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400km em Holambra outra vez

Quando o calendário da série 2014 do Audax SP foi divulgado no ano passado, fiquei empolgada ao ver que a prova de 400km seria em Holambra. Imaginei que seria o mesmo percurso que havia tentado antes e pensei: “desta vez, eu termino”. Bem, eu tentei, porém novamente não terminei. E, ao contrário do que ocorreu em 2012, não fiquei nem um pouco chateada.

O Artur e eu largamos bem, mas, ao mesmo tempo, pensando “o que estamos fazendo aqui?”. Pedalamos juntos até o PC 1 e chegamos uma hora antes do fechamento. Ficamos pouco tempo ali e logo voltamos para a estrada.

Quando chegamos aos 90km, ele resolveu voltar. Sentia as pernas cansadas e não queria forçar demais. Pensei em acompanhá-lo, mas ele foi me passando as ferramentas e insistindo para que eu continuasse.

A caminho de Brotas, conversei um pouco com o Marco e o Marcelo de Itanhém, mas, com as diferenças de ritmos, segui sozinha quase o tempo todo até o PC 2. Lá, comi, bebi e descansei um pouquinho.

Voltei para a estrada acompanhada do Eber e fomos incentivando um ao outro. Pedalamos juntos até o pedágio que fica a cerca de 15km da Rodovia Washington Luis. Já tinha decidido parar, pois não queria passar a noite acordada pedalando, e também não queria segurar o ritmo do Eber. Por isso, disse a ele que esperaria o Artur me buscar naquele ponto. Não seria seguro ficar parada nos trechos escuros e desertos da estrada.

Entreguei para ele sachês de carboidrato em gel com cafeína e os onigiris que tinha levado e desejei boa prova. Aguardei um pouco e voltei para a estrada. Para facilitar meu resgate, queria encontrar o Artur na Washington Luis. Em alguns momentos, senti-me um pouco insegura ao pedalar esse trecho à noite e sozinha, mas não tive problemas.

Os 210km pedalados bastaram para mim. A empolgação ao ver os outros ciclistas na estrada não mudou e torci para que cada um deles completasse a prova. Porém, a minha vontade de fazer provas de Audax não é mais a mesma. Durante os 300km em Boituva, já tinha falado sobre isso com o Artur. “Quanto mais faço Audax, mais percebo que quero mesmo é cicloviajar”, disse.

Isso não significa que não farei outros brevets. Isso vai depender do momento e da prova, claro. Contudo, por hora, quero estradas com menos caminhões e paisagens mais bonitas. Quero seguir em outro ritmo e aproveitar mais o caminho.

Aiuruoca - MG.

Cicloviagem de final de ano em Aiuruoca – MG.

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Audax 300 km em Boituva

Saindo do PC 3 rumo aos 300 km.

Saindo do PC 3 rumo aos 300 km.

Por causa do trabalho, Artur e eu fomos fazer o Brevet 300 km dos organizadores dia 8 de fevereiro, uma semana antes da data oficial.

Largamos às 5h33 do Boituva Apart Hotel com um pouquinho de chuva. O acostamento perto de Boituva estava muito sujo e, pouco depois do nascer do sol, meu pneu furou.

Antes de chegarmos ao PC 1, o Fábio e o Martin, que largaram às 6h e pedalavam num ritmo forte, passaram por nós. Nesse PC, fizemos uma parada de exatamente meia hora, mais tempo do que gostaríamos.

Continuamos o brevet e logo começou a Serra de Botucatu, que tinha pedalado nos 300 km do ano passado e não acho tão ruim. Porém, o vento contra que nos acompanhava deixou a subida bem chatinha.

Passando o pedágio, pegamos a saída para Rodovia Prof. Hipólito Martins, conhecida como Castelinho, sentido Botucatu. O vento contra não nos abandonou e o calor ficava cada vez pior.

Como disse o Artur, a Castelinho poderia se chamar Rondonzinha, pois, embora não seja tão íngreme, tem 20 km de sobe e desce.

Depois de alguns quilômetros na Rondon, a fome foi apertando e o ritmo diminuindo um pouco. Como já sabia que a estrutura do posto do PC 2 não era tão legal para almoçar, decidimos comer antes e paramos num restaurante no topo de uma subida a uns 10 km do ponto de retorno.

Arroz, salada, ovo frito e farofa de milho para mim. Além dessas opções, carne e feijão para o Artur. E um suco de laranja geladinho.

Seguimos bem até o PC 2 e paramos lá por 20 minutos.

A volta pela Rondon foi puxada para mim. O vento, que agora seria a favor, parou completamente. O céu continuava sem uma única nuvem e o relógio do Artur marcava 35°C (temperatura que se manteve igual até as 17h!).

Nossa água estava quase no fim e ainda faltavam uns 7 km até o posto Castelinho, por isso, resolvemos parar num posto policial. Os guardas foram simpáticos e comentaram que o Fábio e o Martin haviam falado sobre nós.

Paramos no posto Castelinho para pegarmos mais água e tomar sorvete para tentar refrescar um pouco. Nos 18 km restantes da rodovia, uma enorme nuvem ajudou a diminuir o calor, mas ela desapareceu assim que voltamos à Rodovia Castello Branco.

Como sou bem cautelosa nas descidas, fiquei contente por chegar à descida da Serra de Botucatu ainda com luz. O acostamento possui um desnível num trecho (o “degrau” mais alto tem asfalto bom) e há um afunilamento quando começa uma das pontes.

Depois da descida, são 13 km até o PC 3. Outra parada de meia hora e voltamos para a estrada. Paramos para fotografar um arco-íris e, ao retomarmos a pedalada, começou uma chuva forte, mas que não durou muito. Embora já não estivesse tão quente, me senti mais animada com a chuva.

O vento contra resolveu reaparecer no final da prova. Durante a última subida (pouco íngreme, mas loooonga), ao passar por uma saída, a rajada foi forte e deu uma boa segurada na bicicleta.

Brevetamos com 17h26.

Algumas considerações
Sofri bastante com o calor, principalmente na volta pela Rondon. Bebi bastante água e gatorade e procurei me alimentar com frequência. Como, às vezes, fico meio enjoada, sachês de carboidrato em gel e sorvete me ajudam bastante.

O tempo pedalado foi de 14h11. Portanto, ficamos 3h15 parados, o que é muita coisa! Isso inclui PCs, paradas para abastecimento de água e diversas paradas para alongamento.

Artur e eu alongamos menos do que deveríamos no dia a dia e isso resulta em musculaturas encurtadas. Além disso, preciso refazer o bike fit da Caçarola, pois, em pedais mais longos, começo a sentir uma dor que irradia da nádega esquerda para o joelho pela parte posterior da coxa. Por isso, precisei parar tanto para alongar nessa prova.

Num brevet, o ideal é não parar muito. Afinal, mesmo com paradas rápidas, quando somamos os minutos, dá bastante tempo. Sempre lembro da recomendação do Herr Richard Dünner, de que é melhor seguir num ritmo mais tranquilo do que achar que vai recuperar o tempo parado pedalando mais forte. Dificilmente, dá certo.

Para quem quiser saber mais sobre os tempos, o Artur organizou nossas anotações sobre as paradas.

Primeira parada alongamento (cerca de 50k) – 4min
Parada furo de pneu (54km) – 10min
Parada PC1 (77,7km) – 30min
Parada para pegar água e alongar (110km) – 8min
Parada para almoçar (137km) – 40min
PC2/água/alongamento/banheiro (152km) – 20min
Parada sombra/água/alongamento/protetor solar (167km) – 10min
Parada alongamento (178km) – 5min
Parada Polícia/água gelada (182km) – 10min
Parada Castelinho (187km) – 15min
PC 3 (226km) – 30min
Paradas diversas no ultimo trecho – 15min

Total de paradas: 3h15
Total pedalado: 14h11
Total: 17h26

Fim de ano em Aiuruoca

A caminho do Vale do Matutu. Foto: Artur Vieira.

A caminho do Vale do Matutu. Foto: Artur Vieira.

Apesar da vontade de viajarmos, só conseguimos planejar o que faríamos na véspera do embarque. Sexta-feira à noite, em uma hora, Artur e eu conseguimos resolver tudo: compramos passagens e garantimos hospedagem. No sábado, partimos para Itajubá e, no domingo, seguimos para Aiuruoca.

Aiuruoca é uma cidade pequena, porém com grande extensão territorial. Escolhemos uma pousada fora da cidade, a Pico do Papagaio, mas eram apenas 4 km de estrada asfaltada. Gostamos de várias pousadas para os lados do Vale do Matutu, no entanto, como o caminho é de terra, não sabíamos as condições da estrada e a previsão era de chuva, achamos melhor não arriscar.

Eu não fazia ideia do tanto de subidas que havia por ali e, embora o ritmo tenha sido de cicloviagem tranquila e a quilometragem diária tenha sido baixa, foi preciso fôlego e força nas pernas.

No dia 30, fomos conhecer a Cachoeira dos Garcias, que tem 30 metros de queda. Da pousada até lá, são cerca de 13 km. O começo foi tranquilo, no entanto, logo vieram trechos de subida íngreme, com calçamento. Não era muito confortável pedalar por essas pedras e, como algumas estavam soltas, achei mais seguro empurrar em algumas partes.

Na volta, fomos para a cidade e ficamos observando o movimento na praça central enquanto esperávamos a pizzaria abrir. Por conta de um evento que destacava as raízes culturais da região, assistimos à apresentação cantada do terço de São Gonçalo. Ah, as tradições do interior.

A programação do dia 31 foi conhecer o Vale do Matutu e partimos com a recomendação de almoçarmos no restaurante da Tia Iraci. O caminho de 21 km atravessa a cidade, tem subidas puxadas e é lindo!

O restaurante é uma delícia. Comida caseira e saborosa, além da feijoada vegetariana mais gostosa que já comi. Porém, achamos que a comida demorou muito. Chegamos às 12h30 e fomos almoçar quase às 14h porque o pessoal estava preparando a ceia de ano novo.

Para não ficar muito tarde, acabamos não indo a nenhuma cachoeira por essas bandas, mas achamos um cantinho por onde passava um riozinho e aproveitamos para relaxar na água refrescante.

Agora que conferimos que a estrada está em boas condições, decidimos nos hospedar no Vale do Matutu quando voltarmos. Além das várias pousadas charmosas, fica mais fácil explorar as atrações dessa região. E, com a oferta de almoço e jantar em algumas dessas pousadas, nem é preciso ir para a cidade.

Viramos o ano sozinhos na pousada, assistindo a um pouquinho dos fogos. Não poderia ter sido melhor. Como disse o Artur, que 2014 seja um ano de muito amor e pedal.

400 km em Holambra

Logo depois da largada. Foto: Bike Forever.

Antes da prova, meu estado de espírito podia ser definido em uma palavra: ansiedade. Iria fazer meu primeiro brevet com a recém-comprada light touring, a Francisca Caçarola. Sabia que o percurso não seria nada fácil, mas estava animada.

Comecei a rodar num ritmo tranquilo para não me cansar logo no início. O Shadow me deixou para trás pouco depois da largada, pois ele iria fazer o desafio de fixa e o ritmo seria diferente. Seguindo as recomendações do “The Complete Book of Long Distance Cycling”, fui comendo e bebendo com frequência e logo cheguei ao PC 1.

Lembrando do tempo apertado na última prova, fiz uma parada rápida e voltei para a estrada em companhia do China. Pedalamos juntos por um tempo e depois acabei indo um pouco na frente. A serra começou e segui o lema do Fábio Tux: “só no girinho”. Durante a subida, fiz duas paradas curtas para alongar e aproveitei para jogar um pouco de água na cabeça. Mais adiante, parei também para encher minha caramanhola num dos pontos de apoio da estrada.

Pouco depois de sair da Rodovia Washington Luiz, meu pneu dianteiro furou. Dois ciclistas pararam logo em seguida perguntando se eu precisava de ajuda e ficaram ali batendo papo enquanto eu trocava a câmara. O Gilberto Kyono nos alcançou, parou para encher o meu pneu e me acompanhou no restante do caminho.

Encontramos o Marcello (fixeiro e guerreiro) e seguimos até o PC 2. Lá, encontramos o Tux e o Gabia e fizemos um lanche mais reforçado e uma parada mais longa. Aproveitei para encher o meu pneu com uma bomba de pé e garantir a calibragem certinha.

Pouco antes do PC 3, senti meu joelho direito doer um pouco. A dor não era forte, mas, em alguns momentos, me incomodava. O Giba ficava me animando o tempo todo. No PC, o Silas me ajudou a ajustar o banco – eu tentei, mas faltou força. Deveria ter feito uma refeição mais completa nesta parada, mas fiquei apenas nas frutas e lanchinhos.

Partimos e o joelho foi incomodando cada vez mais. Fizemos uma parada num posto, onde encontramos outros ciclistas. Alonguei e tomei uma coca-cola para espantar um pouco o sono que estava chegando. Pedalamos mais um pouco e, pela primeira vez em todas as minhas pedaladas, tive câimbra.

No PC 4, a dor estava bem mais forte. O Tux me emprestou o spray de Cataflan e o Artur me deu um comprimido para passar a dor. Tentei dormir um pouco e não consegui, tomei o café que o Giba comprou para mim e voltamos para a estrada.

Além de super atencioso, o Giba tem paciência de Jó. Numa mistura de sono e preocupação com o joelho (que não doía mais por causa do remédio), falei várias vezes que iria desistir e, o tempo todo, ele me incentivava. Porém, quando faltavam apenas 10 km para o PC 5, senti que não dava mais para mim e parei num posto de apoio ao usuário da concessionária. Enquanto esperava meu resgate (Shadow, Tati e Bruno), fiquei conversando com os funcionários e tomando café para esquentar o corpo.

Cheguei ao hotel tremendo tanto de frio que parecia estar com febre e, para meu grande azar, a cidade estava sem energia e a única opção de banho era com água fria. O cansaço era tanto que deitei e logo peguei no sono, mas não consegui dormir por muito tempo. Almoçamos e voltamos para São Paulo. Apaguei antes mesmo de sairmos de Holambra e só acordei quando o Bruno saiu da Marginal para pegar a Rebouças.

A dor no joelho

O Audax foi de sábado para domingo. Segunda e terça foram dias normais para mim, sem dor, porém, decidi não pedalar e deixar o corpo descansar. Na quarta, o joelho incomodou um pouco pela manhã. À tarde, ele estava inchado e eu mancava. Quatro médicos, alguns exames de raio-x e uma ressonância magnética depois, o resultado: tendinite quadricipital. Segundo o médico, o motivo foi esforço repetitivo. Realmente, 340 km não são brincadeira, mas o agravante foi o selim baixo que sobrecarregou a articulação.

Fiquei um mês parada antes de ser liberada para pedalar de novo, começando devagar. E para a notícia ficar ainda melhor, o médico disse que posso encarar os 200 km do desafio no final setembro. A série completa fica para 2013.