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Davi

Davi Marski

Chegando ao cume da Pedra do Elefante, em Andradas.

“Como sei que você é vegetariana, eu trouxe comida liofilizada para você também.” Essa foi uma das primeiras frases que o Davi falou para mim quando nos conhecemos. Estávamos em Rio das Ostras e íamos pedalar um brevet de 300km. Isso mostra o quanto ele era atencioso com as pessoas e estava sempre disposto a ajudar.

Nos encontramos algumas vezes depois, mas nosso relacionamento estreitou depois que comecei a namorar o Artur. Afinal, os dois eram muito próximos, como irmãos, e até brincávamos que o Davi era o segundo pai do Artur.

Li alguns relatos de amigos sobre um certo jeito ranzinza que ele tinha e acho que pulei essa parte. Minhas lembranças são de um Davi alegre e, quase sempre, brincalhão.

Adorava quando íamos para a casa dele e da Cintia para sessões de gordices, como ele um dia definiu. Ficávamos os quatro na cozinha, papeando, bebericando vinho (claro!) e preparando comidinhas gostosas para serem saboreadas acompanhadas de boas risadas.

Todos os momentos foram especiais, mas guardo com muito carinho nosso último encontro, quando o Davi me levou para escalar. Essa era uma das coisas que ele mais gostava nessa vida e fico muito feliz por ele ter feito questão de me proporcionar essa experiência.

Além da diversão da escalada, foram dois dias marcados por conversas mais filosóficas. No topo da Pedra da Cruz, enquanto assistíamos a um pôr-do-sol, falamos sobre a felicidade contida em momentos singelos como aquele. “Não precisamos de muito nessa vida”, ele disse. Éramos os três, cercados pela natureza, compartilhando uma garrafa de vinho e isso bastava para encher nossos corações de alegria.

No dia seguinte, bivacamos na Pedra do Elefante. Chegamos ao cume a tempo de assistirmos a mais um pôr-do-sol e nem consigo descrever o que senti direito. Estava transbordando de felicidade. Depois do jantar, ficamos vendo a lua e papeando sobre a vida. Falamos novamente sobre a simplicidade e a riqueza daquele momento.

E não me esqueço de uma das frases que o Davi disse nesse dia. “Já vi tanta coisa bonita neste mundo, que é difícil me encaixar.” Ele se referia a padrões e cobranças da sociedade, claro, pois é óbvio que estava encaixadíssimo naquele lugar, naquela hora e compartilhando aquele momento comigo e com o Artur.

O peito aperta e é muito triste saber que não vou poder mais desfrutar da companhia desse pentelho querido. Apesar do pouco tempo de amizade, fizemos bastante coisa e ainda foi muito pouco perto dos planos que fazíamos e de tudo o que poderíamos ter feito.

Obrigada por tudo!

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Adeus, sobrinho

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Para sempre no coração.

Um menino alegre e de sorriso fácil. É assim, Gabia, que vou te guardar na memória e no coração.

Nos conhecemos num pedal que acontecia às quartas-feiras e ao qual só fui uma vez. Depois, nem lembro mais como a amizade estreitou. Nos encontrávamos em provas de Audax, fizemos alguns passeios na estrada e na cidade.

Mesmo sendo o nosso querido Iron Baby, você tinha paciência e ia tranquilo ao meu lado em alguns pedais. A conversa fluía e você nem ligava para o meu ritmo “paçoquinha”.

Quando fomos para o Audax 300, em Rio das Ostras, o Marcello falou que você tinha ido direto do colégio para lá. E comentamos: “conhecemos alguém que ainda está no colégio!”. Com as diferenças de idade, ele disse que poderia ser seu pai e aí nascia a família. Em algum momento, você começou a me chamar de tia e adorei o título. Fico lembrando do seu jeitinho me chamando: “ô, tia!”.

Enquanto escrevo estas linhas, os pensamentos se embaralham e fica um nó na garganta. A saudade vai me acompanhar sempre, mas os bons momentos também. Assim como a felicidade por você ter feito parte da minha vida.

Um beijo e um abraço apertado!
Tia Mamede