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Cicloviagem da virada 2017

Admirando a Serra da Beleza

Admirando a vista da Serra da Beleza.

Uma amiga querida, a Vivi, me fez um convite irrecusável para o final de ano: uma cicloviagem só de mulheres. Ela bolou um roteiro bem legal de São João Del Rei a Volta Redonda e mandou um e-mail detalhado com informações de distâncias, altimetrias, hospedagens e estimativa de tempo entre uma cidade e outra.

Embarquei em São Paulo junto com a Fernanda e a Renata com destino a São João Del Rei, onde encontramos a Vivi. O transporte das bikes foi bem tranquilo e o motorista foi bastante atencioso. Não pegamos trânsito e a viagem demorou 8 longas horas. Nessa primeira noite, ficamos no AZ Hostel, no centro histórico. Preço bom e lugar bacana.

De São João Del Rei a Madre de Deus de Minas

Como o café da manhã é oferecido fora do hostel, atrasamos um pouco nossa saída. Pedimos informação para o rapaz na recepção sobre o melhor caminho para sairmos da cidade e logo de cara já lembramos que subida para mineiro é algo bem relativo.

Nós e os caminhões

Vivi ganhou o título de miss simpatia.

Estava com receio dos 13 primeiros quilômetros. Passamos por eles de ônibus no dia anterior e a pista é bem estreita, sem acostamento e com movimento intenso de caminhões. Mas não tivemos qualquer problema. Pelo contrário, numa longa descida, um caminhoneiro até segurou o trânsito para nós.

Primeiro café da viagem

O primeiro café da viagem. Que delícia!

A estrada que vai para Madre de Deus é linda, tranquila e cheia de sobe-desce. Aqui rolou o primeiro café da viagem, sob a convidativa sombra de árvores. Um cara num jipe parou para ver se estava tudo bem e fez uma cara bem engraçada ao perceber que estávamos fazendo café.

Essa estrada é cercada por plantações de milho e não tem abastecimento algum. O calor estava infernal e ao nos depararmos com uma casa no meio do caminho parecia que tínhamos encontrado um oásis. Faltavam poucos quilômetros para a cidade, mas a água geladinha servida pela Mara fez uma diferença enorme.

Em Madre de Deus, almoçamos no restaurante Aconchego Mineiro, da Dalva. Comida simples e saborosa temperada com simpatia. A pousada fica ali perto, depois de uma subida, claro. Tomamos banho e esperamos o sol dar uma trégua antes de darmos uma volta. Não há muito o que fazer por ali, então tomamos um açaí e depois jantamos no mesmo restaurante.

De Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas

Pelo gráfico de altimetria, sabíamos que hoje seria um dia de muito sobe e desce. E também o dia de maior quilometragem de toda a viagem. O que nos deixou mais tranquilas é que havia mais cidadezinhas pelo caminho e água não seria um problema como na véspera.

Água, café, queijo e vinho

Água, gatorade, queijos e vinhos.

Seguimos bem até São Vicente de Minas, onde paramos em uma lojinha para pegar água, gatorade e beliscar algumas comidinhas. Descobrimos que aqui é onde fica a fábrica da Polenghi e havia uma boa oferta de diferentes tipos de queijos. Os vinhos também estavam com preços bons e levamos dois.

Quase chegando a Andrelândia, o filho de uma amiga, a Roberta Godinho, foi nos encontrar na estrada. Depois, seguimos até a cidade, onde almoçamos no Pub House. Logo chegou a mãe da Roberta. “Encontrei as meninas de bicicleta.” E depois a tia, a irmã, filhos e sobrinhos. Muita simpatia e ótima recepção. Eles tiraram tantas fotos nossas que a moça do restaurante perguntou: “vocês são famosas?”.

Quando voltamos para a estrada a Vivi reclamou que a bicicleta estava muito pesada para pedalar. Paramos para olhar e percebemos que as marchas mais leves não estavam entrando. O cabo estava meio molenga no sti e pensei se o cabo poderia estar desfiando. Primeiro tentamos regular o câmbio, mas não rolou. Então, ligamos para nosso consultor especial, o Artur, e esse foi o diagnóstico. Fomos à bicicletaria Planet Bike, em Andrelândia, e o Quelson fez a troca.

Olha a subida

Se não gosta de subida, melhor não ir para Minas.

A próxima parada foi em Arantina para água e, por falta de tempo, não teve café na estrada. As subidas não eram íngremes, mas eram longas e frequentes.

Em Bom Jardim de Minas, fomos direto para o centro procurar um lugar para jantarmos, Logo o dono da pousada onde tínhamos reserva apareceu, preocupado conosco – a mesma coisa aconteceu no dia anterior. Ele nos indicou um atalho já que os Chalés Camará ficam a uns 3km da cidade. Óbvio que nem tudo é fácil e tivemos que encarar a pior subida até então: 14%.

A noite terminou com vinho, céu estrelado, risadas e muita conversa boa.

De Bom Jardim de Minas a Conservatória

Café na varanda do chalé

Café para começar bem o dia.

Tivemos uma manhã bem preguiçosa, com direito a enrolar na cama e fazer café na varanda do chalé. A Vivi é dona do charmoso Musette Café e levou um café bem bom, prensa francesa e hario para preparar café. O café plantado pelo pai da Renata também estava na bagagem e eu levei uma cafeteira italiana.

Cicloviagem da Virada

Que serra mais linda!

Café tomado, fomos para a estrada. O percurso de hoje foi o mais lindo. Começamos num falso plano com vento contra e morros a perder de vista. Ao contrário do que nos falaram, a estrada é tranquila demais e uma delícia para pedalar. Descemos a primeira serra do dia e fiquei para trás, por um misto de receio de descidas íngremes com curvas e paradas parar admirar a paisagem e tirar fotos.

Que calor!

Todo mundo com calor.

Almoçamos em Santa Rita do Jacutinga num restaurante recomendado pela mãe da Vivi e, por causa do calor, enrolamos quase duas horas num café antes de criarmos coragem para encarar a Serra da Beleza.

O tempo começou a virar e o vento contra deu o ar da graça, mas não pegamos chuva. Esta foi a subida mais cansativa, nem tanto pela altimetria, mas pela moleza provocada pelo calor. Faltando uns 2km para o topo, entendi porque ela é chamada de Serra da Beleza: que vista incrível! O lugar é famoso também pelas histórias de ovnis e bastante procurado por ufólogos.

Descemos bem e brindamos o terceiro dia de pedal com cerveja de boteco. Depois, fomos para a casa reservada pela Vivi para a virada, onde fomos muito bem recebidas. Além de decorarem a casa e deixarem um pote com mix de castanhas, nos presentearam com um prosecco.

Relaxamos um pouco antes de tomar banho e dar uma volta pelo centrinho. Não havia muitas opções e acabamos jantando pizza em frente à chamada praça de baixo.

Conservatória

Nosso plano de tomar banho de cachoeira não rolou. A única com acesso fácil, a Cachoeira da Índia, está interditada. Depois do café, a Vivi foi pedalar um pouco para atingir a meta do desafio Rapha 500 do Strava e a Renata foi junto.

Cicloviagem da Virada

Nós e as bikes em Conservatória-RJ.

Almoçamos no restaurante Gema da Roça, que fica na Rodovia Canção do Amor. Um cara que trabalha lá, o Miguel, veio conversar conosco sobre as bikes. Ele falou sobre algumas estradas de terra legais da região, nos deu um mapa dos arredores e se despediu dizendo que iria passar a tarde na Cachoeira do Destino. Fiquei com vontade de vir para cá com a mtb.

Nossa virada foi bem tranquila. Pedimos pizza, brindamos com prosecco e ficamos papeando enquanto a chuva caía forte. Assistimos à queima de fogos da sacada e fomos dormir pouco depois da meia-noite. Definitivamente, um bom começo de ano.

De Conservatória a Volta Redonda

Depois do café, já estava com tudo pronto, mas a saída de hoje foi enrolada. Nos despedimos da simpática família e fomos encarar a Serra da Beleza novamente. No roteiro inicial, iríamos passar por São José do Turvo, mas descobrimos que o caminho até lá é por terra. Com a mudança, pedalamos cerca de 20km a mais.

Descemos tanto na chegada a Conservatória que imaginamos uma subida bem pior do que ela realmente é. Quando chegamos ao topo, até me perguntei: “já acabou?”. Escolhemos um ponto com uma vista incrível e fizemos o último café da viagem, com direito a sequilho para acompanhar.

Os prazeres da descida

Redescobrindo os prazeres da descida na Serra da Beleza.

Encaramos uma longa descida até Santa Isabel do Rio Preto, onde paramos num boteco para comprarmos água. O calor era tanto que acabamos pedindo também uma cerveja. Mal saímos do bar, o pneu da Renata furou e voltamos para trocá-lo.

O restante do caminho foi tranquilo, com poucas subidas, porém, o calor estava insuportável e bateu um pouco de moleza. Fui acompanhando a Fê, que teve uma leve queda de pressão. Em Nossa Senhora do Amparo, mais uma parada rápida para água e isotônico e seguimos para os últimos quilômetros.

Quanto mais perto da cidade, maior a falta de respeito por parte dos motoristas. Tomamos algumas finas, mas, por sorte, não aconteceu nada grave. O desafio final era a ladeira para chegar à casa dos pais da Vivi, que está dividida em três estágios: inclinada, pqp e a subidinha final, que seria ok se não viesse depois da pior parte. Todo mundo empurrou.

Um brinde!

Um brinde para comemorar esses dias fantásticos.

Fomos muito bem recepcionadas pela mãe da Vivi, com uma mesa farta (ela fez moqueca de jaca verde para mim), e pelo Artur, que levou Bauzeras para brindarmos. O restante do dia foi de comilança, piscina e pernas para o ar.

Quando a Vivi fez o convite, eu tinha certeza de que essa viagem seria bem legal. Só não tinha ideia de que seria ainda mais incrível do que eu imaginei. Estradas lindas, companhias especiais, subidas e mais subidas. Fez um danado para a alma!

Quilometragem e altimetria

Dia 1 – São João Del Rei a Madre de Deus de Minas: 59,2km; 994m acumulados
Dia 2 – Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas: 91,9km; 1.648m acumulados
Dia 3 – Bom Jardim de Minas a Conservatória: 75,6km; 863m acumulados
Dia 4 – Dia da virada
Dia 5 – Conservatória a Volta Redonda: 65,4km; 828m acumulados

Tem mais fotos e uns vídeos engraçadinhos aqui.

Superagui 2016

Superagui

Seis bicicletas, alforjes e um carrinho de bebê.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de praia, mas de vez em quando eu vou para acompanhar amigos. Desta vez, o destino foi a Ilha do Superagui e éramos três casais e um bebê de um ano em uma cicloviagem.

Fomos de carro de São Paulo até Cananeia, onde encontramos o pessoal e pegamos o primeiro barco até a Vila no Marujá na Ilha do Cardoso. Esse trecho leva cerca de uma hora. Por garantia, já deixamos a volta combinada.

A primeira parte do pedal foi bastante tranquila. Seguimos por 19 km pela praia com pouco vento contra. No “centrinho” da ilha, nos avisaram que a praia ia até o Bar das Mulheres e lá encontraríamos alguém para nos levar na segunda travessia de barco.

Superagui

Entre uma ilha e outra, travessia de barco.

A surpresa foi nos depararmos com um bar fechado e com jeito de abandonado. Descobrimos depois que ele abre apenas na temporada, ou seja, no verão. Aproveitamos para fazermos um lanchinho e depois fomos até uma das casas ali procurar alguém com barco, o que foi bem fácil. Negociamos a ida e a volta.

O último trecho era pela Praia Deserta, com 20 km de extensão. O vento contra aumentou um pouco e deixou o pedal um pouco mais chatinho. Aqui é uma questão de gosto e achei tedioso pedalar numa reta só. Ainda bem que era uma cicloviagem e as companhias animaram o caminho.

O primeiro dia de viagem terminou numa vila onde estão concentradas as pousadas, campings e restaurantes. A Tricia já havia feito nossa reserva, mas o lugar estava bem tranquilo por causa da baixa temporada.

No segundo dia, ficamos de bobeira por ali. Caminhamos, vimos golfinhos, comemos e descansamos.

Superagui

Rumo à Cananeia.

Com receio de perdermos os barcos, saímos cedo no terceiro dia. O tempo estava a nosso favor e, sem vento contra, chegamos adiantados ao primeiro ponto de encontro.

Outra parada para lanche no Bar das Mulheres e descobrimos um jacaré ali perto. Ainda bem que ele estava quietinho tomando sol e nem ligou para nós.

O pedal seguiu tranquilo pelos quilômetros restantes e chegamos quase duas horas antes do previsto. Esperamos num dos bares da Ilha do Cardoso, comendo besteiras e brindando à viagem.

Quando estava pesquisando o roteiro, descobri que existe uma rota de cicloturismo que passa por ali. Para quem tiver interesse, aqui estão os links:

Circuito Lagamar
Cananeia-Superagu

Outra dica é que viajar em maio foi uma boa escolha, pois não estava tão calor e as pousadas não estavam cheias.

Carnaval 2016

Carnaval 2016

Ah, Minas Gerais.

Neste ano, combinamos uma cicloviagem com um casal de amigos, a Elo e o Silvio, e nossa opção foi o Caminho dos Anjos, que estava na cabeça desde o carnaval do ano passado, quando passamos por algumas plaquinhas.

Saímos sexta à noite de São Paulo rumo a Passa Quatro. Optamos por dormir num hostel, onde deixamos o carro, para começarmos a pedalar cedo no dia seguinte. Só que o plano não deu certo. Com o cansaço de quem foi deitar às 2h da manhã, acabamos dormindo um pouquinho mais e, nos dias seguintes, mantivemos essa tendência de sair quase sempre depois do planejado.

De Passa Quatro a Alagoa

O começo é bem bonito. Subimos um pouco e ficamos admirando a paisagem. Com 10 km, vimos uma placa indicando a Pedra da Mina e, pouco depois, reencontramos um trio de senhoras que estava fazendo o trajeto a pé e saíram antes de nós do hostel.

O trecho entre Itanhandu e Itamonte estava um pouco movimentado, provavelmente por causa do carnaval. Essa parte foi um pouco chata por causa dos carros passando com som alto, mas fizemos uma parada para lanchinho na beira de um rio para compensar.

Itamonte

Subida para Itamonte.

Depois de Itamonte é que o bicho pega com uma longa subida. São cerca de 20 km sempre subindo. Esse trecho é um misto de asfalto e paralelepípedos e quase derretemos com o calor de 38°C. Enquanto subíamos, o céu ficava cada vez mais escuro na direção para onde estávamos indo. Logo começou um chove-e-para e a temperatura foi caindo.

Ao chegarmos ao topo da subida, que fica no Parque Estadual Serra do Papagaio, a chuva resolveu apertar e não parou mais. Seguimos pelo asfalto esburacado em várias partes. Alguns motoristas imprudentes passaram por nós em uma velocidade que indicava descaso com os ciclistas, com a lama escorregadia e com o abismo do lado esquerdo.

Ainda empolgada com a viagem da Patagônia, fui com uma bike touring com guidão drop e freios cantilever. O resultado é que sofri um tanto na descida e tive que parar algumas vezes para alongar os dedos, as mãos e punhos. Faltando menos de dez quilômetros para Alagoa, diminuímos a velocidade para acompanhar uma família que pedalava sem luzes. A mãe ia na frente e o pai seguia com a filha na garupa. Ambas tentavam inutilmente se protegerem da chuva com sombrinhas.

Em Alagoa, nos hospedamos na Pousada Flores da Mantiqueira da fofíssima Guela. Chegamos ensopados e ela gentilmente lavou (!) todas as nossas roupas – pensamos que a oferta era apenas para centrifugar as peças. E ainda ganhamos café e chá quentinhos.

Por indicação dela, jantamos no restaurante Sabor & Arte, do Gustavo. Foi um jantar farto com salada de couve orgânica e comida caseira feita com carinho.

De Alagoa a Aiuruoca

O café da manhã foi uma delícia e óbvio que enrolamos para sair de novo. A estrada começou tranquila e deliciosa para pedalar. Vimos um filhote de cobra coral que se escondeu rapidinho no mato. Encontramos uma família caminhando e um casal de ciclistas também de São Paulo que estavam aproveitando o feriado por ali.

Cangalha

A caminho do Matutu via Cangalha.

Chegando perto de Aiuruoca, há uma bifurcação. A rota oficial do Caminho dos Anjos vai pela direita, mas nós optamos por conhecer a região chamada Cangalha. Além de paisagens lindas, havia muita subida! A descida é por um singletrack bastante técnico e, apesar do garfo rígido, do guidão drop e, principalmente, da minha falta de habilidade, consegui descer alguns trechos pedalando sem problemas.

O singletrack termina no Vale do Matutu, que conhecemos em uma viagem de final de ano. Já que estávamos ali, aproveitamos para almoçar no restaurante da Tia Iraci. Entre pratos fartos, cachaças e cervejas artesanais, decidimos abortar o restante da viagem. A Elo estava sentindo muita dor num dos joelhos e o trecho seguinte até a cachoeira dos Garcias tem subidas bastante puxadas. Então, ficamos um bom tempo aproveitando o espaço do restaurante, que tem um quintal delicioso.

O dia terminou na Estalagem do Mirante. Chegamos no momento em que a chuva apertava e demos sorte, pois ainda havia lugares no quarto destinado aos peregrinos.

De Aiuruoca a Virgínia

Estalagem do Mirante

Estalagem do Mirante.

Já que a viagem de bike havia sido abortada, não nos preocupamos em sair cedo. Depois do café-da-manhã, fomos até um mirante dentro da pousada e ficamos admirando a paisagem e batendo papo.

Aiuruoca

Centro de Aiuruoca.

Pedalamos até o centro de Aiuruoca e aí rolou uma saga para resgatarmos o carro em Passa Quatro e depois as bikes em Aiuruoca. Decidimos dormir no Pesqueiro 13 Lagos em Virgínia, porém, embora tenhamos confirmado a hospedagem com o sr. Mauro, não havia ninguém para nos receber. Fomos parar num hotel recém-inaugurado.

De Virgínia a Marmelópolis

Fuçando no GPS, o Artur sugeriu seguirmos por uma estrada que liga Virgínia a Marmelópolis. Assim, iríamos embora passeando. A sugestão agradou todo mundo, pois a estrada é linda, cercada de árvores e com uma cachoeira enorme em uma de suas curvas. Enquanto subíamos, subíamos e subíamos, eu pensava, preciso voltar aqui para pedalar.

Caminho das Águas

Trilha das Águas, dica do sr. Maeda.

Em Marmelópolis, fomos visitar o fofíssimo senhor Maeda. Ele nos deu a dica do Caminho Trilha das Águas, com direito a mapinha desenhado e xerocado. Saímos pelos fundos da pousada até uma estrada e depois pegamos uma trilha que leva a uma sequência de cachoeiras. A água estava geladíssima, mas depois que acostumamos, não queríamos mais sair dali.

Eu já tinha viajado com a Elo e fiquei muito feliz com as companhias. Rimos muito, comemos bastante, pedalamos um pouco (haha). A parte mais difícil, sem dúvida, foi voltar para São Paulo.

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Patagônia 2015

Patagônia 2015

Nos arredores de Bariloche.

A escolha do segundo destino de férias em 2015 coube ao Artur e não fiquei surpresa quando ele definiu: “vamos para a Patagônia”. Além de uma viagem de bicicleta, o roteiro incluía visitar a família hermana que ele conheceu quando cicloviajou de Santiago a Ushuaia em 2012.

A Felicitas foi nos buscar no aeroporto em Bariloche e fizemos uma surpresa para o Careca, que não fazia ideia da nossa chegada. Antes de partirmos para o Chile, tivemos um dia de descanso e os amigos aproveitaram para colocar um pouco do papo em dia. 

Paso Cardenal Samoré

Com o tempo contado, fomos de ônibus de Bariloche para Puerto Varas para iniciarmos o pedal. A viagem demorada foi compensada pelas belezas do caminho. Primeiro, passamos por uma parte da Rota dos Sete Lagos e depois seguimos para o Paso Cardenal Antonio Samoré. Ao longo da estrada ainda havia bastante neve e ficamos pensando em como seria pedalar por ali.

Puerto Varas – Ensenada (45 km)

Patagônia 2015

Ciclovia ligando Puerto Varas a Ensenada.

O primeiro dia de pedal foi bastante tranquilo: pedalamos por uma ciclovia que liga Puerto Varas a Ensenada e pudemos admirar o vulcão Osorno por praticamente todo o caminho. Chegamos cedo ao nosso destino e nos instalamos no camping Montaña.

A cidade não oferece muitas opções e parte do comércio ainda estava fechada porque a temporada não havia começado. Nesse camping, por exemplo, há um restaurante que só funciona durante o mês de janeiro.

Passamos o resto do dia admirando o vulcão Osorno na beira do Lago Llanquihue e tirando fotos. Preparamos o jantar e, em homenagem ao Tux e ao Davi, que fizeram a primeira parte da viagem com o Artur em 2012, tomamos vinho de caixinha tetra-pak. Um vinho da casa “melhorado”.

Ensenada – Puelo (79 km)

Patagônia 2015

Tchau, Osorno!

Aos poucos, deixamos o Osorno para trás, mas fomos acompanhados por outros picos nevados por um bom trecho. Havia muita água cristalina por todo o caminho, incluindo o Rio Petrohué. 

O almoço foi em Cochamó e, pela primeira vez, estive num restaurante onde não se serve água. A cidade não tem muita estrutura, mas a região é linda e atrai pessoas interessadas em caminhadas. Há alguns roteiros bem legais de trekking por ali e óbvio que eles estão na minha infindável lista de “quero fazer/quero voltar”.

Patagônia 2015

Olá rípio!

A partir de Cochamó, demos adeus ao asfalto e olá ao rípio. Logo na saída, encaramos um trecho com pedras maiores e muito sobe e desce. Embora não fossem longas e tampouco íngremes, as subidas eram frequentes e estávamos cansados quando encerramos o dia. 

Como era de se esperar, Puelo é uma vila pequena. Porém, teve algumas boas surpresas como um hostel novinho, limpo e ajeitado, um mercadinho bacana e wifi gratuito na praça (hehe). 

Puelo – Hornopiren (92 km)

Este foi o tramo mais longo da viagem. O começo foi no asfalto, com uma vista incrível para picos nevados, mas logo vieram o rípio e um sobe e desce pior do que o do dia anterior. As subidas e descidas eram mais íngremes do que na véspera e mais frequentes também.

Patagônia 2015

Entre Puelo e Contao.

Fizemos uma pausa para comer antes de chegarmos a Contao e vi, pela primeira vez, um leão marinho. 

Quando chegamos à vila, compramos água e mais algumas comidinhas antes de continuarmos. Nesse recomeço, encaramos uma subida chatinha e bateu uma preguicinha, mas tínhamos chegado cedo em Contao e achamos que não valia a pena pernoitar ali. De qualquer forma, o pedal rendeu, pois havia um trecho de asfalto no nosso caminho, já que a Carretera está sendo asfaltada aos poucos.

Patagônia 2015

A vista da chegada a Hornopirén encanta.

Na chegada a Hornopiren, passamos pela casa de um casal que nos havia oferecido carona mais cedo. O preço do camping era bom, mas optamos por ficar numa parte mais central. Acabamos hospedados em um hotel bem legal, com bom preço.

Depois de nos instalarmos, fomos atrás das passagens das balsas para Caleta Gonzalo (companhia Transportes Austral). É preciso ficar atento ainda às datas das balsas, pois, dependendo da época, ela não funciona diariamente.

Chegamos pouco antes do horário de fechamento do escritório e levei um tremendo susto quando a moça disse que não tinha mais lugar para embarcarmos no dia seguinte. Por sorte, o responsável pelo lugar apareceu nesse momento e falou: “eles estão de bicicleta. Pode vender as passagens.” Não havia espaço era para automóveis. 

Hornopiren – Caleta Gonzalo

A primeira providência do dia foi buscar as passagens, que ainda não haviam sido pagas. A atendente já tinha encerrado o caixa quando fomos comprá-las na véspera e, por isso, as deixou apenas reservadas.

Antes de embarcarmos, passamos numa vendinha para comprarmos mais comida e aproveitamos para pegar um vinho. Taí algo interessante no Chile, mesmo em mercadinhos safados, dá para encontrar bons vinhos.

Patagônia 2015

Prendendo as bicicletas no caminhão.

Conhecemos um casal do País Basco que estava começando a viagem pela Carretera. Juntos, combinamos com um caminhoneiro para fazer o transporte das nossas bicicletas num trecho de 10km entre Leptepú e Fiordo Largo, enquanto nós seguiríamos em uma van. O pessoal da empresa de transporte pede para que isso seja feito para não haver atraso na partida da segunda balsa.

A estrada não era ruim como falaram e constatamos que chegaríamos a tempo com as bicicletas. Só que teria sido horrível pedalar com a poeira absurda levantada pelos carros e caminhões passando em comboio.

Patagônia 2015

Duas balsas ligam Hornopirén a Caleta Gonzalo.

A segunda balsa é rápida e em cerca de 20 minutos estávamos em Caleta Gonzalo, dentro do Parque Pumalín.

Esse parque foi criado pelo fundador da empresa The North Face, Douglas Tompkins. Depois de uma viagem à região, ele se apaixonou pela Patagônia, começou a comprar terras por ali e criou áreas de preservação. 

Em Caleta Gonzalo há um café, um centro de informações, cabanas e um camping. O centro de informações estava fechado, pois a temporada ainda não havia começado. E essa foi a mesma explicação dada pelo guarda-parque Jorge para não termos encontrado ninguém responsável pelo camping. Simpático, ele disse para aproveitarmos. 

Patagônia 2015

Camping no Parque Pumalín.

A primeira providência foi tomarmos um banho de pia, pois não há chuveiros ali. O restante do dia foi bem tranquilo. Montamos a barraca, organizamos as tralhas, jantamos e ficamos conversando e tomando vinho até o sono chegar.

Caleta Gonzalo – Chaitén (56 km)

Apesar de muitas subidas, a estrada estava ok no começo. Mas é claro que o rípio piorou depois, com bastante cascalho e pedras grandes. 

Patagônia 2015

Estrada que corta o Parque Pumalín.

Cruzar o parque por essa estrada foi incrível. Primeiro, há um trecho de vegetação mais fechada e depois vimos muitas árvores mortas. Deduzimos que era consequência da última erupção do vulcão Chaitén em 2008.

Patagônia 2015

Muita água pelo caminho.

Alguém pelo caminho nos contou que há pouco tempo ocorreu uma enchente por ali e talvez isso explique algumas árvores arrancadas pelas raízes que vimos nas laterais da estrada, além de um pouco de erosão.

Já próximo à cidade, começa um trecho de asfalto que serve como estrada e como pista de pouso. A vista ao chegar à cidade é bem bonita.

Chaitén está retomando as atividades, porém, ainda tem jeito de cidade abandonada em alguns pontos. Tentamos hospedagem num hostel, mas não havia sinal de vida. Por fim, fomos parar numa cabaña com a regalia de uma cozinha e um “vizinho” brasileiro, o Baki, que estava indo de Curitiba para o Ushuaia de moto. 

Chaitén – Villa Santa Lucia

O tempo amanheceu feio e decidimos tentar uma carona. Um casal nos deixou em El Amarillo, uma vila junto ao parque de mesmo nome e continuação do Parque Pumalín. Ali, havia sido recém-inaugurado um mercado bastante ajeitado, com alimentos, artesanato, roupas e diversos equipamentos para camping. Entrei para comprar café, mas nem precisei: a bebida era cortesia. 

Enquanto tentávamos a segunda carona, reencontramos nosso conterrâneo Baki, que teve um contratempo com a moto e voltava para Chaitén. Vimos também um casal de alemães que estava nas balsas conosco e viajava em uma linda Toyota Land Cruiser com um camper. O Artur se apaixonou!

Nossa carona até Villa Santa Lucia foi um rapaz e sua fofíssima mãe. Ela me convidou várias vezes para visitá-la em La Junta e repetia: “A señora o señorita no lo se.”

A estrada estava em obras e alguns trechos estavam bem ruins para passar. Provavelmente, logo virá o asfalto por aqui também. 

Patagônia 2015

Villa Santa Lucia.

Ao desembarcarmos, encontramos alguns cicloturistas subindo a Carretera Austral. Um casal de franceses, um outro francês que eles conheceram no caminho e que começou a viagem no Rio de Janeiro e um inglês com muitas histórias para contar. Era sua terceira viagem pela Patagônia, além de já ter pedalado na África e percorrido a Transamazônica.

O Artur se apaixonou pela bicicleta do inglês Justin, uma George Longstaff feita sob medida e que o acompanha há 15 anos pelas estradas do mundo.

Villa Santa Lucia – Futaleufu (79,8 km)

Estava apreensiva com esse trecho devido à altimetria mais puxada. Porém, o pedal foi bem mais tranquilo do que imaginei. Encaramos tempo nublado, mas sem chuva e pudemos admirar bem o caminho, repleto de montanhas ainda com neve.

Patagônia 2015

Lago Yelcho.

Próximo ao lago Yelcho, um cachorro saiu correndo de sua casa e nos acompanhou por cerca de 10 km. Por sorte, paramos numa casa onde as moradoras conheciam seus donos e se comprometeram a devolvê-lo.

Apesar de pequena, Futalefeu é ajeitada. Chegamos num domingo e praticamente todo o comércio estava fechado, claro. A salvação para os ciclistas esfomeados foi um centro comunitário onde acontecia uma feirinha de artesanato.

O Artur comeu duas fatias de um delicioso tiramissu e eu experimentei o mote com huesillos. No Equador, mote é um tipo de milho muito saboroso, mas, em território chileno, é trigo. Tomei a bebida bem gelada e achei gostosa a princípio, só que ela é tão doce que se tornou enjoativa.

Conversando com a senhora que nos vendeu as bebidas e doces, descobrimos que há muitos brasileiros morando em Futalefeu e, por pouco, não cruzamos com um deles.

A cidade possui muitas opções de hospedagem que só funcionam na temporada. E novembro definitivamente não se encaixa nesse período. Para nossa última noite no Chile, nos hospedamos no hotel Antigua Casona e jantamos na Hosteria Rio Grande. Era tanta comida, que nem dei conta.

Futaleufú – Trevelín (50 km)

Tivemos a manhã mais preguiçosa da viagem e também o melhor café da manhã. O dono do hotel, um italiano que há dois anos trocou Milão por Futaleufú, preparou uma mesa farta e ainda nos deu lanchinhos para a viagem.

Patagônia 2015

Minha primeira fronteira de bicicleta.

Os 10 km até a fronteira foram fáceis: asfalto e descida. E a entrada na Argentina foi ainda mais tranquila do que a saída do Chile. O cara que carimbou nossos passaportes até arriscou um pouco de português e o responsável pela aduana apenas perguntou se as bicicletas eram nossas e nos liberou.

O restante do caminho foi ruim por causa das costelas de vaca. E os últimos 7 km foram piores do que os 33 km anteriores. Não bastasse a estrada piorar, o vento contra apareceu, afinal, tínhamos entrado na Patagônia Argentina.

Trevelín é uma cidade bem fofa de colonização gaulesa e famosa pelas casas de chá. Até queríamos experimentar a cerimônia do chá, mas achamos caro (200 pesos por pessoa) e não queríamos nos entupir de doces. Acabamos jantando numa pizzaria mesmo.

Trevelín – Los Alerces (74 km)

Antes de partir, fomos ao mercado e à padaria abastecer nosso estoque de comida. Infelizmente, não encontrei nenhuma opção de empanada vegetariana.

Patagônia 2015

Chegamos e não havia ninguém na portaria.

Os 35 km até Futalaufquen são asfaltados e, apesar de quatro subidas puxadas bem na sequência, esse trecho rendeu. Fomos até o centro de visitantes do Parque Los Alerces onde conseguimos um mapa com indicações de hospedagem pelo caminho.

Seguimos até o Lago Verde, onde há um camping recém-inaugurado que custava 150 pesos. Só que a mulher que nos deu o preço não tinha mais nenhuma informação sobre a estadia. A outra opção de hospedagem ali era um resort, mas isso estava fora de cogitação. Decidimos voltar e ficamos no camping do Rio Arrayanes, um pouco mais em conta (120 pesos) e com boa estrutura – banho quente, banheiros limpos e uma lojinha de conveniência com comida e itens básicos.

Encerramos o dia de pedal com um jantar caprichado e cervejas artesanais geladas no rio próximo a onde montamos a barraca.

Los Alerces – Cholila (51 km)

Arrumamos tudo e deixamos as bicicletas na entrada do camping para podermos fazer a caminhada do Alerce Solitário e até o mirante para um glaciar. Seguimos a dica de atalho da moça do camping e levamos duas horas e 20 minutos para irmos e voltarmos incluindo o tempo para tirarmos muitas fotos da paisagem incrível.

Patagônia 2015

Em busca do Alerce Solitário.

O pedal até Cholila foi cansativo. Pedras, subidas e calor! Não estava mais acostumada a pedalar com 30˚C. Gostei bastante de conhecer o Parque Los Alerces e, com certeza, é um lugar para voltar e fazer mais caminhadas. 

Este foi o dia de encontrarmos ciclistas seguindo para o sul. Foram dois casais (dois americanos e um sul-africano e uma americana) e um trio não sei de onde. O rapaz sul-africano quis saber se estávamos achando a Argentina muito cara, pois estava inconformado com os preços cobrados.

Patagônia 2015

Uma ótima surpresa em Cholila.

Em Cholila, ficamos no hostel Piuke Mapu. Laura, a dona, é professora de apicultura e seu marido, Dario, escalador e guia de montanha. Eles fazem um trabalho de sustentabilidade com separação do lixo, banheiro seco e “bicimáquinas”, bicicletas feitas por um mexicano que passou por ali e que substituem eletrodomésticos. Há uma bicibomba para bombear água, uma bicimolino para moer grãos e uma bicilicuadora para preparar sucos e vitaminas com vista para as montanhas ao redor da cidade. A bici para lavar roupas foi doada a uma senhora.

Conversamos bastante com o Dario que nos contou sobre o trabalho que tenta realizar com os adolescentes de Cholila. Segundo ele, a população está dividida entre os donos da terra e as pessoas que trabalham para eles. A ideia é dar treinamento aos jovens para que eles possam sair desse esquema e atuarem como guias de turismo. Nossa primeira impressão é de que não havia muito o que conhecer por ali, porém, o Dario nos mostrou que estávamos bastante enganados.

Ele também nos contou a história de Butch Cassidy, o ladrão de bancos que fugiu dos Estados Unidos e se escondeu em Cholila. O policial que deveria prendê-lo chegou à cidade e o encanto foi tanto que comprou terras por ali e mandou avisar que não voltava mais. Butch fugiu para a Bolívia, onde, ao que parece, morreu. Ficamos sabendo dessa história porque Dario produz a cerveja Butch Cassidy e vimos algumas garrafas. Infelizmente, não havia nenhuma em estoque para provarmos.

Jantamos no restaurante/café Rai Mapu, indicado pelo Dario e pela Laura. É um espaço alternativo, meio hippie e bastante politizado. Aproveitamos para experimentar a cerveja Ruta 40, também recomendada pelo nosso anfitrião.

Cholila – El Bolsón (77 km)

O último dia pedalado começou com subidas e essa foi a parte fácil. Logo veio o famoso vento contra patagônico que faz o pedal não render e te tira da estrada com uma facilidade assustadora. 

Seguimos assim até Epuyén, onde paramos numa vendinha da estrada para fazermos um lanchinho. O Artur comprou um salame e eu peguei uma garrafinha de suco de mirtilo. Divino!

Antes de voltarmos para a estrada, ficamos conversando com o dono do lugar, o simpático senhor Roberto. Depois de passar a vida toda em Buenos Aires, ele se aposentou, foi a Epuyén visitar alguns amigos e não saiu mais de lá. Ex-fumante, ele nos disse com lágrimas nos olhos sobre um ataque cardíaco que sofreu: “Eu morri e nasci de novo”. Hoje, ele vive uma vida mais simples e uma de suas maiores alegrias é o contato com os viajantes que param em sua venda ao passar pela Ruta 40.

Nossa segunda trégua do vento foi em uma sorveteria em Hoyo, onde dei continuidade à degustação iniciada em Trevelín. O sorvete de morango frescos da região foi, sem dúvida, o melhor de toda essa viagem. E olha que vieram outros mais famosos depois.

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Enfim, El Bolsón.

Chegando em El Bolsón, fomos abordados pelo dono de um hostel, que nos ofereceu um quarto privativo por preço de camping. Ele e sua esposa queriam porque queriam que ficássemos mais tempo ali e foram nos perguntando sobre o roteiro e o que tínhamos achado da viagem.

Encerramos o dia com um menu degustação de cervejas em um restaurante tradicional indicado pelo dono do hostel. A cerveja de framboesa era incrível!

El Bolsón – Bariloche

Decidimos voltar de ônibus para Bariloche porque há muitos caminhões na estrada e não queríamos encerrar a viagem assim. A parte ruim é ter que pagar uma grana para os motoristas ao embarcar as bicicletas. Eles falam que é taxa da companhia, porém, isso é lorota.

Fomos pedalando da rodoviária até a casa da família hermana e todos ficaram muito felizes com nossa chegada antecipada.

Patagônia 2015

¡Que fiaca!

Os dias seguintes em Bariloche foram bem legais. Conhecemos alguns vizinhos, compramos verduras orgânicas, acompanhamos o Careca quando ele foi vender pão. Até tentei aprender a fazer pão com ele, mas me perdi nas medidas: um pouquinho de fermento, joga umas colheradas de açúcar, vai colocando a farinha, esse tanto de água, sal, sementes e voilá!

Ainda assim, passei bastante tempo na cozinha. Fiz temaki, quibe de batatas com verduras e esfihas, que foram carinhosamente chamadas de “empanadas árabes”. Depois desse dia, definitivamente, quero um forno de barro. As esfihas foram assadas em poucos minutos e ficaram deliciosas!

San Martín de los Andes

Continuando com as visitas, fomos para San Martín de los Andes visitar o Ingo, que trocou a Alemanha pela Argentina, conheceu o Artur e o Davi na viagem de 2012 e que eu já havia encontrado quando ele fez uma escala em São Paulo em 2013.

Embora também seja uma cidade turística, San Martín não tem o mesmo apelo de Bariloche, que tende para um turismo de consumo. Isso já foi suficiente para me encantar muito mais.

Fomos conhecer o Museu La Pastera, um antigo armazém de feno para animais onde Che Guevara passou algumas noites durante a viagem de motocicleta que fez pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado. Depois, ficamos andando pela cidade, até a hora de encontrarmos o Ingo novamente. Voltamos no dia seguinte para Bariloche.

Patagônia 2015

A família hermana.

Antes de voltarmos ao Brasil, ainda fomos conhecer um pouco mais de Bariloche. Acompanhados da Sarita, fomos com o Careca conhecer a Colonia Suiza e a região onde fica o Hotel Llao Llao.

Eu já tinha ouvido isso antes e é impossível não concordar: a Patagônia é apaixonante! E olha que visitei só um pedacinho. Com tantas opções para conhecer e explorar, 20 dias servem apenas para deixar um gostinho de quero mais.

Para quem quiser ver mais fotos, clique aqui.

Escalando pela primeira vez

Pedra do Elefante

Pedra do Elefante

Fazia tempo que tentava colocar em prática o plano de um climbing day. A sugestão foi do Davi e conseguimos marcar uma data logo que o Artur e eu voltamos dos Estados Unidos.

Fomos para Hortolândia num domingo cedo para aproveitar o dia papeando, cozinhando e bebericando vinho. Sempre muito bom!

Na segunda-feira, partimos cedo para Andradas. Passamos num mercado para comprarmos comida e seguimos para o Abrigo do Pântano, onde deixamos nossas coisas e fizemos um lanche.

Pedra do Pântano

Como nunca tinha feito nada de escalada, eu era, claro, a café-com-leite do trio. Então, o Davi guiava, eu subia em seguida, rapelava antes dele e o Artur ia por último e desmontava tudo. Fizemos isso duas vezes numa via que não sei o nome no campo escola.

Pedra do Pântano

Pedra do Pântano

Tirando uma saidinha um pouco chata, a via era fácil e subi sem dificuldade. Porém, fiz feio no rapel. Desci devagar e fazendo paradinhas ao invés de “caminhar” de costas com passos contínuos. Como pata que sou, nas duas descidas, me desequilibrei e acabei batendo os cotovelos, ganhando um hematoma no esquerdo e um ralado no direito, mas nada demais.

Mugido da Vaca Louca

Escalando a Mugido da Vaca Louca. Foto: Davi Marski.

Depois, passamos para a primeira enfiada da Mugido da Vaca Louca. Achei essa parte tranquila e fui rápida na subida e na descida. Quando cheguei embaixo, o Davi comentou: “viu aquela plantinha lá em cima, no final da fenda? Lá mora uma caranguejeira”. Ui! Ainda bem que ela não quis ter contato comigo.

O Davi achou melhor não abusarmos muito no primeiro dia para não acordarmos muito quebrados depois. Guardamos as tralhas e fomos ver o pôr-do-sol na Pedra da Cruz. Sentados ali, vimos quatro tucanos voando para lá e para cá e ficamos divagando sobre o valor daquele momento. “Não precisamos de muito nessa vida!”

Logo que escureceu, voltamos para o abrigo. Tomamos banho, o Artur preparou o jantar, bebemos vinho e ficamos batendo papo com a fofa da Nice, que toma conta do abrigo. Antes das 22h, entramos no clima do interior e fomos deitar cedo.

Pedra do Elefante

Queríamos evitar o calor na rocha e, por isso, aproveitamos para dormir um pouco mais. Levantamos, tomamos café da manhã e arrumamos nossas coisas com calma. Almoçamos uma comida deliciosa em Ibitiúra de Minas e ainda ficamos enrolando um pouco na pracinha da cidade.

Deixamos o carro num canto onde não iria atrapalhar e começamos a caminhada. Apesar do vento, o calor era demais e fizemos paradas sempre que surgia uma sombra.

Davi e Artur

Davi e Artur na Pedra do Elefante.

Escalamos a via Nois que Face em duas enfiadas e chegamos ao cume pela via do Jacaré. Subi a primeira via numa boa, mas dei uma travada na do Jacaré. Não encontrava agarras que me deixassem confiante o suficiente e, por alguns instantes, bateu um medinho. Aí, parei, respirei fundo, aproveitei a segurança que tinha com o Davi retesando a corda e terminei a via.

Chegamos ao cume a tempo de vermos o sol se pôr. Nessa hora, senti uma felicidade imensa. Estava feliz por termos chegado ali da maneira como chegamos, por estar vivendo aquilo e mais ainda por estar compartilhando o momento com pessoas queridas.

Para o jantar, tivemos lasanha de panela de abobrinha e espinafre. Além de saciar a fome, a lasanha ajudou a nos aquecer.

Bivaque na Pedra do Elefante

Bom dia na Pedra do Elefante. Foto: Artur Vieira.

O meu primeiro bivaque foi marcado pela super lua. Estava tudo tão iluminado, que quase nem usamos as lanternas. Embora, em alguns momentos eu quisesse “apagar a luz”, gostei bastante.

E foi uma noite de muito vento. Procuramos um lugar um pouco mais abrigado, porém, não adiantou muito. Então, prendemos tudo direitinho para que nada saísse voando e nos enfiamos nos sacos de dormir para tentar abafar um pouco o barulho. Mesmo tendo despertado algumas vezes durante a noite, dormi e acordei bem.

Levantamos cedo, tomamos um pouco de café, guardamos tudo e fomos rapelar. Definitivamente, ainda vai levar um tempo para eu me sentir confortável no rapel. Desci devagar e xinguei um pouco o vento que resolveu soprar mais forte bem nessa hora. Fizemos a descida em quatro rapéis.

A caminhada até o carro foi rápida e logo estávamos a caminho de Andradas. Antes de seguirmos para Hortolândia, paramos na Cooperativa Agropecuária Regional de Andradas para o Davi comprar café em grão.

Sr. Aires selecionando cafés

Sr. Aires tirando a espuma para selecionar os cafés.

O atendimento foi ótimo e ainda ficamos conversando com o sr. Aires, que estava selecionando os grãos de diversos produtores da região. Sob a orientação dele, sentimos o aroma de duas amostras para percebermos a diferença entre um café de excelente qualidade e outro muito ruim.

Gostei muito das experiências e, principalmente, das companhias nesses dias. Cada vez mais, sinto que não precisamos de muito para sermos felizes.

P.S.: além de uma pessoa queridíssima, o Davi Marski é um excelente guia de montanha com um conhecimento incrível. Para saber sobre cursos e expedições, entre no site dele.

Lasanha da Mamede

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Aspargos verdes! Foto: Artur Vieira.

Comecei a cozinhar quando virei vegetariana, porém demorei para realmente pegar gosto pela coisa. Só que de uns tempos para cá, tenho me empolgado bastante quando vou testar uma receita nova ou colocar em prática uma ideia gastronômica.

Fico ainda mais animada quando esses momentos são compartilhados. Normalmente, somos apenas eu e o Artur, mas, de vez em quando, família e amigos fazem companhia. Cozinhar sem pressa, batendo papo com pessoas queridas e bebericando um vinho é uma das coisas que mais gosto de fazer.

E, por ser algo tão bom de compartilhar, nada melhor do que colocar uma receita para ser feita e saboreada com pessoas que gostamos.

Aspargos, tomates e cogumelos

Com um maço de aspargos verdes na geladeira, lembrei de uma receita de lasanha do Jamie Oliver e resolvi testá-la. Ficou boa, o Artur e o pai dele aprovaram, mas eu já comecei a pensar em algumas adaptações.

Picadinho

Preparando o recheio. Foto: Artur Vieira.

Alguns dias depois, comprei aspargos de novo e acrescentei tomates e cogumelos à lista de ingredientes. Para mim, era o que faltava! O primeiro a experimentar foi o Artur, claro! Depois, preparei a lasanha para a Cintia e o Davi, para a Tati e o Bruno e para a Cris, cuja formação é em Gastronomia, e o Marcelo.

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Cozinhando com amigos. Foto: Artur Vieira.

Um dia, a Cintia me ligou para pedir a receita. Como não tinha anotada, sugeri que ela procurasse na internet a receita do Jamie Oliver para servir como base e ela respondeu: “mas essa não é mais a lasanha do Jamie Oliver. Agora é a lasanha da Mamede”.

Receita
– alho
– 1 maço de aspargos
– 2 bandejas de cogumelos frescos
– 2 ou 3 tomates
– 400g cream cheese
– 300ml de caldo de legumes (ou de cogumelos)
– 500g de queijo cottage
– 1 pacote de massa fresca de lasanha
– queijo parmesão ralado
– tomilho (fresco, de preferência)

Pique os tomates e cogumelos em cubinhos. Corte e reserve as pontas dos aspargos. Depois de descartar as pontas brancas, pique em rodelas.

Refogue o alho picado, acrescente as rodelas de aspargos, os cogumelos e depois os tomates. Jogue um pouco de água e deixe cozinhar. Coloque um pouco de sal e pimenta. Adicione o cream cheese.

Se quiser, amasse um pouco para dar mais textura ao recheio. Acrescente o caldo de legumes e deixe ferver. Em seguida, adicione metade do queijo cottage. Mexa bem e deixe cozinhar mais um pouco.

Para a montagem, coloque uma camada do recheio, uma de queijo parmesão ralado e outra de massa. Termine com uma camada de massa. Misture o restante do queijo cottage com um pouco de água quente e jogue sobre a lasanha.

Lambuze com azeite as pontas dos aspargos que estavam reservadas e coloque sobre a lasanha. Salpique com tomilho, mais queijo ralado e um fio de azeite.

Asse em forno pré-aquecido.

Bom apetite!

Circuito do Machu Veiu

Circuito do Machu Veiu com amigos.

Circuito do Machu Veiu com amigos.

Enquanto eu estava em férias, o Artur e uns amigos foram fazer o Pedal do Machu Veiu e falaram que foi super divertido. Por isso, resolvemos marcar de pedalarmos juntos por ali.

Combinamos de sair cedo no domingo (12 de janeiro), então Artur e eu fomos no sábado para Hortolândia e ficamos na casa da Cintia e do Davi. A Tati e o Bruno se juntaram a nós no domingo pela manhã.

O circuito é tranquilo, com poucas subidas. Porém, encaramos alguns trechos com muita areia que exigia cuidado ao pedalar. Tentávamos seguir devagar e sempre porque, se parássemos, ficava difícil retomar a pedalada.

Cintia e eu "firmes" na areia.

Cintia e eu “firmes” na areia.

Saímos de Hortolândia, pela zona rural, e fomos até a vizinha Sumaré, passando pelo Horto Florestal e nos aproximando de Monte Mor.

O pedal foi divertido, ainda mais com as boas companhias. Porém, o ponto alto foi o bar do Machu Veiu. Imagine um bar com estacionamento para cavalos e charretes e paredes decoradas com pôsteres do Iron Maiden, Metallica, AC/DC!

E ainda fomos no dia em que rolou karaokê. O povo não era lá muito afinado, mas as músicas escolhidas renderam boas risadas. Fiquei surpresa por ainda lembrar várias letras. Ah, meus tempos de criança no interiorrr.

As porções de batata e mandioca fritas eram enormes e as melhores que já comi. A cerveja estava bem gelada e os copos tinham uma generosa camada de sal nas bordas, perfeita para repor o que foi perdido com a transpiração.

Depois da comilança, encaramos um pouco mais de calor na volta para Hortolândia. Ainda bem que já estávamos pertinho.

Se alguém quiser conhecer o circuito, o Davi, gente finíssima e guia experiente, promove esse pedal. Vale também uma xeretada no site dele para conhecer outras expedições que ele organiza.

Davi me apresentando o Machu Veiu.

Davi me apresentando o Machu Veiu.

Fotos do Artur.