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Nham nham

Carnaval 2016

Carnaval 2016

Ah, Minas Gerais.

Neste ano, combinamos uma cicloviagem com um casal de amigos, a Elo e o Silvio, e nossa opção foi o Caminho dos Anjos, que estava na cabeça desde o carnaval do ano passado, quando passamos por algumas plaquinhas.

Saímos sexta à noite de São Paulo rumo a Passa Quatro. Optamos por dormir num hostel, onde deixamos o carro, para começarmos a pedalar cedo no dia seguinte. Só que o plano não deu certo. Com o cansaço de quem foi deitar às 2h da manhã, acabamos dormindo um pouquinho mais e, nos dias seguintes, mantivemos essa tendência de sair quase sempre depois do planejado.

De Passa Quatro a Alagoa

O começo é bem bonito. Subimos um pouco e ficamos admirando a paisagem. Com 10 km, vimos uma placa indicando a Pedra da Mina e, pouco depois, reencontramos um trio de senhoras que estava fazendo o trajeto a pé e saíram antes de nós do hostel.

O trecho entre Itanhandu e Itamonte estava um pouco movimentado, provavelmente por causa do carnaval. Essa parte foi um pouco chata por causa dos carros passando com som alto, mas fizemos uma parada para lanchinho na beira de um rio para compensar.

Itamonte

Subida para Itamonte.

Depois de Itamonte é que o bicho pega com uma longa subida. São cerca de 20 km sempre subindo. Esse trecho é um misto de asfalto e paralelepípedos e quase derretemos com o calor de 38°C. Enquanto subíamos, o céu ficava cada vez mais escuro na direção para onde estávamos indo. Logo começou um chove-e-para e a temperatura foi caindo.

Ao chegarmos ao topo da subida, que fica no Parque Estadual Serra do Papagaio, a chuva resolveu apertar e não parou mais. Seguimos pelo asfalto esburacado em várias partes. Alguns motoristas imprudentes passaram por nós em uma velocidade que indicava descaso com os ciclistas, com a lama escorregadia e com o abismo do lado esquerdo.

Ainda empolgada com a viagem da Patagônia, fui com uma bike touring com guidão drop e freios cantilever. O resultado é que sofri um tanto na descida e tive que parar algumas vezes para alongar os dedos, as mãos e punhos. Faltando menos de dez quilômetros para Alagoa, diminuímos a velocidade para acompanhar uma família que pedalava sem luzes. A mãe ia na frente e o pai seguia com a filha na garupa. Ambas tentavam inutilmente se protegerem da chuva com sombrinhas.

Em Alagoa, nos hospedamos na Pousada Flores da Mantiqueira da fofíssima Guela. Chegamos ensopados e ela gentilmente lavou (!) todas as nossas roupas – pensamos que a oferta era apenas para centrifugar as peças. E ainda ganhamos café e chá quentinhos.

Por indicação dela, jantamos no restaurante Sabor & Arte, do Gustavo. Foi um jantar farto com salada de couve orgânica e comida caseira feita com carinho.

De Alagoa a Aiuruoca

O café da manhã foi uma delícia e óbvio que enrolamos para sair de novo. A estrada começou tranquila e deliciosa para pedalar. Vimos um filhote de cobra coral que se escondeu rapidinho no mato. Encontramos uma família caminhando e um casal de ciclistas também de São Paulo que estavam aproveitando o feriado por ali.

Cangalha

A caminho do Matutu via Cangalha.

Chegando perto de Aiuruoca, há uma bifurcação. A rota oficial do Caminho dos Anjos vai pela direita, mas nós optamos por conhecer a região chamada Cangalha. Além de paisagens lindas, havia muita subida! A descida é por um singletrack bastante técnico e, apesar do garfo rígido, do guidão drop e, principalmente, da minha falta de habilidade, consegui descer alguns trechos pedalando sem problemas.

O singletrack termina no Vale do Matutu, que conhecemos em uma viagem de final de ano. Já que estávamos ali, aproveitamos para almoçar no restaurante da Tia Iraci. Entre pratos fartos, cachaças e cervejas artesanais, decidimos abortar o restante da viagem. A Elo estava sentindo muita dor num dos joelhos e o trecho seguinte até a cachoeira dos Garcias tem subidas bastante puxadas. Então, ficamos um bom tempo aproveitando o espaço do restaurante, que tem um quintal delicioso.

O dia terminou na Estalagem do Mirante. Chegamos no momento em que a chuva apertava e demos sorte, pois ainda havia lugares no quarto destinado aos peregrinos.

De Aiuruoca a Virgínia

Estalagem do Mirante

Estalagem do Mirante.

Já que a viagem de bike havia sido abortada, não nos preocupamos em sair cedo. Depois do café-da-manhã, fomos até um mirante dentro da pousada e ficamos admirando a paisagem e batendo papo.

Aiuruoca

Centro de Aiuruoca.

Pedalamos até o centro de Aiuruoca e aí rolou uma saga para resgatarmos o carro em Passa Quatro e depois as bikes em Aiuruoca. Decidimos dormir no Pesqueiro 13 Lagos em Virgínia, porém, embora tenhamos confirmado a hospedagem com o sr. Mauro, não havia ninguém para nos receber. Fomos parar num hotel recém-inaugurado.

De Virgínia a Marmelópolis

Fuçando no GPS, o Artur sugeriu seguirmos por uma estrada que liga Virgínia a Marmelópolis. Assim, iríamos embora passeando. A sugestão agradou todo mundo, pois a estrada é linda, cercada de árvores e com uma cachoeira enorme em uma de suas curvas. Enquanto subíamos, subíamos e subíamos, eu pensava, preciso voltar aqui para pedalar.

Caminho das Águas

Trilha das Águas, dica do sr. Maeda.

Em Marmelópolis, fomos visitar o fofíssimo senhor Maeda. Ele nos deu a dica do Caminho Trilha das Águas, com direito a mapinha desenhado e xerocado. Saímos pelos fundos da pousada até uma estrada e depois pegamos uma trilha que leva a uma sequência de cachoeiras. A água estava geladíssima, mas depois que acostumamos, não queríamos mais sair dali.

Eu já tinha viajado com a Elo e fiquei muito feliz com as companhias. Rimos muito, comemos bastante, pedalamos um pouco (haha). A parte mais difícil, sem dúvida, foi voltar para São Paulo.

Flickr

Pedalando pelo Equador

Chimborazo

Chimborazo, o maior vulcão do Equador.

A inspiração para as férias veio de um blog que sigo, o While Out Riding, do Cass Gilbert. Junto com os irmãos Dammer, ele pedalou a Transecuador e teceu mil elogios ao país.

Decisão tomada e passagens compradas, começamos a pesquisar sobre cicloviagens pelo Equador e a ansiedade crescia a cada foto de paisagem bonita que víamos ou relato interessante que líamos. E, como nenhum de nós conhecia o Equador, achamos legal descobrirmos esse país juntos.

Quito

A viagem começou na capital do país, Quito, onde passamos quatro dias para descansarmos da correria pré-férias e conhecermos um pouco da cidade.

Pichincha

Teleférico em Quito.

Seguindo a dica do Mathias Fingermann, fomos pedalando até o teleférico que leva ao vulcão Pichincha e subimos com as bikes. O ingresso custava 8 dólares por pessoa, porém, como desceríamos de bicicleta, pagamos 6 dólares para os dois.

Esse desconto existe porque ali há uma pista de downhill. Muitas pessoas sobem com o teleférico, mas descem pedalando e algumas cabines têm até um suporte para pendurar bicicletas. Só que ao invés de encarar esse downhill, optamos por uma estrada que segue para a zona sul da cidade.

O começo era cheio de pedras, mas depois se transformou numa estrada de terra batida. Aos poucos, começaram a surgir algumas casas até que chegamos ao início de um bairro. Fomos pedir informação a um agente de trânsito que estava ali, pois havia uma bifurcação. Ele não quis nos deixar seguir pedalando, pois ali era perigoso e blá-blá-blá e tivemos que “pegar uma carona” num ônibus de linha, que nos deixou no centro histórico, de onde continuamos pedalando.

Vimos muitas pessoas pedalando em Quito e há investimentos na cidade para incentivar esse modal. Além de algumas ciclovias, há bicicletas públicas para alugar e, aos domingos, uma das principais avenidas da cidade, a Avenida Río Amazonas é fechada para carros e por ali circulam apenas pedestres e bicicletas.

Apesar disso, achei um pouco tenso pedalar em Quito. A buzina impera e os motoristas, em geral, são imprudentes. As rotatórias em algumas grandes vias também não são muito convidativas para ciclistas.

Palugo

Nosso primeiro dia pedalando foi de Quito para a vila Palugo. A saída indicada pelo Google Maps era pela mesma estrada que liga a cidade ao aeroporto e, próximo à entrada do túnel, há uma faixa enorme proibindo bicicletas. Pedimos informação para dois guardas de trânsito e eles nos mandaram exatamente por ali.

Ainda no Brasil, tinha entrado em contato com os irmãos Thomas, Mijael e Mathias Dammer e combinamos uma visita. Eles moram nos arredores de Quito e trabalham com agricultura orgânica, além de serem guias de montanha.

O sítio Nahual é lindo e a estrutura visa à sustentabilidade: água aquecida por meio de energia solar, banheiros secos, construções de adobe. Fomos à casa de um dos irmãos e adoramos o que vimos. Tendo como principais materiais o adobe, a madeira e o vidro, o sobrado é bastante aconchegante.

No começo da noite, nos reunimos com os três e, munidos de mapas e de um notebook, fomos refinando a rota previamente traçada. Eles já pedalaram todos os caminhos que queríamos fazer e tinham dicas excelentes.

Só achei curioso o fato de eles não passarem as distâncias em quilômetros. Quando perguntava sobre a quilometragem de uma cidade para outra a resposta era em tempo. “Ah, de Isinlivi para Quilotoa é um dia de pedal.”

Cotopaxi

Nos despedimos dos irmãos e pedalamos um trecho urbano no sentido do aeroporto antes de entramos na ciclovia El Chaquiñán. São cerca de 21 km ligando as cidades de Puembo a Cumbayá com paisagens bem bonitas. Cruzamos com alguns ciclistas treinando por ali e acabamos pedalando mais do que precisávamos, pois nossa saída era em Tumbaco.

El Chaquiñan

Ciclovia El Chaquiñan.

Deveríamos passar por um tal de Portal de Villa Vega, porém, nosso esquema de PPS (pare-pergunte-siga) não estava funcionando muito bem, pois cada pessoa com quem conversávamos nos indicava um caminho diferente. Como tínhamos o nome do nosso próximo destino, aproveitamos uma lan house para checarmos a rota. Direção mais ou menos confirmada, partimos rumo à vila La Merced, onde passamos a noite.

Depois de tomarmos café da manhã e abastecermos nossa “despensa”, pegamos a estrada. O começo tinha muitas pedras e subidas, mas ficamos muito animados quando avistamos, pela primeira vez, o Cotopaxi. Pegamos um trecho de rodovia, porém, logo voltamos para estradas de paralelepípedos. Embora estivéssemos subindo constantemente, a inclinação não era ruim. O que segurava nosso ritmo era a irregularidade da estrada.

Pela rota que pesquisamos, seria um dia apenas subindo. Por isso, quando começamos a descer bastante eu já sabia que havíamos errado o caminho. Pedimos informação para um senhor que passava por ali de trator e ele nos disse que estávamos perto da vila de Patichubamba, uma das referências de rota dos irmãos Dammer. Menos mal.

Ainda faltavam 30 km até o Parque Cotopaxi e não chegaríamos lá com luz do dia. Por isso, aproveitamos a hospedagem encontrada no caminho e encerramos os trabalhos mais cedo. O senhor que nos recebeu no camping fez questão de frisar que estávamos a 2.970 m acima do nível do mar.

Cotopaxi

Da estrada para a trilha, a caminho do Cotopaxi.

No dia seguinte, tivemos um início tranquilo. Já estávamos a mais de 3.000 m e ainda havia bastante vegetação. Depois de uma estradinha que lembrava a Mantiqueira, veio mais uma dúvida sobre o caminho. Tínhamos que cruzar um rio, mas não encontrávamos a ponte para atravessarmos. Deixamos as bikes num canto e fomos checar a trilha a pé. Encontramos uma pequena ponte de madeira e foi por aí mesmo que seguimos.

Saímos num cruzamento de estradas e aproveitamos para almoçar no restaurante que há ali. Milho e favas cozidos acompanhados de queijo branco. Ficamos um tempo conversando com o dono do lugar e um senhor que apareceu logo depois.

Pedalamos os últimos quilômetros até o parque com vento contra, um pouco de chuva e frio. A passagem pelo Control Norte foi tranquila, tivemos apenas que apresentar nossos passaportes para registro e não pagamos nada. Seguimos de lá para a hospedagem Tambopaxi.

Cotopaxi

Luzes acesas no Refúgio José Ribas.

Ao escolhermos a hospedagem, resolvemos nos mimar um pouco. Ao invés de camping ou alojamento, optamos por um quarto não compartilhado, o que, no Tambopaxi, significa um quarto na ala VIP. Além do banho mais quente da viagem, tínhamos uma vista incrível para o vulcão e decidimos passar duas noites ali.

Depois do descanso, continuamos a viagem dentro do parque. O pedal começou com um pouco de vento contra que se tornava a favor conforme as curvas do caminho. Pela primeira vez na viagem, passamos dos 4.000 m.

Cotopaxi National Park

Com a chuva, veio o frio.

A subida estava tranquila até a chuva começar. A combinação de vento, chuva e altitude fez com que a sensação térmica caísse muito rapidamente. As mãos estavam bastante geladas e, mesmo colocando luvas mais quentes, elas não esquentavam.

Queríamos chegar a uma cabana abandonada indicada pelos Dammer, porém, no meio do caminho tinha um portão e um aviso de que se tratava de propriedade privada. Ficamos alguns minutos parados ali e, enquanto pensávamos no que fazer, a chuva foi aumentando. Decidimos voltar um pouco, sair da estrada e levantarmos acampamento.

Cotopaxi

Nada mal acampar com essa vista.

Ficamos algum tempo na barraca, ouvindo a chuva cair e nos aquecendo. Quando ela passou, fomos explorar o lugar e nos surpreendemos ao perceber o quão perto do Cotopaxi estávamos. O tempo fechado de antes tinha escondido o vulcão completamente. Dormimos a 4.050 m acima do nível do mar, com um vulcão no “quintal” da nossa barraca e temperatura próxima de 0°C. Foi uma ótima noite!

O dia amanheceu sem chuva, mas o tempo ainda estava um pouco fechado. Refizemos o caminho do dia seguinte, aproveitando para fotografar um pouco. O vento estava mais forte do que no dia anterior e, quando soprava contra, nos obrigava a pedalar até nas descidas.

Cotopaxi

Vida selvagem no Parque Nacional Cotopaxi.

Passamos pela Laguna de Limpiopungo, que tem uma ótima vista do vulcão Rumiñahui, e depois seguimos para o Control Sur, saindo do Parque Nacional do Cotopaxi. Pegamos um trechinho da rodovia Panamericana e logo chegamos à cidade de Lasso, onde passamos a noite no hostel Cabaña de los Volcanes.

Quilotoa

A saída de Lasso foi chatinha, pois começava numa rodovia estreita e com muitos caminhões. O movimento foi diminuindo e, na primeira bifurcação com placa para Isinlivi, voltamos a pedalar numa estrada de pedras, numa subida suave.

Depois veio a primeira serra com curvas tão fechadas que a apelidamos de “caracoliños”. Pelo caminho, cruzamos com muitas caminhonetes que fazem o transporte de camponeses, moradores e alunos da região.

Isinlivi

Caracoliños no caminho para Isinlivi.

Com poucos quilômetros rodados, já percebemos uma grande mudança na paisagem e nas feições das pessoas. Esta é uma região mais rural e havia muitas plantações, que quase nunca conseguíamos identificar. E a população tem traços mais indígenas e usa roupas tradicionais, principalmente, as mulheres.

Logo alcançamos a segunda serra e o vento contra não dava trégua. Já tínhamos passado dos 3.000 m e cada vez que parava para recuperar o fôlego, ficava impressionada com o quanto tínhamos subido.

Isinlivi

Depois de chegarmos a 3.900m, começou a descida para voltarmos aos 2.900m.

A descida foi longa e gelada: cerca de 15 km de muitas curvas, pedras e névoa que escondia parte do caminho. Ficamos hospedados no hostel Taita Cristobal e gostamos muito. Pagamos 14 dólares por pessoa por um quarto com banheiro privativo e esse valor incluía também o jantar e o café da manhã. E ainda ficamos um bom tempo conversando com o dono, o Paco.

Queríamos sair cedo, porém, amanheceu chovendo e, enquanto esperávamos o tempo melhorar, ficamos jogando dominó. Depois de três partidas, fomos para a estrada. Logo no começo, encaramos uma boa descida seguida de uma boa subida. Isso foi apenas uma prévia do dia, que teve muito sobe-e-desce e um pouco mais de chuva.

Fomos passando por vários pueblos indicados pelo Paco e quase todas as pessoas que encontramos pelo caminho nos cumprimentavam e algumas ainda perguntavam de onde estávamos vindo e para onde iríamos. Era só falar Quilotoa para ouvir “ih, estão longe”.

Tunguiche

Os irmãos Gilmar, Emerson e Danilo voltando da escola em Tunguiche.

O trecho de Tunguiche para Pilapuchin foi bastante cansativo. De novo subimos um “caracoliños”, só que desta vez combinado com areia, que passou a fazer parte do caminho por vários quilômetros.

Passamos por uma bifurcação para Shalala, mas seguimos no caminho para Quilotoa, pois não sabíamos como era a estrutura da vila. Depois descobrimos que foram feitos investimentos em Shalala para receber turistas que querem visitar a Laguna Quilotoa: camping, pousada, restaurantes e um deck de observação.

Quilotoa

Descendo até a beira da lagoa Quilotoa.

A vila Quilotoa funciona em torno da laguna. O comércio por ali é formado basicamente por hostels, restaurantes, lojas de souvenirs e vendinhas.

Tinha lido uma recomendação sobre o hostel Cabañas Quilotoa e o fato de ter aquecedor em cada quarto me animou a ficar ali. Como era logo na entrada da vila, infelizmente não vimos as outras opções. Pagamos 20 dólares por pessoa com jantar e café da manhã. O problema é que o lugar era sujo e as donas agiam como se estivessem nos fazendo um favor e não prestando um serviço.

No dia seguinte, fomos até a beira da laguna. Um guia online indicava meia hora para descer e uma hora para subir. Subimos em 40 minutos, mas com várias paradas para descansarmos um pouco. Há quem alugue mulas para evitar esse desgate.

Depois de almoçarmos, fomos para Zumbahua. Sem dúvida, foi o pedal mais fácil da viagem toda: 12,4 km de descida. Nessa região, há várias feiras tradicionais, que acontecem cada dia da semana em uma cidade diferente. A de Zumbahua é aos sábados e não queríamos perdê-la.

Zumbahua

Mercado em Zumbahua.

Levantamos cedo e fomos primeiro ver a feira de animais, que acontece a algumas quadras da praça. O negócio funciona com os donos dos bichos parados segurando os animais presos a cordas a espera dos compradores. Havia muitos porcos, ovelhas e algumas lhamas. A outra feira tinha barracas de frutas, de secos e molhados, roupas, sapatos, lã e comida. Aproveitei para comprar algumas frutas.

A feira traz vida para a cidade. Tivemos a impressão de que muitos que ali estavam usavam suas melhores roupas, como se aquele fosse o momento mais esperado da semana. Depois de fazermos muitas fotos, fomos pegar o ônibus para Angamarca.

Chimborazo

Embarcamos num ônibus lotado e viajamos quase o tempo todo em pé. Os bagageiros estavam cheios e as bicicletas foram no teto do ônibus. A cada virada brusca na beira de precipícios, eu ficava agoniada com medo das bikes saírem voando.

Desde o momento em que descemos do ônibus tive uma sensação ruim em relação à Angamarca. Conversamos com poucas pessoas ali, mas parecia que queriam sempre tirar algum proveito. Para ajudar, começou a chover forte e o caminho por onde deveríamos seguir ficou intransitável até para 4×4. Ou seja, seria uma subida íngreme escorregando na lama.

Acabamos voltando para Zumbahua e, de lá, seguimos para Latacunga, onde passamos a noite e refizemos nosso roteiro. Demos mais um descanso para nossas pernas e fomos de ônibus até Riobamba. Não tinha lugar para sentarmos e o cobrador falou para irmos na cabine com o motorista. Conversamos tanto que fui a viagem inteira ali.

Chimborazo

Visão privilegiada do Chimborazo.

Saindo de Riobamba, pegamos uma estrada secundária para irmos ao Chimborazo. Por boa parte do caminho, pedalamos em direção a nuvens escuras e sem qualquer visão do Chimborazo. Porém, conforme nos aproximávamos, o tempo foi melhorando e logo as nuvens começaram a se dissipar.

Passamos por um pueblo bem na hora da saída da escola. As crianças ficaram ao nosso redor, bastante curiosas. Numa subida, duas menininhas começaram a empurrar a bicicleta do Artur e depois vieram fazer o mesmo comigo. Descemos das bikes e fomos andando lado a lado e conversando um pouco com elas.

Antes da estrada de asfalto para a Reserva do Chimborazo, encontramos um local perfeito para acamparmos com vista privilegiada para o vulcão. Deixamos as bikes na estrada e fomos procurar um lugar para montarmos a barraca. Nisso, um carro de polícia parou. Os policiais não tinham nos visto e ficaram intrigados com as bikes no caminho. Fomos conversar, explicamos sobre a viagem e perguntamos se era permitido acampar por ali. Um deles respondeu: proibido não é, mas é perigoso. Eles foram embora e pensamos: não passa ninguém aqui, como vai ser perigoso?

Chimborazo

Irmãs curiosas.

Foi só falarmos e uma caminhonete estacionou e dela saíram duas mulheres, um homem e duas crianças. Eles tinham ido ali cortar capim para aquecer os animais. O Artur ficou cerca de uma hora conversando com o cara e eu, com as crianças. As mulheres cortaram todo o capim sozinhas e o cara ficou apenas observando.

Resolvemos procurar outro lugar para acampar e seguimos em frente até uma vila que parecia abandonada. O Artur foi na frente e logo voltou dizendo: há uma opção de hospedagem, por 12 dólares o quarto ou podemos acampar de graça. Converse com a belga que está por lá. E ele voltou para a estrada para tirar fotos do Chimborazo, que estava lindo nesse final de tarde.

Chimborazo

Camping próximo ao Chimborazo.

Tínhamos lido sobre a Casa Condor em algum site, mas o lugar parecia abandonado e foi uma surpresa encontrarmos os belgas Justine e Edward. Optamos pelo camping, mas aproveitamos a cozinha para prepararmos o jantar e muito chá.

Logo chegaram os mexicanos Cynthia e Gustavo que estão viajando num Fusca. Ambos os casais têm a meta de chegar a Ushuaia. Porém, os belgas juntaram dinheiro e planejam viajar por um ano, enquanto os mexicanos estão na estrada há dois anos e vão trabalhando pelo caminho para bancar a viagem.

Mesmo tendo ido dormir tarde por causa das boas conversas, acordamos cedo por causa do barulho do vento. Arrumamos nossas coisas e tomamos café da manhã com calma, antes de nos despedirmos dos casais.

El Arenal

Atravessando a região desértica El Arenal.

Tínhamos bastante subida pela frente e muito vento, em alguns momentos a favor, mas quase sempre contra. A maior parte do caminho foi pela região El Arenal, um ecossistema chamado de páramo seco, de clima desértico.

Nas laterais da estrada, havia barrancos que pouco a pouco estão sendo desgastados pela erosão causada pelo vento. Pudemos sentir um pouco disso na pele, pois o vento trazia areia e até algumas pedrinhas que batiam com força no capacete e no rosto.

El Arenal

Vicuñas.

El Arenal é também uma área de preservação da vicuñas e tivemos a sorte de encontrarmos dois grupos grandes desses animais na beira da estrada.

Quando cruzamos a estrada Ambato-Guaranda, nos despedimos do Chimborazo. O vento contra com areia ficou ainda pior e eu tive dificuldade de pedalar nesse trecho. Mas logo veio a descida. Chegamos a um pequeno povoado e ali decidimos seguir por um trecho de downhill. Foram 7km descendo ao lado de um vale lindo e então chegamos à Salinas.

Salinas

Tinha lido sobre a cidade no blog do Cass, mas eu quis conhecer o lugar depois de ler um post que o Artur achou na internet. Salinas tem esse nome porque, 40 anos atrás, sua economia girava em torno de uma mina de sal, que pertencia a uma família muito rica. Até que um padre italiano foi morar na cidade e decidiu por fim a esse monopólio. Ele conseguiu empréstimos e organizou uma cooperativa para produzir queijo.

Salinas

Queijaria em Salinas com capacidade para processar 10 mil litros de leite por dia.

Esse modelo deu tão certo que começaram a surgir outras cooperativas e, atualmente, são 30 pueblos integrados com Salinas produzindo queijos (gruyére, parmesão, dambo e outros), chocolates deliciosos, lã de alpaca e de ovelha, frutas e cogumelos desidratados, produtos de soja e até bolas de futebol. Alguns produtos são exportados para Alemanha, Itália, Finlândia e Japão.

Salinas

O Tour Salinerito passa pelas principais fábricas da cidade. Pagamos 15 dólares para duas pessoas.

Depois do tour, sentamos num banquinho da praça e fomos abordados pela polícia da imigração que queria ver nossos documentos. Eles nos acompanharam até o hostel, onde estavam os passaportes, e, embora o policial tentasse manter uma pose de durão perguntando quando chegamos, por onde entramos, quanto tempo ficaríamos no país e tal, ao ouvir que estávamos viajando de bicicleta, a policial abriu um sorriso e exclamou “¡que chévere!”.

Salinas

Gianpaolo: ótima conversa e excelente comida.

Nesses dias em Salinas, conversamos bastante com um italiano que mora no Equador há 12 anos, o Gian Paolo. Fomos três vezes à pizzaria dele e ficamos, pelo menos, duas horas e meia batendo papo. De Salinas, pedalamos até Guaranda, onde pegamos um ônibus de volta para Quito.

Trechos pedalados

Palungo – La Merced 57 km – 824 m acumulados
La Merced – Molinuco 25 km – 693 m acumulados
Molinuco – Tambopaxi 30 km – 1.039 m acumulados
Tambopaxi – meio volta do Cotopaxi 28 km – 426 m acumulados
Meia volta do Cotopaxi – Lasso 53 km – 269 m acumulados
Lasso – Isinlivi 46 km – 1.108 m acumulados
Isinlivi – Quilotoa 33,8 km – 1.496 m acumulados
Quilotoa – Zambahua 12,4 km – 83 m acumulados
Riombamba – Casa Cóndor 30 km – 1.245 m acumulados
Casa Cóndor – Salinas 37 km – 1.006 m acumulados
Salinas – Guaranda 23,8 km – 217 m acumulados

Comida

Em geral, a comida do Equador não empolgou muito. As refeições quase sempre eram compostas por uma sopa (a maioria de macarrão com frango) e o prato principal com arroz, lentilha (às vezes), salada e carne.

Nas cidades pequenas, embora os restaurante até tivessem um cardápio, normalmente, havia apenas uma opção. Em Lasso, assim que sentamos, o garçom trouxe dois copos de suco e depois as tigelas de sopa. Devolvi uma delas porque tinha frango e avisei que não como carne. Ele fez uma careta e disse que só tinha arroz, salada e ovo para mim.

Na primeira noite no Tambopaxi, pedimos o menu completo. A sopa de entrada era muito gostosa: um creme de batata com queijo e uma fatia de abacate. Depois, vieram batatas fritas e carne para o Artur e berinjela para mim. Tudo estava delicioso, porém, as porções deixavam a desejar para quem tinha pedalado o dia todo. Pedi mais uma porção de sopa para cada um e eles capricharam mais.

Em Isinlivi, comemos muito! Além de sopa de legumes, comemos couve-flor e brócolis, uma salada morna de tomates, ervilhas, pimentões e cogumelos, pequenas panquecas de batata e bolinho de chuva servido com melado como sobremesa.

Zumbahua

Frutas deliciosas.

Experimentamos sucos de frutas locais como naranjilla e tomate de árbol, que, como o nome diz, cresce em árvore e é delicioso. Comi physallis direto do pé e comprada na feira e experimentei a versão mais doce que há do maracujá, a granadilla. Já sinto falta dessas frutas.

No restaurante em que almoçamos em Riobamba quase não havia opções para mim. O rapaz abriu uma exceção e me serviu um prato do menu do café da manhã: patacones (banana verde frita) recheados com queijo e acompanhados de ovos fritos. Não me imagino começando o dia com uma refeição dessas.

Nos primeiros dias em Quito, fomos à cervejaria Cherusker. Fiquei feliz por encontrar um hambúrguer vegetariano no cardápio. Estava bom, mas não era nada demais. As cervejas da casa, por outro lado, são muito boas.

Para encerrar a viagem, em nossa última noite no Equador, fomos comemorar na Cervecería Abysmo. A parte de comida era fraca. Não havia nenhuma opção vegetariana, mas eles modificaram o prato de nachos para mim. Ainda assim, tinha tanto queijo cremoso que fiquei logo enjoada. Pelo menos, as cervejas deles são muito boas! Aproveitamos uma promoção e tomamos três tipos: vanilla coffee ale, honey ale e a weissbier da casa.

Enfim

Chimborazo

Terra de vulcões.

As paisagens equatorianas são realmente lindas e não é preciso percorrer grandes distâncias para ver cenários bastante diversos. As pessoas foram muito amigáveis e o fato de estarmos de bicicleta nos permitiu ter um contato maior com elas, que, em alguns casos, nos paravam no meio da estrada para conversar.

Essa viagem foi completamente diferente de todas as que eu tinha feito até então. E foi, sem qualquer dúvida, uma das mais gostosas!

Mais fotos no Flickr.

Yosemite National Park

Yosemite Valley

Hello, Yosemite Valley!

Depois de passar por regiões bastante áridas da Califórnia, vimos a paisagem mudar para uma floresta de pinheiros conforme subíamos a serra. Já era tarde e fomos direto para o Evergreen Lodge, onde ficamos hospedados numa cabana cheia de charme.

No dia seguinte, levantamos cedo, tomamos um café reforçado (as exageradas porções americanas!) e seguimos para o Yosemite Valley.

Como estávamos de carro, a entrada foi cobrada pelo veículo e não pelo número de passageiros. Pagamos 20 dólares, que nos davam o direito de frequentar o parque por sete dias. Quem chega de bicicleta paga 10 dólares e pode aproveitar o mesmo período de tempo.

Na entrada, os guardas nos entregaram um jornal com notícias do parque, a programação de atividades do mês e informações sobre shuttles.

Yosemite

Lugar incrível!

Deixamos o carro no estacionamento para visitantes e fomos de ônibus até o Visitor Center. Descobrimos depois que dava menos de dez minutos de caminhada, mas valeu pelo bom humor do motorista que fez o papel de guia dando explicações sobre o caminho.

Pegamos um mapa do vale no Visitor Center e fomos conhecer a Ansel Adams Gallery. Aproveitando a facilidade de haver uma agência dos correios ali do lado, compramos cartões postais e já os enviamos para o Brasil.

A última parada antes da trilha foi no Wilderness Center para tentar conseguir permissão para a trilha do Half Dome. São concedidas 75 permissões por dia e, para tentar obter uma, é necessário fazer o pedido com antecedência por telefone ou pela internet e torcer para ser sorteado. Acabamos desencanando, pois não queríamos correr o risco de apenas um de nós conseguir a permissão.

Para nossa estreia, escolhemos a trilha para a Columbia Rock. Ela é curta, com apenas 1,6 km, mas é uma subida constante e tem alguns trechos com areia fofa. A maior parte da trilha é feita na sombra, porém, o final é mais aberto e o sol estava forte nesse dia. Chegamos ao nosso destino e fizemos um lanchinho admirando o Half Dome.

A trilha continua a partir dali para a Upper Yosemite Fall. Andamos menos de dez minutos e decidimos voltar para fazer companhia para a Cris e o Marcelo, que começaram a descida a partir da Columbia Rock.

Pegamos o carro e fomos conhecer alguns pontos mais afastados. Primeiro, passamos pelo Tunnel View, que tem uma vista incrível do parque. Em seguida, pegamos uma estrada cheia de curvas para chegar ao Glacier Point e ver o por-do-sol. Por segurança, essa estrada fica fechada durante o inverno.

Glacier Point

Half Dome visto do Glacier Point.

Havia bastante gente por ali, mas o Artur conseguiu um lugar bacana para fotografar o Half Dome iluminado pelos últimos raios de sol, enquanto eu fiquei andando e fazendo outras fotos.

Tuscan pasta

Tuscan pasta: uma delícia!

Nosso primeiro dia de Yosemite terminou com um jantar excelente no restaurante do lodge. Comi um espaguete com pesto de rúcula, alcaparras, tomates vermelhos e amarelos, pinholes e queijo pecorino. Delicioso!

Valley Loop e um susto

No dia seguinte, decidimos percorrer a Valley Loop, uma trilha de 20,9 km, plana e moderada, segundo o informativo do parque. O percurso é bacana, pois passa por várias atrações do vale como o Camp 4, El Capitan, Sentinel Rock, Cathedral Rocks, Bridalveil Fall e Three Brothers.

Yosemite

Uma das vistas do Valley Loop.

Quem não quiser fazer a trilha completa pode fazer o Half Loop, fazendo o retorno na base do El Capitan. O caminho segue mais ou menos paralelo à estrada de asfalto, se afastando em alguns pontos.

A partir do El Capitan, Artur e eu seguimos sozinhos. Essa parte é mais deserta e não cruzamos com ninguém. Em determinado ponto, já próximo ao retorno do Loop, a trilha ficou mais distante do asfalto. Vimos um monte de cocô esquisito e depois algumas pegadas frescas. Continuamos andando e levamos o maior susto!

A vegetação era mais fechada nessa parte e vimos uns arbustos se mexerem ao mesmo tempo em que ouvimos um bramido. Olhamos um para o outro e começamos a andar rápido no sentido contrário ao que seguíamos até encontrarmos um ponto onde era possível voltar para o asfalto. Nessa hora, não tínhamos a mínima vontade de ficar cara a cara com um urso.

Bears in Yosemite

Melhor não deixar comida no carro.

No parque, há várias recomendações referentes a esses habitantes nativos. Nunca se deve deixar comida ou artigos de higiene no carro. Vimos alguns vídeos de ursos educados que abrem as portas destravadas, mas a chance de a porta ser aberta pela força é bem maior.

Quem acampa deve guardar esses itens nos food lockers ou nos bear canisters, que são, respectivamente, os armários e as latas à prova de urso. Nada que exale muito cheiro deve ficar dentro da barraca.

Como os ursos circulam livremente pelo parque, a velocidade dos carros deve ser baixa. Nos pontos onde ocorreu algum acidente recente envolvendo um automóvel e um urso, é colocada uma placa com o desenho de um urso vermelho. Infelizmente, vimos umas cinco dessas placas.

El Capitan

El Capitan.

Seguimos mais um trecho pelo asfalto, mas andamos um pouco pela trilha do outro lado do vale também. Quando chegamos ao ponto de retorno do El Captain, próximo à Cathedral Beach, optamos por pegar o shuttle. No mapa específico de shuttles, não há indicação dos pontos do ônibus do El Capitan, que só funciona no verão. Por sorte, eu lembrava do mapa impresso no jornal Yosemite Guide.

Encontramos a Cris e o Marcelo e decidimos comer em algum lugar fora do parque. Dirigimos até a cidade de Grooveland, por onde tínhamos passado na chegada a Yosemite. Fomos parar no saloon Iron Door e aproveitamos até para jogar uma partida de sinuca.

Veggie burguer

Hamburguer vegetariano com cogumelos e avocado.

Ao olhar o cardápio, foi fácil escolher minha refeição: um hambúrguer de legumes. Mesmo privilegiando pratos com carne, em todos os lugares onde comi havia, pelo menos, uma opção vegetariana. E, geralmente, era hambúrguer.

Árvores gigantes

Em nosso último dia no parque, embora houvesse muito o que fazer no vale, decidimos ir conhecer as sequoias gigantes. Há três lugares para ver essas árvores majestosas: o Merced, o Tuolumme e o Mariposa Grove. Os primeiros eram mais próximos de onde estávamos e o Merced Grove foi bem recomendado. Porém, optamos pelo Mariposa Grove, onde há cerca de 500 dessas árvores.

California Tunnel Tree

California Tunnel Tree: por ali, passavam carroças.

Fizemos uma parte do passeio guiado, mas voltamos andando para poder tirar mais fotos. As sequoias impressionam e algumas até ganharam nomes devido a características específicas. A Grizzly Giant, por exemplo, com estimados 1.800 anos, é uma das mais largas. Um dos galhos tem 2 metros de diâmetro, o que o torna mais largo do que todas as outras árvores do Mariposa Grove que não são sequoias.

Por causa de diversos incêndios (alguns necessários para a saúde da árvore e feitos de maneira controlada, como foi explicado pelo áudio-guia), algumas sequoias ganharam buracos especiais. A Clothespin tem esse nome, pois o buraco formado lembra um pregador de roupas antigo e é grande o suficiente para passar uma caminhonete.

Voltando para o Lodge, Artur e eu alugamos bicicletas e fomos pedalar pela Evergreen Road. Primeiro demos uma volta ao redor da propriedade da hospedagem. O passeio começou tranquilo, mas aí veio um single track com pedras e achei mais seguro empurrar em alguns trechos.

Hetch Hetchy

A caminho de Hetch Hetchy.

Depois, seguimos até outra entrada do Yosemite, a Hetch Hetchy. Passamos por um acampamento que parecia abandonado e continuamos numa leve subida. Voltamos quando estava começando a escurecer.

Há tanta coisa para fazer no Parque Yosemite que ficaríamos facilmente mais de um mês por ali. São trilhas, praias de rio, caminhos para andar de bicicleta, opções para escalada e ainda há uma extensa programação oferecida pela administração do parque para crianças e adultos: workshops, passeios fotográficos, palestras, contação de histórias, apresentação de filmes, entre outras atividades. Algumas são pagas, porém a maioria é de graça.

O jeito vai ser voltar!

Mais fotos no Flickr.

Miami e San Francisco

Bye California!

Férias!

Para desacelerar um pouco da correria antes das férias, passamos uns dias num apartamento em Miami Beach antes de seguirmos para a Califórnia. Ficamos numa região bem tranquila, com vários prédios pequenos e charmosos. Não fizemos nada demais e isso foi ótimo.

San Francisco

Eu já conhecia a cidade e estava animada para ir para lá com o Artur. Nosso tempo foi curto, mas deu para fazer coisas bacanas.

A primeira parada foi na REI. Essa rede é tão incrível que fomos duas vezes à loja em San Francisco e uma vez à loja em San Carlos. Lá tem equipamentos, acessórios e vestuários para pedalar, caminhar, correr, fazer trilhas, escalar, esquiar e acampar. Fiquei doida com algumas opções para cozinha de acampamento.

Alcatraz

Ilha de Alcatraz.

Fizemos o passeio de bike pela Golden Gate até Sausalito. Alugamos as bicicletas perto do Embarcadero e começamos o pedal de cerca de 15 km. Passamos pelo Fisherman’s Wharf, Ghirardelli Square, observamos a ilha de Alcatraz, cruzamos a ponte e chegamos a Sausalito.

Além de vários turistas de bike pelo caminho, chegando perto da ponte, cruzamos com muitos ciclistas treinando. Alguns deles balançavam a cabeça quando me viam pedalando com uma única mão, enquanto fazia fotos. Imagino que devem ocorrer vários acidentes com turistas por ali.

Golden Gate

Pedalar pela Golden Gate é demais!

Chegando a Sausalito, vimos dois ciclistas tomando multa de um guarda. Não sabemos o motivo, mas imaginamos que eles estavam em alta velocidade, pois ali era o final de uma boa descida.

Sausalito é um lugar charmoso com casas bonitas, várias lojinhas e restaurantes. Almoçamos por ali e depois pegamos o ferry para voltar para San Francisco.

Nosso tempo era curto e queríamos ir à Box Dog Bikes, uma bicicletaria muito legal, que funciona como uma cooperativa. Além de um ótimo atendimento, eles têm uma variedade bacana de produtos, bikes incríveis (inclusive, um quadro desenhado por eles) e até itens para camping.

Também passei com o Artur na Huckleberry Bicycles, que já tinha visitado na minha outra viagem. Foi nessa loja que conheci algumas marcas como Handsome, Civia, All-City e Salsa. Como parte de um programa de reocupação das antigas bancas de jornais da histórica Rua Market, antes do horário de abertura da loja, eles montam uma banquinha e oferecem alguns reparos básicos de graça.

San Francisco

Ciclistas na Market Street. Foto: Artur Vieira.

Berço da Critical Mass, conhecida como Bicicletada no Brasil, San Francisco é um paraíso para ciclistas com diversas ciclovias e bastante respeito. Era muito legal ver pessoas de várias idades se locomovendo de bike e formando até um “mini congestionamento” em alguns semáforos nos horários de pico.

Comidas

Voltando de San Carlos, fomos encontrar a Cris e o Marcelo no Pier 39. Lá é uma região bastante turística com muitas lojas, bares e restaurantes. Tive que me controlar numa loja de doces porque queria comprar vários chocolates da Ghirardelli, que acho maravilhoso!

L'Acajou

L’Acajou. Foto: Artur Vieira.

Ao passarmos por San Francisco a caminho de Yosemite, tomamos café da manhã no simpático L’Acajou, uma padaria e café que oferece produtos orgânicos e valoriza a sustentabilidade. O lugar e a comida são tão gostosos que fizemos questão de voltar.

Na última noite em San Francisco, Artur e eu fomos jantar com a querida Isadora, que mora ali perto. A Isa é vegan e nos levou ao The Plant, um restaurante orgânico com opções muito saborosas.

Comi um delicioso prato de quinoa com vegetais, tempeh e um molho de missô e gengibre. A sobremesa foi um cheesecake não assado de framboesa. Era bom também, embora o gosto do coco usado na massa tenha ficado muito forte.

O vinho escolhido foi o Scott Harvey, de Amador County, Califórnia. Não conhecia nenhum vinho de uva barbera, mas agora recomendo.

Foram dois dias que passaram voando!

Lasanha de panela

Lasanha

Lasanha de fogareiro.

Pesquisando receitas na internet, encontrei uma de lasanha de panela. Achei uma ótima ideia e fiz a minha versão. O primeiro teste foi no fogão de casa mesmo, mas depois, passei para o fogareiro.

Com os ingredientes já picados e separados, como seria num dia de acampamento, o tempo de preparo fica em torno de 30 minutos.

Lasanha

Cogumelos e tomates: combinação deliciosa.

Receita
– 100g de massa pré-cozida para lasanha
– 2 xícaras de cogumelos picados
– 15 tomatinhos picados
– 100g de espinafre cozido
– 120g de cream cheese
– 1 cubo de caldo de cogumelos (ou de legumes)
– alho
– azeite
– água
– queijo estepe fatiado
– queijo parmesão ralado

Refogar o alho no azeite. Acrescentar os tomates e os cogumelos. Adicionar a água, o cream cheese e o caldo de cogumelos. Deixar ferver um pouco e misturar o espinafre. Se necessário, colocar mais água, porém, o molho não pode ficar muito grosso.

Despejar em uma vasilha, deixando um pouco de molho na panela. Montar as camadas na sequência: molho, massa, um tiquinho de molho, queijo. Finalizar com molho e queijo.

Tampar a panela e deixar “assar”.

P.S.

Quando fiz a receita pela primeira vez, usei apenas parmesão ralado. Na última, usei fatias de queijo estepe para as camadas e o queijo parmesão somente para finalizar.

Entre shitake e cogumelo paris, a segunda opção ficou mais gostosa. Ainda não testei com shimeji.

A receita é bem versátil e dá para variar bastante os sabores. Para agilizar, vou montando a lasanha com o fogareiro aceso.

O site com a receita original e muitas outras opções é o Dirty Gourmet.

Lasanha

Aprovada no teste.

Pico dos Marins

Pico dos Marins

A névoa esteve bastante presente na minha primeira visita ao Marins.

Para o feriado prolongado em junho, o Artur me fez um convite: passar uma noite no Pico dos Marins, em Piquete. Optamos por sair de São Paulo na quinta-feira à tarde, dormir no Acampamento Base Marins e subir o pico na sexta, pela manhã.

No caminho para Piquete, pegamos garoa e chuva fraca e chegamos ao acampamento com muita neblina. O tempo virou e a temperatura estava em 13°C. Encontramos um grupo grande que fez bate-e-volta e uma turma de Belo Horizonte que fez a travessia Marins-Itaguaré. Conversar com o pessoal que descia, aumentava a minha ansiedade.

Na sexta-feira, acordamos com o barulho de um dos grupos que iria subir. Levantamos com calma e fomos organizar nossas coisas. Fomos os últimos a sair, às 9:20.

O início foi úmido e com pouca visibilidade, por causa da forte neblina. Passamos pelo trecho de mata, pela estrada de terra e logo chegamos ao Morro do Careca. Lá, encontramos um grupo de quatro caras que iriam dormir no Pico também. Pausa rápida para beber água e comer alguma coisa e voltamos para a trilha.

Pico dos Marins

Artur confirmando o caminho.

O tempo seguia encoberto e foram poucos os momentos em que pudemos avistar o cume. Logo começou o trecho de trepa-pedras e fomos seguindo num ritmo bom. Apesar de ter ficado um pouco insegura em certos trechos, fiquei bem feliz ao superar alguns “obstáculos”.

Quando estávamos próximos da nascente do Ribeirão Passa Quatro, nos desviamos um pouco da trilha, mas logo retomamos o rumo certo e ainda reencontramos um grupo que subia com um cachorro.

Pico dos Marins

Sobe, sobe, sobe!

Nesse momento, o tempo abriu um pouco e vi que estávamos perto do pico. O Artur disse que até lá ainda teríamos um bom trecho de sobe e desce. Minha imaginação foi pior do que a realidade e logo chegamos à base da rampa para o cume.

Subimos bem e, apesar de termos encontrado várias pessoas na trilha, fomos os primeiros a chegar, depois de quatro horas de escalaminhada. Assim, pudemos escolher tranquilamente onde montarmos nossa barraca.

O tempo continuou encoberto e não dava para ver muita coisa ali de cima. Descansamos um pouco, comemos, batemos papo com nossos “vizinhos”, comemos mais um pouco e voltamos para a barraca quando vento ficou um pouco mais forte.

Apesar de ter sido a noite mais longa do ano, dormi muito bem e o tempo passou rápido. Acordei pouco depois das 6h. Queria muito ter visto o nascer do sol, no entanto, a névoa era tão densa, que limitava a visão a pouco mais de dez metros. E assim foi por cerca de uma hora e meia.

Pico dos Marins

O curioso espectro de Brocken.

Quando o tempo limpou um pouco, além do céu azul e de uma vista linda com as nuvens dançando, fomos presenteados com a visão do espectro de Brocken.

Esperamos para ver se o tempo limparia mais, porém, ele voltou a fechar. Arrumamos nossas tralhas e fomos os últimos a deixar o cume.

A descida foi num ritmo mais lento, como eu já esperava. Mais uma vez, encontramos muitas pessoas pela trilha, inclusive algumas crianças. Próximo ao primeiro maciço, fizemos um pequeno “desvio”, mas logo o Artur percebeu e nos botou de novo no caminho certo.

Pico dos Marins

Voltando para o acampamento base acompanhados pela névoa.

O tempo continuou fechando e o nevoeiro aumentava conforme descíamos. O caminho pela mata estava ainda mais úmido do que quando saímos e tínhamos que tomar cuidado para não escorregarmos no barro. Chegamos ao acampamento base, nos despedimos do Milton e pegamos o rumo para São Paulo.

Vivendo e aprendendo

Esta foi a segunda vez que acampei e a primeira com tempo frio. A temperatura chegou a 7°C à noite no Pico, mas a sensação era um pouco mais baixa por causa do vento.

Nossa bagagem foi bem planejada, mas, ao longo do caminho, fui pensando no que poderia melhorar para a próxima vez. Além da roupa limpa, vou deixar um par de calçados limpos no carro para a volta. Meus tênis estavam pura lama.

Pico dos Marins

Preparando o jantar toda concentrada.

Como estava frio, uma bebida quente fez falta e pensei logo no chá que aquece e hidrata. Na próxima vez, não vou apenas cogitar, vou levá-lo com certeza. Levamos vinho, mas bebemos pouco, para não nos desidratarmos. Nosso jantar foi macarrão com cogumelos, tomatinhos e queijo gorgonzola. Gostei da escolha e imagino que vamos repeti-la outras vezes.

Também pensamos em pizza de frigideira com os mesmos acompanhamentos do macarrão. Outra ideia que me agrada é fazer uma sopa de macarrão (pode ser miojo, que cozinha rápido, tem bastante calorias e ainda ajuda a repor o sal) com legumes.

Não tiramos muitas fotos, mas algumas podem ser vistas aqui.

Lasanha da Mamede

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Aspargos verdes! Foto: Artur Vieira.

Comecei a cozinhar quando virei vegetariana, porém demorei para realmente pegar gosto pela coisa. Só que de uns tempos para cá, tenho me empolgado bastante quando vou testar uma receita nova ou colocar em prática uma ideia gastronômica.

Fico ainda mais animada quando esses momentos são compartilhados. Normalmente, somos apenas eu e o Artur, mas, de vez em quando, família e amigos fazem companhia. Cozinhar sem pressa, batendo papo com pessoas queridas e bebericando um vinho é uma das coisas que mais gosto de fazer.

E, por ser algo tão bom de compartilhar, nada melhor do que colocar uma receita para ser feita e saboreada com pessoas que gostamos.

Aspargos, tomates e cogumelos

Com um maço de aspargos verdes na geladeira, lembrei de uma receita de lasanha do Jamie Oliver e resolvi testá-la. Ficou boa, o Artur e o pai dele aprovaram, mas eu já comecei a pensar em algumas adaptações.

Picadinho

Preparando o recheio. Foto: Artur Vieira.

Alguns dias depois, comprei aspargos de novo e acrescentei tomates e cogumelos à lista de ingredientes. Para mim, era o que faltava! O primeiro a experimentar foi o Artur, claro! Depois, preparei a lasanha para a Cintia e o Davi, para a Tati e o Bruno e para a Cris, cuja formação é em Gastronomia, e o Marcelo.

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Cozinhando com amigos. Foto: Artur Vieira.

Um dia, a Cintia me ligou para pedir a receita. Como não tinha anotada, sugeri que ela procurasse na internet a receita do Jamie Oliver para servir como base e ela respondeu: “mas essa não é mais a lasanha do Jamie Oliver. Agora é a lasanha da Mamede”.

Receita
– alho
– 1 maço de aspargos
– 2 bandejas de cogumelos frescos
– 2 ou 3 tomates
– 400g cream cheese
– 300ml de caldo de legumes (ou de cogumelos)
– 500g de queijo cottage
– 1 pacote de massa fresca de lasanha
– queijo parmesão ralado
– tomilho (fresco, de preferência)

Pique os tomates e cogumelos em cubinhos. Corte e reserve as pontas dos aspargos. Depois de descartar as pontas brancas, pique em rodelas.

Refogue o alho picado, acrescente as rodelas de aspargos, os cogumelos e depois os tomates. Jogue um pouco de água e deixe cozinhar. Coloque um pouco de sal e pimenta. Adicione o cream cheese.

Se quiser, amasse um pouco para dar mais textura ao recheio. Acrescente o caldo de legumes e deixe ferver. Em seguida, adicione metade do queijo cottage. Mexa bem e deixe cozinhar mais um pouco.

Para a montagem, coloque uma camada do recheio, uma de queijo parmesão ralado e outra de massa. Termine com uma camada de massa. Misture o restante do queijo cottage com um pouco de água quente e jogue sobre a lasanha.

Lambuze com azeite as pontas dos aspargos que estavam reservadas e coloque sobre a lasanha. Salpique com tomilho, mais queijo ralado e um fio de azeite.

Asse em forno pré-aquecido.

Bom apetite!

Do outro lado do mundo, lá na Coreia do Sul

Hallasan

Primeiro contato com a natureza sul coreana: Hallasan.

Com férias marcadas para o final de outubro e começo de novembro de 2013, decidi visitar um amigo e conhecer a Coreia do Sul. Dei muita sorte com a data, pois o outono é a melhor época para visitar o país. As temperaturas são mais agradáveis e é possível ver as cores lindas dessa estação.

Fiz uma boa pesquisa antes de viajar e me animei bastante com as opções de passeios e de lugares interessantes para conhecer durante as quase três semanas de viagem.

Adorei a natureza do país e achei os parques nacionais lindos demais. As cidades são modernas, mas preservam construções antigas e a sociedade valoriza as tradições.

A comunicação não foi tão fácil, pois poucas pessoas falam inglês, mesmo entre os mais novos. No entanto, eles são curiosos e prestativos.

A única parte chatinha foi o deslocamento, afinal só de voo foram mais de 20 horas na ida e mais de 22, na volta. Porém, o que importa é que valeu muito a pena!

Suwon

A primeira atração turística que visitei em Suwon foi a Folk Village. Esse museu a céu aberto tem diversas construções, que reproduzem casas coreanas de acordo com as regiões do país e classes sociais. Alguns funcionários circulam pelo espaço vestidos com roupas típicas. Outros são artesãos que produzem objetos como colheres, facas e cachimbos de maneira totalmente artesanal.

Cachimbos artesanais na Folk Village.

Em determinados horários, acontecem apresentações de danças tradicionais, porém, não dei muita sorte. Durante a minha visita, o show era de um grupo de b-boys (!). E ainda perdi a cerimônia de casamento.

A Hwaseong Fortress é um dos cartões postais de Suwon. O muro, com mais de 5 km de extensão, foi construído entre 1794 e 1796 e é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. É um lugar gostoso para passear. Ali perto, ocorre uma apresentação de artes marciais, de terça a domingo, às 11h, entres os meses de março a novembro. O show é curtinho, mas bem bacana.

Climbing

Tinha uma pedra no meio do caminho em Gwanggyosan.

Numa manhã, fomos fazer trilha no Morro Gwanggyosan. O caminho era tranquilo, com subidas e descidas. Em alguns trechos, era preciso atenção porque as folhas caídas escondiam pedras soltas e raízes das árvores. As trilhas são tão organizadas que, numa parte do caminho, havia uma parede pequena de pedra e duas cordas para auxiliar na subida. Preferi ir pela lateral, sem usar a corda.

Almoço pós-trilha.

Na volta, pegamos a trilha que leva à entrada principal do Gwanggyosan e aproveitamos para almoçar num dos restaurantes montados em barracas de lona. O tofu feito na chapa era delicioso, mas não gostei da sopa feita com alga (o cheiro de peixe era muito forte) e uma espécie de gelatina de castanha.

Seoul

Neons em Gangnam.

Quando a música do Psy, Gangnam Style, começou a fazer sucesso, descobri que Gangnam é um bairro de classe alta de Seoul e que a letra é uma crítica ao estilo consumista da região, que concentra lojas caras e de marcas de luxo.

Realmente, a região é cheia de lojas e bastante movimentada. Andei pela avenida principal próxima às estações de metrô e pelas ruas paralelas. Ignorei as lojas de roupas e visitei a livraria Kyobo, que tem muitos livros em inglês. Me controlei bem nessa parte, mas aí descobri a lojinha no subsolo que vende itens de silicone para cozinha e não resisti.

Numa das ruas paralelas, fica um restaurante vegetariano delicioso, o Garobee. O buffet no melhor estilo coma à vontade oferece a versão vegetariana de pratos coreanos. Uma delícia!

Insa-dong: região bem turística.

Visitei também a região de Insa-dong, que é charmosa e bastante turística, com muitas lojinhas de souvenirs, de chá e galerias de arte. Andei bastante pelas ruazinhas laterais, interessantes e mais tranquilas. De uma das pontas, dá para ver parte do Parque Bukhansan.

Bukchon Hanok Village

Voltando no tempo no Bukchon Hanok Village.

Gostei muito de passear pelo Bukchon Hanok Village, com suas mais de 900 casas coreanas tradicionais. Era ali que moravam membros da família real e nobres do Período Joseon. Hoje em dia, além de atrair muitos turistas, o bairro é cenário para a gravação de filmes e novelas de época.

Gyeongbokgung Palace

Palácio Gyeongbokgung: lugar lindo, enorme e cheio de história.

O Palácio Gyeongbokgung impressiona pelo tamanho. Eu cruzava portões e jardins e não via o fim. Ele foi construído em 1395 e foi o principal palácio real da Dinastia Joseon. Mesmo com o frio que fazia no dia em que visitei o palácio, havia muitos turistas em todos os cantos.

O último local que visitei em Seoul foi o bairro Itaewon, o mais multicultural. Esta é a região para ir a restaurantes e bares típicos e as referências a outros países estão nas bandeiras ao longo da avenida principal e até nas calçadas com placas simpáticas ensinando como se diz “olá” em diversos idiomas.

Woljeongsa

São muitos os templos budistas espalhados pelo país e alguns deles oferecem a experiência de vivência no templo. Há visitas que duram apenas algumas horas, mas há também a possibilidade de pernoite.

Woljeongsa

Salão do Buda e pagoda em Woljeongsa.

Antes de viajar, fiz a minha reserva no templo Woljeongsa, que fica no Parque Nacional Odaesan. Essa era minha terceira opção, mas se tornou a primeira, pois os outros templos que tentei só aceitavam reservas para fins de semana.

O templo foi fundado em 643, destruído e reconstruído várias vezes. As construções atuais foram erguidas depois da guerra entre as Coreias. O principal símbolo é a pagoda octagonal, com mais de 15 metros de altura. Acredita-se que tenha sido construída no século X e que guarde as relíquias do Buda.

Para chegar ao templo, fui de metrô até a rodoviária Dong Seoul, peguei um ônibus intermunicipal até Jinbu e um ônibus local. Cheguei antes do horário, então aproveitei para tirar fotos e andar um pouquinho pelo templo. Fiquei olhando as opções de trilhas no parque mesmo sabendo que não daria tempo de fazer nenhuma.

Depois de completar minha inscrição, fui encaminhada para o meu quarto. O ondol (sistema de chão aquecido) deixava o quarto bem quentinho. Num canto, estavam o uniforme do templo e os edredons para dormir.

A primeira atividade foi montar o mala, que é uma espécie de rosário budista. Segundo me explicaram, ele possui 108 contas, que representam as 108 agonias humanas.

Participei de duas cerimônias budistas, uma logo após o jantar e outra às 4:20 da manhã. Por um tempo, foi gostoso apenas ouvir os mantras entoados, porém, depois de um tempo, senti falta de entender o o significado de tudo.

Woljeongsa

Às 21h, as luzes do templo são apagadas.

À noite, depois que saí do Salão do Buda, resolvi fazer algumas fotos por ali. Estava um pouco distraída e quase trombei com um monge. Ele foi super curioso e me perguntou de onde sou, quanto tempo ficaria na Coreia, se estava sozinha, qual o meu prato coreano favorito e o que eu faço no Brasil. Quando achei que conseguiria fazer algumas perguntas também, ele se despediu e saiu quase correndo.

Fiquei decepcionada com a experiência, pois esperava mais contato com os monges e queria aprender sobre os rituais. Quando escolhi esse programa, fiquei animada com as fotos do pessoal participando da cerimônia do chá e conversando com os monges. Porém, a programação que fizeram para mim era bastante livre e eu estava sozinha quase o tempo todo. Como eu era a única estrangeira no templo nesses dias, acho que eles resolveram simplificar. Uma pena!

Jeju

Quando estava pesquisando sobre o que fazer na Coreia, vi algumas fotos da ilha vulcânica Jeju. Logo depois, meu amigo sugeriu passarmos um fim de semana prolongado por lá e topei na hora, claro. A ilha não é muito grande e, para facilitar os deslocamentos, alugamos um carro.

Hallasan

Na trilha Seongpanak.

A primeira atração foi visitar o Parque Nacional Hallasan, onde fica o ponto mais alto do país: o vulcão Halla, com 1.950 metros. Tinha escolhido fazer a trilha Seongpanak, descrita como a mais longa, porém, indicada para iniciantes. Foram 9,6 km de subida ininterrupta. O tempo estimado para subir era de 4h30, de acordo com o site do parque, mas nós fizemos em 2h40.

Hallasan

Cratera do vulcão Halla.

A vista da cratera do vulcão é incrível! Fizemos algumas fotos ainda na parte demarcada da trilha, mas o local estava muito cheio. Então, decidimos ir um pouco além e seguimos por um trecho da borda. Foi uma ótima ideia. A vista era ainda mais bonita e o local estava tranquilo, sem outros turistas. Tiramos muitas fotos e comemos nossos lanches antes de encararmos a descida.

Jeju

Passeio tranquilo na Manjanggul.

Além do Hallasan, queria conhecer a Manjanggul, uma caverna formada pela passagem da lava do vulcão. Considerada patrimônio da humanidade pela Unesco, a caverna tem cerca de 7,5 km de extensão, porém apenas 1 km está aberto para visitação.

Jeju

“Preciso fazer a foto antes que o grupo de turistas chineses termine de subir as escadas.”

No sul da ilha, encontramos o templo budista Yakcheonsa por acaso e resolvemos conhecê-lo. A arquitetura segue a linha dos templos da Dinastia Joseon, porém o Yakcheonsa foi fundado em 1981. Ao contrário de outros templos, aqui é permitido fotografar dentro do salão do Buda. Enquanto fiquei ali, vi algumas pessoas fazendo as saudações budistas.

Jeju

Pentágonos e hexágonos de origem vulcânica.

Outra atração localizada no sul de Jeju é a formação Jusangjeolli, que surgiu quando a lava do vulcão Halla atingiu o mar na praia de Jungmun. Nesse processo de solidificação da lava, as colunas adquiriram formatos de pentágonos e hexágonos.

Jeju é cheia de museus e parques temáticos. Só para citar alguns: há o Museu do Chocolate, da Educação, da Mitologia Grega, do Urso de Pelúcia (aliás, são dois museus dedicados aos Teddy Bears), um Hall da Fama de Baseball e até um parque temático chamado Love Land com várias estátuas em posições sexuais.

Não estava interessada nesses museus, mas como era caminho, paramos no O’Sulloc Green Tea Museum. Tem uma exposição legal com diversos bules e xícaras de diversos lugares do mundo, porém o que mais gostei foi o bolo de chá verde do café. O prédio é cercado por arbustos de chá verde com acesso liberado para o público. Muita gente aproveita para tirar fotos no meio da plantação.

Seongsan Ilchulbong

Seongsan Ilchulbong, Sunrise Peak.

Formado durante uma erupção vulcânica há mais de 100 mil anos, o Seongsan Ilchulbong, é uma cratera com cerca de 600 m de diâmetro. O acesso é fácil e feito por escadas e a vista é linda. O plano inicial era levantarmos cedo e assistirmos ao nascer do sol no topo, porém, o céu nublado não colaborou.

Ficamos um bom tempo admirando a paisagem e tentando ignorar os turistas barulhentos que passavam por ali. Em um momento, aconteceu algo engraçado. Eu estava distraída, mas o Teemu ouviu um grupo de jovens coreanos ensaiando como dizer algo em inglês. Então, sete rapazes vieram até nós e perguntaram se poderíamos tirar uma foto. Concordamos e esticamos os braços para pegarmos os celulares, mas não era bem isso que eles queriam. Ganhamos bandeirinhas da Coreia do Sul, fomos rodeados por eles e fotografados.

Depois de descermos do Seongsan Ilchulbong, estávamos admirando a vista quando uma chinesa foi chegando muito perto do Teemu. Ele se virou e percebeu que a amiga dela iria bater uma foto dos dois juntos. Sendo simpático, ele fez pose para a foto. A amiga desceu correndo para ser fotografada com ele também e, em seguida, veio ao meu lado, para mais uma fotografia.

Jeju

Diversos oreums no horizonte.

Em Jeju existem mais de 360 oreums, que são pequenos morros de origem vulcânica. Assistimos a um nascer e um pôr do sol de cima do Saebyol, que tem uma vista lista para várias outros oreums e para o Hallasan. Fomos também ao famoso Sangumburi, cuja cratera tem cerca de 2 km, mas como o acesso é muito fácil, havia gente demais por ali e ficamos só um pouquinho.

Nesses oreums, há muitos montes de terra cobertos pela vegetação e, às vezes, cercados por muros baixos formados por pedras. São túmulos coreanos. Segundo o Teemu me explicou, eles escolhem lugares altos e com paisagens bonitas para enterrar os entes queridos.

Bukhansan

O Parque Nacional Bukhansan fica ao norte de Seoul e é um dos mais visitados.

Bukhansan - Seoul

A caminho do Bukhansan.

Escolhemos a trilha Bukhansanseong, que leva ao pico Baegundae, o mais alto do parque, com 836 m. A estrada até os templos budistas é asfaltada e, às vezes, passava algum carro.

A trilha mesmo começou depois do segundo templo. Com muitas pedras de tamanhos variados, usei bastante as mãos na subida. Os últimos 900 metros foram puxados, mas a trilha é muito bem estruturada. Em alguns trechos, há cabos de aço para auxiliar na subida e na descida.

Bukhansan

Seoul vista de cima.

A vista do topo é linda. Dá para ver Seoul pequenininha e os outros picos do parque. Demos sorte, pois a visibilidade estava boa nesse dia. Ficamos um tempo ali relaxando, apreciando a vista e comendo nossos lanchinhos.

Quando chegamos, já havia muitas pessoas no topo e, enquanto ficamos por ali, esse número aumentou bastante. Por isso, resolvemos descer e procurar um lugar para almoçarmos.

O parque ainda tinha muitas árvores com as cores lindas do outono e aproveitei para tirar bastante fotos. Fiquei com vontade de fazer outras trilhas, mas, como iria pedalar no dia seguinte, não quis forçar muito.

Seoraksan

Seoraksan

Seoraksan: o parque que mais gostei.

Este parque nacional fica na costa leste e tem várias opções de trilhas para até três dias, indicadas no site. Depois de pesquisar bastante as opções de como chegar ao parque (que possui mais de uma entrada), decidi fazer uma trilha em dois dias e ver o nascer do sol do pico mais alto do parque.

Saindo de Dong Seoul de novo, peguei um ônibus que vai para Yangyang e para na entrada do parque em Osaek. Além da cabana do guarda, havia banheiros e umas máquinas para comprar bebidas na entrada. Nada de lojas, cafés e restaurantes como na entrada principal.

A subida de 5,3 km começa logo depois da cabana. Esse ponto fica a uns 650 m do nível do mar e leva até o Pico Daecheongbong, o terceiro mais alto do país, a 1.708 m. Então, é subida praticamente o tempo todo. Encontrei alguns coreanos pelo caminho, mas, de todas as trilhas que fiz na Coreia, esta era a mais vazia.

Seoraksan

Fingindo que não estava morrendo de frio.

Quando cheguei ao topo, o vento era tão forte, que senti minhas mãos congelando, pois estava sem luvas. Por isso, fiquei só um pouquinho ali, tirei fotos correndo e segui para o abrigo Jungcheongbong, a 600 m do pico.

Shelter in Seoraksan

No abrigo Jungcheongbong tem até wi-fi.

Para passar a noite ali, é necessário fazer reserva pela internet. Li que, durante a alta temporada, é bem difícil conseguir uma vaga, mas tive sorte. Consegui a minha apenas dois dias antes e o abrigo não estava cheio.

As minhas mãos estavam tão geladas que doíam e um dos guardas (o único que falava inglês) me entregou um saquinho com algum material que gera calor. Uma maravilha! Depois que o corpo aqueceu de novo, coloquei mais roupas e voltei para o pico para tirar fotos do por-do-sol.

Já instalada no meu cantinho, voltei para a entrada do abrigo para carregar o celular no “posto de carregamento”: um espaço com várias tomadas e cabos de diversos modelos. A regalia incluía também wi-fi gratuito.

Única estrangeira entre coreanos, acabei ganhando alguns mimos. Por meio de mímica, um rapaz me chamou para jantar com ele e os amigos, mas educadamente recusei e uma mulher perguntou se eu havia comido e me ofereceu frutas.

Depois, uma moça me ofereceu um pacotinho de bolachas e perguntou em inglês de onde eu sou. Tentei conversar um pouco mais, porém, o inglês dela não ajudava muito.

Voltei à entrada para trocar mensagens com o Artur e o guarda que fala inglês apareceu com dois copinhos de café e dois bombons. Ele me ofereceu um dos copos, me deu os dois doces e puxou papo. Conversamos por um tempinho e perguntei como ele aprendeu inglês, já que é raro coreanos falarem esse idioma. A resposta foi: “na escola”. E ele aproveita para praticar com os estrangeiros que passam por ali. Que ele se lembre, foi a primeira vez que uma brasileira dormiu nesse abrigo.

Papo vai, papo vem, ele me deu uma pulseira feita de contas de madeira e com o símbolo do rato, o signo dele no horóscopo chinês. Disse que foi comprada no Geumganggul, um santuário do parque que fica em uma caverna.

Seoraksan

Nascer do sol no Pico Daecheongbong.

Dormi pouco e acordei com o barulho dos coreanos se arrumando para sair. Organizei minhas coisas e voltei ao Daecheongbong para ver o sol nascer. Já tinha bastante gente ali e logo chegaram dois rapazes que tinham feito a trilha de Osaek durante a madrugada.

O cenário estava lindo! Montanhas, mar, nuvens e sol.

Depois de fazer muitas fotos, voltei ao abrigo para pegar minha mochila e comecei a descida em direção à entrada principal do parque. Fui bem devagar no início para não forçar os joelhos na descida e porque havia uma camada fina de gelo nas pedras.

Um coreano estava na minha frente e ficava sempre olhando para trás para ver se eu estava bem. Trocamos algumas palavras e ele ficou surpreso ao saber que estava fazendo a trilha sozinha. E não foi o único, pois outras pessoas haviam perguntado a mesma coisa e tido a mesma reação. Reparei que dificilmente os coreanos estão sozinhos e, de acordo com um livro que li sobre a sociedade coreana (escrito por um coreano), isso tem a ver com um senso de comunidade muito enraizado na cultura deles.

Levei quatro horas e meia para fazer os 11 km até a entrada do parque, fazendo várias paradas para tirar fotos. Queria fazer a trilha até o Geumganggul, mas não daria tempo e não tinha certeza se as minhas pernas aguentariam. Fiquei pensando que deveria ter planejado mais um dia no parque. Assim poderia ir até o santuário e ainda fazer a trilha do Ulsanbawi, que tem 4 km, uma escada com mais de 800 degraus e é considerada a mais difícil do parque.

Seoraksan

Buda da Reunificação.

Na entrada principal do parque, fica o Buda da Reunificação, com 14,6 m de altura, excluindo o halo e o pedestal, ou 18,9 m no total. É considerada a maior estátua do Buda sentado feita em bronze no mundo e simboliza a esperança dos coreanos na reunificação das Coreias do Sul e do Norte.

Peguei o ônibus para Sokcho na entrada do parque. Fiquei prestando atenção no caminho e nas gravações que indicam os pontos de parada na esperança de saber onde descer. Até que, em determinada esquina, o motorista olha para mim pelo espelho retrovisor e fala algo em coreano. Repeti mais ou menos o que o Teemu havia me ensinado “busso turminal” e o motorista balançou a cabeça de maneira positiva e indicou a rua por onde eu deveria seguir até a rodoviária.

Comida

Vegetais frescos no mercado em Suwon.

Um dos primeiros lugares que visitei um Suwon foi um mercado que se estende por várias ruas num centrinho próximo à Universidade Ajou. Cozinhamos alguns dias e alguns ingredientes saíram desse mercado como o tofu fresco e ainda quente e a gim, a alga coreana (conhecida pelos brasileiros pelo nome japonês: nori) que vem tostada e temperada com óleo de gergelim e sal.

Koreans like it hot

A base do gochujang: muita pimenta.

Vi muitos sacos de pimenta vermelha, que é uma paixão coreana. Eles fazem uma pasta com essa pimenta, arroz, soja fermentada e sal, chamada de gochujang. Sempre pedia comida sem pimenta e, mesmo assim, se algum ingrediente usado era preparado com gochujang, o prato inteiro ficava picante.

Ainda no Brasil, me inscrevi em um curso de culinária coreana vegetariana. O curso é chamado de Temple Cuisine (cozinha de templo), pois, nos diversos templos budistas espalhados pelo país, a alimentação adotada é a vegetariana. Além de pimenta, claro, eles usam muito óleo e sementes de gergelim, shoyu e alho.

Comida de templo: perfeita para vegetarianos.

Em Jeju, jantei em um restaurante tradicional que serve comida de templo. O prato principal foi arroz embrulhado em folha de lótus e cozido no vapor. Como toda boa refeição coreana, a mesa estava cheia de pratinhos, os banchans, com vários acompanhamentos. Tudo muito saboroso! Foram servidos dois chás: um antes e outro depois do jantar para auxiliar na digestão.

Comi bastante bibimbap, que é a versão coreana de arroz com vegetais. Sempre que tinha, eu pedia a versão dolsot, servida em uma tigela tão quente que o arroz no fundo queima um pouco e forma uma casquinha deliciosa.

Gostei também de gimbap, o sushi coreano, que pode ser feito com diversos recheios, mas nunca com peixe cru. Comi apenas com legumes, porém, vi num cardápio a opção com queijo, que achei um pouco estranha.

Bolinhos de arroz de vários tipos.

Os coreanos não comem muitos doces e as sobremesas não são adocicadas como as brasileiras. Experimentei alguns bolinhos de arroz puros e recheados com uma mistura de castanhas e sementes de gergelim. São gostosos, mas os meus doces coreanos favoritos são Bungeoppang e Jjinbbang. O primeiro, vendido em formato de peixinho, é uma massa de crepe recheada com uma pasta de feijão azuki. O segundo é um pão super macio feito no vapor e com o mesmo recheio de feijão. São deliciosos.

Experimentei também o kkultarae, um doce feito com 16 mil fios finíssimos de mel, recheado com amêndoas e parecido com um casulo. O processo que transforma o bloco endurecido de mel nesse doce é bem interessante. A partir de um buraco no centro, começa a parte de esticar a “massa” para aumentar o buraco, torcer o doce, formando um oito e dobrá-lo ao meio, multiplicando o número de fios. Para que eles não grudem, usa-se farinha de arroz ou amido de milho.

Outros

Depois de terminarmos a trilha no Hallasan, paramos para comer em frente à entrada antes de irmos embora. Aí, passaram duas senhoras coreanas olhando na nossa direção e uma delas apontou para mim e fez um comentário. O Teemu disse que ela estava falando sobre o meu nariz, que, por sinal, é grande segundo os padrões ocidentais. Eu ri e elas também. E a senhora ainda repetiu para o Teemu que meu nariz é lindo.

Tinha ouvido falar que os coreanos são bastante diretos ao fazer perguntas e observações, o que pode soar um pouco rude, às vezes. Eles não veem problema em dizer: “você engordou”, por exemplo. Pelo jeito, eles também não têm receio nenhum de apontar e fazer comentários sobre outras pessoas nas ruas.

Por causa do idioma, usei muita mímica. Só que, às vezes, nem assim funcionava. Enquanto esperava o ônibus para Jinbu, depois do temple stay, uma velhinha coreana tentou puxar papo comigo. Encolhi os ombros, balancei a cabeça e disse “sorry” para indicar que não entendia o que ela falava, mas ela apenas repetiu o que havia dito antes, com o mesmo tom de quem pergunta alguma coisa. Fofa!

Tem mais fotos aqui.

Carnaval 2014 em São Bento do Sapucaí

Carnaval 2014

Mantiqueira!

Saímos na sexta-feira à noite para São Bento do Sapucaí, cidade tranquila, com pouco mais de 10 mil habitantes, na Serra da Mantiqueira. Nossos planos para o feriado eram pedalar, descansar, comer bem e comemorar um ano de namoro.

A cidade estava mais cheia do que nas outras vezes que fui para lá e o Carnaval de rua foi animado, pelo que observei. Porém, nós aproveitamos para relaxar e explorar os arredores de São Bento.

Pensando no Audax de Queluz, levamos as bicicletas para “treinarmos” um pouco. No primeiro dia, fomos para Gonçalves-MG. A ida e volta dariam pouco mais de 60km, mas parei com 58km depois de algumas crises de falta de ar. A última e mais forte aconteceu quando estava subindo a Estrada do Paiol, no caminho para o chalé onde estávamos hospedados. O Artur ficou tão preocupado, que não me deixou pedalar mais e foi buscar o carro para me resgatar.

Carnaval 2014

Subindo a serrinha sentido Monteiro Lobato.

Dois dias depois, saímos de São Bento do Sapucaí sentido Monteiro Lobato, mas fizemos o retorno antes de chegar à cidade. Seguimos para Santo Antônio do Pinhal e depois voltamos para São Bento, somando 78km na estrada. Pela minha saúde, o percurso foi mais curto e menos íngreme do que havíamos planejado e combinamos que, ao menor sinal de crise, iríamos voltar. No entanto, não tive nenhuma falta de ar e ainda pedalei bem.

Comes e bebes

Carnaval 2014

Feirinha de orgânicos em Gonçalves.

Finalmente, conseguimos ir à feira de orgânicos em Gonçalves, que acontece aos sábados. Ali dá para comprar legumes e verduras fresquinhos e produtos como queijos de cabra, antepastos, pães e biscoitos, tudo direto do produtor. É só pegar uma cesta, ir enchendo com o que quiser e depois pesar e pagar no caixa. E os preços são bons.

Carnaval 2014

Bicicletas são bem-vindas no Janela com Tramela.

Durante o primeiro pedal, almoçamos no restaurante Janela com Tramela, em Gonçalves, onde sempre peço o escondidinho de cogumelos. Desta vez, tomei apenas um suco, mas recomendo os drinks de lá também.

Encaramos as estradas de terra e fomos duas vezes até o Alambique Luminosa, na cidade que é distrito de Brazópolis-MG. O Artur já conhecia o lugar e disse que poderíamos almoçar por ali. Excelente ideia, pois a comida é feita em fogão à lenha. As opções vegetarianas foram arroz, feijão, ovo frito e uma salada caprichada feita na hora para mim. Tudo muito saboroso!

O sr. Guido começou a produção de cachaça artesanal em 2003. No alambique, ainda é possível encontrar a primeira que ele produziu há 11 anos, envelhecida em barril de carvalho. Ele produz diversas cachaças licorosas com sabores variados. Degustei as de jabuticaba, café, banana, canela e a envelhecida. Todas muito boas, com excelente preço e acompanhadas de boa conversa e muita simpatia.

Almoçamos um dia no Bistrot da Serra, em São Francisco Xavier, mas não foi uma boa ideia. Já tinha comido uma boa quiche com salada lá durante o Audax de Campos do Jordão, porém a empanada de berinjela com creme de queijos foi um pedido infeliz. Também não gostei da cuca de maçã, que mais parecia o recheio de uma torta com cobertura de chocolate.

Depois de pedalar na terça-feira, fomos à já conhecida Cantina do Tio Giuseppe. Acho que comemos lá todas as vezes que fui para São Bento do Sapucaí. A cantina funciona na casa da família e tem uma decoração meio maluca com uma mesa de sinuca desativada, máquinas de escrever, ferros de passar roupa daqueles que funcionam com brasas, câmeras fotográficas analógicas e outras coisas.

São servidos três antepastos de entrada: sardela, berinjela temperada cortada em tiras e a casca da berinjela com azeite e temperinhos (meu favorito!). O cardápio tem truta com nhoque verde com molho de gorgonzola e um trio de massas que começa com espaguete com molho ao sugo, seguido do nhoque verde e canelone quatro queijos para finalizar. A única vez que consegui chegar ao terceiro prato foi quando almoçamos lá na companhia dos amigos Tati, Bruno e Igor. Comida farta e deliciosa!

Jantamos duas vezes no restaurante Passatempo, que é uma loteria. No primeiro dia, a pizza estava quase perfeita. Massa fina, gostosa, queijo derretido na medida certa, cogumelos grandes e um tomate assado muito bom. O problema foi que, ao invés de apenas metade, a pizza veio inteira com aliche. Eu mordia um pedaço e lá vinha o gosto de peixe.

Voltamos na terça-feira e pedimos a mesma pizza, desta vez, sem aliche. Um desastre! A massa se dividia, o queijo estava meio borrachudo, ao invés de cogumelo, havia milho verde refogado na manteiga e um excesso enjoativo de queijo tipo catupiry. Nem os tomates assados se salvavam.

O lugar é agradável e o jeito maluco do dono pode render boas risadas, mas é complicado quando não dá para ter certeza se a pizza estará boa ou não.

Carnaval 2014

Cláudio e seu delicioso risoto de beterraba.

Para mim, a melhor refeição da viagem foi o jantar na casa do Cláudio e da Yuri. O convite inesperado rendeu uma noite muito agradável na companhia deles, do Aragão e da Alice. Além da boa conversa repleta de histórias divertidas, a comida estava ótima! Adorei a entrada: talos de brócolis com um molho agridoce de missô. O prato principal foi um risoto de beterraba maravilhoso servido com iogurte caseiro reduzido e temperado. Para finalizar, trufas feitas pela Yuri e chá.

Carnaval 2014

Café da manhã delicioso!

Aproveitamos as delícias culinárias do Cláudio e da Yuri também no café da manhã no Empório Embahú. Pão com fermentação natural, bolos, cookies, iogurte caseiro, farofa de mel, geleia de frutas… Tudo fresquinho, feito com carinho e muito sabor!

Dá para perceber que este foi um carnaval bem gastronômico!

General Salgado

“Mi, vamos para Salgado de bicicleta?” A pergunta foi feita pelo Giu num tom de brincadeira que poderia virar coisa séria, mas ficou arquivada por meses, um ano, talvez. Até que, com as férias chegando e todos os meus planos dando errado, decidi que era isso que eu faria. Comentei com o Artur, que se prontificou a ir comigo.

Começamos a pedalar a partir de Hortolândia, o que nos garantiu uma noite agradável com amigos e excelente companhia nos primeiros quilômetros. Tivemos também uma conversa sobre as condições de algumas estradas e alteramos o roteiro.

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Lasanha de aspargos verdes com cogumelos. Foto: Artur Vieira.

1º dia – De Hortolândia a Rio Claro

Depois de nos despedirmos da Cintia e do Davi, seguimos pela Rodovia dos Bandeirantes.

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Amigos queridos. Foto: Artur Vieira.

Não tínhamos pedalado muito quando encontramos um homem vestindo roupas de ciclismo e caminhando pela estrada com um mochilão. Vagner saiu de São Bernardo do Campo e vai andar até Brasília para levar uma carta contra a corrupção para a presidente Dilma Rousseff.

Ele contou que já viajou muito de bicicleta, sendo uma das viagens até Araçatuba para ver sua mãe, que faleceu três meses após a visita. A marcha para Brasília está sendo a pé porque “de bicicleta é muito fácil”.

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A caminho de Brasília. Foto: Artur Vieira.

A Bandeirantes é relativamente plana e o dia rendeu. Mesmo saindo tarde e fazendo algumas paradinhas, chegamos por volta das 14h ao nosso destino.

Não conseguimos vaga no primeiro hotel encontrado via Google e, por indicação, fomos parar no Hotel Santo Antônio, meio muquifo, porém, melhor do que nada.

Tomamos banho, descansamos e fomos para a rua comer. Tinha visto um bar que vende Guinness e quis ir lá. Péssima opção! Pedimos uma cerveja para cada e uma porção de batatas fritas com queijo. A porção era gigante, mas não justifica os 72 reais gastos.

Voltamos para o hotel e fomos dormir cedo.

Distância percorrida: 85,2 km

2º dia – De Rio Claro a Brotas

O despertador tocou às 7h. Organizamos tudo, nos arrumamos, tomamos café e, duas horas depois, estávamos na estrada.

O céu estava sem nuvens e o calor começou cedo. Pedalamos com um pouco de vento contra e o rendimento não estava muito bom. Acho que a alimentação ruim da noite anterior e o fato de termos bebido pouca água contribuíram para esse estado.

Logo começou a serra da região de Itirapina, que eu já conhecia do Audax 400 km de Holambra. Os caminhões iam devagar e, por um trecho, o Artur apostou corrida com um deles o que rendeu algumas risadas do caminhoneiro. Chegando ao topo, paramos para admirar a vista e tirar algumas fotos. Este foi o dia com as paisagens mais bonitas.

Serra de Corumbataí

Serra de Corumbataí.

Decidimos almoçar em Itirapina e fomos parar no camping, pousada e restaurante Paraíso das Águas. Quando fizemos o pedido, a moça avisou que a comida demoraria um pouco para ficar pronta, mas nem ligamos. Aproveitamos para relaxar num banquinho e observar a macaca Kika. Comemos bem e voltamos cheios de energia para a estrada.

Fizemos uma pausa para algumas fotos e, mal voltamos a pedalar, paramos novamente para conversar com um ciclista que seguia na direção oposta. Resumindo uma história meio mal contada, tratava-se de um uruguaio vindo de Campo Grande, seguindo há três anos numa missão social que irá durar seis anos.

Minha experiência com cicloviagens e encontros com cicloviajantes é praticamente nula, mas, com certeza, era uma das bicicletas mais carregadas que já seu viu. Enquanto conversávamos, aproveitei para ver alguns detalhes: sacolas e mais sacolas de supermercado, luvas grossas, garrafas vazias de Gatorade, garrafa térmica de cinco litros, saco de estopa, cadernos, livros, entre outras coisas. Havia ainda um peso extra nas rodas. Cada uma tinha dois pneus e duas câmaras (uma vazia) para “evitar furos”.

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Haja força para carregar todo esse peso. Foto: Artur Vieira.

Chegamos em Brotas por volta das 16h e logo achamos uma pousada. De banho tomado, fomos procurar um lugar para comer. O jantar teve risoto de funghi e chopp black. Perfeito!

Passamos num supermercado para comprar guloseimas para o dia seguinte e um vinho para fechar a noite. Dormimos cedo de novo.

Distância percorrida: 79,8 km

3º dia – De Brotas a Lins

Depois de um bom café da manhã, seguimos na estrada em direção a Jaú. Na saída de Brotas, encontramos vários ciclistas treinando. Alguns perguntaram para onde estávamos indo e avisaram que tinha uma serra no meio do caminho.

Quando passamos pelo Rancho da Pamonha (PC 2 do Audax 400 km), aproveitamos para comer um lanche e pedimos dois para viagem. Impossível não lembrar que encontrei o Tux e o Gabia aqui. Primeira vez que os alcancei em um PC e os dois dizendo que iriam desistir da prova neste ponto. Até parece!

Voltamos para a estrada e logo o tempo mudou. O sol que brilhava na hora do café da manhã foi só para nos enganar. Mais dois ciclistas passaram e perguntaram sobre nosso destino. Como as primeiras gotas de chuva começaram a cair, eles avisaram que 1 km adiante havia um viaduto e 5 km depois, um posto com restaurante. Isso entra na lista das mentiras que os ciclistas contam, pois as distâncias eram de 5 e 10 km, respectivamente.

A chuva ficou mais forte e começou um vento lateral que nos empurrava na direção do guard-rail. Fiquei com receio nas descidas por causa da água na pista, mas não tive problemas. Ainda bem!

Logo veio a serra da região de Dois Córregos e subimos debaixo de chuva. Paramos um pouco numa área de descanso, alongamos e continuamos. Além de mais longa, tive a impressão de que esta serra tem um grau de inclinação maior do que a de Itirapina.

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Ainda bem que não somos feitos de açúcar. Foto: Artur Vieira.

Depois da serra, comecei a sentir frio e decidi pedir café em uma guarita. O guarda veio com ar desconfiado, mas tirou a mão da arma quando me viu. Infelizmente, não tinha café. Agradeci de qualquer forma, e fui com o Artur para o ponto de ônibus, que ficava em frente, onde comemos os lanches comprados mais cedo e ainda quentinhos.

Muito solicito, o guarda perguntou se ficaríamos ali por mais um tempo, pois estava tentando conseguir café com algum morador do condomínio. O café não veio, mas faltavam poucos quilômetros para Jaú.

Por causa da chuva, mudamos os planos de novo. Ao invés de seguirmos de Jaú para Ibitinga, compramos passagens para Bauru e, de lá, para Lins. A espera nas rodoviárias cansou mais do que pedalar. Duas horas em Jaú, uma hora de ônibus, três horas em Bauru, mais uma hora e meia de viagem e o tédio de não ter o que fazer nessas cidades. Ainda bem que fizemos reserva num hotel em Lins e isso nos poupou tempo quando chegamos lá.

Para embarcar, tivemos que embalar as bikes. De acordo com o rapaz do guichê, a Reunidas não tem uma política clara em relação a bicicletas e a decisão de levar as magrelas montadas ou não cabe aos motoristas, que “não costumam gostar da ideia”.

Achamos melhor não esperar para ver e, enquanto aguardávamos o ônibus em Jaú, colocamos as bicicletas nos mala-bikes que o Artur levou. Menino prevenido! O motorista do ônibus de Bauru para Lins perguntou se transportávamos bicicletas e pareceu gostar da resposta. Talvez não implicasse, mas não dava para saber.

Chegamos em Lins pouco depois das 20h. O Artur montou as bicicletas e seguimos para o hotel. Conseguimos estender as roupas molhadas num varal, tomamos banho e fomos dormir.

Distância percorrida: 53,7 km

4º dia – De Lins a Araçatuba

Como este seria o trecho mais longo da viagem, queríamos sair cedo. Porém, por causa da chuva e do transporte em ônibus foi necessário fazer uma revisão básica nas bicicletas, com ajuste dos freios e lubrificação das correntes. Começamos a pedalar somente depois das 10h.

Seguimos pela Via Rondon (SP 300) com céu azul, calor e várias subidas. Tínhamos pedalado pouco quando avistamos uma parada do outro lado da estrada. Decidimos comer alguma coisa ali, pois não sabíamos quais seriam as outras opções no caminho.

jun2013 (30) Res

Kero Kero.

A paisagem foi a mesma por vários quilômetros: canaviais e mais canaviais. Lembrei da brincadeira que o Pedro Sgavioli fez sobre um “tour de cana”, se referindo à possibilidade de um Audax na terra, na região de Bauru. Porém, concluímos que o nosso tour de cana era diferente: saímos de Hortolândia, onde há uma penitenciária, passamos por um centro de detenção em Itirapina (há dois), pela Penitenciária de Avanhandava e por duas clínicas de reabilitação.

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Muitas retas e sobe e desce. Foto: Artur Vieira.

Em frente à Penitenciária de Avanhandava há uma subida enorme e passamos por ali sob o sol forte do meio-dia. Bateu um pouco de cansaço e decidimos parar na próxima cidade para almoçar.

Pouco antes da entrada de Penápolis, havia uma parada, mas seguimos a dica de um policial rodoviário e fomos para a cidade, que começa uns 4 km depois do trevo. Pedimos informação em um posto de gasolina e fomos almoçar no restaurante do supermercado Big Mart. Comida simples e saborosa! Para a minha felicidade, tinha até quiabo.

Descansamos um pouco antes de voltarmos para a estrada e encararmos o resto do sobe e desce. Faltando cerca de 30 km para Araçatuba, estávamos numa subidinha quando um motorista, que ia no sentido oposto, parou o carro, com rack para bicicleta, no acostamento, abaixou o vidro e fez sinal para esperarmos.

O Oscar se apresentou dizendo que é dono da bicicletaria Roda Livre, em Araçatuba. Todo animado, ele perguntou qual o nosso destino e de onde partimos. Depois, contou que organiza um grupo de pedal na cidade e acrescentou que, se precisássemos de algo, era só entrar em contato.

Na região de Birigui, vimos vários anúncios de lojas de calçados. Em seguida, começaram as fazendas de bois de raça. Estávamos em Araçatuba. No caminho, vimos também a faculdade de Odontologia da Unesp, onde o Giu passou cinco anos estudando.

Por causa do horário, o trânsito aumentou um pouco. Ignoramos a placa que proíbe bicicletas na rodovia e continuamos pelo acostamento, sem problemas. Com a ajuda do GPS, o Artur nos guiou até a casa da minha prima, onde passamos a noite.

Distância percorrida: 101,6 km

5º dia – De Araçatuba a General Salgado

Saímos preparados para o pior, pois quem ouvia sobre nosso plano avisava: “a estrada não tem acostamento e está muito ruim”. A rodovia Elyeser Magalhães está sendo duplicada e alguns trechos estão meio bagunçados mesmo, sem sinalização. Porém, os primeiros 20 km renderam bastante.

A ponte sobre o Rio Tietê foi parada obrigatória para fotos. Tão limpinho! Vimos dois senhores pescando e uma placa informando que era proibido pescar em determinado trecho porque é uma rota de barcos.

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Rio Tietê como não se vê na capital. Foto: Artur Vieira.

Depois disso, o rendimento caiu bastante e resolvemos parar para comer, descansar e tirar mais fotos.

O estado de conservação da estrada realmente é bem ruim. Para minha surpresa, em alguns trechos havia acostamento e, à vezes, ele era melhor até do que a pista. No entanto, por vários quilômetros, seguimos pela beira da faixa devido aos buracos, à vegetação, à sujeira (pedras, pedaços de cana etc.) e à falta de acostamento.

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Asfalto incrível da Elyeser Magalhães. Foto: Artur Vieira.

Embora a estrada seja rota de caminhões e treminhões, conforme nos distanciamos de Araçatuba, o trânsito ficou mais tranquilo. E ainda tivemos outra surpresa positiva: ao nos ultrapassar, a maioria dos motoristas mudava de faixa ou, pelo menos, guardava uma distância segura.

Foram mais de 60 km assim, até chegarmos à Rodovia Feliciano Salles da Cunha. Pedalamos um pouquinho ali e paramos na entrada de um sítio, na primeira sombra convidativa que encontramos. Almoçamos a pizza que sobrou da noite anterior antes de encararmos os 12 km restantes.

O sobe e desce recomeçou e as três últimas subidas foram bem longas. A poucos metros da entrada, passamos por um canavial e um dos cortadores de cana gritou para mim: “é passeio?”.

Quando vi o letreiro da cidade, até esqueci o cansaço. Comemoramos a chegada com sorvete e cerveja em frente à praça central da cidade. Depois, mostrei para o Artur a casa onde morava e o quintal onde aprendi a andar de bicicleta.

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Depois de 400 km, chegamos! Foto: Artur Vieira.

Esta foi a primeira vez que pedalei por cinco dias seguidos. Sentia as pernas pesadas de manhã, quando começávamos a rodar, mas a sensação passava logo. Percebi que preciso prestar mais atenção à alimentação e à hidratação e ainda quero ser mais eficiente na hora de separar o que levar nos alforjes.

Tinha pensado em fazer a viagem sozinha, mas fiquei feliz por o Artur ter ido comigo. Certas experiências valem mais quando são compartilhadas e eu dividi esses momentos com alguém tão especial.

Mais do que nunca, a viagem foi o caminho.

Distância percorrida: 80,9 km

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P.S.: o Artur fez fotos lindas dessa viagem e estão todas aqui.