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De carro pela Argentina, Chile e Bolívia

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Rodamos quase 8 mil quilômetros em 18 dias.

Para quem pretendia passar as férias num sítio próximo a São Paulo, uma viagem de carro passando por três países foi uma mudança e tanto. Nossa companheira de férias ganhou uma passagem para Portugal e nós decidimos passear pela América do Sul. Em uma semana, planejamos tudo e pegamos a estrada.

Rumo ao Chile

Os primeiros dias resumiram-se a longas horas na estrada. Foram quase 600km em uma estrada reta, de pista simples, com alguns caminhões e muito calor. A região do Chaco argentino definitivamente não me atraiu. Na primeira noite na Argentina, dormimos em Resistência, que consideramos mais ajeitada do que a vizinha Corrientes.

A segunda noite foi em San Salvador de Jujuy, onde jantamos no restaurante Viracocha, de comida tradicional do norte argentino e que serve uma empanada de quinoa deliciosa.

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O primeiro salar da viagem: Salinas Grandes, na Argentina.

A partir de San Salvador de Jujuy, com a aproximação dos Andes, a paisagem e o clima melhoram. A região é bastante árida, com montanhas coloridas e muitos cardones – cactos gigantes. Passamos por Purmamarca, cruzamos o primeiro salar da viagem – o Salinas Grandes – e seguimos para a fronteira com o Chile.

Cruzar o paso de Jama foi bem mais tranquilo do que eu esperava. Os guichês estão organizados em sequência. Carimbos de saída da Argentina nos passaportes, aduana do carro, carimbos de entrada no Chile e aduana do carro. Embora o seguro Carta Verde seja obrigatório e estivesse na pastinha de documentos, nesta fronteira, tive que apresentar apenas o documento do carro e minha habilitação brasileira. Cheguei a mostrar a Permissão Internacional para Dirigir, mas a oficial nem deu bola. O último passo foi a vistoria do carro.

Neste ponto, eu estava com um pouco de dor de cabeça por causa da altitude. Em San Salvador de Jujuy, estávamos a 1.259m e o paso fica a 4.200m. O caminho continua subindo e, em busca do Salar de Tara, chegamos a 4.811m, o que me deixou imprestável. Apesar disso, tivemos uma bela surpresa no caminho para San Pedro de Atacama: começou a nevar no deserto!

O Artur ficou chocado com o tamanho da cidade. Há dezoito anos quando ele esteve lá, havia basicamente um restaurante e um hotel/camping. Hoje em dia, há muitas opções. A rua principal é a Caracoles, onde estão muitas das agências de turismo e restaurantes. Durante o dia, o movimento é pequeno, pois os turistas estão nos tours pela região. À noite, a rua fica lotada.

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Livraria charmosa a poucos quilômetros de San Pedro de Atacama.

Na minha lista de lugares para conhecer estava a Librería del Desierto, que pertence ao escritor chileno Diego Álamos. Localizada a 6km de San Pedro, a livraria funciona em um contêiner instalado no quintal da casa dele e é focada em autores chilenos. Além da beleza do lugar e da tentação dos livros, a visita vale a pena pela simpatia do Diego. Ficamos cerca de duas horas ali batendo papo.

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Dunas e anfiteatro no Valle de la Luna.

No final da tarde, fomos ao Valle de la Luna, também a cerca de 6km da cidade. Seguindo a estrada dentro da reserva, fizemos o passeio por dentro das cavernas de sal, passamos pelo anfiteatro e depois chegamos à formação chamada de Três Marias. Ao longo do caminho, há estacionamentos. Tentamos deixar o carro em um deles e seguir a pé até as dunas, mas os guias do parque não autorizaram. Andar por ali valia apenas para quem estava em um tour pago. Bom, deixamos o carro em outro estacionamento e fomos para as dunas para ver o por-do-sol. O lugar fica lotado, então, se quiser pegar um bom lugar, é melhor não ir muito tarde. Algumas agências oferecem a opção de ir para lá pedalando e voltar de carro.

No dia seguinte, paramos na laguna de Chaxa para fotografar flamingos e depois seguimos rumo ao paso Sico. A ideia era acessar uma estrada de terra para chegarmos à laguna Lejía, só que a existência de um posto de carabineiros frustrou nossos planos. Com o argumento de que a estrada por ali é muito ruim e ninguém poderia nos resgatar caso acontecesse algo, eles proibiram nossa passagem.

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Caveirinho no cenário do nosso camping selvagem.

Se fôssemos voltar para San Pedro, chegaríamos tarde à cidade, então, decidimos acampar próximos a algumas formações rochosas. Só que o vento era tanto, que não nos animamos a montar a barraca e decidimos dormir dentro do carro. Claro que a ventania parou no meio da madrugada, mas deixamos por isso mesmo. Quando acordamos, nossa respiração condensada no para-brisa do carro tinha congelado. O jeito foi esperar o sol esquentar um pouco e esse gelo derreter para poder dirigir.

Passamos mais uma noite em San Pedro e levantamos cedo para subirmos o vulcão Láscar. A estrada até a entrada para a vila Talabre é asfaltada; a partir daí, é só areia com costelas de vaca. Não vimos o nascer do sol na beira da laguna Lejía, mas o astro rei iluminou os vulcões do caminho de maneira incrível.

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Laguna Lejía e diversos vulcões vistos de longe durante subida do vulcão Láscar.

É possível estacionar o carro num ponto relativamente alto para começar a caminhada – partimos de 4.825m. O Láscar é um vulcão fácil do ponto de vista técnico; a subida nada mais é do que uma caminhada. O grande porém é a altitude: eu tinha que andar bem devagar para não perder o fôlego. E valeu muito a pena quando chegamos à cratera do vulcão a 5.449m e vimos a fumacinha saindo – o Láscar é um vulcão ativo. Com o vento aumentando de intensidade, logo começamos a descida com cuidado para não escorregarmos na areia fofa. Chegando ao carro, estávamos um pouco baqueados pelos efeitos da altitude combinados ao esforço físico.

Bolívia

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Admirando a Ruta de las Lagunas .

Depois da última noite no Atacama, partimos para a Bolívia. Optamos por cruzar a fronteira pelo paso Hito Cajón (também chamado Portezuelo del Cajón) para conhecer a chamada Ruta de las Lagunas. Esse paso gera algumas controvérsias, pois dizem que o risco de assalto na estrada é grande e que a cobrança de propina é frequente – lemos alguns comentários no app iOverlander. Não sei se foi o fato de estarmos entrando e não saindo ou por sermos brasileiros, mas fizemos a imigração sem qualquer problema, enquanto três gringos tiveram que pagar 17 pesos bolivianos (se não me falha a memória) ao deixarem a Bolívia.

Com os passaportes carimbados, fomos informados pelos guardas que a aduana do carro seria feita somente no posto Apacheta, que fica dentro de uma mineradora a 80 km dali, pois a aduana na entrada da Reserva Eduardo Avaroa estava fechada nesse horário. Seguimos com receio de perder o horário e não encontramos ninguém quando chegamos ao posto. O guarda apareceu em 15 minutos e não queria fazer o processo; disse que deveríamos ter feito isso na entrada da reserva e nos mandou esperar. Cerca de 20 minutos depois, me chamou à sua sala e começou a inserir os dados no sistema Sivetur. Para quem viaja com carro próprio na Bolívia, ter os dados do veículo inseridos nesse sistema é fundamental. O consulado brasileiro em Santa Cruz de la Sierra informa que carros fora desse sistema podem ser confiscados e irem a leilão em pouquíssimo tempo, sem que os representantes brasileiros possam interferir.

Assim que recebemos os papéis, voltamos para a estrada e continuamos na direção da Laguna Colorada. Encontramos hospedagem no povoado de Huyallajara, onde todas as casas parecem terem sido transformadas em hospedagem ou vendinha. Além da “cozinha” (um cômodo com um tambor cheio de água e uma pia sem cano), dividimos uma garrafa de vinho boliviano com um casal de peruanos – longe de ser bom, pelo menos não deu dor de cabeça.

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Árbol de Piedra, uma das atrações do Deserto de Siloli.

Ao deixarmos a reserva, pagamos o valor dos ingressos, 150 pesos bolivianos por pessoa, já que não havia ninguém para nos cobrar na outra entrada. Paramos para admirar a Árvore de Pedra, antes de continuarmos pelo Deserto de Siloli. Não há uma estrada certinha e as diversas marcas de pneus na areia podem facilmente confundir os motoristas. Atravessamos esse trecho seguindo uma rota baixada do wikiloc e inserida no gps.

Pelo caminho, encontramos diversos Land Cruisers, o carro favorito dos bolivianos para transportar os turistas e acelerar pelo deserto como se não houvesse costelas de vaca. Apesar de ninguém falar nada, pelo jeito como nos olhavam em algumas paradas, tínhamos a sensação de que éramos mal vistos pelos guias por estarmos ali com carro próprio.

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Encontro inesperado com ciclistas franceses.

Mas o deserto trouxe uma boa surpresa para nós. Encontramos dois ciclistas franceses, os irmãos Clément e Aurélien, que saíram da Colômbia com destino ao Ushuaia. Oferecemos água a eles e ouvimos algumas histórias sobre viagens e o projeto Ocean Cleaner’zh de limpeza e conservação dos oceanos, promovido pelos dois em parceria com mais um amigo.

Uyuni é meio caótica, as regras de trânsito não parecem ter muito valor por ali e a cidade em si não tem muita graça. Tudo é centrado no turismo, com várias agências e seus pacotes clássicos para o salar e arredores, hotéis e restaurantes. Estes oferecem praticamente o mesmo cardápio, que inclui de pizza a comida mexicana, com opções variadas de bebidas a base de café. Jantamos uma pizza nada especial e nos surpreendemos com a cerveja de quinoa – lembrava uma weissbier e era bem boa. Fiquei surpresa também com a quantidade de coreanos passeando por ali – dois dos quais protagonizaram um ensaio fotográfico de casamento no cemitério de trens.

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Hotel, restaurante e lojinha no Salar de Uyuni.

Na beira do Salar de Uyuni, contratamos um guia para percorrer um trecho dessa imensidão de sal e fomos até o hotel, onde também funciona um restaurante e uma lojinha de souvenir, claro. Não arriscamos ir com nosso carro porque o sal detona os veículos; além disso, os bolivianos já ficam preparados, forrando a parte de baixo dos carros com lonas.

No caminho entre Uyuni e Villazón, passamos por dois pedágios. Embora um deles fosse bastante informal – uma cancela no meio da estrada com uma casinha ao lado – e bem mais caro (pagamos 20 pesos bolivianos neste e 5 no outro), nosso maior susto foi quando dois militares nos pararam entre as vilas Oploca e Tupiza.

Para nosso azar, ainda trazíamos um galão de combustível, que compramos para cruzar o trecho das lagunas e não foi necessário. Ao revistar o carro, um deles obviamente encrespou com isso. Argumentamos que nos inspiramos nos bolivianos e o questionamento seguinte foi sobre o quanto pagamos pelo litro de gasolina, já que o combustível é vendido por preços diferentes para bolivianos e estrangeiros. Não me recordo os valores exatos, mas quem vem de fora paga o dobro. Até recebemos a “dica” para irmos aos postos com galões, darmos os números dos nossos RGs e enrolarmos um pouco na pronúncia dos nossos sobrenomes (no meu caso, é impossível!) para pagarmos mais barato. No entanto, a Bolívia já é um país de gente sofrida e que passou por tanta exploração, que em momento algum cogitamos essa possibilidade.

O militar aquietou-se ao receber a resposta sobre nossas profissões. Nosso interrogador devolveu nossos passaportes e a carteira de motorista do Artur, disse para esvaziarmos o galão e seguirmos viagem. Considerando o que li em relação ao confisco dos carros não inseridos no Sivetur, fiquei surpresa porque ele não pediu nenhum documento referente ao veículo.

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Paisagens bolivianas a caminho da fronteira de Villazón.

A fronteira de Villazón e La Quiaca é integrada e os trâmites de migração são feitos apenas no guichê argentino – assim, não há carimbo de saída da Bolívia no passaporte. Conversamos bastante com o oficial argentino que fez nossa aduana e suspeitamos que ele passou um pano para nós com o responsável pela revistas dos carros. Depois de um tempão examinando toda a bagagem de uma família argentina, ele mal olhou nosso porta-malas e nos liberou.

Argentina

No caminho para Salta, vimos uma procissão da Virgem da Candelária, que fechava parte da rodovia. Embora as pessoas dessa região sejam claramente de origem indígena, a devoção à santa católica mostra bem a influência dos colonizadores espanhóis.

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Artesanias de Uquía.

Sem pressa, aproveitamos para conhecer algumas vilas charmosas que estavam em nosso trajeto. A primeira parada foi em Uquía, que se destaca pelo artesanato de cerâmica e objetos diversos feitos com o tronco seco dos cardones.

Cercada por montanhas, Tilcara é uma graça e estava bem movimentada com muitos turistas argentinos. Aproveitamos para dar umas voltas pelo centro e comer empanadas e alfajores antes de voltarmos para a estrada. Fizemos ainda uma parada em Purmamarca, famosa pelo Cerro de los Siete Colores e ainda mais turística.

Depois de tantos dias passando por lugares pequenos, foi estranho chegarmos a uma cidade grande como Salta. Por azar, nosso dia livre na cidade era uma segunda-feira e alguns dos museus que queríamos visitar estavam fechados. Por outro lado, no Museu Histórico do Norte, tivemos a sorte de encontrar o Wildo, um guia muito simpático e que ficou animado com a curiosidade deste casal brasileiro.

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Videiras de uma dentre as diversas bodegas de Cafayate.

O próximo destino era Cafayate, incluído na lista por ser a cidade com as vinícolas em maior altitude do mundo, a 1.683m acima do nível do mar. Em um dia, fizemos três visitas guiadas, sendo duas com degustação. A Piattelli e a El Esteco são as maiores e com processos mais modernos. Visitamos ainda a Nanni, que produz alguns vinhos orgânicos e cuja visita é gratuita – paga-se à parte a degustação.

De volta ao Brasil

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Amigos queridos!

Ao pesquisar o caminho de volta para a casa, optamos por cruzar a fronteira em San Javier/Porto Xavier e passarmos pelo sítio dos amigos Ana e André, também conhecidos como Pedarilhos, que moram em Tangará-SC. Fiquei muito feliz por, finalmente, conhecê-los pessoalmente. Embora rápida, foi uma visita divertidíssima!

Dicas

Meus textos aqui são longos e sei que nem todo mundo tem paciência para lê-los. Então, para facilitar, decidi colocar algumas dicas aqui no final.

San Pedro de Atacama

  • Hostel El Anexo: melhor custo benefício que encontramos em San Pedro de Atacama. A simpática dona sempre reserva algum espaço para camping e motorhomes.
  • Franchuteria: MELHOR padaria da vila sem um pingo de dúvida. Deu água na boca só de pensar nos croissants.
  • Café Bumkaldi: foi o único lugar onde encontramos um café bom. Oferece ainda empanadas e bolos – opções veganas também.
  • Empório Andino: fica numa das pontas da Calle Caracoles e oferece ótimas empanadas.

Tilcara

  • Makoka: lugar charmoso, com um café gostoso e alfajor recheado com doce de cayote (a fruta, parente da abóbora, é chamada de gila em português e é comum no sul do Brasil). No local, é possível encontrar diversos livros sobre culinária local, cultura indígena e sobre a dominação espanhola.

Salta

  • Hostel Yatasto: nossa hospedagem em Salta, com garagem.
  • El Charruá: dica da dona do hostel, agradou à vegetariana e ao onívoro.
  • Casa Moderna: localizado na Calle España, 674, a casa não é nada moderna. Trata-se de um empório antigo – e lindo! Infelizmente, não é permitido tirar fotos.

Cafayate

  • Hostal Caetano: foi o melhor custo-benefício que encontramos na cidade.
  • Bodega Nanni: oferece visitas guiadas gratuitas – a degustação, no final, é paga à parte. Quem faz a visita tem direito a um voucher de desconto (5%) para jantar no restaurante que funciona dentro da vinícola – o desconto é ainda maior para quem pagar em dinheiro. Jantar delicioso!!

Apps

A navegação durante a viagem foi feita basicamente com os aplicativos abaixo. A exceção foi a rota das lagunas, onde usamos um aparelho de gps (eTrex 35) com um track baixado do wikiloc.

  • Google Maps: descobri nesta viagem que o app possibilita baixar mapas para consultas offline.
  • iOverlander: traz dicas de locais para camping (tanto selvagem quanto com estrutura), restaurantes, pontos de água, mecânicos, bancos, fronteiras entre outros. Conteúdo atualizado pelos próprios usuários, é mais voltado para quem viaja de carro, mas encontrei dicas e informações postadas por ciclistas.
  • Maps.me: recomendado pelo casal de peruanos, também traz dicas para viajantes e traça rotas utilizando carro, transporte público, bicicleta e até a pé. É preciso baixar os mapas antes.

#michayarturoenlaruta

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Pedalando pelo Equador

Chimborazo

Chimborazo, o maior vulcão do Equador.

A inspiração para as férias veio de um blog que sigo, o While Out Riding, do Cass Gilbert. Junto com os irmãos Dammer, ele pedalou a Transecuador e teceu mil elogios ao país.

Decisão tomada e passagens compradas, começamos a pesquisar sobre cicloviagens pelo Equador e a ansiedade crescia a cada foto de paisagem bonita que víamos ou relato interessante que líamos. E, como nenhum de nós conhecia o Equador, achamos legal descobrirmos esse país juntos.

Quito

A viagem começou na capital do país, Quito, onde passamos quatro dias para descansarmos da correria pré-férias e conhecermos um pouco da cidade.

Pichincha

Teleférico em Quito.

Seguindo a dica do Mathias Fingermann, fomos pedalando até o teleférico que leva ao vulcão Pichincha e subimos com as bikes. O ingresso custava 8 dólares por pessoa, porém, como desceríamos de bicicleta, pagamos 6 dólares para os dois.

Esse desconto existe porque ali há uma pista de downhill. Muitas pessoas sobem com o teleférico, mas descem pedalando e algumas cabines têm até um suporte para pendurar bicicletas. Só que ao invés de encarar esse downhill, optamos por uma estrada que segue para a zona sul da cidade.

O começo era cheio de pedras, mas depois se transformou numa estrada de terra batida. Aos poucos, começaram a surgir algumas casas até que chegamos ao início de um bairro. Fomos pedir informação a um agente de trânsito que estava ali, pois havia uma bifurcação. Ele não quis nos deixar seguir pedalando, pois ali era perigoso e blá-blá-blá e tivemos que “pegar uma carona” num ônibus de linha, que nos deixou no centro histórico, de onde continuamos pedalando.

Vimos muitas pessoas pedalando em Quito e há investimentos na cidade para incentivar esse modal. Além de algumas ciclovias, há bicicletas públicas para alugar e, aos domingos, uma das principais avenidas da cidade, a Avenida Río Amazonas é fechada para carros e por ali circulam apenas pedestres e bicicletas.

Apesar disso, achei um pouco tenso pedalar em Quito. A buzina impera e os motoristas, em geral, são imprudentes. As rotatórias em algumas grandes vias também não são muito convidativas para ciclistas.

Palugo

Nosso primeiro dia pedalando foi de Quito para a vila Palugo. A saída indicada pelo Google Maps era pela mesma estrada que liga a cidade ao aeroporto e, próximo à entrada do túnel, há uma faixa enorme proibindo bicicletas. Pedimos informação para dois guardas de trânsito e eles nos mandaram exatamente por ali.

Ainda no Brasil, tinha entrado em contato com os irmãos Thomas, Mijael e Mathias Dammer e combinamos uma visita. Eles moram nos arredores de Quito e trabalham com agricultura orgânica, além de serem guias de montanha.

O sítio Nahual é lindo e a estrutura visa à sustentabilidade: água aquecida por meio de energia solar, banheiros secos, construções de adobe. Fomos à casa de um dos irmãos e adoramos o que vimos. Tendo como principais materiais o adobe, a madeira e o vidro, o sobrado é bastante aconchegante.

No começo da noite, nos reunimos com os três e, munidos de mapas e de um notebook, fomos refinando a rota previamente traçada. Eles já pedalaram todos os caminhos que queríamos fazer e tinham dicas excelentes.

Só achei curioso o fato de eles não passarem as distâncias em quilômetros. Quando perguntava sobre a quilometragem de uma cidade para outra a resposta era em tempo. “Ah, de Isinlivi para Quilotoa é um dia de pedal.”

Cotopaxi

Nos despedimos dos irmãos e pedalamos um trecho urbano no sentido do aeroporto antes de entramos na ciclovia El Chaquiñán. São cerca de 21 km ligando as cidades de Puembo a Cumbayá com paisagens bem bonitas. Cruzamos com alguns ciclistas treinando por ali e acabamos pedalando mais do que precisávamos, pois nossa saída era em Tumbaco.

El Chaquiñan

Ciclovia El Chaquiñan.

Deveríamos passar por um tal de Portal de Villa Vega, porém, nosso esquema de PPS (pare-pergunte-siga) não estava funcionando muito bem, pois cada pessoa com quem conversávamos nos indicava um caminho diferente. Como tínhamos o nome do nosso próximo destino, aproveitamos uma lan house para checarmos a rota. Direção mais ou menos confirmada, partimos rumo à vila La Merced, onde passamos a noite.

Depois de tomarmos café da manhã e abastecermos nossa “despensa”, pegamos a estrada. O começo tinha muitas pedras e subidas, mas ficamos muito animados quando avistamos, pela primeira vez, o Cotopaxi. Pegamos um trecho de rodovia, porém, logo voltamos para estradas de paralelepípedos. Embora estivéssemos subindo constantemente, a inclinação não era ruim. O que segurava nosso ritmo era a irregularidade da estrada.

Pela rota que pesquisamos, seria um dia apenas subindo. Por isso, quando começamos a descer bastante eu já sabia que havíamos errado o caminho. Pedimos informação para um senhor que passava por ali de trator e ele nos disse que estávamos perto da vila de Patichubamba, uma das referências de rota dos irmãos Dammer. Menos mal.

Ainda faltavam 30 km até o Parque Cotopaxi e não chegaríamos lá com luz do dia. Por isso, aproveitamos a hospedagem encontrada no caminho e encerramos os trabalhos mais cedo. O senhor que nos recebeu no camping fez questão de frisar que estávamos a 2.970 m acima do nível do mar.

Cotopaxi

Da estrada para a trilha, a caminho do Cotopaxi.

No dia seguinte, tivemos um início tranquilo. Já estávamos a mais de 3.000 m e ainda havia bastante vegetação. Depois de uma estradinha que lembrava a Mantiqueira, veio mais uma dúvida sobre o caminho. Tínhamos que cruzar um rio, mas não encontrávamos a ponte para atravessarmos. Deixamos as bikes num canto e fomos checar a trilha a pé. Encontramos uma pequena ponte de madeira e foi por aí mesmo que seguimos.

Saímos num cruzamento de estradas e aproveitamos para almoçar no restaurante que há ali. Milho e favas cozidos acompanhados de queijo branco. Ficamos um tempo conversando com o dono do lugar e um senhor que apareceu logo depois.

Pedalamos os últimos quilômetros até o parque com vento contra, um pouco de chuva e frio. A passagem pelo Control Norte foi tranquila, tivemos apenas que apresentar nossos passaportes para registro e não pagamos nada. Seguimos de lá para a hospedagem Tambopaxi.

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Luzes acesas no Refúgio José Ribas.

Ao escolhermos a hospedagem, resolvemos nos mimar um pouco. Ao invés de camping ou alojamento, optamos por um quarto não compartilhado, o que, no Tambopaxi, significa um quarto na ala VIP. Além do banho mais quente da viagem, tínhamos uma vista incrível para o vulcão e decidimos passar duas noites ali.

Depois do descanso, continuamos a viagem dentro do parque. O pedal começou com um pouco de vento contra que se tornava a favor conforme as curvas do caminho. Pela primeira vez na viagem, passamos dos 4.000 m.

Cotopaxi National Park

Com a chuva, veio o frio.

A subida estava tranquila até a chuva começar. A combinação de vento, chuva e altitude fez com que a sensação térmica caísse muito rapidamente. As mãos estavam bastante geladas e, mesmo colocando luvas mais quentes, elas não esquentavam.

Queríamos chegar a uma cabana abandonada indicada pelos Dammer, porém, no meio do caminho tinha um portão e um aviso de que se tratava de propriedade privada. Ficamos alguns minutos parados ali e, enquanto pensávamos no que fazer, a chuva foi aumentando. Decidimos voltar um pouco, sair da estrada e levantarmos acampamento.

Cotopaxi

Nada mal acampar com essa vista.

Ficamos algum tempo na barraca, ouvindo a chuva cair e nos aquecendo. Quando ela passou, fomos explorar o lugar e nos surpreendemos ao perceber o quão perto do Cotopaxi estávamos. O tempo fechado de antes tinha escondido o vulcão completamente. Dormimos a 4.050 m acima do nível do mar, com um vulcão no “quintal” da nossa barraca e temperatura próxima de 0°C. Foi uma ótima noite!

O dia amanheceu sem chuva, mas o tempo ainda estava um pouco fechado. Refizemos o caminho do dia seguinte, aproveitando para fotografar um pouco. O vento estava mais forte do que no dia anterior e, quando soprava contra, nos obrigava a pedalar até nas descidas.

Cotopaxi

Vida selvagem no Parque Nacional Cotopaxi.

Passamos pela Laguna de Limpiopungo, que tem uma ótima vista do vulcão Rumiñahui, e depois seguimos para o Control Sur, saindo do Parque Nacional do Cotopaxi. Pegamos um trechinho da rodovia Panamericana e logo chegamos à cidade de Lasso, onde passamos a noite no hostel Cabaña de los Volcanes.

Quilotoa

A saída de Lasso foi chatinha, pois começava numa rodovia estreita e com muitos caminhões. O movimento foi diminuindo e, na primeira bifurcação com placa para Isinlivi, voltamos a pedalar numa estrada de pedras, numa subida suave.

Depois veio a primeira serra com curvas tão fechadas que a apelidamos de “caracoliños”. Pelo caminho, cruzamos com muitas caminhonetes que fazem o transporte de camponeses, moradores e alunos da região.

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Caracoliños no caminho para Isinlivi.

Com poucos quilômetros rodados, já percebemos uma grande mudança na paisagem e nas feições das pessoas. Esta é uma região mais rural e havia muitas plantações, que quase nunca conseguíamos identificar. E a população tem traços mais indígenas e usa roupas tradicionais, principalmente, as mulheres.

Logo alcançamos a segunda serra e o vento contra não dava trégua. Já tínhamos passado dos 3.000 m e cada vez que parava para recuperar o fôlego, ficava impressionada com o quanto tínhamos subido.

Isinlivi

Depois de chegarmos a 3.900m, começou a descida para voltarmos aos 2.900m.

A descida foi longa e gelada: cerca de 15 km de muitas curvas, pedras e névoa que escondia parte do caminho. Ficamos hospedados no hostel Taita Cristobal e gostamos muito. Pagamos 14 dólares por pessoa por um quarto com banheiro privativo e esse valor incluía também o jantar e o café da manhã. E ainda ficamos um bom tempo conversando com o dono, o Paco.

Queríamos sair cedo, porém, amanheceu chovendo e, enquanto esperávamos o tempo melhorar, ficamos jogando dominó. Depois de três partidas, fomos para a estrada. Logo no começo, encaramos uma boa descida seguida de uma boa subida. Isso foi apenas uma prévia do dia, que teve muito sobe-e-desce e um pouco mais de chuva.

Fomos passando por vários pueblos indicados pelo Paco e quase todas as pessoas que encontramos pelo caminho nos cumprimentavam e algumas ainda perguntavam de onde estávamos vindo e para onde iríamos. Era só falar Quilotoa para ouvir “ih, estão longe”.

Tunguiche

Os irmãos Gilmar, Emerson e Danilo voltando da escola em Tunguiche.

O trecho de Tunguiche para Pilapuchin foi bastante cansativo. De novo subimos um “caracoliños”, só que desta vez combinado com areia, que passou a fazer parte do caminho por vários quilômetros.

Passamos por uma bifurcação para Shalala, mas seguimos no caminho para Quilotoa, pois não sabíamos como era a estrutura da vila. Depois descobrimos que foram feitos investimentos em Shalala para receber turistas que querem visitar a Laguna Quilotoa: camping, pousada, restaurantes e um deck de observação.

Quilotoa

Descendo até a beira da lagoa Quilotoa.

A vila Quilotoa funciona em torno da laguna. O comércio por ali é formado basicamente por hostels, restaurantes, lojas de souvenirs e vendinhas.

Tinha lido uma recomendação sobre o hostel Cabañas Quilotoa e o fato de ter aquecedor em cada quarto me animou a ficar ali. Como era logo na entrada da vila, infelizmente não vimos as outras opções. Pagamos 20 dólares por pessoa com jantar e café da manhã. O problema é que o lugar era sujo e as donas agiam como se estivessem nos fazendo um favor e não prestando um serviço.

No dia seguinte, fomos até a beira da laguna. Um guia online indicava meia hora para descer e uma hora para subir. Subimos em 40 minutos, mas com várias paradas para descansarmos um pouco. Há quem alugue mulas para evitar esse desgate.

Depois de almoçarmos, fomos para Zumbahua. Sem dúvida, foi o pedal mais fácil da viagem toda: 12,4 km de descida. Nessa região, há várias feiras tradicionais, que acontecem cada dia da semana em uma cidade diferente. A de Zumbahua é aos sábados e não queríamos perdê-la.

Zumbahua

Mercado em Zumbahua.

Levantamos cedo e fomos primeiro ver a feira de animais, que acontece a algumas quadras da praça. O negócio funciona com os donos dos bichos parados segurando os animais presos a cordas a espera dos compradores. Havia muitos porcos, ovelhas e algumas lhamas. A outra feira tinha barracas de frutas, de secos e molhados, roupas, sapatos, lã e comida. Aproveitei para comprar algumas frutas.

A feira traz vida para a cidade. Tivemos a impressão de que muitos que ali estavam usavam suas melhores roupas, como se aquele fosse o momento mais esperado da semana. Depois de fazermos muitas fotos, fomos pegar o ônibus para Angamarca.

Chimborazo

Embarcamos num ônibus lotado e viajamos quase o tempo todo em pé. Os bagageiros estavam cheios e as bicicletas foram no teto do ônibus. A cada virada brusca na beira de precipícios, eu ficava agoniada com medo das bikes saírem voando.

Desde o momento em que descemos do ônibus tive uma sensação ruim em relação à Angamarca. Conversamos com poucas pessoas ali, mas parecia que queriam sempre tirar algum proveito. Para ajudar, começou a chover forte e o caminho por onde deveríamos seguir ficou intransitável até para 4×4. Ou seja, seria uma subida íngreme escorregando na lama.

Acabamos voltando para Zumbahua e, de lá, seguimos para Latacunga, onde passamos a noite e refizemos nosso roteiro. Demos mais um descanso para nossas pernas e fomos de ônibus até Riobamba. Não tinha lugar para sentarmos e o cobrador falou para irmos na cabine com o motorista. Conversamos tanto que fui a viagem inteira ali.

Chimborazo

Visão privilegiada do Chimborazo.

Saindo de Riobamba, pegamos uma estrada secundária para irmos ao Chimborazo. Por boa parte do caminho, pedalamos em direção a nuvens escuras e sem qualquer visão do Chimborazo. Porém, conforme nos aproximávamos, o tempo foi melhorando e logo as nuvens começaram a se dissipar.

Passamos por um pueblo bem na hora da saída da escola. As crianças ficaram ao nosso redor, bastante curiosas. Numa subida, duas menininhas começaram a empurrar a bicicleta do Artur e depois vieram fazer o mesmo comigo. Descemos das bikes e fomos andando lado a lado e conversando um pouco com elas.

Antes da estrada de asfalto para a Reserva do Chimborazo, encontramos um local perfeito para acamparmos com vista privilegiada para o vulcão. Deixamos as bikes na estrada e fomos procurar um lugar para montarmos a barraca. Nisso, um carro de polícia parou. Os policiais não tinham nos visto e ficaram intrigados com as bikes no caminho. Fomos conversar, explicamos sobre a viagem e perguntamos se era permitido acampar por ali. Um deles respondeu: proibido não é, mas é perigoso. Eles foram embora e pensamos: não passa ninguém aqui, como vai ser perigoso?

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Irmãs curiosas.

Foi só falarmos e uma caminhonete estacionou e dela saíram duas mulheres, um homem e duas crianças. Eles tinham ido ali cortar capim para aquecer os animais. O Artur ficou cerca de uma hora conversando com o cara e eu, com as crianças. As mulheres cortaram todo o capim sozinhas e o cara ficou apenas observando.

Resolvemos procurar outro lugar para acampar e seguimos em frente até uma vila que parecia abandonada. O Artur foi na frente e logo voltou dizendo: há uma opção de hospedagem, por 12 dólares o quarto ou podemos acampar de graça. Converse com a belga que está por lá. E ele voltou para a estrada para tirar fotos do Chimborazo, que estava lindo nesse final de tarde.

Chimborazo

Camping próximo ao Chimborazo.

Tínhamos lido sobre a Casa Condor em algum site, mas o lugar parecia abandonado e foi uma surpresa encontrarmos os belgas Justine e Edward. Optamos pelo camping, mas aproveitamos a cozinha para prepararmos o jantar e muito chá.

Logo chegaram os mexicanos Cynthia e Gustavo que estão viajando num Fusca. Ambos os casais têm a meta de chegar a Ushuaia. Porém, os belgas juntaram dinheiro e planejam viajar por um ano, enquanto os mexicanos estão na estrada há dois anos e vão trabalhando pelo caminho para bancar a viagem.

Mesmo tendo ido dormir tarde por causa das boas conversas, acordamos cedo por causa do barulho do vento. Arrumamos nossas coisas e tomamos café da manhã com calma, antes de nos despedirmos dos casais.

El Arenal

Atravessando a região desértica El Arenal.

Tínhamos bastante subida pela frente e muito vento, em alguns momentos a favor, mas quase sempre contra. A maior parte do caminho foi pela região El Arenal, um ecossistema chamado de páramo seco, de clima desértico.

Nas laterais da estrada, havia barrancos que pouco a pouco estão sendo desgastados pela erosão causada pelo vento. Pudemos sentir um pouco disso na pele, pois o vento trazia areia e até algumas pedrinhas que batiam com força no capacete e no rosto.

El Arenal

Vicuñas.

El Arenal é também uma área de preservação da vicuñas e tivemos a sorte de encontrarmos dois grupos grandes desses animais na beira da estrada.

Quando cruzamos a estrada Ambato-Guaranda, nos despedimos do Chimborazo. O vento contra com areia ficou ainda pior e eu tive dificuldade de pedalar nesse trecho. Mas logo veio a descida. Chegamos a um pequeno povoado e ali decidimos seguir por um trecho de downhill. Foram 7km descendo ao lado de um vale lindo e então chegamos à Salinas.

Salinas

Tinha lido sobre a cidade no blog do Cass, mas eu quis conhecer o lugar depois de ler um post que o Artur achou na internet. Salinas tem esse nome porque, 40 anos atrás, sua economia girava em torno de uma mina de sal, que pertencia a uma família muito rica. Até que um padre italiano foi morar na cidade e decidiu por fim a esse monopólio. Ele conseguiu empréstimos e organizou uma cooperativa para produzir queijo.

Salinas

Queijaria em Salinas com capacidade para processar 10 mil litros de leite por dia.

Esse modelo deu tão certo que começaram a surgir outras cooperativas e, atualmente, são 30 pueblos integrados com Salinas produzindo queijos (gruyére, parmesão, dambo e outros), chocolates deliciosos, lã de alpaca e de ovelha, frutas e cogumelos desidratados, produtos de soja e até bolas de futebol. Alguns produtos são exportados para Alemanha, Itália, Finlândia e Japão.

Salinas

O Tour Salinerito passa pelas principais fábricas da cidade. Pagamos 15 dólares para duas pessoas.

Depois do tour, sentamos num banquinho da praça e fomos abordados pela polícia da imigração que queria ver nossos documentos. Eles nos acompanharam até o hostel, onde estavam os passaportes, e, embora o policial tentasse manter uma pose de durão perguntando quando chegamos, por onde entramos, quanto tempo ficaríamos no país e tal, ao ouvir que estávamos viajando de bicicleta, a policial abriu um sorriso e exclamou “¡que chévere!”.

Salinas

Gianpaolo: ótima conversa e excelente comida.

Nesses dias em Salinas, conversamos bastante com um italiano que mora no Equador há 12 anos, o Gian Paolo. Fomos três vezes à pizzaria dele e ficamos, pelo menos, duas horas e meia batendo papo. De Salinas, pedalamos até Guaranda, onde pegamos um ônibus de volta para Quito.

Trechos pedalados

Palungo – La Merced 57 km – 824 m acumulados
La Merced – Molinuco 25 km – 693 m acumulados
Molinuco – Tambopaxi 30 km – 1.039 m acumulados
Tambopaxi – meio volta do Cotopaxi 28 km – 426 m acumulados
Meia volta do Cotopaxi – Lasso 53 km – 269 m acumulados
Lasso – Isinlivi 46 km – 1.108 m acumulados
Isinlivi – Quilotoa 33,8 km – 1.496 m acumulados
Quilotoa – Zambahua 12,4 km – 83 m acumulados
Riombamba – Casa Cóndor 30 km – 1.245 m acumulados
Casa Cóndor – Salinas 37 km – 1.006 m acumulados
Salinas – Guaranda 23,8 km – 217 m acumulados

Comida

Em geral, a comida do Equador não empolgou muito. As refeições quase sempre eram compostas por uma sopa (a maioria de macarrão com frango) e o prato principal com arroz, lentilha (às vezes), salada e carne.

Nas cidades pequenas, embora os restaurante até tivessem um cardápio, normalmente, havia apenas uma opção. Em Lasso, assim que sentamos, o garçom trouxe dois copos de suco e depois as tigelas de sopa. Devolvi uma delas porque tinha frango e avisei que não como carne. Ele fez uma careta e disse que só tinha arroz, salada e ovo para mim.

Na primeira noite no Tambopaxi, pedimos o menu completo. A sopa de entrada era muito gostosa: um creme de batata com queijo e uma fatia de abacate. Depois, vieram batatas fritas e carne para o Artur e berinjela para mim. Tudo estava delicioso, porém, as porções deixavam a desejar para quem tinha pedalado o dia todo. Pedi mais uma porção de sopa para cada um e eles capricharam mais.

Em Isinlivi, comemos muito! Além de sopa de legumes, comemos couve-flor e brócolis, uma salada morna de tomates, ervilhas, pimentões e cogumelos, pequenas panquecas de batata e bolinho de chuva servido com melado como sobremesa.

Zumbahua

Frutas deliciosas.

Experimentamos sucos de frutas locais como naranjilla e tomate de árbol, que, como o nome diz, cresce em árvore e é delicioso. Comi physallis direto do pé e comprada na feira e experimentei a versão mais doce que há do maracujá, a granadilla. Já sinto falta dessas frutas.

No restaurante em que almoçamos em Riobamba quase não havia opções para mim. O rapaz abriu uma exceção e me serviu um prato do menu do café da manhã: patacones (banana verde frita) recheados com queijo e acompanhados de ovos fritos. Não me imagino começando o dia com uma refeição dessas.

Nos primeiros dias em Quito, fomos à cervejaria Cherusker. Fiquei feliz por encontrar um hambúrguer vegetariano no cardápio. Estava bom, mas não era nada demais. As cervejas da casa, por outro lado, são muito boas.

Para encerrar a viagem, em nossa última noite no Equador, fomos comemorar na Cervecería Abysmo. A parte de comida era fraca. Não havia nenhuma opção vegetariana, mas eles modificaram o prato de nachos para mim. Ainda assim, tinha tanto queijo cremoso que fiquei logo enjoada. Pelo menos, as cervejas deles são muito boas! Aproveitamos uma promoção e tomamos três tipos: vanilla coffee ale, honey ale e a weissbier da casa.

Enfim

Chimborazo

Terra de vulcões.

As paisagens equatorianas são realmente lindas e não é preciso percorrer grandes distâncias para ver cenários bastante diversos. As pessoas foram muito amigáveis e o fato de estarmos de bicicleta nos permitiu ter um contato maior com elas, que, em alguns casos, nos paravam no meio da estrada para conversar.

Essa viagem foi completamente diferente de todas as que eu tinha feito até então. E foi, sem qualquer dúvida, uma das mais gostosas!

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