostei bastante.

E foi uma noite de muito vento. Procuramos um lugar um pouco mais abrigado, porém, não adiantou muito. Então, prendemos tudo direitinho para que nada saísse voando e nos enfiamos nos sacos de dormir para tentar abafar um pouco o barulho. Mesmo tendo despertado algumas vezes durante a noite, dormi e acordei bem.

Levantamos cedo, tomamos um pouco de café, guardamos tudo e fomos rapelar. Definitivamente, ainda vai levar um tempo para eu me sentir confortável no rapel. Desci devagar e xinguei um pouco o vento que resolveu soprar mais forte bem nessa hora. Fizemos a descida em quatro rapéis.

A caminhada até o carro foi rápida e logo estávamos a caminho de Andradas. Antes de seguirmos para Hortolândia, paramos na Cooperativa Agropecuária Regional de Andradas para o Davi comprar café em grão.

Sr. Aires selecionando cafés

Sr. Aires tirando a espuma para selecionar os cafés.

O atendimento foi ótimo e ainda ficamos conversando com o sr. Aires, que estava selecionando os grãos de diversos produtores da região. Sob a orientação dele, sentimos o aroma de duas amostras para percebermos a diferença entre um café de excelente qualidade e outro muito ruim.

Gostei muito das experiências e, principalmente, das companhias nesses dias. Cada vez mais, sinto que não precisamos de muito para sermos felizes.

P.S.: além de uma pessoa queridíssima, o Davi Marski é um excelente guia de montanha com um conhecimento incrível. Para saber sobre cursos e expedições, entre no site dele.

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