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Serra Fina em três dias

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Casinha na montanha.

Depois de adiar algumas vezes a travessia da Serra Fina, finalmente, surgiu a chance de riscá-la da minha “lista de desejos”. Nem me lembro direito como foi, mas, quando dei por mim, estava planejando por a façanha em prática no final de julho com as queridas Luana e Sofia.

Para facilitar a logística, minha mochila e parte da comida e do equipamento ficaram com a Lu e a Sofi já que o combinado era elas me pegarem de carro no trabalho na sexta-feira. Tive uma semana bem corrida antes da travessia, com direito a viagem a trabalho, e o companheirismo que eu já sabia existir foi reforçado mais ainda quando recebi uma foto com as três mochilas organizadas pelas duas.

Na sexta, tivemos alguns contratempos e acabamos chegando depois da meia-noite em Passa Quatro. Agilizamos o que foi possível na hora e fomos dormir. Nosso transfer estava agendado para as 4h30, mas o atraso foi grande e a Patrícia chegou quase às 6h da manhã. Pelo menos, deu tempo para tomarmos o café da pousada já que o Sérgio e a esposa prepararam tudo às 5h30.

Primeiro dia – Da Toca do Lobo até depois do Maracanãzinho (8,6km)

No caminho para a Toca do Lobo havia vários corredores de montanha. E eu sabia de alguns conhecidos que estavam por ali para realizar meia travessia, mas vi que tinham saído bem cedo e, pelo ritmo deles, com certeza, não iríamos nos encontrar (e não nos vimos mesmo). Nos deparamos também com grupos guiados, que iriam fazer a travessia em dois dias, e descobrimos que algumas agências oferecem o serviço de porteadores, que levam as barracas e parte da comida para o local do pernoite.

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Mesmo começando mais tarde, ainda pegamos trechos com bastante sombra.

Começamos a caminhada às 6h45, subindo sem pressa. Tínhamos lido que o trecho até o Capim Amarelo é o pior pelo ganho de altimetria e não queríamos abusar, porém, notamos que a subida é íngreme, mas menos dura do que havíamos imaginado.

Paramos ora para tirar o casaco, ora para fotos, ora para um lanchinho mais longo e, ainda assim, chegamos às 11h35 ao cume do Capim Amarelo (2.491m). Ficamos felizes, pois ouvimos que não chegaríamos ali antes das 14h. Nesse cume rolou a primeira coincidência da travessia: dei de cara com a Valéria, minha professora de corrida, que mora em Passa Quatro há alguns meses.

Logo continuamos o caminho e íamos ultrapassando e sendo ultrapassados por dois mineiros de São Gonçalo do Pará (arredores de Divinópolis-MG). Passei o track da travessia para um deles usando o sistema de transmissão wireless do gps (adorei descobrir essa funcionalidade) e nos despedimos deles por volta das 16h30, quando encontramos um ponto com vista para a Pedra da Mina e decidimos acampar por lá.

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Vista do nosso primeiro camping; a Pedra da Mina fica à esquerda desse pico.

Nosso plano inicial era ficarmos na base da Pedra da Mina, mas o atraso da saída, a vista do camping e o risco de não encontrarmos lugar para nos instalarmos por lá (tinha muita gente na trilha!) nos fizeram mudar de ideia. Montamos a barraca com calma e aproveitamos os últimos raios de sol – que aliviavam o frio provocado pelo vento – para trocarmos as roupas fedidinhas da trilha por outras mais quentinhas e limpinhas.

Devido à alteração do local do pernoite, tivemos que racionar um pouco a água. Ainda tínhamos o suficiente para bebermos tanto à noite quanto pela manhã e até para um cafezinho, mas jantamos lanches ao invés de cozinharmos. Enquanto comíamos, ficamos atentas aos ratos que rondavam nossa comida – um deles chegou a passar pelo meu pé.

Fomos muito cedo para a barraca (18h). O cansaço das últimas noites mal dormidas e o esforço desse primeiro dia fez com que dormíssemos logo, com direito apenas a uma espiada na bela lua cheia. Por volta das 22h, o vento aumentou bastante e acordamos várias vezes à noite por causa do barulho.

Segundo dia – Camping depois do Maracanãzinho até o bambuzal (8,4km)

Por termos deitado tão cedo, achamos que acordaríamos a tempo do nascer do sol, mas nos enganamos. Saímos da barraca às 7h, vestimos as roupas de trilha e preparamos o café: pão sírio com pasta de amêndoas e especiarias, abacate, queijo, salame (para a Lu e a Sofi, eu sou vegetariana) e café, claro.

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Com tempo bom, a travessia da Serra Fina oferece um festival de paisagens deslumbrantes.

Tratamos o dia por etapas e a primeira era nos reabastecermos com água. Quando chegamos ao rio Claro na base da Pedra da Mina, ficamos revoltadas ao vermos papel higiênico ali perto. Aliás, essa foi uma tristeza por todo o caminho: muito papel e lencinhos ao longo da trilha.

Enchemos nossas garrafas, esperamos o hidroesteril agir, matamos a sede e tornamos a completar nossos vasilhames antes de começarmos a subida.

No cume da Pedra da Mina (2.798m – quarto mais alto do país), encontramos um pessoal que estava fazendo bate-e-volta via Paiolinho e ficamos papeando enquanto descansávamos um pouco e comíamos. Eles nos ofereceram sequilhos (aceitos de muito bom grado pela Sofi) e bolachas, mas estávamos bem abastecidas com comida.

 

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Vale do Ruah, Cupim de Boi, Cabeça de Touro, Pico dos Três Estados e o Itatiaia mais ao fundo.

A passagem pelo Vale do Ruah foi tranquila e rápida graças ao gps. O capim estava bem marcado em vários pontos, o que pode levar a alguma confusão em relação à trilha, embora, com tempo aberto, seja fácil identificar a direção que deve ser seguida.

No final do vale, há o último ponto de água até o final da trilha, o rio Verde. Paramos para encher as garrafas e o dromedário que a Lu carregava justamente para esse momento. A Sofi e eu levamos quatro litros cada uma e a Lu, quatro e meio.

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Cupim de Boi à direita e Pico dos Três Estados.

Seguimos no sobe e desce de cumes até o Cupim de Boi (2.543m) e assistimos a um pôr do sol espetacular. Mesmo atentas ao horário, pois não queríamos descer do cume no escuro, tivemos tempo para admirarmos a luz batendo nas formações do Itatiaia.

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Por do sol no cume do Cupim de Boi com vista para o Agulhas Negras e as Prateleiras.

Nessa hora, as pernas sentiam o esforço da véspera e eu ainda tinha o agravante de ser uma pessoa sem muito fôlego (e que havia doado sangue 15 dias antes). Fomos um pouco mais lentas e decidimos pernoitar no bambuzal, uma grande área de camping logo depois do cume do Cupim de Boi. O lugar é excelente, com bastante espaço para barracas e a proteção dos bambus. No entanto, ficamos horrorizadas ao vermos uma sacola de supermercado cheia de lixo, amarrada e encostada em um canto como se a espera do lixeiro. É muita falta de consciência!

Aproveitando o espaço, montamos a barraca e a tarp, garantindo o conforto do quarto e da cozinha. Usamos lencinhos umedecidos para uma limpeza básica e passamos ao preparo do jantar. Carregar toda aquela água compensou e nosso menu foi: bis, missoshiro, macarrão de feijão preto (opção de proteína) com cogumelos, queijo e bastante azeite e chá de capim cidreira com camomila, para nos aquecer e hidratar. Os ratos nos fizeram companhia de novo durante todo o jantar e tínhamos que ficar atentas.

Antes de dormir, fizemos um pouco de liberação miofascial e aplicamos um gel relaxante para os músculos. Em relação à noite anterior, a sensação de frio era menor (não levamos termômetro para saber a temperatura correta) e dormi com menos camadas. A Sofi era a calorenta do rolê e a Lu, o oposto.

Terceiro dia – Camping do Bambuzal até a rodovia (11,7km)

Ignoramos nossos planos de sair cedo para saborearmos o café da manhã sem pressa: crepioca, abacate, pasta de amêndoas com especiarias, mel, queijo meia-cura feito pela mãe da Lu (di-vi-no!) e café.

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Pausa para o lanche no Pico dos Três Estados.

Após uma bela escalaminhada, chegamos ao cume do Pico dos Três Estados (2.665m) às 10h15, com uma hora de caminhada. Cerca de dez minutos depois, apareceu um casal que estava fazendo a travessia em dois dias e aí tivemos a segunda e maior coincidência da viagem. Conversa vai, conversa vem, a Lu descobriu que o rapaz é primo de um cara que estudou com a irmã dela. Mundinho pequeno!

Ao assinarmos o livro do cume, vimos vários comentários que se referiam ao Pico dos Três Estados como o último cume da travessia, mas sabíamos que ainda tínhamos o Alto dos Ivos (2.520m) pela frente. Só não sabíamos que ele também exigiria uma escalaminhada. Chegamos ao topo às 13h15 e aproveitamos para fazermos um lanche mais reforçado e também avisarmos a Patrícia (Adventure Transfer) sobre nossa posição para que ela tivesse tempo de se programar para nos buscar.

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Sofia admirando os cumes que ficaram para trás.

A partir desse ponto começamos a descida. As pedras e a inclinação demandam atenção e os bambus (definidos com precisão como bambus-do-capiroto pelos meus amigos do Se ela corre, eu corro!) são um tormento à parte. Eles enroscam, arranham, provocam hematomas e são consistentes por quase todo o caminho.

Conforme fomos baixando a altitude, notamos a mudança na vegetação e logo estávamos na estrada que leva ao sítio do Pierre e depois à rodovia que liga Itamonte à Dutra. Chegamos dez minutos antes do tempo estimado pela Patrícia, que foi nos buscar com pão-de-queijo e Guaranita (eba!).

De volta à pousada, tomamos banho, passamos um café e pegamos a estrada. Em relação à travessia, não poderia ter tido estreia mais perfeita na Serra Fina. O tempo colaborou e tivemos céu azul e vistas incríveis quase que o tempo todo – algumas poucas nuvens nos deixaram receosas em relação à chuva, mas foi só receio mesmo. Minhas companheiras de trilha foram (e são) incríveis! Obrigada, Lu e Sofi, pelos momentos compartilhados e que venham outros. E fica um agradecimento especial ao Artur que, a distância, nos acompanhou, torceu e incentivou.

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17º Encontro de Cicloturismo

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Foto oficial do 17º Encontro. Créditos: Walter Magalhães.

Neste ano, encerramos nossas férias no 17º Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura, organizado pelo Clube de Cicloturismo do Brasil. Mesmo tendo bastante contato com o pessoal do clube (até demos uma palestra sobre a viagem para o Equador), essa foi a primeira vez que participamos do evento, que acontece todos os anos no feriado de Corpus Christi, em Campos do Jordão.

O encontro foi uma oportunidade ímpar para revermos amigos queridos e ainda conhecermos outras pessoas com o mesmo interesse por viagens de bicicleta.

A programação desta edição incluía palestras de pessoas cujas viagens acompanhei pelas redes sociais como a Andrea e o Bruno (Larguei Tudo e Fui) e o Ricardo Martins (Roda América e agora Roda Mundo), de figuras bastante conhecidas no mundo do cicloturismo como a Rafaela e o Olinto e ainda alguns que eu não conhecia e foram surpreendentes como a Taline e o Acauã (Amorbikecafé) e o José Guilherme Veiga (Ushuaia-Alasca).

Foram quatro dias intensos que passaram rápido demais. Em meio a conversas, risadas e aprendizados, tivemos espaço para muita emoção. O agradecimento por um par de alforjes sorteados veio em forma de poesia e foi difícil conter as lágrimas. Dona Hercília comoveu muita gente com suas palavras ao agradecer o mimo trazido pelo, agora amigo, Veiga.

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Ouvindo as histórias do José Guilherme Veiga.

Foi dele também a palestra que mais me marcou. Com muito bom humor, ele contou sobre tudo o que deu errado em sua jornada: dor no joelho, vento contra por todo o caminho, companheiro de viagem que foi embora sem avisar, bicicleta quebrada no meio da Dalton Highway (estrada no Alaska simbólica até na quilometragem: 666km) e, no final, assistir à cena dos ursos destruindo sua bicicleta e alforjes.

Alguém que nunca fez uma viagem de bike poderia pensar que essa é uma tremenda furada, mas o vídeo que ele mostrou na sequência, repleto de paisagens lindas e sorrisos enormes, confirmou que, apesar dos momentos difíceis, viajar de bicicleta traz leveza e muita felicidade.

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Parte da galera no segundo dia de pedal autoguiado.

Além das palestras, o encontro inclui sugestões de roteiros para pedais autoguiados e um pedal coletivo no penúltimo dia, em ritmo tranquilo. Neste ano, fomos a uma cachoeira encarando subidas e descidas na região de Piranguçu.

Quem quiser mais informações sobre as atividades basta acessar o site. O clube promove ainda uma palestra mensal e gratuita no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, uma ótima chance para entrar em contato com apaixonados por cicloviagens.

Aproveito para deixar aqui meus agradecimentos ao pessoal do clube pelo convite e pela oportunidade de ter participado desse encontro. Obrigada, de coração!

Cicloviagem de férias na Mantiqueira

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Cicloviagem pela Mantiqueira: morros que não acabam mais.

Com a aproximação das férias, decidi que queria fazer uma viagem de bicicleta. Primeiro, pensei em conhecer o Circuito das Araucárias, em Santa Catarina, mas resolvi traçar uma rota pela região da Mantiqueira (amo!), facilitando a chegada ao Espaço Araucária (acabamos deixando o carro lá), onde participamos do 17º Encontro Nacional de Cicloturismo.

Como a altimetria era pesada e estávamos pedalando pouco, optamos por ir sem equipamento de camping e dormir em pousadinhas. Instalamos bolsas de selim no esquema bikepacking; usei ainda a bolsa da Vó Joaquina no guidão e uma pochete; o Artur foi com dois porta-volumes de guidão da marca Aresta e uma mochila de ataque.

Dia 1 – Do Espaço Araucária a Itajubá (48,4km – 976m)

Para traçar as rotas no Ride with GPS, uso muito as imagens de satélite do Google Maps e isso, às vezes, resulta em algumas surpresas pelo caminho. Logo nos primeiros quilômetros da viagem, caímos em um quintal e a dona nos informou que a estrada foi fechada devido a uma briga de vizinhos.

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Itajubá acabou sendo o destino do primeiro dia de viagem.

Com a mudança de planos, voltamos pelo mesmo caminho e fomos em direção à cidade de Piranguçu. Encaramos a subida da serra de São Bernardo e passamos pela represa de mesmo nome. Decidimos não passar por dentro da cidade e seguimos direto para Itajubá. Os últimos quilômetros foram no asfalto e – ufa! – havia acostamento na parte mais movimentada da estrada.

Em Itajubá, a querida Deise já tinha nos oferecido hospedagem e foi um prazer enorme reencontrar os amigos que fizemos em uma viagem de carnaval.

Dia 2 – De Itajubá a Maria da Fé (29,5km – 573m)

No dia seguinte, a Deise e o Egg pedalaram conosco até Maria da Fé – o Denis não nos acompanhou, pois tinha uma prova de mtb no domingo e havia programado um giro leve.

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Com os amigos Deise e Egg em Maria da Fé.

Nossos guias nos levaram pela trilha do “alface” (o nome tem relação com as hortas do caminho). Eu já tinha pedalado parte dessa estrada em uma viagem com o Giu e descobri que, se tivéssemos seguido pela esquerda em determinado ponto, teríamos feito um caminho muuuuito mais suave. Nada como pedalar com locais.

Enquanto almoçávamos, uma chuva forte e gelada começou a cair e não parou mais. Desencanamos de seguir até Cristina e, por sorte, conseguimos uma hospedagem em Maria da Fé – estava tudo lotado devido a um evento de moto na região.

Ainda quero voltar para Maria da Fé para conhecer a fábrica de azeites, mas, tirando isso, não há muitos atrativos na cidade.

Dia 3 – De Maria da Fé a Carmo de Minas (55,1km – 1.318m)

Apesar de o dia anterior ter sido encurtado por causa da chuva, mantivemos o destino do terceiro dia: Carmo de Minas. Para complementar o café safado da pousada, fizemos uma parada estratégica na Padaria do Thiaguinho – outra dica boa dos amigos de Itajubá.

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Entre a Beleza e a Paciência.

O dia começou gelado: 9°C, às 7h30, mas logo esquentamos com as subidas. Seguindo pela terra, passamos por dois bairros e suas respectivas serras: a Beleza e a Paciência. Enquanto subia devagar, lembrei de uma frase bobinha sobre relacionamentos: se der certo, beleza; se não, paciência. Neste caso, deu tudo certo, com beleza e paciência!

Depois do almoço em Cristina, seguimos por uma estradinha suave que beira o rio Lambari, pegamos um trechinho curto de asfalto e logo voltamos para a terra. Aprendi com os amigos de Itajubá que, essas estradas de subidas leves geralmente são antigas ferrovias.

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Onde será que vamos parar?

Tudo estava tranquilo até chegarmos à primeira porteira do dia. Cruzamos a propriedade abandonada e logo começou um caminho de gado seguido por uma plantação de bananas. O caminho estava bem sujo em alguns pontos e empurramos as bikes por um tempinho. O bananal deu lugar a muitos pés de café, um single track em um pasto e uma estrada decente no meio de outro enorme cafezal.

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Quando o caminho termina em uma propriedade privada.

Durante esse pedala/empurra, além de me perguntar onde iríamos parar, eu pensava: “Google Maps fanfarrão! É a segunda vez que traço uma rota seguindo estradas indicadas por ele para diminuir o risco de perrengue e ele apronta uma dessas”. A estrada terminou na Fazenda Coqueiro. Atravessamos a última porteira do dia e pedalamos mais um trechinho de terra antes dos 5km de asfalto até o destino do dia.

Incluí Carmo de Minas no roteiro por causa da produção de café. A expectativa aumentou quando tomamos um café muito bom na loja de conveniência do posto na entrada da cidade. Porém, a realidade mostrou que ali era o único lugar onde dava para encontrar um café decente. Fomos à torrefação da Unique (imaginei que tivesse uma lojinha de fábrica), mas eles indicavam o café no calçadão em São Lourenço e, na hora, nem cogitamos incluir esse desvio na rota.

Dia 4 – De Carmo de Minas a Cruzília (59,7km – 1.253m)

Comparado à véspera, tivemos um dia despreocupado, com mais cidades pelo caminho para abastecimento e uma rota bem mais leve, passando por um trecho da Estrada Real. As plantações de café continuavam predominantes na paisagem e foram acompanhadas ainda pelas belas formações do Itatiaia e pelo Pico do Papagaio.

Passamos rapidamente por Caxambu e o Artur resolveu nos guiar dentro da cidade. Ele optou pela rota mais rápida e fomos parar numa estrada de asfalto curta, mas horrível que levava a Baependi. Na rota que tracei, o caminho era mais longo e de terra.

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Entre Carmo de Minas e Cruzília: muitas plantações de café.

Mesmo sem provar as especialidades de Cruzília, cidade conhecida pela produção de queijos premiados, minhas melhores lembranças de lá são relacionadas à comida: um delicioso cheesecake com cobertura de damasco que comemos ao chegar e biscoitinhos comprados em uma padaria ao partirmos.

Dia 5 – De Cruzília a Carvalhos (63km – 1.464m)

No quinto dia da viagem, justo quando começava a colheita do café na região, a paisagem da nossa rota mudou complemente. Algumas estradinhas deram lugar a estradões e pedalamos mais expostos ao sol.

Cortamos um trecho do caminho porque não queríamos passar em uma fazenda turística, mas em outra parte não teve jeito e passamos por uma propriedade privada de alguma empresa. Pedimos permissão a um casal cuja casa ficava a poucos metros da porteira e eles disseram que podíamos seguir.

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Cachoeira do Bananal, no caminho para Aiuruoca.

Ao passarmos pela cachoeira do Bananal (que eu tinha visto pelo Google Maps), vimos  um camper e logo conhecemos seu dono, que estava fotografando e filmando a queda d’água. Mário, morador de Itamonte e viajante solitário, nos mostrou diversos detalhes do camper construído por ele e não parava mais de falar.

Poucos quilômetros depois desse encontro, tivemos mais uma mudança de percurso porque o gps indicava um caminho onde não víamos estrada alguma. Ao invés de seguirmos para Serranos, fomos parar em Aiuruoca, que não estava nos planos para essa viagem. Para voltarmos à rota, optamos por continuarmos até Carvalhos.

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Não parece, mas tinha muita subida nesse caminho.

Há duas estradas que ligam as cidades e seguimos via Posses. O caminho é bem bonito e com muitas subidas, claro. Cerca de 8km antes de chegarmos, passamos pelo bairro das Posses e paramos para bater papo com o simpático casal José Antônio e dona Bina. A conversa rendeu por mais de uma hora e terminamos o pedal do dia sob um belo céu estrelado.

Dia 6 – De Carvalhos a Bocaina de Minas (30,4km – 875m)

Como pulamos um pernoite logo no começo da viagem, decidimos mudar o destino do dia e descansarmos um pouco mais. Essa decisão e o frio da manhã contribuíram para sairmos mais tarde.

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Descobrindo novos picos na Mantiqueira.

Descobrimos uma formação linda por ali, o Pico do Muquem, e ficamos atiçados para voltar e fazer o cume. Parte do caminho era sentido bairro Francês dos Carvalhos, mas lá pelo km 11 havia uma bifurcação e continuamos na direção da cachoeira da Estiva. Já sabíamos que se tratava de uma propriedade privada, mas o dono da pousada em Carvalhos disse que poderíamos entrar sem problema já que o local pertence a um primo dele. E vale a pena esse pequeníssimo (menos de 1km) desvio: a cachoeira é linda!

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A serra parece tão inocente nesta foto.

Um dia curto de pedal nessa região nem de longe significa moleza e tivemos que encarar a, até então desconhecida, Serra da Aparecida. Em menos de 1,5km, subimos 152m, chegando a 32% (!!!) de inclinação. A descida teve areia, pedras soltas e erosões.

Com a fome que estávamos, ficamos com receio de chegarmos tarde para o almoço em Bocaina de Minas (já tínhamos nos dado mal em Aiuruoca), mas comemos muito bem no Restaurante do João Grande. Considerando o quantidade de distritos que a cidade possui, imaginei que ela seria maior, porém, é pequena e sem muitas opções de hospedagem e restaurantes. Ainda assim, comemos uma pizza bem boa no jantar.

Foi neste dia que ficamos sabendo sobre a crise no abastecimento de combustível no país. Mesmo em um lugar tão pequeno, vimos uma filinha no único posto e ouvimos alguns comentários do dono da vendinha. “Corri para abastecer meu carro hoje. Já está faltando combustível nas cidades ao redor daqui.”

Dia 7 – De Bocaina de Minas a Itamonte (66,7km – 1.360m)

Depois de um trechinho de asfalto até o trevo, pedalamos por uma serra suave (e gostosa!) e logo chegamos a Santo Antônio do Rio Grande. Foi a segunda vez que passei por ali e nem repeti as estradas.

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Encantada com o entorno de Itamonte.

A subida que veio a seguir não era nada tranquila, mas a baixa velocidade nos permitiu apreciar ainda mais a região. O barulho de água foi constante por muitos quilômetros e havia bastante mata ao lado da estrada. Ao que parece, o trajeto ali não tem muito movimento e por um bom tempo não encontramos ninguém. Pelo caminho, descobrimos ainda a RPPN Morro do Elefante, que trabalha com agricultura orgânica e proteção e conservação da fauna e flora da região. Mais um local para visitar em outra oportunidade.

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Nenhum sinal dos moradores de Belo Monte.

Em Santo Antônio, havíamos sido informados de que, no bairro Belo Monte, haveria uma vendinha no caminho onde poderíamos nos abastecer. O que encontramos foi uma vilazinha com igreja, posto de saúde e escola fechados. Embora estivesse bem cuidada e o único local com aspecto de abandonado fosse a fábrica de laticínios, não vimos uma alma sequer.

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Fazenda Guatambu: hospedagem incrível em Itamonte.

Passamos em frente à Fazenda Guatambu/RPPN François Robert Arthur, onde nos hospedamos no ano passado para comemorar o meu aniversário. Além de realizar um excelente trabalho na preservação de um uma região linda, a Endy é responsável pela produção de geleias, kombucha, cervejas, mel e sabonetes artesanais e ainda oferece duas casas incríveis para hospedagem.

A partir da fazenda, foram mais 9km até o asfalto da estrada que liga Itamonte a Alagoa e quase 20km predominantemente de descida até a cidade. Embora considere o entorno de Itamonte belíssimo, não posso dizer o mesmo da área urbana, cortada pela rodovia. Depois de Bocaina de Minas, aqui foi o primeiro lugar onde ouvimos falar com mais intensidade sobre a greve dos caminhoneiros, que estavam protestando em um posto próximo à pousada onde nos hospedamos.

Dia 8 – De Itamonte a Marmelópolis (52,6km – 1.490m)

Voltamos à Estrada Real nos primeiros 10km do dia, por um caminho charmoso que eu já tinha percorrido no sentido contrário. Na sequência, o trecho de Itanhandu a Passa Quatro não traz nada de interessante e é marcado por granjas enormes.

Assim que saímos de Passa Quatro, encaramos uma subida que parecia não acabar mais. Subindo devagar – empurrando em alguns trechos inclusive – vimos várias sinalizações de uma ultramaratona que passou por ali. No cume, havia uma casa que parecia abandonada e uma bifurcação. Optamos pelo caminho mais curto e fomos pela direita. A esquerda levava a um lago sobre o qual um conhecido me falou quando mencionei que já tinha pedalado por aquela região.

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Em busca do suco de marmelo.

O caminho escolhido era muito sossegado e ficamos um bom tempo sem ver ninguém. Há diversas estradas que ligam Passa Quatro e Marmelópolis e, sem querer, não repetimos nenhuma em relação à viagem de Carnaval pela Mantiqueira em 2015. Tendo a travessia Marins-Itaguaré como parte da paisagem, paramos bastante para fotos e mais ainda quando encontramos o Toninho, morador de Marmelópolis muito bom de papo.

A conversa se estendeu por um tempo e chegamos à cidade quando estava escurecendo. Já que o restaurante Di Minas estava fechado, jantamos uma panqueca deliciosa na Pizzaria do Gordo, com direito a esfihas de chocolate de sobremesa. O pernoite foi na Pousada Bella Vista, que estava vazia por causa da greve de caminhoneiros.

Dia 9 – De Marmelópolis a Wenceslau Braz (46,8km – 1.494m)

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Belo começo de pedal.

Pegamos a estrada que leva ao bairro dos Quatis e, logo de cara, veio uma subida puxada – segundo o registrado no Strava, havia um trecho com 43,9% (!) de inclinação. Essa estrada fazia parte de uma rota que tracei para percorrer com o Giu e não rolou. Depois do terceiro quilômetro, a subida ficou mais agradável.

Fomos seguindo a estrada até que o gps indicou que estávamos fora da rota. Olhando ao redor, vi uma casa abandonada e não tinha certeza se era por lá que deveríamos seguir. Minha dúvida foi sanada por um senhor que trabalhava desmontando outra casa abandonada. “Pode seguir por ali, sem problema.”

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Trocando o estradão pelas estradinhas.

Pelas marcas no caminho, percebemos que esse atalho é percorrido apenas por motos e cavalos e, mesmo assim, não muitos já que havia alguma vegetação crescendo em partes do solo. Esse primeiro trecho nos brindou com single tracks e árvores que sombreavam o caminho; já o segundo, com areia, pedras e uma longa descida.

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Mercadinho Uai Pegue e Pague, em Taquaral.

Nossa rota alternativa terminou em um trecho do Caminho de Aparecida, no bairro Taquaral, já em Delfim Moreira. Passamos por uma hospedagem de romeiros, com baias para os cavalos, e pela peculiar vendinha Uai Pegue e Pague. Em meio aos produtos da roça, havia os avisos “você não está sendo filmado”, “colha sua verdura e pague o que achar justo”, “obrigado por ser honesto”.

O “almoço” foi no bar do Tadeu, no bairro Salto, também pertencente a Delfim Moreira: batata frita para mim, torresmo para o Artur e cerveja artesanal da região.

Seguimos pelos bairros de Biguá e Água Limpa numa descida suave. O único porém foi o aumento do tráfego que levantava uma poeira chata. Essa estrada é muito usada por ciclistas da região; encontramos alguns pelo caminho e depois descobri que o Denis (Itajubiker) tinha passado por lá mais cedo.

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Ah, Google Maps fanfarrão.

Para fugir do asfalto, incluí na rota um trecho que, no Google Maps, aparentava ser uma estrada, mas era na verdade um caminho de gado. Esse “atalho” no pasto faz parte do Caminho de Aparecia e até que foi pedalável em alguns pontos. Os últimos 6km do dia foram de asfalto, numa leve subida com vento contra.

Nos hospedamos na única opção que encontramos na cidade, a Pousada Castelinho que, como o nome sugere, realmente é um castelinho – impossível passar batido. O jantar, encomendado por nossa anfitriã, foi no restaurante da Derly. Mal acreditamos quando ela começou a trazer as panelas para nossa mesa e não parava mais. Comemos bastante e ainda sobrou muita comida.

Dia 10 – De Wenceslau Braz a Campos do Jordão (36,9km – 1.370m)

O dia começou com o mantra “só no girinho”. De Wenceslau Braz até o bairro do Charco, foram quase 15km de subida ininterrupta num giro constante. Aproveitamos um pouquinho de descida e voltamos a subir até a divisa de Minas Gerais com São Paulo, onde entramos no Horto Florestal de Campos do Jordão.

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Campo de araucárias próximo à entrada principal do Horto Florestal.

A descida pelo parque exigiu atenção já que havia muitas pedras e pontos escorregadios. Na empolgação de pedalar uma full suspension, o Artur bateu o aro em uma pedra e teve o único furo de todo o percurso.

Com a viagem chegando ao fim, incluí um mimo no roteiro e reservei uma cabana charmosa para passarmos a noite. No espaço gigantesco há, além das cabanas, chalés, atividades de arvorismo, paintball, um restaurante e o Zoom Bike Park, um parque feito para quem curte mtb, com diversas trilhas de variados níveis.

Apesar da subida longa, o pedal do dia foi curto e desfrutamos de uma tarde preguiçosa e de um friozinho gostoso, em meio às árvores.

Dia 11 – De Campos do Jordão ao Espaço Araucária (25,5km – 729m)

No último dia de viagem, entramos no ritmo de calmaria. Acordamos mais tarde, tomamos o café da manhã sossegados e saímos sem pressa. Em menos de 10km estávamos no centro da cidade para um programa tão clichê quanto gostoso: almoço na Baden Baden.

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Depois de 515km, de volta ao Espaço Araucária.

Enrolamos um pouco por ali, mas, enfim, fomos percorrer os últimos 17km da viagem. Com subidas, claro. Fizemos algumas fotos em frente ao Espaço Araucária e declaramos encerrada a primeira parte das férias.

Pós-viagem

O plano era aproveitar os dias que tínhamos antes do Encontro Nacional de Cicloturismo para irmos de carro até São Lourenço e Cruzília atrás de um “carregamento” de café, queijo e bolachinhas mineiras e ainda visitar o simpático casal nos arredores de Carvalho. Tudo frustrado pela greve dos caminhoneiros. O tanque do carro estava cheio e achamos mais prudente continuar assim e garantir a volta para a casa pós-feriado.

Pedalar pela Mantiqueira é sempre um programa imperdível. Por mais que já conheça muitos lugares e estradas, ainda é só um pedacinho do que há para ser conhecido. Assim como as pessoas que encontramos pelo caminho, sempre simpáticas ao confirmar uma informação ou até mesmo oferecendo um “cafezim”, jantar e pouso (!).

De carro pela Argentina, Chile e Bolívia

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Rodamos quase 8 mil quilômetros em 18 dias.

Para quem pretendia passar as férias num sítio próximo a São Paulo, uma viagem de carro passando por três países foi uma mudança e tanto. Nossa companheira de férias ganhou uma passagem para Portugal e nós decidimos passear pela América do Sul. Em uma semana, planejamos tudo e pegamos a estrada.

Rumo ao Chile

Os primeiros dias resumiram-se a longas horas na estrada. Foram quase 600km em uma estrada reta, de pista simples, com alguns caminhões e muito calor. A região do Chaco argentino definitivamente não me atraiu. Na primeira noite na Argentina, dormimos em Resistência, que consideramos mais ajeitada do que a vizinha Corrientes.

A segunda noite foi em San Salvador de Jujuy, onde jantamos no restaurante Viracocha, de comida tradicional do norte argentino e que serve uma empanada de quinoa deliciosa.

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O primeiro salar da viagem: Salinas Grandes, na Argentina.

A partir de San Salvador de Jujuy, com a aproximação dos Andes, a paisagem e o clima melhoram. A região é bastante árida, com montanhas coloridas e muitos cardones – cactos gigantes. Passamos por Purmamarca, cruzamos o primeiro salar da viagem – o Salinas Grandes – e seguimos para a fronteira com o Chile.

Cruzar o paso de Jama foi bem mais tranquilo do que eu esperava. Os guichês estão organizados em sequência. Carimbos de saída da Argentina nos passaportes, aduana do carro, carimbos de entrada no Chile e aduana do carro. Embora o seguro Carta Verde seja obrigatório e estivesse na pastinha de documentos, nesta fronteira, tive que apresentar apenas o documento do carro e minha habilitação brasileira. Cheguei a mostrar a Permissão Internacional para Dirigir, mas a oficial nem deu bola. O último passo foi a vistoria do carro.

Neste ponto, eu estava com um pouco de dor de cabeça por causa da altitude. Em San Salvador de Jujuy, estávamos a 1.259m e o paso fica a 4.200m. O caminho continua subindo e, em busca do Salar de Tara, chegamos a 4.811m, o que me deixou imprestável. Apesar disso, tivemos uma bela surpresa no caminho para San Pedro de Atacama: começou a nevar no deserto!

O Artur ficou chocado com o tamanho da cidade. Há dezoito anos quando ele esteve lá, havia basicamente um restaurante e um hotel/camping. Hoje em dia, há muitas opções. A rua principal é a Caracoles, onde estão muitas das agências de turismo e restaurantes. Durante o dia, o movimento é pequeno, pois os turistas estão nos tours pela região. À noite, a rua fica lotada.

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Livraria charmosa a poucos quilômetros de San Pedro de Atacama.

Na minha lista de lugares para conhecer estava a Librería del Desierto, que pertence ao escritor chileno Diego Álamos. Localizada a 6km de San Pedro, a livraria funciona em um contêiner instalado no quintal da casa dele e é focada em autores chilenos. Além da beleza do lugar e da tentação dos livros, a visita vale a pena pela simpatia do Diego. Ficamos cerca de duas horas ali batendo papo.

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Dunas e anfiteatro no Valle de la Luna.

No final da tarde, fomos ao Valle de la Luna, também a cerca de 6km da cidade. Seguindo a estrada dentro da reserva, fizemos o passeio por dentro das cavernas de sal, passamos pelo anfiteatro e depois chegamos à formação chamada de Três Marias. Ao longo do caminho, há estacionamentos. Tentamos deixar o carro em um deles e seguir a pé até as dunas, mas os guias do parque não autorizaram. Andar por ali valia apenas para quem estava em um tour pago. Bom, deixamos o carro em outro estacionamento e fomos para as dunas para ver o por-do-sol. O lugar fica lotado, então, se quiser pegar um bom lugar, é melhor não ir muito tarde. Algumas agências oferecem a opção de ir para lá pedalando e voltar de carro.

No dia seguinte, paramos na laguna de Chaxa para fotografar flamingos e depois seguimos rumo ao paso Sico. A ideia era acessar uma estrada de terra para chegarmos à laguna Lejía, só que a existência de um posto de carabineiros frustrou nossos planos. Com o argumento de que a estrada por ali é muito ruim e ninguém poderia nos resgatar caso acontecesse algo, eles proibiram nossa passagem.

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Caveirinho no cenário do nosso camping selvagem.

Se fôssemos voltar para San Pedro, chegaríamos tarde à cidade, então, decidimos acampar próximos a algumas formações rochosas. Só que o vento era tanto, que não nos animamos a montar a barraca e decidimos dormir dentro do carro. Claro que a ventania parou no meio da madrugada, mas deixamos por isso mesmo. Quando acordamos, nossa respiração condensada no para-brisa do carro tinha congelado. O jeito foi esperar o sol esquentar um pouco e esse gelo derreter para poder dirigir.

Passamos mais uma noite em San Pedro e levantamos cedo para subirmos o vulcão Láscar. A estrada até a entrada para a vila Talabre é asfaltada; a partir daí, é só areia com costelas de vaca. Não vimos o nascer do sol na beira da laguna Lejía, mas o astro rei iluminou os vulcões do caminho de maneira incrível.

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Laguna Lejía e diversos vulcões vistos de longe durante subida do vulcão Láscar.

É possível estacionar o carro num ponto relativamente alto para começar a caminhada – partimos de 4.825m. O Láscar é um vulcão fácil do ponto de vista técnico; a subida nada mais é do que uma caminhada. O grande porém é a altitude: eu tinha que andar bem devagar para não perder o fôlego. E valeu muito a pena quando chegamos à cratera do vulcão a 5.449m e vimos a fumacinha saindo – o Láscar é um vulcão ativo. Com o vento aumentando de intensidade, logo começamos a descida com cuidado para não escorregarmos na areia fofa. Chegando ao carro, estávamos um pouco baqueados pelos efeitos da altitude combinados ao esforço físico.

Bolívia

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Admirando a Ruta de las Lagunas .

Depois da última noite no Atacama, partimos para a Bolívia. Optamos por cruzar a fronteira pelo paso Hito Cajón (também chamado Portezuelo del Cajón) para conhecer a chamada Ruta de las Lagunas. Esse paso gera algumas controvérsias, pois dizem que o risco de assalto na estrada é grande e que a cobrança de propina é frequente – lemos alguns comentários no app iOverlander. Não sei se foi o fato de estarmos entrando e não saindo ou por sermos brasileiros, mas fizemos a imigração sem qualquer problema, enquanto três gringos tiveram que pagar 17 pesos bolivianos (se não me falha a memória) ao deixarem a Bolívia.

Com os passaportes carimbados, fomos informados pelos guardas que a aduana do carro seria feita somente no posto Apacheta, que fica dentro de uma mineradora a 80 km dali, pois a aduana na entrada da Reserva Eduardo Avaroa estava fechada nesse horário. Seguimos com receio de perder o horário e não encontramos ninguém quando chegamos ao posto. O guarda apareceu em 15 minutos e não queria fazer o processo; disse que deveríamos ter feito isso na entrada da reserva e nos mandou esperar. Cerca de 20 minutos depois, me chamou à sua sala e começou a inserir os dados no sistema Sivetur. Para quem viaja com carro próprio na Bolívia, ter os dados do veículo inseridos nesse sistema é fundamental. O consulado brasileiro em Santa Cruz de la Sierra informa que carros fora desse sistema podem ser confiscados e irem a leilão em pouquíssimo tempo, sem que os representantes brasileiros possam interferir.

Assim que recebemos os papéis, voltamos para a estrada e continuamos na direção da Laguna Colorada. Encontramos hospedagem no povoado de Huyallajara, onde todas as casas parecem terem sido transformadas em hospedagem ou vendinha. Além da “cozinha” (um cômodo com um tambor cheio de água e uma pia sem cano), dividimos uma garrafa de vinho boliviano com um casal de peruanos – longe de ser bom, pelo menos não deu dor de cabeça.

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Árbol de Piedra, uma das atrações do Deserto de Siloli.

Ao deixarmos a reserva, pagamos o valor dos ingressos, 150 pesos bolivianos por pessoa, já que não havia ninguém para nos cobrar na outra entrada. Paramos para admirar a Árvore de Pedra, antes de continuarmos pelo Deserto de Siloli. Não há uma estrada certinha e as diversas marcas de pneus na areia podem facilmente confundir os motoristas. Atravessamos esse trecho seguindo uma rota baixada do wikiloc e inserida no gps.

Pelo caminho, encontramos diversos Land Cruisers, o carro favorito dos bolivianos para transportar os turistas e acelerar pelo deserto como se não houvesse costelas de vaca. Apesar de ninguém falar nada, pelo jeito como nos olhavam em algumas paradas, tínhamos a sensação de que éramos mal vistos pelos guias por estarmos ali com carro próprio.

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Encontro inesperado com ciclistas franceses.

Mas o deserto trouxe uma boa surpresa para nós. Encontramos dois ciclistas franceses, os irmãos Clément e Aurélien, que saíram da Colômbia com destino ao Ushuaia. Oferecemos água a eles e ouvimos algumas histórias sobre viagens e o projeto Ocean Cleaner’zh de limpeza e conservação dos oceanos, promovido pelos dois em parceria com mais um amigo.

Uyuni é meio caótica, as regras de trânsito não parecem ter muito valor por ali e a cidade em si não tem muita graça. Tudo é centrado no turismo, com várias agências e seus pacotes clássicos para o salar e arredores, hotéis e restaurantes. Estes oferecem praticamente o mesmo cardápio, que inclui de pizza a comida mexicana, com opções variadas de bebidas a base de café. Jantamos uma pizza nada especial e nos surpreendemos com a cerveja de quinoa – lembrava uma weissbier e era bem boa. Fiquei surpresa também com a quantidade de coreanos passeando por ali – dois dos quais protagonizaram um ensaio fotográfico de casamento no cemitério de trens.

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Hotel, restaurante e lojinha no Salar de Uyuni.

Na beira do Salar de Uyuni, contratamos um guia para percorrer um trecho dessa imensidão de sal e fomos até o hotel, onde também funciona um restaurante e uma lojinha de souvenir, claro. Não arriscamos ir com nosso carro porque o sal detona os veículos; além disso, os bolivianos já ficam preparados, forrando a parte de baixo dos carros com lonas.

No caminho entre Uyuni e Villazón, passamos por dois pedágios. Embora um deles fosse bastante informal – uma cancela no meio da estrada com uma casinha ao lado – e bem mais caro (pagamos 20 pesos bolivianos neste e 5 no outro), nosso maior susto foi quando dois militares nos pararam entre as vilas Oploca e Tupiza.

Para nosso azar, ainda trazíamos um galão de combustível, que compramos para cruzar o trecho das lagunas e não foi necessário. Ao revistar o carro, um deles obviamente encrespou com isso. Argumentamos que nos inspiramos nos bolivianos e o questionamento seguinte foi sobre o quanto pagamos pelo litro de gasolina, já que o combustível é vendido por preços diferentes para bolivianos e estrangeiros. Não me recordo os valores exatos, mas quem vem de fora paga o dobro. Até recebemos a “dica” para irmos aos postos com galões, darmos os números dos nossos RGs e enrolarmos um pouco na pronúncia dos nossos sobrenomes (no meu caso, é impossível!) para pagarmos mais barato. No entanto, a Bolívia já é um país de gente sofrida e que passou por tanta exploração, que em momento algum cogitamos essa possibilidade.

O militar aquietou-se ao receber a resposta sobre nossas profissões. Nosso interrogador devolveu nossos passaportes e a carteira de motorista do Artur, disse para esvaziarmos o galão e seguirmos viagem. Considerando o que li em relação ao confisco dos carros não inseridos no Sivetur, fiquei surpresa porque ele não pediu nenhum documento referente ao veículo.

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Paisagens bolivianas a caminho da fronteira de Villazón.

A fronteira de Villazón e La Quiaca é integrada e os trâmites de migração são feitos apenas no guichê argentino – assim, não há carimbo de saída da Bolívia no passaporte. Conversamos bastante com o oficial argentino que fez nossa aduana e suspeitamos que ele passou um pano para nós com o responsável pela revistas dos carros. Depois de um tempão examinando toda a bagagem de uma família argentina, ele mal olhou nosso porta-malas e nos liberou.

Argentina

No caminho para Salta, vimos uma procissão da Virgem da Candelária, que fechava parte da rodovia. Embora as pessoas dessa região sejam claramente de origem indígena, a devoção à santa católica mostra bem a influência dos colonizadores espanhóis.

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Artesanias de Uquía.

Sem pressa, aproveitamos para conhecer algumas vilas charmosas que estavam em nosso trajeto. A primeira parada foi em Uquía, que se destaca pelo artesanato de cerâmica e objetos diversos feitos com o tronco seco dos cardones.

Cercada por montanhas, Tilcara é uma graça e estava bem movimentada com muitos turistas argentinos. Aproveitamos para dar umas voltas pelo centro e comer empanadas e alfajores antes de voltarmos para a estrada. Fizemos ainda uma parada em Purmamarca, famosa pelo Cerro de los Siete Colores e ainda mais turística.

Depois de tantos dias passando por lugares pequenos, foi estranho chegarmos a uma cidade grande como Salta. Por azar, nosso dia livre na cidade era uma segunda-feira e alguns dos museus que queríamos visitar estavam fechados. Por outro lado, no Museu Histórico do Norte, tivemos a sorte de encontrar o Wildo, um guia muito simpático e que ficou animado com a curiosidade deste casal brasileiro.

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Videiras de uma dentre as diversas bodegas de Cafayate.

O próximo destino era Cafayate, incluído na lista por ser a cidade com as vinícolas em maior altitude do mundo, a 1.683m acima do nível do mar. Em um dia, fizemos três visitas guiadas, sendo duas com degustação. A Piattelli e a El Esteco são as maiores e com processos mais modernos. Visitamos ainda a Nanni, que produz alguns vinhos orgânicos e cuja visita é gratuita – paga-se à parte a degustação.

De volta ao Brasil

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Amigos queridos!

Ao pesquisar o caminho de volta para a casa, optamos por cruzar a fronteira em San Javier/Porto Xavier e passarmos pelo sítio dos amigos Ana e André, também conhecidos como Pedarilhos, que moram em Tangará-SC. Fiquei muito feliz por, finalmente, conhecê-los pessoalmente. Embora rápida, foi uma visita divertidíssima!

Dicas

Meus textos aqui são longos e sei que nem todo mundo tem paciência para lê-los. Então, para facilitar, decidi colocar algumas dicas aqui no final.

San Pedro de Atacama

  • Hostel El Anexo: melhor custo benefício que encontramos em San Pedro de Atacama. A simpática dona sempre reserva algum espaço para camping e motorhomes.
  • Franchuteria: MELHOR padaria da vila sem um pingo de dúvida. Deu água na boca só de pensar nos croissants.
  • Café Bumkaldi: foi o único lugar onde encontramos um café bom. Oferece ainda empanadas e bolos – opções veganas também.
  • Empório Andino: fica numa das pontas da Calle Caracoles e oferece ótimas empanadas.

Tilcara

  • Makoka: lugar charmoso, com um café gostoso e alfajor recheado com doce de cayote (a fruta, parente da abóbora, é chamada de gila em português e é comum no sul do Brasil). No local, é possível encontrar diversos livros sobre culinária local, cultura indígena e sobre a dominação espanhola.

Salta

  • Hostel Yatasto: nossa hospedagem em Salta, com garagem.
  • El Charruá: dica da dona do hostel, agradou à vegetariana e ao onívoro.
  • Casa Moderna: localizado na Calle España, 674, a casa não é nada moderna. Trata-se de um empório antigo – e lindo! Infelizmente, não é permitido tirar fotos.

Cafayate

  • Hostal Caetano: foi o melhor custo-benefício que encontramos na cidade.
  • Bodega Nanni: oferece visitas guiadas gratuitas – a degustação, no final, é paga à parte. Quem faz a visita tem direito a um voucher de desconto (5%) para jantar no restaurante que funciona dentro da vinícola – o desconto é ainda maior para quem pagar em dinheiro. Jantar delicioso!!

Apps

A navegação durante a viagem foi feita basicamente com os aplicativos abaixo. A exceção foi a rota das lagunas, onde usamos um aparelho de gps (eTrex 35) com um track baixado do wikiloc.

  • Google Maps: descobri nesta viagem que o app possibilita baixar mapas para consultas offline.
  • iOverlander: traz dicas de locais para camping (tanto selvagem quanto com estrutura), restaurantes, pontos de água, mecânicos, bancos, fronteiras entre outros. Conteúdo atualizado pelos próprios usuários, é mais voltado para quem viaja de carro, mas encontrei dicas e informações postadas por ciclistas.
  • Maps.me: recomendado pelo casal de peruanos, também traz dicas para viajantes e traça rotas utilizando carro, transporte público, bicicleta e até a pé. É preciso baixar os mapas antes.

#michayarturoenlaruta

Minicicloviagem na Mantiqueira

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A caminho de São Bento do Sapucaí.

Artur, Giu e eu aproveitamos o feriado de Finados para pedalarmos um trechinho da Mantiqueira. Eles me deixaram incumbida de traçar a rota e reclamaram quando eu avisei que teria bastante asfalto no último dia. “Queremos terra!”

Pois bem! Retracei a rota com informações que achei no Wikiloc, numa combinação de trilhas de jipe e de moto e avisei que iríamos descobrir juntos o estado da estrada. No final, as subidas do primeiro e segundo dias foram tantas que eles desencanaram e voltamos pelo asfalto mesmo, descendo a serra nova de Campos do Jordão. Fuen!

A viagem foi planejada para três dias. De Tremembé a São Francisco Xavier, onde fizemos o primeiro pernoite. Depois, seguimos para São Bento do Sapucaí e, no último dia, retornamos para Tremembé.

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Pausa para o lanchinho.

Uma das estradas que incluí no roteiro passa por dentro de uma propriedade privada e, quando faltavam uns 2km até a porteira, fomos informados por moradores locais que os proprietários não são muito fãs de ciclistas e até já ameaçaram com arma um grupo que queria cruzar por ali. Desolados porque a subida até ali tinha sido bruta, voltamos e pegamos a estrada mais ou menos paralela para subirmos tudo de novo.

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Os adesivos não deixam dúvida: ali é rota de ciclistas.

Chegamos a mais uma trifurcação e nos reabastecemos no Bar do Trevo. A rota que tracei seguia pela esquerda, mas, pelo horário, achamos mais prudente irmos pelo outro lado e não pedalarmos no escuro, já que o Giu estava sem luz. A parte chata foi pegarmos mais um trecho de asfalto.

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Rota planejada – o link está logo abaixo.

Aqui estão os links para as rotas traçada e pedalada.

E só para constar, o Giu viajou com uma bike all road, o Artur foi de bike para cicloturismo, ambos usando pneus mais largos e cravudos. Eu fiquei bem feliz com a mtb e suas marchas leves.

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Itajubá - Virgínia

Estradinhas tranquilas pelos Caminhos da Mantiqueira.

No começo do ano, um dos meus melhores amigos, o Giu, me perguntou quais os meus planos para o Carnaval, pois ele queria cicloviajar. Como passei essa data na Alemanha, adiamos esse plano até o feriado de 1º de maio.

A rota rabiscada foi para dois dias passando por cidades dos chamados circuitos Caminhos da Mantiqueira e Terras Altas da Mantiqueira.

Na sexta-feira à tarde, fomos de carro de São Paulo até Itajubá para começar o pedal no dia seguinte. Aproveitei para encontrar o Denis, do Itajubikers, que conheci numa cicloviagem durante o Carnaval de 2015. Faltou o reencontro com a Deise e com o Egg.

De Itajubá à Virgínia

Depois de um bom café, pegamos uma estrada no sentido de Maria da Fé, porém, foi só com cerca de 12 km que entramos na estrada antiga que liga Itajubá à Maria da Fé. Fomos subindo, subindo, subindo… Quase no topo, encontramos um ciclista que passou por nós na cidade descendo todo feliz.

Em Maria da Fé, fizemos uma foto na antiga estação de trem e, como ainda tínhamos bastante chão pela frente, decidimos fazer uma parada rápida no bar de um posto de gasolina que estava no nosso caminho ao invés de almoçarmos em um restaurante.

Nesse trecho, a estrada é de paralelepípedos e a subida foi mais suave do que eu me lembrava. Paramos para fotografar umas plantações de café e logo reencontramos a terra. Aqui e acolá, passávamos por localidades que não sei identificar se são bairros ou distritos. Em uma delas, perguntei ao rapaz que dirigia um trator qual era o nome do lugar e a resposta veio carregada com o sotaque mineiro, que acho uma graça: “Aqui é Mata, Madibaixo. Se cês continuarem, cês vão passar por Madicima”.

Das Matas, fomos para Pintos Negreiros por uma estrada diferente da que eu havia pedalado antes. Paramos no mercadinho para mais um lanche e voltamos para a estrada. A subida não era tão íngreme, mas a lama, os buracos e as pedras fizeram com que o pedal não rendesse.

Itajubá - Virgínia

“Trânsito” intenso pelo caminho.

Neste ponto, tivemos dúvida se estávamos no caminho certo, pois, além de não encontrarmos ninguém nesse trecho, o mato estava crescendo na estrada indicando que não há muito movimento por ali, além das vacas.

Numa curva pouco depois, erramos uma entrada – achei que fosse apenas a entradinha de uma casa. Começamos a voltar quando encontramos um senhor de moto, que nos informou que a estrada indicada na rota que tracei estava interditada e só dava para passar a cavalo. Eu já estava pronta para tirar a prova, quando ele acrescentou: “mas se vocês continuarem por aqui, vão sair em Virgínia e até lá é só descida”. Depois disso, deixamos a possibilidade de roubada para lá.

A descida até Virgínia foi uma delícia! A primeira coisa que fizemos foi procurar hospedagem e ficamos na mesma pousada onde dormi no Carnaval de 2016, a Bela Vista. Pedimos pizza para o jantar e dormimos cedo.

De Virgínia a Itajubá

Depois de uma enroladinha básica, partimos. O começo foi bem tranquilo e, quando a subida começou, achei aquele trecho muito familiar: passei ali de carro no ano anterior e, na hora, pensei que seria bem legal pedalar por ali. Realmente foi bem legal!

Itajubá - Virgínia

Pausa para uma mexerica antes de chegarmos a Marmelópolis.

Mesmo com algumas paradas para fotos, logo chegamos a Marmelópolis. Almoçamos no restaurante Di Minas, que eu também já conhecia e acho bem bom. Comida fresquinha, orgânica, suco de marmelo e atendimento pra lá de atencioso.

Neste ponto, o Giu já tinha desistido de seguir pedalando. As pernas estavam inteiras, mas ficar sentado no selim não estava muito agradável para ele. Enquanto comíamos, fiquei ponderando duas opções: manter a rota original e correr o risco de entrar numa roubada por causa do horário – ainda teria 15 km de subida puxada, sem a menor ideia das condições da estrada – ou ir pelo asfalto, que eu já conhecia. Acabei ficando com a segunda opção e, depois de me despedir do Giu, fui encarar a Serra da Goiabeira, mas no sentido contrário ao que havia pedalado anteriormente.

Itajubá - Virgínia

Subindo a Serra da Goiabeira sentido Delfim Moreira.

Como a subida era longa, fui girando tranquila, sem pressa, afinal eram apenas 18 km até Delfim Moreira e uma parte seria de descida. Cheguei ao topo em 1 hora, parei para fotografar a placa da divisa entre as cidades e, assim que subi na bicicleta, dois motoqueiros apareceram na curva e diminuíram a velocidade quando me viram. Comecei a descer e eles ficaram atrás de mim por um tempinho, fazendo umas “graças”. Fiquei ressabiada e acabei descendo um pouco mais rápido, mas o alívio veio logo que eles me ultrapassaram e sumiram nas curvas.

Em Delfim Moreira, mandei mensagem para o Giu e voltei para a estrada. Um senhor me indicou o caminho “da linha”, a antiga estrada de trem. Logo no começo, revi os mesmo motoqueiros da serra indo no sentido contrário ao meu e acompanhados por mais um cara. Aproveitei que a estrada estava boa e pedalei um pouco mais rápido.

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Estrada “da linha”.

Num ponto, há uma bifurcação e o caminho da esquerda leva à rodovia. Decidi ir por lá para ganhar tempo, para não deixar o Giu preocupado e por um certo receio daqueles motoqueiros (pode parecer bobagem, mas o sexto sentido ficou meio alerta). O começo foi uma descidona linda e, mesmo sendo a rodovia principal, pouco movimentada. Fiz uma parada de dez minutos numa pamonharia no caminho e vi o ônibus que vinha de Marmelópolis passando.

A última parte teve alguns falso planos e mais veículos. A maioria dos motoristas foi legal e tomou distância ao me ultrapassar. Apenas um caminhão passou mais perto do que deveria, me assuntando um pouco. Logo estava na entrada da cidade e foi mais fácil do que esperava chegar ao hotel.

Quando bati na porta do quarto, o Giu ficou surpreso com o tempo que levei.

Gostei bastante do trecho entre Itajubá e Virgínia, mas quero voltar para pedalar também a rota originalmente traçada e tirar a prova sobre essa estrada por onde só passa cavalo (du-vi-do! hehe).

Para quem ficou curioso sobre os roteiros, deixo abaixo os links das rotas:

Travessia Marins-Itaguaré

Marins - Itaguaré

O imponente Itaguaré.

Desde que fizemos a travessia Itaguaré-Marins em 2015, eu tinha vontade de repetir o percurso em um dia só. O Artur realizou o feito no final de 2016, em um tempo muito bom, e fomos juntos no feriado da Páscoa. 

Sair de São Paulo no começo da tarde de sexta-feira foi uma ótima ideia. Consegui descansar da semana corrida, arrumei minhas coisas com calma e ainda deu tempo de comprar pão e panetone (sim!) para o café da manhã na montanha. A viagem foi tranquila e, finalmente, conheci a estrada que passa pelo Bairro dos Marins.

Ficamos no Acampamento Base Marins, do Dito, que nos recebeu com simpatia. A primeira providência foi montarmos a barraca e ajeitarmos a cozinha. Preparei uma sopa de abóbora com cogumelos para o jantar e fomos deitar cedo.

Travessia Marins - Itaguaré

Café da manhã caprichado antes de encararmos a travessia.

Depois de uma noite mal dormida, enrolamos para levantar e saímos depois do horário programado. Fomos subindo num ritmo bom e chegamos ao Morro do Careca em cerca de meia hora. Quando contávamos duas horas de caminhada/escalaminhada, chegamos à bifurcação para o cume do Marins e a travessia sentido Itaguaré. 

Paramos para um lanchinho e decidimos não fazer o cume do Marins. A trilha, que até então estava bastante movimentada, ficou mais vazia e começou a soprar um vento forte. Eu olhava para as nuvens e torcia para o tempo não virar como na outra vez.

Travessia Marins - Itaguaré

Praticamente um pontinho na montanha.

Logo alcançamos o cume do Marinzinho e, mesmo estando um pouco aérea, o ritmo foi bom. A situação mudou um pouco na sequência. Para sair do Marinzinho sentido Itaguaré, há um lance de corda e, definitivamente, preferi subir essa parte do que descer. As nuvens estavam altas nesse momento e eu só enxergava um abismo branco.

O restante da travessia é marcado por muito sobe e desce. Nos trechos mais baixos, havia bastante vegetação – mais do que eu lembrava da outra travessia – e, de tanto me enroscar nos bambus, ganhei vários hematomas nas pernas.

Na Pedra Redonda, encontramos um pessoal que havia passado a noite ali. Papeamos um pouquinho e voltamos para a trilha. Um pouco mais adiante, cruzamos com um casal que estava fazendo a travessia no sentido oposto. A moça me reconheceu do final de semana anterior, quando participamos juntas do workshop de corrida natural durante a Abertura de Temporada de Montanha. Mundinho pequeno.

Marins - Itaguaré

O relevo apaixonante da Mantiqueira.

Reconheci o ponto onde dormimos na primeira travessia, com vista para o Itaguaré, mas é engraçado como minha memória é ruim para esses caminhos. Em vários pontos, era como se estivesse passando ali pela primeira vez. 

Numa área de camping mais próxima à base do Itaguaré, vi um cara juntando gravetos para fazer uma fogueira e empilhando-os justamente ao lado de uma placa que indicava “Proibido fazer fogueiras”. Lembrei do incêndio que atingiu o Marins por causa de um sinalizador de fumaça e fiquei brava, mas a rispidez dele quando o cumprimentei somada à cara de poucos amigos fez com que eu desistisse de dar bronca.

Mesmo na descida, o trecho de mata para chegar ao campinho do Itaguaré continua chatinho por causa das erosões. Aproveitei para matar a sede quando cruzamos o riacho pela primeira vez, mas resisti à tentação de catar os pinhões que estavam pelo caminho (hehe), pois logo iria escurecer e queríamos caminhar um trecho na estrada.

Travessia Marins - Itaguaré

Foram 13 km de travessia e 10 km de caminhada.

Para não chegarmos tão tarde ao Acampamento Base, ligamos para o Dito para pedir para o resgate nos encontrar pelo caminho, mas a ligação estava ruim e ficamos sem saber se ele entendeu ou não. Fomos andando por algumas das estradas da cicloviagem do carnaval de 2015 e bateu uma preguicinha no começo, mas depois entramos num embalo gostoso. Quando estávamos na bifurcação que leva para o centro de Marmelópolis, encontramos o Clóvis, que estava indo nos buscar. Por um minuto, não nos desencontramos.

Havíamos deixado o jantar encomendado e, além da comida caseira do fogão à lenha, o Dito e sua esposa prepararam pinhões – ganhei um monte e estavam deliciosos! De barriga cheia, tomamos banho e fomos deitar.

Acho que nem preciso falar que já estou com vontade de voltar, né?

Flickr.

Matando a saudade da Alemanha

Férias 2017

Me apaixonando pela Bavaria.

Mas você vai para a Alemanha de novo? Pois é! Sem um pingo de dúvida e apesar do alemão capenga de hoje em dia, a Alemanha é “minha casa longe de casa” e esta é uma viagem que há tempos queria fazer com o Artur. O roteiro foi bem tranquilo: Berlim, Alpes Alemães e reencontros com pessoas queridas. Faltou tempo para todos os encontros que gostaria, mas eu sempre vou embora com a sensação de que ainda volto para lá. É só uma questão de tempo.

Berlim

O primeiro dia já foi de fortes emoções: levei o Artur a uma loja da Stadler, a maior rede de bicicletarias da Alemanha. Minha vontade era de sair de lá com uma bike nova, mas comprei apenas uma revista. São tantas as opções que, quando estive lá em 2012, havia uma sessão apenas de monociclos!

Outro lugar onde daria para surtar fácil não fosse a cotação atual do euro é a loja Camp4. Me sinto consumista falando isso, pois queria levar, pelo menos, metade dos itens de cozinha. O orçamento é que não permitiu.

Férias 2017

Clássicos: Berliner Dom e a Fernsehturm.

Além de visitarmos essas lojas mais de uma vez, fizemos alguns passeios bem turísticos:

– a exposição permanente Topographie des Terrors sobre o período do nazismo;
– Brandenburgertor ou Portal de Brandenburgo;
– Alexanderplatz e Ferhnsehturm (Torre da TV) na antiga Berlim oriental, mas não demos muita sorte, pois a visibilidade estava ruim;
– Berliner Dom ou Catedral de Berlim: ô prédio lindo!
– East Side Gallery e um pouco do que resta do muro.

Visitamos dois mercados de pulgas. Fomos cedo ao da Boxhagenerplatz e ele estava um tanto quanto vazio e meio sem graça. Talvez porque eu tenha lembrança de quando o visitei durante o verão, mas aí é impossível competir porque a cidade toda ganha outros ares. Já o mercado do Mauerpark estava lotado. Há muitas quinquilharias, mas também roupas, acessórios e objetos de decoração feitos por artistas. Encontramos até um brasileiro que vende imãs e quadrinhos de fotos que ele tira pela cidade. No verão, rola uma karaokê bem legal e animado.

Comes e bebes

Berlim é um paraíso quando se trata de comida. É possível comer muito bem com pouco dinheiro. Vou deixar aqui uma listinha de restaurantes que gostei e recomendo:

Macondo: uma amiga me levou lá em 2012 e fiz questão de voltar. Tem as melhores empanadas colombianas!
Vineria de Este: sugestão de outra amiga. Eles servem várias opções para petiscar e tem diversos vinhos para harmonizar.
Tonkin: um vietnamita que surpreendeu. Vale a pena pedir os chás.
Yellow Sunshine: a primeira hamburgueria vegana a qual fui em 2003. Além de deliciosa, ao que parece, ela segue firme e forte.

Kopps: simplesmente a melhor refeição da minha vida! O Kopps é um restaurante vegano que serve comida saudável, local e orgânica de maneira original. Como eles mesmos definem: “por você, deixamos os vegetais sexy”. O Artur quis me surpreender com uma reserva para o Dia dos Namorados, mas tive que dar uma ajuda, pois o site de reservas era em alemão.

Os ingredientes do jantar eram simples, mas foram preparados de forma excepcional. Entradas com beterraba e cenouras coloridas, purê de nabo defumado (servido num vidro com tampa para preservar a fumaça), diferentes tipos de batatas no prato principal (inclusive uma com gosto de maçã, que me fez entender porque no sul da Alemanha batata é chamada de Erdapfel ou “maçã da terra”) e picolé de marzipã com calda de frutas vermelhas de sobremesa. Ah, ainda serviram macarrons no final. Fico com água na boca só de lembrar.

Cafés

Férias 2017

Avocado Toast do Silo Café.

Tinha feito uma lista de cafeterias que queria visitar e fiquei feliz por termos ido a todas. A primeira foi a Silo, a única a qual fomos duas vezes e que serve opções incríveis de café da manhã – pedi a avocado toast (torrada de abacate) servida com hommus e uma pasta de tomate que estava divina. O cappuccino vegano é muito bom e ficou em segundo no meu ranking particular (hehe).

O café The Barn está em alta também e dependendo do horário é difícil conseguir lugar – some-se a isso o fato do espaço ser realmente pequeno. Pedi uma fatia de bolo, mas não achei grande coisa. O Artur adorou o sanduíche de queijo de cabra com figo.

O primeiro bike café da viagem foi o Steel Vintage Bikes. O lugar é bem legal e o espaço está bem dividido entre o café e a loja. No primeiro, há opções para café da manhã, brunch, almoço e café da tarde. Na segunda, embora seja possível comprar bicicletas e seus componentes, o que mais havia em exposição eram roupas e acessórios de ciclismo.
Férias 2017

Keirin: de 139m² para 30m² com muita personalidade.

Keirin é uma bicicletaria que serve um café bem bom e outras bebidas. O dono foi muito simpático e nos contou a história da loja que existe desde 2004. Pouco depois de abrirem, o negócio cresceu e eles se mudaram para um prédio bem maior ao lado. Porém, a especulação imobiliária está crescendo na região de Kreuzberg (assim como em todo o mundo) e o dono do imóvel decidiu dobrar o aluguel. Sem condições de bancar, o Keirin voltou para o espaço de origem e o prédio deu lugar ao Museu dos Ramones (que já existia, mas em outro endereço).

Visitamos também a Standert Bicycles, uma bicicletaria bem legal com um café bacana e bem gostoso. Eles têm uma linha de quadros personalizados e é possível fazer um leasing para adquirir uma bike Standert. Além disso, eles mantêm o Team Standert, uma equipe de ciclismo formada “por amigos e novos amigos que pedalam juntos, dão rolê juntos e competem juntos”.

A Cicli Berlinetta é uma loja especializada em customizações e restaurações. Nas últimas horas em Berlin, passamos por lá à noite para uma sessão de vídeos indicada na programação de pré-abertura da Berlin Fahrradschau, a feira de bicicletas de Berlim.

Alpes Alemães

Em busca das montanhas, fomos para Farchant, próximo à divisa com Áustria. Fiquei feliz quando vi neve no estado de Thüringen e meu coração bateu até mais forte ao ver os nomes de várias cidades conhecidas e queridas. Seguimos direto, parando apenas para abastecer e comer algo nos postos do caminho.

Quando chegamos, tive uma surpresa com a hospedagem. Pelas fotos do Booking, achei que tivesse reservado um chalé, mas descobri que estava mais para um “puxadinho”. Há uma porta compartilhada para a residência do casal, para o escritório do filho deles e para o apartamento que reservei. Sala, quarto, banheiro e cozinha aconchegantes e muito bem equipados.

Depois de nos instalarmos, fomos jantar em uma pizzaria. O atendimento era simpático e a comida muito boa, mas não importava o quanto eu falasse em alemão, o garçom só me respondia em italiano. “Prego, segnora!”

O dia seguinte amanheceu chuvoso e tivemos que mudar os planos ao ar livre. Fomos à cidadezinha seguinte, Garmish-Partenkirchen (parte da Via Claudia Augusta, uma rota bastante popular entre cicloturistas) e comemos num café dentro de uma galeria de arte. Depois, fizemos mercado e demos uma volta no centrinho.

Férias 2017

O charmoso Palácio Linderhof.

Seguindo a dica da nossa anfitriã, fomos conhecer o palácio Linderhof. A estrada até lá já é bastante charmosa e estava ainda mais encantadora por causa da neve (sim, eu amo!).

Dos três castelos construídos pelo rei Ludwig II da Bavária, o Linderhof é o único que ele viu concluído. Os outros dois são o Neues Schloss Herrenchiemsee e o famoso Neuschwanstein. O jardim é enorme, mas a construção é menor do que eu esperava. Porém, a atenção aos detalhes e a ostentação impressionam bastante. Lustre de cristal para 108 velas pesando meia tonelada, lustre de marfim vindo da Índia (a peça mais cara de toda a decoração), mesas com tampos de pedras preciosas, vasos chineses com mais de 200 anos, bordados tridimensionais, detalhes em ouro puro nas janelas e tetos…

A visita guiada pode ser em inglês ou em alemão e eles oferecem pastas com o conteúdo em outros idiomas, como francês e espanhol. O início é no hall de entrada e depois subimos aos aposentos reais. Algumas cores são predominantes em certos cômodos e é possível notar uma similaridade entre eles.

Trilhas

Aproveitando o tempo bom, escolhemos uma trilha circular num guia que compramos e fomos atrás de um pouco de montanha. O começo era num parque e foi bem tranquilo. Encontramos muita gente passeando por ali. No trecho até a Kuhfluchtfälle (cachoeira fuga da vaca), havia algumas subidinhas com gelo, mas passei sem cair. Cruzamos uma ponte e aí começou a subida de verdade.

Férias 2017

Acho que tinha um pouquinho de neve.

Tinha que estar bem atenta porque, em boa parte do caminho, a trilha é estreita, havia ainda muitas raízes bastante escorregadias e quantidade de neve foi aumentando conforme subíamos, chegando ao ponto de afundarmos até os tornozelos. Nesse caminho, assinei meu primeiro livro de montanha (em alemão! hehe) numa cabana para emergências.

Pouco depois, um casal de senhores alemães que estava na nossa frente começou a voltar dizendo a trilha acabava ali. Insistimos e fomos bem além de onde eles pararam. Não é que não havia mais trilha, o problema era a segurança. Chegamos a um ponto de passagem estreito, com um precipício de cada lado e muita neve ocultando o que havia por baixo. Decidimos não arriscar e pegamos o caminho de volta.

Encarando o combo trilha estreita, gelo e raízes escorregadias, fui muito lenta na descida. Num momento em que seguia na frente, escutei um barulho e quando olhei para trás vi o Artur esticando o braço e agarrando uma solitária árvore na beira do precipício de muitos metros de altura. Meu coração parou por um segundo. Ainda bem que havia essa árvore e ele foi rápido! Depois disso, parecia que a trilha não acabava nunca.

Férias 2017

“Far over the misty mountains cold…”

Apesar desse tremendo susto, a trilha é linda demais! Quando começamos, a névoa criou um clima tão especial que passei o dia cantarolando The Misty Mountains Cold. Além disso, tivemos o contraste da neve branquinha e do céu azul, as árvores com os galhos cheios de neve (que ia derretendo, dando a sensação de que chovia na floresta), as quedas de água, as minicascatas congeladas e as cidadezinhas rodeadas pelas montanhas. Tanta imagem bonita para gravar na memória.

Para comemorarmos o aniversário do Artur, fomos conhecer as ruínas do castelo Werdenfels, que fica entre Farchant e Garmish-Partenkirchen. O plano original era irmos correndo, mas com tantas paisagens bonitas pelo caminho, paramos várias vezes para fotos. Esticamos a corrida/caminhada até Garmish-Partenkirchen e almoçamos num árabe que era a única opção para aquele horário (os restaurantes por lá servem almoço entre 11h30 e 14h). Na volta, procuramos alguns caminhos diferentes e ficamos impressionados com a quantidade de opções para caminhada e corrida que há por ali.

Em nosso último dia cheio por ali, fomos conhecer Grainau. A atração da cidade, além da vista incrível para o Zugspitze (o ponto mais alto da Alemanha), é o Eibsee, um lago cercado por várias opções de trilhas de vários níveis. Há plaquinhas informando os caminhos para trail running, caminhada e mountain bike, com dados sobre distância e nível de dificuldade. Como não amar?

Férias 2017

Eibsee congelado e montanhas alemães, incluindo o Zugspitze.

Escolhemos uma trilha curta que circunda o lago, mas demos umas voltinhas numas estradinhas a mais. Apesar de alguns trechos com gelo e de eu quase levar um tombo ridículo, o caminho é tranquilo. Porém, a parte mais legal foi terminar a volta caminhando pelo lago congelado. Fiquei com receio no começo porque não fazia ideia da espessura do gelo, mas criei coragem quando vi mais pessoas andando por ali.

Reencontros na volta para Berlim

A viagem para o sul foi direta, mas a volta para Berlim teve algumas paradas especiais e demorou alguns dias. A primeira foi em Raubling, uma cidadezinha com mais uma loja incrível de artigos esportivos, a Iko, que estava em promoção – só não surtei porque os melhores descontos eram para as roupas de inverno que eu jamais usaria no Brasil.

Férias 2017

Katja, nossa guia em Nürnberg.

O próximo destino foi Hipolpotstein, outra cidadezinha tranquila onde mora uma amiga querida, a Katja. Nos conhecemos em 2003 ou 2004, quando ela morou em Curitiba e essa foi a segunda vez que fui visitá-la na Alemanha. Ficamos conversando um tempão até o sono falar mais alto.

No dia seguinte, tivemos outro dia de turistas com a Katja como guia. Fomos para Nürnberg e, além de andarmos bastante pelo centro, visitamos o castelo imperial, o Kaiserburg, que ficou quase que completamente em ruínas durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi reconstruído e hoje atrai muitos turistas.

Saímos cedo no dia seguinte e, em Thüringen, seguimos por estradinhas menores. Paramos em Rudolstadt, pois queria levar o Artur ao café do castelo Heidecksburg, um dos primeiros castelos que visitei na minha primeira viagem para a Alemanha. Rudolstadt continua charmosa, mas está diminuindo, com muitos comércios fechados e a população mais jovem migrando para cidades maiores.

Férias 2017

Os anos passam e a distância afasta, mas o carinho não diminui.

Dez quilômetros adiante e foi difícil conter a emoção: chegamos à Teichel. Não parecia que minha última visita a essa cidadezinha tinha sido há quase sete anos. Toquei a campainha e aguardei menos de um minuto. Como eu não havia avisado, a surpresa foi tanta que a Heike demorou uns dois segundos para me reconhecer. Ela é a mãe do meu ex-namorado e, apesar da distância e do pouco contato que temos atualmente, ela é uma pessoa que vou levar para sempre no coração. E sei que o sentimento é recíproco, pois, entre as fotos de família num cantinho na sala, há, até hoje, uma foto comigo.

A visita durou o suficiente para colocarmos o papo em dia. Ela perguntou sobre a minha família, me contou que já é bisavó e me deu uma notícia que eu infelizmente já imaginava, a tia, ou melhor, a Tante Gertrud faleceu em 2013, pouco depois de completar 100 anos. Em novembro, fará também dez anos que o marido dela, o Werner, morreu e essa é uma das lembranças mais tristes que tenho, pois ele era muito querido. Nesse balaio de emoções, saí de lá leve e feliz pelo reencontro. E nem tenho palavras para agradecer ao Artur por ter me acompanhado nesse momento.

Férias 2017

Hanna, the Vizsla.

A última parada nesse retorno foi em Leipzig, onde a Frances e a Hanna nos esperavam. Depois de um passeio com a Hanna no Völkerschlachtdenkmal (ou Monumento da Batalha das Nações, em comemoração à derrota de Napoleão), jantamos numa hamburgueria vegana e terminamos o dia vendo fotos antigas de quando a Frances esteve no Brasil pela primeira vez, há 14 anos. Ao invés de se enfiarem numa van até Brasília para um show, ela e o Christoph aceitaram meu convite e passaram um final de semana em Itanhaém, na casa dos meus pais. Pronto, a amizade estava selada.
Férias 2017

Pensa numa pessoa querida! Ok, em duas.

 No dia seguinte, depois de um café da manhã preguiçoso, fomos passear pela cidade e a primeira parada foi em uma… bicicletaria! Mesmo sendo bem menor do que a Stadler e a Iko, a seleção de produtos era incrível e de novo eu queria levar metade da loja. Depois dos passeios, encerramos o dia com vinho e bruschettas.

De volta a Berlim

Atrasamos a volta para Berlim porque fomos à outlet da Stadler (ó céus!), mas chegamos a tempo de deixamos nossas coisas no hotel e seguirmos para a casa do Christoph.

Férias 2017

“Painting me golden”

Quando ainda estava no Brasil, trocamos algumas mensagens e ele me fez um convite para lá de especial: assistir a um show do Rocky Votolato na sala do apartamento dele. Éramos cerca de 20 pessoas no total e foi uma noite muito gostosa. O Artur teve a ideia de levar duas garrafas de cachaça para fazermos caipirinhas para o pessoal. Como eu conhecia poucas pessoas ali, foi engraçado ouvir os sussurros: “aqueles são os brasileiros que estão fazendo caipirinhas”; e ver como alguns alemães se aproximavam timidamente: “será que eu poderia experimentar uma?”.
Férias 2017

Ava, Marisa e Christoph, que família linda!

Ainda nesse clima de amizade, o dia seguinte começou com um brunch no café vegetariano/vegano Satt&Glücklich (satisfeito e feliz). Foi minha despedida da Frances, do Christoph, da Marisa e da fofíssima Ava. Nos demos muito bem, tanto que fiquei um tempão passeando com ela pelo café e me derreti cada vez que ela largava a mão de alguém, vinha na minha direção e me abraçava.

Os últimos dias em Berlim foram de correria porque queríamos ainda fazer várias coisas – óbvio que não deu tempo. De qualquer forma, conseguimos tomar mais um café da manhã no Silo e fomos conhecer um café livraria que descobrimos por acaso, o Shakespeare and Sons, onde tomei o melhor cappuccino vegano da viagem. Além de adorar o ambiente, achei legal ver apenas mulheres trabalhando ali.

Os reencontros continuaram e fiquei muito feliz por rever a Martina, uma querida da República Tcheca que conheci em São Paulo. Entramos em contato para encontros de conversação – eu queria melhorar o alemão e ela, treinar o português – e ficamos amigas desde o primeiro café. O último encontro foi um jantar com amigos brasileiros (Talita, Laura e Gola) que se mudaram para Berlim.

Sempre que volto da Alemanha, é como se deixasse um pedacinho do meu coração por lá. E, por mais que existam vários lugares que ainda quero conhecer, vira e mexe esse país incrível entra como destino para as próximas férias.

Flickr.

Do Marinzinho ao Marins num treino de trail run

Galera no cume do Marins

Todo mundo feliz no cume do Marins.

No começo de janeiro, os amigos do Se Ela Corre eu Corro, Cris e Gabriel, fizeram um convite para participar de um treino de trail run em Marmelópolis-MG. Eu não corro (embora tente, às vezes), mas acabei topando porque o percurso incluía um trecho da travessia Itaguaré-Marins, que eu já conhecia.

A viagem de São Paulo até Marmelópolis foi debaixo de chuva em boa parte do caminho e com bastante neblina no trecho de terra até a pousada do Djalma. Ficamos botando o papo em dia e fomos dormir um pouco tarde. A ansiedade ainda fez com que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Marinzinho-Marins

Todo mundo a postos

Vistoria: check; briefing: check; foto: check. Bora subir!

No sábado, levantei cedo, me arrumei, tomei café e fui com os amigos para a vistoria e briefing (impossível não lembrar das provas de Audax). Os itens obrigatórios checados na vistoria eram anorak, cobertor de emergência, apito, kit básico de primeiros socorros e o estado do tênis de trilha/trekking. Foi engraçado ouvir o pessoal reclamando que estava carregando muito peso e eu só conseguia pensar: “nossa, nunca estive tão leve”.

Saímos da Pousada do Maeda em direção ao Pico do Marinzinho. Éramos mais de 70 pessoas divididas entre os grupos avançado, intermediário e conservador. O pessoal do avançado, como era de se esperar, disparou. Fui com o intermediário, pensando que, se não aguentasse, poderia me juntar ao conservador. Até rolou um trotezinho na descida, mas depois a subida começou e não parou mais.

O primeiro trecho é uma estrada de terra e depois vem uma trilha pela mata. Não consegui manter o mesmo ritmo nessa parte, mas bateu a empolgação quando começou a escalaminhada. Segui junto com a Luara e logo reencontramos o pessoal – Cris, Gabriel, Karol e Will – no cume do Marinzinho. Pausa curta para fotos e lanchinho e tocamos em direção ao Marins.

Escalaminhada

E começou o trepa-pedra.

Essa parte foi a mais legal para mim. Consegui desenvolver um bom ritmo, fui lembrando de vários trechos da travessia e matando a saudade da montanha. Chegando ao platô, o grupo se dividiu entre os que iriam descer e os que queriam fazer o cume. Subimos bem e o tempo ajudou a termos uma vista linda lá de cima.

A descida do Marins foi melhor do que imaginávamos. Estava com receio da parte da “escadinha” porque tinha dado uma travada nas outras vezes que passei por ali. O Romário, que estava guiando nosso grupo, foi super atencioso e ajudou muito nessa descida, orientando o pessoal sobre onde se apoiar. Quando chegou minha vez, desci com tanta facilidade que até desacreditei.

Flagra

Pega no flagra ou pose para foto? Foto: Gabriel Ciszewski.

O treino terminava com 8km em estrada de terra. O pessoal logo disparou na corrida e fui ficando para trás. Decidi não forçar e comecei a caminhar, mas logo aproveitei a carona do Sinoca.

Encerramos o sábado com uma roda de conversa, muita cantoria de raiz (haha), vinho e cerveja.

Pedra Montada e Caminho das Águas

O treino original no domingo era irmos até o Itaguaré e voltarmos, porém, na véspera, fui sondar com o sr. Djalma se poderíamos deixar os carros no campinho, mas ele avisou que continua não sendo uma boa ideia. O pessoal acabou se dividindo. Um casal foi fazer o Itaguaré, pois está treinando para uma prova, outra turma subiu até a Pedra Montada e lá se dividiu de novo, com algumas pessoas indo mais uma vez ao cume do Marinzinho.

É para lá que nós vamos

É para lá que nós vamos!

Nós saímos mais tarde e fomos até a Pedra Montada. Fiquei com vontade de continuar até o Marinzinho, mas quis aproveitar a companhia dos amigos. Descemos e fomos para o Caminho das Águas. Desta vez, conheci todas as cachoeiras dali com direito a banho beeeeem gelado.

Durante e depois do almoço, ficamos conversando mais um pouco e o pessoal começou a se dispersar. O Will e eu não queríamos chegar muito tarde em São Paulo e saímos de lá no meio da tarde.

O treino foi organizado com esmero pelo Marcelo Sinoca e pela Juliana Salviano, da Trail Runners Brasil (TRB) e não poderiam ter escolhido percurso melhor. Agradecimento especial aos “laranjinhas” pelo convite e companhia. Conheci tanta gente e me diverti tanto que já quero repeteco – até porque garanti minha camiseta e tenho que honrá-la. ;)

Cicloviagem da virada 2017

Admirando a Serra da Beleza

Admirando a vista da Serra da Beleza.

Uma amiga querida, a Vivi, me fez um convite irrecusável para o final de ano: uma cicloviagem só de mulheres. Ela bolou um roteiro bem legal de São João Del Rei a Volta Redonda e mandou um e-mail detalhado com informações de distâncias, altimetrias, hospedagens e estimativa de tempo entre uma cidade e outra.

Embarquei em São Paulo junto com a Fernanda e a Renata com destino a São João Del Rei, onde encontramos a Vivi. O transporte das bikes foi bem tranquilo e o motorista foi bastante atencioso. Não pegamos trânsito e a viagem demorou 8 longas horas. Nessa primeira noite, ficamos no AZ Hostel, no centro histórico. Preço bom e lugar bacana.

De São João Del Rei a Madre de Deus de Minas

Como o café da manhã é oferecido fora do hostel, atrasamos um pouco nossa saída. Pedimos informação para o rapaz na recepção sobre o melhor caminho para sairmos da cidade e logo de cara já lembramos que subida para mineiro é algo bem relativo.

Nós e os caminhões

Vivi ganhou o título de miss simpatia.

Estava com receio dos 13 primeiros quilômetros. Passamos por eles de ônibus no dia anterior e a pista é bem estreita, sem acostamento e com movimento intenso de caminhões. Mas não tivemos qualquer problema. Pelo contrário, numa longa descida, um caminhoneiro até segurou o trânsito para nós.

Primeiro café da viagem

O primeiro café da viagem. Que delícia!

A estrada que vai para Madre de Deus é linda, tranquila e cheia de sobe-desce. Aqui rolou o primeiro café da viagem, sob a convidativa sombra de árvores. Um cara num jipe parou para ver se estava tudo bem e fez uma cara bem engraçada ao perceber que estávamos fazendo café.

Essa estrada é cercada por plantações de milho e não tem abastecimento algum. O calor estava infernal e ao nos depararmos com uma casa no meio do caminho parecia que tínhamos encontrado um oásis. Faltavam poucos quilômetros para a cidade, mas a água geladinha servida pela Mara fez uma diferença enorme.

Em Madre de Deus, almoçamos no restaurante Aconchego Mineiro, da Dalva. Comida simples e saborosa temperada com simpatia. A pousada fica ali perto, depois de uma subida, claro. Tomamos banho e esperamos o sol dar uma trégua antes de darmos uma volta. Não há muito o que fazer por ali, então tomamos um açaí e depois jantamos no mesmo restaurante.

De Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas

Pelo gráfico de altimetria, sabíamos que hoje seria um dia de muito sobe e desce. E também o dia de maior quilometragem de toda a viagem. O que nos deixou mais tranquilas é que havia mais cidadezinhas pelo caminho e água não seria um problema como na véspera.

Água, café, queijo e vinho

Água, gatorade, queijos e vinhos.

Seguimos bem até São Vicente de Minas, onde paramos em uma lojinha para pegar água, gatorade e beliscar algumas comidinhas. Descobrimos que aqui é onde fica a fábrica da Polenghi e havia uma boa oferta de diferentes tipos de queijos. Os vinhos também estavam com preços bons e levamos dois.

Quase chegando a Andrelândia, o filho de uma amiga, a Roberta Godinho, foi nos encontrar na estrada. Depois, seguimos até a cidade, onde almoçamos no Pub House. Logo chegou a mãe da Roberta. “Encontrei as meninas de bicicleta.” E depois a tia, a irmã, filhos e sobrinhos. Muita simpatia e ótima recepção. Eles tiraram tantas fotos nossas que a moça do restaurante perguntou: “vocês são famosas?”.

Quando voltamos para a estrada a Vivi reclamou que a bicicleta estava muito pesada para pedalar. Paramos para olhar e percebemos que as marchas mais leves não estavam entrando. O cabo estava meio molenga no sti e pensei se o cabo poderia estar desfiando. Primeiro tentamos regular o câmbio, mas não rolou. Então, ligamos para nosso consultor especial, o Artur, e esse foi o diagnóstico. Fomos à bicicletaria Planet Bike, em Andrelândia, e o Quelson fez a troca.

Olha a subida

Se não gosta de subida, melhor não ir para Minas.

A próxima parada foi em Arantina para água e, por falta de tempo, não teve café na estrada. As subidas não eram íngremes, mas eram longas e frequentes.

Em Bom Jardim de Minas, fomos direto para o centro procurar um lugar para jantarmos, Logo o dono da pousada onde tínhamos reserva apareceu, preocupado conosco – a mesma coisa aconteceu no dia anterior. Ele nos indicou um atalho já que os Chalés Camará ficam a uns 3km da cidade. Óbvio que nem tudo é fácil e tivemos que encarar a pior subida até então: 14%.

A noite terminou com vinho, céu estrelado, risadas e muita conversa boa.

De Bom Jardim de Minas a Conservatória

Café na varanda do chalé

Café para começar bem o dia.

Tivemos uma manhã bem preguiçosa, com direito a enrolar na cama e fazer café na varanda do chalé. A Vivi é dona do charmoso Musette Café e levou um café bem bom, prensa francesa e hario para preparar café. O café plantado pelo pai da Renata também estava na bagagem e eu levei uma cafeteira italiana.

Cicloviagem da Virada

Que serra mais linda!

Café tomado, fomos para a estrada. O percurso de hoje foi o mais lindo. Começamos num falso plano com vento contra e morros a perder de vista. Ao contrário do que nos falaram, a estrada é tranquila demais e uma delícia para pedalar. Descemos a primeira serra do dia e fiquei para trás, por um misto de receio de descidas íngremes com curvas e paradas parar admirar a paisagem e tirar fotos.

Que calor!

Todo mundo com calor.

Almoçamos em Santa Rita do Jacutinga num restaurante recomendado pela mãe da Vivi e, por causa do calor, enrolamos quase duas horas num café antes de criarmos coragem para encarar a Serra da Beleza.

O tempo começou a virar e o vento contra deu o ar da graça, mas não pegamos chuva. Esta foi a subida mais cansativa, nem tanto pela altimetria, mas pela moleza provocada pelo calor. Faltando uns 2km para o topo, entendi porque ela é chamada de Serra da Beleza: que vista incrível! O lugar é famoso também pelas histórias de ovnis e bastante procurado por ufólogos.

Descemos bem e brindamos o terceiro dia de pedal com cerveja de boteco. Depois, fomos para a casa reservada pela Vivi para a virada, onde fomos muito bem recebidas. Além de decorarem a casa e deixarem um pote com mix de castanhas, nos presentearam com um prosecco.

Relaxamos um pouco antes de tomar banho e dar uma volta pelo centrinho. Não havia muitas opções e acabamos jantando pizza em frente à chamada praça de baixo.

Conservatória

Nosso plano de tomar banho de cachoeira não rolou. A única com acesso fácil, a Cachoeira da Índia, está interditada. Depois do café, a Vivi foi pedalar um pouco para atingir a meta do desafio Rapha 500 do Strava e a Renata foi junto.

Cicloviagem da Virada

Nós e as bikes em Conservatória-RJ.

Almoçamos no restaurante Gema da Roça, que fica na Rodovia Canção do Amor. Um cara que trabalha lá, o Miguel, veio conversar conosco sobre as bikes. Ele falou sobre algumas estradas de terra legais da região, nos deu um mapa dos arredores e se despediu dizendo que iria passar a tarde na Cachoeira do Destino. Fiquei com vontade de vir para cá com a mtb.

Nossa virada foi bem tranquila. Pedimos pizza, brindamos com prosecco e ficamos papeando enquanto a chuva caía forte. Assistimos à queima de fogos da sacada e fomos dormir pouco depois da meia-noite. Definitivamente, um bom começo de ano.

De Conservatória a Volta Redonda

Depois do café, já estava com tudo pronto, mas a saída de hoje foi enrolada. Nos despedimos da simpática família e fomos encarar a Serra da Beleza novamente. No roteiro inicial, iríamos passar por São José do Turvo, mas descobrimos que o caminho até lá é por terra. Com a mudança, pedalamos cerca de 20km a mais.

Descemos tanto na chegada a Conservatória que imaginamos uma subida bem pior do que ela realmente é. Quando chegamos ao topo, até me perguntei: “já acabou?”. Escolhemos um ponto com uma vista incrível e fizemos o último café da viagem, com direito a sequilho para acompanhar.

Os prazeres da descida

Redescobrindo os prazeres da descida na Serra da Beleza.

Encaramos uma longa descida até Santa Isabel do Rio Preto, onde paramos num boteco para comprarmos água. O calor era tanto que acabamos pedindo também uma cerveja. Mal saímos do bar, o pneu da Renata furou e voltamos para trocá-lo.

O restante do caminho foi tranquilo, com poucas subidas, porém, o calor estava insuportável e bateu um pouco de moleza. Fui acompanhando a Fê, que teve uma leve queda de pressão. Em Nossa Senhora do Amparo, mais uma parada rápida para água e isotônico e seguimos para os últimos quilômetros.

Quanto mais perto da cidade, maior a falta de respeito por parte dos motoristas. Tomamos algumas finas, mas, por sorte, não aconteceu nada grave. O desafio final era a ladeira para chegar à casa dos pais da Vivi, que está dividida em três estágios: inclinada, pqp e a subidinha final, que seria ok se não viesse depois da pior parte. Todo mundo empurrou.

Um brinde!

Um brinde para comemorar esses dias fantásticos.

Fomos muito bem recepcionadas pela mãe da Vivi, com uma mesa farta (ela fez moqueca de jaca verde para mim), e pelo Artur, que levou Bauzeras para brindarmos. O restante do dia foi de comilança, piscina e pernas para o ar.

Quando a Vivi fez o convite, eu tinha certeza de que essa viagem seria bem legal. Só não tinha ideia de que seria ainda mais incrível do que eu imaginei. Estradas lindas, companhias especiais, subidas e mais subidas. Fez um danado para a alma!

Quilometragem e altimetria

Dia 1 – São João Del Rei a Madre de Deus de Minas: 59,2km; 994m acumulados
Dia 2 – Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas: 91,9km; 1.648m acumulados
Dia 3 – Bom Jardim de Minas a Conservatória: 75,6km; 863m acumulados
Dia 4 – Dia da virada
Dia 5 – Conservatória a Volta Redonda: 65,4km; 828m acumulados

Tem mais fotos e uns vídeos engraçadinhos aqui.