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400 km em Holambra

Logo depois da largada. Foto: Bike Forever.

Antes da prova, meu estado de espírito podia ser definido em uma palavra: ansiedade. Iria fazer meu primeiro brevet com a recém-comprada light touring, a Francisca Caçarola. Sabia que o percurso não seria nada fácil, mas estava animada.

Comecei a rodar num ritmo tranquilo para não me cansar logo no início. O Shadow me deixou para trás pouco depois da largada, pois ele iria fazer o desafio de fixa e o ritmo seria diferente. Seguindo as recomendações do “The Complete Book of Long Distance Cycling”, fui comendo e bebendo com frequência e logo cheguei ao PC 1.

Lembrando do tempo apertado na última prova, fiz uma parada rápida e voltei para a estrada em companhia do China. Pedalamos juntos por um tempo e depois acabei indo um pouco na frente. A serra começou e segui o lema do Fábio Tux: “só no girinho”. Durante a subida, fiz duas paradas curtas para alongar e aproveitei para jogar um pouco de água na cabeça. Mais adiante, parei também para encher minha caramanhola num dos pontos de apoio da estrada.

Pouco depois de sair da Rodovia Washington Luiz, meu pneu dianteiro furou. Dois ciclistas pararam logo em seguida perguntando se eu precisava de ajuda e ficaram ali batendo papo enquanto eu trocava a câmara. O Gilberto Kyono nos alcançou, parou para encher o meu pneu e me acompanhou no restante do caminho.

Encontramos o Marcello (fixeiro e guerreiro) e seguimos até o PC 2. Lá, encontramos o Tux e o Gabia e fizemos um lanche mais reforçado e uma parada mais longa. Aproveitei para encher o meu pneu com uma bomba de pé e garantir a calibragem certinha.

Pouco antes do PC 3, senti meu joelho direito doer um pouco. A dor não era forte, mas, em alguns momentos, me incomodava. O Giba ficava me animando o tempo todo. No PC, o Silas me ajudou a ajustar o banco – eu tentei, mas faltou força. Deveria ter feito uma refeição mais completa nesta parada, mas fiquei apenas nas frutas e lanchinhos.

Partimos e o joelho foi incomodando cada vez mais. Fizemos uma parada num posto, onde encontramos outros ciclistas. Alonguei e tomei uma coca-cola para espantar um pouco o sono que estava chegando. Pedalamos mais um pouco e, pela primeira vez em todas as minhas pedaladas, tive câimbra.

No PC 4, a dor estava bem mais forte. O Tux me emprestou o spray de Cataflan e o Artur me deu um comprimido para passar a dor. Tentei dormir um pouco e não consegui, tomei o café que o Giba comprou para mim e voltamos para a estrada.

Além de super atencioso, o Giba tem paciência de Jó. Numa mistura de sono e preocupação com o joelho (que não doía mais por causa do remédio), falei várias vezes que iria desistir e, o tempo todo, ele me incentivava. Porém, quando faltavam apenas 10 km para o PC 5, senti que não dava mais para mim e parei num posto de apoio ao usuário da concessionária. Enquanto esperava meu resgate (Shadow, Tati e Bruno), fiquei conversando com os funcionários e tomando café para esquentar o corpo.

Cheguei ao hotel tremendo tanto de frio que parecia estar com febre e, para meu grande azar, a cidade estava sem energia e a única opção de banho era com água fria. O cansaço era tanto que deitei e logo peguei no sono, mas não consegui dormir por muito tempo. Almoçamos e voltamos para São Paulo. Apaguei antes mesmo de sairmos de Holambra e só acordei quando o Bruno saiu da Marginal para pegar a Rebouças.

A dor no joelho

O Audax foi de sábado para domingo. Segunda e terça foram dias normais para mim, sem dor, porém, decidi não pedalar e deixar o corpo descansar. Na quarta, o joelho incomodou um pouco pela manhã. À tarde, ele estava inchado e eu mancava. Quatro médicos, alguns exames de raio-x e uma ressonância magnética depois, o resultado: tendinite quadricipital. Segundo o médico, o motivo foi esforço repetitivo. Realmente, 340 km não são brincadeira, mas o agravante foi o selim baixo que sobrecarregou a articulação.

Fiquei um mês parada antes de ser liberada para pedalar de novo, começando devagar. E para a notícia ficar ainda melhor, o médico disse que posso encarar os 200 km do desafio no final setembro. A série completa fica para 2013.

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300 km em Holambra

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Chegando ao PC 1.

De volta à Holambra e, desta vez, de dobrável. No começo da prova, alguns ciclistas passavam por mim e perguntavam “você está fazendo o desafio, né?”. E se espantavam quando eu respondia que não. Até que um deles perguntou qual prova eu estava fazendo e gostou do que ouviu. “Aí sim!”.

Com o sobe e desce do percurso, eu passava o Shadow nas subidas e ele me deixava para trás nas descidas. Quando chegamos ao PC 3, estava um pouco enjoada e acabei não me alimentando direito. Isso refletiu no caminho e comecei a pedalar mais devagar. No PA, pedi um queijo quente com salada e, com muito esforço, acabei comendo só o pão com alface.

Sentia que precisava muito de um café, mas tinha acabado a água no Frango Assado. Comi duas bananas e seguimos. Uns 10 minutos depois, falei para o Shadow que estava ficando pesado para mim. Sono, enjoo e tempo apertado para terminar. Pensei em desistir, porém ele me animou e seguimos.

Lembrei de um trecho que havia pedalado quando tentei meu primeiro brevet. Paramos para um café e acabamos ficando uns minutos a mais por ali. Logo que saímos, encontramos outro ciclista e seguimos os três.

Pedalamos só um pouco e, no final de uma descida, escutei um barulho vindo do pneu traseiro da Dahon. Paramos para ver e logo encostou um carro da concessionária para perguntar se estava tudo ok. O barulho era causado por um parafuso enorme que entrou no pneu e ficava batendo no paralamas. Estávamos na saída para Limeira, a menos de 20 km do último PC, mas com o tempo curto e o cansaço, decidimos abandonar.

Empurramos a bike até um trecho mais iluminado e seguro, em frente a um posto de atendimento da concessionária para trocar o pneu. O Tadashi, que tinha nos acompanhado até ali, mudou de ideia e disse que iria pedalar até o PC. Expliquei o caminho e ele seguiu.

Fomos resgatados pelo Rogério. Ao mesmo tempo em que fiquei triste por não conseguir concluir o brevet, fiquei feliz por perceber a evolução. Meu primeiro Audax também foi em Holambra e parei nos 160 km. Desta vez, fiz um percurso com mais subidas, pedalando a dobrável (guerreira!), e cheguei a 250 km. Um dia eu completo. :)

De Rio das Ostras a Farol de São Tomé

Farol de São Tomé

Acabei não escrevendo nenhum relato sobre os meus últimos brevets. Embora a memória não seja das melhores, quero deixar algum registro sobre cada prova. Então seguem três posts de uma vez só.

400 km em Rio das Ostras

A prova começou bem e foi tranquila até Quissamã. Logo depois, viria o trecho de 38km até Barra do Furado, que tinha sido a pior parte durante os 300km. Para minha surpresa e alegria, mexeram no asfalto e havia menos buracos. Aproveitei para ouvir um pouco de música e essa parte acabou sendo rápida.

Em Barra do Furado, comi um queijo quente com salada e, enquanto esperava o lanche ficar pronto, chegaram outros ciclistas. Seguimos depois em um grupo com mais de dez pessoas. Isso foi ótimo porque pegamos um trecho completamente escuro e com muitos, muitos buracos! Depois o grupo se dividiu, mas o caminho já estava mais tranquilo.

Faltando pouco para a metade, seguíamos o Shadow, o Nino Coutinho e eu, quando um dos pneus do Nino furou. Pelo menos, estávamos dentro de uma vila e o local era um pouco mais iluminado.

O Shadow estava no começo de uma gripe e com uma bicicleta diferente. Isso refletiu no rendimento e diminuímos um pouco a velocidade. Chegando ao PC em Farol de São Tomé, ele disse que não conseguiria continuar a prova. Como
não conseguimos um carro para ele voltar e ele teria que passar a noite nessa cidade, decidir parar ali também. Dormimos em uma pousadinha e voltamos de ônibus no dia seguinte.