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17º Encontro de Cicloturismo

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Foto oficial do 17º Encontro. Créditos: Walter Magalhães.

Neste ano, encerramos nossas férias no 17º Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura, organizado pelo Clube de Cicloturismo do Brasil. Mesmo tendo bastante contato com o pessoal do clube (até demos uma palestra sobre a viagem para o Equador), essa foi a primeira vez que participamos do evento, que acontece todos os anos no feriado de Corpus Christi, em Campos do Jordão.

O encontro foi uma oportunidade ímpar para revermos amigos queridos e ainda conhecermos outras pessoas com o mesmo interesse por viagens de bicicleta.

A programação desta edição incluía palestras de pessoas cujas viagens acompanhei pelas redes sociais como a Andrea e o Bruno (Larguei Tudo e Fui) e o Ricardo Martins (Roda América e agora Roda Mundo), de figuras bastante conhecidas no mundo do cicloturismo como a Rafaela e o Olinto e ainda alguns que eu não conhecia e foram surpreendentes como a Taline e o Acauã (Amorbikecafé) e o José Guilherme Veiga (Ushuaia-Alasca).

Foram quatro dias intensos que passaram rápido demais. Em meio a conversas, risadas e aprendizados, tivemos espaço para muita emoção. O agradecimento por um par de alforjes sorteados veio em forma de poesia e foi difícil conter as lágrimas. Dona Hercília comoveu muita gente com suas palavras ao agradecer o mimo trazido pelo, agora amigo, Veiga.

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Ouvindo as histórias do José Guilherme Veiga.

Foi dele também a palestra que mais me marcou. Com muito bom humor, ele contou sobre tudo o que deu errado em sua jornada: dor no joelho, vento contra por todo o caminho, companheiro de viagem que foi embora sem avisar, bicicleta quebrada no meio da Dalton Highway (estrada no Alaska simbólica até na quilometragem: 666km) e, no final, assistir à cena dos ursos destruindo sua bicicleta e alforjes.

Alguém que nunca fez uma viagem de bike poderia pensar que essa é uma tremenda furada, mas o vídeo que ele mostrou na sequência, repleto de paisagens lindas e sorrisos enormes, confirmou que, apesar dos momentos difíceis, viajar de bicicleta traz leveza e muita felicidade.

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Parte da galera no segundo dia de pedal autoguiado.

Além das palestras, o encontro inclui sugestões de roteiros para pedais autoguiados e um pedal coletivo no penúltimo dia, em ritmo tranquilo. Neste ano, fomos a uma cachoeira encarando subidas e descidas na região de Piranguçu.

Quem quiser mais informações sobre as atividades basta acessar o site. O clube promove ainda uma palestra mensal e gratuita no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, uma ótima chance para entrar em contato com apaixonados por cicloviagens.

Aproveito para deixar aqui meus agradecimentos ao pessoal do clube pelo convite e pela oportunidade de ter participado desse encontro. Obrigada, de coração!

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Cicloviagem de férias na Mantiqueira

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Cicloviagem pela Mantiqueira: morros que não acabam mais.

Com a aproximação das férias, decidi que queria fazer uma viagem de bicicleta. Primeiro, pensei em conhecer o Circuito das Araucárias, em Santa Catarina, mas resolvi traçar uma rota pela região da Mantiqueira (amo!), facilitando a chegada ao Espaço Araucária (acabamos deixando o carro lá), onde participamos do 17º Encontro Nacional de Cicloturismo.

Como a altimetria era pesada e estávamos pedalando pouco, optamos por ir sem equipamento de camping e dormir em pousadinhas. Instalamos bolsas de selim no esquema bikepacking; usei ainda a bolsa da Vó Joaquina no guidão e uma pochete; o Artur foi com dois porta-volumes de guidão da marca Aresta e uma mochila de ataque.

Dia 1 – Do Espaço Araucária a Itajubá (48,4km – 976m)

Para traçar as rotas no Ride with GPS, uso muito as imagens de satélite do Google Maps e isso, às vezes, resulta em algumas surpresas pelo caminho. Logo nos primeiros quilômetros da viagem, caímos em um quintal e a dona nos informou que a estrada foi fechada devido a uma briga de vizinhos.

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Itajubá acabou sendo o destino do primeiro dia de viagem.

Com a mudança de planos, voltamos pelo mesmo caminho e fomos em direção à cidade de Piranguçu. Encaramos a subida da serra de São Bernardo e passamos pela represa de mesmo nome. Decidimos não passar por dentro da cidade e seguimos direto para Itajubá. Os últimos quilômetros foram no asfalto e – ufa! – havia acostamento na parte mais movimentada da estrada.

Em Itajubá, a querida Deise já tinha nos oferecido hospedagem e foi um prazer enorme reencontrar os amigos que fizemos em uma viagem de carnaval.

Dia 2 – De Itajubá a Maria da Fé (29,5km – 573m)

No dia seguinte, a Deise e o Egg pedalaram conosco até Maria da Fé – o Denis não nos acompanhou, pois tinha uma prova de mtb no domingo e havia programado um giro leve.

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Com os amigos Deise e Egg em Maria da Fé.

Nossos guias nos levaram pela trilha do “alface” (o nome tem relação com as hortas do caminho). Eu já tinha pedalado parte dessa estrada em uma viagem com o Giu e descobri que, se tivéssemos seguido pela esquerda em determinado ponto, teríamos feito um caminho muuuuito mais suave. Nada como pedalar com locais.

Enquanto almoçávamos, uma chuva forte e gelada começou a cair e não parou mais. Desencanamos de seguir até Cristina e, por sorte, conseguimos uma hospedagem em Maria da Fé – estava tudo lotado devido a um evento de moto na região.

Ainda quero voltar para Maria da Fé para conhecer a fábrica de azeites, mas, tirando isso, não há muitos atrativos na cidade.

Dia 3 – De Maria da Fé a Carmo de Minas (55,1km – 1.318m)

Apesar de o dia anterior ter sido encurtado por causa da chuva, mantivemos o destino do terceiro dia: Carmo de Minas. Para complementar o café safado da pousada, fizemos uma parada estratégica na Padaria do Thiaguinho – outra dica boa dos amigos de Itajubá.

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Entre a Beleza e a Paciência.

O dia começou gelado: 9°C, às 7h30, mas logo esquentamos com as subidas. Seguindo pela terra, passamos por dois bairros e suas respectivas serras: a Beleza e a Paciência. Enquanto subia devagar, lembrei de uma frase bobinha sobre relacionamentos: se der certo, beleza; se não, paciência. Neste caso, deu tudo certo, com beleza e paciência!

Depois do almoço em Cristina, seguimos por uma estradinha suave que beira o rio Lambari, pegamos um trechinho curto de asfalto e logo voltamos para a terra. Aprendi com os amigos de Itajubá que, essas estradas de subidas leves geralmente são antigas ferrovias.

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Onde será que vamos parar?

Tudo estava tranquilo até chegarmos à primeira porteira do dia. Cruzamos a propriedade abandonada e logo começou um caminho de gado seguido por uma plantação de bananas. O caminho estava bem sujo em alguns pontos e empurramos as bikes por um tempinho. O bananal deu lugar a muitos pés de café, um single track em um pasto e uma estrada decente no meio de outro enorme cafezal.

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Quando o caminho termina em uma propriedade privada.

Durante esse pedala/empurra, além de me perguntar onde iríamos parar, eu pensava: “Google Maps fanfarrão! É a segunda vez que traço uma rota seguindo estradas indicadas por ele para diminuir o risco de perrengue e ele apronta uma dessas”. A estrada terminou na Fazenda Coqueiro. Atravessamos a última porteira do dia e pedalamos mais um trechinho de terra antes dos 5km de asfalto até o destino do dia.

Incluí Carmo de Minas no roteiro por causa da produção de café. A expectativa aumentou quando tomamos um café muito bom na loja de conveniência do posto na entrada da cidade. Porém, a realidade mostrou que ali era o único lugar onde dava para encontrar um café decente. Fomos à torrefação da Unique (imaginei que tivesse uma lojinha de fábrica), mas eles indicavam o café no calçadão em São Lourenço e, na hora, nem cogitamos incluir esse desvio na rota.

Dia 4 – De Carmo de Minas a Cruzília (59,7km – 1.253m)

Comparado à véspera, tivemos um dia despreocupado, com mais cidades pelo caminho para abastecimento e uma rota bem mais leve, passando por um trecho da Estrada Real. As plantações de café continuavam predominantes na paisagem e foram acompanhadas ainda pelas belas formações do Itatiaia e pelo Pico do Papagaio.

Passamos rapidamente por Caxambu e o Artur resolveu nos guiar dentro da cidade. Ele optou pela rota mais rápida e fomos parar numa estrada de asfalto curta, mas horrível que levava a Baependi. Na rota que tracei, o caminho era mais longo e de terra.

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Entre Carmo de Minas e Cruzília: muitas plantações de café.

Mesmo sem provar as especialidades de Cruzília, cidade conhecida pela produção de queijos premiados, minhas melhores lembranças de lá são relacionadas à comida: um delicioso cheesecake com cobertura de damasco que comemos ao chegar e biscoitinhos comprados em uma padaria ao partirmos.

Dia 5 – De Cruzília a Carvalhos (63km – 1.464m)

No quinto dia da viagem, justo quando começava a colheita do café na região, a paisagem da nossa rota mudou complemente. Algumas estradinhas deram lugar a estradões e pedalamos mais expostos ao sol.

Cortamos um trecho do caminho porque não queríamos passar em uma fazenda turística, mas em outra parte não teve jeito e passamos por uma propriedade privada de alguma empresa. Pedimos permissão a um casal cuja casa ficava a poucos metros da porteira e eles disseram que podíamos seguir.

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Cachoeira do Bananal, no caminho para Aiuruoca.

Ao passarmos pela cachoeira do Bananal (que eu tinha visto pelo Google Maps), vimos  um camper e logo conhecemos seu dono, que estava fotografando e filmando a queda d’água. Mário, morador de Itamonte e viajante solitário, nos mostrou diversos detalhes do camper construído por ele e não parava mais de falar.

Poucos quilômetros depois desse encontro, tivemos mais uma mudança de percurso porque o gps indicava um caminho onde não víamos estrada alguma. Ao invés de seguirmos para Serranos, fomos parar em Aiuruoca, que não estava nos planos para essa viagem. Para voltarmos à rota, optamos por continuarmos até Carvalhos.

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Não parece, mas tinha muita subida nesse caminho.

Há duas estradas que ligam as cidades e seguimos via Posses. O caminho é bem bonito e com muitas subidas, claro. Cerca de 8km antes de chegarmos, passamos pelo bairro das Posses e paramos para bater papo com o simpático casal José Antônio e dona Bina. A conversa rendeu por mais de uma hora e terminamos o pedal do dia sob um belo céu estrelado.

Dia 6 – De Carvalhos a Bocaina de Minas (30,4km – 875m)

Como pulamos um pernoite logo no começo da viagem, decidimos mudar o destino do dia e descansarmos um pouco mais. Essa decisão e o frio da manhã contribuíram para sairmos mais tarde.

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Descobrindo novos picos na Mantiqueira.

Descobrimos uma formação linda por ali, o Pico do Muquem, e ficamos atiçados para voltar e fazer o cume. Parte do caminho era sentido bairro Francês dos Carvalhos, mas lá pelo km 11 havia uma bifurcação e continuamos na direção da cachoeira da Estiva. Já sabíamos que se tratava de uma propriedade privada, mas o dono da pousada em Carvalhos disse que poderíamos entrar sem problema já que o local pertence a um primo dele. E vale a pena esse pequeníssimo (menos de 1km) desvio: a cachoeira é linda!

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A serra parece tão inocente nesta foto.

Um dia curto de pedal nessa região nem de longe significa moleza e tivemos que encarar a, até então desconhecida, Serra da Aparecida. Em menos de 1,5km, subimos 152m, chegando a 32% (!!!) de inclinação. A descida teve areia, pedras soltas e erosões.

Com a fome que estávamos, ficamos com receio de chegarmos tarde para o almoço em Bocaina de Minas (já tínhamos nos dado mal em Aiuruoca), mas comemos muito bem no Restaurante do João Grande. Considerando o quantidade de distritos que a cidade possui, imaginei que ela seria maior, porém, é pequena e sem muitas opções de hospedagem e restaurantes. Ainda assim, comemos uma pizza bem boa no jantar.

Foi neste dia que ficamos sabendo sobre a crise no abastecimento de combustível no país. Mesmo em um lugar tão pequeno, vimos uma filinha no único posto e ouvimos alguns comentários do dono da vendinha. “Corri para abastecer meu carro hoje. Já está faltando combustível nas cidades ao redor daqui.”

Dia 7 – De Bocaina de Minas a Itamonte (66,7km – 1.360m)

Depois de um trechinho de asfalto até o trevo, pedalamos por uma serra suave (e gostosa!) e logo chegamos a Santo Antônio do Rio Grande. Foi a segunda vez que passei por ali e nem repeti as estradas.

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Encantada com o entorno de Itamonte.

A subida que veio a seguir não era nada tranquila, mas a baixa velocidade nos permitiu apreciar ainda mais a região. O barulho de água foi constante por muitos quilômetros e havia bastante mata ao lado da estrada. Ao que parece, o trajeto ali não tem muito movimento e por um bom tempo não encontramos ninguém. Pelo caminho, descobrimos ainda a RPPN Morro do Elefante, que trabalha com agricultura orgânica e proteção e conservação da fauna e flora da região. Mais um local para visitar em outra oportunidade.

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Nenhum sinal dos moradores de Belo Monte.

Em Santo Antônio, havíamos sido informados de que, no bairro Belo Monte, haveria uma vendinha no caminho onde poderíamos nos abastecer. O que encontramos foi uma vilazinha com igreja, posto de saúde e escola fechados. Embora estivesse bem cuidada e o único local com aspecto de abandonado fosse a fábrica de laticínios, não vimos uma alma sequer.

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Fazenda Guatambu: hospedagem incrível em Itamonte.

Passamos em frente à Fazenda Guatambu/RPPN François Robert Arthur, onde nos hospedamos no ano passado para comemorar o meu aniversário. Além de realizar um excelente trabalho na preservação de um uma região linda, a Endy é responsável pela produção de geleias, kombucha, cervejas, mel e sabonetes artesanais e ainda oferece duas casas incríveis para hospedagem.

A partir da fazenda, foram mais 9km até o asfalto da estrada que liga Itamonte a Alagoa e quase 20km predominantemente de descida até a cidade. Embora considere o entorno de Itamonte belíssimo, não posso dizer o mesmo da área urbana, cortada pela rodovia. Depois de Bocaina de Minas, aqui foi o primeiro lugar onde ouvimos falar com mais intensidade sobre a greve dos caminhoneiros, que estavam protestando em um posto próximo à pousada onde nos hospedamos.

Dia 8 – De Itamonte a Marmelópolis (52,6km – 1.490m)

Voltamos à Estrada Real nos primeiros 10km do dia, por um caminho charmoso que eu já tinha percorrido no sentido contrário. Na sequência, o trecho de Itanhandu a Passa Quatro não traz nada de interessante e é marcado por granjas enormes.

Assim que saímos de Passa Quatro, encaramos uma subida que parecia não acabar mais. Subindo devagar – empurrando em alguns trechos inclusive – vimos várias sinalizações de uma ultramaratona que passou por ali. No cume, havia uma casa que parecia abandonada e uma bifurcação. Optamos pelo caminho mais curto e fomos pela direita. A esquerda levava a um lago sobre o qual um conhecido me falou quando mencionei que já tinha pedalado por aquela região.

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Em busca do suco de marmelo.

O caminho escolhido era muito sossegado e ficamos um bom tempo sem ver ninguém. Há diversas estradas que ligam Passa Quatro e Marmelópolis e, sem querer, não repetimos nenhuma em relação à viagem de Carnaval pela Mantiqueira em 2015. Tendo a travessia Marins-Itaguaré como parte da paisagem, paramos bastante para fotos e mais ainda quando encontramos o Toninho, morador de Marmelópolis muito bom de papo.

A conversa se estendeu por um tempo e chegamos à cidade quando estava escurecendo. Já que o restaurante Di Minas estava fechado, jantamos uma panqueca deliciosa na Pizzaria do Gordo, com direito a esfihas de chocolate de sobremesa. O pernoite foi na Pousada Bella Vista, que estava vazia por causa da greve de caminhoneiros.

Dia 9 – De Marmelópolis a Wenceslau Braz (46,8km – 1.494m)

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Belo começo de pedal.

Pegamos a estrada que leva ao bairro dos Quatis e, logo de cara, veio uma subida puxada – segundo o registrado no Strava, havia um trecho com 43,9% (!) de inclinação. Essa estrada fazia parte de uma rota que tracei para percorrer com o Giu e não rolou. Depois do terceiro quilômetro, a subida ficou mais agradável.

Fomos seguindo a estrada até que o gps indicou que estávamos fora da rota. Olhando ao redor, vi uma casa abandonada e não tinha certeza se era por lá que deveríamos seguir. Minha dúvida foi sanada por um senhor que trabalhava desmontando outra casa abandonada. “Pode seguir por ali, sem problema.”

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Trocando o estradão pelas estradinhas.

Pelas marcas no caminho, percebemos que esse atalho é percorrido apenas por motos e cavalos e, mesmo assim, não muitos já que havia alguma vegetação crescendo em partes do solo. Esse primeiro trecho nos brindou com single tracks e árvores que sombreavam o caminho; já o segundo, com areia, pedras e uma longa descida.

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Mercadinho Uai Pegue e Pague, em Taquaral.

Nossa rota alternativa terminou em um trecho do Caminho de Aparecida, no bairro Taquaral, já em Delfim Moreira. Passamos por uma hospedagem de romeiros, com baias para os cavalos, e pela peculiar vendinha Uai Pegue e Pague. Em meio aos produtos da roça, havia os avisos “você não está sendo filmado”, “colha sua verdura e pague o que achar justo”, “obrigado por ser honesto”.

O “almoço” foi no bar do Tadeu, no bairro Salto, também pertencente a Delfim Moreira: batata frita para mim, torresmo para o Artur e cerveja artesanal da região.

Seguimos pelos bairros de Biguá e Água Limpa numa descida suave. O único porém foi o aumento do tráfego que levantava uma poeira chata. Essa estrada é muito usada por ciclistas da região; encontramos alguns pelo caminho e depois descobri que o Denis (Itajubiker) tinha passado por lá mais cedo.

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Ah, Google Maps fanfarrão.

Para fugir do asfalto, incluí na rota um trecho que, no Google Maps, aparentava ser uma estrada, mas era na verdade um caminho de gado. Esse “atalho” no pasto faz parte do Caminho de Aparecia e até que foi pedalável em alguns pontos. Os últimos 6km do dia foram de asfalto, numa leve subida com vento contra.

Nos hospedamos na única opção que encontramos na cidade, a Pousada Castelinho que, como o nome sugere, realmente é um castelinho – impossível passar batido. O jantar, encomendado por nossa anfitriã, foi no restaurante da Derly. Mal acreditamos quando ela começou a trazer as panelas para nossa mesa e não parava mais. Comemos bastante e ainda sobrou muita comida.

Dia 10 – De Wenceslau Braz a Campos do Jordão (36,9km – 1.370m)

O dia começou com o mantra “só no girinho”. De Wenceslau Braz até o bairro do Charco, foram quase 15km de subida ininterrupta num giro constante. Aproveitamos um pouquinho de descida e voltamos a subir até a divisa de Minas Gerais com São Paulo, onde entramos no Horto Florestal de Campos do Jordão.

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Campo de araucárias próximo à entrada principal do Horto Florestal.

A descida pelo parque exigiu atenção já que havia muitas pedras e pontos escorregadios. Na empolgação de pedalar uma full suspension, o Artur bateu o aro em uma pedra e teve o único furo de todo o percurso.

Com a viagem chegando ao fim, incluí um mimo no roteiro e reservei uma cabana charmosa para passarmos a noite. No espaço gigantesco há, além das cabanas, chalés, atividades de arvorismo, paintball, um restaurante e o Zoom Bike Park, um parque feito para quem curte mtb, com diversas trilhas de variados níveis.

Apesar da subida longa, o pedal do dia foi curto e desfrutamos de uma tarde preguiçosa e de um friozinho gostoso, em meio às árvores.

Dia 11 – De Campos do Jordão ao Espaço Araucária (25,5km – 729m)

No último dia de viagem, entramos no ritmo de calmaria. Acordamos mais tarde, tomamos o café da manhã sossegados e saímos sem pressa. Em menos de 10km estávamos no centro da cidade para um programa tão clichê quanto gostoso: almoço na Baden Baden.

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Depois de 515km, de volta ao Espaço Araucária.

Enrolamos um pouco por ali, mas, enfim, fomos percorrer os últimos 17km da viagem. Com subidas, claro. Fizemos algumas fotos em frente ao Espaço Araucária e declaramos encerrada a primeira parte das férias.

Pós-viagem

O plano era aproveitar os dias que tínhamos antes do Encontro Nacional de Cicloturismo para irmos de carro até São Lourenço e Cruzília atrás de um “carregamento” de café, queijo e bolachinhas mineiras e ainda visitar o simpático casal nos arredores de Carvalho. Tudo frustrado pela greve dos caminhoneiros. O tanque do carro estava cheio e achamos mais prudente continuar assim e garantir a volta para a casa pós-feriado.

Pedalar pela Mantiqueira é sempre um programa imperdível. Por mais que já conheça muitos lugares e estradas, ainda é só um pedacinho do que há para ser conhecido. Assim como as pessoas que encontramos pelo caminho, sempre simpáticas ao confirmar uma informação ou até mesmo oferecendo um “cafezim”, jantar e pouso (!).

Minicicloviagem na Mantiqueira

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A caminho de São Bento do Sapucaí.

Artur, Giu e eu aproveitamos o feriado de Finados para pedalarmos um trechinho da Mantiqueira. Eles me deixaram incumbida de traçar a rota e reclamaram quando eu avisei que teria bastante asfalto no último dia. “Queremos terra!”

Pois bem! Retracei a rota com informações que achei no Wikiloc, numa combinação de trilhas de jipe e de moto e avisei que iríamos descobrir juntos o estado da estrada. No final, as subidas do primeiro e segundo dias foram tantas que eles desencanaram e voltamos pelo asfalto mesmo, descendo a serra nova de Campos do Jordão. Fuen!

A viagem foi planejada para três dias. De Tremembé a São Francisco Xavier, onde fizemos o primeiro pernoite. Depois, seguimos para São Bento do Sapucaí e, no último dia, retornamos para Tremembé.

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Pausa para o lanchinho.

Uma das estradas que incluí no roteiro passa por dentro de uma propriedade privada e, quando faltavam uns 2km até a porteira, fomos informados por moradores locais que os proprietários não são muito fãs de ciclistas e até já ameaçaram com arma um grupo que queria cruzar por ali. Desolados porque a subida até ali tinha sido bruta, voltamos e pegamos a estrada mais ou menos paralela para subirmos tudo de novo.

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Os adesivos não deixam dúvida: ali é rota de ciclistas.

Chegamos a mais uma trifurcação e nos reabastecemos no Bar do Trevo. A rota que tracei seguia pela esquerda, mas, pelo horário, achamos mais prudente irmos pelo outro lado e não pedalarmos no escuro, já que o Giu estava sem luz. A parte chata foi pegarmos mais um trecho de asfalto.

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Rota planejada – o link está logo abaixo.

Aqui estão os links para as rotas traçada e pedalada.

E só para constar, o Giu viajou com uma bike all road, o Artur foi de bike para cicloturismo, ambos usando pneus mais largos e cravudos. Eu fiquei bem feliz com a mtb e suas marchas leves.

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Itajubá - Virgínia

Estradinhas tranquilas pelos Caminhos da Mantiqueira.

No começo do ano, um dos meus melhores amigos, o Giu, me perguntou quais os meus planos para o Carnaval, pois ele queria cicloviajar. Como passei essa data na Alemanha, adiamos esse plano até o feriado de 1º de maio.

A rota rabiscada foi para dois dias passando por cidades dos chamados circuitos Caminhos da Mantiqueira e Terras Altas da Mantiqueira.

Na sexta-feira à tarde, fomos de carro de São Paulo até Itajubá para começar o pedal no dia seguinte. Aproveitei para encontrar o Denis, do Itajubikers, que conheci numa cicloviagem durante o Carnaval de 2015. Faltou o reencontro com a Deise e com o Egg.

De Itajubá à Virgínia

Depois de um bom café, pegamos uma estrada no sentido de Maria da Fé, porém, foi só com cerca de 12 km que entramos na estrada antiga que liga Itajubá à Maria da Fé. Fomos subindo, subindo, subindo… Quase no topo, encontramos um ciclista que passou por nós na cidade descendo todo feliz.

Em Maria da Fé, fizemos uma foto na antiga estação de trem e, como ainda tínhamos bastante chão pela frente, decidimos fazer uma parada rápida no bar de um posto de gasolina que estava no nosso caminho ao invés de almoçarmos em um restaurante.

Nesse trecho, a estrada é de paralelepípedos e a subida foi mais suave do que eu me lembrava. Paramos para fotografar umas plantações de café e logo reencontramos a terra. Aqui e acolá, passávamos por localidades que não sei identificar se são bairros ou distritos. Em uma delas, perguntei ao rapaz que dirigia um trator qual era o nome do lugar e a resposta veio carregada com o sotaque mineiro, que acho uma graça: “Aqui é Mata, Madibaixo. Se cês continuarem, cês vão passar por Madicima”.

Das Matas, fomos para Pintos Negreiros por uma estrada diferente da que eu havia pedalado antes. Paramos no mercadinho para mais um lanche e voltamos para a estrada. A subida não era tão íngreme, mas a lama, os buracos e as pedras fizeram com que o pedal não rendesse.

Itajubá - Virgínia

“Trânsito” intenso pelo caminho.

Neste ponto, tivemos dúvida se estávamos no caminho certo, pois, além de não encontrarmos ninguém nesse trecho, o mato estava crescendo na estrada indicando que não há muito movimento por ali, além das vacas.

Numa curva pouco depois, erramos uma entrada – achei que fosse apenas a entradinha de uma casa. Começamos a voltar quando encontramos um senhor de moto, que nos informou que a estrada indicada na rota que tracei estava interditada e só dava para passar a cavalo. Eu já estava pronta para tirar a prova, quando ele acrescentou: “mas se vocês continuarem por aqui, vão sair em Virgínia e até lá é só descida”. Depois disso, deixamos a possibilidade de roubada para lá.

A descida até Virgínia foi uma delícia! A primeira coisa que fizemos foi procurar hospedagem e ficamos na mesma pousada onde dormi no Carnaval de 2016, a Bela Vista. Pedimos pizza para o jantar e dormimos cedo.

De Virgínia a Itajubá

Depois de uma enroladinha básica, partimos. O começo foi bem tranquilo e, quando a subida começou, achei aquele trecho muito familiar: passei ali de carro no ano anterior e, na hora, pensei que seria bem legal pedalar por ali. Realmente foi bem legal!

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Pausa para uma mexerica antes de chegarmos a Marmelópolis.

Mesmo com algumas paradas para fotos, logo chegamos a Marmelópolis. Almoçamos no restaurante Di Minas, que eu também já conhecia e acho bem bom. Comida fresquinha, orgânica, suco de marmelo e atendimento pra lá de atencioso.

Neste ponto, o Giu já tinha desistido de seguir pedalando. As pernas estavam inteiras, mas ficar sentado no selim não estava muito agradável para ele. Enquanto comíamos, fiquei ponderando duas opções: manter a rota original e correr o risco de entrar numa roubada por causa do horário – ainda teria 15 km de subida puxada, sem a menor ideia das condições da estrada – ou ir pelo asfalto, que eu já conhecia. Acabei ficando com a segunda opção e, depois de me despedir do Giu, fui encarar a Serra da Goiabeira, mas no sentido contrário ao que havia pedalado anteriormente.

Itajubá - Virgínia

Subindo a Serra da Goiabeira sentido Delfim Moreira.

Como a subida era longa, fui girando tranquila, sem pressa, afinal eram apenas 18 km até Delfim Moreira e uma parte seria de descida. Cheguei ao topo em 1 hora, parei para fotografar a placa da divisa entre as cidades e, assim que subi na bicicleta, dois motoqueiros apareceram na curva e diminuíram a velocidade quando me viram. Comecei a descer e eles ficaram atrás de mim por um tempinho, fazendo umas “graças”. Fiquei ressabiada e acabei descendo um pouco mais rápido, mas o alívio veio logo que eles me ultrapassaram e sumiram nas curvas.

Em Delfim Moreira, mandei mensagem para o Giu e voltei para a estrada. Um senhor me indicou o caminho “da linha”, a antiga estrada de trem. Logo no começo, revi os mesmo motoqueiros da serra indo no sentido contrário ao meu e acompanhados por mais um cara. Aproveitei que a estrada estava boa e pedalei um pouco mais rápido.

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Estrada “da linha”.

Num ponto, há uma bifurcação e o caminho da esquerda leva à rodovia. Decidi ir por lá para ganhar tempo, para não deixar o Giu preocupado e por um certo receio daqueles motoqueiros (pode parecer bobagem, mas o sexto sentido ficou meio alerta). O começo foi uma descidona linda e, mesmo sendo a rodovia principal, pouco movimentada. Fiz uma parada de dez minutos numa pamonharia no caminho e vi o ônibus que vinha de Marmelópolis passando.

A última parte teve alguns falso planos e mais veículos. A maioria dos motoristas foi legal e tomou distância ao me ultrapassar. Apenas um caminhão passou mais perto do que deveria, me assuntando um pouco. Logo estava na entrada da cidade e foi mais fácil do que esperava chegar ao hotel.

Quando bati na porta do quarto, o Giu ficou surpreso com o tempo que levei.

Gostei bastante do trecho entre Itajubá e Virgínia, mas quero voltar para pedalar também a rota originalmente traçada e tirar a prova sobre essa estrada por onde só passa cavalo (du-vi-do! hehe).

Para quem ficou curioso sobre os roteiros, deixo abaixo os links das rotas:

Travessia Marins-Itaguaré

Marins - Itaguaré

O imponente Itaguaré.

Desde que fizemos a travessia Itaguaré-Marins em 2015, eu tinha vontade de repetir o percurso em um dia só. O Artur realizou o feito no final de 2016, em um tempo muito bom, e fomos juntos no feriado da Páscoa. 

Sair de São Paulo no começo da tarde de sexta-feira foi uma ótima ideia. Consegui descansar da semana corrida, arrumei minhas coisas com calma e ainda deu tempo de comprar pão e panetone (sim!) para o café da manhã na montanha. A viagem foi tranquila e, finalmente, conheci a estrada que passa pelo Bairro dos Marins.

Ficamos no Acampamento Base Marins, do Dito, que nos recebeu com simpatia. A primeira providência foi montarmos a barraca e ajeitarmos a cozinha. Preparei uma sopa de abóbora com cogumelos para o jantar e fomos deitar cedo.

Travessia Marins - Itaguaré

Café da manhã caprichado antes de encararmos a travessia.

Depois de uma noite mal dormida, enrolamos para levantar e saímos depois do horário programado. Fomos subindo num ritmo bom e chegamos ao Morro do Careca em cerca de meia hora. Quando contávamos duas horas de caminhada/escalaminhada, chegamos à bifurcação para o cume do Marins e a travessia sentido Itaguaré. 

Paramos para um lanchinho e decidimos não fazer o cume do Marins. A trilha, que até então estava bastante movimentada, ficou mais vazia e começou a soprar um vento forte. Eu olhava para as nuvens e torcia para o tempo não virar como na outra vez.

Travessia Marins - Itaguaré

Praticamente um pontinho na montanha.

Logo alcançamos o cume do Marinzinho e, mesmo estando um pouco aérea, o ritmo foi bom. A situação mudou um pouco na sequência. Para sair do Marinzinho sentido Itaguaré, há um lance de corda e, definitivamente, preferi subir essa parte do que descer. As nuvens estavam altas nesse momento e eu só enxergava um abismo branco.

O restante da travessia é marcado por muito sobe e desce. Nos trechos mais baixos, havia bastante vegetação – mais do que eu lembrava da outra travessia – e, de tanto me enroscar nos bambus, ganhei vários hematomas nas pernas.

Na Pedra Redonda, encontramos um pessoal que havia passado a noite ali. Papeamos um pouquinho e voltamos para a trilha. Um pouco mais adiante, cruzamos com um casal que estava fazendo a travessia no sentido oposto. A moça me reconheceu do final de semana anterior, quando participamos juntas do workshop de corrida natural durante a Abertura de Temporada de Montanha. Mundinho pequeno.

Marins - Itaguaré

O relevo apaixonante da Mantiqueira.

Reconheci o ponto onde dormimos na primeira travessia, com vista para o Itaguaré, mas é engraçado como minha memória é ruim para esses caminhos. Em vários pontos, era como se estivesse passando ali pela primeira vez. 

Numa área de camping mais próxima à base do Itaguaré, vi um cara juntando gravetos para fazer uma fogueira e empilhando-os justamente ao lado de uma placa que indicava “Proibido fazer fogueiras”. Lembrei do incêndio que atingiu o Marins por causa de um sinalizador de fumaça e fiquei brava, mas a rispidez dele quando o cumprimentei somada à cara de poucos amigos fez com que eu desistisse de dar bronca.

Mesmo na descida, o trecho de mata para chegar ao campinho do Itaguaré continua chatinho por causa das erosões. Aproveitei para matar a sede quando cruzamos o riacho pela primeira vez, mas resisti à tentação de catar os pinhões que estavam pelo caminho (hehe), pois logo iria escurecer e queríamos caminhar um trecho na estrada.

Travessia Marins - Itaguaré

Foram 13 km de travessia e 10 km de caminhada.

Para não chegarmos tão tarde ao Acampamento Base, ligamos para o Dito para pedir para o resgate nos encontrar pelo caminho, mas a ligação estava ruim e ficamos sem saber se ele entendeu ou não. Fomos andando por algumas das estradas da cicloviagem do carnaval de 2015 e bateu uma preguicinha no começo, mas depois entramos num embalo gostoso. Quando estávamos na bifurcação que leva para o centro de Marmelópolis, encontramos o Clóvis, que estava indo nos buscar. Por um minuto, não nos desencontramos.

Havíamos deixado o jantar encomendado e, além da comida caseira do fogão à lenha, o Dito e sua esposa prepararam pinhões – ganhei um monte e estavam deliciosos! De barriga cheia, tomamos banho e fomos deitar.

Acho que nem preciso falar que já estou com vontade de voltar, né?

Flickr.

Minha primeira cicloviagem solo

De Itanhandu para Resende

Em abril de 2015, decidi que iria fazer uma viagem de bicicleta sozinha num final de semana. Abri o Google Maps e o Ride with GPS e fui olhando estradas e pensando nas possibilidades. Para facilitar a logística, escolhi cidades com boas opções de ônibus de e para São Paulo como pontos de partida e de chegada. E, entre elas, optei pelas estradas menos movimentadas.

Por vários motivos, a viagem aconteceu apenas em maio de 2016. O dia amanheceu chuvoso e foi assim até minha chegada a Itanhandu. Enquanto pegava água na vendinha da rodoviária, a chuva foi diminuindo e parou de vez assim que comecei a pedalar. Um bom sinal!

De Itanhandu a Alagoa

De Itanhandu para Resende

Peguei um trechinho da Estrada Real que liga Itanhandu a Itamonte e foram 10 km de bastante lama. A estrada estava escorregadia em algumas partes e fui com cautela, principalmente, nas descidas.

A estrada de Itamonte para Alagoa faz parte do Caminho dos Anjos com uma longa subida de 20 km. Como eu sabia o que me aguardava a partir dali, aproveitei para comer um pouco num boteco na cidade.

Nessa saída de Itamonte, já num bairro mais afastado, uma senhora abanou a mão para mim super animada e gritou: "vamos chegar prum cafezim". Por essas e outras que amo viajar por Minas.

De Itanhandu para Resende

A primeira parte da subida é asfaltada e foi bem mais tranquila de pedalar do que no Carnaval graças ao tempo ameno e às marchas mais leves. Parei no mesmo boteco da outra viagem para comprar água antes de encarar o segundo trecho, que é de paralelepípedos e mais íngreme.

De Itanhandu para Resende

Fiquei bem feliz por chegar ao topo sem sinal de chuva. Para descer, escolhi o caminho à esquerda e fui por dentro do Parque Estadual Serra do Papagaio. A estrada é bem bonita, porém, como iria escurecer logo, não parei para tirar fotos.

Pouco antes de encontrar o asfalto novamente, há uma bifurcação e fui pelo caminho da esquerda, pois queria passar em frente à Pousada Casarão (minha primeira opção de hospedagem quando estava planejando o roteiro). Os últimos 10 km foram no asfalto e sem iluminação.

Em Alagoa, fui direto para a Pousada Flores da Mantiqueira, onde a Guela me esperava. Infelizmente, o restaurante do Gustavo estava fechado, mas ela encomendou meu jantar enquanto eu tomava banho. Um senhor que estava na pousada me reconheceu da estrada. Ele passou de moto e me cumprimentou perto da outra pousada.

De Alagoa a Penedo

Enrolei um pouquinho na cama quentinha e saí às 8h30 da pousada depois de um bom café. O começou foi tranquilo e as primeiras subidas foram suaves, com muitas árvores sombreando o caminho e o barulho constante de água.

De Itanhandu para Resende

No meio da primeira subida mais longa, fiquei pensando se poderia ser a primeira serra do dia, mas depois não tive a menor dúvida quando ela realmente começou. Na descida, fui ultrapassada por uma caminhonete que encontrei logo depois parada em frente a uma casa. Conversei um pouco com dois senhores e segui.

A descida ficou pior: mais íngreme, esburacada e com pedras soltas. Levei um tombo besta por estar devagar demais e não conseguir desclipar a tempo. Nada grave.

De Itanhandu para Resende

Em Santo Antônio do Rio Grande, parei num mercadinho para comer e beber algo. Esse distrito de Bocaina de Minas é uma graça e depois descobri que há muitas cachoeiras legais por ali, então, vale a pena voltar.

São apenas 10 km até Mirantão, outro distrito de Bocaina de Minas. Só que tem uma serrinha no meio do caminho. Parei num trailer de lanches para tomar uma coca e depois continuei rumo a Visconde de Mauá.

Esse trecho é predominantemente plano e com algumas descidas. A estrada vai margeando o Rio Preto e ao poucos surgem casas, sítios e pousadas pelo caminho. Pouco antes de começar o asfalto, as subidas recomeçaram com muitas pedras e buracos. Acho que alguns motoristas não gostaram muito de serem ultrapassados por mim nessa parte.

De Itanhandu para Resende

A terra acaba na estrada que liga Visconde de Mauá à Maringá. Há uma subidinha curta até Visconde de Mauá, depois são 3 km até o topo da Serra da Pedra Selada e, por fim, uma longa descida. Apesar da estrada ser linda, foi um pouco chato descer com os carros. Não há acostamento e nem sempre eles reduzem a velocidade ou tomam distância na hora da ultrapassagem.

Cheguei uma hora antes do que havia programado e fui direto para uma pousadinha já reservada. A noite terminou com pizza e cerveja.

De Penedo a Resende

De Itanhandu para Resende

Nem tudo são flores e, para voltar para São Paulo, tiver que encarar quase 13 km na Dutra para chegar à rodoviária de Resende. Deixei para comprar a passagem na hora e dancei, pois o primeiro ônibus já estava lotado.

Essa viagem é uma boa opção para um final de semana, seguindo direto para Resende para pegar o ônibus. Fiz em três dias, pois queria conhecer Penedo por causa da colonização finlandesa. Pena que não encontrei muita coisa além de lojinhas de souvenirs.

Bikepacking e rota

Como a altimetria é puxada, quis viajar leve. Dormi em pousadas e viajei apenas com uma roupa para pedalar, uma roupa de "civil", uma necessaire pequena e um par de chinelos. Ao invés de alforje, optei por acomodar minhas tralhas na bolsa Marimbondo, de bikepacking.

1º dia: 52,5 km com + 1.349m
2º dia: 78,7 km com + 1.716m

Itanhandu-Resende

A rota está disponível no Ride with GPS.

Minas Outback

Minas Outback - ago 2015

Mulheres cicloviajantes na serra velha de Campos do Jordão.

Uma cicloviagem só de mulheres! A ideia surgiu quando, conversando com o Artur e o Tux, sobre um pedal pela Mantiqueira, foi usado o termo Minas Outback. Era uma referência ao estado de Minas Gerais e à ideia do Oregon Outback, mas adotei o termo com outro objetivo.

Minas Outback - ago 2015

Mantiqueira é sempre uma boa escolha.

Planejei um roteiro e chamei algumas meninas que sei que gostam de cicloviajar. Como foi a primeira vez que organizei algo assim, preferi chamar pouca gente. No começo, achava que seríamos apenas a Gabi e eu, mas, aos poucos, algumas mulheres foram topando e chamando outras.

Para não corrermos o risco de perder o ônibus, a Nataly sugeriu invertermos a rota. Essa mudança deixou o pedal mais tranquilo, ficamos folgadas em relação aos horários no domingo e ainda ganhamos uma horinha de sono.

Minas Outback - ago2015

Campos do Jordão – Monteiro Lobato – São Francisco Xavier – Caçapava.

No sábado, conseguimos embarcar as dez bicicletas e os alforjes sem qualquer problema e partimos às 6h para Campos do Jordão. Tomamos café da manhã perto da rodoviária e “chocamos” os atendentes do lugar pelo tanto que comemos (e olha que nem foi tanto assim).

O pedal começou gelado com a descida da serra velha. Foi uma delícia passar de novo por ali e lembrar da minha primeira cicloviagem.

Ao chegarmos à bifurcação para Santo Antônio do Pinhal, tivemos o primeiro e único problema mecânico da viagem. O câmbio dianteiro da Nataly não funcionava mais. Tentamos arrumar, mas a questão era o cabo e não tínhamos reserva. Por sorte, a corrente estava na coroa menor.

Minas Outback - ago 2015

Meu restaurante favorito em Monteiro Lobato.

Em Monteiro Lobato, almoçamos no restaurante Resgate Caipira. Chegamos no finalzinho do almoço, mas ainda tinha comida suficiente para as ciclistas esfomeadas. Subimos a serrinha para São Francisco Xavier com luz do dia, mas a descida foi apenas com as luzes dos faróis.

A hospedagem foi na Pousada Canto dos Pássaros, um pouco antes da entrada de São Francisco. Já havia ficado lá durante outra cicloviagem de fim de semana. O lugar é uma delícia e o atendimento muito simpático. Como tínhamos bastante comida nos alforjes, desencanamos de jantar em algum restaurante e aproveitamos a cozinha comunitária para compartilharmos as guloseimas, os vinhos e cervejas (de pinhão e avelã!).

Estrada do Livro

A manhã começou devagar. Tomamos café da manhã com calma e saímos às 10h da pousada. Pedalamos tranquilamente e logo estávamos em Monteiro Lobato de novo.

Como teríamos que encarar duas serrinhas em uma estrada sem abastecimento, sugeri almoçarmos no mesmo restaurante do dia anterior. Aqui o grupo se dividiu, pois algumas meninas disseram que ainda estavam cheias do café e decidiram seguir pedalando.

A Estrada do Livro também é chamada de Estrada Velha pelos moradores da região. O percurso é lindo, com duas serrinhas curtas e íngremes. Entre uma e outra, fica um dos sítios do Pica-pau Amarelo. Segundo nos contaram, esse é onde Monteiro Lobato morava.

Paramos para uma foto em frente à placa e reencontramos as meninas que optaram por não almoçar. A Vivi e eu ficamos doidas por um café e fomos perguntar se tinha ali. Num tom bastante mal educado, a dona disse: “são dez reais para visitar o sítio e servimos almoço apenas com reserva. Não temos café”. Então tá, não voltamos mais.

Minas Outback - ago 2015

Reagrupando.

De volta à estrada, encaramos o trecho de terra e pedrinhas, que, no sentido Caçapava, é uma subidinha de 3km. Cada uma subia no seu ritmo e, em determinado ponto, parávamos para reagrupar, sem deixar ninguém para trás.

Ao planejar a rota, esqueci de descontar os quilômetros de ida e volta entre São Francisco Xavier e a pousada, por isso, o pedal do dia foi mais curto do que achei que seria. Chegamos a tempo de trocar as passagens para um horário mais cedo e ainda deu para brindarmos à cicloviagem com cervejas no boteco da rodoviária.

Foi uma experiência e tanto! Era uma viagem em grupo, mas havia autossuficiência, pois cada uma era responsável por suas passagens, hospedagem, lanchinhos.

Alguns conhecidos não tinham muita certeza sobre esse pedal. Vai dar certo? Vai ter quórum? No fim, deu certíssimo e foi só o primeiro. Se alguma mulher está na dúvida sobre fazer uma cicloviagem, espero que este evento seja um incentivo. Sozinha ou com amigas, simplesmente vá.

Carnaval na Mantiqueira

CicloMantiqueira

Serra do Ministério, entre Virgínia e Maria da Fé.

Os últimos meses foram tão corridos, que estava difícil até mesmo sairmos de São Paulo. Porém, queríamos aproveitar o feriado de Carnaval e nada melhor do que fazer uma cicloviagem.

Usando um guia do Guilherme Cavallari, o Artur montou um roteiro surpresa por estradinhas de terra da Mantiqueira e só fiquei sabendo para onde iríamos na quarta-feira antes do feriado. Arrumamos tudo na sexta-feira à noite e, sábado cedinho, partimos de ônibus para Itajubá.

Itajubá – Marmelópolis

Depois de comermos um lanche numa padaria perto da rodoviária, começamos o pedal em frente à antiga estação ferroviária da cidade. Passamos por uma área militar, por bairros já com estrada de terra e foram alguns quilômetros até entrarmos na zona rural.

CicloMantiqueira

Delícia de estrada!

Como esperado, a paisagem era linda por todo o caminho. Passamos por trechos com muitas árvores, o que tornava a temperatura mais agradável para pedalar, e o barulhinho de água nos acompanhou durante quase toda a viagem.

Ao cruzarmos com um carro com suporte para bike, a motorista nos perguntou se tínhamos visto um ciclista pelo caminho. “Deixei meu marido em Taubaté e fiquei de encontrá-lo por aqui, mas acho que ele se atrasou.” Não demorou muito e ela passou por nós de novo com o marido resgatado. Muito simpáticos, disseram para pararmos na casa onde estavam. “Vocês verão o carro estacionado na frente.” Paramos para dar um oi para a Amanda e o Pedro e logo seguimos adiante, pois ainda tínhamos muitas subidas pela frente.

Estava meio tarde para almoçarmos em Delfim Moreira, então, optei por um açaí, enquanto o Artur comeu um salgadinho meio tranqueira. Saindo da cidade, passamos em frente à cervejaria Kraemerfass e, embora esteja nos nossos planos conhecê-la, não foi dessa vez.

Para chegarmos à Marmelópolis, encaramos a Serra da Goiabeira, que era de terra na época em que o guia foi editado. O asfalto está bom em quase todos os trechos e a descida é bem gostosa. Ao chegarmos à cidade, fomos parar na pousada Bella Vista, onde encontramos quatro ciclistas de Itajubá que estavam fazendo o mesmo trajeto.

Tomamos banho, jantamos num restaurante simples e de comida farta próximo à Praça Cica e fomos dormir cedo.

Marmelópolis – Itanhandu

O despertador tocou cedo, mas dormimos uma hora a mais. Nos deliciamos com as lichias do café da manhã e acabamos saindo por volta das 10h.

CicloMantiqueira

Subidinha.

Logo no começo, encaramos muitas subidas e várias delas com pedras soltas. Havia muitas fazendas e o roteiro seguiu por estradinhas estreitas e bonitas. Passamos ao lado do campinho do Itaguaré, onde começa a subida para o Pico do Itaguaré, e aproveitamos para fazer um lanche por ali.

CicloMantiqueira

Vista da Serra Fina.

Para chegarmos a Passa Quatro, encaramos uma longa subida, seguida de uma longa descida com vista para a Serra Fina. Paramos algumas vezes para tirar fotos e achei alguns morangos silvestres que estavam deliciosos. Pena que eram poucos.

Passa Quatro é uma cidade fofa e estava toda enfeitada para o Carnaval. Fizemos a boa opção de almoçar na fornaria Antônio. Enquanto comíamos, chegaram os ciclistas que conhecemos em Marmelópolis: Deise, Egg, Denis e Cidy.

Com as barrigas cheias, papeamos um pouco, tiramos fotos e voltamos à estrada. Por questões de hospedagem, eles seguiram para Itamonte e nós paramos em Itanhandu. Esses foram os 10 km mais fáceis e sem graça de toda a viagem.

O Carnaval estava animado em Itanhandu e vimos várias pessoas fantasiadas. As mais marcantes foram o quinteto de Power Rangers e o He-man. Pena que não tirei fotos. Jantamos pizza e voltamos logo para o hotel.

Itanhandu – Virgínia

As rosquinhas de coco do café da manhã estavam incríveis. Comemos todas! Choveu bastante na noite anterior e as estradas estavam com bastante lama. Passamos por várias fazendas e vimos muito gado. Também cruzamos com alguns ciclistas que seguiam na direção de Itanhandu.

CicloMantiqueira

E deu para ver o Pico dos Marins.

Nos outros dias, passamos por trechos do Caminho de Aparecida e da Estrada Real e, neste terceiro dia, percorremos uma parte do Caminho dos Anjos. Também foi dia de avistarmos o Pico dos Marins.

Em seguida, veio a Serra do Palmital. Sem dúvida, foi a mais gostosa do caminho todo. Ela é bem estreita e com uma vista linda, claro! A descida também foi tranquila e chegamos em Virgínia no começo da tarde.

Depois de rodarmos a cidade, paramos num restaurante para almoçarmos. As opções eram “prato raso” e “prato fundo”. Pedi o primeiro, óbvio, e mesmo assim não dei conta da montanha de arroz e feijão que me foi servida.

Pensamos em nos hospedar no Hotel Fazenda Vale da Mantiqueira, pois seria caminho no dia seguinte. Liguei para perguntar se havia vaga e desisti quando a atendente me informou que o gerente tinha autorizado o desmembramento do pacote, porém, a diária teria o mesmo custo do pacote completo: R$ 1.050. Não, obrigada!

Fomos para a outra hospedagem da cidade, a Pousada 13 Lagos, que fica na estrada para Pouso Alto, e havia sido recomendada pelos ciclistas de Itajubá, que já estavam por lá. O fim de tarde e o começo da noite foram divertidíssimos, com muita conversa, risadas e algumas latas de cerveja.

Estávamos preparados para acampar por ali, porém, houve uma desistência de última hora e conseguimos um chalé para passarmos a noite. Fizemos nosso jantar para tirar um pouco de peso da bagagem, comemos e fomos dormir.

Virgínia – Itajubá

Tomamos café da manhã no quarto porque o da pousada era muito tarde para os nossos planos. Organizamos tudo e, na hora de irmos embora, cadê o senhor Mauro para acertar nossa conta? Ele tinha ido buscar pão na cidade para o café e, por causa da espera, saímos cerca de 30 minutos depois do previsto.

Na entrada de Virgínia, mais um atraso: meu pneu traseiro furou. Na hora da troca, mais uma baixa: um raio quebrado. Sorte minha que a roda tem 36 raios e aguentou o tranco do último dia da viagem.

Depois do Hotel Fazenda, há algumas casas com lindos jardins. Os moradores foram muito simpáticos e, como íamos em direção à serra, uma senhora disse que somos corajosos.

CicloMantiqueira

Um pouco de névoa na Serra do Ministério.

Logo depois da igrejinha, começa a Serra do Ministério, com 8 km de subida. O tempo ajudou bastante nessa hora e havia até um pouco de névoa quando chegamos ao topo do morro.

Estávamos começando a descer, quando ouvimos uma buzina amigável. Era o Egg, da turma de Itajubá, dirigindo o carro de apoio. Ele encostou o carro por ali, pegou a bicicleta e foi encontrar o restante da turma na subida da serra.

Seguimos com cautela, eu principalmente, pois havia bastante lama e pedras nos 11 km de descida até Pintos Negreiros, distrito de Maria da Fé. O único bar que vimos por ali estava fechado, então fomos ao mercado comprar pão e queijo para fazermos um lanche. O Artur não resistiu à peça de parmesão que estava na vitrine e o queijo foi parar no meu alforje. Foi uma releitura da brincadeira “o Tux carrega”.

Enquanto comíamos, o pessoal de Itajubá chegou. Eles também aproveitaram para comer algo; ficamos papeando e partimos juntos para a Serra do Pouso Frio, a segunda do dia. Esta serra é mais curta, com 5 km, porém, a subida é mais íngreme e como descreveu o Cavallari, “sem um centímetro de descanso”.

CicloMantiqueira

Denis trocou a aro 29 com suspensão pela garfo rígido com alforjes.

Apesar de algumas paradas, a subida rendeu. Fomos conversando bastante e, na metade do caminho, o Denis ficou curioso para pedalar minha bicicleta com alforjes. Fizemos a troca e, graças a ele, os últimos 2,5 km foram tranquilos para mim. Além de pedalar sem peso, o aro 29 e a suspensão deixaram a subida bem mais fácil.

Pouco depois, o Cidy e o Artur também inverteram as bikes. Dos trechos que percorremos da ciclomantiqueira, este foi o meu favorito. As paisagens lindas e as companhias divertidas somaram-se ao prazer de vencer as duas serras.

A descida até Maria da Fé foi marcada pela chuva gelada que caiu forte. Chegando ao posto de combustível indicado no guia, optamos por fazer o último trecho até Itajubá pelo asfalto. Foram longas descidas e algumas subidas, acompanhadas das lembranças de quando o Artur e eu pedalamos por ali na viagem para Aiuruoca.

Aceitamos o convite da Deise e dormimos uma noite em Itajubá. Fomos com ela, o Egg, Denis e sua esposa Mônica ao tradicional Bar da Maria saborear quitutes mineiros. Recomendo o pastel de milho com queijo.

Apesar do cansaço devido às poucas horas de sono (pegamos o primeiro ônibus para São Paulo, às 4:15), cheguei em São Paulo renovada. Paisagens lindíssimas, novos amigos, bicicletas e poder dividir tudo isso com o Artur são alguns dos motivos para que essa viagem tenha sido tão incrível.

Que venha logo a próxima! Para ler o relato do Artur, clique aqui.

Carnaval 2014 em São Bento do Sapucaí

Carnaval 2014

Mantiqueira!

Saímos na sexta-feira à noite para São Bento do Sapucaí, cidade tranquila, com pouco mais de 10 mil habitantes, na Serra da Mantiqueira. Nossos planos para o feriado eram pedalar, descansar, comer bem e comemorar um ano de namoro.

A cidade estava mais cheia do que nas outras vezes que fui para lá e o Carnaval de rua foi animado, pelo que observei. Porém, nós aproveitamos para relaxar e explorar os arredores de São Bento.

Pensando no Audax de Queluz, levamos as bicicletas para “treinarmos” um pouco. No primeiro dia, fomos para Gonçalves-MG. A ida e volta dariam pouco mais de 60km, mas parei com 58km depois de algumas crises de falta de ar. A última e mais forte aconteceu quando estava subindo a Estrada do Paiol, no caminho para o chalé onde estávamos hospedados. O Artur ficou tão preocupado, que não me deixou pedalar mais e foi buscar o carro para me resgatar.

Carnaval 2014

Subindo a serrinha sentido Monteiro Lobato.

Dois dias depois, saímos de São Bento do Sapucaí sentido Monteiro Lobato, mas fizemos o retorno antes de chegar à cidade. Seguimos para Santo Antônio do Pinhal e depois voltamos para São Bento, somando 78km na estrada. Pela minha saúde, o percurso foi mais curto e menos íngreme do que havíamos planejado e combinamos que, ao menor sinal de crise, iríamos voltar. No entanto, não tive nenhuma falta de ar e ainda pedalei bem.

Comes e bebes

Carnaval 2014

Feirinha de orgânicos em Gonçalves.

Finalmente, conseguimos ir à feira de orgânicos em Gonçalves, que acontece aos sábados. Ali dá para comprar legumes e verduras fresquinhos e produtos como queijos de cabra, antepastos, pães e biscoitos, tudo direto do produtor. É só pegar uma cesta, ir enchendo com o que quiser e depois pesar e pagar no caixa. E os preços são bons.

Carnaval 2014

Bicicletas são bem-vindas no Janela com Tramela.

Durante o primeiro pedal, almoçamos no restaurante Janela com Tramela, em Gonçalves, onde sempre peço o escondidinho de cogumelos. Desta vez, tomei apenas um suco, mas recomendo os drinks de lá também.

Encaramos as estradas de terra e fomos duas vezes até o Alambique Luminosa, na cidade que é distrito de Brazópolis-MG. O Artur já conhecia o lugar e disse que poderíamos almoçar por ali. Excelente ideia, pois a comida é feita em fogão à lenha. As opções vegetarianas foram arroz, feijão, ovo frito e uma salada caprichada feita na hora para mim. Tudo muito saboroso!

O sr. Guido começou a produção de cachaça artesanal em 2003. No alambique, ainda é possível encontrar a primeira que ele produziu há 11 anos, envelhecida em barril de carvalho. Ele produz diversas cachaças licorosas com sabores variados. Degustei as de jabuticaba, café, banana, canela e a envelhecida. Todas muito boas, com excelente preço e acompanhadas de boa conversa e muita simpatia.

Almoçamos um dia no Bistrot da Serra, em São Francisco Xavier, mas não foi uma boa ideia. Já tinha comido uma boa quiche com salada lá durante o Audax de Campos do Jordão, porém a empanada de berinjela com creme de queijos foi um pedido infeliz. Também não gostei da cuca de maçã, que mais parecia o recheio de uma torta com cobertura de chocolate.

Depois de pedalar na terça-feira, fomos à já conhecida Cantina do Tio Giuseppe. Acho que comemos lá todas as vezes que fui para São Bento do Sapucaí. A cantina funciona na casa da família e tem uma decoração meio maluca com uma mesa de sinuca desativada, máquinas de escrever, ferros de passar roupa daqueles que funcionam com brasas, câmeras fotográficas analógicas e outras coisas.

São servidos três antepastos de entrada: sardela, berinjela temperada cortada em tiras e a casca da berinjela com azeite e temperinhos (meu favorito!). O cardápio tem truta com nhoque verde com molho de gorgonzola e um trio de massas que começa com espaguete com molho ao sugo, seguido do nhoque verde e canelone quatro queijos para finalizar. A única vez que consegui chegar ao terceiro prato foi quando almoçamos lá na companhia dos amigos Tati, Bruno e Igor. Comida farta e deliciosa!

Jantamos duas vezes no restaurante Passatempo, que é uma loteria. No primeiro dia, a pizza estava quase perfeita. Massa fina, gostosa, queijo derretido na medida certa, cogumelos grandes e um tomate assado muito bom. O problema foi que, ao invés de apenas metade, a pizza veio inteira com aliche. Eu mordia um pedaço e lá vinha o gosto de peixe.

Voltamos na terça-feira e pedimos a mesma pizza, desta vez, sem aliche. Um desastre! A massa se dividia, o queijo estava meio borrachudo, ao invés de cogumelo, havia milho verde refogado na manteiga e um excesso enjoativo de queijo tipo catupiry. Nem os tomates assados se salvavam.

O lugar é agradável e o jeito maluco do dono pode render boas risadas, mas é complicado quando não dá para ter certeza se a pizza estará boa ou não.

Carnaval 2014

Cláudio e seu delicioso risoto de beterraba.

Para mim, a melhor refeição da viagem foi o jantar na casa do Cláudio e da Yuri. O convite inesperado rendeu uma noite muito agradável na companhia deles, do Aragão e da Alice. Além da boa conversa repleta de histórias divertidas, a comida estava ótima! Adorei a entrada: talos de brócolis com um molho agridoce de missô. O prato principal foi um risoto de beterraba maravilhoso servido com iogurte caseiro reduzido e temperado. Para finalizar, trufas feitas pela Yuri e chá.

Carnaval 2014

Café da manhã delicioso!

Aproveitamos as delícias culinárias do Cláudio e da Yuri também no café da manhã no Empório Embahú. Pão com fermentação natural, bolos, cookies, iogurte caseiro, farofa de mel, geleia de frutas… Tudo fresquinho, feito com carinho e muito sabor!

Dá para perceber que este foi um carnaval bem gastronômico!