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Itajubá-Virgínia-Itajubá de bike

Itajubá - Virgínia

Estradinhas tranquilas pelos Caminhos da Mantiqueira.

No começo do ano, um dos meus melhores amigos, o Giu, me perguntou quais os meus planos para o Carnaval, pois ele queria cicloviajar. Como passei essa data na Alemanha, adiamos esse plano até o feriado de 1º de maio.

A rota rabiscada foi para dois dias passando por cidades dos chamados circuitos Caminhos da Mantiqueira e Terras Altas da Mantiqueira.

Na sexta-feira à tarde, fomos de carro de São Paulo até Itajubá para começar o pedal no dia seguinte. Aproveitei para encontrar o Denis, do Itajubikers, que conheci numa cicloviagem durante o Carnaval de 2015. Faltou o reencontro com a Deise e com o Egg.

De Itajubá à Virgínia

Depois de um bom café, pegamos uma estrada no sentido de Maria da Fé, porém, foi só com cerca de 12 km que entramos na estrada antiga que liga Itajubá à Maria da Fé. Fomos subindo, subindo, subindo… Quase no topo, encontramos um ciclista que passou por nós na cidade descendo todo feliz.

Em Maria da Fé, fizemos uma foto na antiga estação de trem e, como ainda tínhamos bastante chão pela frente, decidimos fazer uma parada rápida no bar de um posto de gasolina que estava no nosso caminho ao invés de almoçarmos em um restaurante.

Nesse trecho, a estrada é de paralelepípedos e a subida foi mais suave do que eu me lembrava. Paramos para fotografar umas plantações de café e logo reencontramos a terra. Aqui e acolá, passávamos por localidades que não sei identificar se são bairros ou distritos. Em uma delas, perguntei ao rapaz que dirigia um trator qual era o nome do lugar e a resposta veio carregada com o sotaque mineiro, que acho uma graça: “Aqui é Mata, Madibaixo. Se cês continuarem, cês vão passar por Madicima”.

Das Matas, fomos para Pintos Negreiros por uma estrada diferente da que eu havia pedalado antes. Paramos no mercadinho para mais um lanche e voltamos para a estrada. A subida não era tão íngreme, mas a lama, os buracos e as pedras fizeram com que o pedal não rendesse.

Itajubá - Virgínia

“Trânsito” intenso pelo caminho.

Neste ponto, tivemos dúvida se estávamos no caminho certo, pois, além de não encontrarmos ninguém nesse trecho, o mato estava crescendo na estrada indicando que não há muito movimento por ali, além das vacas.

Numa curva pouco depois, erramos uma entrada – achei que fosse apenas a entradinha de uma casa. Começamos a voltar quando encontramos um senhor de moto, que nos informou que a estrada indicada na rota que tracei estava interditada e só dava para passar a cavalo. Eu já estava pronta para tirar a prova, quando ele acrescentou: “mas se vocês continuarem por aqui, vão sair em Virgínia e até lá é só descida”. Depois disso, deixamos a possibilidade de roubada para lá.

A descida até Virgínia foi uma delícia! A primeira coisa que fizemos foi procurar hospedagem e ficamos na mesma pousada onde dormi no Carnaval de 2016, a Bela Vista. Pedimos pizza para o jantar e dormimos cedo.

De Virgínia a Itajubá

Depois de uma enroladinha básica, partimos. O começo foi bem tranquilo e, quando a subida começou, achei aquele trecho muito familiar: passei ali de carro no ano anterior e, na hora, pensei que seria bem legal pedalar por ali. Realmente foi bem legal!

Itajubá - Virgínia

Pausa para uma mexerica antes de chegarmos a Marmelópolis.

Mesmo com algumas paradas para fotos, logo chegamos a Marmelópolis. Almoçamos no restaurante Di Minas, que eu também já conhecia e acho bem bom. Comida fresquinha, orgânica, suco de marmelo e atendimento pra lá de atencioso.

Neste ponto, o Giu já tinha desistido de seguir pedalando. As pernas estavam inteiras, mas ficar sentado no selim não estava muito agradável para ele. Enquanto comíamos, fiquei ponderando duas opções: manter a rota original e correr o risco de entrar numa roubada por causa do horário – ainda teria 15 km de subida puxada, sem a menor ideia das condições da estrada – ou ir pelo asfalto, que eu já conhecia. Acabei ficando com a segunda opção e, depois de me despedir do Giu, fui encarar a Serra da Goiabeira, mas no sentido contrário ao que havia pedalado anteriormente.

Itajubá - Virgínia

Subindo a Serra da Goiabeira sentido Delfim Moreira.

Como a subida era longa, fui girando tranquila, sem pressa, afinal eram apenas 18 km até Delfim Moreira e uma parte seria de descida. Cheguei ao topo em 1 hora, parei para fotografar a placa da divisa entre as cidades e, assim que subi na bicicleta, dois motoqueiros apareceram na curva e diminuíram a velocidade quando me viram. Comecei a descer e eles ficaram atrás de mim por um tempinho, fazendo umas “graças”. Fiquei ressabiada e acabei descendo um pouco mais rápido, mas o alívio veio logo que eles me ultrapassaram e sumiram nas curvas.

Em Delfim Moreira, mandei mensagem para o Giu e voltei para a estrada. Um senhor me indicou o caminho “da linha”, a antiga estrada de trem. Logo no começo, revi os mesmo motoqueiros da serra indo no sentido contrário ao meu e acompanhados por mais um cara. Aproveitei que a estrada estava boa e pedalei um pouco mais rápido.

Itajubá - Virgínia

Estrada “da linha”.

Num ponto, há uma bifurcação e o caminho da esquerda leva à rodovia. Decidi ir por lá para ganhar tempo, para não deixar o Giu preocupado e por um certo receio daqueles motoqueiros (pode parecer bobagem, mas o sexto sentido ficou meio alerta). O começo foi uma descidona linda e, mesmo sendo a rodovia principal, pouco movimentada. Fiz uma parada de dez minutos numa pamonharia no caminho e vi o ônibus que vinha de Marmelópolis passando.

A última parte teve alguns falso planos e mais veículos. A maioria dos motoristas foi legal e tomou distância ao me ultrapassar. Apenas um caminhão passou mais perto do que deveria, me assuntando um pouco. Logo estava na entrada da cidade e foi mais fácil do que esperava chegar ao hotel.

Quando bati na porta do quarto, o Giu ficou surpreso com o tempo que levei.

Gostei bastante do trecho entre Itajubá e Virgínia, mas quero voltar para pedalar também a rota originalmente traçada e tirar a prova sobre essa estrada por onde só passa cavalo (du-vi-do! hehe).

Para quem ficou curioso sobre os roteiros, deixo abaixo os links das rotas:

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Travessia Marins-Itaguaré

Marins - Itaguaré

O imponente Itaguaré.

Desde que fizemos a travessia Itaguaré-Marins em 2015, eu tinha vontade de repetir o percurso em um dia só. O Artur realizou o feito no final de 2016, em um tempo muito bom, e fomos juntos no feriado da Páscoa. 

Sair de São Paulo no começo da tarde de sexta-feira foi uma ótima ideia. Consegui descansar da semana corrida, arrumei minhas coisas com calma e ainda deu tempo de comprar pão e panetone (sim!) para o café da manhã na montanha. A viagem foi tranquila e, finalmente, conheci a estrada que passa pelo Bairro dos Marins.

Ficamos no Acampamento Base Marins, do Dito, que nos recebeu com simpatia. A primeira providência foi montarmos a barraca e ajeitarmos a cozinha. Preparei uma sopa de abóbora com cogumelos para o jantar e fomos deitar cedo.

Travessia Marins - Itaguaré

Café da manhã caprichado antes de encararmos a travessia.

Depois de uma noite mal dormida, enrolamos para levantar e saímos depois do horário programado. Fomos subindo num ritmo bom e chegamos ao Morro do Careca em cerca de meia hora. Quando contávamos duas horas de caminhada/escalaminhada, chegamos à bifurcação para o cume do Marins e a travessia sentido Itaguaré. 

Paramos para um lanchinho e decidimos não fazer o cume do Marins. A trilha, que até então estava bastante movimentada, ficou mais vazia e começou a soprar um vento forte. Eu olhava para as nuvens e torcia para o tempo não virar como na outra vez.

Travessia Marins - Itaguaré

Praticamente um pontinho na montanha.

Logo alcançamos o cume do Marinzinho e, mesmo estando um pouco aérea, o ritmo foi bom. A situação mudou um pouco na sequência. Para sair do Marinzinho sentido Itaguaré, há um lance de corda e, definitivamente, preferi subir essa parte do que descer. As nuvens estavam altas nesse momento e eu só enxergava um abismo branco.

O restante da travessia é marcado por muito sobe e desce. Nos trechos mais baixos, havia bastante vegetação – mais do que eu lembrava da outra travessia – e, de tanto me enroscar nos bambus, ganhei vários hematomas nas pernas.

Na Pedra Redonda, encontramos um pessoal que havia passado a noite ali. Papeamos um pouquinho e voltamos para a trilha. Um pouco mais adiante, cruzamos com um casal que estava fazendo a travessia no sentido oposto. A moça me reconheceu do final de semana anterior, quando participamos juntas do workshop de corrida natural durante a Abertura de Temporada de Montanha. Mundinho pequeno.

Marins - Itaguaré

O relevo apaixonante da Mantiqueira.

Reconheci o ponto onde dormimos na primeira travessia, com vista para o Itaguaré, mas é engraçado como minha memória é ruim para esses caminhos. Em vários pontos, era como se estivesse passando ali pela primeira vez. 

Numa área de camping mais próxima à base do Itaguaré, vi um cara juntando gravetos para fazer uma fogueira e empilhando-os justamente ao lado de uma placa que indicava “Proibido fazer fogueiras”. Lembrei do incêndio que atingiu o Marins por causa de um sinalizador de fumaça e fiquei brava, mas a rispidez dele quando o cumprimentei somada à cara de poucos amigos fez com que eu desistisse de dar bronca.

Mesmo na descida, o trecho de mata para chegar ao campinho do Itaguaré continua chatinho por causa das erosões. Aproveitei para matar a sede quando cruzamos o riacho pela primeira vez, mas resisti à tentação de catar os pinhões que estavam pelo caminho (hehe), pois logo iria escurecer e queríamos caminhar um trecho na estrada.

Travessia Marins - Itaguaré

Foram 13 km de travessia e 10 km de caminhada.

Para não chegarmos tão tarde ao Acampamento Base, ligamos para o Dito para pedir para o resgate nos encontrar pelo caminho, mas a ligação estava ruim e ficamos sem saber se ele entendeu ou não. Fomos andando por algumas das estradas da cicloviagem do carnaval de 2015 e bateu uma preguicinha no começo, mas depois entramos num embalo gostoso. Quando estávamos na bifurcação que leva para o centro de Marmelópolis, encontramos o Clóvis, que estava indo nos buscar. Por um minuto, não nos desencontramos.

Havíamos deixado o jantar encomendado e, além da comida caseira do fogão à lenha, o Dito e sua esposa prepararam pinhões – ganhei um monte e estavam deliciosos! De barriga cheia, tomamos banho e fomos deitar.

Acho que nem preciso falar que já estou com vontade de voltar, né?

Flickr.

Do Marinzinho ao Marins num treino de trail run

Galera no cume do Marins

Todo mundo feliz no cume do Marins.

No começo de janeiro, os amigos do Se Ela Corre eu Corro, Cris e Gabriel, fizeram um convite para participar de um treino de trail run em Marmelópolis-MG. Eu não corro (embora tente, às vezes), mas acabei topando porque o percurso incluía um trecho da travessia Itaguaré-Marins, que eu já conhecia.

A viagem de São Paulo até Marmelópolis foi debaixo de chuva em boa parte do caminho e com bastante neblina no trecho de terra até a pousada do Djalma. Ficamos botando o papo em dia e fomos dormir um pouco tarde. A ansiedade ainda fez com que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Marinzinho-Marins

Todo mundo a postos

Vistoria: check; briefing: check; foto: check. Bora subir!

No sábado, levantei cedo, me arrumei, tomei café e fui com os amigos para a vistoria e briefing (impossível não lembrar das provas de Audax). Os itens obrigatórios checados na vistoria eram anorak, cobertor de emergência, apito, kit básico de primeiros socorros e o estado do tênis de trilha/trekking. Foi engraçado ouvir o pessoal reclamando que estava carregando muito peso e eu só conseguia pensar: “nossa, nunca estive tão leve”.

Saímos da Pousada do Maeda em direção ao Pico do Marinzinho. Éramos mais de 70 pessoas divididas entre os grupos avançado, intermediário e conservador. O pessoal do avançado, como era de se esperar, disparou. Fui com o intermediário, pensando que, se não aguentasse, poderia me juntar ao conservador. Até rolou um trotezinho na descida, mas depois a subida começou e não parou mais.

O primeiro trecho é uma estrada de terra e depois vem uma trilha pela mata. Não consegui manter o mesmo ritmo nessa parte, mas bateu a empolgação quando começou a escalaminhada. Segui junto com a Luara e logo reencontramos o pessoal – Cris, Gabriel, Karol e Will – no cume do Marinzinho. Pausa curta para fotos e lanchinho e tocamos em direção ao Marins.

Escalaminhada

E começou o trepa-pedra.

Essa parte foi a mais legal para mim. Consegui desenvolver um bom ritmo, fui lembrando de vários trechos da travessia e matando a saudade da montanha. Chegando ao platô, o grupo se dividiu entre os que iriam descer e os que queriam fazer o cume. Subimos bem e o tempo ajudou a termos uma vista linda lá de cima.

A descida do Marins foi melhor do que imaginávamos. Estava com receio da parte da “escadinha” porque tinha dado uma travada nas outras vezes que passei por ali. O Romário, que estava guiando nosso grupo, foi super atencioso e ajudou muito nessa descida, orientando o pessoal sobre onde se apoiar. Quando chegou minha vez, desci com tanta facilidade que até desacreditei.

Flagra

Pega no flagra ou pose para foto? Foto: Gabriel Ciszewski.

O treino terminava com 8km em estrada de terra. O pessoal logo disparou na corrida e fui ficando para trás. Decidi não forçar e comecei a caminhar, mas logo aproveitei a carona do Sinoca.

Encerramos o sábado com uma roda de conversa, muita cantoria de raiz (haha), vinho e cerveja.

Pedra Montada e Caminho das Águas

O treino original no domingo era irmos até o Itaguaré e voltarmos, porém, na véspera, fui sondar com o sr. Djalma se poderíamos deixar os carros no campinho, mas ele avisou que continua não sendo uma boa ideia. O pessoal acabou se dividindo. Um casal foi fazer o Itaguaré, pois está treinando para uma prova, outra turma subiu até a Pedra Montada e lá se dividiu de novo, com algumas pessoas indo mais uma vez ao cume do Marinzinho.

É para lá que nós vamos

É para lá que nós vamos!

Nós saímos mais tarde e fomos até a Pedra Montada. Fiquei com vontade de continuar até o Marinzinho, mas quis aproveitar a companhia dos amigos. Descemos e fomos para o Caminho das Águas. Desta vez, conheci todas as cachoeiras dali com direito a banho beeeeem gelado.

Durante e depois do almoço, ficamos conversando mais um pouco e o pessoal começou a se dispersar. O Will e eu não queríamos chegar muito tarde em São Paulo e saímos de lá no meio da tarde.

O treino foi organizado com esmero pelo Marcelo Sinoca e pela Juliana Salviano, da Trail Runners Brasil (TRB) e não poderiam ter escolhido percurso melhor. Agradecimento especial aos “laranjinhas” pelo convite e companhia. Conheci tanta gente e me diverti tanto que já quero repeteco – até porque garanti minha camiseta e tenho que honrá-la. ;)

Travessia Itaguaré-Marins

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Começando o segundo dia da travessia. Foto: Artur Vieira.

Há algum tempo, o Artur e eu falamos sobre fazer a travessia do Marins para o Itaguaré e aproveitamos o feriado de 21 de abril para realizá-la. No sábado, saímos um pouco atrasados de São Paulo e ainda pegamos bastante trânsito na Dutra. Chegamos à Pousada do Maeda pouco depois das 11h.

Após nos dar várias dicas, o senhor Maeda nos levou até o início da trilha para o Itaguaré. Invertemos a ordem, pois, em caso de chuva na volta, seria mais fácil nos resgatar no acampamento base do Marins. Nesse caminho, passamos por um dos trechos da cicloviagem de Carnaval, quando saímos de Marmelópolis rumo à cidade de Passa Quatro.

Achei o início meio chatinho e cansativo. Levamos cerca de uma hora e meia no trecho de mata, sempre subindo. Encontramos cinco pessoas e estranhamos bastante o fato de dois rapazes estarem carregando facas e facões. Havia também uma cachorrinha, que parecia perdida, e acabou nos acompanhando durante boa parte desse primeiro dia.

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O tempo abriu depois que passamos pelo Itaguaré. Foto: Artur Vieira.

Quando chegamos perto do Itaguaré, o tempo fechou e desencanamos de subir até o cume, pois não teríamos nenhuma visão. Conversamos um pouco com um trio que iria passar a noite ali e eles se prontificaram a cuidar da cachorrinha.

Seguindo a dica do sr. Maeda, enchemos uma garrafa com água perto de um bambuzal. Como era o último ponto de água até o Morro do Careca, nessa hora, percebemos que levamos pouca água para realizar a travessia.

Às 17h, chegamos ao local de acampamento recomendado pelo sr. Maeda, com vista para o Itaguaré. Conversamos com três caras que iriam acampar ali, mas decidimos andar um pouco mais. Depois de uns dez minutos, consideramos que logo iria escurecer, que havia um espaço legal e reservado para montarmos nossa barraca e que não seria nada mal acordar olhando para o Itaguaré e optamos por voltar.

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Nada mal acordar com uma vista dessas. Foto: Artur Vieira.

Montamos nosso acampamento, beliscamos algumas comidinhas e fomos esticar as pernas dentro da barraca. O cansaço foi batendo e, antes que pegássemos no sono, fomos preparar o jantar: polenta com cogumelos. Depois de organizarmos tudo, ficamos admirando o céu estrelado antes de voltarmos para a barraca.

Segundo dia

Acordei várias vezes durante a noite, ora com calor, ora com dor de cabeça, ora porque estava meio torta e acabei atrapalhando um pouco o sono do Artur. Levantamos às 6h. Tomamos café da manhã e desmontamos o acampamento.

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O sobe e desce que nos aguardava no segundo dia. Foto: Artur Vieira.

Logo começou um sobe e desce, com trechos de vegetação fechada e capim alto. Estávamos racionando a água e, enquanto seguíamos em direção ao Marins, fomos considerando duas possibilidades: chegando ao cume do Marinzinho, pegarmos a trilha para a Pousada Maeda, ou fazermos a travessia em dois dias.

Fizemos algumas paradas para descansarmos, eu principalmente, e para comermos. Os caras que acamparam perto de nós na noite anterior estavam num ritmo muito bom e logo nos ultrapassaram. Papemos um pouquinho ao lado da Pedra Redonda, onde eles aproveitaram para descansar um pouco. Depois, eles seguiram sempre na nossa frente

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Vamos em frente. Foto: Artur Vieira.

A parte até o Marinzinho foi a mais puxada para mim. Pouco antes de chegar ao cume, há um trecho com três cordas amarradas para auxiliar na subida ou na descida. Usamos a vermelha, que parecia mais nova.

No cume do Marinzinho, vimos a placa para a Pousada do Maeda. Lembrei do sr. Maeda falando três ou quatro vezes que, se eu não aguentasse, poderia pegar esse “atalho”. Como a parte mais difícil tinha ficado para trás, decidimos continuar com a travessia. Isso significava duas horas a mais de escalaminhada do que se fossemos dali para a pousada.

Chegando à área do charco, ouvimos o barulho de água corrente. O Artur comentou que ali seria um ponto de abastecimento, mas a ideia não me animou muito porque mais para frente há uma placa informando que a qualidade da água é bem ruim. De qualquer forma, não paramos para ganhar tempo.

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E o tempo começou a virar.

A previsão estava certa e logo começou a chuva, que foi ficando cada vez mais forte. Com o cansaço aumentando e muitas pedras no caminho, diminuímos o ritmo e seguimos com cuidado para não escorregarmos. A chuva formou várias cachoeiras no Marins e a água descia com tanta força que dava para ouvirmos o barulho mesmo estando um pouco afastados. A visão era linda, porém, não faço questão de pegar chuva ali de novo.

No Morro do Careca, ligamos para o Maeda para adiantar nosso resgate. Nossa água tinha acabado, mas nem nos preocupamos em enchermos as garrafas no riacho que existe ali perto. Estávamos quase no final.

A travessia não foi nada fácil e terminamos o percurso bastante cansados. Ao mesmo tempo, estávamos muito felizes e orgulhosos de nós mesmos pelo desafio superado. Concluímos a travessia em dois ao invés de três dias. Foram 5 horas no primeiro dia e, dez horas e 40 minutos no segundo, incluindo as paradas para descanso e lanchinhos na trilha.

Senhor Maeda e a pousada

Assim que começamos a travessia, o Artur falou que só pelas histórias que ouvimos e pelo passeio de Bandeirante, a viagem já tinha valido a pena.

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Conhecendo o museu do montanhismo com o senhor Maeda. Foto: Artur Vieira.

Com 74 anos e muita simpatia, esse senhor nascido em Nagazaki tem muitas histórias legais para contar. A travessia Marins x Itaguaré foi aberta por ele e pelo pessoal do Centro Excurcionista Campineiro (que, aliás, ele ajudou a fundar), em 1993. No ano anterior, ele abriu a travessia da Serra Fina.

Esses e outros feitos são contados no museu do montanhismo, que fica na pousada. Lá estão reunidos equipamentos, roupas, revistas e muitas fotos de diversas expedições das quais ele participou no Brasil e em outros países da América Latina.

Mesmo tendo ficado pouco tempo, achamos a hospedagem excelente. E ficou ainda melhor. Estava tomando café da manhã, quando a senhora Maeda apareceu com um prato de pinhões recém-cozidos e ainda quentes. Na noite anterior, eles viram o quanto gosto de pinhão e, por isso, prepararam esse mimo para eu levar para casa.

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Casal Maeda.

Claro que já estamos pensando em voltar para aproveitarmos a simpatia do casal e as atrações da região. As fotos da travessia tiradas pelo Artur estão aqui.

Carnaval na Mantiqueira

CicloMantiqueira

Serra do Ministério, entre Virgínia e Maria da Fé.

Os últimos meses foram tão corridos, que estava difícil até mesmo sairmos de São Paulo. Porém, queríamos aproveitar o feriado de Carnaval e nada melhor do que fazer uma cicloviagem.

Usando um guia do Guilherme Cavallari, o Artur montou um roteiro surpresa por estradinhas de terra da Mantiqueira e só fiquei sabendo para onde iríamos na quarta-feira antes do feriado. Arrumamos tudo na sexta-feira à noite e, sábado cedinho, partimos de ônibus para Itajubá.

Itajubá – Marmelópolis

Depois de comermos um lanche numa padaria perto da rodoviária, começamos o pedal em frente à antiga estação ferroviária da cidade. Passamos por uma área militar, por bairros já com estrada de terra e foram alguns quilômetros até entrarmos na zona rural.

CicloMantiqueira

Delícia de estrada!

Como esperado, a paisagem era linda por todo o caminho. Passamos por trechos com muitas árvores, o que tornava a temperatura mais agradável para pedalar, e o barulhinho de água nos acompanhou durante quase toda a viagem.

Ao cruzarmos com um carro com suporte para bike, a motorista nos perguntou se tínhamos visto um ciclista pelo caminho. “Deixei meu marido em Taubaté e fiquei de encontrá-lo por aqui, mas acho que ele se atrasou.” Não demorou muito e ela passou por nós de novo com o marido resgatado. Muito simpáticos, disseram para pararmos na casa onde estavam. “Vocês verão o carro estacionado na frente.” Paramos para dar um oi para a Amanda e o Pedro e logo seguimos adiante, pois ainda tínhamos muitas subidas pela frente.

Estava meio tarde para almoçarmos em Delfim Moreira, então, optei por um açaí, enquanto o Artur comeu um salgadinho meio tranqueira. Saindo da cidade, passamos em frente à cervejaria Kraemerfass e, embora esteja nos nossos planos conhecê-la, não foi dessa vez.

Para chegarmos à Marmelópolis, encaramos a Serra da Goiabeira, que era de terra na época em que o guia foi editado. O asfalto está bom em quase todos os trechos e a descida é bem gostosa. Ao chegarmos à cidade, fomos parar na pousada Bella Vista, onde encontramos quatro ciclistas de Itajubá que estavam fazendo o mesmo trajeto.

Tomamos banho, jantamos num restaurante simples e de comida farta próximo à Praça Cica e fomos dormir cedo.

Marmelópolis – Itanhandu

O despertador tocou cedo, mas dormimos uma hora a mais. Nos deliciamos com as lichias do café da manhã e acabamos saindo por volta das 10h.

CicloMantiqueira

Subidinha.

Logo no começo, encaramos muitas subidas e várias delas com pedras soltas. Havia muitas fazendas e o roteiro seguiu por estradinhas estreitas e bonitas. Passamos ao lado do campinho do Itaguaré, onde começa a subida para o Pico do Itaguaré, e aproveitamos para fazer um lanche por ali.

CicloMantiqueira

Vista da Serra Fina.

Para chegarmos a Passa Quatro, encaramos uma longa subida, seguida de uma longa descida com vista para a Serra Fina. Paramos algumas vezes para tirar fotos e achei alguns morangos silvestres que estavam deliciosos. Pena que eram poucos.

Passa Quatro é uma cidade fofa e estava toda enfeitada para o Carnaval. Fizemos a boa opção de almoçar na fornaria Antônio. Enquanto comíamos, chegaram os ciclistas que conhecemos em Marmelópolis: Deise, Egg, Denis e Cidy.

Com as barrigas cheias, papeamos um pouco, tiramos fotos e voltamos à estrada. Por questões de hospedagem, eles seguiram para Itamonte e nós paramos em Itanhandu. Esses foram os 10 km mais fáceis e sem graça de toda a viagem.

O Carnaval estava animado em Itanhandu e vimos várias pessoas fantasiadas. As mais marcantes foram o quinteto de Power Rangers e o He-man. Pena que não tirei fotos. Jantamos pizza e voltamos logo para o hotel.

Itanhandu – Virgínia

As rosquinhas de coco do café da manhã estavam incríveis. Comemos todas! Choveu bastante na noite anterior e as estradas estavam com bastante lama. Passamos por várias fazendas e vimos muito gado. Também cruzamos com alguns ciclistas que seguiam na direção de Itanhandu.

CicloMantiqueira

E deu para ver o Pico dos Marins.

Nos outros dias, passamos por trechos do Caminho de Aparecida e da Estrada Real e, neste terceiro dia, percorremos uma parte do Caminho dos Anjos. Também foi dia de avistarmos o Pico dos Marins.

Em seguida, veio a Serra do Palmital. Sem dúvida, foi a mais gostosa do caminho todo. Ela é bem estreita e com uma vista linda, claro! A descida também foi tranquila e chegamos em Virgínia no começo da tarde.

Depois de rodarmos a cidade, paramos num restaurante para almoçarmos. As opções eram “prato raso” e “prato fundo”. Pedi o primeiro, óbvio, e mesmo assim não dei conta da montanha de arroz e feijão que me foi servida.

Pensamos em nos hospedar no Hotel Fazenda Vale da Mantiqueira, pois seria caminho no dia seguinte. Liguei para perguntar se havia vaga e desisti quando a atendente me informou que o gerente tinha autorizado o desmembramento do pacote, porém, a diária teria o mesmo custo do pacote completo: R$ 1.050. Não, obrigada!

Fomos para a outra hospedagem da cidade, a Pousada 13 Lagos, que fica na estrada para Pouso Alto, e havia sido recomendada pelos ciclistas de Itajubá, que já estavam por lá. O fim de tarde e o começo da noite foram divertidíssimos, com muita conversa, risadas e algumas latas de cerveja.

Estávamos preparados para acampar por ali, porém, houve uma desistência de última hora e conseguimos um chalé para passarmos a noite. Fizemos nosso jantar para tirar um pouco de peso da bagagem, comemos e fomos dormir.

Virgínia – Itajubá

Tomamos café da manhã no quarto porque o da pousada era muito tarde para os nossos planos. Organizamos tudo e, na hora de irmos embora, cadê o senhor Mauro para acertar nossa conta? Ele tinha ido buscar pão na cidade para o café e, por causa da espera, saímos cerca de 30 minutos depois do previsto.

Na entrada de Virgínia, mais um atraso: meu pneu traseiro furou. Na hora da troca, mais uma baixa: um raio quebrado. Sorte minha que a roda tem 36 raios e aguentou o tranco do último dia da viagem.

Depois do Hotel Fazenda, há algumas casas com lindos jardins. Os moradores foram muito simpáticos e, como íamos em direção à serra, uma senhora disse que somos corajosos.

CicloMantiqueira

Um pouco de névoa na Serra do Ministério.

Logo depois da igrejinha, começa a Serra do Ministério, com 8 km de subida. O tempo ajudou bastante nessa hora e havia até um pouco de névoa quando chegamos ao topo do morro.

Estávamos começando a descer, quando ouvimos uma buzina amigável. Era o Egg, da turma de Itajubá, dirigindo o carro de apoio. Ele encostou o carro por ali, pegou a bicicleta e foi encontrar o restante da turma na subida da serra.

Seguimos com cautela, eu principalmente, pois havia bastante lama e pedras nos 11 km de descida até Pintos Negreiros, distrito de Maria da Fé. O único bar que vimos por ali estava fechado, então fomos ao mercado comprar pão e queijo para fazermos um lanche. O Artur não resistiu à peça de parmesão que estava na vitrine e o queijo foi parar no meu alforje. Foi uma releitura da brincadeira “o Tux carrega”.

Enquanto comíamos, o pessoal de Itajubá chegou. Eles também aproveitaram para comer algo; ficamos papeando e partimos juntos para a Serra do Pouso Frio, a segunda do dia. Esta serra é mais curta, com 5 km, porém, a subida é mais íngreme e como descreveu o Cavallari, “sem um centímetro de descanso”.

CicloMantiqueira

Denis trocou a aro 29 com suspensão pela garfo rígido com alforjes.

Apesar de algumas paradas, a subida rendeu. Fomos conversando bastante e, na metade do caminho, o Denis ficou curioso para pedalar minha bicicleta com alforjes. Fizemos a troca e, graças a ele, os últimos 2,5 km foram tranquilos para mim. Além de pedalar sem peso, o aro 29 e a suspensão deixaram a subida bem mais fácil.

Pouco depois, o Cidy e o Artur também inverteram as bikes. Dos trechos que percorremos da ciclomantiqueira, este foi o meu favorito. As paisagens lindas e as companhias divertidas somaram-se ao prazer de vencer as duas serras.

A descida até Maria da Fé foi marcada pela chuva gelada que caiu forte. Chegando ao posto de combustível indicado no guia, optamos por fazer o último trecho até Itajubá pelo asfalto. Foram longas descidas e algumas subidas, acompanhadas das lembranças de quando o Artur e eu pedalamos por ali na viagem para Aiuruoca.

Aceitamos o convite da Deise e dormimos uma noite em Itajubá. Fomos com ela, o Egg, Denis e sua esposa Mônica ao tradicional Bar da Maria saborear quitutes mineiros. Recomendo o pastel de milho com queijo.

Apesar do cansaço devido às poucas horas de sono (pegamos o primeiro ônibus para São Paulo, às 4:15), cheguei em São Paulo renovada. Paisagens lindíssimas, novos amigos, bicicletas e poder dividir tudo isso com o Artur são alguns dos motivos para que essa viagem tenha sido tão incrível.

Que venha logo a próxima! Para ler o relato do Artur, clique aqui.