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Audax 300 km em Boituva

Saindo do PC 3 rumo aos 300 km.

Saindo do PC 3 rumo aos 300 km.

Por causa do trabalho, Artur e eu fomos fazer o Brevet 300 km dos organizadores dia 8 de fevereiro, uma semana antes da data oficial.

Largamos às 5h33 do Boituva Apart Hotel com um pouquinho de chuva. O acostamento perto de Boituva estava muito sujo e, pouco depois do nascer do sol, meu pneu furou.

Antes de chegarmos ao PC 1, o Fábio e o Martin, que largaram às 6h e pedalavam num ritmo forte, passaram por nós. Nesse PC, fizemos uma parada de exatamente meia hora, mais tempo do que gostaríamos.

Continuamos o brevet e logo começou a Serra de Botucatu, que tinha pedalado nos 300 km do ano passado e não acho tão ruim. Porém, o vento contra que nos acompanhava deixou a subida bem chatinha.

Passando o pedágio, pegamos a saída para Rodovia Prof. Hipólito Martins, conhecida como Castelinho, sentido Botucatu. O vento contra não nos abandonou e o calor ficava cada vez pior.

Como disse o Artur, a Castelinho poderia se chamar Rondonzinha, pois, embora não seja tão íngreme, tem 20 km de sobe e desce.

Depois de alguns quilômetros na Rondon, a fome foi apertando e o ritmo diminuindo um pouco. Como já sabia que a estrutura do posto do PC 2 não era tão legal para almoçar, decidimos comer antes e paramos num restaurante no topo de uma subida a uns 10 km do ponto de retorno.

Arroz, salada, ovo frito e farofa de milho para mim. Além dessas opções, carne e feijão para o Artur. E um suco de laranja geladinho.

Seguimos bem até o PC 2 e paramos lá por 20 minutos.

A volta pela Rondon foi puxada para mim. O vento, que agora seria a favor, parou completamente. O céu continuava sem uma única nuvem e o relógio do Artur marcava 35°C (temperatura que se manteve igual até as 17h!).

Nossa água estava quase no fim e ainda faltavam uns 7 km até o posto Castelinho, por isso, resolvemos parar num posto policial. Os guardas foram simpáticos e comentaram que o Fábio e o Martin haviam falado sobre nós.

Paramos no posto Castelinho para pegarmos mais água e tomar sorvete para tentar refrescar um pouco. Nos 18 km restantes da rodovia, uma enorme nuvem ajudou a diminuir o calor, mas ela desapareceu assim que voltamos à Rodovia Castello Branco.

Como sou bem cautelosa nas descidas, fiquei contente por chegar à descida da Serra de Botucatu ainda com luz. O acostamento possui um desnível num trecho (o “degrau” mais alto tem asfalto bom) e há um afunilamento quando começa uma das pontes.

Depois da descida, são 13 km até o PC 3. Outra parada de meia hora e voltamos para a estrada. Paramos para fotografar um arco-íris e, ao retomarmos a pedalada, começou uma chuva forte, mas que não durou muito. Embora já não estivesse tão quente, me senti mais animada com a chuva.

O vento contra resolveu reaparecer no final da prova. Durante a última subida (pouco íngreme, mas loooonga), ao passar por uma saída, a rajada foi forte e deu uma boa segurada na bicicleta.

Brevetamos com 17h26.

Algumas considerações
Sofri bastante com o calor, principalmente na volta pela Rondon. Bebi bastante água e gatorade e procurei me alimentar com frequência. Como, às vezes, fico meio enjoada, sachês de carboidrato em gel e sorvete me ajudam bastante.

O tempo pedalado foi de 14h11. Portanto, ficamos 3h15 parados, o que é muita coisa! Isso inclui PCs, paradas para abastecimento de água e diversas paradas para alongamento.

Artur e eu alongamos menos do que deveríamos no dia a dia e isso resulta em musculaturas encurtadas. Além disso, preciso refazer o bike fit da Caçarola, pois, em pedais mais longos, começo a sentir uma dor que irradia da nádega esquerda para o joelho pela parte posterior da coxa. Por isso, precisei parar tanto para alongar nessa prova.

Num brevet, o ideal é não parar muito. Afinal, mesmo com paradas rápidas, quando somamos os minutos, dá bastante tempo. Sempre lembro da recomendação do Herr Richard Dünner, de que é melhor seguir num ritmo mais tranquilo do que achar que vai recuperar o tempo parado pedalando mais forte. Dificilmente, dá certo.

Para quem quiser saber mais sobre os tempos, o Artur organizou nossas anotações sobre as paradas.

Primeira parada alongamento (cerca de 50k) – 4min
Parada furo de pneu (54km) – 10min
Parada PC1 (77,7km) – 30min
Parada para pegar água e alongar (110km) – 8min
Parada para almoçar (137km) – 40min
PC2/água/alongamento/banheiro (152km) – 20min
Parada sombra/água/alongamento/protetor solar (167km) – 10min
Parada alongamento (178km) – 5min
Parada Polícia/água gelada (182km) – 10min
Parada Castelinho (187km) – 15min
PC 3 (226km) – 30min
Paradas diversas no ultimo trecho – 15min

Total de paradas: 3h15
Total pedalado: 14h11
Total: 17h26

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300 km pela primeira vez

Cheia de empolgação na hora da largada.

Terminei tão bem o Audax 200 km, que bateu a empolgação e logo me inscrevi para os 300 km, também em Rio das Ostras. Tive apenas um mês para me preparar.

Fiz pequenas modificações na dobrável. Coloquei bar-ends e firma-pés e prendi o porta-caramanhola na coluna do guidão. O quadro tem furação, mas em descidas ou em pistas irregulares, tenho que tomar cuidado (não dá para soltar completamente os freios nas descidas, por exemplo) para a caramanhola não cair. As ferramentas foram para a roll-bag da Alforjaria, presa no selim.

Nosso ônibus chegou em Rio das Ostras a tempo de vermos o nascer do sol na praia. Depois, fomos para o hotel descansar um pouco. Não havia muito tempo livre, então comemos, participamos da reunião técnica e fomos nos preparar para largar.

Os primeiros 116 km eram exatamente iguais aos que fizemos na prova de 200 km. A memória funcionou bem e não precisei conferir a planilha até Carapebus. Depois de virar na linha do trem, segui a placa para Quissamã e percebi que não me lembrava daquele trecho. Nos 200 km, não prestei muita atenção ao caminho, pois tivemos a Leonor como guia nesse pedaço. Aí o Shadow avisou que o GPS indicava outra rota, mas olhamos no mapa e vimos que, como indicado na reunião técnica, havia as duas possibilidades: seguir pela estrada ou passar pelo centro da cidade.

Em Quissamã, comemos macarrão, bebemos Coca-Cola e logo partimos. O trecho até Barra do Furado é curto, mas bastante escuro. Como o Thiago avisou durante a reunião que havia muitos buracos por ali, pedalamos com mais cautela. Chegamos bem e ficamos conversando um pouco com o pessoal da organização. O Shadow aproveitou para comer um lanche num trailer a poucos metros do PC.

Na volta para Quissamã, pegamos vento contra durante todo o trajeto, mas conseguimos manter o ritmo de 20 km/h. Mesmo sendo um trecho curto, a escuridão, os buracos e o vento davam a sensação de que a estrada não acabava nunca.

Chegamos ao PC 4 (km 191) depois de 10 horas e meia pedaladas e o Shadow fez a comparação com as 12 horas que levamos para completar o Audax 200 km. Nesta parada, comi mais um pouco de macarrão e tomei um gel com cafeína, que me deixou bastante desperta. O Shadow e a Tati descansaram um pouco, mas eu estava agitada demais.

Porém, pouco depois que começamos a pedalar, o sono foi batendo e pedi para pararmos um pouco. Deitei num banco de ponto de ônibus para descansar por uns 15 minutos, mas nada de conseguir dormir. Levantei uns cinco minutos depois e ao chegar perto, acabei acordando os dois. Logo mais, chegou o Ricardo, que eu conheci no Audax anterior e que nos acompanhou até o final.

Continuamos o caminho rumo a Macaé, quando ouvimos um estouro: era o pneu da Tati que rasgou. Ela trocou a câmara e fez um manchão, mas, poucos quilômetros depois, tivemos que parar de novo para outra troca. Nessa hora percebemos a quantidade de insetos por ali. É só parar um pouco para eles começarem a atacar. E não importa se você está usando calça de ciclista ou luva, eles vão encontrar a tua pele. Acho que vou incluir repelente na lista “o que levar no Audax”.

No PC em Macaé, aproveitei para comer bananas, beber bastante água e descansar um pouco, mas não dormi. O sono já tinha passado.

O trecho que mais gostei no outro Audax foi bem chatinho desta vez. Vento contra o tempo todo. Depois de uma parada rápida em Cantagalo, seguimos para os quilômetros finais. Na volta, tínhamos que pegar o mesmo trecho de subidas e descidas da ida. De longe, já víamos a primeira e pior subida ou, como disse a fixeira Beatriz, “a parede”. Terminado o sobe-e-desce, me empolguei nos quilômetros finais e dei uma aceleradinha. Depois da chegada, a frase do Odir fez mais sentido do que nunca: “300 não são 200 mais 100”.

P.S.
Antes das provas, pesquiso vários blogs com dicas e comentários sobre os brevets. As sensações e experiências são diferentes, é claro. Porém, essas informações servem de orientação sobre o que levar, a importância da boa alimentação e hidratação e outras coisas que às vezes nem passam pela cabeça, mas que parecem muito óbvias quando outra pessoa comenta. Por isso, decidi colocar aqui algumas observações desse brevet. Vai que alguém se identifica. ;)

Esta foi a primeira vez que virei a noite pedalando e lutar contra o sono não foi fácil. Já tinha ouvido histórias de pessoas que dormiram enquanto pedalavam e achava isso impossível, mas aprendi que não é. Da próxima vez, vou me programar para tirar um cochilo tranquilo e nunca mais tomo gel com cafeína quando chegar ao PC.

Em relação à comida, todo mundo fala sobre a fome durante e depois do Audax e eu não sei bem o que é isso. Enquanto estou pedalando, por mais que tente seguir a dica de “comer sem sentir fome e beber sem sentir sede”, em alguns momentos fico um pouco enjoada. Na volta, em Quissamã, tive que me forçar para terminar o pratinho de macarrão. Por isso, vou experimentando lanchinhos diferentes para descobrir o que funciona bem para mim. A lista, por enquanto, inclui:

* Hershey’s de paçoca – levo uns três, pelo menos;
* mel – vários daqueles sachês pequenininhos;
* carboidrato em gel – fizeram uma propaganda tão grande sobre o gosto intragável que, quando experimentei, nem achei tão ruim assim;
* Coca-Cola – a dica veio do blog do Odir (http://asbicicletas.wordpress.com) e dá um ânimo incrível.