Itajubá-Virgínia-Itajubá de bike

Itajubá - Virgínia

Estradinhas tranquilas pelos Caminhos da Mantiqueira.

No começo do ano, um dos meus melhores amigos, o Giu, me perguntou quais os meus planos para o Carnaval, pois ele queria cicloviajar. Como passei essa data na Alemanha, adiamos esse plano até o feriado de 1º de maio.

A rota rabiscada foi para dois dias passando por cidades dos chamados circuitos Caminhos da Mantiqueira e Terras Altas da Mantiqueira.

Na sexta-feira à tarde, fomos de carro de São Paulo até Itajubá para começar o pedal no dia seguinte. Aproveitei para encontrar o Denis, do Itajubikers, que conheci numa cicloviagem durante o Carnaval de 2015. Faltou o reencontro com a Deise e com o Egg.

De Itajubá à Virgínia

Depois de um bom café, pegamos uma estrada no sentido de Maria da Fé, porém, foi só com cerca de 12 km que entramos na estrada antiga que liga Itajubá à Maria da Fé. Fomos subindo, subindo, subindo… Quase no topo, encontramos um ciclista que passou por nós na cidade descendo todo feliz.

Em Maria da Fé, fizemos uma foto na antiga estação de trem e, como ainda tínhamos bastante chão pela frente, decidimos fazer uma parada rápida no bar de um posto de gasolina que estava no nosso caminho ao invés de almoçarmos em um restaurante.

Nesse trecho, a estrada é de paralelepípedos e a subida foi mais suave do que eu me lembrava. Paramos para fotografar umas plantações de café e logo reencontramos a terra. Aqui e acolá, passávamos por localidades que não sei identificar se são bairros ou distritos. Em uma delas, perguntei ao rapaz que dirigia um trator qual era o nome do lugar e a resposta veio carregada com o sotaque mineiro, que acho uma graça: “Aqui é Mata, Madibaixo. Se cês continuarem, cês vão passar por Madicima”.

Das Matas, fomos para Pintos Negreiros por uma estrada diferente da que eu havia pedalado antes. Paramos no mercadinho para mais um lanche e voltamos para a estrada. A subida não era tão íngreme, mas a lama, os buracos e as pedras fizeram com que o pedal não rendesse.

Itajubá - Virgínia

“Trânsito” intenso pelo caminho.

Neste ponto, tivemos dúvida se estávamos no caminho certo, pois, além de não encontrarmos ninguém nesse trecho, o mato estava crescendo na estrada indicando que não há muito movimento por ali, além das vacas.

Numa curva pouco depois, erramos uma entrada – achei que fosse apenas a entradinha de uma casa. Começamos a voltar quando encontramos um senhor de moto, que nos informou que a estrada indicada na rota que tracei estava interditada e só dava para passar a cavalo. Eu já estava pronta para tirar a prova, quando ele acrescentou: “mas se vocês continuarem por aqui, vão sair em Virgínia e até lá é só descida”. Depois disso, deixamos a possibilidade de roubada para lá.

A descida até Virgínia foi uma delícia! A primeira coisa que fizemos foi procurar hospedagem e ficamos na mesma pousada onde dormi no Carnaval de 2016, a Bela Vista. Pedimos pizza para o jantar e dormimos cedo.

De Virgínia a Itajubá

Depois de uma enroladinha básica, partimos. O começo foi bem tranquilo e, quando a subida começou, achei aquele trecho muito familiar: passei ali de carro no ano anterior e, na hora, pensei que seria bem legal pedalar por ali. Realmente foi bem legal!

Itajubá - Virgínia

Pausa para uma mexerica antes de chegarmos a Marmelópolis.

Mesmo com algumas paradas para fotos, logo chegamos a Marmelópolis. Almoçamos no restaurante Di Minas, que eu também já conhecia e acho bem bom. Comida fresquinha, orgânica, suco de marmelo e atendimento pra lá de atencioso.

Neste ponto, o Giu já tinha desistido de seguir pedalando. As pernas estavam inteiras, mas ficar sentado no selim não estava muito agradável para ele. Enquanto comíamos, fiquei ponderando duas opções: manter a rota original e correr o risco de entrar numa roubada por causa do horário – ainda teria 15 km de subida puxada, sem a menor ideia das condições da estrada – ou ir pelo asfalto, que eu já conhecia. Acabei ficando com a segunda opção e, depois de me despedir do Giu, fui encarar a Serra da Goiabeira, mas no sentido contrário ao que havia pedalado anteriormente.

Itajubá - Virgínia

Subindo a Serra da Goiabeira sentido Delfim Moreira.

Como a subida era longa, fui girando tranquila, sem pressa, afinal eram apenas 18 km até Delfim Moreira e uma parte seria de descida. Cheguei ao topo em 1 hora, parei para fotografar a placa da divisa entre as cidades e, assim que subi na bicicleta, dois motoqueiros apareceram na curva e diminuíram a velocidade quando me viram. Comecei a descer e eles ficaram atrás de mim por um tempinho, fazendo umas “graças”. Fiquei ressabiada e acabei descendo um pouco mais rápido, mas o alívio veio logo que eles me ultrapassaram e sumiram nas curvas.

Em Delfim Moreira, mandei mensagem para o Giu e voltei para a estrada. Um senhor me indicou o caminho “da linha”, a antiga estrada de trem. Logo no começo, revi os mesmo motoqueiros da serra indo no sentido contrário ao meu e acompanhados por mais um cara. Aproveitei que a estrada estava boa e pedalei um pouco mais rápido.

Itajubá - Virgínia

Estrada “da linha”.

Num ponto, há uma bifurcação e o caminho da esquerda leva à rodovia. Decidi ir por lá para ganhar tempo, para não deixar o Giu preocupado e por um certo receio daqueles motoqueiros (pode parecer bobagem, mas o sexto sentido ficou meio alerta). O começo foi uma descidona linda e, mesmo sendo a rodovia principal, pouco movimentada. Fiz uma parada de dez minutos numa pamonharia no caminho e vi o ônibus que vinha de Marmelópolis passando.

A última parte teve alguns falso planos e mais veículos. A maioria dos motoristas foi legal e tomou distância ao me ultrapassar. Apenas um caminhão passou mais perto do que deveria, me assuntando um pouco. Logo estava na entrada da cidade e foi mais fácil do que esperava chegar ao hotel.

Quando bati na porta do quarto, o Giu ficou surpreso com o tempo que levei.

Gostei bastante do trecho entre Itajubá e Virgínia, mas quero voltar para pedalar também a rota originalmente traçada e tirar a prova sobre essa estrada por onde só passa cavalo (du-vi-do! hehe).

Para quem ficou curioso sobre os roteiros, deixo abaixo os links das rotas:

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Travessia Marins-Itaguaré

Marins - Itaguaré

O imponente Itaguaré.

Desde que fizemos a travessia Itaguaré-Marins em 2015, eu tinha vontade de repetir o percurso em um dia só. O Artur realizou o feito no final de 2016, em um tempo muito bom, e fomos juntos no feriado da Páscoa. 

Sair de São Paulo no começo da tarde de sexta-feira foi uma ótima ideia. Consegui descansar da semana corrida, arrumei minhas coisas com calma e ainda deu tempo de comprar pão e panetone (sim!) para o café da manhã na montanha. A viagem foi tranquila e, finalmente, conheci a estrada que passa pelo Bairro dos Marins.

Ficamos no Acampamento Base Marins, do Dito, que nos recebeu com simpatia. A primeira providência foi montarmos a barraca e ajeitarmos a cozinha. Preparei uma sopa de abóbora com cogumelos para o jantar e fomos deitar cedo.

Travessia Marins - Itaguaré

Café da manhã caprichado antes de encararmos a travessia.

Depois de uma noite mal dormida, enrolamos para levantar e saímos depois do horário programado. Fomos subindo num ritmo bom e chegamos ao Morro do Careca em cerca de meia hora. Quando contávamos duas horas de caminhada/escalaminhada, chegamos à bifurcação para o cume do Marins e a travessia sentido Itaguaré. 

Paramos para um lanchinho e decidimos não fazer o cume do Marins. A trilha, que até então estava bastante movimentada, ficou mais vazia e começou a soprar um vento forte. Eu olhava para as nuvens e torcia para o tempo não virar como na outra vez.

Travessia Marins - Itaguaré

Praticamente um pontinho na montanha.

Logo alcançamos o cume do Marinzinho e, mesmo estando um pouco aérea, o ritmo foi bom. A situação mudou um pouco na sequência. Para sair do Marinzinho sentido Itaguaré, há um lance de corda e, definitivamente, preferi subir essa parte do que descer. As nuvens estavam altas nesse momento e eu só enxergava um abismo branco.

O restante da travessia é marcado por muito sobe e desce. Nos trechos mais baixos, havia bastante vegetação – mais do que eu lembrava da outra travessia – e, de tanto me enroscar nos bambus, ganhei vários hematomas nas pernas.

Na Pedra Redonda, encontramos um pessoal que havia passado a noite ali. Papeamos um pouquinho e voltamos para a trilha. Um pouco mais adiante, cruzamos com um casal que estava fazendo a travessia no sentido oposto. A moça me reconheceu do final de semana anterior, quando participamos juntas do workshop de corrida natural durante a Abertura de Temporada de Montanha. Mundinho pequeno.

Marins - Itaguaré

O relevo apaixonante da Mantiqueira.

Reconheci o ponto onde dormimos na primeira travessia, com vista para o Itaguaré, mas é engraçado como minha memória é ruim para esses caminhos. Em vários pontos, era como se estivesse passando ali pela primeira vez. 

Numa área de camping mais próxima à base do Itaguaré, vi um cara juntando gravetos para fazer uma fogueira e empilhando-os justamente ao lado de uma placa que indicava “Proibido fazer fogueiras”. Lembrei do incêndio que atingiu o Marins por causa de um sinalizador de fumaça e fiquei brava, mas a rispidez dele quando o cumprimentei somada à cara de poucos amigos fez com que eu desistisse de dar bronca.

Mesmo na descida, o trecho de mata para chegar ao campinho do Itaguaré continua chatinho por causa das erosões. Aproveitei para matar a sede quando cruzamos o riacho pela primeira vez, mas resisti à tentação de catar os pinhões que estavam pelo caminho (hehe), pois logo iria escurecer e queríamos caminhar um trecho na estrada.

Travessia Marins - Itaguaré

Foram 13 km de travessia e 10 km de caminhada.

Para não chegarmos tão tarde ao Acampamento Base, ligamos para o Dito para pedir para o resgate nos encontrar pelo caminho, mas a ligação estava ruim e ficamos sem saber se ele entendeu ou não. Fomos andando por algumas das estradas da cicloviagem do carnaval de 2015 e bateu uma preguicinha no começo, mas depois entramos num embalo gostoso. Quando estávamos na bifurcação que leva para o centro de Marmelópolis, encontramos o Clóvis, que estava indo nos buscar. Por um minuto, não nos desencontramos.

Havíamos deixado o jantar encomendado e, além da comida caseira do fogão à lenha, o Dito e sua esposa prepararam pinhões – ganhei um monte e estavam deliciosos! De barriga cheia, tomamos banho e fomos deitar.

Acho que nem preciso falar que já estou com vontade de voltar, né?

Flickr.

Matando a saudade da Alemanha

Férias 2017

Me apaixonando pela Bavaria.

Mas você vai para a Alemanha de novo? Pois é! Sem um pingo de dúvida e apesar do alemão capenga de hoje em dia, a Alemanha é “minha casa longe de casa” e esta é uma viagem que há tempos queria fazer com o Artur. O roteiro foi bem tranquilo: Berlim, Alpes Alemães e reencontros com pessoas queridas. Faltou tempo para todos os encontros que gostaria, mas eu sempre vou embora com a sensação de que ainda volto para lá. É só uma questão de tempo.

Berlim

O primeiro dia já foi de fortes emoções: levei o Artur a uma loja da Stadler, a maior rede de bicicletarias da Alemanha. Minha vontade era de sair de lá com uma bike nova, mas comprei apenas uma revista. São tantas as opções que, quando estive lá em 2012, havia uma sessão apenas de monociclos!

Outro lugar onde daria para surtar fácil não fosse a cotação atual do euro é a loja Camp4. Me sinto consumista falando isso, pois queria levar, pelo menos, metade dos itens de cozinha. O orçamento é que não permitiu.

Férias 2017

Clássicos: Berliner Dom e a Fernsehturm.

Além de visitarmos essas lojas mais de uma vez, fizemos alguns passeios bem turísticos:

– a exposição permanente Topographie des Terrors sobre o período do nazismo;
– Brandenburgertor ou Portal de Brandenburgo;
– Alexanderplatz e Ferhnsehturm (Torre da TV) na antiga Berlim oriental, mas não demos muita sorte, pois a visibilidade estava ruim;
– Berliner Dom ou Catedral de Berlim: ô prédio lindo!
– East Side Gallery e um pouco do que resta do muro.

Visitamos dois mercados de pulgas. Fomos cedo ao da Boxhagenerplatz e ele estava um tanto quanto vazio e meio sem graça. Talvez porque eu tenha lembrança de quando o visitei durante o verão, mas aí é impossível competir porque a cidade toda ganha outros ares. Já o mercado do Mauerpark estava lotado. Há muitas quinquilharias, mas também roupas, acessórios e objetos de decoração feitos por artistas. Encontramos até um brasileiro que vende imãs e quadrinhos de fotos que ele tira pela cidade. No verão, rola uma karaokê bem legal e animado.

Comes e bebes

Berlim é um paraíso quando se trata de comida. É possível comer muito bem com pouco dinheiro. Vou deixar aqui uma listinha de restaurantes que gostei e recomendo:

Macondo: uma amiga me levou lá em 2012 e fiz questão de voltar. Tem as melhores empanadas colombianas!
Vineria de Este: sugestão de outra amiga. Eles servem várias opções para petiscar e tem diversos vinhos para harmonizar.
Tonkin: um vietnamita que surpreendeu. Vale a pena pedir os chás.
Yellow Sunshine: a primeira hamburgueria vegana a qual fui em 2003. Além de deliciosa, ao que parece, ela segue firme e forte.

Kopps: simplesmente a melhor refeição da minha vida! O Kopps é um restaurante vegano que serve comida saudável, local e orgânica de maneira original. Como eles mesmos definem: “por você, deixamos os vegetais sexy”. O Artur quis me surpreender com uma reserva para o Dia dos Namorados, mas tive que dar uma ajuda, pois o site de reservas era em alemão.

Os ingredientes do jantar eram simples, mas foram preparados de forma excepcional. Entradas com beterraba e cenouras coloridas, purê de nabo defumado (servido num vidro com tampa para preservar a fumaça), diferentes tipos de batatas no prato principal (inclusive uma com gosto de maçã, que me fez entender porque no sul da Alemanha batata é chamada de Erdapfel ou “maçã da terra”) e picolé de marzipã com calda de frutas vermelhas de sobremesa. Ah, ainda serviram macarrons no final. Fico com água na boca só de lembrar.

Cafés

Férias 2017

Avocado Toast do Silo Café.

Tinha feito uma lista de cafeterias que queria visitar e fiquei feliz por termos ido a todas. A primeira foi a Silo, a única a qual fomos duas vezes e que serve opções incríveis de café da manhã – pedi a avocado toast (torrada de abacate) servida com hommus e uma pasta de tomate que estava divina. O cappuccino vegano é muito bom e ficou em segundo no meu ranking particular (hehe).

O café The Barn está em alta também e dependendo do horário é difícil conseguir lugar – some-se a isso o fato do espaço ser realmente pequeno. Pedi uma fatia de bolo, mas não achei grande coisa. O Artur adorou o sanduíche de queijo de cabra com figo.

O primeiro bike café da viagem foi o Steel Vintage Bikes. O lugar é bem legal e o espaço está bem dividido entre o café e a loja. No primeiro, há opções para café da manhã, brunch, almoço e café da tarde. Na segunda, embora seja possível comprar bicicletas e seus componentes, o que mais havia em exposição eram roupas e acessórios de ciclismo.
Férias 2017

Keirin: de 139m² para 30m² com muita personalidade.

Keirin é uma bicicletaria que serve um café bem bom e outras bebidas. O dono foi muito simpático e nos contou a história da loja que existe desde 2004. Pouco depois de abrirem, o negócio cresceu e eles se mudaram para um prédio bem maior ao lado. Porém, a especulação imobiliária está crescendo na região de Kreuzberg (assim como em todo o mundo) e o dono do imóvel decidiu dobrar o aluguel. Sem condições de bancar, o Keirin voltou para o espaço de origem e o prédio deu lugar ao Museu dos Ramones (que já existia, mas em outro endereço).

Visitamos também a Standert Bicycles, uma bicicletaria bem legal com um café bacana e bem gostoso. Eles têm uma linha de quadros personalizados e é possível fazer um leasing para adquirir uma bike Standert. Além disso, eles mantêm o Team Standert, uma equipe de ciclismo formada “por amigos e novos amigos que pedalam juntos, dão rolê juntos e competem juntos”.

A Cicli Berlinetta é uma loja especializada em customizações e restaurações. Nas últimas horas em Berlin, passamos por lá à noite para uma sessão de vídeos indicada na programação de pré-abertura da Berlin Fahrradschau, a feira de bicicletas de Berlim.

Alpes Alemães

Em busca das montanhas, fomos para Farchant, próximo à divisa com Áustria. Fiquei feliz quando vi neve no estado de Thüringen e meu coração bateu até mais forte ao ver os nomes de várias cidades conhecidas e queridas. Seguimos direto, parando apenas para abastecer e comer algo nos postos do caminho.

Quando chegamos, tive uma surpresa com a hospedagem. Pelas fotos do Booking, achei que tivesse reservado um chalé, mas descobri que estava mais para um “puxadinho”. Há uma porta compartilhada para a residência do casal, para o escritório do filho deles e para o apartamento que reservei. Sala, quarto, banheiro e cozinha aconchegantes e muito bem equipados.

Depois de nos instalarmos, fomos jantar em uma pizzaria. O atendimento era simpático e a comida muito boa, mas não importava o quanto eu falasse em alemão, o garçom só me respondia em italiano. “Prego, segnora!”

O dia seguinte amanheceu chuvoso e tivemos que mudar os planos ao ar livre. Fomos à cidadezinha seguinte, Garmish-Partenkirchen (parte da Via Claudia Augusta, uma rota bastante popular entre cicloturistas) e comemos num café dentro de uma galeria de arte. Depois, fizemos mercado e demos uma volta no centrinho.

Férias 2017

O charmoso Palácio Linderhof.

Seguindo a dica da nossa anfitriã, fomos conhecer o palácio Linderhof. A estrada até lá já é bastante charmosa e estava ainda mais encantadora por causa da neve (sim, eu amo!).

Dos três castelos construídos pelo rei Ludwig II da Bavária, o Linderhof é o único que ele viu concluído. Os outros dois são o Neues Schloss Herrenchiemsee e o famoso Neuschwanstein. O jardim é enorme, mas a construção é menor do que eu esperava. Porém, a atenção aos detalhes e a ostentação impressionam bastante. Lustre de cristal para 108 velas pesando meia tonelada, lustre de marfim vindo da Índia (a peça mais cara de toda a decoração), mesas com tampos de pedras preciosas, vasos chineses com mais de 200 anos, bordados tridimensionais, detalhes em ouro puro nas janelas e tetos…

A visita guiada pode ser em inglês ou em alemão e eles oferecem pastas com o conteúdo em outros idiomas, como francês e espanhol. O início é no hall de entrada e depois subimos aos aposentos reais. Algumas cores são predominantes em certos cômodos e é possível notar uma similaridade entre eles.

Trilhas

Aproveitando o tempo bom, escolhemos uma trilha circular num guia que compramos e fomos atrás de um pouco de montanha. O começo era num parque e foi bem tranquilo. Encontramos muita gente passeando por ali. No trecho até a Kuhfluchtfälle (cachoeira fuga da vaca), havia algumas subidinhas com gelo, mas passei sem cair. Cruzamos uma ponte e aí começou a subida de verdade.

Férias 2017

Acho que tinha um pouquinho de neve.

Tinha que estar bem atenta porque, em boa parte do caminho, a trilha é estreita, havia ainda muitas raízes bastante escorregadias e quantidade de neve foi aumentando conforme subíamos, chegando ao ponto de afundarmos até os tornozelos. Nesse caminho, assinei meu primeiro livro de montanha (em alemão! hehe) numa cabana para emergências.

Pouco depois, um casal de senhores alemães que estava na nossa frente começou a voltar dizendo a trilha acabava ali. Insistimos e fomos bem além de onde eles pararam. Não é que não havia mais trilha, o problema era a segurança. Chegamos a um ponto de passagem estreito, com um precipício de cada lado e muita neve ocultando o que havia por baixo. Decidimos não arriscar e pegamos o caminho de volta.

Encarando o combo trilha estreita, gelo e raízes escorregadias, fui muito lenta na descida. Num momento em que seguia na frente, escutei um barulho e quando olhei para trás vi o Artur esticando o braço e agarrando uma solitária árvore na beira do precipício de muitos metros de altura. Meu coração parou por um segundo. Ainda bem que havia essa árvore e ele foi rápido! Depois disso, parecia que a trilha não acabava nunca.

Férias 2017

“Far over the misty mountains cold…”

Apesar desse tremendo susto, a trilha é linda demais! Quando começamos, a névoa criou um clima tão especial que passei o dia cantarolando The Misty Mountains Cold. Além disso, tivemos o contraste da neve branquinha e do céu azul, as árvores com os galhos cheios de neve (que ia derretendo, dando a sensação de que chovia na floresta), as quedas de água, as minicascatas congeladas e as cidadezinhas rodeadas pelas montanhas. Tanta imagem bonita para gravar na memória.

Para comemorarmos o aniversário do Artur, fomos conhecer as ruínas do castelo Werdenfels, que fica entre Farchant e Garmish-Partenkirchen. O plano original era irmos correndo, mas com tantas paisagens bonitas pelo caminho, paramos várias vezes para fotos. Esticamos a corrida/caminhada até Garmish-Partenkirchen e almoçamos num árabe que era a única opção para aquele horário (os restaurantes por lá servem almoço entre 11h30 e 14h). Na volta, procuramos alguns caminhos diferentes e ficamos impressionados com a quantidade de opções para caminhada e corrida que há por ali.

Em nosso último dia cheio por ali, fomos conhecer Grainau. A atração da cidade, além da vista incrível para o Zugspitze (o ponto mais alto da Alemanha), é o Eibsee, um lago cercado por várias opções de trilhas de vários níveis. Há plaquinhas informando os caminhos para trail running, caminhada e mountain bike, com dados sobre distância e nível de dificuldade. Como não amar?

Férias 2017

Eibsee congelado e montanhas alemães, incluindo o Zugspitze.

Escolhemos uma trilha curta que circunda o lago, mas demos umas voltinhas numas estradinhas a mais. Apesar de alguns trechos com gelo e de eu quase levar um tombo ridículo, o caminho é tranquilo. Porém, a parte mais legal foi terminar a volta caminhando pelo lago congelado. Fiquei com receio no começo porque não fazia ideia da espessura do gelo, mas criei coragem quando vi mais pessoas andando por ali.

Reencontros na volta para Berlim

A viagem para o sul foi direta, mas a volta para Berlim teve algumas paradas especiais e demorou alguns dias. A primeira foi em Raubling, uma cidadezinha com mais uma loja incrível de artigos esportivos, a Iko, que estava em promoção – só não surtei porque os melhores descontos eram para as roupas de inverno que eu jamais usaria no Brasil.

Férias 2017

Katja, nossa guia em Nürnberg.

O próximo destino foi Hipolpotstein, outra cidadezinha tranquila onde mora uma amiga querida, a Katja. Nos conhecemos em 2003 ou 2004, quando ela morou em Curitiba e essa foi a segunda vez que fui visitá-la na Alemanha. Ficamos conversando um tempão até o sono falar mais alto.

No dia seguinte, tivemos outro dia de turistas com a Katja como guia. Fomos para Nürnberg e, além de andarmos bastante pelo centro, visitamos o castelo imperial, o Kaiserburg, que ficou quase que completamente em ruínas durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi reconstruído e hoje atrai muitos turistas.

Saímos cedo no dia seguinte e, em Thüringen, seguimos por estradinhas menores. Paramos em Rudolstadt, pois queria levar o Artur ao café do castelo Heidecksburg, um dos primeiros castelos que visitei na minha primeira viagem para a Alemanha. Rudolstadt continua charmosa, mas está diminuindo, com muitos comércios fechados e a população mais jovem migrando para cidades maiores.

Férias 2017

Os anos passam e a distância afasta, mas o carinho não diminui.

Dez quilômetros adiante e foi difícil conter a emoção: chegamos à Teichel. Não parecia que minha última visita a essa cidadezinha tinha sido há quase sete anos. Toquei a campainha e aguardei menos de um minuto. Como eu não havia avisado, a surpresa foi tanta que a Heike demorou uns dois segundos para me reconhecer. Ela é a mãe do meu ex-namorado e, apesar da distância e do pouco contato que temos atualmente, ela é uma pessoa que vou levar para sempre no coração. E sei que o sentimento é recíproco, pois, entre as fotos de família num cantinho na sala, há, até hoje, uma foto comigo.

A visita durou o suficiente para colocarmos o papo em dia. Ela perguntou sobre a minha família, me contou que já é bisavó e me deu uma notícia que eu infelizmente já imaginava, a tia, ou melhor, a Tante Gertrud faleceu em 2013, pouco depois de completar 100 anos. Em novembro, fará também dez anos que o marido dela, o Werner, morreu e essa é uma das lembranças mais tristes que tenho, pois ele era muito querido. Nesse balaio de emoções, saí de lá leve e feliz pelo reencontro. E nem tenho palavras para agradecer ao Artur por ter me acompanhado nesse momento.

Férias 2017

Hanna, the Vizsla.

A última parada nesse retorno foi em Leipzig, onde a Frances e a Hanna nos esperavam. Depois de um passeio com a Hanna no Völkerschlachtdenkmal (ou Monumento da Batalha das Nações, em comemoração à derrota de Napoleão), jantamos numa hamburgueria vegana e terminamos o dia vendo fotos antigas de quando a Frances esteve no Brasil pela primeira vez, há 14 anos. Ao invés de se enfiarem numa van até Brasília para um show, ela e o Christoph aceitaram meu convite e passaram um final de semana em Itanhaém, na casa dos meus pais. Pronto, a amizade estava selada.
Férias 2017

Pensa numa pessoa querida! Ok, em duas.

 No dia seguinte, depois de um café da manhã preguiçoso, fomos passear pela cidade e a primeira parada foi em uma… bicicletaria! Mesmo sendo bem menor do que a Stadler e a Iko, a seleção de produtos era incrível e de novo eu queria levar metade da loja. Depois dos passeios, encerramos o dia com vinho e bruschettas.

De volta a Berlim

Atrasamos a volta para Berlim porque fomos à outlet da Stadler (ó céus!), mas chegamos a tempo de deixamos nossas coisas no hotel e seguirmos para a casa do Christoph.

Férias 2017

“Painting me golden”

Quando ainda estava no Brasil, trocamos algumas mensagens e ele me fez um convite para lá de especial: assistir a um show do Rocky Votolato na sala do apartamento dele. Éramos cerca de 20 pessoas no total e foi uma noite muito gostosa. O Artur teve a ideia de levar duas garrafas de cachaça para fazermos caipirinhas para o pessoal. Como eu conhecia poucas pessoas ali, foi engraçado ouvir os sussurros: “aqueles são os brasileiros que estão fazendo caipirinhas”; e ver como alguns alemães se aproximavam timidamente: “será que eu poderia experimentar uma?”.
Férias 2017

Ava, Marisa e Christoph, que família linda!

Ainda nesse clima de amizade, o dia seguinte começou com um brunch no café vegetariano/vegano Satt&Glücklich (satisfeito e feliz). Foi minha despedida da Frances, do Christoph, da Marisa e da fofíssima Ava. Nos demos muito bem, tanto que fiquei um tempão passeando com ela pelo café e me derreti cada vez que ela largava a mão de alguém, vinha na minha direção e me abraçava.

Os últimos dias em Berlim foram de correria porque queríamos ainda fazer várias coisas – óbvio que não deu tempo. De qualquer forma, conseguimos tomar mais um café da manhã no Silo e fomos conhecer um café livraria que descobrimos por acaso, o Shakespeare and Sons, onde tomei o melhor cappuccino vegano da viagem. Além de adorar o ambiente, achei legal ver apenas mulheres trabalhando ali.

Os reencontros continuaram e fiquei muito feliz por rever a Martina, uma querida da República Tcheca que conheci em São Paulo. Entramos em contato para encontros de conversação – eu queria melhorar o alemão e ela, treinar o português – e ficamos amigas desde o primeiro café. O último encontro foi um jantar com amigos brasileiros (Talita, Laura e Gola) que se mudaram para Berlim.

Sempre que volto da Alemanha, é como se deixasse um pedacinho do meu coração por lá. E, por mais que existam vários lugares que ainda quero conhecer, vira e mexe esse país incrível entra como destino para as próximas férias.

Flickr.

Do Marinzinho ao Marins num treino de trail run

Galera no cume do Marins

Todo mundo feliz no cume do Marins.

No começo de janeiro, os amigos do Se Ela Corre eu Corro, Cris e Gabriel, fizeram um convite para participar de um treino de trail run em Marmelópolis-MG. Eu não corro (embora tente, às vezes), mas acabei topando porque o percurso incluía um trecho da travessia Itaguaré-Marins, que eu já conhecia.

A viagem de São Paulo até Marmelópolis foi debaixo de chuva em boa parte do caminho e com bastante neblina no trecho de terra até a pousada do Djalma. Ficamos botando o papo em dia e fomos dormir um pouco tarde. A ansiedade ainda fez com que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Marinzinho-Marins

Todo mundo a postos

Vistoria: check; briefing: check; foto: check. Bora subir!

No sábado, levantei cedo, me arrumei, tomei café e fui com os amigos para a vistoria e briefing (impossível não lembrar das provas de Audax). Os itens obrigatórios checados na vistoria eram anorak, cobertor de emergência, apito, kit básico de primeiros socorros e o estado do tênis de trilha/trekking. Foi engraçado ouvir o pessoal reclamando que estava carregando muito peso e eu só conseguia pensar: “nossa, nunca estive tão leve”.

Saímos da Pousada do Maeda em direção ao Pico do Marinzinho. Éramos mais de 70 pessoas divididas entre os grupos avançado, intermediário e conservador. O pessoal do avançado, como era de se esperar, disparou. Fui com o intermediário, pensando que, se não aguentasse, poderia me juntar ao conservador. Até rolou um trotezinho na descida, mas depois a subida começou e não parou mais.

O primeiro trecho é uma estrada de terra e depois vem uma trilha pela mata. Não consegui manter o mesmo ritmo nessa parte, mas bateu a empolgação quando começou a escalaminhada. Segui junto com a Luara e logo reencontramos o pessoal – Cris, Gabriel, Karol e Will – no cume do Marinzinho. Pausa curta para fotos e lanchinho e tocamos em direção ao Marins.

Escalaminhada

E começou o trepa-pedra.

Essa parte foi a mais legal para mim. Consegui desenvolver um bom ritmo, fui lembrando de vários trechos da travessia e matando a saudade da montanha. Chegando ao platô, o grupo se dividiu entre os que iriam descer e os que queriam fazer o cume. Subimos bem e o tempo ajudou a termos uma vista linda lá de cima.

A descida do Marins foi melhor do que imaginávamos. Estava com receio da parte da “escadinha” porque tinha dado uma travada nas outras vezes que passei por ali. O Romário, que estava guiando nosso grupo, foi super atencioso e ajudou muito nessa descida, orientando o pessoal sobre onde se apoiar. Quando chegou minha vez, desci com tanta facilidade que até desacreditei.

Flagra

Pega no flagra ou pose para foto? Foto: Gabriel Ciszewski.

O treino terminava com 8km em estrada de terra. O pessoal logo disparou na corrida e fui ficando para trás. Decidi não forçar e comecei a caminhar, mas logo aproveitei a carona do Sinoca.

Encerramos o sábado com uma roda de conversa, muita cantoria de raiz (haha), vinho e cerveja.

Pedra Montada e Caminho das Águas

O treino original no domingo era irmos até o Itaguaré e voltarmos, porém, na véspera, fui sondar com o sr. Djalma se poderíamos deixar os carros no campinho, mas ele avisou que continua não sendo uma boa ideia. O pessoal acabou se dividindo. Um casal foi fazer o Itaguaré, pois está treinando para uma prova, outra turma subiu até a Pedra Montada e lá se dividiu de novo, com algumas pessoas indo mais uma vez ao cume do Marinzinho.

É para lá que nós vamos

É para lá que nós vamos!

Nós saímos mais tarde e fomos até a Pedra Montada. Fiquei com vontade de continuar até o Marinzinho, mas quis aproveitar a companhia dos amigos. Descemos e fomos para o Caminho das Águas. Desta vez, conheci todas as cachoeiras dali com direito a banho beeeeem gelado.

Durante e depois do almoço, ficamos conversando mais um pouco e o pessoal começou a se dispersar. O Will e eu não queríamos chegar muito tarde em São Paulo e saímos de lá no meio da tarde.

O treino foi organizado com esmero pelo Marcelo Sinoca e pela Juliana Salviano, da Trail Runners Brasil (TRB) e não poderiam ter escolhido percurso melhor. Agradecimento especial aos “laranjinhas” pelo convite e companhia. Conheci tanta gente e me diverti tanto que já quero repeteco – até porque garanti minha camiseta e tenho que honrá-la. ;)

Cicloviagem da virada 2017

Admirando a Serra da Beleza

Admirando a vista da Serra da Beleza.

Uma amiga querida, a Vivi, me fez um convite irrecusável para o final de ano: uma cicloviagem só de mulheres. Ela bolou um roteiro bem legal de São João Del Rei a Volta Redonda e mandou um e-mail detalhado com informações de distâncias, altimetrias, hospedagens e estimativa de tempo entre uma cidade e outra.

Embarquei em São Paulo junto com a Fernanda e a Renata com destino a São João Del Rei, onde encontramos a Vivi. O transporte das bikes foi bem tranquilo e o motorista foi bastante atencioso. Não pegamos trânsito e a viagem demorou 8 longas horas. Nessa primeira noite, ficamos no AZ Hostel, no centro histórico. Preço bom e lugar bacana.

De São João Del Rei a Madre de Deus de Minas

Como o café da manhã é oferecido fora do hostel, atrasamos um pouco nossa saída. Pedimos informação para o rapaz na recepção sobre o melhor caminho para sairmos da cidade e logo de cara já lembramos que subida para mineiro é algo bem relativo.

Nós e os caminhões

Vivi ganhou o título de miss simpatia.

Estava com receio dos 13 primeiros quilômetros. Passamos por eles de ônibus no dia anterior e a pista é bem estreita, sem acostamento e com movimento intenso de caminhões. Mas não tivemos qualquer problema. Pelo contrário, numa longa descida, um caminhoneiro até segurou o trânsito para nós.

Primeiro café da viagem

O primeiro café da viagem. Que delícia!

A estrada que vai para Madre de Deus é linda, tranquila e cheia de sobe-desce. Aqui rolou o primeiro café da viagem, sob a convidativa sombra de árvores. Um cara num jipe parou para ver se estava tudo bem e fez uma cara bem engraçada ao perceber que estávamos fazendo café.

Essa estrada é cercada por plantações de milho e não tem abastecimento algum. O calor estava infernal e ao nos depararmos com uma casa no meio do caminho parecia que tínhamos encontrado um oásis. Faltavam poucos quilômetros para a cidade, mas a água geladinha servida pela Mara fez uma diferença enorme.

Em Madre de Deus, almoçamos no restaurante Aconchego Mineiro, da Dalva. Comida simples e saborosa temperada com simpatia. A pousada fica ali perto, depois de uma subida, claro. Tomamos banho e esperamos o sol dar uma trégua antes de darmos uma volta. Não há muito o que fazer por ali, então tomamos um açaí e depois jantamos no mesmo restaurante.

De Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas

Pelo gráfico de altimetria, sabíamos que hoje seria um dia de muito sobe e desce. E também o dia de maior quilometragem de toda a viagem. O que nos deixou mais tranquilas é que havia mais cidadezinhas pelo caminho e água não seria um problema como na véspera.

Água, café, queijo e vinho

Água, gatorade, queijos e vinhos.

Seguimos bem até São Vicente de Minas, onde paramos em uma lojinha para pegar água, gatorade e beliscar algumas comidinhas. Descobrimos que aqui é onde fica a fábrica da Polenghi e havia uma boa oferta de diferentes tipos de queijos. Os vinhos também estavam com preços bons e levamos dois.

Quase chegando a Andrelândia, o filho de uma amiga, a Roberta Godinho, foi nos encontrar na estrada. Depois, seguimos até a cidade, onde almoçamos no Pub House. Logo chegou a mãe da Roberta. “Encontrei as meninas de bicicleta.” E depois a tia, a irmã, filhos e sobrinhos. Muita simpatia e ótima recepção. Eles tiraram tantas fotos nossas que a moça do restaurante perguntou: “vocês são famosas?”.

Quando voltamos para a estrada a Vivi reclamou que a bicicleta estava muito pesada para pedalar. Paramos para olhar e percebemos que as marchas mais leves não estavam entrando. O cabo estava meio molenga no sti e pensei se o cabo poderia estar desfiando. Primeiro tentamos regular o câmbio, mas não rolou. Então, ligamos para nosso consultor especial, o Artur, e esse foi o diagnóstico. Fomos à bicicletaria Planet Bike, em Andrelândia, e o Quelson fez a troca.

Olha a subida

Se não gosta de subida, melhor não ir para Minas.

A próxima parada foi em Arantina para água e, por falta de tempo, não teve café na estrada. As subidas não eram íngremes, mas eram longas e frequentes.

Em Bom Jardim de Minas, fomos direto para o centro procurar um lugar para jantarmos, Logo o dono da pousada onde tínhamos reserva apareceu, preocupado conosco – a mesma coisa aconteceu no dia anterior. Ele nos indicou um atalho já que os Chalés Camará ficam a uns 3km da cidade. Óbvio que nem tudo é fácil e tivemos que encarar a pior subida até então: 14%.

A noite terminou com vinho, céu estrelado, risadas e muita conversa boa.

De Bom Jardim de Minas a Conservatória

Café na varanda do chalé

Café para começar bem o dia.

Tivemos uma manhã bem preguiçosa, com direito a enrolar na cama e fazer café na varanda do chalé. A Vivi é dona do charmoso Musette Café e levou um café bem bom, prensa francesa e hario para preparar café. O café plantado pelo pai da Renata também estava na bagagem e eu levei uma cafeteira italiana.

Cicloviagem da Virada

Que serra mais linda!

Café tomado, fomos para a estrada. O percurso de hoje foi o mais lindo. Começamos num falso plano com vento contra e morros a perder de vista. Ao contrário do que nos falaram, a estrada é tranquila demais e uma delícia para pedalar. Descemos a primeira serra do dia e fiquei para trás, por um misto de receio de descidas íngremes com curvas e paradas parar admirar a paisagem e tirar fotos.

Que calor!

Todo mundo com calor.

Almoçamos em Santa Rita do Jacutinga num restaurante recomendado pela mãe da Vivi e, por causa do calor, enrolamos quase duas horas num café antes de criarmos coragem para encarar a Serra da Beleza.

O tempo começou a virar e o vento contra deu o ar da graça, mas não pegamos chuva. Esta foi a subida mais cansativa, nem tanto pela altimetria, mas pela moleza provocada pelo calor. Faltando uns 2km para o topo, entendi porque ela é chamada de Serra da Beleza: que vista incrível! O lugar é famoso também pelas histórias de ovnis e bastante procurado por ufólogos.

Descemos bem e brindamos o terceiro dia de pedal com cerveja de boteco. Depois, fomos para a casa reservada pela Vivi para a virada, onde fomos muito bem recebidas. Além de decorarem a casa e deixarem um pote com mix de castanhas, nos presentearam com um prosecco.

Relaxamos um pouco antes de tomar banho e dar uma volta pelo centrinho. Não havia muitas opções e acabamos jantando pizza em frente à chamada praça de baixo.

Conservatória

Nosso plano de tomar banho de cachoeira não rolou. A única com acesso fácil, a Cachoeira da Índia, está interditada. Depois do café, a Vivi foi pedalar um pouco para atingir a meta do desafio Rapha 500 do Strava e a Renata foi junto.

Cicloviagem da Virada

Nós e as bikes em Conservatória-RJ.

Almoçamos no restaurante Gema da Roça, que fica na Rodovia Canção do Amor. Um cara que trabalha lá, o Miguel, veio conversar conosco sobre as bikes. Ele falou sobre algumas estradas de terra legais da região, nos deu um mapa dos arredores e se despediu dizendo que iria passar a tarde na Cachoeira do Destino. Fiquei com vontade de vir para cá com a mtb.

Nossa virada foi bem tranquila. Pedimos pizza, brindamos com prosecco e ficamos papeando enquanto a chuva caía forte. Assistimos à queima de fogos da sacada e fomos dormir pouco depois da meia-noite. Definitivamente, um bom começo de ano.

De Conservatória a Volta Redonda

Depois do café, já estava com tudo pronto, mas a saída de hoje foi enrolada. Nos despedimos da simpática família e fomos encarar a Serra da Beleza novamente. No roteiro inicial, iríamos passar por São José do Turvo, mas descobrimos que o caminho até lá é por terra. Com a mudança, pedalamos cerca de 20km a mais.

Descemos tanto na chegada a Conservatória que imaginamos uma subida bem pior do que ela realmente é. Quando chegamos ao topo, até me perguntei: “já acabou?”. Escolhemos um ponto com uma vista incrível e fizemos o último café da viagem, com direito a sequilho para acompanhar.

Os prazeres da descida

Redescobrindo os prazeres da descida na Serra da Beleza.

Encaramos uma longa descida até Santa Isabel do Rio Preto, onde paramos num boteco para comprarmos água. O calor era tanto que acabamos pedindo também uma cerveja. Mal saímos do bar, o pneu da Renata furou e voltamos para trocá-lo.

O restante do caminho foi tranquilo, com poucas subidas, porém, o calor estava insuportável e bateu um pouco de moleza. Fui acompanhando a Fê, que teve uma leve queda de pressão. Em Nossa Senhora do Amparo, mais uma parada rápida para água e isotônico e seguimos para os últimos quilômetros.

Quanto mais perto da cidade, maior a falta de respeito por parte dos motoristas. Tomamos algumas finas, mas, por sorte, não aconteceu nada grave. O desafio final era a ladeira para chegar à casa dos pais da Vivi, que está dividida em três estágios: inclinada, pqp e a subidinha final, que seria ok se não viesse depois da pior parte. Todo mundo empurrou.

Um brinde!

Um brinde para comemorar esses dias fantásticos.

Fomos muito bem recepcionadas pela mãe da Vivi, com uma mesa farta (ela fez moqueca de jaca verde para mim), e pelo Artur, que levou Bauzeras para brindarmos. O restante do dia foi de comilança, piscina e pernas para o ar.

Quando a Vivi fez o convite, eu tinha certeza de que essa viagem seria bem legal. Só não tinha ideia de que seria ainda mais incrível do que eu imaginei. Estradas lindas, companhias especiais, subidas e mais subidas. Fez um danado para a alma!

Quilometragem e altimetria

Dia 1 – São João Del Rei a Madre de Deus de Minas: 59,2km; 994m acumulados
Dia 2 – Madre de Deus de Minas a Bom Jardim de Minas: 91,9km; 1.648m acumulados
Dia 3 – Bom Jardim de Minas a Conservatória: 75,6km; 863m acumulados
Dia 4 – Dia da virada
Dia 5 – Conservatória a Volta Redonda: 65,4km; 828m acumulados

Tem mais fotos e uns vídeos engraçadinhos aqui.

Minha primeira cicloviagem solo

De Itanhandu para Resende

Em abril de 2015, decidi que iria fazer uma viagem de bicicleta sozinha num final de semana. Abri o Google Maps e o Ride with GPS e fui olhando estradas e pensando nas possibilidades. Para facilitar a logística, escolhi cidades com boas opções de ônibus de e para São Paulo como pontos de partida e de chegada. E, entre elas, optei pelas estradas menos movimentadas.

Por vários motivos, a viagem aconteceu apenas em maio de 2016. O dia amanheceu chuvoso e foi assim até minha chegada a Itanhandu. Enquanto pegava água na vendinha da rodoviária, a chuva foi diminuindo e parou de vez assim que comecei a pedalar. Um bom sinal!

De Itanhandu a Alagoa

De Itanhandu para Resende

Peguei um trechinho da Estrada Real que liga Itanhandu a Itamonte e foram 10 km de bastante lama. A estrada estava escorregadia em algumas partes e fui com cautela, principalmente, nas descidas.

A estrada de Itamonte para Alagoa faz parte do Caminho dos Anjos com uma longa subida de 20 km. Como eu sabia o que me aguardava a partir dali, aproveitei para comer um pouco num boteco na cidade.

Nessa saída de Itamonte, já num bairro mais afastado, uma senhora abanou a mão para mim super animada e gritou: "vamos chegar prum cafezim". Por essas e outras que amo viajar por Minas.

De Itanhandu para Resende

A primeira parte da subida é asfaltada e foi bem mais tranquila de pedalar do que no Carnaval graças ao tempo ameno e às marchas mais leves. Parei no mesmo boteco da outra viagem para comprar água antes de encarar o segundo trecho, que é de paralelepípedos e mais íngreme.

De Itanhandu para Resende

Fiquei bem feliz por chegar ao topo sem sinal de chuva. Para descer, escolhi o caminho à esquerda e fui por dentro do Parque Estadual Serra do Papagaio. A estrada é bem bonita, porém, como iria escurecer logo, não parei para tirar fotos.

Pouco antes de encontrar o asfalto novamente, há uma bifurcação e fui pelo caminho da esquerda, pois queria passar em frente à Pousada Casarão (minha primeira opção de hospedagem quando estava planejando o roteiro). Os últimos 10 km foram no asfalto e sem iluminação.

Em Alagoa, fui direto para a Pousada Flores da Mantiqueira, onde a Guela me esperava. Infelizmente, o restaurante do Gustavo estava fechado, mas ela encomendou meu jantar enquanto eu tomava banho. Um senhor que estava na pousada me reconheceu da estrada. Ele passou de moto e me cumprimentou perto da outra pousada.

De Alagoa a Penedo

Enrolei um pouquinho na cama quentinha e saí às 8h30 da pousada depois de um bom café. O começou foi tranquilo e as primeiras subidas foram suaves, com muitas árvores sombreando o caminho e o barulho constante de água.

De Itanhandu para Resende

No meio da primeira subida mais longa, fiquei pensando se poderia ser a primeira serra do dia, mas depois não tive a menor dúvida quando ela realmente começou. Na descida, fui ultrapassada por uma caminhonete que encontrei logo depois parada em frente a uma casa. Conversei um pouco com dois senhores e segui.

A descida ficou pior: mais íngreme, esburacada e com pedras soltas. Levei um tombo besta por estar devagar demais e não conseguir desclipar a tempo. Nada grave.

De Itanhandu para Resende

Em Santo Antônio do Rio Grande, parei num mercadinho para comer e beber algo. Esse distrito de Bocaina de Minas é uma graça e depois descobri que há muitas cachoeiras legais por ali, então, vale a pena voltar.

São apenas 10 km até Mirantão, outro distrito de Bocaina de Minas. Só que tem uma serrinha no meio do caminho. Parei num trailer de lanches para tomar uma coca e depois continuei rumo a Visconde de Mauá.

Esse trecho é predominantemente plano e com algumas descidas. A estrada vai margeando o Rio Preto e ao poucos surgem casas, sítios e pousadas pelo caminho. Pouco antes de começar o asfalto, as subidas recomeçaram com muitas pedras e buracos. Acho que alguns motoristas não gostaram muito de serem ultrapassados por mim nessa parte.

De Itanhandu para Resende

A terra acaba na estrada que liga Visconde de Mauá à Maringá. Há uma subidinha curta até Visconde de Mauá, depois são 3 km até o topo da Serra da Pedra Selada e, por fim, uma longa descida. Apesar da estrada ser linda, foi um pouco chato descer com os carros. Não há acostamento e nem sempre eles reduzem a velocidade ou tomam distância na hora da ultrapassagem.

Cheguei uma hora antes do que havia programado e fui direto para uma pousadinha já reservada. A noite terminou com pizza e cerveja.

De Penedo a Resende

De Itanhandu para Resende

Nem tudo são flores e, para voltar para São Paulo, tiver que encarar quase 13 km na Dutra para chegar à rodoviária de Resende. Deixei para comprar a passagem na hora e dancei, pois o primeiro ônibus já estava lotado.

Essa viagem é uma boa opção para um final de semana, seguindo direto para Resende para pegar o ônibus. Fiz em três dias, pois queria conhecer Penedo por causa da colonização finlandesa. Pena que não encontrei muita coisa além de lojinhas de souvenirs.

Bikepacking e rota

Como a altimetria é puxada, quis viajar leve. Dormi em pousadas e viajei apenas com uma roupa para pedalar, uma roupa de "civil", uma necessaire pequena e um par de chinelos. Ao invés de alforje, optei por acomodar minhas tralhas na bolsa Marimbondo, de bikepacking.

1º dia: 52,5 km com + 1.349m
2º dia: 78,7 km com + 1.716m

Itanhandu-Resende

A rota está disponível no Ride with GPS.

Superagui 2016

Superagui

Seis bicicletas, alforjes e um carrinho de bebê.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de praia, mas de vez em quando eu vou para acompanhar amigos. Desta vez, o destino foi a Ilha do Superagui e éramos três casais e um bebê de um ano em uma cicloviagem.

Fomos de carro de São Paulo até Cananeia, onde encontramos o pessoal e pegamos o primeiro barco até a Vila no Marujá na Ilha do Cardoso. Esse trecho leva cerca de uma hora. Por garantia, já deixamos a volta combinada.

A primeira parte do pedal foi bastante tranquila. Seguimos por 19 km pela praia com pouco vento contra. No “centrinho” da ilha, nos avisaram que a praia ia até o Bar das Mulheres e lá encontraríamos alguém para nos levar na segunda travessia de barco.

Superagui

Entre uma ilha e outra, travessia de barco.

A surpresa foi nos depararmos com um bar fechado e com jeito de abandonado. Descobrimos depois que ele abre apenas na temporada, ou seja, no verão. Aproveitamos para fazermos um lanchinho e depois fomos até uma das casas ali procurar alguém com barco, o que foi bem fácil. Negociamos a ida e a volta.

O último trecho era pela Praia Deserta, com 20 km de extensão. O vento contra aumentou um pouco e deixou o pedal um pouco mais chatinho. Aqui é uma questão de gosto e achei tedioso pedalar numa reta só. Ainda bem que era uma cicloviagem e as companhias animaram o caminho.

O primeiro dia de viagem terminou numa vila onde estão concentradas as pousadas, campings e restaurantes. A Tricia já havia feito nossa reserva, mas o lugar estava bem tranquilo por causa da baixa temporada.

No segundo dia, ficamos de bobeira por ali. Caminhamos, vimos golfinhos, comemos e descansamos.

Superagui

Rumo à Cananeia.

Com receio de perdermos os barcos, saímos cedo no terceiro dia. O tempo estava a nosso favor e, sem vento contra, chegamos adiantados ao primeiro ponto de encontro.

Outra parada para lanche no Bar das Mulheres e descobrimos um jacaré ali perto. Ainda bem que ele estava quietinho tomando sol e nem ligou para nós.

O pedal seguiu tranquilo pelos quilômetros restantes e chegamos quase duas horas antes do previsto. Esperamos num dos bares da Ilha do Cardoso, comendo besteiras e brindando à viagem.

Quando estava pesquisando o roteiro, descobri que existe uma rota de cicloturismo que passa por ali. Para quem tiver interesse, aqui estão os links:

Circuito Lagamar
Cananeia-Superagu

Outra dica é que viajar em maio foi uma boa escolha, pois não estava tão calor e as pousadas não estavam cheias.

Carnaval 2016

Carnaval 2016

Ah, Minas Gerais.

Neste ano, combinamos uma cicloviagem com um casal de amigos, a Elo e o Silvio, e nossa opção foi o Caminho dos Anjos, que estava na cabeça desde o carnaval do ano passado, quando passamos por algumas plaquinhas.

Saímos sexta à noite de São Paulo rumo a Passa Quatro. Optamos por dormir num hostel, onde deixamos o carro, para começarmos a pedalar cedo no dia seguinte. Só que o plano não deu certo. Com o cansaço de quem foi deitar às 2h da manhã, acabamos dormindo um pouquinho mais e, nos dias seguintes, mantivemos essa tendência de sair quase sempre depois do planejado.

De Passa Quatro a Alagoa

O começo é bem bonito. Subimos um pouco e ficamos admirando a paisagem. Com 10 km, vimos uma placa indicando a Pedra da Mina e, pouco depois, reencontramos um trio de senhoras que estava fazendo o trajeto a pé e saíram antes de nós do hostel.

O trecho entre Itanhandu e Itamonte estava um pouco movimentado, provavelmente por causa do carnaval. Essa parte foi um pouco chata por causa dos carros passando com som alto, mas fizemos uma parada para lanchinho na beira de um rio para compensar.

Itamonte

Subida para Itamonte.

Depois de Itamonte é que o bicho pega com uma longa subida. São cerca de 20 km sempre subindo. Esse trecho é um misto de asfalto e paralelepípedos e quase derretemos com o calor de 38°C. Enquanto subíamos, o céu ficava cada vez mais escuro na direção para onde estávamos indo. Logo começou um chove-e-para e a temperatura foi caindo.

Ao chegarmos ao topo da subida, que fica no Parque Estadual Serra do Papagaio, a chuva resolveu apertar e não parou mais. Seguimos pelo asfalto esburacado em várias partes. Alguns motoristas imprudentes passaram por nós em uma velocidade que indicava descaso com os ciclistas, com a lama escorregadia e com o abismo do lado esquerdo.

Ainda empolgada com a viagem da Patagônia, fui com uma bike touring com guidão drop e freios cantilever. O resultado é que sofri um tanto na descida e tive que parar algumas vezes para alongar os dedos, as mãos e punhos. Faltando menos de dez quilômetros para Alagoa, diminuímos a velocidade para acompanhar uma família que pedalava sem luzes. A mãe ia na frente e o pai seguia com a filha na garupa. Ambas tentavam inutilmente se protegerem da chuva com sombrinhas.

Em Alagoa, nos hospedamos na Pousada Flores da Mantiqueira da fofíssima Guela. Chegamos ensopados e ela gentilmente lavou (!) todas as nossas roupas – pensamos que a oferta era apenas para centrifugar as peças. E ainda ganhamos café e chá quentinhos.

Por indicação dela, jantamos no restaurante Sabor & Arte, do Gustavo. Foi um jantar farto com salada de couve orgânica e comida caseira feita com carinho.

De Alagoa a Aiuruoca

O café da manhã foi uma delícia e óbvio que enrolamos para sair de novo. A estrada começou tranquila e deliciosa para pedalar. Vimos um filhote de cobra coral que se escondeu rapidinho no mato. Encontramos uma família caminhando e um casal de ciclistas também de São Paulo que estavam aproveitando o feriado por ali.

Cangalha

A caminho do Matutu via Cangalha.

Chegando perto de Aiuruoca, há uma bifurcação. A rota oficial do Caminho dos Anjos vai pela direita, mas nós optamos por conhecer a região chamada Cangalha. Além de paisagens lindas, havia muita subida! A descida é por um singletrack bastante técnico e, apesar do garfo rígido, do guidão drop e, principalmente, da minha falta de habilidade, consegui descer alguns trechos pedalando sem problemas.

O singletrack termina no Vale do Matutu, que conhecemos em uma viagem de final de ano. Já que estávamos ali, aproveitamos para almoçar no restaurante da Tia Iraci. Entre pratos fartos, cachaças e cervejas artesanais, decidimos abortar o restante da viagem. A Elo estava sentindo muita dor num dos joelhos e o trecho seguinte até a cachoeira dos Garcias tem subidas bastante puxadas. Então, ficamos um bom tempo aproveitando o espaço do restaurante, que tem um quintal delicioso.

O dia terminou na Estalagem do Mirante. Chegamos no momento em que a chuva apertava e demos sorte, pois ainda havia lugares no quarto destinado aos peregrinos.

De Aiuruoca a Virgínia

Estalagem do Mirante

Estalagem do Mirante.

Já que a viagem de bike havia sido abortada, não nos preocupamos em sair cedo. Depois do café-da-manhã, fomos até um mirante dentro da pousada e ficamos admirando a paisagem e batendo papo.

Aiuruoca

Centro de Aiuruoca.

Pedalamos até o centro de Aiuruoca e aí rolou uma saga para resgatarmos o carro em Passa Quatro e depois as bikes em Aiuruoca. Decidimos dormir no Pesqueiro 13 Lagos em Virgínia, porém, embora tenhamos confirmado a hospedagem com o sr. Mauro, não havia ninguém para nos receber. Fomos parar num hotel recém-inaugurado.

De Virgínia a Marmelópolis

Fuçando no GPS, o Artur sugeriu seguirmos por uma estrada que liga Virgínia a Marmelópolis. Assim, iríamos embora passeando. A sugestão agradou todo mundo, pois a estrada é linda, cercada de árvores e com uma cachoeira enorme em uma de suas curvas. Enquanto subíamos, subíamos e subíamos, eu pensava, preciso voltar aqui para pedalar.

Caminho das Águas

Trilha das Águas, dica do sr. Maeda.

Em Marmelópolis, fomos visitar o fofíssimo senhor Maeda. Ele nos deu a dica do Caminho Trilha das Águas, com direito a mapinha desenhado e xerocado. Saímos pelos fundos da pousada até uma estrada e depois pegamos uma trilha que leva a uma sequência de cachoeiras. A água estava geladíssima, mas depois que acostumamos, não queríamos mais sair dali.

Eu já tinha viajado com a Elo e fiquei muito feliz com as companhias. Rimos muito, comemos bastante, pedalamos um pouco (haha). A parte mais difícil, sem dúvida, foi voltar para São Paulo.

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Patagônia 2015

Patagônia 2015

Nos arredores de Bariloche.

A escolha do segundo destino de férias em 2015 coube ao Artur e não fiquei surpresa quando ele definiu: “vamos para a Patagônia”. Além de uma viagem de bicicleta, o roteiro incluía visitar a família hermana que ele conheceu quando cicloviajou de Santiago a Ushuaia em 2012.

A Felicitas foi nos buscar no aeroporto em Bariloche e fizemos uma surpresa para o Careca, que não fazia ideia da nossa chegada. Antes de partirmos para o Chile, tivemos um dia de descanso e os amigos aproveitaram para colocar um pouco do papo em dia. 

Paso Cardenal Samoré

Com o tempo contado, fomos de ônibus de Bariloche para Puerto Varas para iniciarmos o pedal. A viagem demorada foi compensada pelas belezas do caminho. Primeiro, passamos por uma parte da Rota dos Sete Lagos e depois seguimos para o Paso Cardenal Antonio Samoré. Ao longo da estrada ainda havia bastante neve e ficamos pensando em como seria pedalar por ali.

Puerto Varas – Ensenada (45 km)

Patagônia 2015

Ciclovia ligando Puerto Varas a Ensenada.

O primeiro dia de pedal foi bastante tranquilo: pedalamos por uma ciclovia que liga Puerto Varas a Ensenada e pudemos admirar o vulcão Osorno por praticamente todo o caminho. Chegamos cedo ao nosso destino e nos instalamos no camping Montaña.

A cidade não oferece muitas opções e parte do comércio ainda estava fechada porque a temporada não havia começado. Nesse camping, por exemplo, há um restaurante que só funciona durante o mês de janeiro.

Passamos o resto do dia admirando o vulcão Osorno na beira do Lago Llanquihue e tirando fotos. Preparamos o jantar e, em homenagem ao Tux e ao Davi, que fizeram a primeira parte da viagem com o Artur em 2012, tomamos vinho de caixinha tetra-pak. Um vinho da casa “melhorado”.

Ensenada – Puelo (79 km)

Patagônia 2015

Tchau, Osorno!

Aos poucos, deixamos o Osorno para trás, mas fomos acompanhados por outros picos nevados por um bom trecho. Havia muita água cristalina por todo o caminho, incluindo o Rio Petrohué. 

O almoço foi em Cochamó e, pela primeira vez, estive num restaurante onde não se serve água. A cidade não tem muita estrutura, mas a região é linda e atrai pessoas interessadas em caminhadas. Há alguns roteiros bem legais de trekking por ali e óbvio que eles estão na minha infindável lista de “quero fazer/quero voltar”.

Patagônia 2015

Olá rípio!

A partir de Cochamó, demos adeus ao asfalto e olá ao rípio. Logo na saída, encaramos um trecho com pedras maiores e muito sobe e desce. Embora não fossem longas e tampouco íngremes, as subidas eram frequentes e estávamos cansados quando encerramos o dia. 

Como era de se esperar, Puelo é uma vila pequena. Porém, teve algumas boas surpresas como um hostel novinho, limpo e ajeitado, um mercadinho bacana e wifi gratuito na praça (hehe). 

Puelo – Hornopiren (92 km)

Este foi o tramo mais longo da viagem. O começo foi no asfalto, com uma vista incrível para picos nevados, mas logo vieram o rípio e um sobe e desce pior do que o do dia anterior. As subidas e descidas eram mais íngremes do que na véspera e mais frequentes também.

Patagônia 2015

Entre Puelo e Contao.

Fizemos uma pausa para comer antes de chegarmos a Contao e vi, pela primeira vez, um leão marinho. 

Quando chegamos à vila, compramos água e mais algumas comidinhas antes de continuarmos. Nesse recomeço, encaramos uma subida chatinha e bateu uma preguicinha, mas tínhamos chegado cedo em Contao e achamos que não valia a pena pernoitar ali. De qualquer forma, o pedal rendeu, pois havia um trecho de asfalto no nosso caminho, já que a Carretera está sendo asfaltada aos poucos.

Patagônia 2015

A vista da chegada a Hornopirén encanta.

Na chegada a Hornopiren, passamos pela casa de um casal que nos havia oferecido carona mais cedo. O preço do camping era bom, mas optamos por ficar numa parte mais central. Acabamos hospedados em um hotel bem legal, com bom preço.

Depois de nos instalarmos, fomos atrás das passagens das balsas para Caleta Gonzalo (companhia Transportes Austral). É preciso ficar atento ainda às datas das balsas, pois, dependendo da época, ela não funciona diariamente.

Chegamos pouco antes do horário de fechamento do escritório e levei um tremendo susto quando a moça disse que não tinha mais lugar para embarcarmos no dia seguinte. Por sorte, o responsável pelo lugar apareceu nesse momento e falou: “eles estão de bicicleta. Pode vender as passagens.” Não havia espaço era para automóveis. 

Hornopiren – Caleta Gonzalo

A primeira providência do dia foi buscar as passagens, que ainda não haviam sido pagas. A atendente já tinha encerrado o caixa quando fomos comprá-las na véspera e, por isso, as deixou apenas reservadas.

Antes de embarcarmos, passamos numa vendinha para comprarmos mais comida e aproveitamos para pegar um vinho. Taí algo interessante no Chile, mesmo em mercadinhos safados, dá para encontrar bons vinhos.

Patagônia 2015

Prendendo as bicicletas no caminhão.

Conhecemos um casal do País Basco que estava começando a viagem pela Carretera. Juntos, combinamos com um caminhoneiro para fazer o transporte das nossas bicicletas num trecho de 10km entre Leptepú e Fiordo Largo, enquanto nós seguiríamos em uma van. O pessoal da empresa de transporte pede para que isso seja feito para não haver atraso na partida da segunda balsa.

A estrada não era ruim como falaram e constatamos que chegaríamos a tempo com as bicicletas. Só que teria sido horrível pedalar com a poeira absurda levantada pelos carros e caminhões passando em comboio.

Patagônia 2015

Duas balsas ligam Hornopirén a Caleta Gonzalo.

A segunda balsa é rápida e em cerca de 20 minutos estávamos em Caleta Gonzalo, dentro do Parque Pumalín.

Esse parque foi criado pelo fundador da empresa The North Face, Douglas Tompkins. Depois de uma viagem à região, ele se apaixonou pela Patagônia, começou a comprar terras por ali e criou áreas de preservação. 

Em Caleta Gonzalo há um café, um centro de informações, cabanas e um camping. O centro de informações estava fechado, pois a temporada ainda não havia começado. E essa foi a mesma explicação dada pelo guarda-parque Jorge para não termos encontrado ninguém responsável pelo camping. Simpático, ele disse para aproveitarmos. 

Patagônia 2015

Camping no Parque Pumalín.

A primeira providência foi tomarmos um banho de pia, pois não há chuveiros ali. O restante do dia foi bem tranquilo. Montamos a barraca, organizamos as tralhas, jantamos e ficamos conversando e tomando vinho até o sono chegar.

Caleta Gonzalo – Chaitén (56 km)

Apesar de muitas subidas, a estrada estava ok no começo. Mas é claro que o rípio piorou depois, com bastante cascalho e pedras grandes. 

Patagônia 2015

Estrada que corta o Parque Pumalín.

Cruzar o parque por essa estrada foi incrível. Primeiro, há um trecho de vegetação mais fechada e depois vimos muitas árvores mortas. Deduzimos que era consequência da última erupção do vulcão Chaitén em 2008.

Patagônia 2015

Muita água pelo caminho.

Alguém pelo caminho nos contou que há pouco tempo ocorreu uma enchente por ali e talvez isso explique algumas árvores arrancadas pelas raízes que vimos nas laterais da estrada, além de um pouco de erosão.

Já próximo à cidade, começa um trecho de asfalto que serve como estrada e como pista de pouso. A vista ao chegar à cidade é bem bonita.

Chaitén está retomando as atividades, porém, ainda tem jeito de cidade abandonada em alguns pontos. Tentamos hospedagem num hostel, mas não havia sinal de vida. Por fim, fomos parar numa cabaña com a regalia de uma cozinha e um “vizinho” brasileiro, o Baki, que estava indo de Curitiba para o Ushuaia de moto. 

Chaitén – Villa Santa Lucia

O tempo amanheceu feio e decidimos tentar uma carona. Um casal nos deixou em El Amarillo, uma vila junto ao parque de mesmo nome e continuação do Parque Pumalín. Ali, havia sido recém-inaugurado um mercado bastante ajeitado, com alimentos, artesanato, roupas e diversos equipamentos para camping. Entrei para comprar café, mas nem precisei: a bebida era cortesia. 

Enquanto tentávamos a segunda carona, reencontramos nosso conterrâneo Baki, que teve um contratempo com a moto e voltava para Chaitén. Vimos também um casal de alemães que estava nas balsas conosco e viajava em uma linda Toyota Land Cruiser com um camper. O Artur se apaixonou!

Nossa carona até Villa Santa Lucia foi um rapaz e sua fofíssima mãe. Ela me convidou várias vezes para visitá-la em La Junta e repetia: “A señora o señorita no lo se.”

A estrada estava em obras e alguns trechos estavam bem ruins para passar. Provavelmente, logo virá o asfalto por aqui também. 

Patagônia 2015

Villa Santa Lucia.

Ao desembarcarmos, encontramos alguns cicloturistas subindo a Carretera Austral. Um casal de franceses, um outro francês que eles conheceram no caminho e que começou a viagem no Rio de Janeiro e um inglês com muitas histórias para contar. Era sua terceira viagem pela Patagônia, além de já ter pedalado na África e percorrido a Transamazônica.

O Artur se apaixonou pela bicicleta do inglês Justin, uma George Longstaff feita sob medida e que o acompanha há 15 anos pelas estradas do mundo.

Villa Santa Lucia – Futaleufu (79,8 km)

Estava apreensiva com esse trecho devido à altimetria mais puxada. Porém, o pedal foi bem mais tranquilo do que imaginei. Encaramos tempo nublado, mas sem chuva e pudemos admirar bem o caminho, repleto de montanhas ainda com neve.

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Lago Yelcho.

Próximo ao lago Yelcho, um cachorro saiu correndo de sua casa e nos acompanhou por cerca de 10 km. Por sorte, paramos numa casa onde as moradoras conheciam seus donos e se comprometeram a devolvê-lo.

Apesar de pequena, Futalefeu é ajeitada. Chegamos num domingo e praticamente todo o comércio estava fechado, claro. A salvação para os ciclistas esfomeados foi um centro comunitário onde acontecia uma feirinha de artesanato.

O Artur comeu duas fatias de um delicioso tiramissu e eu experimentei o mote com huesillos. No Equador, mote é um tipo de milho muito saboroso, mas, em território chileno, é trigo. Tomei a bebida bem gelada e achei gostosa a princípio, só que ela é tão doce que se tornou enjoativa.

Conversando com a senhora que nos vendeu as bebidas e doces, descobrimos que há muitos brasileiros morando em Futalefeu e, por pouco, não cruzamos com um deles.

A cidade possui muitas opções de hospedagem que só funcionam na temporada. E novembro definitivamente não se encaixa nesse período. Para nossa última noite no Chile, nos hospedamos no hotel Antigua Casona e jantamos na Hosteria Rio Grande. Era tanta comida, que nem dei conta.

Futaleufú – Trevelín (50 km)

Tivemos a manhã mais preguiçosa da viagem e também o melhor café da manhã. O dono do hotel, um italiano que há dois anos trocou Milão por Futaleufú, preparou uma mesa farta e ainda nos deu lanchinhos para a viagem.

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Minha primeira fronteira de bicicleta.

Os 10 km até a fronteira foram fáceis: asfalto e descida. E a entrada na Argentina foi ainda mais tranquila do que a saída do Chile. O cara que carimbou nossos passaportes até arriscou um pouco de português e o responsável pela aduana apenas perguntou se as bicicletas eram nossas e nos liberou.

O restante do caminho foi ruim por causa das costelas de vaca. E os últimos 7 km foram piores do que os 33 km anteriores. Não bastasse a estrada piorar, o vento contra apareceu, afinal, tínhamos entrado na Patagônia Argentina.

Trevelín é uma cidade bem fofa de colonização gaulesa e famosa pelas casas de chá. Até queríamos experimentar a cerimônia do chá, mas achamos caro (200 pesos por pessoa) e não queríamos nos entupir de doces. Acabamos jantando numa pizzaria mesmo.

Trevelín – Los Alerces (74 km)

Antes de partir, fomos ao mercado e à padaria abastecer nosso estoque de comida. Infelizmente, não encontrei nenhuma opção de empanada vegetariana.

Patagônia 2015

Chegamos e não havia ninguém na portaria.

Os 35 km até Futalaufquen são asfaltados e, apesar de quatro subidas puxadas bem na sequência, esse trecho rendeu. Fomos até o centro de visitantes do Parque Los Alerces onde conseguimos um mapa com indicações de hospedagem pelo caminho.

Seguimos até o Lago Verde, onde há um camping recém-inaugurado que custava 150 pesos. Só que a mulher que nos deu o preço não tinha mais nenhuma informação sobre a estadia. A outra opção de hospedagem ali era um resort, mas isso estava fora de cogitação. Decidimos voltar e ficamos no camping do Rio Arrayanes, um pouco mais em conta (120 pesos) e com boa estrutura – banho quente, banheiros limpos e uma lojinha de conveniência com comida e itens básicos.

Encerramos o dia de pedal com um jantar caprichado e cervejas artesanais geladas no rio próximo a onde montamos a barraca.

Los Alerces – Cholila (51 km)

Arrumamos tudo e deixamos as bicicletas na entrada do camping para podermos fazer a caminhada do Alerce Solitário e até o mirante para um glaciar. Seguimos a dica de atalho da moça do camping e levamos duas horas e 20 minutos para irmos e voltarmos incluindo o tempo para tirarmos muitas fotos da paisagem incrível.

Patagônia 2015

Em busca do Alerce Solitário.

O pedal até Cholila foi cansativo. Pedras, subidas e calor! Não estava mais acostumada a pedalar com 30˚C. Gostei bastante de conhecer o Parque Los Alerces e, com certeza, é um lugar para voltar e fazer mais caminhadas. 

Este foi o dia de encontrarmos ciclistas seguindo para o sul. Foram dois casais (dois americanos e um sul-africano e uma americana) e um trio não sei de onde. O rapaz sul-africano quis saber se estávamos achando a Argentina muito cara, pois estava inconformado com os preços cobrados.

Patagônia 2015

Uma ótima surpresa em Cholila.

Em Cholila, ficamos no hostel Piuke Mapu. Laura, a dona, é professora de apicultura e seu marido, Dario, escalador e guia de montanha. Eles fazem um trabalho de sustentabilidade com separação do lixo, banheiro seco e “bicimáquinas”, bicicletas feitas por um mexicano que passou por ali e que substituem eletrodomésticos. Há uma bicibomba para bombear água, uma bicimolino para moer grãos e uma bicilicuadora para preparar sucos e vitaminas com vista para as montanhas ao redor da cidade. A bici para lavar roupas foi doada a uma senhora.

Conversamos bastante com o Dario que nos contou sobre o trabalho que tenta realizar com os adolescentes de Cholila. Segundo ele, a população está dividida entre os donos da terra e as pessoas que trabalham para eles. A ideia é dar treinamento aos jovens para que eles possam sair desse esquema e atuarem como guias de turismo. Nossa primeira impressão é de que não havia muito o que conhecer por ali, porém, o Dario nos mostrou que estávamos bastante enganados.

Ele também nos contou a história de Butch Cassidy, o ladrão de bancos que fugiu dos Estados Unidos e se escondeu em Cholila. O policial que deveria prendê-lo chegou à cidade e o encanto foi tanto que comprou terras por ali e mandou avisar que não voltava mais. Butch fugiu para a Bolívia, onde, ao que parece, morreu. Ficamos sabendo dessa história porque Dario produz a cerveja Butch Cassidy e vimos algumas garrafas. Infelizmente, não havia nenhuma em estoque para provarmos.

Jantamos no restaurante/café Rai Mapu, indicado pelo Dario e pela Laura. É um espaço alternativo, meio hippie e bastante politizado. Aproveitamos para experimentar a cerveja Ruta 40, também recomendada pelo nosso anfitrião.

Cholila – El Bolsón (77 km)

O último dia pedalado começou com subidas e essa foi a parte fácil. Logo veio o famoso vento contra patagônico que faz o pedal não render e te tira da estrada com uma facilidade assustadora. 

Seguimos assim até Epuyén, onde paramos numa vendinha da estrada para fazermos um lanchinho. O Artur comprou um salame e eu peguei uma garrafinha de suco de mirtilo. Divino!

Antes de voltarmos para a estrada, ficamos conversando com o dono do lugar, o simpático senhor Roberto. Depois de passar a vida toda em Buenos Aires, ele se aposentou, foi a Epuyén visitar alguns amigos e não saiu mais de lá. Ex-fumante, ele nos disse com lágrimas nos olhos sobre um ataque cardíaco que sofreu: “Eu morri e nasci de novo”. Hoje, ele vive uma vida mais simples e uma de suas maiores alegrias é o contato com os viajantes que param em sua venda ao passar pela Ruta 40.

Nossa segunda trégua do vento foi em uma sorveteria em Hoyo, onde dei continuidade à degustação iniciada em Trevelín. O sorvete de morango frescos da região foi, sem dúvida, o melhor de toda essa viagem. E olha que vieram outros mais famosos depois.

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Enfim, El Bolsón.

Chegando em El Bolsón, fomos abordados pelo dono de um hostel, que nos ofereceu um quarto privativo por preço de camping. Ele e sua esposa queriam porque queriam que ficássemos mais tempo ali e foram nos perguntando sobre o roteiro e o que tínhamos achado da viagem.

Encerramos o dia com um menu degustação de cervejas em um restaurante tradicional indicado pelo dono do hostel. A cerveja de framboesa era incrível!

El Bolsón – Bariloche

Decidimos voltar de ônibus para Bariloche porque há muitos caminhões na estrada e não queríamos encerrar a viagem assim. A parte ruim é ter que pagar uma grana para os motoristas ao embarcar as bicicletas. Eles falam que é taxa da companhia, porém, isso é lorota.

Fomos pedalando da rodoviária até a casa da família hermana e todos ficaram muito felizes com nossa chegada antecipada.

Patagônia 2015

¡Que fiaca!

Os dias seguintes em Bariloche foram bem legais. Conhecemos alguns vizinhos, compramos verduras orgânicas, acompanhamos o Careca quando ele foi vender pão. Até tentei aprender a fazer pão com ele, mas me perdi nas medidas: um pouquinho de fermento, joga umas colheradas de açúcar, vai colocando a farinha, esse tanto de água, sal, sementes e voilá!

Ainda assim, passei bastante tempo na cozinha. Fiz temaki, quibe de batatas com verduras e esfihas, que foram carinhosamente chamadas de “empanadas árabes”. Depois desse dia, definitivamente, quero um forno de barro. As esfihas foram assadas em poucos minutos e ficaram deliciosas!

San Martín de los Andes

Continuando com as visitas, fomos para San Martín de los Andes visitar o Ingo, que trocou a Alemanha pela Argentina, conheceu o Artur e o Davi na viagem de 2012 e que eu já havia encontrado quando ele fez uma escala em São Paulo em 2013.

Embora também seja uma cidade turística, San Martín não tem o mesmo apelo de Bariloche, que tende para um turismo de consumo. Isso já foi suficiente para me encantar muito mais.

Fomos conhecer o Museu La Pastera, um antigo armazém de feno para animais onde Che Guevara passou algumas noites durante a viagem de motocicleta que fez pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado. Depois, ficamos andando pela cidade, até a hora de encontrarmos o Ingo novamente. Voltamos no dia seguinte para Bariloche.

Patagônia 2015

A família hermana.

Antes de voltarmos ao Brasil, ainda fomos conhecer um pouco mais de Bariloche. Acompanhados da Sarita, fomos com o Careca conhecer a Colonia Suiza e a região onde fica o Hotel Llao Llao.

Eu já tinha ouvido isso antes e é impossível não concordar: a Patagônia é apaixonante! E olha que visitei só um pedacinho. Com tantas opções para conhecer e explorar, 20 dias servem apenas para deixar um gostinho de quero mais.

Para quem quiser ver mais fotos, clique aqui.

Minas Outback

Minas Outback - ago 2015

Mulheres cicloviajantes na serra velha de Campos do Jordão.

Uma cicloviagem só de mulheres! A ideia surgiu quando, conversando com o Artur e o Tux, sobre um pedal pela Mantiqueira, foi usado o termo Minas Outback. Era uma referência ao estado de Minas Gerais e à ideia do Oregon Outback, mas adotei o termo com outro objetivo.

Minas Outback - ago 2015

Mantiqueira é sempre uma boa escolha.

Planejei um roteiro e chamei algumas meninas que sei que gostam de cicloviajar. Como foi a primeira vez que organizei algo assim, preferi chamar pouca gente. No começo, achava que seríamos apenas a Gabi e eu, mas, aos poucos, algumas mulheres foram topando e chamando outras.

Para não corrermos o risco de perder o ônibus, a Nataly sugeriu invertermos a rota. Essa mudança deixou o pedal mais tranquilo, ficamos folgadas em relação aos horários no domingo e ainda ganhamos uma horinha de sono.

Minas Outback - ago2015

Campos do Jordão – Monteiro Lobato – São Francisco Xavier – Caçapava.

No sábado, conseguimos embarcar as dez bicicletas e os alforjes sem qualquer problema e partimos às 6h para Campos do Jordão. Tomamos café da manhã perto da rodoviária e “chocamos” os atendentes do lugar pelo tanto que comemos (e olha que nem foi tanto assim).

O pedal começou gelado com a descida da serra velha. Foi uma delícia passar de novo por ali e lembrar da minha primeira cicloviagem.

Ao chegarmos à bifurcação para Santo Antônio do Pinhal, tivemos o primeiro e único problema mecânico da viagem. O câmbio dianteiro da Nataly não funcionava mais. Tentamos arrumar, mas a questão era o cabo e não tínhamos reserva. Por sorte, a corrente estava na coroa menor.

Minas Outback - ago 2015

Meu restaurante favorito em Monteiro Lobato.

Em Monteiro Lobato, almoçamos no restaurante Resgate Caipira. Chegamos no finalzinho do almoço, mas ainda tinha comida suficiente para as ciclistas esfomeadas. Subimos a serrinha para São Francisco Xavier com luz do dia, mas a descida foi apenas com as luzes dos faróis.

A hospedagem foi na Pousada Canto dos Pássaros, um pouco antes da entrada de São Francisco. Já havia ficado lá durante outra cicloviagem de fim de semana. O lugar é uma delícia e o atendimento muito simpático. Como tínhamos bastante comida nos alforjes, desencanamos de jantar em algum restaurante e aproveitamos a cozinha comunitária para compartilharmos as guloseimas, os vinhos e cervejas (de pinhão e avelã!).

Estrada do Livro

A manhã começou devagar. Tomamos café da manhã com calma e saímos às 10h da pousada. Pedalamos tranquilamente e logo estávamos em Monteiro Lobato de novo.

Como teríamos que encarar duas serrinhas em uma estrada sem abastecimento, sugeri almoçarmos no mesmo restaurante do dia anterior. Aqui o grupo se dividiu, pois algumas meninas disseram que ainda estavam cheias do café e decidiram seguir pedalando.

A Estrada do Livro também é chamada de Estrada Velha pelos moradores da região. O percurso é lindo, com duas serrinhas curtas e íngremes. Entre uma e outra, fica um dos sítios do Pica-pau Amarelo. Segundo nos contaram, esse é onde Monteiro Lobato morava.

Paramos para uma foto em frente à placa e reencontramos as meninas que optaram por não almoçar. A Vivi e eu ficamos doidas por um café e fomos perguntar se tinha ali. Num tom bastante mal educado, a dona disse: “são dez reais para visitar o sítio e servimos almoço apenas com reserva. Não temos café”. Então tá, não voltamos mais.

Minas Outback - ago 2015

Reagrupando.

De volta à estrada, encaramos o trecho de terra e pedrinhas, que, no sentido Caçapava, é uma subidinha de 3km. Cada uma subia no seu ritmo e, em determinado ponto, parávamos para reagrupar, sem deixar ninguém para trás.

Ao planejar a rota, esqueci de descontar os quilômetros de ida e volta entre São Francisco Xavier e a pousada, por isso, o pedal do dia foi mais curto do que achei que seria. Chegamos a tempo de trocar as passagens para um horário mais cedo e ainda deu para brindarmos à cicloviagem com cervejas no boteco da rodoviária.

Foi uma experiência e tanto! Era uma viagem em grupo, mas havia autossuficiência, pois cada uma era responsável por suas passagens, hospedagem, lanchinhos.

Alguns conhecidos não tinham muita certeza sobre esse pedal. Vai dar certo? Vai ter quórum? No fim, deu certíssimo e foi só o primeiro. Se alguma mulher está na dúvida sobre fazer uma cicloviagem, espero que este evento seja um incentivo. Sozinha ou com amigas, simplesmente vá.