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Travessia Marins-Itaguaré

Marins - Itaguaré

O imponente Itaguaré.

Desde que fizemos a travessia Itaguaré-Marins em 2015, eu tinha vontade de repetir o percurso em um dia só. O Artur realizou o feito no final de 2016, em um tempo muito bom, e fomos juntos no feriado da Páscoa. 

Sair de São Paulo no começo da tarde de sexta-feira foi uma ótima ideia. Consegui descansar da semana corrida, arrumei minhas coisas com calma e ainda deu tempo de comprar pão e panetone (sim!) para o café da manhã na montanha. A viagem foi tranquila e, finalmente, conheci a estrada que passa pelo Bairro dos Marins.

Ficamos no Acampamento Base Marins, do Dito, que nos recebeu com simpatia. A primeira providência foi montarmos a barraca e ajeitarmos a cozinha. Preparei uma sopa de abóbora com cogumelos para o jantar e fomos deitar cedo.

Travessia Marins - Itaguaré

Café da manhã caprichado antes de encararmos a travessia.

Depois de uma noite mal dormida, enrolamos para levantar e saímos depois do horário programado. Fomos subindo num ritmo bom e chegamos ao Morro do Careca em cerca de meia hora. Quando contávamos duas horas de caminhada/escalaminhada, chegamos à bifurcação para o cume do Marins e a travessia sentido Itaguaré. 

Paramos para um lanchinho e decidimos não fazer o cume do Marins. A trilha, que até então estava bastante movimentada, ficou mais vazia e começou a soprar um vento forte. Eu olhava para as nuvens e torcia para o tempo não virar como na outra vez.

Travessia Marins - Itaguaré

Praticamente um pontinho na montanha.

Logo alcançamos o cume do Marinzinho e, mesmo estando um pouco aérea, o ritmo foi bom. A situação mudou um pouco na sequência. Para sair do Marinzinho sentido Itaguaré, há um lance de corda e, definitivamente, preferi subir essa parte do que descer. As nuvens estavam altas nesse momento e eu só enxergava um abismo branco.

O restante da travessia é marcado por muito sobe e desce. Nos trechos mais baixos, havia bastante vegetação – mais do que eu lembrava da outra travessia – e, de tanto me enroscar nos bambus, ganhei vários hematomas nas pernas.

Na Pedra Redonda, encontramos um pessoal que havia passado a noite ali. Papeamos um pouquinho e voltamos para a trilha. Um pouco mais adiante, cruzamos com um casal que estava fazendo a travessia no sentido oposto. A moça me reconheceu do final de semana anterior, quando participamos juntas do workshop de corrida natural durante a Abertura de Temporada de Montanha. Mundinho pequeno.

Marins - Itaguaré

O relevo apaixonante da Mantiqueira.

Reconheci o ponto onde dormimos na primeira travessia, com vista para o Itaguaré, mas é engraçado como minha memória é ruim para esses caminhos. Em vários pontos, era como se estivesse passando ali pela primeira vez. 

Numa área de camping mais próxima à base do Itaguaré, vi um cara juntando gravetos para fazer uma fogueira e empilhando-os justamente ao lado de uma placa que indicava “Proibido fazer fogueiras”. Lembrei do incêndio que atingiu o Marins por causa de um sinalizador de fumaça e fiquei brava, mas a rispidez dele quando o cumprimentei somada à cara de poucos amigos fez com que eu desistisse de dar bronca.

Mesmo na descida, o trecho de mata para chegar ao campinho do Itaguaré continua chatinho por causa das erosões. Aproveitei para matar a sede quando cruzamos o riacho pela primeira vez, mas resisti à tentação de catar os pinhões que estavam pelo caminho (hehe), pois logo iria escurecer e queríamos caminhar um trecho na estrada.

Travessia Marins - Itaguaré

Foram 13 km de travessia e 10 km de caminhada.

Para não chegarmos tão tarde ao Acampamento Base, ligamos para o Dito para pedir para o resgate nos encontrar pelo caminho, mas a ligação estava ruim e ficamos sem saber se ele entendeu ou não. Fomos andando por algumas das estradas da cicloviagem do carnaval de 2015 e bateu uma preguicinha no começo, mas depois entramos num embalo gostoso. Quando estávamos na bifurcação que leva para o centro de Marmelópolis, encontramos o Clóvis, que estava indo nos buscar. Por um minuto, não nos desencontramos.

Havíamos deixado o jantar encomendado e, além da comida caseira do fogão à lenha, o Dito e sua esposa prepararam pinhões – ganhei um monte e estavam deliciosos! De barriga cheia, tomamos banho e fomos deitar.

Acho que nem preciso falar que já estou com vontade de voltar, né?

Flickr.

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Do Marinzinho ao Marins num treino de trail run

Galera no cume do Marins

Todo mundo feliz no cume do Marins.

No começo de janeiro, os amigos do Se Ela Corre eu Corro, Cris e Gabriel, fizeram um convite para participar de um treino de trail run em Marmelópolis-MG. Eu não corro (embora tente, às vezes), mas acabei topando porque o percurso incluía um trecho da travessia Itaguaré-Marins, que eu já conhecia.

A viagem de São Paulo até Marmelópolis foi debaixo de chuva em boa parte do caminho e com bastante neblina no trecho de terra até a pousada do Djalma. Ficamos botando o papo em dia e fomos dormir um pouco tarde. A ansiedade ainda fez com que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Marinzinho-Marins

Todo mundo a postos

Vistoria: check; briefing: check; foto: check. Bora subir!

No sábado, levantei cedo, me arrumei, tomei café e fui com os amigos para a vistoria e briefing (impossível não lembrar das provas de Audax). Os itens obrigatórios checados na vistoria eram anorak, cobertor de emergência, apito, kit básico de primeiros socorros e o estado do tênis de trilha/trekking. Foi engraçado ouvir o pessoal reclamando que estava carregando muito peso e eu só conseguia pensar: “nossa, nunca estive tão leve”.

Saímos da Pousada do Maeda em direção ao Pico do Marinzinho. Éramos mais de 70 pessoas divididas entre os grupos avançado, intermediário e conservador. O pessoal do avançado, como era de se esperar, disparou. Fui com o intermediário, pensando que, se não aguentasse, poderia me juntar ao conservador. Até rolou um trotezinho na descida, mas depois a subida começou e não parou mais.

O primeiro trecho é uma estrada de terra e depois vem uma trilha pela mata. Não consegui manter o mesmo ritmo nessa parte, mas bateu a empolgação quando começou a escalaminhada. Segui junto com a Luara e logo reencontramos o pessoal – Cris, Gabriel, Karol e Will – no cume do Marinzinho. Pausa curta para fotos e lanchinho e tocamos em direção ao Marins.

Escalaminhada

E começou o trepa-pedra.

Essa parte foi a mais legal para mim. Consegui desenvolver um bom ritmo, fui lembrando de vários trechos da travessia e matando a saudade da montanha. Chegando ao platô, o grupo se dividiu entre os que iriam descer e os que queriam fazer o cume. Subimos bem e o tempo ajudou a termos uma vista linda lá de cima.

A descida do Marins foi melhor do que imaginávamos. Estava com receio da parte da “escadinha” porque tinha dado uma travada nas outras vezes que passei por ali. O Romário, que estava guiando nosso grupo, foi super atencioso e ajudou muito nessa descida, orientando o pessoal sobre onde se apoiar. Quando chegou minha vez, desci com tanta facilidade que até desacreditei.

Flagra

Pega no flagra ou pose para foto? Foto: Gabriel Ciszewski.

O treino terminava com 8km em estrada de terra. O pessoal logo disparou na corrida e fui ficando para trás. Decidi não forçar e comecei a caminhar, mas logo aproveitei a carona do Sinoca.

Encerramos o sábado com uma roda de conversa, muita cantoria de raiz (haha), vinho e cerveja.

Pedra Montada e Caminho das Águas

O treino original no domingo era irmos até o Itaguaré e voltarmos, porém, na véspera, fui sondar com o sr. Djalma se poderíamos deixar os carros no campinho, mas ele avisou que continua não sendo uma boa ideia. O pessoal acabou se dividindo. Um casal foi fazer o Itaguaré, pois está treinando para uma prova, outra turma subiu até a Pedra Montada e lá se dividiu de novo, com algumas pessoas indo mais uma vez ao cume do Marinzinho.

É para lá que nós vamos

É para lá que nós vamos!

Nós saímos mais tarde e fomos até a Pedra Montada. Fiquei com vontade de continuar até o Marinzinho, mas quis aproveitar a companhia dos amigos. Descemos e fomos para o Caminho das Águas. Desta vez, conheci todas as cachoeiras dali com direito a banho beeeeem gelado.

Durante e depois do almoço, ficamos conversando mais um pouco e o pessoal começou a se dispersar. O Will e eu não queríamos chegar muito tarde em São Paulo e saímos de lá no meio da tarde.

O treino foi organizado com esmero pelo Marcelo Sinoca e pela Juliana Salviano, da Trail Runners Brasil (TRB) e não poderiam ter escolhido percurso melhor. Agradecimento especial aos “laranjinhas” pelo convite e companhia. Conheci tanta gente e me diverti tanto que já quero repeteco – até porque garanti minha camiseta e tenho que honrá-la. ;)

Pico dos Marins

Pico dos Marins

A névoa esteve bastante presente na minha primeira visita ao Marins.

Para o feriado prolongado em junho, o Artur me fez um convite: passar uma noite no Pico dos Marins, em Piquete. Optamos por sair de São Paulo na quinta-feira à tarde, dormir no Acampamento Base Marins e subir o pico na sexta, pela manhã.

No caminho para Piquete, pegamos garoa e chuva fraca e chegamos ao acampamento com muita neblina. O tempo virou e a temperatura estava em 13°C. Encontramos um grupo grande que fez bate-e-volta e uma turma de Belo Horizonte que fez a travessia Marins-Itaguaré. Conversar com o pessoal que descia, aumentava a minha ansiedade.

Na sexta-feira, acordamos com o barulho de um dos grupos que iria subir. Levantamos com calma e fomos organizar nossas coisas. Fomos os últimos a sair, às 9:20.

O início foi úmido e com pouca visibilidade, por causa da forte neblina. Passamos pelo trecho de mata, pela estrada de terra e logo chegamos ao Morro do Careca. Lá, encontramos um grupo de quatro caras que iriam dormir no Pico também. Pausa rápida para beber água e comer alguma coisa e voltamos para a trilha.

Pico dos Marins

Artur confirmando o caminho.

O tempo seguia encoberto e foram poucos os momentos em que pudemos avistar o cume. Logo começou o trecho de trepa-pedras e fomos seguindo num ritmo bom. Apesar de ter ficado um pouco insegura em certos trechos, fiquei bem feliz ao superar alguns “obstáculos”.

Quando estávamos próximos da nascente do Ribeirão Passa Quatro, nos desviamos um pouco da trilha, mas logo retomamos o rumo certo e ainda reencontramos um grupo que subia com um cachorro.

Pico dos Marins

Sobe, sobe, sobe!

Nesse momento, o tempo abriu um pouco e vi que estávamos perto do pico. O Artur disse que até lá ainda teríamos um bom trecho de sobe e desce. Minha imaginação foi pior do que a realidade e logo chegamos à base da rampa para o cume.

Subimos bem e, apesar de termos encontrado várias pessoas na trilha, fomos os primeiros a chegar, depois de quatro horas de escalaminhada. Assim, pudemos escolher tranquilamente onde montarmos nossa barraca.

O tempo continuou encoberto e não dava para ver muita coisa ali de cima. Descansamos um pouco, comemos, batemos papo com nossos “vizinhos”, comemos mais um pouco e voltamos para a barraca quando vento ficou um pouco mais forte.

Apesar de ter sido a noite mais longa do ano, dormi muito bem e o tempo passou rápido. Acordei pouco depois das 6h. Queria muito ter visto o nascer do sol, no entanto, a névoa era tão densa, que limitava a visão a pouco mais de dez metros. E assim foi por cerca de uma hora e meia.

Pico dos Marins

O curioso espectro de Brocken.

Quando o tempo limpou um pouco, além do céu azul e de uma vista linda com as nuvens dançando, fomos presenteados com a visão do espectro de Brocken.

Esperamos para ver se o tempo limparia mais, porém, ele voltou a fechar. Arrumamos nossas tralhas e fomos os últimos a deixar o cume.

A descida foi num ritmo mais lento, como eu já esperava. Mais uma vez, encontramos muitas pessoas pela trilha, inclusive algumas crianças. Próximo ao primeiro maciço, fizemos um pequeno “desvio”, mas logo o Artur percebeu e nos botou de novo no caminho certo.

Pico dos Marins

Voltando para o acampamento base acompanhados pela névoa.

O tempo continuou fechando e o nevoeiro aumentava conforme descíamos. O caminho pela mata estava ainda mais úmido do que quando saímos e tínhamos que tomar cuidado para não escorregarmos no barro. Chegamos ao acampamento base, nos despedimos do Milton e pegamos o rumo para São Paulo.

Vivendo e aprendendo

Esta foi a segunda vez que acampei e a primeira com tempo frio. A temperatura chegou a 7°C à noite no Pico, mas a sensação era um pouco mais baixa por causa do vento.

Nossa bagagem foi bem planejada, mas, ao longo do caminho, fui pensando no que poderia melhorar para a próxima vez. Além da roupa limpa, vou deixar um par de calçados limpos no carro para a volta. Meus tênis estavam pura lama.

Pico dos Marins

Preparando o jantar toda concentrada.

Como estava frio, uma bebida quente fez falta e pensei logo no chá que aquece e hidrata. Na próxima vez, não vou apenas cogitar, vou levá-lo com certeza. Levamos vinho, mas bebemos pouco, para não nos desidratarmos. Nosso jantar foi macarrão com cogumelos, tomatinhos e queijo gorgonzola. Gostei da escolha e imagino que vamos repeti-la outras vezes.

Também pensamos em pizza de frigideira com os mesmos acompanhamentos do macarrão. Outra ideia que me agrada é fazer uma sopa de macarrão (pode ser miojo, que cozinha rápido, tem bastante calorias e ainda ajuda a repor o sal) com legumes.

Não tiramos muitas fotos, mas algumas podem ser vistas aqui.