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Minicicloviagem na Mantiqueira

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A caminho de São Bento do Sapucaí.

Artur, Giu e eu aproveitamos o feriado de Finados para pedalarmos um trechinho da Mantiqueira. Eles me deixaram incumbida de traçar a rota e reclamaram quando eu avisei que teria bastante asfalto no último dia. “Queremos terra!”

Pois bem! Retracei a rota com informações que achei no Wikiloc, numa combinação de trilhas de jipe e de moto e avisei que iríamos descobrir juntos o estado da estrada. No final, as subidas do primeiro e segundo dias foram tantas que eles desencanaram e voltamos pelo asfalto mesmo, descendo a serra nova de Campos do Jordão. Fuen!

A viagem foi planejada para três dias. De Tremembé a São Francisco Xavier, onde fizemos o primeiro pernoite. Depois, seguimos para São Bento do Sapucaí e, no último dia, retornamos para Tremembé.

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Pausa para o lanchinho.

Uma das estradas que incluí no roteiro passa por dentro de uma propriedade privada e, quando faltavam uns 2km até a porteira, fomos informados por moradores locais que os proprietários não são muito fãs de ciclistas e até já ameaçaram com arma um grupo que queria cruzar por ali. Desolados porque a subida até ali tinha sido bruta, voltamos e pegamos a estrada mais ou menos paralela para subirmos tudo de novo.

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Os adesivos não deixam dúvida: ali é rota de ciclistas.

Chegamos a mais uma trifurcação e nos reabastecemos no Bar do Trevo. A rota que tracei seguia pela esquerda, mas, pelo horário, achamos mais prudente irmos pelo outro lado e não pedalarmos no escuro, já que o Giu estava sem luz. A parte chata foi pegarmos mais um trecho de asfalto.

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Rota planejada – o link está logo abaixo.

Aqui estão os links para as rotas traçada e pedalada.

E só para constar, o Giu viajou com uma bike all road, o Artur foi de bike para cicloturismo, ambos usando pneus mais largos e cravudos. Eu fiquei bem feliz com a mtb e suas marchas leves.

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Itajubá-Virgínia-Itajubá de bike

Itajubá - Virgínia

Estradinhas tranquilas pelos Caminhos da Mantiqueira.

No começo do ano, um dos meus melhores amigos, o Giu, me perguntou quais os meus planos para o Carnaval, pois ele queria cicloviajar. Como passei essa data na Alemanha, adiamos esse plano até o feriado de 1º de maio.

A rota rabiscada foi para dois dias passando por cidades dos chamados circuitos Caminhos da Mantiqueira e Terras Altas da Mantiqueira.

Na sexta-feira à tarde, fomos de carro de São Paulo até Itajubá para começar o pedal no dia seguinte. Aproveitei para encontrar o Denis, do Itajubikers, que conheci numa cicloviagem durante o Carnaval de 2015. Faltou o reencontro com a Deise e com o Egg.

De Itajubá à Virgínia

Depois de um bom café, pegamos uma estrada no sentido de Maria da Fé, porém, foi só com cerca de 12 km que entramos na estrada antiga que liga Itajubá à Maria da Fé. Fomos subindo, subindo, subindo… Quase no topo, encontramos um ciclista que passou por nós na cidade descendo todo feliz.

Em Maria da Fé, fizemos uma foto na antiga estação de trem e, como ainda tínhamos bastante chão pela frente, decidimos fazer uma parada rápida no bar de um posto de gasolina que estava no nosso caminho ao invés de almoçarmos em um restaurante.

Nesse trecho, a estrada é de paralelepípedos e a subida foi mais suave do que eu me lembrava. Paramos para fotografar umas plantações de café e logo reencontramos a terra. Aqui e acolá, passávamos por localidades que não sei identificar se são bairros ou distritos. Em uma delas, perguntei ao rapaz que dirigia um trator qual era o nome do lugar e a resposta veio carregada com o sotaque mineiro, que acho uma graça: “Aqui é Mata, Madibaixo. Se cês continuarem, cês vão passar por Madicima”.

Das Matas, fomos para Pintos Negreiros por uma estrada diferente da que eu havia pedalado antes. Paramos no mercadinho para mais um lanche e voltamos para a estrada. A subida não era tão íngreme, mas a lama, os buracos e as pedras fizeram com que o pedal não rendesse.

Itajubá - Virgínia

“Trânsito” intenso pelo caminho.

Neste ponto, tivemos dúvida se estávamos no caminho certo, pois, além de não encontrarmos ninguém nesse trecho, o mato estava crescendo na estrada indicando que não há muito movimento por ali, além das vacas.

Numa curva pouco depois, erramos uma entrada – achei que fosse apenas a entradinha de uma casa. Começamos a voltar quando encontramos um senhor de moto, que nos informou que a estrada indicada na rota que tracei estava interditada e só dava para passar a cavalo. Eu já estava pronta para tirar a prova, quando ele acrescentou: “mas se vocês continuarem por aqui, vão sair em Virgínia e até lá é só descida”. Depois disso, deixamos a possibilidade de roubada para lá.

A descida até Virgínia foi uma delícia! A primeira coisa que fizemos foi procurar hospedagem e ficamos na mesma pousada onde dormi no Carnaval de 2016, a Bela Vista. Pedimos pizza para o jantar e dormimos cedo.

De Virgínia a Itajubá

Depois de uma enroladinha básica, partimos. O começo foi bem tranquilo e, quando a subida começou, achei aquele trecho muito familiar: passei ali de carro no ano anterior e, na hora, pensei que seria bem legal pedalar por ali. Realmente foi bem legal!

Itajubá - Virgínia

Pausa para uma mexerica antes de chegarmos a Marmelópolis.

Mesmo com algumas paradas para fotos, logo chegamos a Marmelópolis. Almoçamos no restaurante Di Minas, que eu também já conhecia e acho bem bom. Comida fresquinha, orgânica, suco de marmelo e atendimento pra lá de atencioso.

Neste ponto, o Giu já tinha desistido de seguir pedalando. As pernas estavam inteiras, mas ficar sentado no selim não estava muito agradável para ele. Enquanto comíamos, fiquei ponderando duas opções: manter a rota original e correr o risco de entrar numa roubada por causa do horário – ainda teria 15 km de subida puxada, sem a menor ideia das condições da estrada – ou ir pelo asfalto, que eu já conhecia. Acabei ficando com a segunda opção e, depois de me despedir do Giu, fui encarar a Serra da Goiabeira, mas no sentido contrário ao que havia pedalado anteriormente.

Itajubá - Virgínia

Subindo a Serra da Goiabeira sentido Delfim Moreira.

Como a subida era longa, fui girando tranquila, sem pressa, afinal eram apenas 18 km até Delfim Moreira e uma parte seria de descida. Cheguei ao topo em 1 hora, parei para fotografar a placa da divisa entre as cidades e, assim que subi na bicicleta, dois motoqueiros apareceram na curva e diminuíram a velocidade quando me viram. Comecei a descer e eles ficaram atrás de mim por um tempinho, fazendo umas “graças”. Fiquei ressabiada e acabei descendo um pouco mais rápido, mas o alívio veio logo que eles me ultrapassaram e sumiram nas curvas.

Em Delfim Moreira, mandei mensagem para o Giu e voltei para a estrada. Um senhor me indicou o caminho “da linha”, a antiga estrada de trem. Logo no começo, revi os mesmo motoqueiros da serra indo no sentido contrário ao meu e acompanhados por mais um cara. Aproveitei que a estrada estava boa e pedalei um pouco mais rápido.

Itajubá - Virgínia

Estrada “da linha”.

Num ponto, há uma bifurcação e o caminho da esquerda leva à rodovia. Decidi ir por lá para ganhar tempo, para não deixar o Giu preocupado e por um certo receio daqueles motoqueiros (pode parecer bobagem, mas o sexto sentido ficou meio alerta). O começo foi uma descidona linda e, mesmo sendo a rodovia principal, pouco movimentada. Fiz uma parada de dez minutos numa pamonharia no caminho e vi o ônibus que vinha de Marmelópolis passando.

A última parte teve alguns falso planos e mais veículos. A maioria dos motoristas foi legal e tomou distância ao me ultrapassar. Apenas um caminhão passou mais perto do que deveria, me assuntando um pouco. Logo estava na entrada da cidade e foi mais fácil do que esperava chegar ao hotel.

Quando bati na porta do quarto, o Giu ficou surpreso com o tempo que levei.

Gostei bastante do trecho entre Itajubá e Virgínia, mas quero voltar para pedalar também a rota originalmente traçada e tirar a prova sobre essa estrada por onde só passa cavalo (du-vi-do! hehe).

Para quem ficou curioso sobre os roteiros, deixo abaixo os links das rotas: