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Patagônia 2015

Patagônia 2015

Nos arredores de Bariloche.

A escolha do segundo destino de férias em 2015 coube ao Artur e não fiquei surpresa quando ele definiu: “vamos para a Patagônia”. Além de uma viagem de bicicleta, o roteiro incluía visitar a família hermana que ele conheceu quando cicloviajou de Santiago a Ushuaia em 2012.

A Felicitas foi nos buscar no aeroporto em Bariloche e fizemos uma surpresa para o Careca, que não fazia ideia da nossa chegada. Antes de partirmos para o Chile, tivemos um dia de descanso e os amigos aproveitaram para colocar um pouco do papo em dia. 

Paso Cardenal Samoré

Com o tempo contado, fomos de ônibus de Bariloche para Puerto Varas para iniciarmos o pedal. A viagem demorada foi compensada pelas belezas do caminho. Primeiro, passamos por uma parte da Rota dos Sete Lagos e depois seguimos para o Paso Cardenal Antonio Samoré. Ao longo da estrada ainda havia bastante neve e ficamos pensando em como seria pedalar por ali.

Puerto Varas – Ensenada (45 km)

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Ciclovia ligando Puerto Varas a Ensenada.

O primeiro dia de pedal foi bastante tranquilo: pedalamos por uma ciclovia que liga Puerto Varas a Ensenada e pudemos admirar o vulcão Osorno por praticamente todo o caminho. Chegamos cedo ao nosso destino e nos instalamos no camping Montaña.

A cidade não oferece muitas opções e parte do comércio ainda estava fechada porque a temporada não havia começado. Nesse camping, por exemplo, há um restaurante que só funciona durante o mês de janeiro.

Passamos o resto do dia admirando o vulcão Osorno na beira do Lago Llanquihue e tirando fotos. Preparamos o jantar e, em homenagem ao Tux e ao Davi, que fizeram a primeira parte da viagem com o Artur em 2012, tomamos vinho de caixinha tetra-pak. Um vinho da casa “melhorado”.

Ensenada – Puelo (79 km)

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Tchau, Osorno!

Aos poucos, deixamos o Osorno para trás, mas fomos acompanhados por outros picos nevados por um bom trecho. Havia muita água cristalina por todo o caminho, incluindo o Rio Petrohué. 

O almoço foi em Cochamó e, pela primeira vez, estive num restaurante onde não se serve água. A cidade não tem muita estrutura, mas a região é linda e atrai pessoas interessadas em caminhadas. Há alguns roteiros bem legais de trekking por ali e óbvio que eles estão na minha infindável lista de “quero fazer/quero voltar”.

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Olá rípio!

A partir de Cochamó, demos adeus ao asfalto e olá ao rípio. Logo na saída, encaramos um trecho com pedras maiores e muito sobe e desce. Embora não fossem longas e tampouco íngremes, as subidas eram frequentes e estávamos cansados quando encerramos o dia. 

Como era de se esperar, Puelo é uma vila pequena. Porém, teve algumas boas surpresas como um hostel novinho, limpo e ajeitado, um mercadinho bacana e wifi gratuito na praça (hehe). 

Puelo – Hornopiren (92 km)

Este foi o tramo mais longo da viagem. O começo foi no asfalto, com uma vista incrível para picos nevados, mas logo vieram o rípio e um sobe e desce pior do que o do dia anterior. As subidas e descidas eram mais íngremes do que na véspera e mais frequentes também.

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Entre Puelo e Contao.

Fizemos uma pausa para comer antes de chegarmos a Contao e vi, pela primeira vez, um leão marinho. 

Quando chegamos à vila, compramos água e mais algumas comidinhas antes de continuarmos. Nesse recomeço, encaramos uma subida chatinha e bateu uma preguicinha, mas tínhamos chegado cedo em Contao e achamos que não valia a pena pernoitar ali. De qualquer forma, o pedal rendeu, pois havia um trecho de asfalto no nosso caminho, já que a Carretera está sendo asfaltada aos poucos.

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A vista da chegada a Hornopirén encanta.

Na chegada a Hornopiren, passamos pela casa de um casal que nos havia oferecido carona mais cedo. O preço do camping era bom, mas optamos por ficar numa parte mais central. Acabamos hospedados em um hotel bem legal, com bom preço.

Depois de nos instalarmos, fomos atrás das passagens das balsas para Caleta Gonzalo (companhia Transportes Austral). É preciso ficar atento ainda às datas das balsas, pois, dependendo da época, ela não funciona diariamente.

Chegamos pouco antes do horário de fechamento do escritório e levei um tremendo susto quando a moça disse que não tinha mais lugar para embarcarmos no dia seguinte. Por sorte, o responsável pelo lugar apareceu nesse momento e falou: “eles estão de bicicleta. Pode vender as passagens.” Não havia espaço era para automóveis. 

Hornopiren – Caleta Gonzalo

A primeira providência do dia foi buscar as passagens, que ainda não haviam sido pagas. A atendente já tinha encerrado o caixa quando fomos comprá-las na véspera e, por isso, as deixou apenas reservadas.

Antes de embarcarmos, passamos numa vendinha para comprarmos mais comida e aproveitamos para pegar um vinho. Taí algo interessante no Chile, mesmo em mercadinhos safados, dá para encontrar bons vinhos.

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Prendendo as bicicletas no caminhão.

Conhecemos um casal do País Basco que estava começando a viagem pela Carretera. Juntos, combinamos com um caminhoneiro para fazer o transporte das nossas bicicletas num trecho de 10km entre Leptepú e Fiordo Largo, enquanto nós seguiríamos em uma van. O pessoal da empresa de transporte pede para que isso seja feito para não haver atraso na partida da segunda balsa.

A estrada não era ruim como falaram e constatamos que chegaríamos a tempo com as bicicletas. Só que teria sido horrível pedalar com a poeira absurda levantada pelos carros e caminhões passando em comboio.

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Duas balsas ligam Hornopirén a Caleta Gonzalo.

A segunda balsa é rápida e em cerca de 20 minutos estávamos em Caleta Gonzalo, dentro do Parque Pumalín.

Esse parque foi criado pelo fundador da empresa The North Face, Douglas Tompkins. Depois de uma viagem à região, ele se apaixonou pela Patagônia, começou a comprar terras por ali e criou áreas de preservação. 

Em Caleta Gonzalo há um café, um centro de informações, cabanas e um camping. O centro de informações estava fechado, pois a temporada ainda não havia começado. E essa foi a mesma explicação dada pelo guarda-parque Jorge para não termos encontrado ninguém responsável pelo camping. Simpático, ele disse para aproveitarmos. 

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Camping no Parque Pumalín.

A primeira providência foi tomarmos um banho de pia, pois não há chuveiros ali. O restante do dia foi bem tranquilo. Montamos a barraca, organizamos as tralhas, jantamos e ficamos conversando e tomando vinho até o sono chegar.

Caleta Gonzalo – Chaitén (56 km)

Apesar de muitas subidas, a estrada estava ok no começo. Mas é claro que o rípio piorou depois, com bastante cascalho e pedras grandes. 

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Estrada que corta o Parque Pumalín.

Cruzar o parque por essa estrada foi incrível. Primeiro, há um trecho de vegetação mais fechada e depois vimos muitas árvores mortas. Deduzimos que era consequência da última erupção do vulcão Chaitén em 2008.

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Muita água pelo caminho.

Alguém pelo caminho nos contou que há pouco tempo ocorreu uma enchente por ali e talvez isso explique algumas árvores arrancadas pelas raízes que vimos nas laterais da estrada, além de um pouco de erosão.

Já próximo à cidade, começa um trecho de asfalto que serve como estrada e como pista de pouso. A vista ao chegar à cidade é bem bonita.

Chaitén está retomando as atividades, porém, ainda tem jeito de cidade abandonada em alguns pontos. Tentamos hospedagem num hostel, mas não havia sinal de vida. Por fim, fomos parar numa cabaña com a regalia de uma cozinha e um “vizinho” brasileiro, o Baki, que estava indo de Curitiba para o Ushuaia de moto. 

Chaitén – Villa Santa Lucia

O tempo amanheceu feio e decidimos tentar uma carona. Um casal nos deixou em El Amarillo, uma vila junto ao parque de mesmo nome e continuação do Parque Pumalín. Ali, havia sido recém-inaugurado um mercado bastante ajeitado, com alimentos, artesanato, roupas e diversos equipamentos para camping. Entrei para comprar café, mas nem precisei: a bebida era cortesia. 

Enquanto tentávamos a segunda carona, reencontramos nosso conterrâneo Baki, que teve um contratempo com a moto e voltava para Chaitén. Vimos também um casal de alemães que estava nas balsas conosco e viajava em uma linda Toyota Land Cruiser com um camper. O Artur se apaixonou!

Nossa carona até Villa Santa Lucia foi um rapaz e sua fofíssima mãe. Ela me convidou várias vezes para visitá-la em La Junta e repetia: “A señora o señorita no lo se.”

A estrada estava em obras e alguns trechos estavam bem ruins para passar. Provavelmente, logo virá o asfalto por aqui também. 

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Villa Santa Lucia.

Ao desembarcarmos, encontramos alguns cicloturistas subindo a Carretera Austral. Um casal de franceses, um outro francês que eles conheceram no caminho e que começou a viagem no Rio de Janeiro e um inglês com muitas histórias para contar. Era sua terceira viagem pela Patagônia, além de já ter pedalado na África e percorrido a Transamazônica.

O Artur se apaixonou pela bicicleta do inglês Justin, uma George Longstaff feita sob medida e que o acompanha há 15 anos pelas estradas do mundo.

Villa Santa Lucia – Futaleufu (79,8 km)

Estava apreensiva com esse trecho devido à altimetria mais puxada. Porém, o pedal foi bem mais tranquilo do que imaginei. Encaramos tempo nublado, mas sem chuva e pudemos admirar bem o caminho, repleto de montanhas ainda com neve.

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Lago Yelcho.

Próximo ao lago Yelcho, um cachorro saiu correndo de sua casa e nos acompanhou por cerca de 10 km. Por sorte, paramos numa casa onde as moradoras conheciam seus donos e se comprometeram a devolvê-lo.

Apesar de pequena, Futalefeu é ajeitada. Chegamos num domingo e praticamente todo o comércio estava fechado, claro. A salvação para os ciclistas esfomeados foi um centro comunitário onde acontecia uma feirinha de artesanato.

O Artur comeu duas fatias de um delicioso tiramissu e eu experimentei o mote com huesillos. No Equador, mote é um tipo de milho muito saboroso, mas, em território chileno, é trigo. Tomei a bebida bem gelada e achei gostosa a princípio, só que ela é tão doce que se tornou enjoativa.

Conversando com a senhora que nos vendeu as bebidas e doces, descobrimos que há muitos brasileiros morando em Futalefeu e, por pouco, não cruzamos com um deles.

A cidade possui muitas opções de hospedagem que só funcionam na temporada. E novembro definitivamente não se encaixa nesse período. Para nossa última noite no Chile, nos hospedamos no hotel Antigua Casona e jantamos na Hosteria Rio Grande. Era tanta comida, que nem dei conta.

Futaleufú – Trevelín (50 km)

Tivemos a manhã mais preguiçosa da viagem e também o melhor café da manhã. O dono do hotel, um italiano que há dois anos trocou Milão por Futaleufú, preparou uma mesa farta e ainda nos deu lanchinhos para a viagem.

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Minha primeira fronteira de bicicleta.

Os 10 km até a fronteira foram fáceis: asfalto e descida. E a entrada na Argentina foi ainda mais tranquila do que a saída do Chile. O cara que carimbou nossos passaportes até arriscou um pouco de português e o responsável pela aduana apenas perguntou se as bicicletas eram nossas e nos liberou.

O restante do caminho foi ruim por causa das costelas de vaca. E os últimos 7 km foram piores do que os 33 km anteriores. Não bastasse a estrada piorar, o vento contra apareceu, afinal, tínhamos entrado na Patagônia Argentina.

Trevelín é uma cidade bem fofa de colonização gaulesa e famosa pelas casas de chá. Até queríamos experimentar a cerimônia do chá, mas achamos caro (200 pesos por pessoa) e não queríamos nos entupir de doces. Acabamos jantando numa pizzaria mesmo.

Trevelín – Los Alerces (74 km)

Antes de partir, fomos ao mercado e à padaria abastecer nosso estoque de comida. Infelizmente, não encontrei nenhuma opção de empanada vegetariana.

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Chegamos e não havia ninguém na portaria.

Os 35 km até Futalaufquen são asfaltados e, apesar de quatro subidas puxadas bem na sequência, esse trecho rendeu. Fomos até o centro de visitantes do Parque Los Alerces onde conseguimos um mapa com indicações de hospedagem pelo caminho.

Seguimos até o Lago Verde, onde há um camping recém-inaugurado que custava 150 pesos. Só que a mulher que nos deu o preço não tinha mais nenhuma informação sobre a estadia. A outra opção de hospedagem ali era um resort, mas isso estava fora de cogitação. Decidimos voltar e ficamos no camping do Rio Arrayanes, um pouco mais em conta (120 pesos) e com boa estrutura – banho quente, banheiros limpos e uma lojinha de conveniência com comida e itens básicos.

Encerramos o dia de pedal com um jantar caprichado e cervejas artesanais geladas no rio próximo a onde montamos a barraca.

Los Alerces – Cholila (51 km)

Arrumamos tudo e deixamos as bicicletas na entrada do camping para podermos fazer a caminhada do Alerce Solitário e até o mirante para um glaciar. Seguimos a dica de atalho da moça do camping e levamos duas horas e 20 minutos para irmos e voltarmos incluindo o tempo para tirarmos muitas fotos da paisagem incrível.

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Em busca do Alerce Solitário.

O pedal até Cholila foi cansativo. Pedras, subidas e calor! Não estava mais acostumada a pedalar com 30˚C. Gostei bastante de conhecer o Parque Los Alerces e, com certeza, é um lugar para voltar e fazer mais caminhadas. 

Este foi o dia de encontrarmos ciclistas seguindo para o sul. Foram dois casais (dois americanos e um sul-africano e uma americana) e um trio não sei de onde. O rapaz sul-africano quis saber se estávamos achando a Argentina muito cara, pois estava inconformado com os preços cobrados.

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Uma ótima surpresa em Cholila.

Em Cholila, ficamos no hostel Piuke Mapu. Laura, a dona, é professora de apicultura e seu marido, Dario, escalador e guia de montanha. Eles fazem um trabalho de sustentabilidade com separação do lixo, banheiro seco e “bicimáquinas”, bicicletas feitas por um mexicano que passou por ali e que substituem eletrodomésticos. Há uma bicibomba para bombear água, uma bicimolino para moer grãos e uma bicilicuadora para preparar sucos e vitaminas com vista para as montanhas ao redor da cidade. A bici para lavar roupas foi doada a uma senhora.

Conversamos bastante com o Dario que nos contou sobre o trabalho que tenta realizar com os adolescentes de Cholila. Segundo ele, a população está dividida entre os donos da terra e as pessoas que trabalham para eles. A ideia é dar treinamento aos jovens para que eles possam sair desse esquema e atuarem como guias de turismo. Nossa primeira impressão é de que não havia muito o que conhecer por ali, porém, o Dario nos mostrou que estávamos bastante enganados.

Ele também nos contou a história de Butch Cassidy, o ladrão de bancos que fugiu dos Estados Unidos e se escondeu em Cholila. O policial que deveria prendê-lo chegou à cidade e o encanto foi tanto que comprou terras por ali e mandou avisar que não voltava mais. Butch fugiu para a Bolívia, onde, ao que parece, morreu. Ficamos sabendo dessa história porque Dario produz a cerveja Butch Cassidy e vimos algumas garrafas. Infelizmente, não havia nenhuma em estoque para provarmos.

Jantamos no restaurante/café Rai Mapu, indicado pelo Dario e pela Laura. É um espaço alternativo, meio hippie e bastante politizado. Aproveitamos para experimentar a cerveja Ruta 40, também recomendada pelo nosso anfitrião.

Cholila – El Bolsón (77 km)

O último dia pedalado começou com subidas e essa foi a parte fácil. Logo veio o famoso vento contra patagônico que faz o pedal não render e te tira da estrada com uma facilidade assustadora. 

Seguimos assim até Epuyén, onde paramos numa vendinha da estrada para fazermos um lanchinho. O Artur comprou um salame e eu peguei uma garrafinha de suco de mirtilo. Divino!

Antes de voltarmos para a estrada, ficamos conversando com o dono do lugar, o simpático senhor Roberto. Depois de passar a vida toda em Buenos Aires, ele se aposentou, foi a Epuyén visitar alguns amigos e não saiu mais de lá. Ex-fumante, ele nos disse com lágrimas nos olhos sobre um ataque cardíaco que sofreu: “Eu morri e nasci de novo”. Hoje, ele vive uma vida mais simples e uma de suas maiores alegrias é o contato com os viajantes que param em sua venda ao passar pela Ruta 40.

Nossa segunda trégua do vento foi em uma sorveteria em Hoyo, onde dei continuidade à degustação iniciada em Trevelín. O sorvete de morango frescos da região foi, sem dúvida, o melhor de toda essa viagem. E olha que vieram outros mais famosos depois.

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Enfim, El Bolsón.

Chegando em El Bolsón, fomos abordados pelo dono de um hostel, que nos ofereceu um quarto privativo por preço de camping. Ele e sua esposa queriam porque queriam que ficássemos mais tempo ali e foram nos perguntando sobre o roteiro e o que tínhamos achado da viagem.

Encerramos o dia com um menu degustação de cervejas em um restaurante tradicional indicado pelo dono do hostel. A cerveja de framboesa era incrível!

El Bolsón – Bariloche

Decidimos voltar de ônibus para Bariloche porque há muitos caminhões na estrada e não queríamos encerrar a viagem assim. A parte ruim é ter que pagar uma grana para os motoristas ao embarcar as bicicletas. Eles falam que é taxa da companhia, porém, isso é lorota.

Fomos pedalando da rodoviária até a casa da família hermana e todos ficaram muito felizes com nossa chegada antecipada.

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¡Que fiaca!

Os dias seguintes em Bariloche foram bem legais. Conhecemos alguns vizinhos, compramos verduras orgânicas, acompanhamos o Careca quando ele foi vender pão. Até tentei aprender a fazer pão com ele, mas me perdi nas medidas: um pouquinho de fermento, joga umas colheradas de açúcar, vai colocando a farinha, esse tanto de água, sal, sementes e voilá!

Ainda assim, passei bastante tempo na cozinha. Fiz temaki, quibe de batatas com verduras e esfihas, que foram carinhosamente chamadas de “empanadas árabes”. Depois desse dia, definitivamente, quero um forno de barro. As esfihas foram assadas em poucos minutos e ficaram deliciosas!

San Martín de los Andes

Continuando com as visitas, fomos para San Martín de los Andes visitar o Ingo, que trocou a Alemanha pela Argentina, conheceu o Artur e o Davi na viagem de 2012 e que eu já havia encontrado quando ele fez uma escala em São Paulo em 2013.

Embora também seja uma cidade turística, San Martín não tem o mesmo apelo de Bariloche, que tende para um turismo de consumo. Isso já foi suficiente para me encantar muito mais.

Fomos conhecer o Museu La Pastera, um antigo armazém de feno para animais onde Che Guevara passou algumas noites durante a viagem de motocicleta que fez pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado. Depois, ficamos andando pela cidade, até a hora de encontrarmos o Ingo novamente. Voltamos no dia seguinte para Bariloche.

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A família hermana.

Antes de voltarmos ao Brasil, ainda fomos conhecer um pouco mais de Bariloche. Acompanhados da Sarita, fomos com o Careca conhecer a Colonia Suiza e a região onde fica o Hotel Llao Llao.

Eu já tinha ouvido isso antes e é impossível não concordar: a Patagônia é apaixonante! E olha que visitei só um pedacinho. Com tantas opções para conhecer e explorar, 20 dias servem apenas para deixar um gostinho de quero mais.

Para quem quiser ver mais fotos, clique aqui.

Miami e San Francisco

Bye California!

Férias!

Para desacelerar um pouco da correria antes das férias, passamos uns dias num apartamento em Miami Beach antes de seguirmos para a Califórnia. Ficamos numa região bem tranquila, com vários prédios pequenos e charmosos. Não fizemos nada demais e isso foi ótimo.

San Francisco

Eu já conhecia a cidade e estava animada para ir para lá com o Artur. Nosso tempo foi curto, mas deu para fazer coisas bacanas.

A primeira parada foi na REI. Essa rede é tão incrível que fomos duas vezes à loja em San Francisco e uma vez à loja em San Carlos. Lá tem equipamentos, acessórios e vestuários para pedalar, caminhar, correr, fazer trilhas, escalar, esquiar e acampar. Fiquei doida com algumas opções para cozinha de acampamento.

Alcatraz

Ilha de Alcatraz.

Fizemos o passeio de bike pela Golden Gate até Sausalito. Alugamos as bicicletas perto do Embarcadero e começamos o pedal de cerca de 15 km. Passamos pelo Fisherman’s Wharf, Ghirardelli Square, observamos a ilha de Alcatraz, cruzamos a ponte e chegamos a Sausalito.

Além de vários turistas de bike pelo caminho, chegando perto da ponte, cruzamos com muitos ciclistas treinando. Alguns deles balançavam a cabeça quando me viam pedalando com uma única mão, enquanto fazia fotos. Imagino que devem ocorrer vários acidentes com turistas por ali.

Golden Gate

Pedalar pela Golden Gate é demais!

Chegando a Sausalito, vimos dois ciclistas tomando multa de um guarda. Não sabemos o motivo, mas imaginamos que eles estavam em alta velocidade, pois ali era o final de uma boa descida.

Sausalito é um lugar charmoso com casas bonitas, várias lojinhas e restaurantes. Almoçamos por ali e depois pegamos o ferry para voltar para San Francisco.

Nosso tempo era curto e queríamos ir à Box Dog Bikes, uma bicicletaria muito legal, que funciona como uma cooperativa. Além de um ótimo atendimento, eles têm uma variedade bacana de produtos, bikes incríveis (inclusive, um quadro desenhado por eles) e até itens para camping.

Também passei com o Artur na Huckleberry Bicycles, que já tinha visitado na minha outra viagem. Foi nessa loja que conheci algumas marcas como Handsome, Civia, All-City e Salsa. Como parte de um programa de reocupação das antigas bancas de jornais da histórica Rua Market, antes do horário de abertura da loja, eles montam uma banquinha e oferecem alguns reparos básicos de graça.

San Francisco

Ciclistas na Market Street. Foto: Artur Vieira.

Berço da Critical Mass, conhecida como Bicicletada no Brasil, San Francisco é um paraíso para ciclistas com diversas ciclovias e bastante respeito. Era muito legal ver pessoas de várias idades se locomovendo de bike e formando até um “mini congestionamento” em alguns semáforos nos horários de pico.

Comidas

Voltando de San Carlos, fomos encontrar a Cris e o Marcelo no Pier 39. Lá é uma região bastante turística com muitas lojas, bares e restaurantes. Tive que me controlar numa loja de doces porque queria comprar vários chocolates da Ghirardelli, que acho maravilhoso!

L'Acajou

L’Acajou. Foto: Artur Vieira.

Ao passarmos por San Francisco a caminho de Yosemite, tomamos café da manhã no simpático L’Acajou, uma padaria e café que oferece produtos orgânicos e valoriza a sustentabilidade. O lugar e a comida são tão gostosos que fizemos questão de voltar.

Na última noite em San Francisco, Artur e eu fomos jantar com a querida Isadora, que mora ali perto. A Isa é vegan e nos levou ao The Plant, um restaurante orgânico com opções muito saborosas.

Comi um delicioso prato de quinoa com vegetais, tempeh e um molho de missô e gengibre. A sobremesa foi um cheesecake não assado de framboesa. Era bom também, embora o gosto do coco usado na massa tenha ficado muito forte.

O vinho escolhido foi o Scott Harvey, de Amador County, Califórnia. Não conhecia nenhum vinho de uva barbera, mas agora recomendo.

Foram dois dias que passaram voando!

Finlândia

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Suomi ou Finlândia.

O motivo que me levou para a Finlândia foi encontrar pessoalmente um amigo com quem eu mantinha contato pela internet há mais de uma década. Fui para lá no final de abril de 2011 e consegui aproveitar um pouco de frio. No norte, ainda havia neve e lagos congelados.

Lapônia

Alugamos uma cabana em Kittilä, a 150 km do Círculo Polar Ártico. A cidade é tranquila, como todas por ali, e fica próxima a uma estação de esqui.

Os planos para o fim de semana eram cross-country esqui, snowboard e sauna. Achei o esqui meio sem graça, mas acho que foi mais a falta de jeito. Mesmo sendo meio (ou muito) descoordenada, gostei do snowboard. Caí e levantei muitas vezes e, no dia seguinte, sentia o corpo todo dolorido. Ainda assim, foi uma pena não ter tempo para praticar mais.

Voltando para Tornio, passamos em Rovaniemi, cidade por onde passa o Círculo Polar Ártico e onde fica a terra do Papai Noel. Como esperado, o local é bastante turístico, com lojinhas de souvenirs, o correio do Noel e, o principal, o encontro com o “bom velhinho”.

Comentei com o Teemu que achei a decoração da sala de espera meio macabra e ele disse que combinava com uma das lendas do Papai Noel. Só fui entender o que ele quis dizer quando assisti ao filme Rare Exports.

Suomi

Quatro nacionalidades em uma foto: finlandesa, polonesa, coreana e brasileira.

A “visita” foi rápida. O velhinho perguntou de onde somos e disse algumas palavras no idioma materno de cada um. Depois, tiramos uma foto, que foi disponibilizada para compra na lojinha.

Uma amiga do Teemu trabalhava num bar ali perto e disse que, em alguns happy hours, o lugar ficava cheio de velhinhos de longas barbas brancas, que iam beber algo depois de encerrado o expediente.

Passamos um dia em Tornio, na casa dos pais do Teemu. A cidade faz fronteira com a Suécia e fomos até lá fazer compras num supermercado.

A sauna é uma paixão nacional e quase toda casa tem uma. Para deixar a sauna mais quente, eles têm o jeito correto de arrumar as pedras que ficam sobre a fornalha e ficam jogando água para produzir vapor. Quando o calor fica insuportável, eles vão para o lado de fora “se refrescar”. É comum entrarem num lago ou, durante o inverno, rolarem na neve.

Na Finlândia, a família toda vai para a sauna e todo mundo fica pelado. Uma amiga polonesa que morou por anos lá disse que achou isso muito estranho no começo, mas depois se acostumou. Como eu não tive tempo para me acostumar, fiz sauna acompanhada apenas da mãe do Teemu.

Em viagens, nunca podemos nos deixar levar pelos clichês. Sempre ouvi que os finlandeses eram frios, mas a recepção que tive foi bastante calorosa. A mãe do Teemu me recebeu com um abraço apertado, o pai dele jogou cartas comigo e a avó me convidou para jogar bingo, disse que faria uma almofada para sauna para mim e ainda quis tirar uma foto comigo. Fofos!

Helsinki

O fim de semana acabou e fomos para Helsinki. Por coincidência, Madball e Comeback Kid tocaram naquela semana na capital finlandesa. Foi bem legal encontrá-los, pois, além de serem bandas das quais eu gosto, já tinha tido contato com eles no Brasil e conversamos um pouco depois dos shows.

O pessoal da Lapônia brinca que “Hel-sinki” é um inferno até no nome, mas, para quem mora em São Paulo, a cidade é pequena e calma. Nos meus deslocamentos, usei o transporte público eficiente e pedalei todos os dias. Apesar das diferenças, fazer os deslocamentos de bicicleta acabou sendo um incentivo para eu começar a pedalar em São Paulo também.

Acompanhei um dos feriados mais celebrados na Finlândia, o Vappu. A data é 1º de maio, então, achei que tinha relação com o Dia do Trabalho. Porém, descobri depois que as festividades começaram com base no folclore alemão de Walpurgisnacht, que é a noite em que as bruxas se reúnem no Pico Brocken, nas montanhas Harz.

Os festejos começam na noite de 30 abril e a principal atividade é beber. O povo exagera e é comum ver pessoas passando mal ou já desmaiadas nos parques e ruas da cidade.

Suomi

Tango finlandês.

No entanto e ainda bem, as celebrações também incluem música e dança. Assisti a um show da versão finlandesa de tango de uma banda cheia de charme e me diverti muito vendo os casais dançarem.

Suomenlinna

Construída sobre seis ilhas, Suomenlinna é uma fortaleza no mar. Originalmente chamada Sveaborg, em sueco, e Viapori, em finlandês, ela foi erguida em 1748 pela Suécia para proteger o território dos russos. Porém, em 1808, ela foi sitiada e tomada pelas forças russas. Em 1918, um ano após a independência da Finlândia, a fortaleza foi requisitada pelo governo finlandês e passou a se chamar Suomenlinna, que significa castelo da Finlândia.

Para chegar lá, é preciso pegar uma balsa e a viagem dura cerca de 20 minutos. Quando fui, deixei a bicicleta num paraciclo no porto e, quase chegando ao destino, lembrei que tinha deixado alguns itens na cestinha. Voltei para buscar a sacola e ela ainda estava lá.

De volta às ilhas, fui andando a esmo. Ao contrário do que imaginava, há moradores em Suomenlinna e descobri isso quando vi alguns brinquedos no quintal de uma casa. Cerca de 800 pessoas moram ali.

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Vila dos hobbits?

Numa parte de Suomenlinna, há diversos bunkers e, embora as portas de entrada não sejam redondas, lembrei das tocas dos hobbits, que aparecem na trilogia O Senhor dos Anéis.

Foi uma viagem curta, mas muito bem aproveitada. Fiquei com vontade de ir para lá no verão para nadar nos milhares de lagos espalhados pelo país e também de encarar um inverno finlandês para rolar na neve depois da sauna e ir ainda mais para o norte atrás da aurora boreal. Espero voltar!

Jalapão de bicicleta

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Nós, as bicicletas e a Serra do Espírito Santo. Foto: Artur Vieira.

Quando marquei as férias, decidi que queria cicloviajar e, em algum ponto, surgiu a ideia de irmos para o Jalapão.

Nós sabíamos que não seria fácil. O Artur, que já tinha ido duas vezes para lá, me perguntou algumas vezes se eu tinha certeza dessa viagem. Fui firme na decisão e parti tentando estar o mais aberta possível para perrengues. Só não imaginava que as surpresas viriam antes mesmo de começarmos a pedalar.

Fomos de carro para o Tocantins, passando pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O caminho rendeu até um encontro rápido com um lobo-guará.

Xi, quebrou!

Xi, quebrou!

Quando estávamos quase chegando em Ponte Alta, nosso ponto de partida, o carro quebrou numa estrada de terra pouco movimentada. Tiramos as bicicletas da traseira e fomos atrás de ajuda. Nos dividimos e o Artur voltou para onde o carro estava, enquanto eu seguia o caminho para uma fazenda.

Cheguei molhada de chuva e expliquei a situação para os homens que almoçavam ali. Num ritmo completamente diferente de São Paulo, eles me ofereceram almoço, terminaram de comer e de jogar uma partida de dominó e só então se levantaram para seguir comigo até onde o carro quebrou.

Quando chegamos, o carro estava funcionando, pois um senhor já havia ajudado o Artur tirando ar dos bicos injetores. Agradecemos e seguimos viagem.

Em Ponte Alta, fomos à Pousada Planalto e negociamos para deixar o carro lá. Nosso plano era seguirmos para Novo Acordo, São Felix do Tocantins e Mateiros, retornando para Ponte Alta.

Partimos cedo no dia seguinte e minha bicicleta estava estranha. Foram apenas 2km pedalados, quando o Artur verificou que o movimento central estava solto. Voltamos para Ponte Alta, mas não deu para arrumar, pois uma rosca estava espanada. O jeito foi seguir para Palmas atrás da peça.

Rodamos 48km e o carro quebrou de novo. Tentamos abrir os bicos como havia sido feito na véspera e nada. A estrada também era pouco movimentada, os celulares não tinham sinal algum e demorou um bom tempo até um cara de moto parar e nos informar que havia um sítio ali perto de onde seria possível fazermos uma ligação.

Peguei a bicicleta mais uma vez e fui até lá. Depois de tentativas frustradas de ligar para um mecânico em Ponte Alta, um caminhoneiro que estava por lá apareceu com um cartão de uma autorizada da Bosch em Palmas e consegui chamar um guincho.

Ficamos uma hora e meia esperando sob um sol impiedoso. Chegando em Palmas, deixamos o carro numa oficina mecânica e fomos atrás de uma bicicletaria. O cara do guincho nos deu essa carona e, se não fosse a demora, teria ficado por lá para nos levar de volta à oficina depois.

Bicicleta arrumada, voltamos para a oficina e recebemos a notícia de que a bomba de óleo diesel havia quebrado, não dava para comprar essa peça em Palmas e o carro só ficaria pronto em dois dias.

Para não atrasarmos ainda mais a viagem, combinamos com o dono da oficina de deixarmos o carro lá para ser arrumado e buscá-lo só depois de pedalarmos o Jalapão. Tudo acertado, voltamos com o cara do guincho para Ponte Alta.

Dormimos outra noite na Pousada Planalto, mas ficamos aliviados porque não voltaríamos mais ali, pois não gostamos do jeito da dona.

Enfim, o Jalapão!

O dia começou com neblina, deixando a paisagem mais bonita e o clima um tiquinho mais fresco. Invertemos o roteiro e seguimos sentido Mateiros, numa estrada com muitas subidas puxadas.

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Gruta do Sussuapara. Foto: Artur Vieira.

A primeira parada foi na Gruta do Sussuapara, com apenas 15km percorridos. Tiramos fotos, enchemos as caramanholas e o dromedário e trocamos um pneu de cada bicicleta, furados por espinhos.

Cerca de 10km depois, passamos por uma casa e resolvemos reabastecer as caramanholas por precaução. Enquanto conversávamos com o dono da casa, o Wagner, chegou um rapaz chamado Guilherme, que mora no caminho para a Cachoeira da Velha. Nos despedimos dele com um “até amanhã”.

Chegamos ao Rio Vermelho às 14:40, depois de 61km pedalados, e decidimos passar a noite ali. Almoçamos, remendamos câmaras, tomamos banho de rio e ficamos de bobeira. Montamos a barraca e, apesar do calor, preferimos ficar lá dentro do que encarar os mosquitinhos chatos do lado de fora.

Pegamos no sono pouco depois das 19h, mas acordamos com o barulho de uma chuvinha. O Artur recolheu nossas roupas que estavam num varal improvisado e logo dormimos de novo.

Cachoeira da Velha e Prainha do Rio Novo

Levantamos cedo, tomamos café e desmontamos o acampamento com calma. Eram apenas 10km até a bifurcação que leva à Cachoeira da Velha. A paisagem nesse trecho é bem bonita, com muitas árvores, mas a estrada já começa a ficar cheia de pedras.

Após a bifurcação, são 20km até a antiga Pousada Jalapão. Esse é o local onde o traficante Pablo Escobar construiu uma fazenda de luxo. Segundo o Guilherme, depois de confiscada pelo governo do Tocantins, a fazenda foi transformada em pousada, mas não deu muito certo. Hoje, nesse espaço funciona uma APA (Área de Proteção Ambiental).

Uns 2km antes da APA, há uma indicação de camping numa estradinha lateral. Foram 2km de muita areia e um riozinho até o camping do Paulo, que tinha nos visto na véspera acampados na beira do Rio Vermelho.

Voltamos para a estrada principal e logo chegamos ao nosso destino. Conversamos com o Guilherme e sua família e ele nos mostrou onde poderíamos passar a noite. Fizemos miojos para o almoço e fomos conhecer a cachoeira.

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Cachoeira da Velha. Foto: Artur Vieira.

Foram 10km com algumas subidas, pedras e areia, claro! A Cachoeira da Velha impressiona. Há uma trilha de 1km para a Prainha do Rio Novo. Tentamos seguir por ali, mas desistimos quando chegamos num trecho com uma escada de madeira. Pegamos um atalho pelo mato e voltamos para uma estradinha de areia.

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Prainha do Rio Novo. Foto: Artur Vieira.

Assim como na cachoeira, estávamos sozinhos na prainha. Ficamos um bom tempo na água, que estava morna e deliciosa.

A volta foi mais tranquila. Tomamos banho de chuveiro e preparamos nosso jantar. Apesar de termos nos instalado numa área coberta, montamos a barraca por causa dos insetos, principalmente, os marimbondos enormes que moram ali.

Rumo às dunas

Sem dúvida, este foi o dia mais puxado. Saímos às 8h, depois de nos despedirmos do Guilherme e de sua família, e felizes com as garrafas com gelo que ganhamos.

Como não estávamos dormindo muito bem nas últimas noites, o começo foi meio desanimado. O terreno cheio de pedras também não ajudava muito.

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Cobra-cipó, a danada! Foto: Artur Vieira.

Em determinado ponto, vi uma cobra pequena e de barriga amarela parada na estrada e com a cabeça levantada. Parei, tirei foto e passei bem longe dela. Depois, descobri que era uma cobra-cipó. “Cobra danada! Ela é rápida e vai atrás das pessoas”, contou a dona Benita. Dei sorte porque ela não veio atrás de mim.

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Tinha um pouquinho de areia no caminho. Foto: Artur Vieira.

Paramos na bifurcação para comermos algo e voltamos para a estrada principal. Eram tantas as pedras no caminho, que, mesmo na descida, eu seguia a 8 km/h. Quando as pedras acabaram, a areia foi tomando conta e tive que empurrar em vários trechos.

Ao passarmos pela Comunidade do Rio Novo, nos informaram que faltavam 13km até o bar da dona Benita, na entrada para as dunas. Mesmo com o rendimento baixo, daria tempo de chegarmos antes de escurecer e preferimos seguir ao invés de acamparmos ao lado do rio.

Foi lindo ver a luz do por do sol batendo na Serra do Espírito Santo e, por alguns instantes, até esqueci do cansaço.

Chegamos ao bar assim que escureceu e, em seguida, chegou um guia acompanhado por dois turistas do interior de São Paulo. Ficamos papeando um pouco, mas logo fomos montar a barraca, tomar banho e jantar. Antes de dormirmos, ficamos admirando o céu estrelado. Com certeza, um dos mais bonitos que já vi.

Dunas do Jalapão e Mateiros

O plano era levantar cedo e partir para as dunas, só que a chuva começou uns cinco minutos depois de acordarmos. Tomamos café e, como ela não passava, aproveitei para dormir um pouco mais.

Como o caminho era pura areia, fomos a pé para as dunas. Mesmo com a areia um pouco compactada pela chuva, não dava para pedalar por ali.

Dunas

Um pedacinho das Dunas do Jalapão.

As dunas são lindas e ficamos sozinhos ali admirando a paisagem. Essa é uma vantagem de ir para o Jalapão fora da temporada. Dá para aproveitar as atrações sem ninguém por perto.

Voltamos para o bar da Benita e esperamos o almoço ficar pronto. Comemos, enfrentamos a preguiça e partimos para Mateiros.

O pedal foi curto e a areia ainda estava presente, mas bem menos do que na véspera. Em compensação, foram muitas subidas e costelas de vaca.

Mateiros é uma cidade bem pequena e sem muita estrutura. Ficamos na Pousada Panela de Ferro, que estava sendo construída na última vez que o Artur esteve lá. Lugar limpo, organizado e com um delicioso bolo mangolão (versão “bolística” do pão-de-queijo) no café da manhã.

Jantamos no restaurante da dona Rosa, que havia sido muito bem recomendado. Comi arroz, feijão e ovo frito. Comida simples, mas muito saborosa. O engraçado foi ouvir a dona Rosa falando: “ah, eu já esperava vocês. Tinham me avisado que dois ciclistas estavam a caminho”.

A sobremesa foi um sorvete de manga na sorveteria perto da pousada. Já tínhamos parado ali quando chegamos e recomendo também os sabores murici e buriti.

Fervedouro e cachoeira

O plano de ficar mais um dia em Mateiros para aproveitar os atrativos da região já tinha sido descartado, mas ir ao Fervedouro do Mumbuca e à Cachoeira do Formiga era obrigatório.

A entrada para o fervedouro fica a apenas 1,5km da estrada principal, já no caminho para a comunidade do Mumbuca, de origem quilombola.

Fervedouro

Fervedouro do Mumbuca.

Assim que chegamos ao fervedouro, escutamos o barulho de uma moto. Era o Ceiça, o dono do lugar, chegando para cobrar a entrada (10 reais por pessoa seja para entrar na água ou apenas olhar). Ele conversou um pouco conosco, foi embora, mas voltou logo por causa de um grupo de estudantes de Porto Nacional.

A permanência no fervedouro depende da quantidade de pessoas por ali. Se há muita gente, é permitida a entrada de seis pessoas por vez e por apenas 20 minutos. Foi o que aconteceu com o grupo de alunos. O Ceiça ficou por ali, deitado na rede e contando histórias de como ele mata onças e sucuris, enquanto a professora responsável controlava os grupos.

Ceiça

Ceiça, no Fervedouro do Mumbuca. Foto: Artur Vieira.

Aproveitamos para comer um lanche e conversar com os alunos sobre a nossa viagem. Quando eles foram embora, o Ceiça disse para ficarmos à vontade e para depois passarmos na casa dele (na bifurcação da estrada principal com o caminho para o fervedouro) para pegarmos água gelada.

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Cacheira do Formiga. Foto: Artur Vieira.

A próxima parada era a Cachoeira do Formiga. Seguimos a dica do Ceiça e ignoramos a primeira entrada, cheia de areia. De acordo com ele, a segunda entrada teria areia apenas no começo. Não foi bem assim, porém pudemos pedalar a maior parte dos 6 km até a entrada da cachoeira.

Além de um bar, funciona ali um camping sem muita estrutura. A entrada também custa 10 reais, seja para nadar ou apenas olhar. O camping sai por 20 reais.

O Rio do Formiga tem a água mais limpa que já vi. Ela é um pouco mais fria do que nos outros rios do caminho, mas é bem rápido para se acostumar. Ficamos relaxando por ali e teríamos ficado mais tempo se não fosse o horário e a areia no caminho de volta.

Pouco antes de alcançarmos a estrada principal, o tempo começou a fechar e apertamos o ritmo para chegarmos ao Camping do Vicente. O guia que encontramos no bar da Benita nos informou que o camping havia mudado de lugar. Apesar da placa, deveríamos ignorar o primeiro camping e seguirmos para o próximo, que não teria nenhuma indicação.

Passamos pelo primeiro e continuamos. Do lado direito da estrada (sentido Novo Acordo), havia a placa “Camping do Rio do Formiga”. Ficamos na dúvida se era mesmo o Camping do Vicente e decidimos seguir um pouco mais pela estrada principal. Pedalamos menos de um quilômetro e resolvemos voltar, pois parecia que ia chover a qualquer momento.

A estradinha era curta e chegamos ao camping mais ajeitado de toda a viagem. Um lugar amplo, com muitas plantas, limpo e bem cuidado. Só tinha um porém, não havia ninguém. Pelos adesivos e recados colados num mural, concluímos que ali era mesmo o novo Camping do Vicente, mas nem sinal dele.

Achamos estranho, pois estava tudo aberto, havia celulares e óculos em cima da mesa. Esperamos quase uma hora antes de tomar banho. Nada ainda. Preparamos nosso jantar, comemos e limpamos tudo. Nada! Montamos a barraca e, com um pouco de receio, fomos dormir.

Meia hora depois, passei o maior susto. O cachorro do Vicente começou a latir e a arranhar desesperadamente as portinhas de onde estávamos. Logo pensei: “tem onça aí!” e fiquei quietinha na barraca. De repente, silêncio total. “Que merda! A onça levou o cachorro!”

Adormeci de novo. Duas horas depois, às 23h, acordamos com o barulho e faróis de um carro. Saímos da barraca e perguntamos: “seu Vicente?”. A resposta veio num tom divertido. “Eu mesmo! Não tem luz nesta casa? Acenda aí, menina. Vocês estão bem instalados? Comeram? Fiquem à vontade, podem pegar o que quiserem na geladeira. O bêbado aqui vai dormir e amanhã a gente conversa mais.” Doido!

Seu Vicente e São Félix do Tocantins

De madrugada, escutei o Vicente mandando o cachorro ficar quieto. Ufa! Ele não foi comido pela onça. O barulho era apenas para poder entrar na parte mais alta e dormir em cima do fogão à lenha. Onça, para nós, só mesmo as pegadas.

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Nós e o “véio mentiroso”. Foto: Artur Vieira.

Já tínhamos tomado café quando o seu Vicente apareceu de novo. O mineiro é bom de papo e ficamos cerca de três horas proseando com ele. No dia anterior, ele foi buscar umas madeiras, encontrar alguns amigos e acabou pulando de bar em bar antes de voltar para a casa.

Antes de irmos embora, fomos até o Rio Formiga, que corre no fundo do camping. A mesma água limpa e gostosa da cachoeira. Deu vontade de ficarmos mais um dia ali, só aproveitando esse lugar e ouvindo as histórias do “véio mentiroso”, como ele mesmo se definiu.

O pedal do dia foi curto, mas eu estava cansada por causa da noite mal-dormida. Chegamos em São Félix e fomos direto para a Pousada Jalapão, que pertence à Irá e foi recomendada pelo seu Vicente.

A Irá preparou um ótimo almoço para nós. Além do trio arroz, feijão e ovo frito, tinha também abobrinha refogada. De barriga cheia, fomos descansar.

São Félix é uma cidade dividida em duas partes e mais ajeitada do que Mateiros. Tomamos um café com pão-de-queijo no Cantinho da Tia Ro e depois ficamos batendo papo com a Irá e um rapaz de Brotas (esqueci o nome dele), que trabalha com rafting.

A fome voltou e fomos comer pizza do lado de lá da cidade. Tinha pizza vegetariana, mas nada de especial. A metade de alho estava mais gostosa, porém não consegui comer muito. Já tinha tomado uma jarra inteira de suco de cupuaçu.

Voltamos para o outro lado e fomos dormir.

Serra do Gorgulho e seu Camilo

Levantamos às 5:30 e tomamos café no Cantinho da Tia Ro. A quilometragem do dia era alta: 80km até a lanchonete do Camilo.

Catedral

Catedral.

Encaramos muitas subidas, mas tivemos vento a favor e os primeiros 30 km renderam, mesmo com várias paradas para fotos. Logo, chegamos à Catedral, que impressiona pelo tamanho.

Pedalamos 50 km até o Rio Novo. Atravessamos a ponte e paramos no posto fiscal para comer e pedir água. Ficamos quase uma hora ali conversando com o Gentil e o Valteir. Eles trabalham num esquema de escala. São sete dias e meio ali e, 22 dias e meio em Palmas.

Voltamos para a estrada e foram muitas subidas. Neste dia, em pleno Jalapão, viramos atração turística. Primeiro, um casal parou e pediu para tirar fotos conosco. Eles moram em Palmas e estavam resolvendo alguns negócios na região. Depois, dois rapazes que trabalham nos Correios e seguiam para São Félix também pararam para fotos. Infelizmente, esqueci de perguntar os nomes.

As primeiras formações da Serra do Gorgulho apareceram e nos decepcionamos achando que era só aquilo. Porém bastou pedalarmos um pouco mais para vermos as outras partes, com lindas e enormes rochas vermelhas.

Outra subida

Pedra, areia, subida. Tudo junto!

Os 30 km restantes não renderam muito. O vento passou a soprar contra, o calor estava forte, a areia deu o ar da graça e os trechos próximos a riachos começavam com boas descidas, mas terminavam no início de subidas íngremes.

Conseguimos chegar à lanchonete do Camilo dentro do horário previsto, entre 15h e 16h. Nos hidratamos bastante ali e seguimos para a fazenda, onde acampamos. Como ainda tínhamos algumas horas de luz, aceitamos a sugestão do Camilo e fomos até um riozinho a uns 4 km do camping. Tivemos que empurrar em alguns trechos de areia, mas valeu a pena.

Enquanto tomávamos banho, nosso jantar era preparado. Arroz, feijão, omelete e, para meu deleite, uma salada fresquinha de tomate, alface e repolho. Comemos feito ogros!

Fomos deitar logo depois. Estava ventando bastante e eu estava com receio de que chovesse durante a noite. Por sorte, a chuva não veio.

Novo Acordo

Depois de um café com pão quentinho e fatias de abacaxi, partimos para os últimos 70 km de Jalapão.

A paisagem mudou bastante durante o percurso e a estrada também. Foi um dia com buracos de erosão e longas descidas com muitas pedras, o que exigia bastante cautela. Eu ia devagar, cheia de cuidados, e o Artur descia feito doido. Nada como ter técnica.

Mais ou menos na metade do caminho, começaram as fazendas com grandes plantações de soja. Essa cultura está dominando a região e foi a paisagem mais feia de todo o percurso. Neste dia, fez muito calor e achei o trecho final bem chato. As subidas próximas a Novo Acordo também não eram animadoras.

Enfim, chegamos! Decidimos ir de ônibus para Palmas, pois eu não estava muito animada para pedalar mais 120 km no dia seguinte.

Foram oito dias seguidos de pedal e 500 km percorridos. Definitivamente não foi fácil, mas adorei. Esta foi a cicloviagem mais longa e mais intensa que fiz até o momento. Também foi a primeira vez que acampei (ter dormido numa barraca em festivais de música na Europa não conta).

O agradecimento mais especial vai para o Artur, que topa as minhas loucuras e é a pessoa mais companheira que há. Nossas andanças pelo mundo estão só começando.

Obrigada à Cintia e ao Davi por nos receberem tão bem nos dias antes e depois da viagem e pelos empréstimos de equipamentos.

Agradecemos também o Palmas, vulgo Alexandre. Por ser amigo de amigos, ficamos sabendo que ele percorreu o Jalapão de bicicleta em junho de 2013 e entramos em contato para pedir informações. Super atencioso, ele nos deu várias dicas bacanas e nos falou de algumas pessoas que encontraríamos pelo caminho.

Levamos algumas fotos que o Palmas tirou e fomos entregando pelo caminho: Guilherme, Val e Ruan, na Cachoeira da Velha, dona Benita, pessoal da Comunidade do Prata, perto de São Félix, Paulo, próximo ao Rio Vermelho, e seu Marcos, quase chegando em Novo Acordo. Será que alguém vai levar as nossas fotos?

Tem mais fotos no meu Flickr e no do Arturo. E informações sobre a rota estão aqui.

Do outro lado do mundo, lá na Coreia do Sul

Hallasan

Primeiro contato com a natureza sul coreana: Hallasan.

Com férias marcadas para o final de outubro e começo de novembro de 2013, decidi visitar um amigo e conhecer a Coreia do Sul. Dei muita sorte com a data, pois o outono é a melhor época para visitar o país. As temperaturas são mais agradáveis e é possível ver as cores lindas dessa estação.

Fiz uma boa pesquisa antes de viajar e me animei bastante com as opções de passeios e de lugares interessantes para conhecer durante as quase três semanas de viagem.

Adorei a natureza do país e achei os parques nacionais lindos demais. As cidades são modernas, mas preservam construções antigas e a sociedade valoriza as tradições.

A comunicação não foi tão fácil, pois poucas pessoas falam inglês, mesmo entre os mais novos. No entanto, eles são curiosos e prestativos.

A única parte chatinha foi o deslocamento, afinal só de voo foram mais de 20 horas na ida e mais de 22, na volta. Porém, o que importa é que valeu muito a pena!

Suwon

A primeira atração turística que visitei em Suwon foi a Folk Village. Esse museu a céu aberto tem diversas construções, que reproduzem casas coreanas de acordo com as regiões do país e classes sociais. Alguns funcionários circulam pelo espaço vestidos com roupas típicas. Outros são artesãos que produzem objetos como colheres, facas e cachimbos de maneira totalmente artesanal.

Cachimbos artesanais na Folk Village.

Em determinados horários, acontecem apresentações de danças tradicionais, porém, não dei muita sorte. Durante a minha visita, o show era de um grupo de b-boys (!). E ainda perdi a cerimônia de casamento.

A Hwaseong Fortress é um dos cartões postais de Suwon. O muro, com mais de 5 km de extensão, foi construído entre 1794 e 1796 e é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. É um lugar gostoso para passear. Ali perto, ocorre uma apresentação de artes marciais, de terça a domingo, às 11h, entres os meses de março a novembro. O show é curtinho, mas bem bacana.

Climbing

Tinha uma pedra no meio do caminho em Gwanggyosan.

Numa manhã, fomos fazer trilha no Morro Gwanggyosan. O caminho era tranquilo, com subidas e descidas. Em alguns trechos, era preciso atenção porque as folhas caídas escondiam pedras soltas e raízes das árvores. As trilhas são tão organizadas que, numa parte do caminho, havia uma parede pequena de pedra e duas cordas para auxiliar na subida. Preferi ir pela lateral, sem usar a corda.

Almoço pós-trilha.

Na volta, pegamos a trilha que leva à entrada principal do Gwanggyosan e aproveitamos para almoçar num dos restaurantes montados em barracas de lona. O tofu feito na chapa era delicioso, mas não gostei da sopa feita com alga (o cheiro de peixe era muito forte) e uma espécie de gelatina de castanha.

Seoul

Neons em Gangnam.

Quando a música do Psy, Gangnam Style, começou a fazer sucesso, descobri que Gangnam é um bairro de classe alta de Seoul e que a letra é uma crítica ao estilo consumista da região, que concentra lojas caras e de marcas de luxo.

Realmente, a região é cheia de lojas e bastante movimentada. Andei pela avenida principal próxima às estações de metrô e pelas ruas paralelas. Ignorei as lojas de roupas e visitei a livraria Kyobo, que tem muitos livros em inglês. Me controlei bem nessa parte, mas aí descobri a lojinha no subsolo que vende itens de silicone para cozinha e não resisti.

Numa das ruas paralelas, fica um restaurante vegetariano delicioso, o Garobee. O buffet no melhor estilo coma à vontade oferece a versão vegetariana de pratos coreanos. Uma delícia!

Insa-dong: região bem turística.

Visitei também a região de Insa-dong, que é charmosa e bastante turística, com muitas lojinhas de souvenirs, de chá e galerias de arte. Andei bastante pelas ruazinhas laterais, interessantes e mais tranquilas. De uma das pontas, dá para ver parte do Parque Bukhansan.

Bukchon Hanok Village

Voltando no tempo no Bukchon Hanok Village.

Gostei muito de passear pelo Bukchon Hanok Village, com suas mais de 900 casas coreanas tradicionais. Era ali que moravam membros da família real e nobres do Período Joseon. Hoje em dia, além de atrair muitos turistas, o bairro é cenário para a gravação de filmes e novelas de época.

Gyeongbokgung Palace

Palácio Gyeongbokgung: lugar lindo, enorme e cheio de história.

O Palácio Gyeongbokgung impressiona pelo tamanho. Eu cruzava portões e jardins e não via o fim. Ele foi construído em 1395 e foi o principal palácio real da Dinastia Joseon. Mesmo com o frio que fazia no dia em que visitei o palácio, havia muitos turistas em todos os cantos.

O último local que visitei em Seoul foi o bairro Itaewon, o mais multicultural. Esta é a região para ir a restaurantes e bares típicos e as referências a outros países estão nas bandeiras ao longo da avenida principal e até nas calçadas com placas simpáticas ensinando como se diz “olá” em diversos idiomas.

Woljeongsa

São muitos os templos budistas espalhados pelo país e alguns deles oferecem a experiência de vivência no templo. Há visitas que duram apenas algumas horas, mas há também a possibilidade de pernoite.

Woljeongsa

Salão do Buda e pagoda em Woljeongsa.

Antes de viajar, fiz a minha reserva no templo Woljeongsa, que fica no Parque Nacional Odaesan. Essa era minha terceira opção, mas se tornou a primeira, pois os outros templos que tentei só aceitavam reservas para fins de semana.

O templo foi fundado em 643, destruído e reconstruído várias vezes. As construções atuais foram erguidas depois da guerra entre as Coreias. O principal símbolo é a pagoda octagonal, com mais de 15 metros de altura. Acredita-se que tenha sido construída no século X e que guarde as relíquias do Buda.

Para chegar ao templo, fui de metrô até a rodoviária Dong Seoul, peguei um ônibus intermunicipal até Jinbu e um ônibus local. Cheguei antes do horário, então aproveitei para tirar fotos e andar um pouquinho pelo templo. Fiquei olhando as opções de trilhas no parque mesmo sabendo que não daria tempo de fazer nenhuma.

Depois de completar minha inscrição, fui encaminhada para o meu quarto. O ondol (sistema de chão aquecido) deixava o quarto bem quentinho. Num canto, estavam o uniforme do templo e os edredons para dormir.

A primeira atividade foi montar o mala, que é uma espécie de rosário budista. Segundo me explicaram, ele possui 108 contas, que representam as 108 agonias humanas.

Participei de duas cerimônias budistas, uma logo após o jantar e outra às 4:20 da manhã. Por um tempo, foi gostoso apenas ouvir os mantras entoados, porém, depois de um tempo, senti falta de entender o o significado de tudo.

Woljeongsa

Às 21h, as luzes do templo são apagadas.

À noite, depois que saí do Salão do Buda, resolvi fazer algumas fotos por ali. Estava um pouco distraída e quase trombei com um monge. Ele foi super curioso e me perguntou de onde sou, quanto tempo ficaria na Coreia, se estava sozinha, qual o meu prato coreano favorito e o que eu faço no Brasil. Quando achei que conseguiria fazer algumas perguntas também, ele se despediu e saiu quase correndo.

Fiquei decepcionada com a experiência, pois esperava mais contato com os monges e queria aprender sobre os rituais. Quando escolhi esse programa, fiquei animada com as fotos do pessoal participando da cerimônia do chá e conversando com os monges. Porém, a programação que fizeram para mim era bastante livre e eu estava sozinha quase o tempo todo. Como eu era a única estrangeira no templo nesses dias, acho que eles resolveram simplificar. Uma pena!

Jeju

Quando estava pesquisando sobre o que fazer na Coreia, vi algumas fotos da ilha vulcânica Jeju. Logo depois, meu amigo sugeriu passarmos um fim de semana prolongado por lá e topei na hora, claro. A ilha não é muito grande e, para facilitar os deslocamentos, alugamos um carro.

Hallasan

Na trilha Seongpanak.

A primeira atração foi visitar o Parque Nacional Hallasan, onde fica o ponto mais alto do país: o vulcão Halla, com 1.950 metros. Tinha escolhido fazer a trilha Seongpanak, descrita como a mais longa, porém, indicada para iniciantes. Foram 9,6 km de subida ininterrupta. O tempo estimado para subir era de 4h30, de acordo com o site do parque, mas nós fizemos em 2h40.

Hallasan

Cratera do vulcão Halla.

A vista da cratera do vulcão é incrível! Fizemos algumas fotos ainda na parte demarcada da trilha, mas o local estava muito cheio. Então, decidimos ir um pouco além e seguimos por um trecho da borda. Foi uma ótima ideia. A vista era ainda mais bonita e o local estava tranquilo, sem outros turistas. Tiramos muitas fotos e comemos nossos lanches antes de encararmos a descida.

Jeju

Passeio tranquilo na Manjanggul.

Além do Hallasan, queria conhecer a Manjanggul, uma caverna formada pela passagem da lava do vulcão. Considerada patrimônio da humanidade pela Unesco, a caverna tem cerca de 7,5 km de extensão, porém apenas 1 km está aberto para visitação.

Jeju

“Preciso fazer a foto antes que o grupo de turistas chineses termine de subir as escadas.”

No sul da ilha, encontramos o templo budista Yakcheonsa por acaso e resolvemos conhecê-lo. A arquitetura segue a linha dos templos da Dinastia Joseon, porém o Yakcheonsa foi fundado em 1981. Ao contrário de outros templos, aqui é permitido fotografar dentro do salão do Buda. Enquanto fiquei ali, vi algumas pessoas fazendo as saudações budistas.

Jeju

Pentágonos e hexágonos de origem vulcânica.

Outra atração localizada no sul de Jeju é a formação Jusangjeolli, que surgiu quando a lava do vulcão Halla atingiu o mar na praia de Jungmun. Nesse processo de solidificação da lava, as colunas adquiriram formatos de pentágonos e hexágonos.

Jeju é cheia de museus e parques temáticos. Só para citar alguns: há o Museu do Chocolate, da Educação, da Mitologia Grega, do Urso de Pelúcia (aliás, são dois museus dedicados aos Teddy Bears), um Hall da Fama de Baseball e até um parque temático chamado Love Land com várias estátuas em posições sexuais.

Não estava interessada nesses museus, mas como era caminho, paramos no O’Sulloc Green Tea Museum. Tem uma exposição legal com diversos bules e xícaras de diversos lugares do mundo, porém o que mais gostei foi o bolo de chá verde do café. O prédio é cercado por arbustos de chá verde com acesso liberado para o público. Muita gente aproveita para tirar fotos no meio da plantação.

Seongsan Ilchulbong

Seongsan Ilchulbong, Sunrise Peak.

Formado durante uma erupção vulcânica há mais de 100 mil anos, o Seongsan Ilchulbong, é uma cratera com cerca de 600 m de diâmetro. O acesso é fácil e feito por escadas e a vista é linda. O plano inicial era levantarmos cedo e assistirmos ao nascer do sol no topo, porém, o céu nublado não colaborou.

Ficamos um bom tempo admirando a paisagem e tentando ignorar os turistas barulhentos que passavam por ali. Em um momento, aconteceu algo engraçado. Eu estava distraída, mas o Teemu ouviu um grupo de jovens coreanos ensaiando como dizer algo em inglês. Então, sete rapazes vieram até nós e perguntaram se poderíamos tirar uma foto. Concordamos e esticamos os braços para pegarmos os celulares, mas não era bem isso que eles queriam. Ganhamos bandeirinhas da Coreia do Sul, fomos rodeados por eles e fotografados.

Depois de descermos do Seongsan Ilchulbong, estávamos admirando a vista quando uma chinesa foi chegando muito perto do Teemu. Ele se virou e percebeu que a amiga dela iria bater uma foto dos dois juntos. Sendo simpático, ele fez pose para a foto. A amiga desceu correndo para ser fotografada com ele também e, em seguida, veio ao meu lado, para mais uma fotografia.

Jeju

Diversos oreums no horizonte.

Em Jeju existem mais de 360 oreums, que são pequenos morros de origem vulcânica. Assistimos a um nascer e um pôr do sol de cima do Saebyol, que tem uma vista lista para várias outros oreums e para o Hallasan. Fomos também ao famoso Sangumburi, cuja cratera tem cerca de 2 km, mas como o acesso é muito fácil, havia gente demais por ali e ficamos só um pouquinho.

Nesses oreums, há muitos montes de terra cobertos pela vegetação e, às vezes, cercados por muros baixos formados por pedras. São túmulos coreanos. Segundo o Teemu me explicou, eles escolhem lugares altos e com paisagens bonitas para enterrar os entes queridos.

Bukhansan

O Parque Nacional Bukhansan fica ao norte de Seoul e é um dos mais visitados.

Bukhansan - Seoul

A caminho do Bukhansan.

Escolhemos a trilha Bukhansanseong, que leva ao pico Baegundae, o mais alto do parque, com 836 m. A estrada até os templos budistas é asfaltada e, às vezes, passava algum carro.

A trilha mesmo começou depois do segundo templo. Com muitas pedras de tamanhos variados, usei bastante as mãos na subida. Os últimos 900 metros foram puxados, mas a trilha é muito bem estruturada. Em alguns trechos, há cabos de aço para auxiliar na subida e na descida.

Bukhansan

Seoul vista de cima.

A vista do topo é linda. Dá para ver Seoul pequenininha e os outros picos do parque. Demos sorte, pois a visibilidade estava boa nesse dia. Ficamos um tempo ali relaxando, apreciando a vista e comendo nossos lanchinhos.

Quando chegamos, já havia muitas pessoas no topo e, enquanto ficamos por ali, esse número aumentou bastante. Por isso, resolvemos descer e procurar um lugar para almoçarmos.

O parque ainda tinha muitas árvores com as cores lindas do outono e aproveitei para tirar bastante fotos. Fiquei com vontade de fazer outras trilhas, mas, como iria pedalar no dia seguinte, não quis forçar muito.

Seoraksan

Seoraksan

Seoraksan: o parque que mais gostei.

Este parque nacional fica na costa leste e tem várias opções de trilhas para até três dias, indicadas no site. Depois de pesquisar bastante as opções de como chegar ao parque (que possui mais de uma entrada), decidi fazer uma trilha em dois dias e ver o nascer do sol do pico mais alto do parque.

Saindo de Dong Seoul de novo, peguei um ônibus que vai para Yangyang e para na entrada do parque em Osaek. Além da cabana do guarda, havia banheiros e umas máquinas para comprar bebidas na entrada. Nada de lojas, cafés e restaurantes como na entrada principal.

A subida de 5,3 km começa logo depois da cabana. Esse ponto fica a uns 650 m do nível do mar e leva até o Pico Daecheongbong, o terceiro mais alto do país, a 1.708 m. Então, é subida praticamente o tempo todo. Encontrei alguns coreanos pelo caminho, mas, de todas as trilhas que fiz na Coreia, esta era a mais vazia.

Seoraksan

Fingindo que não estava morrendo de frio.

Quando cheguei ao topo, o vento era tão forte, que senti minhas mãos congelando, pois estava sem luvas. Por isso, fiquei só um pouquinho ali, tirei fotos correndo e segui para o abrigo Jungcheongbong, a 600 m do pico.

Shelter in Seoraksan

No abrigo Jungcheongbong tem até wi-fi.

Para passar a noite ali, é necessário fazer reserva pela internet. Li que, durante a alta temporada, é bem difícil conseguir uma vaga, mas tive sorte. Consegui a minha apenas dois dias antes e o abrigo não estava cheio.

As minhas mãos estavam tão geladas que doíam e um dos guardas (o único que falava inglês) me entregou um saquinho com algum material que gera calor. Uma maravilha! Depois que o corpo aqueceu de novo, coloquei mais roupas e voltei para o pico para tirar fotos do por-do-sol.

Já instalada no meu cantinho, voltei para a entrada do abrigo para carregar o celular no “posto de carregamento”: um espaço com várias tomadas e cabos de diversos modelos. A regalia incluía também wi-fi gratuito.

Única estrangeira entre coreanos, acabei ganhando alguns mimos. Por meio de mímica, um rapaz me chamou para jantar com ele e os amigos, mas educadamente recusei e uma mulher perguntou se eu havia comido e me ofereceu frutas.

Depois, uma moça me ofereceu um pacotinho de bolachas e perguntou em inglês de onde eu sou. Tentei conversar um pouco mais, porém, o inglês dela não ajudava muito.

Voltei à entrada para trocar mensagens com o Artur e o guarda que fala inglês apareceu com dois copinhos de café e dois bombons. Ele me ofereceu um dos copos, me deu os dois doces e puxou papo. Conversamos por um tempinho e perguntei como ele aprendeu inglês, já que é raro coreanos falarem esse idioma. A resposta foi: “na escola”. E ele aproveita para praticar com os estrangeiros que passam por ali. Que ele se lembre, foi a primeira vez que uma brasileira dormiu nesse abrigo.

Papo vai, papo vem, ele me deu uma pulseira feita de contas de madeira e com o símbolo do rato, o signo dele no horóscopo chinês. Disse que foi comprada no Geumganggul, um santuário do parque que fica em uma caverna.

Seoraksan

Nascer do sol no Pico Daecheongbong.

Dormi pouco e acordei com o barulho dos coreanos se arrumando para sair. Organizei minhas coisas e voltei ao Daecheongbong para ver o sol nascer. Já tinha bastante gente ali e logo chegaram dois rapazes que tinham feito a trilha de Osaek durante a madrugada.

O cenário estava lindo! Montanhas, mar, nuvens e sol.

Depois de fazer muitas fotos, voltei ao abrigo para pegar minha mochila e comecei a descida em direção à entrada principal do parque. Fui bem devagar no início para não forçar os joelhos na descida e porque havia uma camada fina de gelo nas pedras.

Um coreano estava na minha frente e ficava sempre olhando para trás para ver se eu estava bem. Trocamos algumas palavras e ele ficou surpreso ao saber que estava fazendo a trilha sozinha. E não foi o único, pois outras pessoas haviam perguntado a mesma coisa e tido a mesma reação. Reparei que dificilmente os coreanos estão sozinhos e, de acordo com um livro que li sobre a sociedade coreana (escrito por um coreano), isso tem a ver com um senso de comunidade muito enraizado na cultura deles.

Levei quatro horas e meia para fazer os 11 km até a entrada do parque, fazendo várias paradas para tirar fotos. Queria fazer a trilha até o Geumganggul, mas não daria tempo e não tinha certeza se as minhas pernas aguentariam. Fiquei pensando que deveria ter planejado mais um dia no parque. Assim poderia ir até o santuário e ainda fazer a trilha do Ulsanbawi, que tem 4 km, uma escada com mais de 800 degraus e é considerada a mais difícil do parque.

Seoraksan

Buda da Reunificação.

Na entrada principal do parque, fica o Buda da Reunificação, com 14,6 m de altura, excluindo o halo e o pedestal, ou 18,9 m no total. É considerada a maior estátua do Buda sentado feita em bronze no mundo e simboliza a esperança dos coreanos na reunificação das Coreias do Sul e do Norte.

Peguei o ônibus para Sokcho na entrada do parque. Fiquei prestando atenção no caminho e nas gravações que indicam os pontos de parada na esperança de saber onde descer. Até que, em determinada esquina, o motorista olha para mim pelo espelho retrovisor e fala algo em coreano. Repeti mais ou menos o que o Teemu havia me ensinado “busso turminal” e o motorista balançou a cabeça de maneira positiva e indicou a rua por onde eu deveria seguir até a rodoviária.

Comida

Vegetais frescos no mercado em Suwon.

Um dos primeiros lugares que visitei um Suwon foi um mercado que se estende por várias ruas num centrinho próximo à Universidade Ajou. Cozinhamos alguns dias e alguns ingredientes saíram desse mercado como o tofu fresco e ainda quente e a gim, a alga coreana (conhecida pelos brasileiros pelo nome japonês: nori) que vem tostada e temperada com óleo de gergelim e sal.

Koreans like it hot

A base do gochujang: muita pimenta.

Vi muitos sacos de pimenta vermelha, que é uma paixão coreana. Eles fazem uma pasta com essa pimenta, arroz, soja fermentada e sal, chamada de gochujang. Sempre pedia comida sem pimenta e, mesmo assim, se algum ingrediente usado era preparado com gochujang, o prato inteiro ficava picante.

Ainda no Brasil, me inscrevi em um curso de culinária coreana vegetariana. O curso é chamado de Temple Cuisine (cozinha de templo), pois, nos diversos templos budistas espalhados pelo país, a alimentação adotada é a vegetariana. Além de pimenta, claro, eles usam muito óleo e sementes de gergelim, shoyu e alho.

Comida de templo: perfeita para vegetarianos.

Em Jeju, jantei em um restaurante tradicional que serve comida de templo. O prato principal foi arroz embrulhado em folha de lótus e cozido no vapor. Como toda boa refeição coreana, a mesa estava cheia de pratinhos, os banchans, com vários acompanhamentos. Tudo muito saboroso! Foram servidos dois chás: um antes e outro depois do jantar para auxiliar na digestão.

Comi bastante bibimbap, que é a versão coreana de arroz com vegetais. Sempre que tinha, eu pedia a versão dolsot, servida em uma tigela tão quente que o arroz no fundo queima um pouco e forma uma casquinha deliciosa.

Gostei também de gimbap, o sushi coreano, que pode ser feito com diversos recheios, mas nunca com peixe cru. Comi apenas com legumes, porém, vi num cardápio a opção com queijo, que achei um pouco estranha.

Bolinhos de arroz de vários tipos.

Os coreanos não comem muitos doces e as sobremesas não são adocicadas como as brasileiras. Experimentei alguns bolinhos de arroz puros e recheados com uma mistura de castanhas e sementes de gergelim. São gostosos, mas os meus doces coreanos favoritos são Bungeoppang e Jjinbbang. O primeiro, vendido em formato de peixinho, é uma massa de crepe recheada com uma pasta de feijão azuki. O segundo é um pão super macio feito no vapor e com o mesmo recheio de feijão. São deliciosos.

Experimentei também o kkultarae, um doce feito com 16 mil fios finíssimos de mel, recheado com amêndoas e parecido com um casulo. O processo que transforma o bloco endurecido de mel nesse doce é bem interessante. A partir de um buraco no centro, começa a parte de esticar a “massa” para aumentar o buraco, torcer o doce, formando um oito e dobrá-lo ao meio, multiplicando o número de fios. Para que eles não grudem, usa-se farinha de arroz ou amido de milho.

Outros

Depois de terminarmos a trilha no Hallasan, paramos para comer em frente à entrada antes de irmos embora. Aí, passaram duas senhoras coreanas olhando na nossa direção e uma delas apontou para mim e fez um comentário. O Teemu disse que ela estava falando sobre o meu nariz, que, por sinal, é grande segundo os padrões ocidentais. Eu ri e elas também. E a senhora ainda repetiu para o Teemu que meu nariz é lindo.

Tinha ouvido falar que os coreanos são bastante diretos ao fazer perguntas e observações, o que pode soar um pouco rude, às vezes. Eles não veem problema em dizer: “você engordou”, por exemplo. Pelo jeito, eles também não têm receio nenhum de apontar e fazer comentários sobre outras pessoas nas ruas.

Por causa do idioma, usei muita mímica. Só que, às vezes, nem assim funcionava. Enquanto esperava o ônibus para Jinbu, depois do temple stay, uma velhinha coreana tentou puxar papo comigo. Encolhi os ombros, balancei a cabeça e disse “sorry” para indicar que não entendia o que ela falava, mas ela apenas repetiu o que havia dito antes, com o mesmo tom de quem pergunta alguma coisa. Fofa!

Tem mais fotos aqui.