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Cicloviagem da virada 2017

Admirando a Serra da Beleza

Admirando a vista da Serra da Beleza.

Uma amiga querida, a Vivi, me fez um convite irrecusável para o final de ano: uma cicloviagem só de mulheres. Ela bolou um roteiro bem legal de São João Del Rei a Volta Redonda e mandou um e-mail detalhado com informações de distâncias, altimetrias, hospedagens e estimativa de tempo entre uma cidade e outra.

Embarquei em São Paulo junto com a Fernanda e a Renata com destino a São João Del Rei, onde encontramos a Vivi. O transporte das bikes foi bem tranquilo e o motorista foi bastante atencioso. Não pegamos trânsito e a viagem demorou 8 longas horas. Nessa primeira noite, ficamos no AZ Hostel, no centro histórico. Preço bom e lugar bacana.

De São João Del Rei a Madre de Deus de Minas

Como o café da manhã é oferecido fora do hostel, atrasamos um pouco nossa saída. Pedimos informação para o rapaz na recepção sobre o melhor caminho para sairmos da cidade e logo de cara já lembramos que subida para mineiro é algo bem relativo.

Nós e os caminhões

Vivi ganhou o título de miss simpatia.

Estava com receio dos 13 primeiros quilômetros. Passamos por eles de ônibus no dia anterior e a pista é bem estreita, sem acostamento e com movimento intenso de caminhões. Mas não tivemos qualquer problema. Pelo contrário, numa longa descida, um caminhoneiro até segurou o trânsito para nós.

Primeiro café da viagem

O primeiro café da viagem. Que delícia!

A estrada que vai para Madre de Deus é linda, tranquila e cheia de sobe-desce. Aqui rolou o primeiro café da viagem, sob a convidativa sombra de árvores. Um cara num jipe parou para ver se estava tudo bem e fez uma cara bem engraçada ao perceber que estávamos fazendo café.

Essa estrada é cercada por plantações de milho e não tem abastecimento algum. O calor estava infernal e ao nos depararmos com uma casa no meio do caminho parecia que tínhamos encontrado um oásis. Faltavam poucos quilômetros para a cidade, mas a água geladinha servida pela Mara fez uma diferença enorme.

Em Madre de Deus, almoçamos no restaurante Aconchego Mineiro, da Dalva. Comida simples e saborosa temperada com simpatia. A pousada fica ali perto, depois de uma subida, claro. Tomamos banho e esperamos o sol dar uma trégua antes de darmos uma volta. Não há muito o que fazer por ali, então tomamos um açaí e depois jantamos no mesmo restaurante.

De Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas

Pelo gráfico de altimetria, sabíamos que hoje seria um dia de muito sobe e desce. E também o dia de maior quilometragem de toda a viagem. O que nos deixou mais tranquilas é que havia mais cidadezinhas pelo caminho e água não seria um problema como na véspera.

Água, café, queijo e vinho

Água, gatorade, queijos e vinhos.

Seguimos bem até São Vicente de Minas, onde paramos em uma lojinha para pegar água, gatorade e beliscar algumas comidinhas. Descobrimos que aqui é onde fica a fábrica da Polenghi e havia uma boa oferta de diferentes tipos de queijos. Os vinhos também estavam com preços bons e levamos dois.

Quase chegando a Andrelândia, o filho de uma amiga, a Roberta Godinho, foi nos encontrar na estrada. Depois, seguimos até a cidade, onde almoçamos no Pub House. Logo chegou a mãe da Roberta. “Encontrei as meninas de bicicleta.” E depois a tia, a irmã, filhos e sobrinhos. Muita simpatia e ótima recepção. Eles tiraram tantas fotos nossas que a moça do restaurante perguntou: “vocês são famosas?”.

Quando voltamos para a estrada a Vivi reclamou que a bicicleta estava muito pesada para pedalar. Paramos para olhar e percebemos que as marchas mais leves não estavam entrando. O cabo estava meio molenga no sti e pensei se o cabo poderia estar desfiando. Primeiro tentamos regular o câmbio, mas não rolou. Então, ligamos para nosso consultor especial, o Artur, e esse foi o diagnóstico. Fomos à bicicletaria Planet Bike, em Andrelândia, e o Quelson fez a troca.

Olha a subida

Se não gosta de subida, melhor não ir para Minas.

A próxima parada foi em Arantina para água e, por falta de tempo, não teve café na estrada. As subidas não eram íngremes, mas eram longas e frequentes.

Em Bom Jardim de Minas, fomos direto para o centro procurar um lugar para jantarmos, Logo o dono da pousada onde tínhamos reserva apareceu, preocupado conosco – a mesma coisa aconteceu no dia anterior. Ele nos indicou um atalho já que os Chalés Camará ficam a uns 3km da cidade. Óbvio que nem tudo é fácil e tivemos que encarar a pior subida até então: 14%.

A noite terminou com vinho, céu estrelado, risadas e muita conversa boa.

De Bom Jardim de Minas a Conservatória

Café na varanda do chalé

Café para começar bem o dia.

Tivemos uma manhã bem preguiçosa, com direito a enrolar na cama e fazer café na varanda do chalé. A Vivi é dona do charmoso Musette Café e levou um café bem bom, prensa francesa e hario para preparar café. O café plantado pelo pai da Renata também estava na bagagem e eu levei uma cafeteira italiana.

Cicloviagem da Virada

Que serra mais linda!

Café tomado, fomos para a estrada. O percurso de hoje foi o mais lindo. Começamos num falso plano com vento contra e morros a perder de vista. Ao contrário do que nos falaram, a estrada é tranquila demais e uma delícia para pedalar. Descemos a primeira serra do dia e fiquei para trás, por um misto de receio de descidas íngremes com curvas e paradas parar admirar a paisagem e tirar fotos.

Que calor!

Todo mundo com calor.

Almoçamos em Santa Rita do Jacutinga num restaurante recomendado pela mãe da Vivi e, por causa do calor, enrolamos quase duas horas num café antes de criarmos coragem para encarar a Serra da Beleza.

O tempo começou a virar e o vento contra deu o ar da graça, mas não pegamos chuva. Esta foi a subida mais cansativa, nem tanto pela altimetria, mas pela moleza provocada pelo calor. Faltando uns 2km para o topo, entendi porque ela é chamada de Serra da Beleza: que vista incrível! O lugar é famoso também pelas histórias de ovnis e bastante procurado por ufólogos.

Descemos bem e brindamos o terceiro dia de pedal com cerveja de boteco. Depois, fomos para a casa reservada pela Vivi para a virada, onde fomos muito bem recebidas. Além de decorarem a casa e deixarem um pote com mix de castanhas, nos presentearam com um prosecco.

Relaxamos um pouco antes de tomar banho e dar uma volta pelo centrinho. Não havia muitas opções e acabamos jantando pizza em frente à chamada praça de baixo.

Conservatória

Nosso plano de tomar banho de cachoeira não rolou. A única com acesso fácil, a Cachoeira da Índia, está interditada. Depois do café, a Vivi foi pedalar um pouco para atingir a meta do desafio Rapha 500 do Strava e a Renata foi junto.

Cicloviagem da Virada

Nós e as bikes em Conservatória-RJ.

Almoçamos no restaurante Gema da Roça, que fica na Rodovia Canção do Amor. Um cara que trabalha lá, o Miguel, veio conversar conosco sobre as bikes. Ele falou sobre algumas estradas de terra legais da região, nos deu um mapa dos arredores e se despediu dizendo que iria passar a tarde na Cachoeira do Destino. Fiquei com vontade de vir para cá com a mtb.

Nossa virada foi bem tranquila. Pedimos pizza, brindamos com prosecco e ficamos papeando enquanto a chuva caía forte. Assistimos à queima de fogos da sacada e fomos dormir pouco depois da meia-noite. Definitivamente, um bom começo de ano.

De Conservatória a Volta Redonda

Depois do café, já estava com tudo pronto, mas a saída de hoje foi enrolada. Nos despedimos da simpática família e fomos encarar a Serra da Beleza novamente. No roteiro inicial, iríamos passar por São José do Turvo, mas descobrimos que o caminho até lá é por terra. Com a mudança, pedalamos cerca de 20km a mais.

Descemos tanto na chegada a Conservatória que imaginamos uma subida bem pior do que ela realmente é. Quando chegamos ao topo, até me perguntei: “já acabou?”. Escolhemos um ponto com uma vista incrível e fizemos o último café da viagem, com direito a sequilho para acompanhar.

Os prazeres da descida

Redescobrindo os prazeres da descida na Serra da Beleza.

Encaramos uma longa descida até Santa Isabel do Rio Preto, onde paramos num boteco para comprarmos água. O calor era tanto que acabamos pedindo também uma cerveja. Mal saímos do bar, o pneu da Renata furou e voltamos para trocá-lo.

O restante do caminho foi tranquilo, com poucas subidas, porém, o calor estava insuportável e bateu um pouco de moleza. Fui acompanhando a Fê, que teve uma leve queda de pressão. Em Nossa Senhora do Amparo, mais uma parada rápida para água e isotônico e seguimos para os últimos quilômetros.

Quanto mais perto da cidade, maior a falta de respeito por parte dos motoristas. Tomamos algumas finas, mas, por sorte, não aconteceu nada grave. O desafio final era a ladeira para chegar à casa dos pais da Vivi, que está dividida em três estágios: inclinada, pqp e a subidinha final, que seria ok se não viesse depois da pior parte. Todo mundo empurrou.

Um brinde!

Um brinde para comemorar esses dias fantásticos.

Fomos muito bem recepcionadas pela mãe da Vivi, com uma mesa farta (ela fez moqueca de jaca verde para mim), e pelo Artur, que levou Bauzeras para brindarmos. O restante do dia foi de comilança, piscina e pernas para o ar.

Quando a Vivi fez o convite, eu tinha certeza de que essa viagem seria bem legal. Só não tinha ideia de que seria ainda mais incrível do que eu imaginei. Estradas lindas, companhias especiais, subidas e mais subidas. Fez um danado para a alma!

Quilometragem e altimetria

Dia 1 – São João Del Rei a Madre de Deus de Minas: 59,2km; 994m acumulados
Dia 2 – Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas: 91,9km; 1.648m acumulados
Dia 3 – Bom Jardim de Minas a Conservatória: 75,6km; 863m acumulados
Dia 4 – Dia da virada
Dia 5 – Conservatória a Volta Redonda: 65,4km; 828m acumulados

Tem mais fotos e uns vídeos engraçadinhos aqui.

Minha primeira cicloviagem solo

De Itanhandu para Resende

Em abril de 2015, decidi que iria fazer uma viagem de bicicleta sozinha num final de semana. Abri o Google Maps e o Ride with GPS e fui olhando estradas e pensando nas possibilidades. Para facilitar a logística, escolhi cidades com boas opções de ônibus de e para São Paulo como pontos de partida e de chegada. E, entre elas, optei pelas estradas menos movimentadas.

Por vários motivos, a viagem aconteceu apenas em maio de 2016. O dia amanheceu chuvoso e foi assim até minha chegada a Itanhandu. Enquanto pegava água na vendinha da rodoviária, a chuva foi diminuindo e parou de vez assim que comecei a pedalar. Um bom sinal!

De Itanhandu a Alagoa

De Itanhandu para Resende

Peguei um trechinho da Estrada Real que liga Itanhandu a Itamonte e foram 10 km de bastante lama. A estrada estava escorregadia em algumas partes e fui com cautela, principalmente, nas descidas.

A estrada de Itamonte para Alagoa faz parte do Caminho dos Anjos com uma longa subida de 20 km. Como eu sabia o que me aguardava a partir dali, aproveitei para comer um pouco num boteco na cidade.

Nessa saída de Itamonte, já num bairro mais afastado, uma senhora abanou a mão para mim super animada e gritou: "vamos chegar prum cafezim". Por essas e outras que amo viajar por Minas.

De Itanhandu para Resende

A primeira parte da subida é asfaltada e foi bem mais tranquila de pedalar do que no Carnaval graças ao tempo ameno e às marchas mais leves. Parei no mesmo boteco da outra viagem para comprar água antes de encarar o segundo trecho, que é de paralelepípedos e mais íngreme.

De Itanhandu para Resende

Fiquei bem feliz por chegar ao topo sem sinal de chuva. Para descer, escolhi o caminho à esquerda e fui por dentro do Parque Estadual Serra do Papagaio. A estrada é bem bonita, porém, como iria escurecer logo, não parei para tirar fotos.

Pouco antes de encontrar o asfalto novamente, há uma bifurcação e fui pelo caminho da esquerda, pois queria passar em frente à Pousada Casarão (minha primeira opção de hospedagem quando estava planejando o roteiro). Os últimos 10 km foram no asfalto e sem iluminação.

Em Alagoa, fui direto para a Pousada Flores da Mantiqueira, onde a Guela me esperava. Infelizmente, o restaurante do Gustavo estava fechado, mas ela encomendou meu jantar enquanto eu tomava banho. Um senhor que estava na pousada me reconheceu da estrada. Ele passou de moto e me cumprimentou perto da outra pousada.

De Alagoa a Penedo

Enrolei um pouquinho na cama quentinha e saí às 8h30 da pousada depois de um bom café. O começou foi tranquilo e as primeiras subidas foram suaves, com muitas árvores sombreando o caminho e o barulho constante de água.

De Itanhandu para Resende

No meio da primeira subida mais longa, fiquei pensando se poderia ser a primeira serra do dia, mas depois não tive a menor dúvida quando ela realmente começou. Na descida, fui ultrapassada por uma caminhonete que encontrei logo depois parada em frente a uma casa. Conversei um pouco com dois senhores e segui.

A descida ficou pior: mais íngreme, esburacada e com pedras soltas. Levei um tombo besta por estar devagar demais e não conseguir desclipar a tempo. Nada grave.

De Itanhandu para Resende

Em Santo Antônio do Rio Grande, parei num mercadinho para comer e beber algo. Esse distrito de Bocaina de Minas é uma graça e depois descobri que há muitas cachoeiras legais por ali, então, vale a pena voltar.

São apenas 10 km até Mirantão, outro distrito de Bocaina de Minas. Só que tem uma serrinha no meio do caminho. Parei num trailer de lanches para tomar uma coca e depois continuei rumo a Visconde de Mauá.

Esse trecho é predominantemente plano e com algumas descidas. A estrada vai margeando o Rio Preto e ao poucos surgem casas, sítios e pousadas pelo caminho. Pouco antes de começar o asfalto, as subidas recomeçaram com muitas pedras e buracos. Acho que alguns motoristas não gostaram muito de serem ultrapassados por mim nessa parte.

De Itanhandu para Resende

A terra acaba na estrada que liga Visconde de Mauá à Maringá. Há uma subidinha curta até Visconde de Mauá, depois são 3 km até o topo da Serra da Pedra Selada e, por fim, uma longa descida. Apesar da estrada ser linda, foi um pouco chato descer com os carros. Não há acostamento e nem sempre eles reduzem a velocidade ou tomam distância na hora da ultrapassagem.

Cheguei uma hora antes do que havia programado e fui direto para uma pousadinha já reservada. A noite terminou com pizza e cerveja.

De Penedo a Resende

De Itanhandu para Resende

Nem tudo são flores e, para voltar para São Paulo, tiver que encarar quase 13 km na Dutra para chegar à rodoviária de Resende. Deixei para comprar a passagem na hora e dancei, pois o primeiro ônibus já estava lotado.

Essa viagem é uma boa opção para um final de semana, seguindo direto para Resende para pegar o ônibus. Fiz em três dias, pois queria conhecer Penedo por causa da colonização finlandesa. Pena que não encontrei muita coisa além de lojinhas de souvenirs.

Bikepacking e rota

Como a altimetria é puxada, quis viajar leve. Dormi em pousadas e viajei apenas com uma roupa para pedalar, uma roupa de "civil", uma necessaire pequena e um par de chinelos. Ao invés de alforje, optei por acomodar minhas tralhas na bolsa Marimbondo, de bikepacking.

1º dia: 52,5 km com + 1.349m
2º dia: 78,7 km com + 1.716m

Itanhandu-Resende

A rota está disponível no Ride with GPS.

Superagui 2016

Superagui

Seis bicicletas, alforjes e um carrinho de bebê.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de praia, mas de vez em quando eu vou para acompanhar amigos. Desta vez, o destino foi a Ilha do Superagui e éramos três casais e um bebê de um ano em uma cicloviagem.

Fomos de carro de São Paulo até Cananeia, onde encontramos o pessoal e pegamos o primeiro barco até a Vila no Marujá na Ilha do Cardoso. Esse trecho leva cerca de uma hora. Por garantia, já deixamos a volta combinada.

A primeira parte do pedal foi bastante tranquila. Seguimos por 19 km pela praia com pouco vento contra. No “centrinho” da ilha, nos avisaram que a praia ia até o Bar das Mulheres e lá encontraríamos alguém para nos levar na segunda travessia de barco.

Superagui

Entre uma ilha e outra, travessia de barco.

A surpresa foi nos depararmos com um bar fechado e com jeito de abandonado. Descobrimos depois que ele abre apenas na temporada, ou seja, no verão. Aproveitamos para fazermos um lanchinho e depois fomos até uma das casas ali procurar alguém com barco, o que foi bem fácil. Negociamos a ida e a volta.

O último trecho era pela Praia Deserta, com 20 km de extensão. O vento contra aumentou um pouco e deixou o pedal um pouco mais chatinho. Aqui é uma questão de gosto e achei tedioso pedalar numa reta só. Ainda bem que era uma cicloviagem e as companhias animaram o caminho.

O primeiro dia de viagem terminou numa vila onde estão concentradas as pousadas, campings e restaurantes. A Tricia já havia feito nossa reserva, mas o lugar estava bem tranquilo por causa da baixa temporada.

No segundo dia, ficamos de bobeira por ali. Caminhamos, vimos golfinhos, comemos e descansamos.

Superagui

Rumo à Cananeia.

Com receio de perdermos os barcos, saímos cedo no terceiro dia. O tempo estava a nosso favor e, sem vento contra, chegamos adiantados ao primeiro ponto de encontro.

Outra parada para lanche no Bar das Mulheres e descobrimos um jacaré ali perto. Ainda bem que ele estava quietinho tomando sol e nem ligou para nós.

O pedal seguiu tranquilo pelos quilômetros restantes e chegamos quase duas horas antes do previsto. Esperamos num dos bares da Ilha do Cardoso, comendo besteiras e brindando à viagem.

Quando estava pesquisando o roteiro, descobri que existe uma rota de cicloturismo que passa por ali. Para quem tiver interesse, aqui estão os links:

Circuito Lagamar
Cananeia-Superagu

Outra dica é que viajar em maio foi uma boa escolha, pois não estava tão calor e as pousadas não estavam cheias.

Carnaval 2016

Carnaval 2016

Ah, Minas Gerais.

Neste ano, combinamos uma cicloviagem com um casal de amigos, a Elo e o Silvio, e nossa opção foi o Caminho dos Anjos, que estava na cabeça desde o carnaval do ano passado, quando passamos por algumas plaquinhas.

Saímos sexta à noite de São Paulo rumo a Passa Quatro. Optamos por dormir num hostel, onde deixamos o carro, para começarmos a pedalar cedo no dia seguinte. Só que o plano não deu certo. Com o cansaço de quem foi deitar às 2h da manhã, acabamos dormindo um pouquinho mais e, nos dias seguintes, mantivemos essa tendência de sair quase sempre depois do planejado.

De Passa Quatro a Alagoa

O começo é bem bonito. Subimos um pouco e ficamos admirando a paisagem. Com 10 km, vimos uma placa indicando a Pedra da Mina e, pouco depois, reencontramos um trio de senhoras que estava fazendo o trajeto a pé e saíram antes de nós do hostel.

O trecho entre Itanhandu e Itamonte estava um pouco movimentado, provavelmente por causa do carnaval. Essa parte foi um pouco chata por causa dos carros passando com som alto, mas fizemos uma parada para lanchinho na beira de um rio para compensar.

Itamonte

Subida para Itamonte.

Depois de Itamonte é que o bicho pega com uma longa subida. São cerca de 20 km sempre subindo. Esse trecho é um misto de asfalto e paralelepípedos e quase derretemos com o calor de 38°C. Enquanto subíamos, o céu ficava cada vez mais escuro na direção para onde estávamos indo. Logo começou um chove-e-para e a temperatura foi caindo.

Ao chegarmos ao topo da subida, que fica no Parque Estadual Serra do Papagaio, a chuva resolveu apertar e não parou mais. Seguimos pelo asfalto esburacado em várias partes. Alguns motoristas imprudentes passaram por nós em uma velocidade que indicava descaso com os ciclistas, com a lama escorregadia e com o abismo do lado esquerdo.

Ainda empolgada com a viagem da Patagônia, fui com uma bike touring com guidão drop e freios cantilever. O resultado é que sofri um tanto na descida e tive que parar algumas vezes para alongar os dedos, as mãos e punhos. Faltando menos de dez quilômetros para Alagoa, diminuímos a velocidade para acompanhar uma família que pedalava sem luzes. A mãe ia na frente e o pai seguia com a filha na garupa. Ambas tentavam inutilmente se protegerem da chuva com sombrinhas.

Em Alagoa, nos hospedamos na Pousada Flores da Mantiqueira da fofíssima Guela. Chegamos ensopados e ela gentilmente lavou (!) todas as nossas roupas – pensamos que a oferta era apenas para centrifugar as peças. E ainda ganhamos café e chá quentinhos.

Por indicação dela, jantamos no restaurante Sabor & Arte, do Gustavo. Foi um jantar farto com salada de couve orgânica e comida caseira feita com carinho.

De Alagoa a Aiuruoca

O café da manhã foi uma delícia e óbvio que enrolamos para sair de novo. A estrada começou tranquila e deliciosa para pedalar. Vimos um filhote de cobra coral que se escondeu rapidinho no mato. Encontramos uma família caminhando e um casal de ciclistas também de São Paulo que estavam aproveitando o feriado por ali.

Cangalha

A caminho do Matutu via Cangalha.

Chegando perto de Aiuruoca, há uma bifurcação. A rota oficial do Caminho dos Anjos vai pela direita, mas nós optamos por conhecer a região chamada Cangalha. Além de paisagens lindas, havia muita subida! A descida é por um singletrack bastante técnico e, apesar do garfo rígido, do guidão drop e, principalmente, da minha falta de habilidade, consegui descer alguns trechos pedalando sem problemas.

O singletrack termina no Vale do Matutu, que conhecemos em uma viagem de final de ano. Já que estávamos ali, aproveitamos para almoçar no restaurante da Tia Iraci. Entre pratos fartos, cachaças e cervejas artesanais, decidimos abortar o restante da viagem. A Elo estava sentindo muita dor num dos joelhos e o trecho seguinte até a cachoeira dos Garcias tem subidas bastante puxadas. Então, ficamos um bom tempo aproveitando o espaço do restaurante, que tem um quintal delicioso.

O dia terminou na Estalagem do Mirante. Chegamos no momento em que a chuva apertava e demos sorte, pois ainda havia lugares no quarto destinado aos peregrinos.

De Aiuruoca a Virgínia

Estalagem do Mirante

Estalagem do Mirante.

Já que a viagem de bike havia sido abortada, não nos preocupamos em sair cedo. Depois do café-da-manhã, fomos até um mirante dentro da pousada e ficamos admirando a paisagem e batendo papo.

Aiuruoca

Centro de Aiuruoca.

Pedalamos até o centro de Aiuruoca e aí rolou uma saga para resgatarmos o carro em Passa Quatro e depois as bikes em Aiuruoca. Decidimos dormir no Pesqueiro 13 Lagos em Virgínia, porém, embora tenhamos confirmado a hospedagem com o sr. Mauro, não havia ninguém para nos receber. Fomos parar num hotel recém-inaugurado.

De Virgínia a Marmelópolis

Fuçando no GPS, o Artur sugeriu seguirmos por uma estrada que liga Virgínia a Marmelópolis. Assim, iríamos embora passeando. A sugestão agradou todo mundo, pois a estrada é linda, cercada de árvores e com uma cachoeira enorme em uma de suas curvas. Enquanto subíamos, subíamos e subíamos, eu pensava, preciso voltar aqui para pedalar.

Caminho das Águas

Trilha das Águas, dica do sr. Maeda.

Em Marmelópolis, fomos visitar o fofíssimo senhor Maeda. Ele nos deu a dica do Caminho Trilha das Águas, com direito a mapinha desenhado e xerocado. Saímos pelos fundos da pousada até uma estrada e depois pegamos uma trilha que leva a uma sequência de cachoeiras. A água estava geladíssima, mas depois que acostumamos, não queríamos mais sair dali.

Eu já tinha viajado com a Elo e fiquei muito feliz com as companhias. Rimos muito, comemos bastante, pedalamos um pouco (haha). A parte mais difícil, sem dúvida, foi voltar para São Paulo.

Flickr

Pedalando pelo Equador

Chimborazo

Chimborazo, o maior vulcão do Equador.

A inspiração para as férias veio de um blog que sigo, o While Out Riding, do Cass Gilbert. Junto com os irmãos Dammer, ele pedalou a Transecuador e teceu mil elogios ao país.

Decisão tomada e passagens compradas, começamos a pesquisar sobre cicloviagens pelo Equador e a ansiedade crescia a cada foto de paisagem bonita que víamos ou relato interessante que líamos. E, como nenhum de nós conhecia o Equador, achamos legal descobrirmos esse país juntos.

Quito

A viagem começou na capital do país, Quito, onde passamos quatro dias para descansarmos da correria pré-férias e conhecermos um pouco da cidade.

Pichincha

Teleférico em Quito.

Seguindo a dica do Mathias Fingermann, fomos pedalando até o teleférico que leva ao vulcão Pichincha e subimos com as bikes. O ingresso custava 8 dólares por pessoa, porém, como desceríamos de bicicleta, pagamos 6 dólares para os dois.

Esse desconto existe porque ali há uma pista de downhill. Muitas pessoas sobem com o teleférico, mas descem pedalando e algumas cabines têm até um suporte para pendurar bicicletas. Só que ao invés de encarar esse downhill, optamos por uma estrada que segue para a zona sul da cidade.

O começo era cheio de pedras, mas depois se transformou numa estrada de terra batida. Aos poucos, começaram a surgir algumas casas até que chegamos ao início de um bairro. Fomos pedir informação a um agente de trânsito que estava ali, pois havia uma bifurcação. Ele não quis nos deixar seguir pedalando, pois ali era perigoso e blá-blá-blá e tivemos que “pegar uma carona” num ônibus de linha, que nos deixou no centro histórico, de onde continuamos pedalando.

Vimos muitas pessoas pedalando em Quito e há investimentos na cidade para incentivar esse modal. Além de algumas ciclovias, há bicicletas públicas para alugar e, aos domingos, uma das principais avenidas da cidade, a Avenida Río Amazonas é fechada para carros e por ali circulam apenas pedestres e bicicletas.

Apesar disso, achei um pouco tenso pedalar em Quito. A buzina impera e os motoristas, em geral, são imprudentes. As rotatórias em algumas grandes vias também não são muito convidativas para ciclistas.

Palugo

Nosso primeiro dia pedalando foi de Quito para a vila Palugo. A saída indicada pelo Google Maps era pela mesma estrada que liga a cidade ao aeroporto e, próximo à entrada do túnel, há uma faixa enorme proibindo bicicletas. Pedimos informação para dois guardas de trânsito e eles nos mandaram exatamente por ali.

Ainda no Brasil, tinha entrado em contato com os irmãos Thomas, Mijael e Mathias Dammer e combinamos uma visita. Eles moram nos arredores de Quito e trabalham com agricultura orgânica, além de serem guias de montanha.

O sítio Nahual é lindo e a estrutura visa à sustentabilidade: água aquecida por meio de energia solar, banheiros secos, construções de adobe. Fomos à casa de um dos irmãos e adoramos o que vimos. Tendo como principais materiais o adobe, a madeira e o vidro, o sobrado é bastante aconchegante.

No começo da noite, nos reunimos com os três e, munidos de mapas e de um notebook, fomos refinando a rota previamente traçada. Eles já pedalaram todos os caminhos que queríamos fazer e tinham dicas excelentes.

Só achei curioso o fato de eles não passarem as distâncias em quilômetros. Quando perguntava sobre a quilometragem de uma cidade para outra a resposta era em tempo. “Ah, de Isinlivi para Quilotoa é um dia de pedal.”

Cotopaxi

Nos despedimos dos irmãos e pedalamos um trecho urbano no sentido do aeroporto antes de entramos na ciclovia El Chaquiñán. São cerca de 21 km ligando as cidades de Puembo a Cumbayá com paisagens bem bonitas. Cruzamos com alguns ciclistas treinando por ali e acabamos pedalando mais do que precisávamos, pois nossa saída era em Tumbaco.

El Chaquiñan

Ciclovia El Chaquiñan.

Deveríamos passar por um tal de Portal de Villa Vega, porém, nosso esquema de PPS (pare-pergunte-siga) não estava funcionando muito bem, pois cada pessoa com quem conversávamos nos indicava um caminho diferente. Como tínhamos o nome do nosso próximo destino, aproveitamos uma lan house para checarmos a rota. Direção mais ou menos confirmada, partimos rumo à vila La Merced, onde passamos a noite.

Depois de tomarmos café da manhã e abastecermos nossa “despensa”, pegamos a estrada. O começo tinha muitas pedras e subidas, mas ficamos muito animados quando avistamos, pela primeira vez, o Cotopaxi. Pegamos um trecho de rodovia, porém, logo voltamos para estradas de paralelepípedos. Embora estivéssemos subindo constantemente, a inclinação não era ruim. O que segurava nosso ritmo era a irregularidade da estrada.

Pela rota que pesquisamos, seria um dia apenas subindo. Por isso, quando começamos a descer bastante eu já sabia que havíamos errado o caminho. Pedimos informação para um senhor que passava por ali de trator e ele nos disse que estávamos perto da vila de Patichubamba, uma das referências de rota dos irmãos Dammer. Menos mal.

Ainda faltavam 30 km até o Parque Cotopaxi e não chegaríamos lá com luz do dia. Por isso, aproveitamos a hospedagem encontrada no caminho e encerramos os trabalhos mais cedo. O senhor que nos recebeu no camping fez questão de frisar que estávamos a 2.970 m acima do nível do mar.

Cotopaxi

Da estrada para a trilha, a caminho do Cotopaxi.

No dia seguinte, tivemos um início tranquilo. Já estávamos a mais de 3.000 m e ainda havia bastante vegetação. Depois de uma estradinha que lembrava a Mantiqueira, veio mais uma dúvida sobre o caminho. Tínhamos que cruzar um rio, mas não encontrávamos a ponte para atravessarmos. Deixamos as bikes num canto e fomos checar a trilha a pé. Encontramos uma pequena ponte de madeira e foi por aí mesmo que seguimos.

Saímos num cruzamento de estradas e aproveitamos para almoçar no restaurante que há ali. Milho e favas cozidos acompanhados de queijo branco. Ficamos um tempo conversando com o dono do lugar e um senhor que apareceu logo depois.

Pedalamos os últimos quilômetros até o parque com vento contra, um pouco de chuva e frio. A passagem pelo Control Norte foi tranquila, tivemos apenas que apresentar nossos passaportes para registro e não pagamos nada. Seguimos de lá para a hospedagem Tambopaxi.

Cotopaxi

Luzes acesas no Refúgio José Ribas.

Ao escolhermos a hospedagem, resolvemos nos mimar um pouco. Ao invés de camping ou alojamento, optamos por um quarto não compartilhado, o que, no Tambopaxi, significa um quarto na ala VIP. Além do banho mais quente da viagem, tínhamos uma vista incrível para o vulcão e decidimos passar duas noites ali.

Depois do descanso, continuamos a viagem dentro do parque. O pedal começou com um pouco de vento contra que se tornava a favor conforme as curvas do caminho. Pela primeira vez na viagem, passamos dos 4.000 m.

Cotopaxi National Park

Com a chuva, veio o frio.

A subida estava tranquila até a chuva começar. A combinação de vento, chuva e altitude fez com que a sensação térmica caísse muito rapidamente. As mãos estavam bastante geladas e, mesmo colocando luvas mais quentes, elas não esquentavam.

Queríamos chegar a uma cabana abandonada indicada pelos Dammer, porém, no meio do caminho tinha um portão e um aviso de que se tratava de propriedade privada. Ficamos alguns minutos parados ali e, enquanto pensávamos no que fazer, a chuva foi aumentando. Decidimos voltar um pouco, sair da estrada e levantarmos acampamento.

Cotopaxi

Nada mal acampar com essa vista.

Ficamos algum tempo na barraca, ouvindo a chuva cair e nos aquecendo. Quando ela passou, fomos explorar o lugar e nos surpreendemos ao perceber o quão perto do Cotopaxi estávamos. O tempo fechado de antes tinha escondido o vulcão completamente. Dormimos a 4.050 m acima do nível do mar, com um vulcão no “quintal” da nossa barraca e temperatura próxima de 0°C. Foi uma ótima noite!

O dia amanheceu sem chuva, mas o tempo ainda estava um pouco fechado. Refizemos o caminho do dia seguinte, aproveitando para fotografar um pouco. O vento estava mais forte do que no dia anterior e, quando soprava contra, nos obrigava a pedalar até nas descidas.

Cotopaxi

Vida selvagem no Parque Nacional Cotopaxi.

Passamos pela Laguna de Limpiopungo, que tem uma ótima vista do vulcão Rumiñahui, e depois seguimos para o Control Sur, saindo do Parque Nacional do Cotopaxi. Pegamos um trechinho da rodovia Panamericana e logo chegamos à cidade de Lasso, onde passamos a noite no hostel Cabaña de los Volcanes.

Quilotoa

A saída de Lasso foi chatinha, pois começava numa rodovia estreita e com muitos caminhões. O movimento foi diminuindo e, na primeira bifurcação com placa para Isinlivi, voltamos a pedalar numa estrada de pedras, numa subida suave.

Depois veio a primeira serra com curvas tão fechadas que a apelidamos de “caracoliños”. Pelo caminho, cruzamos com muitas caminhonetes que fazem o transporte de camponeses, moradores e alunos da região.

Isinlivi

Caracoliños no caminho para Isinlivi.

Com poucos quilômetros rodados, já percebemos uma grande mudança na paisagem e nas feições das pessoas. Esta é uma região mais rural e havia muitas plantações, que quase nunca conseguíamos identificar. E a população tem traços mais indígenas e usa roupas tradicionais, principalmente, as mulheres.

Logo alcançamos a segunda serra e o vento contra não dava trégua. Já tínhamos passado dos 3.000 m e cada vez que parava para recuperar o fôlego, ficava impressionada com o quanto tínhamos subido.

Isinlivi

Depois de chegarmos a 3.900m, começou a descida para voltarmos aos 2.900m.

A descida foi longa e gelada: cerca de 15 km de muitas curvas, pedras e névoa que escondia parte do caminho. Ficamos hospedados no hostel Taita Cristobal e gostamos muito. Pagamos 14 dólares por pessoa por um quarto com banheiro privativo e esse valor incluía também o jantar e o café da manhã. E ainda ficamos um bom tempo conversando com o dono, o Paco.

Queríamos sair cedo, porém, amanheceu chovendo e, enquanto esperávamos o tempo melhorar, ficamos jogando dominó. Depois de três partidas, fomos para a estrada. Logo no começo, encaramos uma boa descida seguida de uma boa subida. Isso foi apenas uma prévia do dia, que teve muito sobe-e-desce e um pouco mais de chuva.

Fomos passando por vários pueblos indicados pelo Paco e quase todas as pessoas que encontramos pelo caminho nos cumprimentavam e algumas ainda perguntavam de onde estávamos vindo e para onde iríamos. Era só falar Quilotoa para ouvir “ih, estão longe”.

Tunguiche

Os irmãos Gilmar, Emerson e Danilo voltando da escola em Tunguiche.

O trecho de Tunguiche para Pilapuchin foi bastante cansativo. De novo subimos um “caracoliños”, só que desta vez combinado com areia, que passou a fazer parte do caminho por vários quilômetros.

Passamos por uma bifurcação para Shalala, mas seguimos no caminho para Quilotoa, pois não sabíamos como era a estrutura da vila. Depois descobrimos que foram feitos investimentos em Shalala para receber turistas que querem visitar a Laguna Quilotoa: camping, pousada, restaurantes e um deck de observação.

Quilotoa

Descendo até a beira da lagoa Quilotoa.

A vila Quilotoa funciona em torno da laguna. O comércio por ali é formado basicamente por hostels, restaurantes, lojas de souvenirs e vendinhas.

Tinha lido uma recomendação sobre o hostel Cabañas Quilotoa e o fato de ter aquecedor em cada quarto me animou a ficar ali. Como era logo na entrada da vila, infelizmente não vimos as outras opções. Pagamos 20 dólares por pessoa com jantar e café da manhã. O problema é que o lugar era sujo e as donas agiam como se estivessem nos fazendo um favor e não prestando um serviço.

No dia seguinte, fomos até a beira da laguna. Um guia online indicava meia hora para descer e uma hora para subir. Subimos em 40 minutos, mas com várias paradas para descansarmos um pouco. Há quem alugue mulas para evitar esse desgate.

Depois de almoçarmos, fomos para Zumbahua. Sem dúvida, foi o pedal mais fácil da viagem toda: 12,4 km de descida. Nessa região, há várias feiras tradicionais, que acontecem cada dia da semana em uma cidade diferente. A de Zumbahua é aos sábados e não queríamos perdê-la.

Zumbahua

Mercado em Zumbahua.

Levantamos cedo e fomos primeiro ver a feira de animais, que acontece a algumas quadras da praça. O negócio funciona com os donos dos bichos parados segurando os animais presos a cordas a espera dos compradores. Havia muitos porcos, ovelhas e algumas lhamas. A outra feira tinha barracas de frutas, de secos e molhados, roupas, sapatos, lã e comida. Aproveitei para comprar algumas frutas.

A feira traz vida para a cidade. Tivemos a impressão de que muitos que ali estavam usavam suas melhores roupas, como se aquele fosse o momento mais esperado da semana. Depois de fazermos muitas fotos, fomos pegar o ônibus para Angamarca.

Chimborazo

Embarcamos num ônibus lotado e viajamos quase o tempo todo em pé. Os bagageiros estavam cheios e as bicicletas foram no teto do ônibus. A cada virada brusca na beira de precipícios, eu ficava agoniada com medo das bikes saírem voando.

Desde o momento em que descemos do ônibus tive uma sensação ruim em relação à Angamarca. Conversamos com poucas pessoas ali, mas parecia que queriam sempre tirar algum proveito. Para ajudar, começou a chover forte e o caminho por onde deveríamos seguir ficou intransitável até para 4×4. Ou seja, seria uma subida íngreme escorregando na lama.

Acabamos voltando para Zumbahua e, de lá, seguimos para Latacunga, onde passamos a noite e refizemos nosso roteiro. Demos mais um descanso para nossas pernas e fomos de ônibus até Riobamba. Não tinha lugar para sentarmos e o cobrador falou para irmos na cabine com o motorista. Conversamos tanto que fui a viagem inteira ali.

Chimborazo

Visão privilegiada do Chimborazo.

Saindo de Riobamba, pegamos uma estrada secundária para irmos ao Chimborazo. Por boa parte do caminho, pedalamos em direção a nuvens escuras e sem qualquer visão do Chimborazo. Porém, conforme nos aproximávamos, o tempo foi melhorando e logo as nuvens começaram a se dissipar.

Passamos por um pueblo bem na hora da saída da escola. As crianças ficaram ao nosso redor, bastante curiosas. Numa subida, duas menininhas começaram a empurrar a bicicleta do Artur e depois vieram fazer o mesmo comigo. Descemos das bikes e fomos andando lado a lado e conversando um pouco com elas.

Antes da estrada de asfalto para a Reserva do Chimborazo, encontramos um local perfeito para acamparmos com vista privilegiada para o vulcão. Deixamos as bikes na estrada e fomos procurar um lugar para montarmos a barraca. Nisso, um carro de polícia parou. Os policiais não tinham nos visto e ficaram intrigados com as bikes no caminho. Fomos conversar, explicamos sobre a viagem e perguntamos se era permitido acampar por ali. Um deles respondeu: proibido não é, mas é perigoso. Eles foram embora e pensamos: não passa ninguém aqui, como vai ser perigoso?

Chimborazo

Irmãs curiosas.

Foi só falarmos e uma caminhonete estacionou e dela saíram duas mulheres, um homem e duas crianças. Eles tinham ido ali cortar capim para aquecer os animais. O Artur ficou cerca de uma hora conversando com o cara e eu, com as crianças. As mulheres cortaram todo o capim sozinhas e o cara ficou apenas observando.

Resolvemos procurar outro lugar para acampar e seguimos em frente até uma vila que parecia abandonada. O Artur foi na frente e logo voltou dizendo: há uma opção de hospedagem, por 12 dólares o quarto ou podemos acampar de graça. Converse com a belga que está por lá. E ele voltou para a estrada para tirar fotos do Chimborazo, que estava lindo nesse final de tarde.

Chimborazo

Camping próximo ao Chimborazo.

Tínhamos lido sobre a Casa Condor em algum site, mas o lugar parecia abandonado e foi uma surpresa encontrarmos os belgas Justine e Edward. Optamos pelo camping, mas aproveitamos a cozinha para prepararmos o jantar e muito chá.

Logo chegaram os mexicanos Cynthia e Gustavo que estão viajando num Fusca. Ambos os casais têm a meta de chegar a Ushuaia. Porém, os belgas juntaram dinheiro e planejam viajar por um ano, enquanto os mexicanos estão na estrada há dois anos e vão trabalhando pelo caminho para bancar a viagem.

Mesmo tendo ido dormir tarde por causa das boas conversas, acordamos cedo por causa do barulho do vento. Arrumamos nossas coisas e tomamos café da manhã com calma, antes de nos despedirmos dos casais.

El Arenal

Atravessando a região desértica El Arenal.

Tínhamos bastante subida pela frente e muito vento, em alguns momentos a favor, mas quase sempre contra. A maior parte do caminho foi pela região El Arenal, um ecossistema chamado de páramo seco, de clima desértico.

Nas laterais da estrada, havia barrancos que pouco a pouco estão sendo desgastados pela erosão causada pelo vento. Pudemos sentir um pouco disso na pele, pois o vento trazia areia e até algumas pedrinhas que batiam com força no capacete e no rosto.

El Arenal

Vicuñas.

El Arenal é também uma área de preservação da vicuñas e tivemos a sorte de encontrarmos dois grupos grandes desses animais na beira da estrada.

Quando cruzamos a estrada Ambato-Guaranda, nos despedimos do Chimborazo. O vento contra com areia ficou ainda pior e eu tive dificuldade de pedalar nesse trecho. Mas logo veio a descida. Chegamos a um pequeno povoado e ali decidimos seguir por um trecho de downhill. Foram 7km descendo ao lado de um vale lindo e então chegamos à Salinas.

Salinas

Tinha lido sobre a cidade no blog do Cass, mas eu quis conhecer o lugar depois de ler um post que o Artur achou na internet. Salinas tem esse nome porque, 40 anos atrás, sua economia girava em torno de uma mina de sal, que pertencia a uma família muito rica. Até que um padre italiano foi morar na cidade e decidiu por fim a esse monopólio. Ele conseguiu empréstimos e organizou uma cooperativa para produzir queijo.

Salinas

Queijaria em Salinas com capacidade para processar 10 mil litros de leite por dia.

Esse modelo deu tão certo que começaram a surgir outras cooperativas e, atualmente, são 30 pueblos integrados com Salinas produzindo queijos (gruyére, parmesão, dambo e outros), chocolates deliciosos, lã de alpaca e de ovelha, frutas e cogumelos desidratados, produtos de soja e até bolas de futebol. Alguns produtos são exportados para Alemanha, Itália, Finlândia e Japão.

Salinas

O Tour Salinerito passa pelas principais fábricas da cidade. Pagamos 15 dólares para duas pessoas.

Depois do tour, sentamos num banquinho da praça e fomos abordados pela polícia da imigração que queria ver nossos documentos. Eles nos acompanharam até o hostel, onde estavam os passaportes, e, embora o policial tentasse manter uma pose de durão perguntando quando chegamos, por onde entramos, quanto tempo ficaríamos no país e tal, ao ouvir que estávamos viajando de bicicleta, a policial abriu um sorriso e exclamou “¡que chévere!”.

Salinas

Gianpaolo: ótima conversa e excelente comida.

Nesses dias em Salinas, conversamos bastante com um italiano que mora no Equador há 12 anos, o Gian Paolo. Fomos três vezes à pizzaria dele e ficamos, pelo menos, duas horas e meia batendo papo. De Salinas, pedalamos até Guaranda, onde pegamos um ônibus de volta para Quito.

Trechos pedalados

Palungo – La Merced 57 km – 824 m acumulados
La Merced – Molinuco 25 km – 693 m acumulados
Molinuco – Tambopaxi 30 km – 1.039 m acumulados
Tambopaxi – meio volta do Cotopaxi 28 km – 426 m acumulados
Meia volta do Cotopaxi – Lasso 53 km – 269 m acumulados
Lasso – Isinlivi 46 km – 1.108 m acumulados
Isinlivi – Quilotoa 33,8 km – 1.496 m acumulados
Quilotoa – Zambahua 12,4 km – 83 m acumulados
Riombamba – Casa Cóndor 30 km – 1.245 m acumulados
Casa Cóndor – Salinas 37 km – 1.006 m acumulados
Salinas – Guaranda 23,8 km – 217 m acumulados

Comida

Em geral, a comida do Equador não empolgou muito. As refeições quase sempre eram compostas por uma sopa (a maioria de macarrão com frango) e o prato principal com arroz, lentilha (às vezes), salada e carne.

Nas cidades pequenas, embora os restaurante até tivessem um cardápio, normalmente, havia apenas uma opção. Em Lasso, assim que sentamos, o garçom trouxe dois copos de suco e depois as tigelas de sopa. Devolvi uma delas porque tinha frango e avisei que não como carne. Ele fez uma careta e disse que só tinha arroz, salada e ovo para mim.

Na primeira noite no Tambopaxi, pedimos o menu completo. A sopa de entrada era muito gostosa: um creme de batata com queijo e uma fatia de abacate. Depois, vieram batatas fritas e carne para o Artur e berinjela para mim. Tudo estava delicioso, porém, as porções deixavam a desejar para quem tinha pedalado o dia todo. Pedi mais uma porção de sopa para cada um e eles capricharam mais.

Em Isinlivi, comemos muito! Além de sopa de legumes, comemos couve-flor e brócolis, uma salada morna de tomates, ervilhas, pimentões e cogumelos, pequenas panquecas de batata e bolinho de chuva servido com melado como sobremesa.

Zumbahua

Frutas deliciosas.

Experimentamos sucos de frutas locais como naranjilla e tomate de árbol, que, como o nome diz, cresce em árvore e é delicioso. Comi physallis direto do pé e comprada na feira e experimentei a versão mais doce que há do maracujá, a granadilla. Já sinto falta dessas frutas.

No restaurante em que almoçamos em Riobamba quase não havia opções para mim. O rapaz abriu uma exceção e me serviu um prato do menu do café da manhã: patacones (banana verde frita) recheados com queijo e acompanhados de ovos fritos. Não me imagino começando o dia com uma refeição dessas.

Nos primeiros dias em Quito, fomos à cervejaria Cherusker. Fiquei feliz por encontrar um hambúrguer vegetariano no cardápio. Estava bom, mas não era nada demais. As cervejas da casa, por outro lado, são muito boas.

Para encerrar a viagem, em nossa última noite no Equador, fomos comemorar na Cervecería Abysmo. A parte de comida era fraca. Não havia nenhuma opção vegetariana, mas eles modificaram o prato de nachos para mim. Ainda assim, tinha tanto queijo cremoso que fiquei logo enjoada. Pelo menos, as cervejas deles são muito boas! Aproveitamos uma promoção e tomamos três tipos: vanilla coffee ale, honey ale e a weissbier da casa.

Enfim

Chimborazo

Terra de vulcões.

As paisagens equatorianas são realmente lindas e não é preciso percorrer grandes distâncias para ver cenários bastante diversos. As pessoas foram muito amigáveis e o fato de estarmos de bicicleta nos permitiu ter um contato maior com elas, que, em alguns casos, nos paravam no meio da estrada para conversar.

Essa viagem foi completamente diferente de todas as que eu tinha feito até então. E foi, sem qualquer dúvida, uma das mais gostosas!

Mais fotos no Flickr.

Yosemite National Park

Yosemite Valley

Hello, Yosemite Valley!

Depois de passar por regiões bastante áridas da Califórnia, vimos a paisagem mudar para uma floresta de pinheiros conforme subíamos a serra. Já era tarde e fomos direto para o Evergreen Lodge, onde ficamos hospedados numa cabana cheia de charme.

No dia seguinte, levantamos cedo, tomamos um café reforçado (as exageradas porções americanas!) e seguimos para o Yosemite Valley.

Como estávamos de carro, a entrada foi cobrada pelo veículo e não pelo número de passageiros. Pagamos 20 dólares, que nos davam o direito de frequentar o parque por sete dias. Quem chega de bicicleta paga 10 dólares e pode aproveitar o mesmo período de tempo.

Na entrada, os guardas nos entregaram um jornal com notícias do parque, a programação de atividades do mês e informações sobre shuttles.

Yosemite

Lugar incrível!

Deixamos o carro no estacionamento para visitantes e fomos de ônibus até o Visitor Center. Descobrimos depois que dava menos de dez minutos de caminhada, mas valeu pelo bom humor do motorista que fez o papel de guia dando explicações sobre o caminho.

Pegamos um mapa do vale no Visitor Center e fomos conhecer a Ansel Adams Gallery. Aproveitando a facilidade de haver uma agência dos correios ali do lado, compramos cartões postais e já os enviamos para o Brasil.

A última parada antes da trilha foi no Wilderness Center para tentar conseguir permissão para a trilha do Half Dome. São concedidas 75 permissões por dia e, para tentar obter uma, é necessário fazer o pedido com antecedência por telefone ou pela internet e torcer para ser sorteado. Acabamos desencanando, pois não queríamos correr o risco de apenas um de nós conseguir a permissão.

Para nossa estreia, escolhemos a trilha para a Columbia Rock. Ela é curta, com apenas 1,6 km, mas é uma subida constante e tem alguns trechos com areia fofa. A maior parte da trilha é feita na sombra, porém, o final é mais aberto e o sol estava forte nesse dia. Chegamos ao nosso destino e fizemos um lanchinho admirando o Half Dome.

A trilha continua a partir dali para a Upper Yosemite Fall. Andamos menos de dez minutos e decidimos voltar para fazer companhia para a Cris e o Marcelo, que começaram a descida a partir da Columbia Rock.

Pegamos o carro e fomos conhecer alguns pontos mais afastados. Primeiro, passamos pelo Tunnel View, que tem uma vista incrível do parque. Em seguida, pegamos uma estrada cheia de curvas para chegar ao Glacier Point e ver o por-do-sol. Por segurança, essa estrada fica fechada durante o inverno.

Glacier Point

Half Dome visto do Glacier Point.

Havia bastante gente por ali, mas o Artur conseguiu um lugar bacana para fotografar o Half Dome iluminado pelos últimos raios de sol, enquanto eu fiquei andando e fazendo outras fotos.

Tuscan pasta

Tuscan pasta: uma delícia!

Nosso primeiro dia de Yosemite terminou com um jantar excelente no restaurante do lodge. Comi um espaguete com pesto de rúcula, alcaparras, tomates vermelhos e amarelos, pinholes e queijo pecorino. Delicioso!

Valley Loop e um susto

No dia seguinte, decidimos percorrer a Valley Loop, uma trilha de 20,9 km, plana e moderada, segundo o informativo do parque. O percurso é bacana, pois passa por várias atrações do vale como o Camp 4, El Capitan, Sentinel Rock, Cathedral Rocks, Bridalveil Fall e Three Brothers.

Yosemite

Uma das vistas do Valley Loop.

Quem não quiser fazer a trilha completa pode fazer o Half Loop, fazendo o retorno na base do El Capitan. O caminho segue mais ou menos paralelo à estrada de asfalto, se afastando em alguns pontos.

A partir do El Capitan, Artur e eu seguimos sozinhos. Essa parte é mais deserta e não cruzamos com ninguém. Em determinado ponto, já próximo ao retorno do Loop, a trilha ficou mais distante do asfalto. Vimos um monte de cocô esquisito e depois algumas pegadas frescas. Continuamos andando e levamos o maior susto!

A vegetação era mais fechada nessa parte e vimos uns arbustos se mexerem ao mesmo tempo em que ouvimos um bramido. Olhamos um para o outro e começamos a andar rápido no sentido contrário ao que seguíamos até encontrarmos um ponto onde era possível voltar para o asfalto. Nessa hora, não tínhamos a mínima vontade de ficar cara a cara com um urso.

Bears in Yosemite

Melhor não deixar comida no carro.

No parque, há várias recomendações referentes a esses habitantes nativos. Nunca se deve deixar comida ou artigos de higiene no carro. Vimos alguns vídeos de ursos educados que abrem as portas destravadas, mas a chance de a porta ser aberta pela força é bem maior.

Quem acampa deve guardar esses itens nos food lockers ou nos bear canisters, que são, respectivamente, os armários e as latas à prova de urso. Nada que exale muito cheiro deve ficar dentro da barraca.

Como os ursos circulam livremente pelo parque, a velocidade dos carros deve ser baixa. Nos pontos onde ocorreu algum acidente recente envolvendo um automóvel e um urso, é colocada uma placa com o desenho de um urso vermelho. Infelizmente, vimos umas cinco dessas placas.

El Capitan

El Capitan.

Seguimos mais um trecho pelo asfalto, mas andamos um pouco pela trilha do outro lado do vale também. Quando chegamos ao ponto de retorno do El Captain, próximo à Cathedral Beach, optamos por pegar o shuttle. No mapa específico de shuttles, não há indicação dos pontos do ônibus do El Capitan, que só funciona no verão. Por sorte, eu lembrava do mapa impresso no jornal Yosemite Guide.

Encontramos a Cris e o Marcelo e decidimos comer em algum lugar fora do parque. Dirigimos até a cidade de Grooveland, por onde tínhamos passado na chegada a Yosemite. Fomos parar no saloon Iron Door e aproveitamos até para jogar uma partida de sinuca.

Veggie burguer

Hamburguer vegetariano com cogumelos e avocado.

Ao olhar o cardápio, foi fácil escolher minha refeição: um hambúrguer de legumes. Mesmo privilegiando pratos com carne, em todos os lugares onde comi havia, pelo menos, uma opção vegetariana. E, geralmente, era hambúrguer.

Árvores gigantes

Em nosso último dia no parque, embora houvesse muito o que fazer no vale, decidimos ir conhecer as sequoias gigantes. Há três lugares para ver essas árvores majestosas: o Merced, o Tuolumme e o Mariposa Grove. Os primeiros eram mais próximos de onde estávamos e o Merced Grove foi bem recomendado. Porém, optamos pelo Mariposa Grove, onde há cerca de 500 dessas árvores.

California Tunnel Tree

California Tunnel Tree: por ali, passavam carroças.

Fizemos uma parte do passeio guiado, mas voltamos andando para poder tirar mais fotos. As sequoias impressionam e algumas até ganharam nomes devido a características específicas. A Grizzly Giant, por exemplo, com estimados 1.800 anos, é uma das mais largas. Um dos galhos tem 2 metros de diâmetro, o que o torna mais largo do que todas as outras árvores do Mariposa Grove que não são sequoias.

Por causa de diversos incêndios (alguns necessários para a saúde da árvore e feitos de maneira controlada, como foi explicado pelo áudio-guia), algumas sequoias ganharam buracos especiais. A Clothespin tem esse nome, pois o buraco formado lembra um pregador de roupas antigo e é grande o suficiente para passar uma caminhonete.

Voltando para o Lodge, Artur e eu alugamos bicicletas e fomos pedalar pela Evergreen Road. Primeiro demos uma volta ao redor da propriedade da hospedagem. O passeio começou tranquilo, mas aí veio um single track com pedras e achei mais seguro empurrar em alguns trechos.

Hetch Hetchy

A caminho de Hetch Hetchy.

Depois, seguimos até outra entrada do Yosemite, a Hetch Hetchy. Passamos por um acampamento que parecia abandonado e continuamos numa leve subida. Voltamos quando estava começando a escurecer.

Há tanta coisa para fazer no Parque Yosemite que ficaríamos facilmente mais de um mês por ali. São trilhas, praias de rio, caminhos para andar de bicicleta, opções para escalada e ainda há uma extensa programação oferecida pela administração do parque para crianças e adultos: workshops, passeios fotográficos, palestras, contação de histórias, apresentação de filmes, entre outras atividades. Algumas são pagas, porém a maioria é de graça.

O jeito vai ser voltar!

Mais fotos no Flickr.

Miami e San Francisco

Bye California!

Férias!

Para desacelerar um pouco da correria antes das férias, passamos uns dias num apartamento em Miami Beach antes de seguirmos para a Califórnia. Ficamos numa região bem tranquila, com vários prédios pequenos e charmosos. Não fizemos nada demais e isso foi ótimo.

San Francisco

Eu já conhecia a cidade e estava animada para ir para lá com o Artur. Nosso tempo foi curto, mas deu para fazer coisas bacanas.

A primeira parada foi na REI. Essa rede é tão incrível que fomos duas vezes à loja em San Francisco e uma vez à loja em San Carlos. Lá tem equipamentos, acessórios e vestuários para pedalar, caminhar, correr, fazer trilhas, escalar, esquiar e acampar. Fiquei doida com algumas opções para cozinha de acampamento.

Alcatraz

Ilha de Alcatraz.

Fizemos o passeio de bike pela Golden Gate até Sausalito. Alugamos as bicicletas perto do Embarcadero e começamos o pedal de cerca de 15 km. Passamos pelo Fisherman’s Wharf, Ghirardelli Square, observamos a ilha de Alcatraz, cruzamos a ponte e chegamos a Sausalito.

Além de vários turistas de bike pelo caminho, chegando perto da ponte, cruzamos com muitos ciclistas treinando. Alguns deles balançavam a cabeça quando me viam pedalando com uma única mão, enquanto fazia fotos. Imagino que devem ocorrer vários acidentes com turistas por ali.

Golden Gate

Pedalar pela Golden Gate é demais!

Chegando a Sausalito, vimos dois ciclistas tomando multa de um guarda. Não sabemos o motivo, mas imaginamos que eles estavam em alta velocidade, pois ali era o final de uma boa descida.

Sausalito é um lugar charmoso com casas bonitas, várias lojinhas e restaurantes. Almoçamos por ali e depois pegamos o ferry para voltar para San Francisco.

Nosso tempo era curto e queríamos ir à Box Dog Bikes, uma bicicletaria muito legal, que funciona como uma cooperativa. Além de um ótimo atendimento, eles têm uma variedade bacana de produtos, bikes incríveis (inclusive, um quadro desenhado por eles) e até itens para camping.

Também passei com o Artur na Huckleberry Bicycles, que já tinha visitado na minha outra viagem. Foi nessa loja que conheci algumas marcas como Handsome, Civia, All-City e Salsa. Como parte de um programa de reocupação das antigas bancas de jornais da histórica Rua Market, antes do horário de abertura da loja, eles montam uma banquinha e oferecem alguns reparos básicos de graça.

San Francisco

Ciclistas na Market Street. Foto: Artur Vieira.

Berço da Critical Mass, conhecida como Bicicletada no Brasil, San Francisco é um paraíso para ciclistas com diversas ciclovias e bastante respeito. Era muito legal ver pessoas de várias idades se locomovendo de bike e formando até um “mini congestionamento” em alguns semáforos nos horários de pico.

Comidas

Voltando de San Carlos, fomos encontrar a Cris e o Marcelo no Pier 39. Lá é uma região bastante turística com muitas lojas, bares e restaurantes. Tive que me controlar numa loja de doces porque queria comprar vários chocolates da Ghirardelli, que acho maravilhoso!

L'Acajou

L’Acajou. Foto: Artur Vieira.

Ao passarmos por San Francisco a caminho de Yosemite, tomamos café da manhã no simpático L’Acajou, uma padaria e café que oferece produtos orgânicos e valoriza a sustentabilidade. O lugar e a comida são tão gostosos que fizemos questão de voltar.

Na última noite em San Francisco, Artur e eu fomos jantar com a querida Isadora, que mora ali perto. A Isa é vegan e nos levou ao The Plant, um restaurante orgânico com opções muito saborosas.

Comi um delicioso prato de quinoa com vegetais, tempeh e um molho de missô e gengibre. A sobremesa foi um cheesecake não assado de framboesa. Era bom também, embora o gosto do coco usado na massa tenha ficado muito forte.

O vinho escolhido foi o Scott Harvey, de Amador County, Califórnia. Não conhecia nenhum vinho de uva barbera, mas agora recomendo.

Foram dois dias que passaram voando!

Fim de ano em Aiuruoca

A caminho do Vale do Matutu. Foto: Artur Vieira.

A caminho do Vale do Matutu. Foto: Artur Vieira.

Apesar da vontade de viajarmos, só conseguimos planejar o que faríamos na véspera do embarque. Sexta-feira à noite, em uma hora, Artur e eu conseguimos resolver tudo: compramos passagens e garantimos hospedagem. No sábado, partimos para Itajubá e, no domingo, seguimos para Aiuruoca.

Aiuruoca é uma cidade pequena, porém com grande extensão territorial. Escolhemos uma pousada fora da cidade, a Pico do Papagaio, mas eram apenas 4 km de estrada asfaltada. Gostamos de várias pousadas para os lados do Vale do Matutu, no entanto, como o caminho é de terra, não sabíamos as condições da estrada e a previsão era de chuva, achamos melhor não arriscar.

Eu não fazia ideia do tanto de subidas que havia por ali e, embora o ritmo tenha sido de cicloviagem tranquila e a quilometragem diária tenha sido baixa, foi preciso fôlego e força nas pernas.

No dia 30, fomos conhecer a Cachoeira dos Garcias, que tem 30 metros de queda. Da pousada até lá, são cerca de 13 km. O começo foi tranquilo, no entanto, logo vieram trechos de subida íngreme, com calçamento. Não era muito confortável pedalar por essas pedras e, como algumas estavam soltas, achei mais seguro empurrar em algumas partes.

Na volta, fomos para a cidade e ficamos observando o movimento na praça central enquanto esperávamos a pizzaria abrir. Por conta de um evento que destacava as raízes culturais da região, assistimos à apresentação cantada do terço de São Gonçalo. Ah, as tradições do interior.

A programação do dia 31 foi conhecer o Vale do Matutu e partimos com a recomendação de almoçarmos no restaurante da Tia Iraci. O caminho de 21 km atravessa a cidade, tem subidas puxadas e é lindo!

O restaurante é uma delícia. Comida caseira e saborosa, além da feijoada vegetariana mais gostosa que já comi. Porém, achamos que a comida demorou muito. Chegamos às 12h30 e fomos almoçar quase às 14h porque o pessoal estava preparando a ceia de ano novo.

Para não ficar muito tarde, acabamos não indo a nenhuma cachoeira por essas bandas, mas achamos um cantinho por onde passava um riozinho e aproveitamos para relaxar na água refrescante.

Agora que conferimos que a estrada está em boas condições, decidimos nos hospedar no Vale do Matutu quando voltarmos. Além das várias pousadas charmosas, fica mais fácil explorar as atrações dessa região. E, com a oferta de almoço e jantar em algumas dessas pousadas, nem é preciso ir para a cidade.

Viramos o ano sozinhos na pousada, assistindo a um pouquinho dos fogos. Não poderia ter sido melhor. Como disse o Artur, que 2014 seja um ano de muito amor e pedal.