Category Archives: Hiking & trekking

Matando a saudade da Alemanha

Férias 2017

Me apaixonando pela Bavaria.

Mas você vai para a Alemanha de novo? Pois é! Sem um pingo de dúvida e apesar do alemão capenga de hoje em dia, a Alemanha é “minha casa longe de casa” e esta é uma viagem que há tempos queria fazer com o Artur. O roteiro foi bem tranquilo: Berlim, Alpes Alemães e reencontros com pessoas queridas. Faltou tempo para todos os encontros que gostaria, mas eu sempre vou embora com a sensação de que ainda volto para lá. É só uma questão de tempo.

Berlim

O primeiro dia já foi de fortes emoções: levei o Artur a uma loja da Stadler, a maior rede de bicicletarias da Alemanha. Minha vontade era de sair de lá com uma bike nova, mas comprei apenas uma revista. São tantas as opções que, quando estive lá em 2012, havia uma sessão apenas de monociclos!

Outro lugar onde daria para surtar fácil não fosse a cotação atual do euro é a loja Camp4. Me sinto consumista falando isso, pois queria levar, pelo menos, metade dos itens de cozinha. O orçamento é que não permitiu.

Férias 2017

Clássicos: Berliner Dom e a Fernsehturm.

Além de visitarmos essas lojas mais de uma vez, fizemos alguns passeios bem turísticos:

– a exposição permanente Topographie des Terrors sobre o período do nazismo;
– Brandenburgertor ou Portal de Brandenburgo;
– Alexanderplatz e Ferhnsehturm (Torre da TV) na antiga Berlim oriental, mas não demos muita sorte, pois a visibilidade estava ruim;
– Berliner Dom ou Catedral de Berlim: ô prédio lindo!
– East Side Gallery e um pouco do que resta do muro.

Visitamos dois mercados de pulgas. Fomos cedo ao da Boxhagenerplatz e ele estava um tanto quanto vazio e meio sem graça. Talvez porque eu tenha lembrança de quando o visitei durante o verão, mas aí é impossível competir porque a cidade toda ganha outros ares. Já o mercado do Mauerpark estava lotado. Há muitas quinquilharias, mas também roupas, acessórios e objetos de decoração feitos por artistas. Encontramos até um brasileiro que vende imãs e quadrinhos de fotos que ele tira pela cidade. No verão, rola uma karaokê bem legal e animado.

Comes e bebes

Berlim é um paraíso quando se trata de comida. É possível comer muito bem com pouco dinheiro. Vou deixar aqui uma listinha de restaurantes que gostei e recomendo:

Macondo: uma amiga me levou lá em 2012 e fiz questão de voltar. Tem as melhores empanadas colombianas!
Vineria de Este: sugestão de outra amiga. Eles servem várias opções para petiscar e tem diversos vinhos para harmonizar.
Tonkin: um vietnamita que surpreendeu. Vale a pena pedir os chás.
Yellow Sunshine: a primeira hamburgueria vegana a qual fui em 2003. Além de deliciosa, ao que parece, ela segue firme e forte.

Kopps: simplesmente a melhor refeição da minha vida! O Kopps é um restaurante vegano que serve comida saudável, local e orgânica de maneira original. Como eles mesmos definem: “por você, deixamos os vegetais sexy”. O Artur quis me surpreender com uma reserva para o Dia dos Namorados, mas tive que dar uma ajuda, pois o site de reservas era em alemão.

Os ingredientes do jantar eram simples, mas foram preparados de forma excepcional. Entradas com beterraba e cenouras coloridas, purê de nabo defumado (servido num vidro com tampa para preservar a fumaça), diferentes tipos de batatas no prato principal (inclusive uma com gosto de maçã, que me fez entender porque no sul da Alemanha batata é chamada de Erdapfel ou “maçã da terra”) e picolé de marzipã com calda de frutas vermelhas de sobremesa. Ah, ainda serviram macarrons no final. Fico com água na boca só de lembrar.

Cafés

Férias 2017

Avocado Toast do Silo Café.

Tinha feito uma lista de cafeterias que queria visitar e fiquei feliz por termos ido a todas. A primeira foi a Silo, a única a qual fomos duas vezes e que serve opções incríveis de café da manhã – pedi a avocado toast (torrada de abacate) servida com hommus e uma pasta de tomate que estava divina. O cappuccino vegano é muito bom e ficou em segundo no meu ranking particular (hehe).

O café The Barn está em alta também e dependendo do horário é difícil conseguir lugar – some-se a isso o fato do espaço ser realmente pequeno. Pedi uma fatia de bolo, mas não achei grande coisa. O Artur adorou o sanduíche de queijo de cabra com figo.

O primeiro bike café da viagem foi o Steel Vintage Bikes. O lugar é bem legal e o espaço está bem dividido entre o café e a loja. No primeiro, há opções para café da manhã, brunch, almoço e café da tarde. Na segunda, embora seja possível comprar bicicletas e seus componentes, o que mais havia em exposição eram roupas e acessórios de ciclismo.
Férias 2017

Keirin: de 139m² para 30m² com muita personalidade.

Keirin é uma bicicletaria que serve um café bem bom e outras bebidas. O dono foi muito simpático e nos contou a história da loja que existe desde 2004. Pouco depois de abrirem, o negócio cresceu e eles se mudaram para um prédio bem maior ao lado. Porém, a especulação imobiliária está crescendo na região de Kreuzberg (assim como em todo o mundo) e o dono do imóvel decidiu dobrar o aluguel. Sem condições de bancar, o Keirin voltou para o espaço de origem e o prédio deu lugar ao Museu dos Ramones (que já existia, mas em outro endereço).

Visitamos também a Standert Bicycles, uma bicicletaria bem legal com um café bacana e bem gostoso. Eles têm uma linha de quadros personalizados e é possível fazer um leasing para adquirir uma bike Standert. Além disso, eles mantêm o Team Standert, uma equipe de ciclismo formada “por amigos e novos amigos que pedalam juntos, dão rolê juntos e competem juntos”.

A Cicli Berlinetta é uma loja especializada em customizações e restaurações. Nas últimas horas em Berlin, passamos por lá à noite para uma sessão de vídeos indicada na programação de pré-abertura da Berlin Fahrradschau, a feira de bicicletas de Berlim.

Alpes Alemães

Em busca das montanhas, fomos para Farchant, próximo à divisa com Áustria. Fiquei feliz quando vi neve no estado de Thüringen e meu coração bateu até mais forte ao ver os nomes de várias cidades conhecidas e queridas. Seguimos direto, parando apenas para abastecer e comer algo nos postos do caminho.

Quando chegamos, tive uma surpresa com a hospedagem. Pelas fotos do Booking, achei que tivesse reservado um chalé, mas descobri que estava mais para um “puxadinho”. Há uma porta compartilhada para a residência do casal, para o escritório do filho deles e para o apartamento que reservei. Sala, quarto, banheiro e cozinha aconchegantes e muito bem equipados.

Depois de nos instalarmos, fomos jantar em uma pizzaria. O atendimento era simpático e a comida muito boa, mas não importava o quanto eu falasse em alemão, o garçom só me respondia em italiano. “Prego, segnora!”

O dia seguinte amanheceu chuvoso e tivemos que mudar os planos ao ar livre. Fomos à cidadezinha seguinte, Garmish-Partenkirchen (parte da Via Claudia Augusta, uma rota bastante popular entre cicloturistas) e comemos num café dentro de uma galeria de arte. Depois, fizemos mercado e demos uma volta no centrinho.

Férias 2017

O charmoso Palácio Linderhof.

Seguindo a dica da nossa anfitriã, fomos conhecer o palácio Linderhof. A estrada até lá já é bastante charmosa e estava ainda mais encantadora por causa da neve (sim, eu amo!).

Dos três castelos construídos pelo rei Ludwig II da Bavária, o Linderhof é o único que ele viu concluído. Os outros dois são o Neues Schloss Herrenchiemsee e o famoso Neuschwanstein. O jardim é enorme, mas a construção é menor do que eu esperava. Porém, a atenção aos detalhes e a ostentação impressionam bastante. Lustre de cristal para 108 velas pesando meia tonelada, lustre de marfim vindo da Índia (a peça mais cara de toda a decoração), mesas com tampos de pedras preciosas, vasos chineses com mais de 200 anos, bordados tridimensionais, detalhes em ouro puro nas janelas e tetos…

A visita guiada pode ser em inglês ou em alemão e eles oferecem pastas com o conteúdo em outros idiomas, como francês e espanhol. O início é no hall de entrada e depois subimos aos aposentos reais. Algumas cores são predominantes em certos cômodos e é possível notar uma similaridade entre eles.

Trilhas

Aproveitando o tempo bom, escolhemos uma trilha circular num guia que compramos e fomos atrás de um pouco de montanha. O começo era num parque e foi bem tranquilo. Encontramos muita gente passeando por ali. No trecho até a Kuhfluchtfälle (cachoeira fuga da vaca), havia algumas subidinhas com gelo, mas passei sem cair. Cruzamos uma ponte e aí começou a subida de verdade.

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Acho que tinha um pouquinho de neve.

Tinha que estar bem atenta porque, em boa parte do caminho, a trilha é estreita, havia ainda muitas raízes bastante escorregadias e quantidade de neve foi aumentando conforme subíamos, chegando ao ponto de afundarmos até os tornozelos. Nesse caminho, assinei meu primeiro livro de montanha (em alemão! hehe) numa cabana para emergências.

Pouco depois, um casal de senhores alemães que estava na nossa frente começou a voltar dizendo a trilha acabava ali. Insistimos e fomos bem além de onde eles pararam. Não é que não havia mais trilha, o problema era a segurança. Chegamos a um ponto de passagem estreito, com um precipício de cada lado e muita neve ocultando o que havia por baixo. Decidimos não arriscar e pegamos o caminho de volta.

Encarando o combo trilha estreita, gelo e raízes escorregadias, fui muito lenta na descida. Num momento em que seguia na frente, escutei um barulho e quando olhei para trás vi o Artur esticando o braço e agarrando uma solitária árvore na beira do precipício de muitos metros de altura. Meu coração parou por um segundo. Ainda bem que havia essa árvore e ele foi rápido! Depois disso, parecia que a trilha não acabava nunca.

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“Far over the misty mountains cold…”

Apesar desse tremendo susto, a trilha é linda demais! Quando começamos, a névoa criou um clima tão especial que passei o dia cantarolando The Misty Mountains Cold. Além disso, tivemos o contraste da neve branquinha e do céu azul, as árvores com os galhos cheios de neve (que ia derretendo, dando a sensação de que chovia na floresta), as quedas de água, as minicascatas congeladas e as cidadezinhas rodeadas pelas montanhas. Tanta imagem bonita para gravar na memória.

Para comemorarmos o aniversário do Artur, fomos conhecer as ruínas do castelo Werdenfels, que fica entre Farchant e Garmish-Partenkirchen. O plano original era irmos correndo, mas com tantas paisagens bonitas pelo caminho, paramos várias vezes para fotos. Esticamos a corrida/caminhada até Garmish-Partenkirchen e almoçamos num árabe que era a única opção para aquele horário (os restaurantes por lá servem almoço entre 11h30 e 14h). Na volta, procuramos alguns caminhos diferentes e ficamos impressionados com a quantidade de opções para caminhada e corrida que há por ali.

Em nosso último dia cheio por ali, fomos conhecer Grainau. A atração da cidade, além da vista incrível para o Zugspitze (o ponto mais alto da Alemanha), é o Eibsee, um lago cercado por várias opções de trilhas de vários níveis. Há plaquinhas informando os caminhos para trail running, caminhada e mountain bike, com dados sobre distância e nível de dificuldade. Como não amar?

Férias 2017

Eibsee congelado e montanhas alemães, incluindo o Zugspitze.

Escolhemos uma trilha curta que circunda o lago, mas demos umas voltinhas numas estradinhas a mais. Apesar de alguns trechos com gelo e de eu quase levar um tombo ridículo, o caminho é tranquilo. Porém, a parte mais legal foi terminar a volta caminhando pelo lago congelado. Fiquei com receio no começo porque não fazia ideia da espessura do gelo, mas criei coragem quando vi mais pessoas andando por ali.

Reencontros na volta para Berlim

A viagem para o sul foi direta, mas a volta para Berlim teve algumas paradas especiais e demorou alguns dias. A primeira foi em Raubling, uma cidadezinha com mais uma loja incrível de artigos esportivos, a Iko, que estava em promoção – só não surtei porque os melhores descontos eram para as roupas de inverno que eu jamais usaria no Brasil.

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Katja, nossa guia em Nürnberg.

O próximo destino foi Hipolpotstein, outra cidadezinha tranquila onde mora uma amiga querida, a Katja. Nos conhecemos em 2003 ou 2004, quando ela morou em Curitiba e essa foi a segunda vez que fui visitá-la na Alemanha. Ficamos conversando um tempão até o sono falar mais alto.

No dia seguinte, tivemos outro dia de turistas com a Katja como guia. Fomos para Nürnberg e, além de andarmos bastante pelo centro, visitamos o castelo imperial, o Kaiserburg, que ficou quase que completamente em ruínas durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi reconstruído e hoje atrai muitos turistas.

Saímos cedo no dia seguinte e, em Thüringen, seguimos por estradinhas menores. Paramos em Rudolstadt, pois queria levar o Artur ao café do castelo Heidecksburg, um dos primeiros castelos que visitei na minha primeira viagem para a Alemanha. Rudolstadt continua charmosa, mas está diminuindo, com muitos comércios fechados e a população mais jovem migrando para cidades maiores.

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Os anos passam e a distância afasta, mas o carinho não diminui.

Dez quilômetros adiante e foi difícil conter a emoção: chegamos à Teichel. Não parecia que minha última visita a essa cidadezinha tinha sido há quase sete anos. Toquei a campainha e aguardei menos de um minuto. Como eu não havia avisado, a surpresa foi tanta que a Heike demorou uns dois segundos para me reconhecer. Ela é a mãe do meu ex-namorado e, apesar da distância e do pouco contato que temos atualmente, ela é uma pessoa que vou levar para sempre no coração. E sei que o sentimento é recíproco, pois, entre as fotos de família num cantinho na sala, há, até hoje, uma foto comigo.

A visita durou o suficiente para colocarmos o papo em dia. Ela perguntou sobre a minha família, me contou que já é bisavó e me deu uma notícia que eu infelizmente já imaginava, a tia, ou melhor, a Tante Gertrud faleceu em 2013, pouco depois de completar 100 anos. Em novembro, fará também dez anos que o marido dela, o Werner, morreu e essa é uma das lembranças mais tristes que tenho, pois ele era muito querido. Nesse balaio de emoções, saí de lá leve e feliz pelo reencontro. E nem tenho palavras para agradecer ao Artur por ter me acompanhado nesse momento.

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Hanna, the Vizsla.

A última parada nesse retorno foi em Leipzig, onde a Frances e a Hanna nos esperavam. Depois de um passeio com a Hanna no Völkerschlachtdenkmal (ou Monumento da Batalha das Nações, em comemoração à derrota de Napoleão), jantamos numa hamburgueria vegana e terminamos o dia vendo fotos antigas de quando a Frances esteve no Brasil pela primeira vez, há 14 anos. Ao invés de se enfiarem numa van até Brasília para um show, ela e o Christoph aceitaram meu convite e passaram um final de semana em Itanhaém, na casa dos meus pais. Pronto, a amizade estava selada.
Férias 2017

Pensa numa pessoa querida! Ok, em duas.

 No dia seguinte, depois de um café da manhã preguiçoso, fomos passear pela cidade e a primeira parada foi em uma… bicicletaria! Mesmo sendo bem menor do que a Stadler e a Iko, a seleção de produtos era incrível e de novo eu queria levar metade da loja. Depois dos passeios, encerramos o dia com vinho e bruschettas.

De volta a Berlim

Atrasamos a volta para Berlim porque fomos à outlet da Stadler (ó céus!), mas chegamos a tempo de deixamos nossas coisas no hotel e seguirmos para a casa do Christoph.

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“Painting me golden”

Quando ainda estava no Brasil, trocamos algumas mensagens e ele me fez um convite para lá de especial: assistir a um show do Rocky Votolato na sala do apartamento dele. Éramos cerca de 20 pessoas no total e foi uma noite muito gostosa. O Artur teve a ideia de levar duas garrafas de cachaça para fazermos caipirinhas para o pessoal. Como eu conhecia poucas pessoas ali, foi engraçado ouvir os sussurros: “aqueles são os brasileiros que estão fazendo caipirinhas”; e ver como alguns alemães se aproximavam timidamente: “será que eu poderia experimentar uma?”.
Férias 2017

Ava, Marisa e Christoph, que família linda!

Ainda nesse clima de amizade, o dia seguinte começou com um brunch no café vegetariano/vegano Satt&Glücklich (satisfeito e feliz). Foi minha despedida da Frances, do Christoph, da Marisa e da fofíssima Ava. Nos demos muito bem, tanto que fiquei um tempão passeando com ela pelo café e me derreti cada vez que ela largava a mão de alguém, vinha na minha direção e me abraçava.

Os últimos dias em Berlim foram de correria porque queríamos ainda fazer várias coisas – óbvio que não deu tempo. De qualquer forma, conseguimos tomar mais um café da manhã no Silo e fomos conhecer um café livraria que descobrimos por acaso, o Shakespeare and Sons, onde tomei o melhor cappuccino vegano da viagem. Além de adorar o ambiente, achei legal ver apenas mulheres trabalhando ali.

Os reencontros continuaram e fiquei muito feliz por rever a Martina, uma querida da República Tcheca que conheci em São Paulo. Entramos em contato para encontros de conversação – eu queria melhorar o alemão e ela, treinar o português – e ficamos amigas desde o primeiro café. O último encontro foi um jantar com amigos brasileiros (Talita, Laura e Gola) que se mudaram para Berlim.

Sempre que volto da Alemanha, é como se deixasse um pedacinho do meu coração por lá. E, por mais que existam vários lugares que ainda quero conhecer, vira e mexe esse país incrível entra como destino para as próximas férias.

Flickr.

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Do Marinzinho ao Marins num treino de trail run

Galera no cume do Marins

Todo mundo feliz no cume do Marins.

No começo de janeiro, os amigos do Se Ela Corre eu Corro, Cris e Gabriel, fizeram um convite para participar de um treino de trail run em Marmelópolis-MG. Eu não corro (embora tente, às vezes), mas acabei topando porque o percurso incluía um trecho da travessia Itaguaré-Marins, que eu já conhecia.

A viagem de São Paulo até Marmelópolis foi debaixo de chuva em boa parte do caminho e com bastante neblina no trecho de terra até a pousada do Djalma. Ficamos botando o papo em dia e fomos dormir um pouco tarde. A ansiedade ainda fez com que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Marinzinho-Marins

Todo mundo a postos

Vistoria: check; briefing: check; foto: check. Bora subir!

No sábado, levantei cedo, me arrumei, tomei café e fui com os amigos para a vistoria e briefing (impossível não lembrar das provas de Audax). Os itens obrigatórios checados na vistoria eram anorak, cobertor de emergência, apito, kit básico de primeiros socorros e o estado do tênis de trilha/trekking. Foi engraçado ouvir o pessoal reclamando que estava carregando muito peso e eu só conseguia pensar: “nossa, nunca estive tão leve”.

Saímos da Pousada do Maeda em direção ao Pico do Marinzinho. Éramos mais de 70 pessoas divididas entre os grupos avançado, intermediário e conservador. O pessoal do avançado, como era de se esperar, disparou. Fui com o intermediário, pensando que, se não aguentasse, poderia me juntar ao conservador. Até rolou um trotezinho na descida, mas depois a subida começou e não parou mais.

O primeiro trecho é uma estrada de terra e depois vem uma trilha pela mata. Não consegui manter o mesmo ritmo nessa parte, mas bateu a empolgação quando começou a escalaminhada. Segui junto com a Luara e logo reencontramos o pessoal – Cris, Gabriel, Karol e Will – no cume do Marinzinho. Pausa curta para fotos e lanchinho e tocamos em direção ao Marins.

Escalaminhada

E começou o trepa-pedra.

Essa parte foi a mais legal para mim. Consegui desenvolver um bom ritmo, fui lembrando de vários trechos da travessia e matando a saudade da montanha. Chegando ao platô, o grupo se dividiu entre os que iriam descer e os que queriam fazer o cume. Subimos bem e o tempo ajudou a termos uma vista linda lá de cima.

A descida do Marins foi melhor do que imaginávamos. Estava com receio da parte da “escadinha” porque tinha dado uma travada nas outras vezes que passei por ali. O Romário, que estava guiando nosso grupo, foi super atencioso e ajudou muito nessa descida, orientando o pessoal sobre onde se apoiar. Quando chegou minha vez, desci com tanta facilidade que até desacreditei.

Flagra

Pega no flagra ou pose para foto? Foto: Gabriel Ciszewski.

O treino terminava com 8km em estrada de terra. O pessoal logo disparou na corrida e fui ficando para trás. Decidi não forçar e comecei a caminhar, mas logo aproveitei a carona do Sinoca.

Encerramos o sábado com uma roda de conversa, muita cantoria de raiz (haha), vinho e cerveja.

Pedra Montada e Caminho das Águas

O treino original no domingo era irmos até o Itaguaré e voltarmos, porém, na véspera, fui sondar com o sr. Djalma se poderíamos deixar os carros no campinho, mas ele avisou que continua não sendo uma boa ideia. O pessoal acabou se dividindo. Um casal foi fazer o Itaguaré, pois está treinando para uma prova, outra turma subiu até a Pedra Montada e lá se dividiu de novo, com algumas pessoas indo mais uma vez ao cume do Marinzinho.

É para lá que nós vamos

É para lá que nós vamos!

Nós saímos mais tarde e fomos até a Pedra Montada. Fiquei com vontade de continuar até o Marinzinho, mas quis aproveitar a companhia dos amigos. Descemos e fomos para o Caminho das Águas. Desta vez, conheci todas as cachoeiras dali com direito a banho beeeeem gelado.

Durante e depois do almoço, ficamos conversando mais um pouco e o pessoal começou a se dispersar. O Will e eu não queríamos chegar muito tarde em São Paulo e saímos de lá no meio da tarde.

O treino foi organizado com esmero pelo Marcelo Sinoca e pela Juliana Salviano, da Trail Runners Brasil (TRB) e não poderiam ter escolhido percurso melhor. Agradecimento especial aos “laranjinhas” pelo convite e companhia. Conheci tanta gente e me diverti tanto que já quero repeteco – até porque garanti minha camiseta e tenho que honrá-la. ;)

Travessia Itaguaré-Marins

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Começando o segundo dia da travessia. Foto: Artur Vieira.

Há algum tempo, o Artur e eu falamos sobre fazer a travessia do Marins para o Itaguaré e aproveitamos o feriado de 21 de abril para realizá-la. No sábado, saímos um pouco atrasados de São Paulo e ainda pegamos bastante trânsito na Dutra. Chegamos à Pousada do Maeda pouco depois das 11h.

Após nos dar várias dicas, o senhor Maeda nos levou até o início da trilha para o Itaguaré. Invertemos a ordem, pois, em caso de chuva na volta, seria mais fácil nos resgatar no acampamento base do Marins. Nesse caminho, passamos por um dos trechos da cicloviagem de Carnaval, quando saímos de Marmelópolis rumo à cidade de Passa Quatro.

Achei o início meio chatinho e cansativo. Levamos cerca de uma hora e meia no trecho de mata, sempre subindo. Encontramos cinco pessoas e estranhamos bastante o fato de dois rapazes estarem carregando facas e facões. Havia também uma cachorrinha, que parecia perdida, e acabou nos acompanhando durante boa parte desse primeiro dia.

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O tempo abriu depois que passamos pelo Itaguaré. Foto: Artur Vieira.

Quando chegamos perto do Itaguaré, o tempo fechou e desencanamos de subir até o cume, pois não teríamos nenhuma visão. Conversamos um pouco com um trio que iria passar a noite ali e eles se prontificaram a cuidar da cachorrinha.

Seguindo a dica do sr. Maeda, enchemos uma garrafa com água perto de um bambuzal. Como era o último ponto de água até o Morro do Careca, nessa hora, percebemos que levamos pouca água para realizar a travessia.

Às 17h, chegamos ao local de acampamento recomendado pelo sr. Maeda, com vista para o Itaguaré. Conversamos com três caras que iriam acampar ali, mas decidimos andar um pouco mais. Depois de uns dez minutos, consideramos que logo iria escurecer, que havia um espaço legal e reservado para montarmos nossa barraca e que não seria nada mal acordar olhando para o Itaguaré e optamos por voltar.

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Nada mal acordar com uma vista dessas. Foto: Artur Vieira.

Montamos nosso acampamento, beliscamos algumas comidinhas e fomos esticar as pernas dentro da barraca. O cansaço foi batendo e, antes que pegássemos no sono, fomos preparar o jantar: polenta com cogumelos. Depois de organizarmos tudo, ficamos admirando o céu estrelado antes de voltarmos para a barraca.

Segundo dia

Acordei várias vezes durante a noite, ora com calor, ora com dor de cabeça, ora porque estava meio torta e acabei atrapalhando um pouco o sono do Artur. Levantamos às 6h. Tomamos café da manhã e desmontamos o acampamento.

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O sobe e desce que nos aguardava no segundo dia. Foto: Artur Vieira.

Logo começou um sobe e desce, com trechos de vegetação fechada e capim alto. Estávamos racionando a água e, enquanto seguíamos em direção ao Marins, fomos considerando duas possibilidades: chegando ao cume do Marinzinho, pegarmos a trilha para a Pousada Maeda, ou fazermos a travessia em dois dias.

Fizemos algumas paradas para descansarmos, eu principalmente, e para comermos. Os caras que acamparam perto de nós na noite anterior estavam num ritmo muito bom e logo nos ultrapassaram. Papemos um pouquinho ao lado da Pedra Redonda, onde eles aproveitaram para descansar um pouco. Depois, eles seguiram sempre na nossa frente

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Vamos em frente. Foto: Artur Vieira.

A parte até o Marinzinho foi a mais puxada para mim. Pouco antes de chegar ao cume, há um trecho com três cordas amarradas para auxiliar na subida ou na descida. Usamos a vermelha, que parecia mais nova.

No cume do Marinzinho, vimos a placa para a Pousada do Maeda. Lembrei do sr. Maeda falando três ou quatro vezes que, se eu não aguentasse, poderia pegar esse “atalho”. Como a parte mais difícil tinha ficado para trás, decidimos continuar com a travessia. Isso significava duas horas a mais de escalaminhada do que se fossemos dali para a pousada.

Chegando à área do charco, ouvimos o barulho de água corrente. O Artur comentou que ali seria um ponto de abastecimento, mas a ideia não me animou muito porque mais para frente há uma placa informando que a qualidade da água é bem ruim. De qualquer forma, não paramos para ganhar tempo.

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E o tempo começou a virar.

A previsão estava certa e logo começou a chuva, que foi ficando cada vez mais forte. Com o cansaço aumentando e muitas pedras no caminho, diminuímos o ritmo e seguimos com cuidado para não escorregarmos. A chuva formou várias cachoeiras no Marins e a água descia com tanta força que dava para ouvirmos o barulho mesmo estando um pouco afastados. A visão era linda, porém, não faço questão de pegar chuva ali de novo.

No Morro do Careca, ligamos para o Maeda para adiantar nosso resgate. Nossa água tinha acabado, mas nem nos preocupamos em enchermos as garrafas no riacho que existe ali perto. Estávamos quase no final.

A travessia não foi nada fácil e terminamos o percurso bastante cansados. Ao mesmo tempo, estávamos muito felizes e orgulhosos de nós mesmos pelo desafio superado. Concluímos a travessia em dois ao invés de três dias. Foram 5 horas no primeiro dia e, dez horas e 40 minutos no segundo, incluindo as paradas para descanso e lanchinhos na trilha.

Senhor Maeda e a pousada

Assim que começamos a travessia, o Artur falou que só pelas histórias que ouvimos e pelo passeio de Bandeirante, a viagem já tinha valido a pena.

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Conhecendo o museu do montanhismo com o senhor Maeda. Foto: Artur Vieira.

Com 74 anos e muita simpatia, esse senhor nascido em Nagazaki tem muitas histórias legais para contar. A travessia Marins x Itaguaré foi aberta por ele e pelo pessoal do Centro Excurcionista Campineiro (que, aliás, ele ajudou a fundar), em 1993. No ano anterior, ele abriu a travessia da Serra Fina.

Esses e outros feitos são contados no museu do montanhismo, que fica na pousada. Lá estão reunidos equipamentos, roupas, revistas e muitas fotos de diversas expedições das quais ele participou no Brasil e em outros países da América Latina.

Mesmo tendo ficado pouco tempo, achamos a hospedagem excelente. E ficou ainda melhor. Estava tomando café da manhã, quando a senhora Maeda apareceu com um prato de pinhões recém-cozidos e ainda quentes. Na noite anterior, eles viram o quanto gosto de pinhão e, por isso, prepararam esse mimo para eu levar para casa.

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Casal Maeda.

Claro que já estamos pensando em voltar para aproveitarmos a simpatia do casal e as atrações da região. As fotos da travessia tiradas pelo Artur estão aqui.

Yosemite National Park

Yosemite Valley

Hello, Yosemite Valley!

Depois de passar por regiões bastante áridas da Califórnia, vimos a paisagem mudar para uma floresta de pinheiros conforme subíamos a serra. Já era tarde e fomos direto para o Evergreen Lodge, onde ficamos hospedados numa cabana cheia de charme.

No dia seguinte, levantamos cedo, tomamos um café reforçado (as exageradas porções americanas!) e seguimos para o Yosemite Valley.

Como estávamos de carro, a entrada foi cobrada pelo veículo e não pelo número de passageiros. Pagamos 20 dólares, que nos davam o direito de frequentar o parque por sete dias. Quem chega de bicicleta paga 10 dólares e pode aproveitar o mesmo período de tempo.

Na entrada, os guardas nos entregaram um jornal com notícias do parque, a programação de atividades do mês e informações sobre shuttles.

Yosemite

Lugar incrível!

Deixamos o carro no estacionamento para visitantes e fomos de ônibus até o Visitor Center. Descobrimos depois que dava menos de dez minutos de caminhada, mas valeu pelo bom humor do motorista que fez o papel de guia dando explicações sobre o caminho.

Pegamos um mapa do vale no Visitor Center e fomos conhecer a Ansel Adams Gallery. Aproveitando a facilidade de haver uma agência dos correios ali do lado, compramos cartões postais e já os enviamos para o Brasil.

A última parada antes da trilha foi no Wilderness Center para tentar conseguir permissão para a trilha do Half Dome. São concedidas 75 permissões por dia e, para tentar obter uma, é necessário fazer o pedido com antecedência por telefone ou pela internet e torcer para ser sorteado. Acabamos desencanando, pois não queríamos correr o risco de apenas um de nós conseguir a permissão.

Para nossa estreia, escolhemos a trilha para a Columbia Rock. Ela é curta, com apenas 1,6 km, mas é uma subida constante e tem alguns trechos com areia fofa. A maior parte da trilha é feita na sombra, porém, o final é mais aberto e o sol estava forte nesse dia. Chegamos ao nosso destino e fizemos um lanchinho admirando o Half Dome.

A trilha continua a partir dali para a Upper Yosemite Fall. Andamos menos de dez minutos e decidimos voltar para fazer companhia para a Cris e o Marcelo, que começaram a descida a partir da Columbia Rock.

Pegamos o carro e fomos conhecer alguns pontos mais afastados. Primeiro, passamos pelo Tunnel View, que tem uma vista incrível do parque. Em seguida, pegamos uma estrada cheia de curvas para chegar ao Glacier Point e ver o por-do-sol. Por segurança, essa estrada fica fechada durante o inverno.

Glacier Point

Half Dome visto do Glacier Point.

Havia bastante gente por ali, mas o Artur conseguiu um lugar bacana para fotografar o Half Dome iluminado pelos últimos raios de sol, enquanto eu fiquei andando e fazendo outras fotos.

Tuscan pasta

Tuscan pasta: uma delícia!

Nosso primeiro dia de Yosemite terminou com um jantar excelente no restaurante do lodge. Comi um espaguete com pesto de rúcula, alcaparras, tomates vermelhos e amarelos, pinholes e queijo pecorino. Delicioso!

Valley Loop e um susto

No dia seguinte, decidimos percorrer a Valley Loop, uma trilha de 20,9 km, plana e moderada, segundo o informativo do parque. O percurso é bacana, pois passa por várias atrações do vale como o Camp 4, El Capitan, Sentinel Rock, Cathedral Rocks, Bridalveil Fall e Three Brothers.

Yosemite

Uma das vistas do Valley Loop.

Quem não quiser fazer a trilha completa pode fazer o Half Loop, fazendo o retorno na base do El Capitan. O caminho segue mais ou menos paralelo à estrada de asfalto, se afastando em alguns pontos.

A partir do El Capitan, Artur e eu seguimos sozinhos. Essa parte é mais deserta e não cruzamos com ninguém. Em determinado ponto, já próximo ao retorno do Loop, a trilha ficou mais distante do asfalto. Vimos um monte de cocô esquisito e depois algumas pegadas frescas. Continuamos andando e levamos o maior susto!

A vegetação era mais fechada nessa parte e vimos uns arbustos se mexerem ao mesmo tempo em que ouvimos um bramido. Olhamos um para o outro e começamos a andar rápido no sentido contrário ao que seguíamos até encontrarmos um ponto onde era possível voltar para o asfalto. Nessa hora, não tínhamos a mínima vontade de ficar cara a cara com um urso.

Bears in Yosemite

Melhor não deixar comida no carro.

No parque, há várias recomendações referentes a esses habitantes nativos. Nunca se deve deixar comida ou artigos de higiene no carro. Vimos alguns vídeos de ursos educados que abrem as portas destravadas, mas a chance de a porta ser aberta pela força é bem maior.

Quem acampa deve guardar esses itens nos food lockers ou nos bear canisters, que são, respectivamente, os armários e as latas à prova de urso. Nada que exale muito cheiro deve ficar dentro da barraca.

Como os ursos circulam livremente pelo parque, a velocidade dos carros deve ser baixa. Nos pontos onde ocorreu algum acidente recente envolvendo um automóvel e um urso, é colocada uma placa com o desenho de um urso vermelho. Infelizmente, vimos umas cinco dessas placas.

El Capitan

El Capitan.

Seguimos mais um trecho pelo asfalto, mas andamos um pouco pela trilha do outro lado do vale também. Quando chegamos ao ponto de retorno do El Captain, próximo à Cathedral Beach, optamos por pegar o shuttle. No mapa específico de shuttles, não há indicação dos pontos do ônibus do El Capitan, que só funciona no verão. Por sorte, eu lembrava do mapa impresso no jornal Yosemite Guide.

Encontramos a Cris e o Marcelo e decidimos comer em algum lugar fora do parque. Dirigimos até a cidade de Grooveland, por onde tínhamos passado na chegada a Yosemite. Fomos parar no saloon Iron Door e aproveitamos até para jogar uma partida de sinuca.

Veggie burguer

Hamburguer vegetariano com cogumelos e avocado.

Ao olhar o cardápio, foi fácil escolher minha refeição: um hambúrguer de legumes. Mesmo privilegiando pratos com carne, em todos os lugares onde comi havia, pelo menos, uma opção vegetariana. E, geralmente, era hambúrguer.

Árvores gigantes

Em nosso último dia no parque, embora houvesse muito o que fazer no vale, decidimos ir conhecer as sequoias gigantes. Há três lugares para ver essas árvores majestosas: o Merced, o Tuolumme e o Mariposa Grove. Os primeiros eram mais próximos de onde estávamos e o Merced Grove foi bem recomendado. Porém, optamos pelo Mariposa Grove, onde há cerca de 500 dessas árvores.

California Tunnel Tree

California Tunnel Tree: por ali, passavam carroças.

Fizemos uma parte do passeio guiado, mas voltamos andando para poder tirar mais fotos. As sequoias impressionam e algumas até ganharam nomes devido a características específicas. A Grizzly Giant, por exemplo, com estimados 1.800 anos, é uma das mais largas. Um dos galhos tem 2 metros de diâmetro, o que o torna mais largo do que todas as outras árvores do Mariposa Grove que não são sequoias.

Por causa de diversos incêndios (alguns necessários para a saúde da árvore e feitos de maneira controlada, como foi explicado pelo áudio-guia), algumas sequoias ganharam buracos especiais. A Clothespin tem esse nome, pois o buraco formado lembra um pregador de roupas antigo e é grande o suficiente para passar uma caminhonete.

Voltando para o Lodge, Artur e eu alugamos bicicletas e fomos pedalar pela Evergreen Road. Primeiro demos uma volta ao redor da propriedade da hospedagem. O passeio começou tranquilo, mas aí veio um single track com pedras e achei mais seguro empurrar em alguns trechos.

Hetch Hetchy

A caminho de Hetch Hetchy.

Depois, seguimos até outra entrada do Yosemite, a Hetch Hetchy. Passamos por um acampamento que parecia abandonado e continuamos numa leve subida. Voltamos quando estava começando a escurecer.

Há tanta coisa para fazer no Parque Yosemite que ficaríamos facilmente mais de um mês por ali. São trilhas, praias de rio, caminhos para andar de bicicleta, opções para escalada e ainda há uma extensa programação oferecida pela administração do parque para crianças e adultos: workshops, passeios fotográficos, palestras, contação de histórias, apresentação de filmes, entre outras atividades. Algumas são pagas, porém a maioria é de graça.

O jeito vai ser voltar!

Mais fotos no Flickr.

Pico do Lopo

Pico do Lopo

Pedra do Cume vista da Pedra das Flores.

Aproveitando que o Pico do Lopo fica em Extrema-MG, a apenas 110km de São Paulo, decidimos fazer um bate-volta no último domingo.

Pico do Lopo

Céu azulzinho.

Ao pesquisar informações sobre o lugar, descobri que, embora Pico do Lopo seja o nome mais conhecido, o local é chamado também de Pedra do Cume.

Pico do Lopo

Represa de Joanópolis secando. :(

O tempo estava bom, a trilha foi tranquila e nossa manhã rendeu. Saímos de São Paulo, fizemos a trilha (cerca de 8km ida e volta) e aproveitamos para almoçar em Joanópolis.

Mais fotos.

Pico dos Marins

Pico dos Marins

A névoa esteve bastante presente na minha primeira visita ao Marins.

Para o feriado prolongado em junho, o Artur me fez um convite: passar uma noite no Pico dos Marins, em Piquete. Optamos por sair de São Paulo na quinta-feira à tarde, dormir no Acampamento Base Marins e subir o pico na sexta, pela manhã.

No caminho para Piquete, pegamos garoa e chuva fraca e chegamos ao acampamento com muita neblina. O tempo virou e a temperatura estava em 13°C. Encontramos um grupo grande que fez bate-e-volta e uma turma de Belo Horizonte que fez a travessia Marins-Itaguaré. Conversar com o pessoal que descia, aumentava a minha ansiedade.

Na sexta-feira, acordamos com o barulho de um dos grupos que iria subir. Levantamos com calma e fomos organizar nossas coisas. Fomos os últimos a sair, às 9:20.

O início foi úmido e com pouca visibilidade, por causa da forte neblina. Passamos pelo trecho de mata, pela estrada de terra e logo chegamos ao Morro do Careca. Lá, encontramos um grupo de quatro caras que iriam dormir no Pico também. Pausa rápida para beber água e comer alguma coisa e voltamos para a trilha.

Pico dos Marins

Artur confirmando o caminho.

O tempo seguia encoberto e foram poucos os momentos em que pudemos avistar o cume. Logo começou o trecho de trepa-pedras e fomos seguindo num ritmo bom. Apesar de ter ficado um pouco insegura em certos trechos, fiquei bem feliz ao superar alguns “obstáculos”.

Quando estávamos próximos da nascente do Ribeirão Passa Quatro, nos desviamos um pouco da trilha, mas logo retomamos o rumo certo e ainda reencontramos um grupo que subia com um cachorro.

Pico dos Marins

Sobe, sobe, sobe!

Nesse momento, o tempo abriu um pouco e vi que estávamos perto do pico. O Artur disse que até lá ainda teríamos um bom trecho de sobe e desce. Minha imaginação foi pior do que a realidade e logo chegamos à base da rampa para o cume.

Subimos bem e, apesar de termos encontrado várias pessoas na trilha, fomos os primeiros a chegar, depois de quatro horas de escalaminhada. Assim, pudemos escolher tranquilamente onde montarmos nossa barraca.

O tempo continuou encoberto e não dava para ver muita coisa ali de cima. Descansamos um pouco, comemos, batemos papo com nossos “vizinhos”, comemos mais um pouco e voltamos para a barraca quando vento ficou um pouco mais forte.

Apesar de ter sido a noite mais longa do ano, dormi muito bem e o tempo passou rápido. Acordei pouco depois das 6h. Queria muito ter visto o nascer do sol, no entanto, a névoa era tão densa, que limitava a visão a pouco mais de dez metros. E assim foi por cerca de uma hora e meia.

Pico dos Marins

O curioso espectro de Brocken.

Quando o tempo limpou um pouco, além do céu azul e de uma vista linda com as nuvens dançando, fomos presenteados com a visão do espectro de Brocken.

Esperamos para ver se o tempo limparia mais, porém, ele voltou a fechar. Arrumamos nossas tralhas e fomos os últimos a deixar o cume.

A descida foi num ritmo mais lento, como eu já esperava. Mais uma vez, encontramos muitas pessoas pela trilha, inclusive algumas crianças. Próximo ao primeiro maciço, fizemos um pequeno “desvio”, mas logo o Artur percebeu e nos botou de novo no caminho certo.

Pico dos Marins

Voltando para o acampamento base acompanhados pela névoa.

O tempo continuou fechando e o nevoeiro aumentava conforme descíamos. O caminho pela mata estava ainda mais úmido do que quando saímos e tínhamos que tomar cuidado para não escorregarmos no barro. Chegamos ao acampamento base, nos despedimos do Milton e pegamos o rumo para São Paulo.

Vivendo e aprendendo

Esta foi a segunda vez que acampei e a primeira com tempo frio. A temperatura chegou a 7°C à noite no Pico, mas a sensação era um pouco mais baixa por causa do vento.

Nossa bagagem foi bem planejada, mas, ao longo do caminho, fui pensando no que poderia melhorar para a próxima vez. Além da roupa limpa, vou deixar um par de calçados limpos no carro para a volta. Meus tênis estavam pura lama.

Pico dos Marins

Preparando o jantar toda concentrada.

Como estava frio, uma bebida quente fez falta e pensei logo no chá que aquece e hidrata. Na próxima vez, não vou apenas cogitar, vou levá-lo com certeza. Levamos vinho, mas bebemos pouco, para não nos desidratarmos. Nosso jantar foi macarrão com cogumelos, tomatinhos e queijo gorgonzola. Gostei da escolha e imagino que vamos repeti-la outras vezes.

Também pensamos em pizza de frigideira com os mesmos acompanhamentos do macarrão. Outra ideia que me agrada é fazer uma sopa de macarrão (pode ser miojo, que cozinha rápido, tem bastante calorias e ainda ajuda a repor o sal) com legumes.

Não tiramos muitas fotos, mas algumas podem ser vistas aqui.