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Minha primeira cicloviagem solo

De Itanhandu para Resende

Em abril de 2015, decidi que iria fazer uma viagem de bicicleta sozinha num final de semana. Abri o Google Maps e o Ride with GPS e fui olhando estradas e pensando nas possibilidades. Para facilitar a logística, escolhi cidades com boas opções de ônibus de e para São Paulo como pontos de partida e de chegada. E, entre elas, optei pelas estradas menos movimentadas.

Por vários motivos, a viagem aconteceu apenas em maio de 2016. O dia amanheceu chuvoso e foi assim até minha chegada a Itanhandu. Enquanto pegava água na vendinha da rodoviária, a chuva foi diminuindo e parou de vez assim que comecei a pedalar. Um bom sinal!

De Itanhandu a Alagoa

De Itanhandu para Resende

Peguei um trechinho da Estrada Real que liga Itanhandu a Itamonte e foram 10 km de bastante lama. A estrada estava escorregadia em algumas partes e fui com cautela, principalmente, nas descidas.

A estrada de Itamonte para Alagoa faz parte do Caminho dos Anjos com uma longa subida de 20 km. Como eu sabia o que me aguardava a partir dali, aproveitei para comer um pouco num boteco na cidade.

Nessa saída de Itamonte, já num bairro mais afastado, uma senhora abanou a mão para mim super animada e gritou: "vamos chegar prum cafezim". Por essas e outras que amo viajar por Minas.

De Itanhandu para Resende

A primeira parte da subida é asfaltada e foi bem mais tranquila de pedalar do que no Carnaval graças ao tempo ameno e às marchas mais leves. Parei no mesmo boteco da outra viagem para comprar água antes de encarar o segundo trecho, que é de paralelepípedos e mais íngreme.

De Itanhandu para Resende

Fiquei bem feliz por chegar ao topo sem sinal de chuva. Para descer, escolhi o caminho à esquerda e fui por dentro do Parque Estadual Serra do Papagaio. A estrada é bem bonita, porém, como iria escurecer logo, não parei para tirar fotos.

Pouco antes de encontrar o asfalto novamente, há uma bifurcação e fui pelo caminho da esquerda, pois queria passar em frente à Pousada Casarão (minha primeira opção de hospedagem quando estava planejando o roteiro). Os últimos 10 km foram no asfalto e sem iluminação.

Em Alagoa, fui direto para a Pousada Flores da Mantiqueira, onde a Guela me esperava. Infelizmente, o restaurante do Gustavo estava fechado, mas ela encomendou meu jantar enquanto eu tomava banho. Um senhor que estava na pousada me reconheceu da estrada. Ele passou de moto e me cumprimentou perto da outra pousada.

De Alagoa a Penedo

Enrolei um pouquinho na cama quentinha e saí às 8h30 da pousada depois de um bom café. O começou foi tranquilo e as primeiras subidas foram suaves, com muitas árvores sombreando o caminho e o barulho constante de água.

De Itanhandu para Resende

No meio da primeira subida mais longa, fiquei pensando se poderia ser a primeira serra do dia, mas depois não tive a menor dúvida quando ela realmente começou. Na descida, fui ultrapassada por uma caminhonete que encontrei logo depois parada em frente a uma casa. Conversei um pouco com dois senhores e segui.

A descida ficou pior: mais íngreme, esburacada e com pedras soltas. Levei um tombo besta por estar devagar demais e não conseguir desclipar a tempo. Nada grave.

De Itanhandu para Resende

Em Santo Antônio do Rio Grande, parei num mercadinho para comer e beber algo. Esse distrito de Bocaina de Minas é uma graça e depois descobri que há muitas cachoeiras legais por ali, então, vale a pena voltar.

São apenas 10 km até Mirantão, outro distrito de Bocaina de Minas. Só que tem uma serrinha no meio do caminho. Parei num trailer de lanches para tomar uma coca e depois continuei rumo a Visconde de Mauá.

Esse trecho é predominantemente plano e com algumas descidas. A estrada vai margeando o Rio Preto e ao poucos surgem casas, sítios e pousadas pelo caminho. Pouco antes de começar o asfalto, as subidas recomeçaram com muitas pedras e buracos. Acho que alguns motoristas não gostaram muito de serem ultrapassados por mim nessa parte.

De Itanhandu para Resende

A terra acaba na estrada que liga Visconde de Mauá à Maringá. Há uma subidinha curta até Visconde de Mauá, depois são 3 km até o topo da Serra da Pedra Selada e, por fim, uma longa descida. Apesar da estrada ser linda, foi um pouco chato descer com os carros. Não há acostamento e nem sempre eles reduzem a velocidade ou tomam distância na hora da ultrapassagem.

Cheguei uma hora antes do que havia programado e fui direto para uma pousadinha já reservada. A noite terminou com pizza e cerveja.

De Penedo a Resende

De Itanhandu para Resende

Nem tudo são flores e, para voltar para São Paulo, tiver que encarar quase 13 km na Dutra para chegar à rodoviária de Resende. Deixei para comprar a passagem na hora e dancei, pois o primeiro ônibus já estava lotado.

Essa viagem é uma boa opção para um final de semana, seguindo direto para Resende para pegar o ônibus. Fiz em três dias, pois queria conhecer Penedo por causa da colonização finlandesa. Pena que não encontrei muita coisa além de lojinhas de souvenirs.

Bikepacking e rota

Como a altimetria é puxada, quis viajar leve. Dormi em pousadas e viajei apenas com uma roupa para pedalar, uma roupa de "civil", uma necessaire pequena e um par de chinelos. Ao invés de alforje, optei por acomodar minhas tralhas na bolsa Marimbondo, de bikepacking.

1º dia: 52,5 km com + 1.349m
2º dia: 78,7 km com + 1.716m

Itanhandu-Resende

A rota está disponível no Ride with GPS.

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