Monthly Archives: November 2014

Davi

Davi Marski

Chegando ao cume da Pedra do Elefante, em Andradas.

“Como sei que você é vegetariana, eu trouxe comida liofilizada para você também.” Essa foi uma das primeiras frases que o Davi falou para mim quando nos conhecemos. Estávamos em Rio das Ostras e íamos pedalar um brevet de 300km. Isso mostra o quanto ele era atencioso com as pessoas e estava sempre disposto a ajudar.

Nos encontramos algumas vezes depois, mas nosso relacionamento estreitou depois que comecei a namorar o Artur. Afinal, os dois eram muito próximos, como irmãos, e até brincávamos que o Davi era o segundo pai do Artur.

Li alguns relatos de amigos sobre um certo jeito ranzinza que ele tinha e acho que pulei essa parte. Minhas lembranças são de um Davi alegre e, quase sempre, brincalhão.

Adorava quando íamos para a casa dele e da Cintia para sessões de gordices, como ele um dia definiu. Ficávamos os quatro na cozinha, papeando, bebericando vinho (claro!) e preparando comidinhas gostosas para serem saboreadas acompanhadas de boas risadas.

Todos os momentos foram especiais, mas guardo com muito carinho nosso último encontro, quando o Davi me levou para escalar. Essa era uma das coisas que ele mais gostava nessa vida e fico muito feliz por ele ter feito questão de me proporcionar essa experiência.

Além da diversão da escalada, foram dois dias marcados por conversas mais filosóficas. No topo da Pedra da Cruz, enquanto assistíamos a um pôr-do-sol, falamos sobre a felicidade contida em momentos singelos como aquele. “Não precisamos de muito nessa vida”, ele disse. Éramos os três, cercados pela natureza, compartilhando uma garrafa de vinho e isso bastava para encher nossos corações de alegria.

No dia seguinte, bivacamos na Pedra do Elefante. Chegamos ao cume a tempo de assistirmos a mais um pôr-do-sol e nem consigo descrever o que senti direito. Estava transbordando de felicidade. Depois do jantar, ficamos vendo a lua e papeando sobre a vida. Falamos novamente sobre a simplicidade e a riqueza daquele momento.

E não me esqueço de uma das frases que o Davi disse nesse dia. “Já vi tanta coisa bonita neste mundo, que é difícil me encaixar.” Ele se referia a padrões e cobranças da sociedade, claro, pois é óbvio que estava encaixadíssimo naquele lugar, naquela hora e compartilhando aquele momento comigo e com o Artur.

O peito aperta e é muito triste saber que não vou poder mais desfrutar da companhia desse pentelho querido. Apesar do pouco tempo de amizade, fizemos bastante coisa e ainda foi muito pouco perto dos planos que fazíamos e de tudo o que poderíamos ter feito.

Obrigada por tudo!

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