Carnaval na Mantiqueira

CicloMantiqueira

Serra do Ministério, entre Virgínia e Maria da Fé.

Os últimos meses foram tão corridos, que estava difícil até mesmo sairmos de São Paulo. Porém, queríamos aproveitar o feriado de Carnaval e nada melhor do que fazer uma cicloviagem.

Usando um guia do Guilherme Cavallari, o Artur montou um roteiro surpresa por estradinhas de terra da Mantiqueira e só fiquei sabendo para onde iríamos na quarta-feira antes do feriado. Arrumamos tudo na sexta-feira à noite e, sábado cedinho, partimos de ônibus para Itajubá.

Itajubá – Marmelópolis

Depois de comermos um lanche numa padaria perto da rodoviária, começamos o pedal em frente à antiga estação ferroviária da cidade. Passamos por uma área militar, por bairros já com estrada de terra e foram alguns quilômetros até entrarmos na zona rural.

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Delícia de estrada!

Como esperado, a paisagem era linda por todo o caminho. Passamos por trechos com muitas árvores, o que tornava a temperatura mais agradável para pedalar, e o barulhinho de água nos acompanhou durante quase toda a viagem.

Ao cruzarmos com um carro com suporte para bike, a motorista nos perguntou se tínhamos visto um ciclista pelo caminho. “Deixei meu marido em Taubaté e fiquei de encontrá-lo por aqui, mas acho que ele se atrasou.” Não demorou muito e ela passou por nós de novo com o marido resgatado. Muito simpáticos, disseram para pararmos na casa onde estavam. “Vocês verão o carro estacionado na frente.” Paramos para dar um oi para a Amanda e o Pedro e logo seguimos adiante, pois ainda tínhamos muitas subidas pela frente.

Estava meio tarde para almoçarmos em Delfim Moreira, então, optei por um açaí, enquanto o Artur comeu um salgadinho meio tranqueira. Saindo da cidade, passamos em frente à cervejaria Kraemerfass e, embora esteja nos nossos planos conhecê-la, não foi dessa vez.

Para chegarmos à Marmelópolis, encaramos a Serra da Goiabeira, que era de terra na época em que o guia foi editado. O asfalto está bom em quase todos os trechos e a descida é bem gostosa. Ao chegarmos à cidade, fomos parar na pousada Bella Vista, onde encontramos quatro ciclistas de Itajubá que estavam fazendo o mesmo trajeto.

Tomamos banho, jantamos num restaurante simples e de comida farta próximo à Praça Cica e fomos dormir cedo.

Marmelópolis – Itanhandu

O despertador tocou cedo, mas dormimos uma hora a mais. Nos deliciamos com as lichias do café da manhã e acabamos saindo por volta das 10h.

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Subidinha.

Logo no começo, encaramos muitas subidas e várias delas com pedras soltas. Havia muitas fazendas e o roteiro seguiu por estradinhas estreitas e bonitas. Passamos ao lado do campinho do Itaguaré, onde começa a subida para o Pico do Itaguaré, e aproveitamos para fazer um lanche por ali.

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Vista da Serra Fina.

Para chegarmos a Passa Quatro, encaramos uma longa subida, seguida de uma longa descida com vista para a Serra Fina. Paramos algumas vezes para tirar fotos e achei alguns morangos silvestres que estavam deliciosos. Pena que eram poucos.

Passa Quatro é uma cidade fofa e estava toda enfeitada para o Carnaval. Fizemos a boa opção de almoçar na fornaria Antônio. Enquanto comíamos, chegaram os ciclistas que conhecemos em Marmelópolis: Deise, Egg, Denis e Cidy.

Com as barrigas cheias, papeamos um pouco, tiramos fotos e voltamos à estrada. Por questões de hospedagem, eles seguiram para Itamonte e nós paramos em Itanhandu. Esses foram os 10 km mais fáceis e sem graça de toda a viagem.

O Carnaval estava animado em Itanhandu e vimos várias pessoas fantasiadas. As mais marcantes foram o quinteto de Power Rangers e o He-man. Pena que não tirei fotos. Jantamos pizza e voltamos logo para o hotel.

Itanhandu – Virgínia

As rosquinhas de coco do café da manhã estavam incríveis. Comemos todas! Choveu bastante na noite anterior e as estradas estavam com bastante lama. Passamos por várias fazendas e vimos muito gado. Também cruzamos com alguns ciclistas que seguiam na direção de Itanhandu.

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E deu para ver o Pico dos Marins.

Nos outros dias, passamos por trechos do Caminho de Aparecida e da Estrada Real e, neste terceiro dia, percorremos uma parte do Caminho dos Anjos. Também foi dia de avistarmos o Pico dos Marins.

Em seguida, veio a Serra do Palmital. Sem dúvida, foi a mais gostosa do caminho todo. Ela é bem estreita e com uma vista linda, claro! A descida também foi tranquila e chegamos em Virgínia no começo da tarde.

Depois de rodarmos a cidade, paramos num restaurante para almoçarmos. As opções eram “prato raso” e “prato fundo”. Pedi o primeiro, óbvio, e mesmo assim não dei conta da montanha de arroz e feijão que me foi servida.

Pensamos em nos hospedar no Hotel Fazenda Vale da Mantiqueira, pois seria caminho no dia seguinte. Liguei para perguntar se havia vaga e desisti quando a atendente me informou que o gerente tinha autorizado o desmembramento do pacote, porém, a diária teria o mesmo custo do pacote completo: R$ 1.050. Não, obrigada!

Fomos para a outra hospedagem da cidade, a Pousada 13 Lagos, que fica na estrada para Pouso Alto, e havia sido recomendada pelos ciclistas de Itajubá, que já estavam por lá. O fim de tarde e o começo da noite foram divertidíssimos, com muita conversa, risadas e algumas latas de cerveja.

Estávamos preparados para acampar por ali, porém, houve uma desistência de última hora e conseguimos um chalé para passarmos a noite. Fizemos nosso jantar para tirar um pouco de peso da bagagem, comemos e fomos dormir.

Virgínia – Itajubá

Tomamos café da manhã no quarto porque o da pousada era muito tarde para os nossos planos. Organizamos tudo e, na hora de irmos embora, cadê o senhor Mauro para acertar nossa conta? Ele tinha ido buscar pão na cidade para o café e, por causa da espera, saímos cerca de 30 minutos depois do previsto.

Na entrada de Virgínia, mais um atraso: meu pneu traseiro furou. Na hora da troca, mais uma baixa: um raio quebrado. Sorte minha que a roda tem 36 raios e aguentou o tranco do último dia da viagem.

Depois do Hotel Fazenda, há algumas casas com lindos jardins. Os moradores foram muito simpáticos e, como íamos em direção à serra, uma senhora disse que somos corajosos.

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Um pouco de névoa na Serra do Ministério.

Logo depois da igrejinha, começa a Serra do Ministério, com 8 km de subida. O tempo ajudou bastante nessa hora e havia até um pouco de névoa quando chegamos ao topo do morro.

Estávamos começando a descer, quando ouvimos uma buzina amigável. Era o Egg, da turma de Itajubá, dirigindo o carro de apoio. Ele encostou o carro por ali, pegou a bicicleta e foi encontrar o restante da turma na subida da serra.

Seguimos com cautela, eu principalmente, pois havia bastante lama e pedras nos 11 km de descida até Pintos Negreiros, distrito de Maria da Fé. O único bar que vimos por ali estava fechado, então fomos ao mercado comprar pão e queijo para fazermos um lanche. O Artur não resistiu à peça de parmesão que estava na vitrine e o queijo foi parar no meu alforje. Foi uma releitura da brincadeira “o Tux carrega”.

Enquanto comíamos, o pessoal de Itajubá chegou. Eles também aproveitaram para comer algo; ficamos papeando e partimos juntos para a Serra do Pouso Frio, a segunda do dia. Esta serra é mais curta, com 5 km, porém, a subida é mais íngreme e como descreveu o Cavallari, “sem um centímetro de descanso”.

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Denis trocou a aro 29 com suspensão pela garfo rígido com alforjes.

Apesar de algumas paradas, a subida rendeu. Fomos conversando bastante e, na metade do caminho, o Denis ficou curioso para pedalar minha bicicleta com alforjes. Fizemos a troca e, graças a ele, os últimos 2,5 km foram tranquilos para mim. Além de pedalar sem peso, o aro 29 e a suspensão deixaram a subida bem mais fácil.

Pouco depois, o Cidy e o Artur também inverteram as bikes. Dos trechos que percorremos da ciclomantiqueira, este foi o meu favorito. As paisagens lindas e as companhias divertidas somaram-se ao prazer de vencer as duas serras.

A descida até Maria da Fé foi marcada pela chuva gelada que caiu forte. Chegando ao posto de combustível indicado no guia, optamos por fazer o último trecho até Itajubá pelo asfalto. Foram longas descidas e algumas subidas, acompanhadas das lembranças de quando o Artur e eu pedalamos por ali na viagem para Aiuruoca.

Aceitamos o convite da Deise e dormimos uma noite em Itajubá. Fomos com ela, o Egg, Denis e sua esposa Mônica ao tradicional Bar da Maria saborear quitutes mineiros. Recomendo o pastel de milho com queijo.

Apesar do cansaço devido às poucas horas de sono (pegamos o primeiro ônibus para São Paulo, às 4:15), cheguei em São Paulo renovada. Paisagens lindíssimas, novos amigos, bicicletas e poder dividir tudo isso com o Artur são alguns dos motivos para que essa viagem tenha sido tão incrível.

Que venha logo a próxima! Para ler o relato do Artur, clique aqui.

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3 thoughts on “Carnaval na Mantiqueira

  1. Pingback: pedal Mantiqueira 200km | artur vieira

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