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Minas Outback

Minas Outback - ago 2015

Mulheres cicloviajantes na serra velha de Campos do Jordão.

Uma cicloviagem só de mulheres! A ideia surgiu quando, conversando com o Artur e o Tux, sobre um pedal pela Mantiqueira, foi usado o termo Minas Outback. Era uma referência ao estado de Minas Gerais e à ideia do Oregon Outback, mas adotei o termo com outro objetivo.

Minas Outback - ago 2015

Mantiqueira é sempre uma boa escolha.

Planejei um roteiro e chamei algumas meninas que sei que gostam de cicloviajar. Como foi a primeira vez que organizei algo assim, preferi chamar pouca gente. No começo, achava que seríamos apenas a Gabi e eu, mas, aos poucos, algumas mulheres foram topando e chamando outras.

Para não corrermos o risco de perder o ônibus, a Nataly sugeriu invertermos a rota. Essa mudança deixou o pedal mais tranquilo, ficamos folgadas em relação aos horários no domingo e ainda ganhamos uma horinha de sono.

Minas Outback - ago2015

Campos do Jordão – Monteiro Lobato – São Francisco Xavier – Caçapava.

No sábado, conseguimos embarcar as dez bicicletas e os alforjes sem qualquer problema e partimos às 6h para Campos do Jordão. Tomamos café da manhã perto da rodoviária e “chocamos” os atendentes do lugar pelo tanto que comemos (e olha que nem foi tanto assim).

O pedal começou gelado com a descida da serra velha. Foi uma delícia passar de novo por ali e lembrar da minha primeira cicloviagem.

Ao chegarmos à bifurcação para Santo Antônio do Pinhal, tivemos o primeiro e único problema mecânico da viagem. O câmbio dianteiro da Nataly não funcionava mais. Tentamos arrumar, mas a questão era o cabo e não tínhamos reserva. Por sorte, a corrente estava na coroa menor.

Minas Outback - ago 2015

Meu restaurante favorito em Monteiro Lobato.

Em Monteiro Lobato, almoçamos no restaurante Resgate Caipira. Chegamos no finalzinho do almoço, mas ainda tinha comida suficiente para as ciclistas esfomeadas. Subimos a serrinha para São Francisco Xavier com luz do dia, mas a descida foi apenas com as luzes dos faróis.

A hospedagem foi na Pousada Canto dos Pássaros, um pouco antes da entrada de São Francisco. Já havia ficado lá durante outra cicloviagem de fim de semana. O lugar é uma delícia e o atendimento muito simpático. Como tínhamos bastante comida nos alforjes, desencanamos de jantar em algum restaurante e aproveitamos a cozinha comunitária para compartilharmos as guloseimas, os vinhos e cervejas (de pinhão e avelã!).

Estrada do Livro

A manhã começou devagar. Tomamos café da manhã com calma e saímos às 10h da pousada. Pedalamos tranquilamente e logo estávamos em Monteiro Lobato de novo.

Como teríamos que encarar duas serrinhas em uma estrada sem abastecimento, sugeri almoçarmos no mesmo restaurante do dia anterior. Aqui o grupo se dividiu, pois algumas meninas disseram que ainda estavam cheias do café e decidiram seguir pedalando.

A Estrada do Livro também é chamada de Estrada Velha pelos moradores da região. O percurso é lindo, com duas serrinhas curtas e íngremes. Entre uma e outra, fica um dos sítios do Pica-pau Amarelo. Segundo nos contaram, esse é onde Monteiro Lobato morava.

Paramos para uma foto em frente à placa e reencontramos as meninas que optaram por não almoçar. A Vivi e eu ficamos doidas por um café e fomos perguntar se tinha ali. Num tom bastante mal educado, a dona disse: “são dez reais para visitar o sítio e servimos almoço apenas com reserva. Não temos café”. Então tá, não voltamos mais.

Minas Outback - ago 2015

Reagrupando.

De volta à estrada, encaramos o trecho de terra e pedrinhas, que, no sentido Caçapava, é uma subidinha de 3km. Cada uma subia no seu ritmo e, em determinado ponto, parávamos para reagrupar, sem deixar ninguém para trás.

Ao planejar a rota, esqueci de descontar os quilômetros de ida e volta entre São Francisco Xavier e a pousada, por isso, o pedal do dia foi mais curto do que achei que seria. Chegamos a tempo de trocar as passagens para um horário mais cedo e ainda deu para brindarmos à cicloviagem com cervejas no boteco da rodoviária.

Foi uma experiência e tanto! Era uma viagem em grupo, mas havia autossuficiência, pois cada uma era responsável por suas passagens, hospedagem, lanchinhos.

Alguns conhecidos não tinham muita certeza sobre esse pedal. Vai dar certo? Vai ter quórum? No fim, deu certíssimo e foi só o primeiro. Se alguma mulher está na dúvida sobre fazer uma cicloviagem, espero que este evento seja um incentivo. Sozinha ou com amigas, simplesmente vá.

Carnaval em Campos do Jordão

Início da jornada.

A ida

“Ah, eu vou vai!” E assim, num impulso, resolvi encarar a serra de Campos do Jordão em uma cicloviagem durante o Carnaval.

Na manhã de sábado, partimos de ônibus até Taubaté. A ida seria pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, passando por Tremembé. Apesar do calor, a primeira parte foi bem tranquila. Logo depois da primeira subida, paramos em frente ao posto da Polícia Rodoviária e aproveitamos para reabastecer as caramanholas.

O primeiro morrinho foi brincadeira perto do que veio depois. A placa indicava a distância até Campos do Jordão: 28 km. De subida! Sempre digo que sou ruim de subidas e percebi que o maior problema é a afobação. Quero que acabe logo e começo num ritmo mais intenso do que aguento. Aí, canso rápido e demoro para recuperar o fôlego. Porém, como a serra de Campos não acabaria tão cedo assim, fui me controlando para não exagerar.

Sobe, sobe, sobe.

Algumas pessoas foram mais rápidas e o grupo se dividiu um pouco. O sol forte e o calor não ajudaram e a água estava no fim. Quando vi uma caminhonete da DER, não tive dúvidas. Fui perguntar se o rapaz tinha água para nos dar. Muito solicito, ele encheu minha caramanhola e disse para eu beber que ele encheria de novo.

Fiquei lembrando de um texto dos amigos Fabrício e Affonso no blog Ushuaialaska. Eles falaram sobre a “humanidade” que existe em pedir água a outra pessoa e como “negar água é ao mesmo tempo a expressão mínima e máxima da maldade com o outro”.

Numa das paradas curtas para descanso, mandei uma mensagem para o Marcello perguntando se ele tinha encontrado o mirante com lanchonete sobre o qual alguém tinha comentado. A resposta veio rápida: fazendinha no km 38. Olhei para frente e estávamos a apenas alguns metros da entrada.

Torta de ricota com espinafre e saladinha de alface com flor comestível.

Com a fome e a sede que eu estava, parecia realmente que tínhamos encontrado um oásis. Lugar lindo, aconchegante, com comida orgânica e deliciosa! Ficamos lá por quase uma hora, comendo, bebendo e descansando. Depois seguimos em três: Shadow, Marcello e eu.

Reencontramos parte do pessoal pouco depois no mirante (que realmente existe!). Aproveitamos para comer milho cozido, mas perdemos o caldo de cana, pois a barraca já tinha sido desmontada.

Quase lá!

As últimas pedaladas foram no escuro, mas em poucos minutos chegamos a Campos do Jordão. A felicidade de alcançar o destino foi tanta que nem lembrava mais do cansaço.

Reunimos o grupo todo e fomos para a casa que tínhamos alugado, com subida no caminho, para continuarmos no clima, é claro.

Domingo de muita comilança

Cadê o chão?

Depois do café da manhã numa padaria amiga do ciclista, ou seja, com paraciclo, fomos passear em Capivari. No caminho, paramos para uma pedalada no ar: a Larissa foi testar a “bike-tirolesa”. Depois, encaramos a fila do teleférico para aproveitarmos a vista do Morro do Elefante.

O almoço foi na Baden Baden com direito a batata suíça e apfelstrüdel. Os não-vegetarianos optaram pelo eisbein. E todo mundo saiu de lá com a barriga cheia.

Perto de onde estávamos hospedados, decidimos parar em uma cervejaria. Alguns foram pedalar mais um pouco e outros ficaram para o bate-papo, cerveja e batata frita. Até que o Giba voltou com a ótima notícia de que, ali perto, tinha uma casa de espetinhos. E a gula falou mais alto de novo.

A brasília amarela.

Nos divertimos com a Brasília amarela cortada ao meio e adaptada para acomodar a chapa onde os deliciosos espetinhos são preparados. Comi o melhor pão-de-alho da minha vida e minha frustração foi não aguentar comer mais.

De barriga ainda mais cheia, voltamos para casa.

A volta

A Rodovia Monteiro Lobato é sem acostamento, cheia de curvas e tem apenas uma faixa em cada sentido. No entanto, as árvores projetam uma sombra gostosa no caminho e a vista é incrível.

Tive momentos de “Rota Márcia Prado feelings”, pois, embora estivéssemos descendo a serra, havia muitas subidas no percurso. De qualquer forma, foi bem mais tranquilo do que a ida, mesmo pedalando o dobro da distância.

:)

Pedalei sozinha por alguns momentos e parei várias vezes para fazer fotos. Num cruzamento, tinha uma banquinha de doces típicos. Não resisti e comprei um pacotinho de bolinhas de pavê de milho cobertas com chocolate.

Enfim, chegamos a Monteiro Lobato. Meu pai tinha me perguntado umas cinco vezes se passaríamos por lá. O almoço foi recomendação do Shadow e aprovado por todos: restaurante Resgate Caipira. Estava sem fome, mas me rendi quando vi que tinha quiabo e pudim.

Infância.

Antes de deixar a cidade, tirei uma versão meio fajuta de uma foto clássica de amigos. E outra com a Emília, é claro.

A empolgação bateu nos últimos quilômetros e, logo, estávamos em São José dos Campos. Pergunta aqui, pergunta ali e chegamos à rodoviária. Esperamos a turma, batemos a foto oficial de chegada e embarcamos no próximo ônibus.

Adorei a experiência e quero fazer mais e mais viagens. A volta à fazendinha é uma delas, com certeza.

New Yorker e eu.