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De carro pela Argentina, Chile e Bolívia

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Rodamos quase 8 mil quilômetros em 18 dias.

Para quem pretendia passar as férias num sítio próximo a São Paulo, uma viagem de carro passando por três países foi uma mudança e tanto. Nossa companheira de férias ganhou uma passagem para Portugal e nós decidimos passear pela América do Sul. Em uma semana, planejamos tudo e pegamos a estrada.

Rumo ao Chile

Os primeiros dias resumiram-se a longas horas na estrada. Foram quase 600km em uma estrada reta, de pista simples, com alguns caminhões e muito calor. A região do Chaco argentino definitivamente não me atraiu. Na primeira noite na Argentina, dormimos em Resistência, que consideramos mais ajeitada do que a vizinha Corrientes.

A segunda noite foi em San Salvador de Jujuy, onde jantamos no restaurante Viracocha, de comida tradicional do norte argentino e que serve uma empanada de quinoa deliciosa.

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O primeiro salar da viagem: Salinas Grandes, na Argentina.

A partir de San Salvador de Jujuy, com a aproximação dos Andes, a paisagem e o clima melhoram. A região é bastante árida, com montanhas coloridas e muitos cardones – cactos gigantes. Passamos por Purmamarca, cruzamos o primeiro salar da viagem – o Salinas Grandes – e seguimos para a fronteira com o Chile.

Cruzar o paso de Jama foi bem mais tranquilo do que eu esperava. Os guichês estão organizados em sequência. Carimbos de saída da Argentina nos passaportes, aduana do carro, carimbos de entrada no Chile e aduana do carro. Embora o seguro Carta Verde seja obrigatório e estivesse na pastinha de documentos, nesta fronteira, tive que apresentar apenas o documento do carro e minha habilitação brasileira. Cheguei a mostrar a Permissão Internacional para Dirigir, mas a oficial nem deu bola. O último passo foi a vistoria do carro.

Neste ponto, eu estava com um pouco de dor de cabeça por causa da altitude. Em San Salvador de Jujuy, estávamos a 1.259m e o paso fica a 4.200m. O caminho continua subindo e, em busca do Salar de Tara, chegamos a 4.811m, o que me deixou imprestável. Apesar disso, tivemos uma bela surpresa no caminho para San Pedro de Atacama: começou a nevar no deserto!

O Artur ficou chocado com o tamanho da cidade. Há dezoito anos quando ele esteve lá, havia basicamente um restaurante e um hotel/camping. Hoje em dia, há muitas opções. A rua principal é a Caracoles, onde estão muitas das agências de turismo e restaurantes. Durante o dia, o movimento é pequeno, pois os turistas estão nos tours pela região. À noite, a rua fica lotada.

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Livraria charmosa a poucos quilômetros de San Pedro de Atacama.

Na minha lista de lugares para conhecer estava a Librería del Desierto, que pertence ao escritor chileno Diego Álamos. Localizada a 6km de San Pedro, a livraria funciona em um contêiner instalado no quintal da casa dele e é focada em autores chilenos. Além da beleza do lugar e da tentação dos livros, a visita vale a pena pela simpatia do Diego. Ficamos cerca de duas horas ali batendo papo.

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Dunas e anfiteatro no Valle de la Luna.

No final da tarde, fomos ao Valle de la Luna, também a cerca de 6km da cidade. Seguindo a estrada dentro da reserva, fizemos o passeio por dentro das cavernas de sal, passamos pelo anfiteatro e depois chegamos à formação chamada de Três Marias. Ao longo do caminho, há estacionamentos. Tentamos deixar o carro em um deles e seguir a pé até as dunas, mas os guias do parque não autorizaram. Andar por ali valia apenas para quem estava em um tour pago. Bom, deixamos o carro em outro estacionamento e fomos para as dunas para ver o por-do-sol. O lugar fica lotado, então, se quiser pegar um bom lugar, é melhor não ir muito tarde. Algumas agências oferecem a opção de ir para lá pedalando e voltar de carro.

No dia seguinte, paramos na laguna de Chaxa para fotografar flamingos e depois seguimos rumo ao paso Sico. A ideia era acessar uma estrada de terra para chegarmos à laguna Lejía, só que a existência de um posto de carabineiros frustrou nossos planos. Com o argumento de que a estrada por ali é muito ruim e ninguém poderia nos resgatar caso acontecesse algo, eles proibiram nossa passagem.

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Caveirinho no cenário do nosso camping selvagem.

Se fôssemos voltar para San Pedro, chegaríamos tarde à cidade, então, decidimos acampar próximos a algumas formações rochosas. Só que o vento era tanto, que não nos animamos a montar a barraca e decidimos dormir dentro do carro. Claro que a ventania parou no meio da madrugada, mas deixamos por isso mesmo. Quando acordamos, nossa respiração condensada no para-brisa do carro tinha congelado. O jeito foi esperar o sol esquentar um pouco e esse gelo derreter para poder dirigir.

Passamos mais uma noite em San Pedro e levantamos cedo para subirmos o vulcão Láscar. A estrada até a entrada para a vila Talabre é asfaltada; a partir daí, é só areia com costelas de vaca. Não vimos o nascer do sol na beira da laguna Lejía, mas o astro rei iluminou os vulcões do caminho de maneira incrível.

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Laguna Lejía e diversos vulcões vistos de longe durante subida do vulcão Láscar.

É possível estacionar o carro num ponto relativamente alto para começar a caminhada – partimos de 4.825m. O Láscar é um vulcão fácil do ponto de vista técnico; a subida nada mais é do que uma caminhada. O grande porém é a altitude: eu tinha que andar bem devagar para não perder o fôlego. E valeu muito a pena quando chegamos à cratera do vulcão a 5.449m e vimos a fumacinha saindo – o Láscar é um vulcão ativo. Com o vento aumentando de intensidade, logo começamos a descida com cuidado para não escorregarmos na areia fofa. Chegando ao carro, estávamos um pouco baqueados pelos efeitos da altitude combinados ao esforço físico.

Bolívia

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Admirando a Ruta de las Lagunas .

Depois da última noite no Atacama, partimos para a Bolívia. Optamos por cruzar a fronteira pelo paso Hito Cajón (também chamado Portezuelo del Cajón) para conhecer a chamada Ruta de las Lagunas. Esse paso gera algumas controvérsias, pois dizem que o risco de assalto na estrada é grande e que a cobrança de propina é frequente – lemos alguns comentários no app iOverlander. Não sei se foi o fato de estarmos entrando e não saindo ou por sermos brasileiros, mas fizemos a imigração sem qualquer problema, enquanto três gringos tiveram que pagar 17 pesos bolivianos (se não me falha a memória) ao deixarem a Bolívia.

Com os passaportes carimbados, fomos informados pelos guardas que a aduana do carro seria feita somente no posto Apacheta, que fica dentro de uma mineradora a 80 km dali, pois a aduana na entrada da Reserva Eduardo Avaroa estava fechada nesse horário. Seguimos com receio de perder o horário e não encontramos ninguém quando chegamos ao posto. O guarda apareceu em 15 minutos e não queria fazer o processo; disse que deveríamos ter feito isso na entrada da reserva e nos mandou esperar. Cerca de 20 minutos depois, me chamou à sua sala e começou a inserir os dados no sistema Sivetur. Para quem viaja com carro próprio na Bolívia, ter os dados do veículo inseridos nesse sistema é fundamental. O consulado brasileiro em Santa Cruz de la Sierra informa que carros fora desse sistema podem ser confiscados e irem a leilão em pouquíssimo tempo, sem que os representantes brasileiros possam interferir.

Assim que recebemos os papéis, voltamos para a estrada e continuamos na direção da Laguna Colorada. Encontramos hospedagem no povoado de Huyallajara, onde todas as casas parecem terem sido transformadas em hospedagem ou vendinha. Além da “cozinha” (um cômodo com um tambor cheio de água e uma pia sem cano), dividimos uma garrafa de vinho boliviano com um casal de peruanos – longe de ser bom, pelo menos não deu dor de cabeça.

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Árbol de Piedra, uma das atrações do Deserto de Siloli.

Ao deixarmos a reserva, pagamos o valor dos ingressos, 150 pesos bolivianos por pessoa, já que não havia ninguém para nos cobrar na outra entrada. Paramos para admirar a Árvore de Pedra, antes de continuarmos pelo Deserto de Siloli. Não há uma estrada certinha e as diversas marcas de pneus na areia podem facilmente confundir os motoristas. Atravessamos esse trecho seguindo uma rota baixada do wikiloc e inserida no gps.

Pelo caminho, encontramos diversos Land Cruisers, o carro favorito dos bolivianos para transportar os turistas e acelerar pelo deserto como se não houvesse costelas de vaca. Apesar de ninguém falar nada, pelo jeito como nos olhavam em algumas paradas, tínhamos a sensação de que éramos mal vistos pelos guias por estarmos ali com carro próprio.

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Encontro inesperado com ciclistas franceses.

Mas o deserto trouxe uma boa surpresa para nós. Encontramos dois ciclistas franceses, os irmãos Clément e Aurélien, que saíram da Colômbia com destino ao Ushuaia. Oferecemos água a eles e ouvimos algumas histórias sobre viagens e o projeto Ocean Cleaner’zh de limpeza e conservação dos oceanos, promovido pelos dois em parceria com mais um amigo.

Uyuni é meio caótica, as regras de trânsito não parecem ter muito valor por ali e a cidade em si não tem muita graça. Tudo é centrado no turismo, com várias agências e seus pacotes clássicos para o salar e arredores, hotéis e restaurantes. Estes oferecem praticamente o mesmo cardápio, que inclui de pizza a comida mexicana, com opções variadas de bebidas a base de café. Jantamos uma pizza nada especial e nos surpreendemos com a cerveja de quinoa – lembrava uma weissbier e era bem boa. Fiquei surpresa também com a quantidade de coreanos passeando por ali – dois dos quais protagonizaram um ensaio fotográfico de casamento no cemitério de trens.

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Hotel, restaurante e lojinha no Salar de Uyuni.

Na beira do Salar de Uyuni, contratamos um guia para percorrer um trecho dessa imensidão de sal e fomos até o hotel, onde também funciona um restaurante e uma lojinha de souvenir, claro. Não arriscamos ir com nosso carro porque o sal detona os veículos; além disso, os bolivianos já ficam preparados, forrando a parte de baixo dos carros com lonas.

No caminho entre Uyuni e Villazón, passamos por dois pedágios. Embora um deles fosse bastante informal – uma cancela no meio da estrada com uma casinha ao lado – e bem mais caro (pagamos 20 pesos bolivianos neste e 5 no outro), nosso maior susto foi quando dois militares nos pararam entre as vilas Oploca e Tupiza.

Para nosso azar, ainda trazíamos um galão de combustível, que compramos para cruzar o trecho das lagunas e não foi necessário. Ao revistar o carro, um deles obviamente encrespou com isso. Argumentamos que nos inspiramos nos bolivianos e o questionamento seguinte foi sobre o quanto pagamos pelo litro de gasolina, já que o combustível é vendido por preços diferentes para bolivianos e estrangeiros. Não me recordo os valores exatos, mas quem vem de fora paga o dobro. Até recebemos a “dica” para irmos aos postos com galões, darmos os números dos nossos RGs e enrolarmos um pouco na pronúncia dos nossos sobrenomes (no meu caso, é impossível!) para pagarmos mais barato. No entanto, a Bolívia já é um país de gente sofrida e que passou por tanta exploração, que em momento algum cogitamos essa possibilidade.

O militar aquietou-se ao receber a resposta sobre nossas profissões. Nosso interrogador devolveu nossos passaportes e a carteira de motorista do Artur, disse para esvaziarmos o galão e seguirmos viagem. Considerando o que li em relação ao confisco dos carros não inseridos no Sivetur, fiquei surpresa porque ele não pediu nenhum documento referente ao veículo.

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Paisagens bolivianas a caminho da fronteira de Villazón.

A fronteira de Villazón e La Quiaca é integrada e os trâmites de migração são feitos apenas no guichê argentino – assim, não há carimbo de saída da Bolívia no passaporte. Conversamos bastante com o oficial argentino que fez nossa aduana e suspeitamos que ele passou um pano para nós com o responsável pela revistas dos carros. Depois de um tempão examinando toda a bagagem de uma família argentina, ele mal olhou nosso porta-malas e nos liberou.

Argentina

No caminho para Salta, vimos uma procissão da Virgem da Candelária, que fechava parte da rodovia. Embora as pessoas dessa região sejam claramente de origem indígena, a devoção à santa católica mostra bem a influência dos colonizadores espanhóis.

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Artesanias de Uquía.

Sem pressa, aproveitamos para conhecer algumas vilas charmosas que estavam em nosso trajeto. A primeira parada foi em Uquía, que se destaca pelo artesanato de cerâmica e objetos diversos feitos com o tronco seco dos cardones.

Cercada por montanhas, Tilcara é uma graça e estava bem movimentada com muitos turistas argentinos. Aproveitamos para dar umas voltas pelo centro e comer empanadas e alfajores antes de voltarmos para a estrada. Fizemos ainda uma parada em Purmamarca, famosa pelo Cerro de los Siete Colores e ainda mais turística.

Depois de tantos dias passando por lugares pequenos, foi estranho chegarmos a uma cidade grande como Salta. Por azar, nosso dia livre na cidade era uma segunda-feira e alguns dos museus que queríamos visitar estavam fechados. Por outro lado, no Museu Histórico do Norte, tivemos a sorte de encontrar o Wildo, um guia muito simpático e que ficou animado com a curiosidade deste casal brasileiro.

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Videiras de uma dentre as diversas bodegas de Cafayate.

O próximo destino era Cafayate, incluído na lista por ser a cidade com as vinícolas em maior altitude do mundo, a 1.683m acima do nível do mar. Em um dia, fizemos três visitas guiadas, sendo duas com degustação. A Piattelli e a El Esteco são as maiores e com processos mais modernos. Visitamos ainda a Nanni, que produz alguns vinhos orgânicos e cuja visita é gratuita – paga-se à parte a degustação.

De volta ao Brasil

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Amigos queridos!

Ao pesquisar o caminho de volta para a casa, optamos por cruzar a fronteira em San Javier/Porto Xavier e passarmos pelo sítio dos amigos Ana e André, também conhecidos como Pedarilhos, que moram em Tangará-SC. Fiquei muito feliz por, finalmente, conhecê-los pessoalmente. Embora rápida, foi uma visita divertidíssima!

Dicas

Meus textos aqui são longos e sei que nem todo mundo tem paciência para lê-los. Então, para facilitar, decidi colocar algumas dicas aqui no final.

San Pedro de Atacama

  • Hostel El Anexo: melhor custo benefício que encontramos em San Pedro de Atacama. A simpática dona sempre reserva algum espaço para camping e motorhomes.
  • Franchuteria: MELHOR padaria da vila sem um pingo de dúvida. Deu água na boca só de pensar nos croissants.
  • Café Bumkaldi: foi o único lugar onde encontramos um café bom. Oferece ainda empanadas e bolos – opções veganas também.
  • Empório Andino: fica numa das pontas da Calle Caracoles e oferece ótimas empanadas.

Tilcara

  • Makoka: lugar charmoso, com um café gostoso e alfajor recheado com doce de cayote (a fruta, parente da abóbora, é chamada de gila em português e é comum no sul do Brasil). No local, é possível encontrar diversos livros sobre culinária local, cultura indígena e sobre a dominação espanhola.

Salta

  • Hostel Yatasto: nossa hospedagem em Salta, com garagem.
  • El Charruá: dica da dona do hostel, agradou à vegetariana e ao onívoro.
  • Casa Moderna: localizado na Calle España, 674, a casa não é nada moderna. Trata-se de um empório antigo – e lindo! Infelizmente, não é permitido tirar fotos.

Cafayate

  • Hostal Caetano: foi o melhor custo-benefício que encontramos na cidade.
  • Bodega Nanni: oferece visitas guiadas gratuitas – a degustação, no final, é paga à parte. Quem faz a visita tem direito a um voucher de desconto (5%) para jantar no restaurante que funciona dentro da vinícola – o desconto é ainda maior para quem pagar em dinheiro. Jantar delicioso!!

Apps

A navegação durante a viagem foi feita basicamente com os aplicativos abaixo. A exceção foi a rota das lagunas, onde usamos um aparelho de gps (eTrex 35) com um track baixado do wikiloc.

  • Google Maps: descobri nesta viagem que o app possibilita baixar mapas para consultas offline.
  • iOverlander: traz dicas de locais para camping (tanto selvagem quanto com estrutura), restaurantes, pontos de água, mecânicos, bancos, fronteiras entre outros. Conteúdo atualizado pelos próprios usuários, é mais voltado para quem viaja de carro, mas encontrei dicas e informações postadas por ciclistas.
  • Maps.me: recomendado pelo casal de peruanos, também traz dicas para viajantes e traça rotas utilizando carro, transporte público, bicicleta e até a pé. É preciso baixar os mapas antes.

#michayarturoenlaruta

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Patagônia 2015

Patagônia 2015

Nos arredores de Bariloche.

A escolha do segundo destino de férias em 2015 coube ao Artur e não fiquei surpresa quando ele definiu: “vamos para a Patagônia”. Além de uma viagem de bicicleta, o roteiro incluía visitar a família hermana que ele conheceu quando cicloviajou de Santiago a Ushuaia em 2012.

A Felicitas foi nos buscar no aeroporto em Bariloche e fizemos uma surpresa para o Careca, que não fazia ideia da nossa chegada. Antes de partirmos para o Chile, tivemos um dia de descanso e os amigos aproveitaram para colocar um pouco do papo em dia. 

Paso Cardenal Samoré

Com o tempo contado, fomos de ônibus de Bariloche para Puerto Varas para iniciarmos o pedal. A viagem demorada foi compensada pelas belezas do caminho. Primeiro, passamos por uma parte da Rota dos Sete Lagos e depois seguimos para o Paso Cardenal Antonio Samoré. Ao longo da estrada ainda havia bastante neve e ficamos pensando em como seria pedalar por ali.

Puerto Varas – Ensenada (45 km)

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Ciclovia ligando Puerto Varas a Ensenada.

O primeiro dia de pedal foi bastante tranquilo: pedalamos por uma ciclovia que liga Puerto Varas a Ensenada e pudemos admirar o vulcão Osorno por praticamente todo o caminho. Chegamos cedo ao nosso destino e nos instalamos no camping Montaña.

A cidade não oferece muitas opções e parte do comércio ainda estava fechada porque a temporada não havia começado. Nesse camping, por exemplo, há um restaurante que só funciona durante o mês de janeiro.

Passamos o resto do dia admirando o vulcão Osorno na beira do Lago Llanquihue e tirando fotos. Preparamos o jantar e, em homenagem ao Tux e ao Davi, que fizeram a primeira parte da viagem com o Artur em 2012, tomamos vinho de caixinha tetra-pak. Um vinho da casa “melhorado”.

Ensenada – Puelo (79 km)

Patagônia 2015

Tchau, Osorno!

Aos poucos, deixamos o Osorno para trás, mas fomos acompanhados por outros picos nevados por um bom trecho. Havia muita água cristalina por todo o caminho, incluindo o Rio Petrohué. 

O almoço foi em Cochamó e, pela primeira vez, estive num restaurante onde não se serve água. A cidade não tem muita estrutura, mas a região é linda e atrai pessoas interessadas em caminhadas. Há alguns roteiros bem legais de trekking por ali e óbvio que eles estão na minha infindável lista de “quero fazer/quero voltar”.

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Olá rípio!

A partir de Cochamó, demos adeus ao asfalto e olá ao rípio. Logo na saída, encaramos um trecho com pedras maiores e muito sobe e desce. Embora não fossem longas e tampouco íngremes, as subidas eram frequentes e estávamos cansados quando encerramos o dia. 

Como era de se esperar, Puelo é uma vila pequena. Porém, teve algumas boas surpresas como um hostel novinho, limpo e ajeitado, um mercadinho bacana e wifi gratuito na praça (hehe). 

Puelo – Hornopiren (92 km)

Este foi o tramo mais longo da viagem. O começo foi no asfalto, com uma vista incrível para picos nevados, mas logo vieram o rípio e um sobe e desce pior do que o do dia anterior. As subidas e descidas eram mais íngremes do que na véspera e mais frequentes também.

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Entre Puelo e Contao.

Fizemos uma pausa para comer antes de chegarmos a Contao e vi, pela primeira vez, um leão marinho. 

Quando chegamos à vila, compramos água e mais algumas comidinhas antes de continuarmos. Nesse recomeço, encaramos uma subida chatinha e bateu uma preguicinha, mas tínhamos chegado cedo em Contao e achamos que não valia a pena pernoitar ali. De qualquer forma, o pedal rendeu, pois havia um trecho de asfalto no nosso caminho, já que a Carretera está sendo asfaltada aos poucos.

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A vista da chegada a Hornopirén encanta.

Na chegada a Hornopiren, passamos pela casa de um casal que nos havia oferecido carona mais cedo. O preço do camping era bom, mas optamos por ficar numa parte mais central. Acabamos hospedados em um hotel bem legal, com bom preço.

Depois de nos instalarmos, fomos atrás das passagens das balsas para Caleta Gonzalo (companhia Transportes Austral). É preciso ficar atento ainda às datas das balsas, pois, dependendo da época, ela não funciona diariamente.

Chegamos pouco antes do horário de fechamento do escritório e levei um tremendo susto quando a moça disse que não tinha mais lugar para embarcarmos no dia seguinte. Por sorte, o responsável pelo lugar apareceu nesse momento e falou: “eles estão de bicicleta. Pode vender as passagens.” Não havia espaço era para automóveis. 

Hornopiren – Caleta Gonzalo

A primeira providência do dia foi buscar as passagens, que ainda não haviam sido pagas. A atendente já tinha encerrado o caixa quando fomos comprá-las na véspera e, por isso, as deixou apenas reservadas.

Antes de embarcarmos, passamos numa vendinha para comprarmos mais comida e aproveitamos para pegar um vinho. Taí algo interessante no Chile, mesmo em mercadinhos safados, dá para encontrar bons vinhos.

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Prendendo as bicicletas no caminhão.

Conhecemos um casal do País Basco que estava começando a viagem pela Carretera. Juntos, combinamos com um caminhoneiro para fazer o transporte das nossas bicicletas num trecho de 10km entre Leptepú e Fiordo Largo, enquanto nós seguiríamos em uma van. O pessoal da empresa de transporte pede para que isso seja feito para não haver atraso na partida da segunda balsa.

A estrada não era ruim como falaram e constatamos que chegaríamos a tempo com as bicicletas. Só que teria sido horrível pedalar com a poeira absurda levantada pelos carros e caminhões passando em comboio.

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Duas balsas ligam Hornopirén a Caleta Gonzalo.

A segunda balsa é rápida e em cerca de 20 minutos estávamos em Caleta Gonzalo, dentro do Parque Pumalín.

Esse parque foi criado pelo fundador da empresa The North Face, Douglas Tompkins. Depois de uma viagem à região, ele se apaixonou pela Patagônia, começou a comprar terras por ali e criou áreas de preservação. 

Em Caleta Gonzalo há um café, um centro de informações, cabanas e um camping. O centro de informações estava fechado, pois a temporada ainda não havia começado. E essa foi a mesma explicação dada pelo guarda-parque Jorge para não termos encontrado ninguém responsável pelo camping. Simpático, ele disse para aproveitarmos. 

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Camping no Parque Pumalín.

A primeira providência foi tomarmos um banho de pia, pois não há chuveiros ali. O restante do dia foi bem tranquilo. Montamos a barraca, organizamos as tralhas, jantamos e ficamos conversando e tomando vinho até o sono chegar.

Caleta Gonzalo – Chaitén (56 km)

Apesar de muitas subidas, a estrada estava ok no começo. Mas é claro que o rípio piorou depois, com bastante cascalho e pedras grandes. 

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Estrada que corta o Parque Pumalín.

Cruzar o parque por essa estrada foi incrível. Primeiro, há um trecho de vegetação mais fechada e depois vimos muitas árvores mortas. Deduzimos que era consequência da última erupção do vulcão Chaitén em 2008.

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Muita água pelo caminho.

Alguém pelo caminho nos contou que há pouco tempo ocorreu uma enchente por ali e talvez isso explique algumas árvores arrancadas pelas raízes que vimos nas laterais da estrada, além de um pouco de erosão.

Já próximo à cidade, começa um trecho de asfalto que serve como estrada e como pista de pouso. A vista ao chegar à cidade é bem bonita.

Chaitén está retomando as atividades, porém, ainda tem jeito de cidade abandonada em alguns pontos. Tentamos hospedagem num hostel, mas não havia sinal de vida. Por fim, fomos parar numa cabaña com a regalia de uma cozinha e um “vizinho” brasileiro, o Baki, que estava indo de Curitiba para o Ushuaia de moto. 

Chaitén – Villa Santa Lucia

O tempo amanheceu feio e decidimos tentar uma carona. Um casal nos deixou em El Amarillo, uma vila junto ao parque de mesmo nome e continuação do Parque Pumalín. Ali, havia sido recém-inaugurado um mercado bastante ajeitado, com alimentos, artesanato, roupas e diversos equipamentos para camping. Entrei para comprar café, mas nem precisei: a bebida era cortesia. 

Enquanto tentávamos a segunda carona, reencontramos nosso conterrâneo Baki, que teve um contratempo com a moto e voltava para Chaitén. Vimos também um casal de alemães que estava nas balsas conosco e viajava em uma linda Toyota Land Cruiser com um camper. O Artur se apaixonou!

Nossa carona até Villa Santa Lucia foi um rapaz e sua fofíssima mãe. Ela me convidou várias vezes para visitá-la em La Junta e repetia: “A señora o señorita no lo se.”

A estrada estava em obras e alguns trechos estavam bem ruins para passar. Provavelmente, logo virá o asfalto por aqui também. 

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Villa Santa Lucia.

Ao desembarcarmos, encontramos alguns cicloturistas subindo a Carretera Austral. Um casal de franceses, um outro francês que eles conheceram no caminho e que começou a viagem no Rio de Janeiro e um inglês com muitas histórias para contar. Era sua terceira viagem pela Patagônia, além de já ter pedalado na África e percorrido a Transamazônica.

O Artur se apaixonou pela bicicleta do inglês Justin, uma George Longstaff feita sob medida e que o acompanha há 15 anos pelas estradas do mundo.

Villa Santa Lucia – Futaleufu (79,8 km)

Estava apreensiva com esse trecho devido à altimetria mais puxada. Porém, o pedal foi bem mais tranquilo do que imaginei. Encaramos tempo nublado, mas sem chuva e pudemos admirar bem o caminho, repleto de montanhas ainda com neve.

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Lago Yelcho.

Próximo ao lago Yelcho, um cachorro saiu correndo de sua casa e nos acompanhou por cerca de 10 km. Por sorte, paramos numa casa onde as moradoras conheciam seus donos e se comprometeram a devolvê-lo.

Apesar de pequena, Futalefeu é ajeitada. Chegamos num domingo e praticamente todo o comércio estava fechado, claro. A salvação para os ciclistas esfomeados foi um centro comunitário onde acontecia uma feirinha de artesanato.

O Artur comeu duas fatias de um delicioso tiramissu e eu experimentei o mote com huesillos. No Equador, mote é um tipo de milho muito saboroso, mas, em território chileno, é trigo. Tomei a bebida bem gelada e achei gostosa a princípio, só que ela é tão doce que se tornou enjoativa.

Conversando com a senhora que nos vendeu as bebidas e doces, descobrimos que há muitos brasileiros morando em Futalefeu e, por pouco, não cruzamos com um deles.

A cidade possui muitas opções de hospedagem que só funcionam na temporada. E novembro definitivamente não se encaixa nesse período. Para nossa última noite no Chile, nos hospedamos no hotel Antigua Casona e jantamos na Hosteria Rio Grande. Era tanta comida, que nem dei conta.

Futaleufú – Trevelín (50 km)

Tivemos a manhã mais preguiçosa da viagem e também o melhor café da manhã. O dono do hotel, um italiano que há dois anos trocou Milão por Futaleufú, preparou uma mesa farta e ainda nos deu lanchinhos para a viagem.

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Minha primeira fronteira de bicicleta.

Os 10 km até a fronteira foram fáceis: asfalto e descida. E a entrada na Argentina foi ainda mais tranquila do que a saída do Chile. O cara que carimbou nossos passaportes até arriscou um pouco de português e o responsável pela aduana apenas perguntou se as bicicletas eram nossas e nos liberou.

O restante do caminho foi ruim por causa das costelas de vaca. E os últimos 7 km foram piores do que os 33 km anteriores. Não bastasse a estrada piorar, o vento contra apareceu, afinal, tínhamos entrado na Patagônia Argentina.

Trevelín é uma cidade bem fofa de colonização gaulesa e famosa pelas casas de chá. Até queríamos experimentar a cerimônia do chá, mas achamos caro (200 pesos por pessoa) e não queríamos nos entupir de doces. Acabamos jantando numa pizzaria mesmo.

Trevelín – Los Alerces (74 km)

Antes de partir, fomos ao mercado e à padaria abastecer nosso estoque de comida. Infelizmente, não encontrei nenhuma opção de empanada vegetariana.

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Chegamos e não havia ninguém na portaria.

Os 35 km até Futalaufquen são asfaltados e, apesar de quatro subidas puxadas bem na sequência, esse trecho rendeu. Fomos até o centro de visitantes do Parque Los Alerces onde conseguimos um mapa com indicações de hospedagem pelo caminho.

Seguimos até o Lago Verde, onde há um camping recém-inaugurado que custava 150 pesos. Só que a mulher que nos deu o preço não tinha mais nenhuma informação sobre a estadia. A outra opção de hospedagem ali era um resort, mas isso estava fora de cogitação. Decidimos voltar e ficamos no camping do Rio Arrayanes, um pouco mais em conta (120 pesos) e com boa estrutura – banho quente, banheiros limpos e uma lojinha de conveniência com comida e itens básicos.

Encerramos o dia de pedal com um jantar caprichado e cervejas artesanais geladas no rio próximo a onde montamos a barraca.

Los Alerces – Cholila (51 km)

Arrumamos tudo e deixamos as bicicletas na entrada do camping para podermos fazer a caminhada do Alerce Solitário e até o mirante para um glaciar. Seguimos a dica de atalho da moça do camping e levamos duas horas e 20 minutos para irmos e voltarmos incluindo o tempo para tirarmos muitas fotos da paisagem incrível.

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Em busca do Alerce Solitário.

O pedal até Cholila foi cansativo. Pedras, subidas e calor! Não estava mais acostumada a pedalar com 30˚C. Gostei bastante de conhecer o Parque Los Alerces e, com certeza, é um lugar para voltar e fazer mais caminhadas. 

Este foi o dia de encontrarmos ciclistas seguindo para o sul. Foram dois casais (dois americanos e um sul-africano e uma americana) e um trio não sei de onde. O rapaz sul-africano quis saber se estávamos achando a Argentina muito cara, pois estava inconformado com os preços cobrados.

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Uma ótima surpresa em Cholila.

Em Cholila, ficamos no hostel Piuke Mapu. Laura, a dona, é professora de apicultura e seu marido, Dario, escalador e guia de montanha. Eles fazem um trabalho de sustentabilidade com separação do lixo, banheiro seco e “bicimáquinas”, bicicletas feitas por um mexicano que passou por ali e que substituem eletrodomésticos. Há uma bicibomba para bombear água, uma bicimolino para moer grãos e uma bicilicuadora para preparar sucos e vitaminas com vista para as montanhas ao redor da cidade. A bici para lavar roupas foi doada a uma senhora.

Conversamos bastante com o Dario que nos contou sobre o trabalho que tenta realizar com os adolescentes de Cholila. Segundo ele, a população está dividida entre os donos da terra e as pessoas que trabalham para eles. A ideia é dar treinamento aos jovens para que eles possam sair desse esquema e atuarem como guias de turismo. Nossa primeira impressão é de que não havia muito o que conhecer por ali, porém, o Dario nos mostrou que estávamos bastante enganados.

Ele também nos contou a história de Butch Cassidy, o ladrão de bancos que fugiu dos Estados Unidos e se escondeu em Cholila. O policial que deveria prendê-lo chegou à cidade e o encanto foi tanto que comprou terras por ali e mandou avisar que não voltava mais. Butch fugiu para a Bolívia, onde, ao que parece, morreu. Ficamos sabendo dessa história porque Dario produz a cerveja Butch Cassidy e vimos algumas garrafas. Infelizmente, não havia nenhuma em estoque para provarmos.

Jantamos no restaurante/café Rai Mapu, indicado pelo Dario e pela Laura. É um espaço alternativo, meio hippie e bastante politizado. Aproveitamos para experimentar a cerveja Ruta 40, também recomendada pelo nosso anfitrião.

Cholila – El Bolsón (77 km)

O último dia pedalado começou com subidas e essa foi a parte fácil. Logo veio o famoso vento contra patagônico que faz o pedal não render e te tira da estrada com uma facilidade assustadora. 

Seguimos assim até Epuyén, onde paramos numa vendinha da estrada para fazermos um lanchinho. O Artur comprou um salame e eu peguei uma garrafinha de suco de mirtilo. Divino!

Antes de voltarmos para a estrada, ficamos conversando com o dono do lugar, o simpático senhor Roberto. Depois de passar a vida toda em Buenos Aires, ele se aposentou, foi a Epuyén visitar alguns amigos e não saiu mais de lá. Ex-fumante, ele nos disse com lágrimas nos olhos sobre um ataque cardíaco que sofreu: “Eu morri e nasci de novo”. Hoje, ele vive uma vida mais simples e uma de suas maiores alegrias é o contato com os viajantes que param em sua venda ao passar pela Ruta 40.

Nossa segunda trégua do vento foi em uma sorveteria em Hoyo, onde dei continuidade à degustação iniciada em Trevelín. O sorvete de morango frescos da região foi, sem dúvida, o melhor de toda essa viagem. E olha que vieram outros mais famosos depois.

Patagônia 2015

Enfim, El Bolsón.

Chegando em El Bolsón, fomos abordados pelo dono de um hostel, que nos ofereceu um quarto privativo por preço de camping. Ele e sua esposa queriam porque queriam que ficássemos mais tempo ali e foram nos perguntando sobre o roteiro e o que tínhamos achado da viagem.

Encerramos o dia com um menu degustação de cervejas em um restaurante tradicional indicado pelo dono do hostel. A cerveja de framboesa era incrível!

El Bolsón – Bariloche

Decidimos voltar de ônibus para Bariloche porque há muitos caminhões na estrada e não queríamos encerrar a viagem assim. A parte ruim é ter que pagar uma grana para os motoristas ao embarcar as bicicletas. Eles falam que é taxa da companhia, porém, isso é lorota.

Fomos pedalando da rodoviária até a casa da família hermana e todos ficaram muito felizes com nossa chegada antecipada.

Patagônia 2015

¡Que fiaca!

Os dias seguintes em Bariloche foram bem legais. Conhecemos alguns vizinhos, compramos verduras orgânicas, acompanhamos o Careca quando ele foi vender pão. Até tentei aprender a fazer pão com ele, mas me perdi nas medidas: um pouquinho de fermento, joga umas colheradas de açúcar, vai colocando a farinha, esse tanto de água, sal, sementes e voilá!

Ainda assim, passei bastante tempo na cozinha. Fiz temaki, quibe de batatas com verduras e esfihas, que foram carinhosamente chamadas de “empanadas árabes”. Depois desse dia, definitivamente, quero um forno de barro. As esfihas foram assadas em poucos minutos e ficaram deliciosas!

San Martín de los Andes

Continuando com as visitas, fomos para San Martín de los Andes visitar o Ingo, que trocou a Alemanha pela Argentina, conheceu o Artur e o Davi na viagem de 2012 e que eu já havia encontrado quando ele fez uma escala em São Paulo em 2013.

Embora também seja uma cidade turística, San Martín não tem o mesmo apelo de Bariloche, que tende para um turismo de consumo. Isso já foi suficiente para me encantar muito mais.

Fomos conhecer o Museu La Pastera, um antigo armazém de feno para animais onde Che Guevara passou algumas noites durante a viagem de motocicleta que fez pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado. Depois, ficamos andando pela cidade, até a hora de encontrarmos o Ingo novamente. Voltamos no dia seguinte para Bariloche.

Patagônia 2015

A família hermana.

Antes de voltarmos ao Brasil, ainda fomos conhecer um pouco mais de Bariloche. Acompanhados da Sarita, fomos com o Careca conhecer a Colonia Suiza e a região onde fica o Hotel Llao Llao.

Eu já tinha ouvido isso antes e é impossível não concordar: a Patagônia é apaixonante! E olha que visitei só um pedacinho. Com tantas opções para conhecer e explorar, 20 dias servem apenas para deixar um gostinho de quero mais.

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