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Travessia Itaguaré-Marins

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Começando o segundo dia da travessia. Foto: Artur Vieira.

Há algum tempo, o Artur e eu falamos sobre fazer a travessia do Marins para o Itaguaré e aproveitamos o feriado de 21 de abril para realizá-la. No sábado, saímos um pouco atrasados de São Paulo e ainda pegamos bastante trânsito na Dutra. Chegamos à Pousada do Maeda pouco depois das 11h.

Após nos dar várias dicas, o senhor Maeda nos levou até o início da trilha para o Itaguaré. Invertemos a ordem, pois, em caso de chuva na volta, seria mais fácil nos resgatar no acampamento base do Marins. Nesse caminho, passamos por um dos trechos da cicloviagem de Carnaval, quando saímos de Marmelópolis rumo à cidade de Passa Quatro.

Achei o início meio chatinho e cansativo. Levamos cerca de uma hora e meia no trecho de mata, sempre subindo. Encontramos cinco pessoas e estranhamos bastante o fato de dois rapazes estarem carregando facas e facões. Havia também uma cachorrinha, que parecia perdida, e acabou nos acompanhando durante boa parte desse primeiro dia.

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O tempo abriu depois que passamos pelo Itaguaré. Foto: Artur Vieira.

Quando chegamos perto do Itaguaré, o tempo fechou e desencanamos de subir até o cume, pois não teríamos nenhuma visão. Conversamos um pouco com um trio que iria passar a noite ali e eles se prontificaram a cuidar da cachorrinha.

Seguindo a dica do sr. Maeda, enchemos uma garrafa com água perto de um bambuzal. Como era o último ponto de água até o Morro do Careca, nessa hora, percebemos que levamos pouca água para realizar a travessia.

Às 17h, chegamos ao local de acampamento recomendado pelo sr. Maeda, com vista para o Itaguaré. Conversamos com três caras que iriam acampar ali, mas decidimos andar um pouco mais. Depois de uns dez minutos, consideramos que logo iria escurecer, que havia um espaço legal e reservado para montarmos nossa barraca e que não seria nada mal acordar olhando para o Itaguaré e optamos por voltar.

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Nada mal acordar com uma vista dessas. Foto: Artur Vieira.

Montamos nosso acampamento, beliscamos algumas comidinhas e fomos esticar as pernas dentro da barraca. O cansaço foi batendo e, antes que pegássemos no sono, fomos preparar o jantar: polenta com cogumelos. Depois de organizarmos tudo, ficamos admirando o céu estrelado antes de voltarmos para a barraca.

Segundo dia

Acordei várias vezes durante a noite, ora com calor, ora com dor de cabeça, ora porque estava meio torta e acabei atrapalhando um pouco o sono do Artur. Levantamos às 6h. Tomamos café da manhã e desmontamos o acampamento.

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O sobe e desce que nos aguardava no segundo dia. Foto: Artur Vieira.

Logo começou um sobe e desce, com trechos de vegetação fechada e capim alto. Estávamos racionando a água e, enquanto seguíamos em direção ao Marins, fomos considerando duas possibilidades: chegando ao cume do Marinzinho, pegarmos a trilha para a Pousada Maeda, ou fazermos a travessia em dois dias.

Fizemos algumas paradas para descansarmos, eu principalmente, e para comermos. Os caras que acamparam perto de nós na noite anterior estavam num ritmo muito bom e logo nos ultrapassaram. Papemos um pouquinho ao lado da Pedra Redonda, onde eles aproveitaram para descansar um pouco. Depois, eles seguiram sempre na nossa frente

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Vamos em frente. Foto: Artur Vieira.

A parte até o Marinzinho foi a mais puxada para mim. Pouco antes de chegar ao cume, há um trecho com três cordas amarradas para auxiliar na subida ou na descida. Usamos a vermelha, que parecia mais nova.

No cume do Marinzinho, vimos a placa para a Pousada do Maeda. Lembrei do sr. Maeda falando três ou quatro vezes que, se eu não aguentasse, poderia pegar esse “atalho”. Como a parte mais difícil tinha ficado para trás, decidimos continuar com a travessia. Isso significava duas horas a mais de escalaminhada do que se fossemos dali para a pousada.

Chegando à área do charco, ouvimos o barulho de água corrente. O Artur comentou que ali seria um ponto de abastecimento, mas a ideia não me animou muito porque mais para frente há uma placa informando que a qualidade da água é bem ruim. De qualquer forma, não paramos para ganhar tempo.

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E o tempo começou a virar.

A previsão estava certa e logo começou a chuva, que foi ficando cada vez mais forte. Com o cansaço aumentando e muitas pedras no caminho, diminuímos o ritmo e seguimos com cuidado para não escorregarmos. A chuva formou várias cachoeiras no Marins e a água descia com tanta força que dava para ouvirmos o barulho mesmo estando um pouco afastados. A visão era linda, porém, não faço questão de pegar chuva ali de novo.

No Morro do Careca, ligamos para o Maeda para adiantar nosso resgate. Nossa água tinha acabado, mas nem nos preocupamos em enchermos as garrafas no riacho que existe ali perto. Estávamos quase no final.

A travessia não foi nada fácil e terminamos o percurso bastante cansados. Ao mesmo tempo, estávamos muito felizes e orgulhosos de nós mesmos pelo desafio superado. Concluímos a travessia em dois ao invés de três dias. Foram 5 horas no primeiro dia e, dez horas e 40 minutos no segundo, incluindo as paradas para descanso e lanchinhos na trilha.

Senhor Maeda e a pousada

Assim que começamos a travessia, o Artur falou que só pelas histórias que ouvimos e pelo passeio de Bandeirante, a viagem já tinha valido a pena.

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Conhecendo o museu do montanhismo com o senhor Maeda. Foto: Artur Vieira.

Com 74 anos e muita simpatia, esse senhor nascido em Nagazaki tem muitas histórias legais para contar. A travessia Marins x Itaguaré foi aberta por ele e pelo pessoal do Centro Excurcionista Campineiro (que, aliás, ele ajudou a fundar), em 1993. No ano anterior, ele abriu a travessia da Serra Fina.

Esses e outros feitos são contados no museu do montanhismo, que fica na pousada. Lá estão reunidos equipamentos, roupas, revistas e muitas fotos de diversas expedições das quais ele participou no Brasil e em outros países da América Latina.

Mesmo tendo ficado pouco tempo, achamos a hospedagem excelente. E ficou ainda melhor. Estava tomando café da manhã, quando a senhora Maeda apareceu com um prato de pinhões recém-cozidos e ainda quentes. Na noite anterior, eles viram o quanto gosto de pinhão e, por isso, prepararam esse mimo para eu levar para casa.

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Casal Maeda.

Claro que já estamos pensando em voltar para aproveitarmos a simpatia do casal e as atrações da região. As fotos da travessia tiradas pelo Artur estão aqui.

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Pico do Lopo

Pico do Lopo

Pedra do Cume vista da Pedra das Flores.

Aproveitando que o Pico do Lopo fica em Extrema-MG, a apenas 110km de São Paulo, decidimos fazer um bate-volta no último domingo.

Pico do Lopo

Céu azulzinho.

Ao pesquisar informações sobre o lugar, descobri que, embora Pico do Lopo seja o nome mais conhecido, o local é chamado também de Pedra do Cume.

Pico do Lopo

Represa de Joanópolis secando. :(

O tempo estava bom, a trilha foi tranquila e nossa manhã rendeu. Saímos de São Paulo, fizemos a trilha (cerca de 8km ida e volta) e aproveitamos para almoçar em Joanópolis.

Mais fotos.

Pico dos Marins

Pico dos Marins

A névoa esteve bastante presente na minha primeira visita ao Marins.

Para o feriado prolongado em junho, o Artur me fez um convite: passar uma noite no Pico dos Marins, em Piquete. Optamos por sair de São Paulo na quinta-feira à tarde, dormir no Acampamento Base Marins e subir o pico na sexta, pela manhã.

No caminho para Piquete, pegamos garoa e chuva fraca e chegamos ao acampamento com muita neblina. O tempo virou e a temperatura estava em 13°C. Encontramos um grupo grande que fez bate-e-volta e uma turma de Belo Horizonte que fez a travessia Marins-Itaguaré. Conversar com o pessoal que descia, aumentava a minha ansiedade.

Na sexta-feira, acordamos com o barulho de um dos grupos que iria subir. Levantamos com calma e fomos organizar nossas coisas. Fomos os últimos a sair, às 9:20.

O início foi úmido e com pouca visibilidade, por causa da forte neblina. Passamos pelo trecho de mata, pela estrada de terra e logo chegamos ao Morro do Careca. Lá, encontramos um grupo de quatro caras que iriam dormir no Pico também. Pausa rápida para beber água e comer alguma coisa e voltamos para a trilha.

Pico dos Marins

Artur confirmando o caminho.

O tempo seguia encoberto e foram poucos os momentos em que pudemos avistar o cume. Logo começou o trecho de trepa-pedras e fomos seguindo num ritmo bom. Apesar de ter ficado um pouco insegura em certos trechos, fiquei bem feliz ao superar alguns “obstáculos”.

Quando estávamos próximos da nascente do Ribeirão Passa Quatro, nos desviamos um pouco da trilha, mas logo retomamos o rumo certo e ainda reencontramos um grupo que subia com um cachorro.

Pico dos Marins

Sobe, sobe, sobe!

Nesse momento, o tempo abriu um pouco e vi que estávamos perto do pico. O Artur disse que até lá ainda teríamos um bom trecho de sobe e desce. Minha imaginação foi pior do que a realidade e logo chegamos à base da rampa para o cume.

Subimos bem e, apesar de termos encontrado várias pessoas na trilha, fomos os primeiros a chegar, depois de quatro horas de escalaminhada. Assim, pudemos escolher tranquilamente onde montarmos nossa barraca.

O tempo continuou encoberto e não dava para ver muita coisa ali de cima. Descansamos um pouco, comemos, batemos papo com nossos “vizinhos”, comemos mais um pouco e voltamos para a barraca quando vento ficou um pouco mais forte.

Apesar de ter sido a noite mais longa do ano, dormi muito bem e o tempo passou rápido. Acordei pouco depois das 6h. Queria muito ter visto o nascer do sol, no entanto, a névoa era tão densa, que limitava a visão a pouco mais de dez metros. E assim foi por cerca de uma hora e meia.

Pico dos Marins

O curioso espectro de Brocken.

Quando o tempo limpou um pouco, além do céu azul e de uma vista linda com as nuvens dançando, fomos presenteados com a visão do espectro de Brocken.

Esperamos para ver se o tempo limparia mais, porém, ele voltou a fechar. Arrumamos nossas tralhas e fomos os últimos a deixar o cume.

A descida foi num ritmo mais lento, como eu já esperava. Mais uma vez, encontramos muitas pessoas pela trilha, inclusive algumas crianças. Próximo ao primeiro maciço, fizemos um pequeno “desvio”, mas logo o Artur percebeu e nos botou de novo no caminho certo.

Pico dos Marins

Voltando para o acampamento base acompanhados pela névoa.

O tempo continuou fechando e o nevoeiro aumentava conforme descíamos. O caminho pela mata estava ainda mais úmido do que quando saímos e tínhamos que tomar cuidado para não escorregarmos no barro. Chegamos ao acampamento base, nos despedimos do Milton e pegamos o rumo para São Paulo.

Vivendo e aprendendo

Esta foi a segunda vez que acampei e a primeira com tempo frio. A temperatura chegou a 7°C à noite no Pico, mas a sensação era um pouco mais baixa por causa do vento.

Nossa bagagem foi bem planejada, mas, ao longo do caminho, fui pensando no que poderia melhorar para a próxima vez. Além da roupa limpa, vou deixar um par de calçados limpos no carro para a volta. Meus tênis estavam pura lama.

Pico dos Marins

Preparando o jantar toda concentrada.

Como estava frio, uma bebida quente fez falta e pensei logo no chá que aquece e hidrata. Na próxima vez, não vou apenas cogitar, vou levá-lo com certeza. Levamos vinho, mas bebemos pouco, para não nos desidratarmos. Nosso jantar foi macarrão com cogumelos, tomatinhos e queijo gorgonzola. Gostei da escolha e imagino que vamos repeti-la outras vezes.

Também pensamos em pizza de frigideira com os mesmos acompanhamentos do macarrão. Outra ideia que me agrada é fazer uma sopa de macarrão (pode ser miojo, que cozinha rápido, tem bastante calorias e ainda ajuda a repor o sal) com legumes.

Não tiramos muitas fotos, mas algumas podem ser vistas aqui.

Do outro lado do mundo, lá na Coreia do Sul

Hallasan

Primeiro contato com a natureza sul coreana: Hallasan.

Com férias marcadas para o final de outubro e começo de novembro de 2013, decidi visitar um amigo e conhecer a Coreia do Sul. Dei muita sorte com a data, pois o outono é a melhor época para visitar o país. As temperaturas são mais agradáveis e é possível ver as cores lindas dessa estação.

Fiz uma boa pesquisa antes de viajar e me animei bastante com as opções de passeios e de lugares interessantes para conhecer durante as quase três semanas de viagem.

Adorei a natureza do país e achei os parques nacionais lindos demais. As cidades são modernas, mas preservam construções antigas e a sociedade valoriza as tradições.

A comunicação não foi tão fácil, pois poucas pessoas falam inglês, mesmo entre os mais novos. No entanto, eles são curiosos e prestativos.

A única parte chatinha foi o deslocamento, afinal só de voo foram mais de 20 horas na ida e mais de 22, na volta. Porém, o que importa é que valeu muito a pena!

Suwon

A primeira atração turística que visitei em Suwon foi a Folk Village. Esse museu a céu aberto tem diversas construções, que reproduzem casas coreanas de acordo com as regiões do país e classes sociais. Alguns funcionários circulam pelo espaço vestidos com roupas típicas. Outros são artesãos que produzem objetos como colheres, facas e cachimbos de maneira totalmente artesanal.

Cachimbos artesanais na Folk Village.

Em determinados horários, acontecem apresentações de danças tradicionais, porém, não dei muita sorte. Durante a minha visita, o show era de um grupo de b-boys (!). E ainda perdi a cerimônia de casamento.

A Hwaseong Fortress é um dos cartões postais de Suwon. O muro, com mais de 5 km de extensão, foi construído entre 1794 e 1796 e é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. É um lugar gostoso para passear. Ali perto, ocorre uma apresentação de artes marciais, de terça a domingo, às 11h, entres os meses de março a novembro. O show é curtinho, mas bem bacana.

Climbing

Tinha uma pedra no meio do caminho em Gwanggyosan.

Numa manhã, fomos fazer trilha no Morro Gwanggyosan. O caminho era tranquilo, com subidas e descidas. Em alguns trechos, era preciso atenção porque as folhas caídas escondiam pedras soltas e raízes das árvores. As trilhas são tão organizadas que, numa parte do caminho, havia uma parede pequena de pedra e duas cordas para auxiliar na subida. Preferi ir pela lateral, sem usar a corda.

Almoço pós-trilha.

Na volta, pegamos a trilha que leva à entrada principal do Gwanggyosan e aproveitamos para almoçar num dos restaurantes montados em barracas de lona. O tofu feito na chapa era delicioso, mas não gostei da sopa feita com alga (o cheiro de peixe era muito forte) e uma espécie de gelatina de castanha.

Seoul

Neons em Gangnam.

Quando a música do Psy, Gangnam Style, começou a fazer sucesso, descobri que Gangnam é um bairro de classe alta de Seoul e que a letra é uma crítica ao estilo consumista da região, que concentra lojas caras e de marcas de luxo.

Realmente, a região é cheia de lojas e bastante movimentada. Andei pela avenida principal próxima às estações de metrô e pelas ruas paralelas. Ignorei as lojas de roupas e visitei a livraria Kyobo, que tem muitos livros em inglês. Me controlei bem nessa parte, mas aí descobri a lojinha no subsolo que vende itens de silicone para cozinha e não resisti.

Numa das ruas paralelas, fica um restaurante vegetariano delicioso, o Garobee. O buffet no melhor estilo coma à vontade oferece a versão vegetariana de pratos coreanos. Uma delícia!

Insa-dong: região bem turística.

Visitei também a região de Insa-dong, que é charmosa e bastante turística, com muitas lojinhas de souvenirs, de chá e galerias de arte. Andei bastante pelas ruazinhas laterais, interessantes e mais tranquilas. De uma das pontas, dá para ver parte do Parque Bukhansan.

Bukchon Hanok Village

Voltando no tempo no Bukchon Hanok Village.

Gostei muito de passear pelo Bukchon Hanok Village, com suas mais de 900 casas coreanas tradicionais. Era ali que moravam membros da família real e nobres do Período Joseon. Hoje em dia, além de atrair muitos turistas, o bairro é cenário para a gravação de filmes e novelas de época.

Gyeongbokgung Palace

Palácio Gyeongbokgung: lugar lindo, enorme e cheio de história.

O Palácio Gyeongbokgung impressiona pelo tamanho. Eu cruzava portões e jardins e não via o fim. Ele foi construído em 1395 e foi o principal palácio real da Dinastia Joseon. Mesmo com o frio que fazia no dia em que visitei o palácio, havia muitos turistas em todos os cantos.

O último local que visitei em Seoul foi o bairro Itaewon, o mais multicultural. Esta é a região para ir a restaurantes e bares típicos e as referências a outros países estão nas bandeiras ao longo da avenida principal e até nas calçadas com placas simpáticas ensinando como se diz “olá” em diversos idiomas.

Woljeongsa

São muitos os templos budistas espalhados pelo país e alguns deles oferecem a experiência de vivência no templo. Há visitas que duram apenas algumas horas, mas há também a possibilidade de pernoite.

Woljeongsa

Salão do Buda e pagoda em Woljeongsa.

Antes de viajar, fiz a minha reserva no templo Woljeongsa, que fica no Parque Nacional Odaesan. Essa era minha terceira opção, mas se tornou a primeira, pois os outros templos que tentei só aceitavam reservas para fins de semana.

O templo foi fundado em 643, destruído e reconstruído várias vezes. As construções atuais foram erguidas depois da guerra entre as Coreias. O principal símbolo é a pagoda octagonal, com mais de 15 metros de altura. Acredita-se que tenha sido construída no século X e que guarde as relíquias do Buda.

Para chegar ao templo, fui de metrô até a rodoviária Dong Seoul, peguei um ônibus intermunicipal até Jinbu e um ônibus local. Cheguei antes do horário, então aproveitei para tirar fotos e andar um pouquinho pelo templo. Fiquei olhando as opções de trilhas no parque mesmo sabendo que não daria tempo de fazer nenhuma.

Depois de completar minha inscrição, fui encaminhada para o meu quarto. O ondol (sistema de chão aquecido) deixava o quarto bem quentinho. Num canto, estavam o uniforme do templo e os edredons para dormir.

A primeira atividade foi montar o mala, que é uma espécie de rosário budista. Segundo me explicaram, ele possui 108 contas, que representam as 108 agonias humanas.

Participei de duas cerimônias budistas, uma logo após o jantar e outra às 4:20 da manhã. Por um tempo, foi gostoso apenas ouvir os mantras entoados, porém, depois de um tempo, senti falta de entender o o significado de tudo.

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Às 21h, as luzes do templo são apagadas.

À noite, depois que saí do Salão do Buda, resolvi fazer algumas fotos por ali. Estava um pouco distraída e quase trombei com um monge. Ele foi super curioso e me perguntou de onde sou, quanto tempo ficaria na Coreia, se estava sozinha, qual o meu prato coreano favorito e o que eu faço no Brasil. Quando achei que conseguiria fazer algumas perguntas também, ele se despediu e saiu quase correndo.

Fiquei decepcionada com a experiência, pois esperava mais contato com os monges e queria aprender sobre os rituais. Quando escolhi esse programa, fiquei animada com as fotos do pessoal participando da cerimônia do chá e conversando com os monges. Porém, a programação que fizeram para mim era bastante livre e eu estava sozinha quase o tempo todo. Como eu era a única estrangeira no templo nesses dias, acho que eles resolveram simplificar. Uma pena!

Jeju

Quando estava pesquisando sobre o que fazer na Coreia, vi algumas fotos da ilha vulcânica Jeju. Logo depois, meu amigo sugeriu passarmos um fim de semana prolongado por lá e topei na hora, claro. A ilha não é muito grande e, para facilitar os deslocamentos, alugamos um carro.

Hallasan

Na trilha Seongpanak.

A primeira atração foi visitar o Parque Nacional Hallasan, onde fica o ponto mais alto do país: o vulcão Halla, com 1.950 metros. Tinha escolhido fazer a trilha Seongpanak, descrita como a mais longa, porém, indicada para iniciantes. Foram 9,6 km de subida ininterrupta. O tempo estimado para subir era de 4h30, de acordo com o site do parque, mas nós fizemos em 2h40.

Hallasan

Cratera do vulcão Halla.

A vista da cratera do vulcão é incrível! Fizemos algumas fotos ainda na parte demarcada da trilha, mas o local estava muito cheio. Então, decidimos ir um pouco além e seguimos por um trecho da borda. Foi uma ótima ideia. A vista era ainda mais bonita e o local estava tranquilo, sem outros turistas. Tiramos muitas fotos e comemos nossos lanches antes de encararmos a descida.

Jeju

Passeio tranquilo na Manjanggul.

Além do Hallasan, queria conhecer a Manjanggul, uma caverna formada pela passagem da lava do vulcão. Considerada patrimônio da humanidade pela Unesco, a caverna tem cerca de 7,5 km de extensão, porém apenas 1 km está aberto para visitação.

Jeju

“Preciso fazer a foto antes que o grupo de turistas chineses termine de subir as escadas.”

No sul da ilha, encontramos o templo budista Yakcheonsa por acaso e resolvemos conhecê-lo. A arquitetura segue a linha dos templos da Dinastia Joseon, porém o Yakcheonsa foi fundado em 1981. Ao contrário de outros templos, aqui é permitido fotografar dentro do salão do Buda. Enquanto fiquei ali, vi algumas pessoas fazendo as saudações budistas.

Jeju

Pentágonos e hexágonos de origem vulcânica.

Outra atração localizada no sul de Jeju é a formação Jusangjeolli, que surgiu quando a lava do vulcão Halla atingiu o mar na praia de Jungmun. Nesse processo de solidificação da lava, as colunas adquiriram formatos de pentágonos e hexágonos.

Jeju é cheia de museus e parques temáticos. Só para citar alguns: há o Museu do Chocolate, da Educação, da Mitologia Grega, do Urso de Pelúcia (aliás, são dois museus dedicados aos Teddy Bears), um Hall da Fama de Baseball e até um parque temático chamado Love Land com várias estátuas em posições sexuais.

Não estava interessada nesses museus, mas como era caminho, paramos no O’Sulloc Green Tea Museum. Tem uma exposição legal com diversos bules e xícaras de diversos lugares do mundo, porém o que mais gostei foi o bolo de chá verde do café. O prédio é cercado por arbustos de chá verde com acesso liberado para o público. Muita gente aproveita para tirar fotos no meio da plantação.

Seongsan Ilchulbong

Seongsan Ilchulbong, Sunrise Peak.

Formado durante uma erupção vulcânica há mais de 100 mil anos, o Seongsan Ilchulbong, é uma cratera com cerca de 600 m de diâmetro. O acesso é fácil e feito por escadas e a vista é linda. O plano inicial era levantarmos cedo e assistirmos ao nascer do sol no topo, porém, o céu nublado não colaborou.

Ficamos um bom tempo admirando a paisagem e tentando ignorar os turistas barulhentos que passavam por ali. Em um momento, aconteceu algo engraçado. Eu estava distraída, mas o Teemu ouviu um grupo de jovens coreanos ensaiando como dizer algo em inglês. Então, sete rapazes vieram até nós e perguntaram se poderíamos tirar uma foto. Concordamos e esticamos os braços para pegarmos os celulares, mas não era bem isso que eles queriam. Ganhamos bandeirinhas da Coreia do Sul, fomos rodeados por eles e fotografados.

Depois de descermos do Seongsan Ilchulbong, estávamos admirando a vista quando uma chinesa foi chegando muito perto do Teemu. Ele se virou e percebeu que a amiga dela iria bater uma foto dos dois juntos. Sendo simpático, ele fez pose para a foto. A amiga desceu correndo para ser fotografada com ele também e, em seguida, veio ao meu lado, para mais uma fotografia.

Jeju

Diversos oreums no horizonte.

Em Jeju existem mais de 360 oreums, que são pequenos morros de origem vulcânica. Assistimos a um nascer e um pôr do sol de cima do Saebyol, que tem uma vista lista para várias outros oreums e para o Hallasan. Fomos também ao famoso Sangumburi, cuja cratera tem cerca de 2 km, mas como o acesso é muito fácil, havia gente demais por ali e ficamos só um pouquinho.

Nesses oreums, há muitos montes de terra cobertos pela vegetação e, às vezes, cercados por muros baixos formados por pedras. São túmulos coreanos. Segundo o Teemu me explicou, eles escolhem lugares altos e com paisagens bonitas para enterrar os entes queridos.

Bukhansan

O Parque Nacional Bukhansan fica ao norte de Seoul e é um dos mais visitados.

Bukhansan - Seoul

A caminho do Bukhansan.

Escolhemos a trilha Bukhansanseong, que leva ao pico Baegundae, o mais alto do parque, com 836 m. A estrada até os templos budistas é asfaltada e, às vezes, passava algum carro.

A trilha mesmo começou depois do segundo templo. Com muitas pedras de tamanhos variados, usei bastante as mãos na subida. Os últimos 900 metros foram puxados, mas a trilha é muito bem estruturada. Em alguns trechos, há cabos de aço para auxiliar na subida e na descida.

Bukhansan

Seoul vista de cima.

A vista do topo é linda. Dá para ver Seoul pequenininha e os outros picos do parque. Demos sorte, pois a visibilidade estava boa nesse dia. Ficamos um tempo ali relaxando, apreciando a vista e comendo nossos lanchinhos.

Quando chegamos, já havia muitas pessoas no topo e, enquanto ficamos por ali, esse número aumentou bastante. Por isso, resolvemos descer e procurar um lugar para almoçarmos.

O parque ainda tinha muitas árvores com as cores lindas do outono e aproveitei para tirar bastante fotos. Fiquei com vontade de fazer outras trilhas, mas, como iria pedalar no dia seguinte, não quis forçar muito.

Seoraksan

Seoraksan

Seoraksan: o parque que mais gostei.

Este parque nacional fica na costa leste e tem várias opções de trilhas para até três dias, indicadas no site. Depois de pesquisar bastante as opções de como chegar ao parque (que possui mais de uma entrada), decidi fazer uma trilha em dois dias e ver o nascer do sol do pico mais alto do parque.

Saindo de Dong Seoul de novo, peguei um ônibus que vai para Yangyang e para na entrada do parque em Osaek. Além da cabana do guarda, havia banheiros e umas máquinas para comprar bebidas na entrada. Nada de lojas, cafés e restaurantes como na entrada principal.

A subida de 5,3 km começa logo depois da cabana. Esse ponto fica a uns 650 m do nível do mar e leva até o Pico Daecheongbong, o terceiro mais alto do país, a 1.708 m. Então, é subida praticamente o tempo todo. Encontrei alguns coreanos pelo caminho, mas, de todas as trilhas que fiz na Coreia, esta era a mais vazia.

Seoraksan

Fingindo que não estava morrendo de frio.

Quando cheguei ao topo, o vento era tão forte, que senti minhas mãos congelando, pois estava sem luvas. Por isso, fiquei só um pouquinho ali, tirei fotos correndo e segui para o abrigo Jungcheongbong, a 600 m do pico.

Shelter in Seoraksan

No abrigo Jungcheongbong tem até wi-fi.

Para passar a noite ali, é necessário fazer reserva pela internet. Li que, durante a alta temporada, é bem difícil conseguir uma vaga, mas tive sorte. Consegui a minha apenas dois dias antes e o abrigo não estava cheio.

As minhas mãos estavam tão geladas que doíam e um dos guardas (o único que falava inglês) me entregou um saquinho com algum material que gera calor. Uma maravilha! Depois que o corpo aqueceu de novo, coloquei mais roupas e voltei para o pico para tirar fotos do por-do-sol.

Já instalada no meu cantinho, voltei para a entrada do abrigo para carregar o celular no “posto de carregamento”: um espaço com várias tomadas e cabos de diversos modelos. A regalia incluía também wi-fi gratuito.

Única estrangeira entre coreanos, acabei ganhando alguns mimos. Por meio de mímica, um rapaz me chamou para jantar com ele e os amigos, mas educadamente recusei e uma mulher perguntou se eu havia comido e me ofereceu frutas.

Depois, uma moça me ofereceu um pacotinho de bolachas e perguntou em inglês de onde eu sou. Tentei conversar um pouco mais, porém, o inglês dela não ajudava muito.

Voltei à entrada para trocar mensagens com o Artur e o guarda que fala inglês apareceu com dois copinhos de café e dois bombons. Ele me ofereceu um dos copos, me deu os dois doces e puxou papo. Conversamos por um tempinho e perguntei como ele aprendeu inglês, já que é raro coreanos falarem esse idioma. A resposta foi: “na escola”. E ele aproveita para praticar com os estrangeiros que passam por ali. Que ele se lembre, foi a primeira vez que uma brasileira dormiu nesse abrigo.

Papo vai, papo vem, ele me deu uma pulseira feita de contas de madeira e com o símbolo do rato, o signo dele no horóscopo chinês. Disse que foi comprada no Geumganggul, um santuário do parque que fica em uma caverna.

Seoraksan

Nascer do sol no Pico Daecheongbong.

Dormi pouco e acordei com o barulho dos coreanos se arrumando para sair. Organizei minhas coisas e voltei ao Daecheongbong para ver o sol nascer. Já tinha bastante gente ali e logo chegaram dois rapazes que tinham feito a trilha de Osaek durante a madrugada.

O cenário estava lindo! Montanhas, mar, nuvens e sol.

Depois de fazer muitas fotos, voltei ao abrigo para pegar minha mochila e comecei a descida em direção à entrada principal do parque. Fui bem devagar no início para não forçar os joelhos na descida e porque havia uma camada fina de gelo nas pedras.

Um coreano estava na minha frente e ficava sempre olhando para trás para ver se eu estava bem. Trocamos algumas palavras e ele ficou surpreso ao saber que estava fazendo a trilha sozinha. E não foi o único, pois outras pessoas haviam perguntado a mesma coisa e tido a mesma reação. Reparei que dificilmente os coreanos estão sozinhos e, de acordo com um livro que li sobre a sociedade coreana (escrito por um coreano), isso tem a ver com um senso de comunidade muito enraizado na cultura deles.

Levei quatro horas e meia para fazer os 11 km até a entrada do parque, fazendo várias paradas para tirar fotos. Queria fazer a trilha até o Geumganggul, mas não daria tempo e não tinha certeza se as minhas pernas aguentariam. Fiquei pensando que deveria ter planejado mais um dia no parque. Assim poderia ir até o santuário e ainda fazer a trilha do Ulsanbawi, que tem 4 km, uma escada com mais de 800 degraus e é considerada a mais difícil do parque.

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Buda da Reunificação.

Na entrada principal do parque, fica o Buda da Reunificação, com 14,6 m de altura, excluindo o halo e o pedestal, ou 18,9 m no total. É considerada a maior estátua do Buda sentado feita em bronze no mundo e simboliza a esperança dos coreanos na reunificação das Coreias do Sul e do Norte.

Peguei o ônibus para Sokcho na entrada do parque. Fiquei prestando atenção no caminho e nas gravações que indicam os pontos de parada na esperança de saber onde descer. Até que, em determinada esquina, o motorista olha para mim pelo espelho retrovisor e fala algo em coreano. Repeti mais ou menos o que o Teemu havia me ensinado “busso turminal” e o motorista balançou a cabeça de maneira positiva e indicou a rua por onde eu deveria seguir até a rodoviária.

Comida

Vegetais frescos no mercado em Suwon.

Um dos primeiros lugares que visitei um Suwon foi um mercado que se estende por várias ruas num centrinho próximo à Universidade Ajou. Cozinhamos alguns dias e alguns ingredientes saíram desse mercado como o tofu fresco e ainda quente e a gim, a alga coreana (conhecida pelos brasileiros pelo nome japonês: nori) que vem tostada e temperada com óleo de gergelim e sal.

Koreans like it hot

A base do gochujang: muita pimenta.

Vi muitos sacos de pimenta vermelha, que é uma paixão coreana. Eles fazem uma pasta com essa pimenta, arroz, soja fermentada e sal, chamada de gochujang. Sempre pedia comida sem pimenta e, mesmo assim, se algum ingrediente usado era preparado com gochujang, o prato inteiro ficava picante.

Ainda no Brasil, me inscrevi em um curso de culinária coreana vegetariana. O curso é chamado de Temple Cuisine (cozinha de templo), pois, nos diversos templos budistas espalhados pelo país, a alimentação adotada é a vegetariana. Além de pimenta, claro, eles usam muito óleo e sementes de gergelim, shoyu e alho.

Comida de templo: perfeita para vegetarianos.

Em Jeju, jantei em um restaurante tradicional que serve comida de templo. O prato principal foi arroz embrulhado em folha de lótus e cozido no vapor. Como toda boa refeição coreana, a mesa estava cheia de pratinhos, os banchans, com vários acompanhamentos. Tudo muito saboroso! Foram servidos dois chás: um antes e outro depois do jantar para auxiliar na digestão.

Comi bastante bibimbap, que é a versão coreana de arroz com vegetais. Sempre que tinha, eu pedia a versão dolsot, servida em uma tigela tão quente que o arroz no fundo queima um pouco e forma uma casquinha deliciosa.

Gostei também de gimbap, o sushi coreano, que pode ser feito com diversos recheios, mas nunca com peixe cru. Comi apenas com legumes, porém, vi num cardápio a opção com queijo, que achei um pouco estranha.

Bolinhos de arroz de vários tipos.

Os coreanos não comem muitos doces e as sobremesas não são adocicadas como as brasileiras. Experimentei alguns bolinhos de arroz puros e recheados com uma mistura de castanhas e sementes de gergelim. São gostosos, mas os meus doces coreanos favoritos são Bungeoppang e Jjinbbang. O primeiro, vendido em formato de peixinho, é uma massa de crepe recheada com uma pasta de feijão azuki. O segundo é um pão super macio feito no vapor e com o mesmo recheio de feijão. São deliciosos.

Experimentei também o kkultarae, um doce feito com 16 mil fios finíssimos de mel, recheado com amêndoas e parecido com um casulo. O processo que transforma o bloco endurecido de mel nesse doce é bem interessante. A partir de um buraco no centro, começa a parte de esticar a “massa” para aumentar o buraco, torcer o doce, formando um oito e dobrá-lo ao meio, multiplicando o número de fios. Para que eles não grudem, usa-se farinha de arroz ou amido de milho.

Outros

Depois de terminarmos a trilha no Hallasan, paramos para comer em frente à entrada antes de irmos embora. Aí, passaram duas senhoras coreanas olhando na nossa direção e uma delas apontou para mim e fez um comentário. O Teemu disse que ela estava falando sobre o meu nariz, que, por sinal, é grande segundo os padrões ocidentais. Eu ri e elas também. E a senhora ainda repetiu para o Teemu que meu nariz é lindo.

Tinha ouvido falar que os coreanos são bastante diretos ao fazer perguntas e observações, o que pode soar um pouco rude, às vezes. Eles não veem problema em dizer: “você engordou”, por exemplo. Pelo jeito, eles também não têm receio nenhum de apontar e fazer comentários sobre outras pessoas nas ruas.

Por causa do idioma, usei muita mímica. Só que, às vezes, nem assim funcionava. Enquanto esperava o ônibus para Jinbu, depois do temple stay, uma velhinha coreana tentou puxar papo comigo. Encolhi os ombros, balancei a cabeça e disse “sorry” para indicar que não entendia o que ela falava, mas ela apenas repetiu o que havia dito antes, com o mesmo tom de quem pergunta alguma coisa. Fofa!

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