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Do Marinzinho ao Marins num treino de trail run

Galera no cume do Marins

Todo mundo feliz no cume do Marins.

No começo de janeiro, os amigos do Se Ela Corre eu Corro, Cris e Gabriel, fizeram um convite para participar de um treino de trail run em Marmelópolis-MG. Eu não corro (embora tente, às vezes), mas acabei topando porque o percurso incluía um trecho da travessia Itaguaré-Marins, que eu já conhecia.

A viagem de São Paulo até Marmelópolis foi debaixo de chuva em boa parte do caminho e com bastante neblina no trecho de terra até a pousada do Djalma. Ficamos botando o papo em dia e fomos dormir um pouco tarde. A ansiedade ainda fez com que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Marinzinho-Marins

Todo mundo a postos

Vistoria: check; briefing: check; foto: check. Bora subir!

No sábado, levantei cedo, me arrumei, tomei café e fui com os amigos para a vistoria e briefing (impossível não lembrar das provas de Audax). Os itens obrigatórios checados na vistoria eram anorak, cobertor de emergência, apito, kit básico de primeiros socorros e o estado do tênis de trilha/trekking. Foi engraçado ouvir o pessoal reclamando que estava carregando muito peso e eu só conseguia pensar: “nossa, nunca estive tão leve”.

Saímos da Pousada do Maeda em direção ao Pico do Marinzinho. Éramos mais de 70 pessoas divididas entre os grupos avançado, intermediário e conservador. O pessoal do avançado, como era de se esperar, disparou. Fui com o intermediário, pensando que, se não aguentasse, poderia me juntar ao conservador. Até rolou um trotezinho na descida, mas depois a subida começou e não parou mais.

O primeiro trecho é uma estrada de terra e depois vem uma trilha pela mata. Não consegui manter o mesmo ritmo nessa parte, mas bateu a empolgação quando começou a escalaminhada. Segui junto com a Luara e logo reencontramos o pessoal – Cris, Gabriel, Karol e Will – no cume do Marinzinho. Pausa curta para fotos e lanchinho e tocamos em direção ao Marins.

Escalaminhada

E começou o trepa-pedra.

Essa parte foi a mais legal para mim. Consegui desenvolver um bom ritmo, fui lembrando de vários trechos da travessia e matando a saudade da montanha. Chegando ao platô, o grupo se dividiu entre os que iriam descer e os que queriam fazer o cume. Subimos bem e o tempo ajudou a termos uma vista linda lá de cima.

A descida do Marins foi melhor do que imaginávamos. Estava com receio da parte da “escadinha” porque tinha dado uma travada nas outras vezes que passei por ali. O Romário, que estava guiando nosso grupo, foi super atencioso e ajudou muito nessa descida, orientando o pessoal sobre onde se apoiar. Quando chegou minha vez, desci com tanta facilidade que até desacreditei.

Flagra

Pega no flagra ou pose para foto? Foto: Gabriel Ciszewski.

O treino terminava com 8km em estrada de terra. O pessoal logo disparou na corrida e fui ficando para trás. Decidi não forçar e comecei a caminhar, mas logo aproveitei a carona do Sinoca.

Encerramos o sábado com uma roda de conversa, muita cantoria de raiz (haha), vinho e cerveja.

Pedra Montada e Caminho das Águas

O treino original no domingo era irmos até o Itaguaré e voltarmos, porém, na véspera, fui sondar com o sr. Djalma se poderíamos deixar os carros no campinho, mas ele avisou que continua não sendo uma boa ideia. O pessoal acabou se dividindo. Um casal foi fazer o Itaguaré, pois está treinando para uma prova, outra turma subiu até a Pedra Montada e lá se dividiu de novo, com algumas pessoas indo mais uma vez ao cume do Marinzinho.

É para lá que nós vamos

É para lá que nós vamos!

Nós saímos mais tarde e fomos até a Pedra Montada. Fiquei com vontade de continuar até o Marinzinho, mas quis aproveitar a companhia dos amigos. Descemos e fomos para o Caminho das Águas. Desta vez, conheci todas as cachoeiras dali com direito a banho beeeeem gelado.

Durante e depois do almoço, ficamos conversando mais um pouco e o pessoal começou a se dispersar. O Will e eu não queríamos chegar muito tarde em São Paulo e saímos de lá no meio da tarde.

O treino foi organizado com esmero pelo Marcelo Sinoca e pela Juliana Salviano, da Trail Runners Brasil (TRB) e não poderiam ter escolhido percurso melhor. Agradecimento especial aos “laranjinhas” pelo convite e companhia. Conheci tanta gente e me diverti tanto que já quero repeteco – até porque garanti minha camiseta e tenho que honrá-la. ;)

Travessia Itaguaré-Marins

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Começando o segundo dia da travessia. Foto: Artur Vieira.

Há algum tempo, o Artur e eu falamos sobre fazer a travessia do Marins para o Itaguaré e aproveitamos o feriado de 21 de abril para realizá-la. No sábado, saímos um pouco atrasados de São Paulo e ainda pegamos bastante trânsito na Dutra. Chegamos à Pousada do Maeda pouco depois das 11h.

Após nos dar várias dicas, o senhor Maeda nos levou até o início da trilha para o Itaguaré. Invertemos a ordem, pois, em caso de chuva na volta, seria mais fácil nos resgatar no acampamento base do Marins. Nesse caminho, passamos por um dos trechos da cicloviagem de Carnaval, quando saímos de Marmelópolis rumo à cidade de Passa Quatro.

Achei o início meio chatinho e cansativo. Levamos cerca de uma hora e meia no trecho de mata, sempre subindo. Encontramos cinco pessoas e estranhamos bastante o fato de dois rapazes estarem carregando facas e facões. Havia também uma cachorrinha, que parecia perdida, e acabou nos acompanhando durante boa parte desse primeiro dia.

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O tempo abriu depois que passamos pelo Itaguaré. Foto: Artur Vieira.

Quando chegamos perto do Itaguaré, o tempo fechou e desencanamos de subir até o cume, pois não teríamos nenhuma visão. Conversamos um pouco com um trio que iria passar a noite ali e eles se prontificaram a cuidar da cachorrinha.

Seguindo a dica do sr. Maeda, enchemos uma garrafa com água perto de um bambuzal. Como era o último ponto de água até o Morro do Careca, nessa hora, percebemos que levamos pouca água para realizar a travessia.

Às 17h, chegamos ao local de acampamento recomendado pelo sr. Maeda, com vista para o Itaguaré. Conversamos com três caras que iriam acampar ali, mas decidimos andar um pouco mais. Depois de uns dez minutos, consideramos que logo iria escurecer, que havia um espaço legal e reservado para montarmos nossa barraca e que não seria nada mal acordar olhando para o Itaguaré e optamos por voltar.

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Nada mal acordar com uma vista dessas. Foto: Artur Vieira.

Montamos nosso acampamento, beliscamos algumas comidinhas e fomos esticar as pernas dentro da barraca. O cansaço foi batendo e, antes que pegássemos no sono, fomos preparar o jantar: polenta com cogumelos. Depois de organizarmos tudo, ficamos admirando o céu estrelado antes de voltarmos para a barraca.

Segundo dia

Acordei várias vezes durante a noite, ora com calor, ora com dor de cabeça, ora porque estava meio torta e acabei atrapalhando um pouco o sono do Artur. Levantamos às 6h. Tomamos café da manhã e desmontamos o acampamento.

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O sobe e desce que nos aguardava no segundo dia. Foto: Artur Vieira.

Logo começou um sobe e desce, com trechos de vegetação fechada e capim alto. Estávamos racionando a água e, enquanto seguíamos em direção ao Marins, fomos considerando duas possibilidades: chegando ao cume do Marinzinho, pegarmos a trilha para a Pousada Maeda, ou fazermos a travessia em dois dias.

Fizemos algumas paradas para descansarmos, eu principalmente, e para comermos. Os caras que acamparam perto de nós na noite anterior estavam num ritmo muito bom e logo nos ultrapassaram. Papemos um pouquinho ao lado da Pedra Redonda, onde eles aproveitaram para descansar um pouco. Depois, eles seguiram sempre na nossa frente

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Vamos em frente. Foto: Artur Vieira.

A parte até o Marinzinho foi a mais puxada para mim. Pouco antes de chegar ao cume, há um trecho com três cordas amarradas para auxiliar na subida ou na descida. Usamos a vermelha, que parecia mais nova.

No cume do Marinzinho, vimos a placa para a Pousada do Maeda. Lembrei do sr. Maeda falando três ou quatro vezes que, se eu não aguentasse, poderia pegar esse “atalho”. Como a parte mais difícil tinha ficado para trás, decidimos continuar com a travessia. Isso significava duas horas a mais de escalaminhada do que se fossemos dali para a pousada.

Chegando à área do charco, ouvimos o barulho de água corrente. O Artur comentou que ali seria um ponto de abastecimento, mas a ideia não me animou muito porque mais para frente há uma placa informando que a qualidade da água é bem ruim. De qualquer forma, não paramos para ganhar tempo.

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E o tempo começou a virar.

A previsão estava certa e logo começou a chuva, que foi ficando cada vez mais forte. Com o cansaço aumentando e muitas pedras no caminho, diminuímos o ritmo e seguimos com cuidado para não escorregarmos. A chuva formou várias cachoeiras no Marins e a água descia com tanta força que dava para ouvirmos o barulho mesmo estando um pouco afastados. A visão era linda, porém, não faço questão de pegar chuva ali de novo.

No Morro do Careca, ligamos para o Maeda para adiantar nosso resgate. Nossa água tinha acabado, mas nem nos preocupamos em enchermos as garrafas no riacho que existe ali perto. Estávamos quase no final.

A travessia não foi nada fácil e terminamos o percurso bastante cansados. Ao mesmo tempo, estávamos muito felizes e orgulhosos de nós mesmos pelo desafio superado. Concluímos a travessia em dois ao invés de três dias. Foram 5 horas no primeiro dia e, dez horas e 40 minutos no segundo, incluindo as paradas para descanso e lanchinhos na trilha.

Senhor Maeda e a pousada

Assim que começamos a travessia, o Artur falou que só pelas histórias que ouvimos e pelo passeio de Bandeirante, a viagem já tinha valido a pena.

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Conhecendo o museu do montanhismo com o senhor Maeda. Foto: Artur Vieira.

Com 74 anos e muita simpatia, esse senhor nascido em Nagazaki tem muitas histórias legais para contar. A travessia Marins x Itaguaré foi aberta por ele e pelo pessoal do Centro Excurcionista Campineiro (que, aliás, ele ajudou a fundar), em 1993. No ano anterior, ele abriu a travessia da Serra Fina.

Esses e outros feitos são contados no museu do montanhismo, que fica na pousada. Lá estão reunidos equipamentos, roupas, revistas e muitas fotos de diversas expedições das quais ele participou no Brasil e em outros países da América Latina.

Mesmo tendo ficado pouco tempo, achamos a hospedagem excelente. E ficou ainda melhor. Estava tomando café da manhã, quando a senhora Maeda apareceu com um prato de pinhões recém-cozidos e ainda quentes. Na noite anterior, eles viram o quanto gosto de pinhão e, por isso, prepararam esse mimo para eu levar para casa.

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Casal Maeda.

Claro que já estamos pensando em voltar para aproveitarmos a simpatia do casal e as atrações da região. As fotos da travessia tiradas pelo Artur estão aqui.

Yosemite National Park

Yosemite Valley

Hello, Yosemite Valley!

Depois de passar por regiões bastante áridas da Califórnia, vimos a paisagem mudar para uma floresta de pinheiros conforme subíamos a serra. Já era tarde e fomos direto para o Evergreen Lodge, onde ficamos hospedados numa cabana cheia de charme.

No dia seguinte, levantamos cedo, tomamos um café reforçado (as exageradas porções americanas!) e seguimos para o Yosemite Valley.

Como estávamos de carro, a entrada foi cobrada pelo veículo e não pelo número de passageiros. Pagamos 20 dólares, que nos davam o direito de frequentar o parque por sete dias. Quem chega de bicicleta paga 10 dólares e pode aproveitar o mesmo período de tempo.

Na entrada, os guardas nos entregaram um jornal com notícias do parque, a programação de atividades do mês e informações sobre shuttles.

Yosemite

Lugar incrível!

Deixamos o carro no estacionamento para visitantes e fomos de ônibus até o Visitor Center. Descobrimos depois que dava menos de dez minutos de caminhada, mas valeu pelo bom humor do motorista que fez o papel de guia dando explicações sobre o caminho.

Pegamos um mapa do vale no Visitor Center e fomos conhecer a Ansel Adams Gallery. Aproveitando a facilidade de haver uma agência dos correios ali do lado, compramos cartões postais e já os enviamos para o Brasil.

A última parada antes da trilha foi no Wilderness Center para tentar conseguir permissão para a trilha do Half Dome. São concedidas 75 permissões por dia e, para tentar obter uma, é necessário fazer o pedido com antecedência por telefone ou pela internet e torcer para ser sorteado. Acabamos desencanando, pois não queríamos correr o risco de apenas um de nós conseguir a permissão.

Para nossa estreia, escolhemos a trilha para a Columbia Rock. Ela é curta, com apenas 1,6 km, mas é uma subida constante e tem alguns trechos com areia fofa. A maior parte da trilha é feita na sombra, porém, o final é mais aberto e o sol estava forte nesse dia. Chegamos ao nosso destino e fizemos um lanchinho admirando o Half Dome.

A trilha continua a partir dali para a Upper Yosemite Fall. Andamos menos de dez minutos e decidimos voltar para fazer companhia para a Cris e o Marcelo, que começaram a descida a partir da Columbia Rock.

Pegamos o carro e fomos conhecer alguns pontos mais afastados. Primeiro, passamos pelo Tunnel View, que tem uma vista incrível do parque. Em seguida, pegamos uma estrada cheia de curvas para chegar ao Glacier Point e ver o por-do-sol. Por segurança, essa estrada fica fechada durante o inverno.

Glacier Point

Half Dome visto do Glacier Point.

Havia bastante gente por ali, mas o Artur conseguiu um lugar bacana para fotografar o Half Dome iluminado pelos últimos raios de sol, enquanto eu fiquei andando e fazendo outras fotos.

Tuscan pasta

Tuscan pasta: uma delícia!

Nosso primeiro dia de Yosemite terminou com um jantar excelente no restaurante do lodge. Comi um espaguete com pesto de rúcula, alcaparras, tomates vermelhos e amarelos, pinholes e queijo pecorino. Delicioso!

Valley Loop e um susto

No dia seguinte, decidimos percorrer a Valley Loop, uma trilha de 20,9 km, plana e moderada, segundo o informativo do parque. O percurso é bacana, pois passa por várias atrações do vale como o Camp 4, El Capitan, Sentinel Rock, Cathedral Rocks, Bridalveil Fall e Three Brothers.

Yosemite

Uma das vistas do Valley Loop.

Quem não quiser fazer a trilha completa pode fazer o Half Loop, fazendo o retorno na base do El Capitan. O caminho segue mais ou menos paralelo à estrada de asfalto, se afastando em alguns pontos.

A partir do El Capitan, Artur e eu seguimos sozinhos. Essa parte é mais deserta e não cruzamos com ninguém. Em determinado ponto, já próximo ao retorno do Loop, a trilha ficou mais distante do asfalto. Vimos um monte de cocô esquisito e depois algumas pegadas frescas. Continuamos andando e levamos o maior susto!

A vegetação era mais fechada nessa parte e vimos uns arbustos se mexerem ao mesmo tempo em que ouvimos um bramido. Olhamos um para o outro e começamos a andar rápido no sentido contrário ao que seguíamos até encontrarmos um ponto onde era possível voltar para o asfalto. Nessa hora, não tínhamos a mínima vontade de ficar cara a cara com um urso.

Bears in Yosemite

Melhor não deixar comida no carro.

No parque, há várias recomendações referentes a esses habitantes nativos. Nunca se deve deixar comida ou artigos de higiene no carro. Vimos alguns vídeos de ursos educados que abrem as portas destravadas, mas a chance de a porta ser aberta pela força é bem maior.

Quem acampa deve guardar esses itens nos food lockers ou nos bear canisters, que são, respectivamente, os armários e as latas à prova de urso. Nada que exale muito cheiro deve ficar dentro da barraca.

Como os ursos circulam livremente pelo parque, a velocidade dos carros deve ser baixa. Nos pontos onde ocorreu algum acidente recente envolvendo um automóvel e um urso, é colocada uma placa com o desenho de um urso vermelho. Infelizmente, vimos umas cinco dessas placas.

El Capitan

El Capitan.

Seguimos mais um trecho pelo asfalto, mas andamos um pouco pela trilha do outro lado do vale também. Quando chegamos ao ponto de retorno do El Captain, próximo à Cathedral Beach, optamos por pegar o shuttle. No mapa específico de shuttles, não há indicação dos pontos do ônibus do El Capitan, que só funciona no verão. Por sorte, eu lembrava do mapa impresso no jornal Yosemite Guide.

Encontramos a Cris e o Marcelo e decidimos comer em algum lugar fora do parque. Dirigimos até a cidade de Grooveland, por onde tínhamos passado na chegada a Yosemite. Fomos parar no saloon Iron Door e aproveitamos até para jogar uma partida de sinuca.

Veggie burguer

Hamburguer vegetariano com cogumelos e avocado.

Ao olhar o cardápio, foi fácil escolher minha refeição: um hambúrguer de legumes. Mesmo privilegiando pratos com carne, em todos os lugares onde comi havia, pelo menos, uma opção vegetariana. E, geralmente, era hambúrguer.

Árvores gigantes

Em nosso último dia no parque, embora houvesse muito o que fazer no vale, decidimos ir conhecer as sequoias gigantes. Há três lugares para ver essas árvores majestosas: o Merced, o Tuolumme e o Mariposa Grove. Os primeiros eram mais próximos de onde estávamos e o Merced Grove foi bem recomendado. Porém, optamos pelo Mariposa Grove, onde há cerca de 500 dessas árvores.

California Tunnel Tree

California Tunnel Tree: por ali, passavam carroças.

Fizemos uma parte do passeio guiado, mas voltamos andando para poder tirar mais fotos. As sequoias impressionam e algumas até ganharam nomes devido a características específicas. A Grizzly Giant, por exemplo, com estimados 1.800 anos, é uma das mais largas. Um dos galhos tem 2 metros de diâmetro, o que o torna mais largo do que todas as outras árvores do Mariposa Grove que não são sequoias.

Por causa de diversos incêndios (alguns necessários para a saúde da árvore e feitos de maneira controlada, como foi explicado pelo áudio-guia), algumas sequoias ganharam buracos especiais. A Clothespin tem esse nome, pois o buraco formado lembra um pregador de roupas antigo e é grande o suficiente para passar uma caminhonete.

Voltando para o Lodge, Artur e eu alugamos bicicletas e fomos pedalar pela Evergreen Road. Primeiro demos uma volta ao redor da propriedade da hospedagem. O passeio começou tranquilo, mas aí veio um single track com pedras e achei mais seguro empurrar em alguns trechos.

Hetch Hetchy

A caminho de Hetch Hetchy.

Depois, seguimos até outra entrada do Yosemite, a Hetch Hetchy. Passamos por um acampamento que parecia abandonado e continuamos numa leve subida. Voltamos quando estava começando a escurecer.

Há tanta coisa para fazer no Parque Yosemite que ficaríamos facilmente mais de um mês por ali. São trilhas, praias de rio, caminhos para andar de bicicleta, opções para escalada e ainda há uma extensa programação oferecida pela administração do parque para crianças e adultos: workshops, passeios fotográficos, palestras, contação de histórias, apresentação de filmes, entre outras atividades. Algumas são pagas, porém a maioria é de graça.

O jeito vai ser voltar!

Mais fotos no Flickr.

Pico do Lopo

Pico do Lopo

Pedra do Cume vista da Pedra das Flores.

Aproveitando que o Pico do Lopo fica em Extrema-MG, a apenas 110km de São Paulo, decidimos fazer um bate-volta no último domingo.

Pico do Lopo

Céu azulzinho.

Ao pesquisar informações sobre o lugar, descobri que, embora Pico do Lopo seja o nome mais conhecido, o local é chamado também de Pedra do Cume.

Pico do Lopo

Represa de Joanópolis secando. :(

O tempo estava bom, a trilha foi tranquila e nossa manhã rendeu. Saímos de São Paulo, fizemos a trilha (cerca de 8km ida e volta) e aproveitamos para almoçar em Joanópolis.

Mais fotos.

Pico dos Marins

Pico dos Marins

A névoa esteve bastante presente na minha primeira visita ao Marins.

Para o feriado prolongado em junho, o Artur me fez um convite: passar uma noite no Pico dos Marins, em Piquete. Optamos por sair de São Paulo na quinta-feira à tarde, dormir no Acampamento Base Marins e subir o pico na sexta, pela manhã.

No caminho para Piquete, pegamos garoa e chuva fraca e chegamos ao acampamento com muita neblina. O tempo virou e a temperatura estava em 13°C. Encontramos um grupo grande que fez bate-e-volta e uma turma de Belo Horizonte que fez a travessia Marins-Itaguaré. Conversar com o pessoal que descia, aumentava a minha ansiedade.

Na sexta-feira, acordamos com o barulho de um dos grupos que iria subir. Levantamos com calma e fomos organizar nossas coisas. Fomos os últimos a sair, às 9:20.

O início foi úmido e com pouca visibilidade, por causa da forte neblina. Passamos pelo trecho de mata, pela estrada de terra e logo chegamos ao Morro do Careca. Lá, encontramos um grupo de quatro caras que iriam dormir no Pico também. Pausa rápida para beber água e comer alguma coisa e voltamos para a trilha.

Pico dos Marins

Artur confirmando o caminho.

O tempo seguia encoberto e foram poucos os momentos em que pudemos avistar o cume. Logo começou o trecho de trepa-pedras e fomos seguindo num ritmo bom. Apesar de ter ficado um pouco insegura em certos trechos, fiquei bem feliz ao superar alguns “obstáculos”.

Quando estávamos próximos da nascente do Ribeirão Passa Quatro, nos desviamos um pouco da trilha, mas logo retomamos o rumo certo e ainda reencontramos um grupo que subia com um cachorro.

Pico dos Marins

Sobe, sobe, sobe!

Nesse momento, o tempo abriu um pouco e vi que estávamos perto do pico. O Artur disse que até lá ainda teríamos um bom trecho de sobe e desce. Minha imaginação foi pior do que a realidade e logo chegamos à base da rampa para o cume.

Subimos bem e, apesar de termos encontrado várias pessoas na trilha, fomos os primeiros a chegar, depois de quatro horas de escalaminhada. Assim, pudemos escolher tranquilamente onde montarmos nossa barraca.

O tempo continuou encoberto e não dava para ver muita coisa ali de cima. Descansamos um pouco, comemos, batemos papo com nossos “vizinhos”, comemos mais um pouco e voltamos para a barraca quando vento ficou um pouco mais forte.

Apesar de ter sido a noite mais longa do ano, dormi muito bem e o tempo passou rápido. Acordei pouco depois das 6h. Queria muito ter visto o nascer do sol, no entanto, a névoa era tão densa, que limitava a visão a pouco mais de dez metros. E assim foi por cerca de uma hora e meia.

Pico dos Marins

O curioso espectro de Brocken.

Quando o tempo limpou um pouco, além do céu azul e de uma vista linda com as nuvens dançando, fomos presenteados com a visão do espectro de Brocken.

Esperamos para ver se o tempo limparia mais, porém, ele voltou a fechar. Arrumamos nossas tralhas e fomos os últimos a deixar o cume.

A descida foi num ritmo mais lento, como eu já esperava. Mais uma vez, encontramos muitas pessoas pela trilha, inclusive algumas crianças. Próximo ao primeiro maciço, fizemos um pequeno “desvio”, mas logo o Artur percebeu e nos botou de novo no caminho certo.

Pico dos Marins

Voltando para o acampamento base acompanhados pela névoa.

O tempo continuou fechando e o nevoeiro aumentava conforme descíamos. O caminho pela mata estava ainda mais úmido do que quando saímos e tínhamos que tomar cuidado para não escorregarmos no barro. Chegamos ao acampamento base, nos despedimos do Milton e pegamos o rumo para São Paulo.

Vivendo e aprendendo

Esta foi a segunda vez que acampei e a primeira com tempo frio. A temperatura chegou a 7°C à noite no Pico, mas a sensação era um pouco mais baixa por causa do vento.

Nossa bagagem foi bem planejada, mas, ao longo do caminho, fui pensando no que poderia melhorar para a próxima vez. Além da roupa limpa, vou deixar um par de calçados limpos no carro para a volta. Meus tênis estavam pura lama.

Pico dos Marins

Preparando o jantar toda concentrada.

Como estava frio, uma bebida quente fez falta e pensei logo no chá que aquece e hidrata. Na próxima vez, não vou apenas cogitar, vou levá-lo com certeza. Levamos vinho, mas bebemos pouco, para não nos desidratarmos. Nosso jantar foi macarrão com cogumelos, tomatinhos e queijo gorgonzola. Gostei da escolha e imagino que vamos repeti-la outras vezes.

Também pensamos em pizza de frigideira com os mesmos acompanhamentos do macarrão. Outra ideia que me agrada é fazer uma sopa de macarrão (pode ser miojo, que cozinha rápido, tem bastante calorias e ainda ajuda a repor o sal) com legumes.

Não tiramos muitas fotos, mas algumas podem ser vistas aqui.